sábado, 20 de dezembro de 2014

A região de Sicó vale mesmo a pena!

Que melhor forma do azinheiragate se despedir de 2014! Deixo-vos com algumas das imagens que mais me marcaram neste ano de 2014, esperando que as mesmas inspirem quem é de cá ou quem, não sendo, anda a pensar se vale a pena migrar ou emigrar para esta bela região que é Sicó. É por tudo isto e por muito mais que o azinheiragate existe, para proteger, valorizar e divulgar de alguma forma todo este riquíssimo património! E se com isso incomodo pessoas, entidades ou lóbis... temos pena!







terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A arte e o zanato


Falo, claro, do artesanato. Há várias definições de artesanato, no entanto não me cabe dissertar sobre qual será a melhor definição do conceito "artesanato".
Falando em artesanato, quantos de vós fazeis questão em comprar algo para oferecer no natal, feito em Portugal em vez de made in China? E quantos são aqueles que, juntando o útil ao agradável, compram algo realmente útil e feito localmente, com matéria-prima da região ou do país? Estes são pequenos grandes pormenores que fazem toda a diferença em termos de desenvolvimento territorial e económico, com evidentes reflexos também ao nível social.
O que vêm na foto são três artigos meus, camisola, caxecol e um gorro, sendo ao mesmo tempo o meu alibi perfeito para falar sobre artesanato. Não considero isto artesanato no verdadeiro sentido da palavra, pois tudo isto foi feito por pessoas minhas conhecidas, a custo zero (para mim, claro) e à medida. Se fosse algo produzido para vender, aí consideraria tudo isto como artesanato, no entanto tudo isto são artigos elaborados com o auxílio da bela arte do tricotar e sem intuito que não o utilitário. Quantos são aqueles que conhecem pessoas que ainda sabem tricotar? Na região de Sicó ainda há muitas, no entanto é uma arte que se vai perdendo.
Especialmente a camisola, é uma autêntica obra de arte, tendo eu outras mais e de várias cores, feitios e texturas. Se alguém me quisesse comprar esta camisola, eu não a vendia por valor nenhum. Tem valor sentimental e não há dinheiro que pague o sentimento, essa é que é a grande verdade. Sentimentos à parte, esta camisola vale mais do que uma semelhante, de marca elitista. Esta camisola, o caxecol e o gorro foram feitos com sentimento e não com propósito financeiro e isso faz toda a diferença. 
Não sei qual o valor de mercado de uma camisola deste género, feita à mão, claro, no entanto suspeito que valeria largas dezenas de euros. 
Estamos numa altura que se fala muito no comércio tradicional ou de proximidade, no entanto fala-se pouco de artesanato, de pessoas que são mestres numa determinada área e que poderiam ter mais sucesso se todos nós prestássemos mais atenção aquilo que nos torna pessoas mais interessadas pelo seu futuro, pelo futuro do seu país e por toda uma cultura secular. Que tal parar para pensar um bocado? Compra local e feito em Portugal, o país agradece e tu vais ver que também te vais agradecer!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Orçamento participativo para totós




Há alguns anos que começaram a surgir nas prateleiras de algumas livrarias. Falo, claro, de uns livros que, através de um notável marketing, baseado na expressão "para totós, pretendiam ajudar o leitor nas mais variadas matérias. Até hoje não vi nenhum livro que juntasse orçamento participativo à expressão "para totós", daí a escolha do título para este comentário, o qual espero que ajude pelo menos uma pessoa neste domínio.
Mas comecemos pelas coisas mais sérias, ou seja o tema dos orçamentos participativos. O orçamento participativo é uma ferramenta que tem muito potencial, já que consegue trazer muitas pessoas ao exercício efectivo da cidadania. Este é um dos nossos grandes problemas na região de Sicó, e não só. Temos o mau hábito de não fazer questão de tomar em mãos o belo exercício activo da cidadania. Muitos preferem alhear-se da mesma, pensando que, depois, quando as coisas não correm ao seu agrado, conseguem mudar alguma coisa apenas através da crítica pela crítica. Ou seja, quando têm a possibilidade de o fazer, não o fazem, mas depois, quando passou o tempo de falar, insurgem-se, imagine-se.
Os orçamentos participativos já chegaram à região de Sicó. Penela foi um dos casos que acompanhei, até porque se tem assumido como líder nesta questão, a par com Condeixa. Os meus parabéns as estes dois municípios. Em Pombal não sei exactamente como a coisa vai, no entanto sempre se encontra algo quando se procura na internet. Em Soure encontrei apenas uma referência, indirecta, sobre o tema. Em Alvaiázere não encontrei nada, o que, diga-se, não me surpreende tendo em conta o estilo de governança macrocefálica do autarca local.
Por Ansião o assunto já foi abordado em assembleia de Câmara, e é aí que fui descobrir uma preciosidade daquelas que vale mesmo a pena ouvir. Desde já deixo-vos o link em causa, sendo que a tal preciosidade se desenrola a partir das 2 horas e 49 minutos: http://bambuser.com/v/5111533
Trata-se então de uma série de comentários curiosos, por parte de um deputado, sobre o orçamento participativo. Logo, para começar, afirma que a sua opinião vale o que vale, o que na minha opinião mostra uma absoluta falta de confiança no que vai dizer. Ao nível de assembleia municipal há coisas que não me parece que sejam as mais correctas de se afirmar, esta é apenas uma delas. Depois, o mesmo deputado sublinha o facto de não ser propriamente um amante do orçamento participativo, o que mostra que logo à partida a sua mera opinião está enviesada por estereótipos.
Depois confirma que não sabe, no concreto, o que são os orçamentos participativos, pois afirma que são  uma moda que se está a criar no país. Errado meu caro, os orçamentos participativos são parte do futuro em Portugal e na região de Sicó. Sugiro a este deputado que leia um bocado sobre esta matéria, não só no caso português, bem como, e fundamentalmente, a nível internacional, pois já há um bom historial sobre os orçamentos participativos. Se a nível nacional os orçamentos participativos são recentes, tal como os conhecemos, na Europa estes já têm tradição e meios financeiros substanciais.
Para piorar a sua fraca sustentação, em termos de argumentação, este deputado afirma que em alguns concelhos o orçamento participativo tem base antidemocrática. Diga lá outra vez sr. deputado José Carlos Marques?!
Para finalizar, afirma ainda que os orçamentos participativos basicamente já existem. Será mesmo assim? Novamente sugiro ao sr. deputado que leia sobre orçamentos participativos, pois claramente foi para aquela reunião sem fazer o trabalho de casa. Sugiro, entre muitos outros, a leitura de um interessante artigo, presente na Revista Smart Cities, número 2, com o título "cidadania à lupa", bem como a visualização dos sites dos orçamentos participativos de Penela e Condeixa. Aqui o sr. deputado poderá obter alguma informação que sustente minimamente as suas posições sobre orçamentos participativos. Por exemplo, sabe que está a ser preparado, em Portugal, um Observatório de iniciativas de democracia participativa? Chama-se "Portugal Participa".
Será que o sr. deputado não considera os cidadãos competentes para exercer a cidadania activa? Fico à espera das suas explicações, já que enquanto deputado deve-me explicações.
Claro que nestes processos, e tendo em conta que estão no seu início, haverá problemas, sejam eles mais ou menos complexos, mas afinal isso faz parte do processo de amadurecimento.
E é assim que as coisas andam, em termos de orçamentos participativos na região de Sicó.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O lado negro dos circos


