quinta-feira, 29 de maio de 2014

Antes de ser Biblioteca Municipal era....


A memória é algo de fenomenal, no entanto como mostrar a memória de algo a quem não a pode ter? Parece complicado, mas afinal é muito simples. Imagine-se um miúdo a olhar para este edifício, a sua memória será só uma, a de que este edifício representa um espaço onde está instalada a Biblioteca Municipal de Ansião. Imagine-se uma outra pessoa, por exemplo eu. Para mim este espaço não representa um edifício onde está a Biblioteca, mas sim um edifício com alguma história. Na minha memória constam ainda duas imagens, uma visual e outra de cheiros. Lembro-me de quando ali se vendia peixe, no tempo do mercado do peixe, ainda na década de 80. Só depois vem a imagem da actual Biblioteca de Ansião.
As entidades públicas têm falhado na transmissão desta memória, culpa também das pessoas que viveram o tempo do mercado do peixe. A maioria não dá valor a esta questão. Muitos mais nem sequer perspectivaram a mesma. Espero com este comentário que ambas se sintam espicaçadas e informadas sobre algo de tão importante.
Memória como esta têm um valor, o qual infelizmente é menosprezado. Memórias como esta estão condenadas se nada se fizer. Este é apenas um de muitos exemplos que podemos assistir na região de Sicó.
Importa referir que memórias como esta podem representar mais valias, as quais se podem reflectir em interesse das pessoas, o que, por si mesmo, pode representar fluxo de pessoas, dinamizar os lugares e, consequentemente trazer divisas consigo. Roteiros históricos, mas não só.
Importa também destacar a importância do registo fotográfico na nossa memória. Um registo fotográfico actual, inocente ou não, poderá representar um notável registo histórico daqui a uns anos. Não havendo, a memória desaparece e a nossa identidade esbate-se... 

domingo, 25 de maio de 2014

TV Rural


Antes que perguntem, não, não é nenhuma montagem, é mesmo um apanhado daqueles caricatos e surrealistas. E não, não vou dizer onde é, importa saber apenas que é na região de Sicó, pois se quiserem realmente saber têm um remédio, o de partir em busca do achado. 
O propósito deste "apanhado" é o de debater uma questão cada vez mais pertinente. A moda da TV qualquer coisa está agora fortemente implantada, que nem moda das capelinhas. Cada terra tem de ter a sua Tv, custe o que custar.
Na região de Sicó fazia sentido ter um projecto regional de televisão, alicerçada nas novas tecnologias. Ou seja, ter uma Tv das já existentes, mas dedicada ao regional, à região de Sicó. Em termos de custo benefício, não me parece de todo fazer sentido ter tantas Tv´s da capelinha, mesmo que, obviamente, estas possam fazer bom trabalho nalguns domínios.
É curioso ver os autarcas a falar tanto em intermunicipalismo, mas, depois, na prática, a sua acção política vai para o sistema das capelinhas, faltando a bela da coerência. Com uma Tv regional ter-se-ia um maior impacto com menores recursos utilizados, sendo assim eficiente. 
Nesta região existe muita matéria prima, pronta a ser trabalhada pela imprensa, mas para isso há que saber montar uma estratégia eficaz e ter bons profissionais, capazes de interpretar este território tão peculiar e as suas gentes. É toda uma riqueza por potenciar!
Mas para isso há que afastar a lógica da politiquice, a qual tanto tem prejudicado esta região. Fica então a ideia no ar...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Dia Europeu Natura 2000: breve reflexão sobre o Sítio Sicó/Alvaiázere



