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14.7.15

Pedalar por uma boa causa!


Andar de bicicleta é bom, pedalar na região de Sicó é excelente e fazê-lo por uma boa causa é fantástico. Peguem na bina e façam o favor de aparecer!

15.6.14

E se eu quiser estacionar a minha bicicleta, será que tenho estacionamento?


É um tema do qual gosto particularmente falar, já que enquanto ciclista tenho uma experiência que já leva muitos anos, muitos milhares de km e um atropelamento por parte de uma carrinha. A experiência é importante quando chega a hora de dissertar sobre alguns temas, sendo este um bom exemplo disso mesmo. 
Desde já faço uma distinção clara, a de que, para mim, um ciclista é aquele que de uma forma regular (diária ou semanal) faz uso da bicicleta para se deslocar. Todos os outros são meros utilizadores ocasionais da bicicleta. Esta distinção torna-se fundamental na hora de opinar sobre os ditos modos suaves.
É raro o dia em que não dou ao pedal, tendo para isso 3 bicicletas diferenciadas. Sempre gostei da bicicleta, mesmo em anos onde a mesma não era moda. Nunca liguei aquele estereótipo, ainda presente, de que a pessoa que anda de bicicleta é uma coitadinha, que não tem dinheiro para um carro, etc, etc. 
O cenário associado à mobilidade sustentável na região de Sicó tem mudado de alguma forma, mas não ainda a suficiente. Surgiram as ciclovias, surgiram os sistemas de bicicletas partilhadas e pouco mais. Falta o resto. Não surgiu uma maior consciencialização por parte de muitos utilizadores da bicicleta, em termos de educação rodoviária. Incomoda-me ver pessoal a andar em contramão, a passar as passadeiras de bicicleta (não têm prioridade) e também a andar à noite sem luz e reflectores. São apenas alguns exemplos, os quais, além do evidente perigo, representam um foco de conflito para com os condutores de automóvel, alguns dos quais com comportamentos ao volante perfeitamente imbecis e, por vezes, criminosos.
Há muito por evoluir, sendo que é urgente mudar as mentalidades e também a forma como moldamos as vilas e cidades, pois há que ter em conta em primeiro lugar os modos suaves e os transportes públicos. Só depois vem o carro, pois este já tem privilégios a mais...
Estamos numa fase onde muitas pessoas voltaram a pegar as bicicletas, tal como aconteceu há muitos anos atrás. Quando a situação económica melhorar, acontecerá o mesmo de sempre, muitos voltarão ao comodismo e luxo do automóvel. Por isso mesmo há que aproveitar esta fase para melhorar tudo aquilo que pode ajudar a disseminar aquele belo gesto que é o dar ao pedal. Mas para isso há que ter pedalada.
Uma destas melhorias será a de criar centenas de pontos de estacionamento de bicicletas, em toda a região de Sicó, nomeadamente em meio urbano.
Quantos pontos como o da foto conseguem encontrar em toda a região de Sicó? Eu conheço poucos, muito poucos...
São baratos, eficazes e, fundamentalmente, necessários para ciclistas e utilizadores ocasionais de bicicleta. Não é admissível chegar a uma Vila e não ter um único estacionamento para bicicletas. Por exemplo, conhecem algum destes pontos à frente de entidades públicas, caso de Câmaras Municipais, Finanças, piscinas ou escolas? Ainda outro dia, ao ir à piscina municipal de Ansião, tive de prender a bicicleta a um poste. Será esta uma boa publicidade para o Município de Ansião?
Muito sinceramente ando com ideias de lançar uma petição com vista a mitigar esta mesma questão. Confrontar quem nos governa com situações como esta é a melhor forma de solucionar problemas como este.
Quanto à foto que ilustra este comentário, esta é relativa a Alvaiázere, a um estacionamento localizado entre o gimnodesportivo e o campo de ténis. Fazem falta mais estacionamentos como este, muito embora este, na foto, não seja o mais correcto. É normalmente denominado como entorta aros, pois basta uma pessoa chocar inadvertidamente com a bicicleta, para entortar um aro. Os melhores são aqueles altos, onde facilmente se prende o quadro da bicicleta.
Prontos para reivindicar pontos de estacionamento de bicicletas na região de Sicó?