Este é daqueles comentários que, confesso, não tinha planeado elaborar. No entanto, e já depois de estar a escassos centímetros do belo animal que vêm na foto, senti que fazia todo o sentido abordar também esta questão no azinheiragate. 
Estar em frente a um animal como este e ver no seu olhar o desespero e o stress de estar enjaulado, é algo que mexe com quem tem sensibilidade para um tema tão importante como é o a vida selvagem.
Já deixei de ir ao circo há mais de duas décadas, pois nunca achei graça ver animais como este enjaulados e presos toda uma vida só para que alguém se possa divertir com o sofrimento alheio. Obviamente que não condeno a utilização de todos os animais nos circos, pois afinal há alguns que se enquadram, caso do nosso fiel amigo, o cão, ou mesmo o gato. Estes dois são animais que nos acompanham há muitos anos, sem que para isso precisem de estar enjaulados e de sofrer. Cães e gatos vivem connosco, portanto não vejo problema algum em vê-los num circo, desde que devidamente bem tratados e respeitados, tal como qualquer um de nós faz ao seu cão ou gato.
Condeno sim a utilização de animais como o tigre, leão, rinoceronte ou similares. O lugar destes animais não é numa jaula! Parece-me que em poucos anos esta infeliz prática irá inevitavelmente acabar.
Querem ver vida selvagem? Simples, usufruam a Natureza no seu melhor, que irão ver todo o tipo de animais a fazer as coisas mais belas que já viram. Querem realmente ver leões, tigres e afins? Simples, embarquem num safari devidamente certificado, que respeite a vida selvagem e as populações do país em causa.
Se nós próprios somos capazes de fazer tanta coisa extraordinária, porque é que havemos de recorrer ao sofrimento de animais tão extraordinários como o da foto?
Circo sim, mas sem palhaçadas. Palhaços, trapezistas e acrobatas são apenas alguns exemplos de como podemos trazer excelência à arte circense. O Chapitô é uma das boas escolas, de onde sai precisamente a excelência que pode ser trazida aos circos e a outros espaços.
Da próxima vez que o circo chegar à vossa terra, pensem bem naqueles animais enjaulados...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Conversa do carvalho


É incrível como a nossa mente perversa tende logo a assumir que o título desta crónica tem outra conotação. Agora que consegui a vossa atenção, vamos então a mais uma crónica da "conversa", desta vez conversa do carvalho. A última tinha sido a conversa do vime, conversa esta que não teve tanto sucesso porque a nossa mente tende a não perverter com títulos menos peculiares.
Logo a partir de Setembro, comecei a ver circular várias carrinhas carregadas com lenha de carvalho, algo que me surpreendeu mesmo dada a enorme quantidade de pessoas que gostam da lenha de carvalho para a lareira. Pena é haver tanta gente que gosta de cortar os carvalhos, mas que não tem o hábito de os plantar, pensando no seu futuro e no futuro dos seus mais queridos. Sei que pelo menos parte daquela lenha decorreu de abate ilegal de carvalhos, mas infelizmente não consigo estar em todo o lado e não consigo ainda chegar a tantas pessoas quanto gostaria, do ponto de vista pedagógico. A educação ambiental e cívica é uma luta minha já com vários anos.
No dia 25 de Outubro, participei numa acção de apanha de sementes de carvalho cerquinho, aqui na região de Sicó, para posterior reflorestação a nível nacional (Projecto Floresta Comum). Mesmo apesar da tardia divulgação, fez-se uma divulgação que alcançou muita gente, no entanto foram muito poucas as pessoas que fizeram questão em dar uma pequena parte do seu tempo para uma causa tão nobre. Além dos dois elementos da organização, foram apenas mais 4 pessoas que se juntaram a nós. Uma de Ansião, duas de Ferreira do Zêzere (uma delas era um geógrafo inglês!) e outra de Braga. Urge reflectir do porquê da falta de interesse das pessoas nesta actividade. Se há tanta gente a adorar a paisagem de Sicó, porque serão escassas as que, na prática, fazem algo de muito concreto por esta maravilhosa paisagem e pelo carvalhal de Sicó? Se temos a maior mancha de carvalho cerquinho da península ibérica, porque não fazemos por manter ou mesmo aumentar a mesma em vez de andar diminuir a mesma?
No final da acção de apanha de sementes, fiquei consciente de duas coisas, a primeira era que as minhas costas acusavam um enorme cansaço, já que tinham estado 4 horas dobradas em prol de uma causa esquecida por muitos. A segunda era que me sentia muito bem, quase como que um pai do carvalhal. Pelas nossas contas, devem ter sido entre 30000 a 40000 carvalhos que vamos fazer nascer em dois viveiros, e uma enorme mancha de carvalho cerquinho que se vai criar devido à nossa vontade de tornar este país um lugar ainda mais agradável para se viver e desfrutar, sozinho ou com os nossos mais próximos.
O carvalho não é apenas lenha, é sim vida! Se querem um melhor futuro, plantem carvalhos, não se fiquem apenas pelo corte dos mesmos!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Leiam, sem acordo ortográfico, o património e a cultura agradecem!