Hoje, dia 21 de Maio, celebra-se o dia europeu Natura 2000, daí ser o momento ideal para mais uma reflexão sobre o Sítio da Rede Natura 2000 Sicó/Alvaiázere.
Mas comecemos pela realidade europeia, onde a Rede Natura 2000 é reconhecida como uma mais valia para aqueles que têm o privilégio de ter no seu território uma figura como a Rede Natura 2000. Quem conhece o tema da Rede Natura 2000, facilmente saberá disto mesmo. Quem não conhece o tema, facilmente conseguirá chegar a conteúdos vários, disponíveis na internet, pois há imensos bons conteúdos disponíveis, seja por parte de entidades públicas, seja por parte de entidades privadas, nomeadamente ligadas à protecção da natureza. Brochuras, painéis, como o ilustrado na imagem acima, e tudo aquilo que possibilita a transmissão dos valores naturais aqueles que usufruem dos mesmos, ou seja nós próprios.
A realidade europeia é imensamente diferente daquela que teima em subsistir na região de Sicó, através do seu Sítio Sicó/Alvaiázere, onde muitas pessoas ainda, imagine-se, não fazem ideia que vivem dentro da mesma. Poderia dizer aqui que a mentalidade associada à realidade local é do tempo das cavernas, mas ao afirmar isso estaria a ser injusto para com lugares que representam do mais belo que conheço. Além disso as grutas também fazem parte dos valores naturais associados ao Sítio Sicó/Alvaiázere.
Pegando na realidade de Ansião e Alvaiázere, os dois concelhos com a maior "fatia" de Rede Natura (23% e 24 % respectivamente), o cenário é constrangedor, pois a única informação que se encontra, de uma forma fácil e algo prática, é a que consta nos respectivos geoportais. No entanto apenas consta a área de Rede Natura 2000. Não constam os habitats, as espécies e toda a informação que seria expectável constar nos respectivos geoportais ou outras plataformas. Veja-se o exemplo do site do Descobrir Ansião, será que conseguem descobrir ali informação sobre a Rede Natura 2000? É esta informação que falta chegar às populações!
É notória a falta de competência e know how dos respectivos municípios, bem como dos demais municípios, com menor área de RN 2000, para trabalhar esta informação. Mais facilmente se ouve falar das críticas dos mesmos à RN 2000, ou porque estorva a uma obra qualquer, ou porque simplesmente é um estorvo às políticas do betão, bem enraizadas também nesta região. Os estereótipos subsistem...
Nada que não se esperasse, pois, na minha opinião a relação de um autarca com a RN 2000 é directamente proporcional à sua competência para gerir o território que, em termos políticos, é responsável.  
As palavras amigas da RN 2000 aparecem quase que apenas em altura de autárquicas, diga-se meramente por conveniência eleitoral, na ânsia de pescar mais uns votos.
Em vez de potenciarem o valor da RN 2000, os municípios são passivos para com valores que noutros países representam uma boa fonte de receitas para os territórios que abraçaram os valores naturais da RN 2000. Será isto aceitável? Claro que não, no entanto quantos são os que, como eu, confrontam os autarcas com esta realidade inaceitável? Raros são os que o fazem e a maior parte das vezes são convenientemente rotulados como do contra, pois o rótulo é a única forma de fugir aos argumentos. 
Todos têm a culpa, claro que a diferentes níveis, no entanto todos podemos reverter este triste cenário, de um território tão multifacetado em termos patrimoniais, mas que não passa da cepa torta. 
Este território tem imensos valores, a Rede Natura 2000 é apenas um de muitos. Há que potenciar o muito que temos, daí mais este meu comentário. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Equívoco geográfico: crónica dos marcos desnorteados



Volto então para mais um episódio dos equívocos geográficos que, por vezes, ocorrem na região de Sicó. A minha intenção é mostrar casos de evidente equívoco geográfico, possibilitando desta forma debater o porquê dos mesmos ocorrerem, promovendo a sua correcção.
E não, esta fotografia não é de Alvaiázere, é sim de Ansião, daí o equívoco geográfico. Já tinha detectado que havia ali algo que não batia certo, no entanto a falta de tempo, nos últimos 4 anos, tem limitado parte da minha acção no terreno nesta região. Agora, com algum tempo para começar a desfrutar, eis que posso começar a colocar os vários atrasos em dia.
Há poucos dias, aquando de um passeio de bicicleta a Alvaiázere, fui por um estradão que se inicia logo a seguir ao lugar da Venda do Negro, em Pousaflores. Entrando por ali a dentro, e já depois de passar a estrada em calçada, segue o tal estradão até ao limite do concelho de Ansião. Antes de chegar ao limite do concelho, já estava incomodado com a existência de várias fitas, espalhadas num qualquer passeio de btt, já ocorrido, mas que teimam em continuar ali. Eram fitas verdes e amarelas. Como já referi no penúltimo comentário, ando saturado do festival de fitas que ocorre permanentemente nesta região.
Mas o espanto surgiu quando me deparei com o primeiro de dois marcos de um percurso pedestre de Alvaiázere. Isto porque ainda faltavam 200 metros para chegar ao limite administrativo que marca o limite entre os municípios de Ansião e de Alvaiázere. Ou seja, estando ainda em Ansião, deparei-me com um marco de um percurso pedestre estritamente municipal (Alvaiázere) e não intermunicipal (Alvaiázere e Ansião).
Não ser como é que isto aconteceu, já que não é uma questão de 10 ou 20 metros, é sim um erro grosseiro que não deveria acontecer e que, espero, seja corrigido. Havendo cartas militares recentes com os limites administrativos correctos, havendo uma CAOP anual, não há quaisquer razão para um equívoco geográfico deste género. Não sei se este erro grosseiro já terá sido detectado por ambos os municípios, mas espero que o mesmo seja corrigido brevemente. 
Se os 2 marcos fossem de um percurso pedestre intermunicipal, eu não veria problema algum com esse facto, muito pelo contrário. O problema é que, sendo estes apenas relativos a Alvaiázere, estão em território alheio, de Ansião, induzindo assim em erro os turistas. Isto já para não falar da óbvia ingerência territorial. No site onde consta a informação sobre tal percurso pedestre, não é feita quaisquer referência a esta incursão sobre Ansião, o que indicia que o erro ainda não terá sido detectado.
Os documentos cartográficos existem por um propósito nobre, mas para que esse propósito possa ser cumprido, há que saber ler e interpretar os mesmos, sob o risco de se continuar a assistir a mais equívocos geográficos. 