6.5.14

Carta aberta aos clubes e/ou associações que pretendem organizar provas desportivas na Rede Natura 2000

O dia teria de chegar mais tarde ou mais cedo, portanto eis que chega o dia em que tenho de alertar alguns clubes e/ou associações que já organizaram ou que pretendem organizar provas desportivas no Sítio Sicó/Alvaiázere, ou dito de forma genérica, na Rede Natura 2000.
Desde já peço a todo/as o/as que fazem parte destes clubes ou associações, que façam chegar este meu comentário às respectivas direcções, pois é matéria que lhes interessa. Estas têm a obrigação de se inteirarem sobre esta questão, daí eu preferir começar pela abordagem pedagógica e informativa, em vez de começar logo "a matar", algo de contraproducente e a evitar. 
Já por algumas vezes alertei para situações que representam verdadeiras problemáticas e que sustentam a necessidade de ordenar a actividade desportiva em áreas protegidas, concretamente em áreas sensíveis a vários níveis, seja fauna, flora, geodiversidade ou mesmo património construído. Até agora, apenas por duas vezes me pediram esclarecimento sobre esta questão.
Dito de uma outra forma, e sabendo à partida que defendo a realização de provas desportivas na Rede Natura 2000, vejo claramente a necessidade de meter ordem onde ela escasseia, estando, para isso, disponível para ajudar quem me pedir ajuda. Provas desportivas sim, mas não a qualquer custo.
A última má notícia que recebi, no âmbito de asneiras cometidas à boleia de provas desportivas, teve a ver com um passeio de btt, solidário, efectuado na Serra de Sicó. Já com alguns dias decorridos após tal passeio, mantinham-se montes de garrafas de plástico em alguns pontos, algo de inaceitável sobre sobre todos os pontos de vista. Há também a tradicional festa das fitas que populam esta região, muito depois das provas se realizarem. Mas não só, há outros problemas, mais complexos, já evidenciados nos três links atrás destacados, que afectam gravemente a integridade de locais de uma riqueza assinalável.
Voltando ao cerne da questão, passo então a alertar os clubes e/ou associações que pretendem organizar provas desportivas no Sítio Sicó/Alvaiázere. É obrigatória uma autorização, por parte do ICNF, para a realização de provas desportivas, sejam elas btt, trails, provas motorizadas ou outras mais.
É necessário enviar a informação base ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (antigo ICNB), sobre a forma de um documento, onde conste a descrição do que se pretende fazer, um mapa com o trajecto, data prevista, número de participantes e, claro, o organizador da prova.
Será importante referir um facto diferenciador, ou seja se é um mero passeio ou uma prova de competição (ex. btt, motos e jipes), já que estas últimas pagam uma taxa, na ordem de algumas dezenas de euros. Passeios de btt, regra geral não pagam nada.
Naturalmente que será importante elaborar um "plano ambiental", no qual seja referido, por exemplo, que não será permitido aos participantes mandar lixo para o chão. Por vezes este último ponto até acontece, no entanto nunca é demais trabalhar esta questão. Resumindo, um bom marketing ambiental faz toda a diferença se for realmente efectivo.
Em termos de legislação, é o Art. 9º do D.L. 49 de 2005, datado de 24 de Fevereiro, que rege esta questão. Há que lembrar que há muitas pessoas mal informadas, as quais pensam que é proibido organizar provas na RN2000. Esta mesma questão foi-me colocada ainda há poucas semanas, quando ajudei a esclarecer este mito, ou melhor, este estereótipo criado por quem quer acabar com as áreas protegidas no "seu" território.
Para finalizar, volto mais uma vez a solicitar a todos vós que façam chegar esta questão às direcções dos clubes e/ou associações, pois se, por agora, não irei denunciar quem organiza provas ilegalmente em Rede Natura 2000, isso não significa que o faça por muito mais tempo. Ou seja, a partir sensivelmente de Setembro/Outubro deste ano, eu e outros mais iremos começar a indagar sobre a legalidade de algumas provas desportivas, a bem no nosso património, o que poderá resultar em multas a quem não cumprir com o que está legalmente instituído. 
Quem vos avisa, vosso amigo é...