Já lá vão uns meses desde a última vez que foquei a bela da leitura, claro que apenas aquela livre de um suposto "acordo" ortográfico, o qual é um atentado à língua portuguesa. Agora que tenho algum tempo para as leituras não técnicas, toca a pegar naqueles livros ou revistas que adquiri recentemente.
Nunca é demais salientar a importância da leitura, mais ainda quando se pode aprender mais sobre temáticas como o ambiente e o património. Ler capacita-nos para o exercício da cidadania, não se esqueçam desse pequeno grande pormenor!
Destes todos destaco o primeiro, Pensar Como Uma Montanha, de Aldo Leopold. Já tinha ouvido falar muito deste livro, sobre o facto de ser uma obra intemporal e de ser daquelas obras que não devemos prescindir de ler. Confesso que não ligo muito a rótulos, já que, por vezes, são os fazedores de opinião que nos querem impor a sua visão sobre o mundo. Prefiro ler e ter a minha própria opinião.
Acabei hoje de ler este mesmo livro, ficando completamente rendido ao mesmo, algo que não é assim tão fácil. É uma obra que, mesmo apesar de ter sido escrita há quase 70 anos, é extraordinária, actual e de uma grande profundidade. A sua leitura exige sentidos afinados, pois só desta forma se consegue assimilar os factos e saborear as sábias palavras.


Apesar de ser uma edição antiga, é, sem dúvida alguma, um conjunto de obras com muita "matéria-prima" para trabalhar num passeio de lés a lés. Faltam-me ainda alguns...


Faço aqui uma breve nota de uma revista que apenas há 1 mês tomei conhecimento da sua existência, o que até é normal tendo em conta que este é apenas o seu segundo número, embora o terceiro esteja por estes dias a chegar às bancas. Fiquei rendido à qualidade e pertinência da Revista Smart Cities. Fiquei imensamente contente por esta, tal como outras, não adoptar o AO, algo que possibilita a sua compra da minha parte. A não perder!


Um livro a ter em conta no domínio do património construído. Há que dizer que a região de Sicó também padece deste grave problema. Brevemente irei voltar a falar disto mesmo.


E porque há uma grande diferença entre alimentos e produtos alimentares, eis um livro que me parece interessante neste domínio. 


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

E que tal fazer da região de Sicó uma zona livre de organismos geneticamente modificados?!

É um tema que tenho feito questão de acompanhar já há largos anos, concretamente desde que me iniciei nas lides ambientais. Falar de Organismos Geneticamente Modificados não é fácil, no entanto é fácil falar sobre os interesses económicos que se servem da desculpa "alimentar o mundo" para impor um modelo de negócio que é totalmente contra os princípios mais elementares da soberania alimentar. É também um modelo de negócio que atenta contra a biodiversidade do planeta, a qual é a garantia do nosso futuro. Empresas gigantescas como o são a Monsanto, Bayer, Syngenta, Dow e afins baseiam-se em boa parte na nossa dependência de sementes, as quais estas tentam a todo o custo registar em termos de patentes. É uma indústria que movimenta milhares de milhões e que desvirtua muita gente, com ou sem princípios.
Há poucos dias dei-me ao trabalho de analisar esta questão, no que concerne ao milho, descobrindo eu que, já este ano, o milho geneticamente modificado foi semeado em Soure, portanto bem pertinho de todos nós. Tenho a certeza se o minifúndio fosse residual na região de Sicó os OGM´s já teriam tido algum sucesso e perturbado tudo o resto, mas felizmente que o minifúndio ainda manda por estes lados, servindo de barreira contra invasores.
Será interessante perceber, no curto prazo, se as abelhas vão começar a desaparecer "misteriosamente" nas áreas em redor deste campo de milho geneticamente modificado, pois é isso que tem acontecido noutros lados...

Cultivo de milho geneticamente modificado (2014) na abrangência da região de Sicó


Fonte: Direcção Geral de Alimentação e Veterinária

Indo então ao cerne da questão, o meu desafio é simples, o de tornar a região de Sicó uma zona livre de Organismos Geneticamente Modificados. Não se deixem iludir, pois estes não são a autodenominada salvação para milhões de pobrezinhos, já na década de 60, do século passado, as grandes multinacionais vieram com essa conversa durante a denominada "revolução verde", a qual foi guiada por uma série de empresas "químicas" e por um químico que trouxe a desgraça, o conhecido DDT.
Fiquem com alguns (entre muitos mais...) sites onde podem aprender e partilhar informação sobre o que é realmente importante:





Uma sociedade bem informada é uma sociedade com futuro!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Erros básicos de marketing territorial

Marketing territorial, nem mais! Há poucas semanas atrás, aquando do comentário sobre a Feira Quinhentista ocorrida em Santiago da Guarda, referi que posteriormente iria debater precisamente esta questão, ou seja as falhas que, por vezes, podemos observar em eventos deste género. Quando se organiza um evento onde o objectivo principal é o marketing territorial, um dos principais cuidados a ter é o de garantir coerência no regulamento e na aplicação do mesmo. Se o evento tem como intuito representar outras épocas, nunca se pode permitir que surjam adereços que não correspondem a estas mesmas outras épocas.
O regulamento da Feira Quinhentista até estava bem elaborado, daí eu estranhar o que as duas primeiras fotografias pretendem mostrar. A organização falhou redondamente neste aspecto, pois permitiu algo que nunca deveria ser permitido. Sugiro também às empresas que colocaram estes painéis que em próximos eventos criem painéis inspirados na época, pois é fácil e baratíssimo. Com criatividade tudo se faz.
Este meu comentário pretende fundamentalmente alertar para esta e outras falhas, pois estas colocam em causa a imagem do evento que, diga-se, à parte destas duas falhas, foi um excelente evento cultural. 



Outro aspecto que não posso deixar passar em branco, e que sugiro que ponderem, é o facto de no meu entender não ser lógico estar uma roulote de kebabs mesmo em frente ao castelo, nos dias do evento em causa. Será que faz sentido isto num evento deste género? Será que faz sentido os kebabs estarem a competir directamente com os restaurantes devidamente enquadrados no espírito da Feira Quinhentista?
No meu entender o feirante fez o seu papel, no entanto e no meu entender o regulamento da feira deveria garantir uma "zona livre", onde a única "competição" entre feirantes seria entre aqueles que vendessem produtos "medievais" apresentados quase como à época.
A organização da Feira Quinhentista deverá ponderar muito bem esta questão, pois é algo que prejudica a imagem do evento. Espero que, com este comentário, a Feira Quinhentista do próximo ano chegue a um patamar de excelência, pois Ansião e a região de Sicó merecem.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Gostava de ver neste mapa Ansião, Alvaiázere, Condeixa, Pombal, Penela e Soure!