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Anti-património na Serra da Portela: crónica de uma sucessão de acções atentatórias do património natural e cultural



A região de Sicó é pródiga em muitos aspectos, no bom e no mau sentido. Infelizmente os maus aspectos sobrepõem-se aos bons, o que me leva a ser cada vez mais incisivo na defesa do património desta extraordinária região. As ideias parvas têm muito sucessos por estas bandas, é a nossa triste sina.
Desta vez a história passa-se na Serra da Portela (Pousaflores), no Concelho de Ansião. Infelizmente é uma história já com algumas décadas e com vários episódios. Os protagonistas são os mesmíssimos de sempre. Ainda na década de 80, alguém teve a ideia peregrina de mandar para o topo da Serra da Portela uma máquina de rastos, que basicamente andou a lavrar nos lapiás, um atentado hediondo ao património regional. Posteriormente plantaram-se árvores, não das autóctones, mas de outro tipo. O lóbi da caça foi aqui preponderante. Depois, abriu-se uma estrada que mais parece uma pista de aterragem de avionetas, com ligação directa ao edifício dos caçadores.
Mais alguns episódios e eis que há poucos meses surgiu mais uma novidade. Já tinha visto, ao longe, que algo se passava por ali, no entanto, e por falta de tempo, apenas agora tive a possibilidade de me deslocar ao local, de bicicleta e máquina fotográfica a postos.
Não pensei que o que se passava ali fosse tão mau, mas afinal é mesmo assim, sem tirar nem pôr. Onde há poucos meses existia um pequeno e belo caminho, que se inicia em Pousaflores e segue pela serra acima, existe agora um estradão, populado por 12 novas cruzes, as quais me parece que terão o destino das últimas, ou seja vandalizadas.
Apesar de não achar graça, não ficaria incomodado se tivessem (re)colocado apenas as cruzes, de forma a repor aquelas que foram colocadas há vários anos atrás. No entanto, tal não aconteceu. Afinal surgiu uma ideia mais catita, rasgou-se a vertente Sul da Serra da Portela, destruindo o belo caminho e criando um estradão, o qual foi enfeitado, pois claro, com carradas de brita. Degradou-se o património, afectou-se negativamente a paisagem e criaram-se vários problemas, os quais irão afectar ano após ano aquele local. Alguns já se iniciaram com a chuva, pois a bela da erosão já começou a espalhar a brita, através de belos regos escavados pela água da chuva. Ano após ano será necessário voltar a espalhar brita e mais brita, que nem circo das pedreiras.
Os taludes também já sofrem, pois as máquinas instabilizaram extensas áreas. Colocaram-se tubos que ficam imensamente bonitos, melhor ainda quando a chuva os destapar mais.
O antigo caminho, agora estradão, terá uma grande importância, pois as provas de jipes irão adorar começar a trepar pela serra acima, criando ainda mais erosão. As curvas cegas são o expoente da genialidade, de tal forma que já alguns jipes patinaram por ali.
É a lógica circense do costume, a qual irei indagar se efectivamente foi legal, pois é precisa uma autorização para este tipo de espectáculos, especialmente quando o carvalho cerquinho perdeu algumas dezenas de irmãos. E pensava eu que os lapiás e o carvalho cerquinho eram protegidos, que aquela área fazia parte da Rede Natura 2000. Mas devo ser eu que estou enganado...
A Serra da Portela já foi violada demasiadas vezes. Na vertente cultural, primeiro lembraram-se de chamar esta Serra por Monte da Ovelha, mas depois de ali erigirem uma pequena capela, acharam que seria mais bonito chamar a mesma por Anjo da Guarda. Imagine-se, contudo, que esta serra tem um único topónimo, ou seja Portela, Serra da Portela. Na vertente natural, é tal como já atrás referi. E agora, o que se segue?