Mas não só, gostava sim de ver todos os municípios e todas as freguesias do país neste mapa. Infelizmente todos os municípios da região de Sicó e a esmagadora maioria dos municípios de Portugal estão no mapa dos viciados em herbicidas. Há mapas deste drama, mas pecam por defeito.
A minha sugestão é simples, enviem uma carta ou e-mail às vossas autarquias e juntas de freguesia. Podem também telefonar. A cidadania exige acção da nossa parte e não se esqueçam que os herbicidas são um grave problema, não para o ambiente mas sim para nós próprios!

domingo, 9 de novembro de 2014

Ansião com c ou com s?



Há uns meses atrás, recebi uma mensagem, através do azinheiragate, que pretendia alertar-me para o facto de Ansião escrever-se com o s e não com um c. Isto porque no blog refiro que sou de Ancião e não de Ansião. 
Compreendo, e agradeço, a chamada de atenção, no entanto o que eu pretendo é mostrar que houve um tempo em que se escrevia Ancião e não Ansião. Eu ainda sou desse tempo. Nos mapas de Portugal, que cada um de nós tinha nos tempos da primária, constava Ancião e foi assim que aprendi. Claro que depois Ancião passou para Ansião. Se bem me lembro, isto deve-se ao facto de que os historiadores conseguiram determinar que, afinal, o correcto era mesmo Ansião. Penso que noutros tempos Ansião se denominada por Ansiom, ou algo muito aproximado.
Este meu comentário pretende alertar para que há toda uma história que anda a cair no esquecimento, algo que eu considero grave. Hoje em dia impera o supérfluo, mais facilmente um miúdo sabe o historial de um jogador de futebol do que a história do seu país. Cultivam-se mentalidades à casa dos labregos e parece que isso é aceitável.
Aproveito este comentário para abordar também uma outra questão. A maioria de vós já percebeu que eu não sigo o denominado “acordo ortográfico”, ou AO. Esta altura é a ideal para me justificar, se é que há necessidade disso.
Não sigo o acordo ortográfico (AO) porque o AO não é afinal um AO, mas sim um acordo criminoso de mercantilização da língua portuguesa. Sou apologista da evolução linguística e até concordo com alguma da evolução, no entanto este AO não teve como base a necessidade de evolução, mas sim a questão económica. Não aceito que com um falso pressuposto se altere o que de mais sagrado uma cultura pode ter, a sua língua. E isto sem que sequer tenha ocorrido um referendo... Lembrem-se que a maioria de nós, portugueses, somos contra o acordês, o problema é que parte significativa dos mesmos são passivos perante um tema fundamental, que mexe com a nossa identidade secular.
Tenho lido muito sobre o AO, não gostando de muita da demagogia utilizada em redor do mesmo. Este AO foi efectuado por colarinhos brancos (que considero traidores da nossa cultura), à revelia do povo. Houve vários pareceres negativos e curiosamente um único, positivo, foi levado em conta. Há interesses económicos a guiar o AO, o que é muito perigoso para a nossa cultura. O único interesse a guiar um AO deve ser o do povo!
O meu apelo é um só, recusem o AO. Ninguém vos pode obrigar. Além disso, ao continuarem a escrever da mesma forma, antes do AO, não estão a cometer erros ortográficos, estão apenas a utilizar a língua portuguesa! Lembrem-se que os mesmos que aprovaram o AO, nas vossas costas e sem consulta popular, são os mesmos que levaram o país à situação onde ele está...
Eu não compro livros, revistas, jornais ou afins que utilizem o AO, é uma questão de coerência. Faça-se um novo AO que esse sim, siga os interesses do povo e do seu maior tesouro a língua portuguesa!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Os negócios também se fazem de bicicleta, sabiam?


No mês passado fui novamente a mais um evento no centro de negócios. Mais uma vez fui de bicicleta e mais uma vez não encontrei nenhum estacionamento para bicicletas, daí ter sido obrigado a prender a bina a uma árvore, facto que, claramente, prejudica a imagem do centro de negócios de Ansião. Sim, eu sei que a bicicleta não é nenhuma topo de gama, mas afinal isso não é relevante. Esta, da foto, é a minha histórica, tendo eu mais duas, uma desdobrável e outra para o monte.
Não sei qual é a realidade de outros centros de negócios da região, no entanto sei qual é a realidade de alguns quantos centros de negócios espalhados pelo país e também fora de portas. 
Falando nos melhores centros de negócios, todos eles têm estacionamento para bicicletas. O motivo é simples, afinal os negócios também se fazem de bicicleta. Eu sei que nesta região o preconceito para com a bicicleta ainda subsiste, no entanto este tem de ser ultrapassado.
Quem anda de bicicleta ainda é visto, muitas vezes, como o coitadinho que anda em duas rodas porque não tem dinheiro, no entanto há muitos empresários que também andam de bicicleta e não apenas por mero lazer. Vivemos ainda numa época onde a aparência é, para muitos, tudo. Andar de bicicleta é uma forma de estar na vida, portanto nada mais natural do que haver estacionamentos para bicicleta em locais estratégicos. Na vila de Ansião existem apenas dois estacionamentos para bicicletas. O primeiro foi construído pelos Bombeiros Voluntários de Ansião, para os seus voluntários deixarem as bicicletas durante o serviço. O segundo foi feito no decorrer de um parque de estacionamento, mandado construir pela Câmara Municipal de Ansião. Neste último a sua localização deixa tudo a desejar, pois este estacionamento foi feito ao lado dos caixotes do lixo, quase que apenas para encher aquele espaço indesejado por todos.
Fica então o alerta para o que eu considero um problema, ou seja a falta de estacionamento para bicicletas no Centro de Negócios de Ansião, mas não só, pois há que perceber igualmente qual é a realidade por exemplo em Pombal, Penela, Soure, Alvaiázere, Condeixa, entre outros.

domingo, 26 de outubro de 2014

Viagem ao Centro da Serra: falar sobre pedreiras incomoda muito...


Volto então à crónica "Viagem ao Centro da Serra", iniciativa que tem como intuito fundamental a discussão de um dos temas literalmente fracturantes desta região, ou seja a extracção de pedra calcária. Novamente, e para balizar o tema, eu não sou contra a extracção de pedra, sou sim contra a falta de ordenamento neste domínio. 
As negociatas em redor da extracção de pedra são, por vezes, muito curiosas, onde uma empresa costuma pagar o que eu considero uma reles renda em troca da destruição de um bem maior, muitas vezes em terrenos baldios, que em vez de serem geridos pelas comunidades, são geridos pelas autarquias respectivas. 
Desta vez trago-vos uma pedreira situada em Alvaiázere, para todos os efeitos a laborar há vários anos em plena violação do actual Plano Director Municipal (uma entre várias...), pois já há alguns anos que esta ultrapassou a área legalmente prevista para a extracção de pedra (facto!). O imbróglio jurídico decorre ainda. Este buraco situa-se no domínio dos baldios, sendo que a empresa paga uma renda de alguns milhares de euros à Câmara Municipal de Alvaiázere. É uma das pedreiras que mais polémica tem trazido à região.
Deixo-vos com estas imagens, esperando que as mesmas vos ajudem a reflectir sobre um tema que realmente a todos importa. O pior que podemos fazer é alhearmo-nos desta questão, assobiar para o lado e continuar a ouvir opiniões baseadas em estereótipos, disseminados muitas vezes por gente comprometida com os interesses económicos que abrem estas crateras numa região onde a paisagem cultural é ainda uma marca de grande valor.








quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Voluntário/as precisam-se!


Fica o desafio para aqueles que podem ajudar no dia 25, em prol da floresta portuguesa. Eu estarei por lá, pedindo a todo/as o/as que possam que façam o mesmo. Agradeço divulgação!

sábado, 18 de outubro de 2014

A caca da caça...


Fico entristecido por, de forma recorrente, ter de falar deste tema. Fico feliz por nos últimos anos o número de caçadores ser cada vez menor, especialmente tendo em conta o facto de muitos deles terem prazer em vandalizar tudo aquilo que encontram à frente. Seria importante todos os caçadores terem de prestar provas, de modo a que anormais como aqueles que fazem o que consta na fotografia acima, e ocorrido em Penela, fossem detectados e impedidos de pegar numa espingarda.
É certo que nem todos os caçadores fazem asneira, conhecendo eu alguns que respeitam, no entanto nunca ouvi um destes dizer que deu uma lição a algum caçador menos respeitoso. Já vi algumas boas acções de caçadores, no entanto a maior parte delas tem segundas intenções, vulgo greenwash!
Há umas semanas, ao voltar ao local de um incêndio, ocorrido em 2012, em Alvaiázere, deparei-me com algo preocupante. Na altura estranhei que, sob o falso pressuposto do combate ao incêndio, se rasgasse um estradão pela colina do Castelo, precisamente no seguimento de uma estrada ilegal, aberta por uma empresa de extracção de pedra (denunciei o caso às autoridades nessa altura). Agora, ao voltar ao local, constatei que a única acção ali feita, depois do incêndio, não foi prevenir incêndios, mas sim plantar umas quantas placas alusivas a um campo de treino de caça. O que tem a Associação de Caçadores de Alvaiázere a dizer sobre o caso? O que tem a Câmara Municipal de Alvaiázere a dizer sobre esta situação, tendo em conta que, tal como o faz para outras associações concelhias, transfere anualmente alguns milhares de euros, através de subsídios (directos e/ou apoio a batidas ao javali), para aquela Associação?


terça-feira, 14 de outubro de 2014

O bicho papão do mau tempo...


Não aprecio nada ouvir na rádio ou na televisão o termo "mau tempo", pois este termo rotula negativamente algo que eu considero belo. Há sol e há chuva, há calor e frio, há vento e a ausência do mesmo. Para mim há apenas tempo mais ou menos favorável a determinadas actividades. Mas isso sou eu, que já tive a felicidade de estudar climatologia. 
Quando a chuva está por perto, a maior parte das pessoas recolhe-se demasiado tempo nas suas casas, entre paredes. É nessa altura que se vê uma enorme mudança no comportamento das pessoas, pois mais parece que estas se diluem caso levem com alguma chuva, daí o medo de uns pingos de água. Por esta altura são já escassas as pessoas que passeiam na rua depois da jantarada, tal como o faziam naquelas noites quentes de Verão. É comum eu andar sozinho por aí, já que afinal quase todos estão em casa. 
Muitas destas pessoas não se apercebem do que afinal estão a perder. Roupa quente e conhecimento sobre os fenómenos meteorológicos fazem toda a diferença na hora de saber usufruir de um qualquer território no Outono ou no Inverno. Por exemplo, ir à serra e ver algo de tão belo como o que a fotografia acima mostra, vale mesmo a pena. E não, não é nenhuma imagem de um filme, é a realidade que passa literalmente por cima de muitos de vós. A trovoada também é bonita de se ver, mas para isso há que seguir regras básicas de segurança, por isso não recomendo a todos que façam o que eu faço quando há a bela da trovoada.
Quando o tempo estiver de chuva, experimentem uma perspectiva como a que a fotografia acima mostra, tenho a certeza que a maioria de vós ficará maravilhado/a!


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A identidade cultural e o exercício da cidadania

Muitos falam dela, mas, talvez por ser tão chata e trabalhosa, muitos prescindem dela em momentos determinantes. Falo da bela Cidadania, uma Senhora que é pouco falada por uma sociedade cada vez mais alicerçada no supérfluo, no culto da aparência e numa vida alicerçada numa muito preocupante inversão de valores.
Há poucas semanas atrás realizou-se na região de Sicó um evento cultural de grande qualidade, no qual fiz questão de participar, usufruindo gratuitamente de actividades várias, inseridas na Feira Quinhentista ocorrida em Santiago da Guarda, Ansião. Fiquei bastante contente por ali estar e (re)ver que, quando querem, as autarquias conseguem realizar eventos culturais de grande valia. Houve algumas falhas, mas o comentário às mesmas fica para depois.  