terça-feira, 6 de maio de 2014

Carta aberta aos clubes e/ou associações que pretendem organizar provas desportivas na Rede Natura 2000

O dia teria de chegar mais tarde ou mais cedo, portanto eis que chega o dia em que tenho de alertar alguns clubes e/ou associações que já organizaram ou que pretendem organizar provas desportivas no Sítio Sicó/Alvaiázere, ou dito de forma genérica, na Rede Natura 2000.
Desde já peço a todo/as o/as que fazem parte destes clubes ou associações, que façam chegar este meu comentário às respectivas direcções, pois é matéria que lhes interessa. Estas têm a obrigação de se inteirarem sobre esta questão, daí eu preferir começar pela abordagem pedagógica e informativa, em vez de começar logo "a matar", algo de contraproducente e a evitar. 
Já por algumas vezes alertei para situações que representam verdadeiras problemáticas e que sustentam a necessidade de ordenar a actividade desportiva em áreas protegidas, concretamente em áreas sensíveis a vários níveis, seja fauna, flora, geodiversidade ou mesmo património construído. Até agora, apenas por duas vezes me pediram esclarecimento sobre esta questão.
Dito de uma outra forma, e sabendo à partida que defendo a realização de provas desportivas na Rede Natura 2000, vejo claramente a necessidade de meter ordem onde ela escasseia, estando, para isso, disponível para ajudar quem me pedir ajuda. Provas desportivas sim, mas não a qualquer custo.
A última má notícia que recebi, no âmbito de asneiras cometidas à boleia de provas desportivas, teve a ver com um passeio de btt, solidário, efectuado na Serra de Sicó. Já com alguns dias decorridos após tal passeio, mantinham-se montes de garrafas de plástico em alguns pontos, algo de inaceitável sobre sobre todos os pontos de vista. Há também a tradicional festa das fitas que populam esta região, muito depois das provas se realizarem. Mas não só, há outros problemas, mais complexos, já evidenciados nos três links atrás destacados, que afectam gravemente a integridade de locais de uma riqueza assinalável.
Voltando ao cerne da questão, passo então a alertar os clubes e/ou associações que pretendem organizar provas desportivas no Sítio Sicó/Alvaiázere. É obrigatória uma autorização, por parte do ICNF, para a realização de provas desportivas, sejam elas btt, trails, provas motorizadas ou outras mais.
É necessário enviar a informação base ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (antigo ICNB), sobre a forma de um documento, onde conste a descrição do que se pretende fazer, um mapa com o trajecto, data prevista, número de participantes e, claro, o organizador da prova.
Será importante referir um facto diferenciador, ou seja se é um mero passeio ou uma prova de competição (ex. btt, motos e jipes), já que estas últimas pagam uma taxa, na ordem de algumas dezenas de euros. Passeios de btt, regra geral não pagam nada.
Naturalmente que será importante elaborar um "plano ambiental", no qual seja referido, por exemplo, que não será permitido aos participantes mandar lixo para o chão. Por vezes este último ponto até acontece, no entanto nunca é demais trabalhar esta questão. Resumindo, um bom marketing ambiental faz toda a diferença se for realmente efectivo.
Em termos de legislação, é o Art. 9º do D.L. 49 de 2005, datado de 24 de Fevereiro, que rege esta questão. Há que lembrar que há muitas pessoas mal informadas, as quais pensam que é proibido organizar provas na RN2000. Esta mesma questão foi-me colocada ainda há poucas semanas, quando ajudei a esclarecer este mito, ou melhor, este estereótipo criado por quem quer acabar com as áreas protegidas no "seu" território.
Para finalizar, volto mais uma vez a solicitar a todos vós que façam chegar esta questão às direcções dos clubes e/ou associações, pois se, por agora, não irei denunciar quem organiza provas ilegalmente em Rede Natura 2000, isso não significa que o faça por muito mais tempo. Ou seja, a partir sensivelmente de Setembro/Outubro deste ano, eu e outros mais iremos começar a indagar sobre a legalidade de algumas provas desportivas, a bem no nosso património, o que poderá resultar em multas a quem não cumprir com o que está legalmente instituído. 
Quem vos avisa, vosso amigo é...