Durante o evento, e por várias vezes, andei a palmilhar cada cm do recinto e no seu exterior, tentando absorver aquele ambiente fantástico que por ali se propiciava. Falei com o pessoal conhecido, tirei várias fotografias e ainda fiz uns vídeos. Bom ambiente, boa música, boa comida e muito mais.
No domingo a chuva estragou o ambiente, mas quanto a isso nada havia a fazer...
Em tudo isto falhou algo que me preocupa desde há vários anos, ou seja a pouca participação pública por parte de uma população que mais facilmente iria aquele lugar se lá houvesse uma festa (paga...) com um daqueles espécimes saídos da casa dos labregos. Não me conformo com o facto de se ter um evento cultural tão importante e serem poucas as pessoas que fizeram questão de participar naquele evento. Foram algumas centenas, mas num país que efectivamente gostasse da sua cultura seriam milhares de pessoas a usufruir deste evento, o qual em caso de necessidade poderia facilmente ser ajustado para um maior número de visitantes.


Nós, portugueses, andamos a ganhar maus hábitos, um deles prende-se com a demissão do exercício da cidadania, gesto cada vez mais comum por este território tão peculiar. A cidadania significa direitos e deveres, no entanto muitos ficam-se quase que apenas pela parte dos direitos. São estes os primeiros a queixar-se quando as coisas correm mal, mesmo que parte da culpa seja destes, por terem mandado à fava os deveres. 
Para este país e esta região ter sucesso há algo de fundamental a ter em conta, o facto que de nada vale exigir aos outros um melhor país se nós próprios pouco fizermos pelo mesmo. Dar e receber é a máxima a ter em conta!
Quando souberem de uma qualquer evento cultural façam o mais simples, participem sff, pois a cultura e o património agradecem a lembrança!

domingo, 5 de outubro de 2014

A nova Lei dos Baldios está aí...



Parece incrível, mas o facto é que passou ao lado da maior parte da população. A nova Lei dos Baldios, elaborada por colarinhos brancos, está aí. Dos mais de 500 000 hectares de baldios existentes em Portugal, não sei quantos são relativos à região de Sicó.
Os baldios são desde há alguns anos um bem apetecido pelo poder político, que com esta Lei está no bom caminho para retirar ao povo mais um dos seus redutos. Parece-me evidente que esta alteração não é inocente. Aqui, na região de Sicó, um dos principais motivos que fez acordar o poder político para a importância dos baldios, foi a construção de parques eólicos, que resultou em avultadas verbas para as autarquias e que resultou igualmente em guerras entre compartes, que, agora, se viam perante uma mina de ouro. Já houve casos em que os baldios foram literalmente privatizados e, agora, as portas estão abertas para a especulação em redor dos baldios. A gestão dos mesmos terá em conta interesses externos e não o interesse das populações, tal como sempre foi apanágio dos baldios.
Uma coisa é certa, todos temos a culpa, uns mais do que outros, pois alheamo-nos do processo político, deixando os lobos ficarem com tudo. Muitos dizem que não têm tempo para estas coisas, mas têm tempo para horas a fio em frente à televisão. Temos o que fazemos por merecer, há que dizê-lo.
O certo é que a pouco e pouco vamos sendo espoliados de tudo o que de melhor este país tem. Colarinhos brancos, que vivem entre quatro paredes de um escritório qualquer, guiam as nossas vidas e nós até gostamos. Muitos são os que se queixam, no entanto poucos são os que se mexem em prol de causas e valores...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Interessados?!



Alguém está interessado em desenvolver alguma acção no âmbito destas acções, na região de Sicó? Fica o desafio para algo que é crucial para o futuro de todos nós!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Quem anda a desviar os peregrinos de Santiago?!



Primeiro fui avisado por alvaiazerenses indignados, depois por pombalenses e desta forma tive mesmo de ir ver com os meus olhos. Não foi nada que me surpreendesse, pois naquele território tudo é possível acontecer e cada coisa consegue ser pior do que a outra.
Mais recentemente falei directamente com alguns peregrinos do Caminho de Santiago, de forma a perceber o que se passava. Descobri que é um problema que já se passa noutros locais, mas agora o problema surgiu também na região de Sicó, logo onde reina a chico-espertice de alguns iluminados, que pensam que de forma impune podem andar a pintar setas amarelas, que nem freak show, onde não existe Caminho de Santiago, enganando assim vários peregrinos de Santiago. Importa salientar que várias setas foram pintadas onde não existe Caminho de Santiago, o que representa uma inaceitável falta de ética.
Tenho a sorte de já ter falado com centenas de peregrinos do Caminho de Santiago, das mais variadas nacionalidades e idades, que passam pela região de Sicó, concretamente por Ansião. Conviver com estas pessoas é de uma riqueza assinalável, isso vos posso garantir.
Nos últimos anos o Caminho de Santiago começou a ser muito falado por muitos de nós. O volume de peregrinos tem sido maior, devido, entre outros, à saturação do caminho espanhol e francês. O problema é que isto tem levado a que alguns oportunistas tenham vindo a imiscuir-se de forma pouco honesta nesta questão, concretamente desvirtuando partes do Caminho de Santiago com vista a que os peregrinos sejam direccionados para lojas, alojamentos e afins. Lamentável!
Voltando atrás no tempo, há poucos meses atrás, vários peregrinos de Santiago, vindos de Caxarias, têm saído do trilho por eles previamente estabelecido, o que tem causado muitas chatices e enganos a quem por aqui passa. Isto começou a acontecer porque alguém andou a pintar setas amarelas num ponto chave (Bofinho), em direcção à Vila de Alvaiázere, desviando assim os peregrinos do seu trajecto. Pintaram setas de forma inaceitável. Há que dizer com frontalidade que os peregrinos estão a ser enganados/desviados com um fim económico, restando agora apurar as responsabilidades.
De forma não oficial já sei quem foi, pois já o disseram a um jornalista, e logo de forma descarada, sem pensar nas consequências e na má fama que isso pode dar ao Caminho de Santiago num dos seus mais belos sectores.
São poucos os peregrinos que fazem o Caminho de Tomar a Alvaiázere (Caminho Português). Ainda há poucas semanas um peregrino português me disse que nunca mais o faz, preferindo sim a vinda por Caixarias, sem passar pela Vila de Alvaiázere. É este sector que está a ser "atacado", é por aqui que passa a maioria dos peregrinos. Muitos preferem não fazer o Caminho Português de Santiago, no troço Tomar-Alvaiázere e, infelizmente, há quem não queira respeitar isso e desrespeite quem prefere fazer um troço desviado da Vila de Alvaiázere.
Irei alertar os fóruns de peregrinos para este engano, de forma a que os peregrinos não fiquem com uma má imagem da região de Sicó, ou pelo menos de alguns sectores da mesma. Há que debater amplamente este problema, a bem do Caminho de Santiago e da nossa região.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A gruta boa e a gruta má


É um tema que eu considero fracturante na região de Sicó, sendo que a problemática tem sido mais acentuada em Penela. Nunca escondi o meu desagrado acerca do que considero uma péssima gestão deste dossier autárquico, não só pelo anterior executivo, mas também, e agora, pelo actual executivo.
Desde já fica a sugestão para que o actual Presidente da Câmara Municipal de Penela visite um país que eu considero a melhor escola para estas questões, a Eslovénia. Aqui este autarca poderá diferenciar o que é uma gruta visitável, do ponto de vista turístico (show cave), e uma gruta não visitável do ponto de vista turístico. As boas práticas servem como lições que devemos aplicar no nosso território e é precisamente isso que falha na abordagem a este espeleo tema. 
Serve este meu comentário para dar início/continuidade ao debate sobre as grutas de Penela, autênticas maravilhas da região. Tenho visto muita coisa acerca da recente campanha da Câmara Municipal de Penela, a qual pretende massificar as visitas a uma gruta extremamente bela, mas não passível de ser transformada em show cave. Tenho lido muita asneira acerca de quem pouco ou nada sabe sobre espeleologia. Tenho lido muita asneira, dita por quem, sabendo, desvirtua princípios éticos basilares a favor dos princípios do chico-espertismo e interesse financeiro. 
Felizmente que, quem sabe, tem mostrado uma postura certa e adequada ao momento. Felizmente que, quem sabe, se tem insurgido sobre factos que importam saber. Felizmente que há quem não esteja refém de interesses que não o interesse do património natural.
Nos próximos meses muita tinta vai correr sobre esta questão, sendo que eu serei um dos que farei questão em mostrar como as coisas não se devem fazer. Não terei problemas em ser muito incisivo nas palavras, ainda mais porque este território não é nenhum feudo de certos actores, mas sim um território de todos nós. Para já dou apenas uma pequena achega.
O que vêm na foto que ilustra este comentário é o que resta de uma gruta, agora destruída no decorrer da extracção de pedra calcária, em Penela, na envolvência de duas grutas que já tive o privilégio de visitar, enquanto espeleólogo. Ninguém quis saber desta gruta, ninguém escreveu uma linha sobre a mesma. Porquê? Será que a acção predatória e especulativa de uma pedreira se sobrepõe a um valor natural? Porque não se fecha esta pedreira, promovendo sim visitas à mesma, tal como se faz em países mais evoluídos nestas questões? Será que temos grutas boas e grutas más?!


domingo, 14 de setembro de 2014

A estratégia do bandido...



Muito recentemente soube, numa conversa casual, de algo que me chocou sobre todos os pontos de vista. É conhecido o gravíssimo problema que representa a eucaliptização deste país, onde a região de Sicó não escapa. É conhecida a minha posição contra este assassino da floresta portuguesa e contra o lóbi do eucalipto, monocultura que é como que um cancro, o qual tem consumido o país desde a década de 80 do século passado. Em vez de se curar este cancro, está-se a ajudar a espalhar o mesmo pelo que resta do país. A recente lei, que literalmente liberalizou a plantação de eucaliptos, foi a machadada final.
Desta vez soube algo que até a mim surpreendeu. Aqui, na região de Sicó, a estratégia passa por chegar ao pé das pessoas, e dizer-lhes que alguém pode limpar os seus terrenos, preparar os mesmos e plantar eucaliptos, tudo sem encargos. Mas não é tudo, é que depois a pessoa vende os eucaliptos a quem entender, o que significa que, no final, tudo se resume ao mesmo. Esta é uma abordagem que eu considero imoral sobre todos os pontos de vista. Ainda mais nesta altura de crise, onde muitas pessoas estão desesperadas, surgem os abutres do lóbi do eucalipto para infectar o que falta, para eliminar a floresta portuguesa e plantar de forma extensiva a porcaria da monocultura do eucalipto. Já só falta a introdução de eucaliptos geneticamente modificados, coisa que está por semanas nos EUA e no Brasil.
Como se não bastasse, ouvi da boca de um amigo meu, que trabalha a questão ambiental, que o eucalipto é a última salvação para muita gente, quando afinal é sim a sua perdição e a perdição de um país mergulhado numa crise de valores fundamentais. O eucalipto é parte do problema, não da solução!
As celuloses têm conseguido trabalhar bem a questão do marketing, que nem lavagem cerebral...
Portugal tem tudo a perder com o eucalipto, a começar pelo ordenamento do território. O eucalipto, este assassino de bombeiros, anda a explorar de forma vergonhosa um país vergado e rendido a interesses predatórios.
Uma coisa garanto às celuloses e aos proprietários dos eucaliptais, não irei arriscar minimamente a minha vida, a minha saúde e o meu tempo a proteger esta monocultura do fogo. Se estiver a arder irei apenas controlar. O que importa proteger é a floresta portuguesa, os bens dos portugueses e tudo o que este país tem de melhor, o eucalipto é conversa!

Fonte: http://wrm.org.uy/

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Eventos em destaque!



Dois eventos muito diferenciados, mas ambos bastante interessantes. Ambos me dizem muito. A sesta é uma amiga minha de infância, sempre fiz questão em falar dos benefícios da sesta, daí, e com naturalidade, destacar o evento em causa. Não é vergonha nenhuma ser amigo da bela da sesta, é sim um orgulho. A sesta também é património! Relativamente ao segundo evento, quem me conhece e quem conhece o meu currículo profissional, sabe bem do meu interesse sobre a mítica Serra de Alvaiázere. Fica o desafio para a participação num dos dois eventos!



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Porque será?!


Faz hoje 3 meses que estes 12 conjuntos de ecopontos foram pomposamente apresentados numa cerimónia alusiva ao Dia Mundial do Ambiente, em Ansião. Por esta altura já os mesmos deveriam ter entrado ao serviço, no entanto parece que estes ecopontos são especiais, pois ganharam raízes no estaleiro municipal.
Fiquei surpreso ao constatar este mesmo facto, pois quando se compram equipamentos como estes, já tem de estar definido o local onde os mesmos irão ser colocados, o que claramente não me parece ser o caso. 
Gostaria de saber qual o motivo que leva a que estes mesmos ecopontos estejam há tanto tempo à espera de ser distribuídos. Episódios como este mostram que a política ambiental praticada em Ansião, bem como noutros municípios da região de Sicó, é tudo menos correcta. Diria eu que é política supérflua, onde pouco se fala de ambiente e menos se faz pelo mesmo. A sensibilização deixa muito a desejar e, a montante o mesmo se passa.
O ambiente sempre foi o parente pobre da política, olhado como o bicho papão e muitas vezes tema tabú, prevalecendo os estereótipos. A competência dos municípios deixa muito a desejar neste domínio, facto que na minha opinião, está bem à vista. O ambiente é visto de uma forma redutora, quando afinal este é a base de tudo o resto, cultura e economia são apenas exemplos.
Palavras de ocasião e/ou de conveniência abundam quando se pretende abordar a temática ambiental. Falo do que sei e sei do que falo. Curiosamente foi há coisa de 14 anos que fiz, em Ansião, um pequeno trabalho de investigação sobre ecopontos e reciclagem, onde muito comecei a aprender com miúdos e graúdos. Há alguns anos atrás ofereci 3 mini conjuntos de ecopontos a uma instituição ansianense, de forma a promover a separação de resíduos. Consegui mudar mentalidades em dezenas de lares, no entanto há que manter a importante tarefa, contínua, de mudar as mentalidades, pois elas relaxam e tornam-se descuidadas!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Não esqueçam as variedades tradicionais!


Vi-os ali, no chão, esquecidos e desprezados. Não os quis deixar acabar de apodrecer e decidi ir buscar um balde, de modo a que as galinhas pudessem ter um lanche diferente. Já na capoeira peguei na faca e comecei a cortar os pêros em bocados. Fui apanhado de surpresa, pois afinal eles não estavam podres por dentro. Fiquei chateado, pois já era tarde demais para os comer. Sabia que o sabor destes pêros era indiscutivelmente melhor do que a muita da fruta que encontro nos super e hipermercados. Não é tão bonita, mas é muito mais saborosa, saudável, pois é verdadeiramente biológica, e é de uma variedade tradicional.
Felizmente que há associações várias que têm sabido trazer esta questão a bom porto, mesmo sabendo que há muito caminho a percorrer.
Por enquanto ainda vamos tendo muitas variedades tradicionais, no entanto, e caso não façamos nada, estas continuarão a senda do esquecimento. Empresas como a Monsanto agradecem o esquecimento, no entanto há que incentivar o culto pelas variedades tradicionais, pois estas não servem, em primeiro lugar, para tornar empresas ainda mais ricas e acéfalas, mas sim para apurar o que a Natureza tem de melhor e para melhorar a nossa saúde numa época onde muito é denominado por alimento não o sendo...
À parte destes peros, tenho-me deliciado com a bela da amora, que por esta altura se encontra à nossa espera um pouco por toda a Sicó, à beira de caminhos pouco frequentados. Atenção que há quem coloque veneno em alguns locais!
Muito brevemente serão os figos a preencher a minha agenda gastronómica. Onde houver figos pingo de mel, lá estarei! 

sábado, 23 de agosto de 2014

Privatização do domínio público hídrico?


Por esta altura há quem pense que a situação está resolvida, no entanto, e por enquanto, ainda estamos num país de direito e não numa república das bananas.
Tenho acompanhado esta situação há largos meses e tenho feito o que está ao meu alcance para reverter uma situação que considero absolutamente abusiva, já que, na minha opinião, este é um caso que afigura, na prática, a usurpação do domínio público hídrico por parte de um particular. Por este mesmo motivo, expus o caso à Agência Portuguesa do Ambiente, já que é esta entidade a que devemos recorrer em questões como esta. Isto já depois de um abaixo-assinado da população, a solicitar que a serventia não fosse fechada. 
Falo, claro, de uma situação que se passou em Ansião, onde o domínio público hídrico foi, na prática, privatizado, num sector que corresponde a uma serventia que há décadas atrás foi construída por cima de um curso de água. Até há poucas semanas qualquer pessoa utilizava esta serventia, mas agora o cenário é outro, tal como as fotografias documentam.
Apesar de várias irregularidades ali constatadas e queixas da população sobre estas mesmas irregularidades, quem ficou a ganhar foi o privado que faz uso deste local. Estranho que, ao mesmo tempo, alguém possa viver num edifício que tenho sérias dúvidas que esteja licenciado para habitação. Direitos especiais para alguns?
Mas, como já afirmei, a situação não está fechada, pois está a decorrer um processo com vista ao apuramento de todo este imbróglio. Na exposição que fiz, sugeri que a situação original fosse reposta e que o troço do ribeiro fosse renaturalizado, ou seja, colocado à vista de todos. 
Se a situação actual se mantiver, o mais natural será que daqui a uns anos aquele troço de rio tenha de ser renaturalizado. Nessa altura o Estado terá de expropriar aquela área e pagar com os nossos impostos, facto que vale a pena não esquecer.
Espero sinceramente que esta situação não represente o que vulgarmente é denominado por facto consumado. Não aceito que o interesse particular se sobreponha ao interesse público, mais ainda em questões fundamentais como aquelas que envolvem o recurso água!


terça-feira, 19 de agosto de 2014

A alminha do Santo Gnomo




O poder político pensa que consegue comprar as pessoas, o que em termos genéricos até corresponde à verdade. No entanto, e por vezes, há pessoas que têm reacções geniais perante a patetice política. Num mês onde o mais importante é descansar, eis que vos trago um daqueles episódios reais que vos pode ajudar a alegrar o dia.
O poder político utiliza muitas armas poderosas para chegar onde quer. A religião é uma dessas armas, utilizada já há vários séculos. Quando se misturam ambos, o resultado nunca pode ser bom...
Indo então ao cerne da questão, o poder político pensa que pode comprar as pessoas com "boas acções" tais como a construção de uma alminha. No entanto há pessoas que pensam, reflectem e agem perante estas afrontas. O que se vê nestas duas fotografias é o que seria uma alminha, mas que o povo não deixou ser. Além de não aceitarem este suborno, tiveram uma ideia genial, a de colocar um gnomo no local onde seria expectável estar um santo qualquer. Antes deste gnomo, e numa fase inicial esteve por ali uma garrafa de cerveja.
É um gesto sublime, mas cheio de substância, que pretendo trazer ao vosso conhecimento. Onde é? Poderia ser num qualquer lugar da região de Sicó ou mesmo de Portugal, mas curiosamente, ou não, situa-se em Alvaiázere. E esta, hein?