8.3.13

A outra face dos desportos de natureza na região de Sicó

Um dia teria inevitavelmente de surgir o debate sobre uma questão muito particular, relacionada genericamente com o decorrer de provas desportivas na região de Sicó, as quais se desenrolam por esta bela paisagem. Se é certo que este facto tem trazido centenas de pessoas à nossa região, também é agora certo que nem tudo corre bem, decorrente destas mesmas provas desportivas. É certo que a intenção é boa, no entanto...
O facto de associações e/ou empresas poderem organizar livremente provas desportivas, caso de BTT e trail (entre outras) tem levado a que actualmente se comecem a constatar problemas associados. Isto acontece por vários motivos, desde o pleno desconhecimento de regras básicas, até ao desconhecimento de regras que, não sendo básicas, são fundamentais para um correcto desenvolvimento destas provas nesta região muito peculiar. Isto já para não falar que há provas que são feitas sem autorização de algumas entidades públicas, as quais apesar de até saberem, deixam passar... 
Tenho constatado alguma falta de preparação de indivíduos, associações e empresas, o que significa que já observei alguns problemas decorrentes desta impreparação. A falta de regras e do cumprimento de algumas já existentes, tem levado a que o enorme aumento de provas de BTT e trail esteja a ter reflexos negativos, muitas vezes sem que as pessoas se apercebam.



Já falei desta questão a alguns amigos e já senti na pele algum incómodo por surgir a conversa do costume, do suposto fundamentalismo, o que afinal até foi bom, pois alertou-me para algo e fez-me investir uns minutos neste comentário. Assim sendo, venho desta forma mostrar que não é fundamentalismo, é sim pugnar pelo cumprimento de regras, o que permite algo de muito simples, a continuação da existência de provas deste género por muitos e bons anos. Gostar não é dizer apenas que se gosta, gostar é preservar, e isso implica, por vezes, medidas pouco populares no curto prazo (embora populares no médio e longo prazo).
Em primeiro lugar, há que referenciar que eu participo quer em provas de BTT, quer em provas de trail, daí não ser daqueles que fala sem saber. 
As consequências da passagem de centenas de pessoas ou bicicletas num local, podem variar, já que há locais mais sensíveis e locais menos sensíveis. Não pretendo fazer uma análise de conjunto, mas sim pegar em dois exemplos e falar de dois troços (sensíveis) dos respectivos percursos. Penso que será fácil qualquer um entender que numa área protegida, ou numa área que não sendo protegida é sensível, têm de se tomar medidas especiais, decorrentes da sua evidente vulnerabilidade.
Em primeiro lugar, falo do caso do "Trilho do Javali", um trilho de BTT que foi aberto há mais de 3 anos. Este trilho situa-se numa vertente da serra do Casal Soeiro, em Ansião. Há semanas atrás fui então fazer o trilho a pé, com a máquina fotográfica ao ombro, de modo a registar aquilo que importava destacar em termos de problemática. Nunca fiz aquele trilho de bicicleta, já que por uma questão de coerência não participo em provas que sei à partida desrespeitarem regras que considero básicas.
A minha principal preocupação era a erosão associada à abertura de um trilho naquele local, especialmente tendo em conta o declive no segundo terço da vertente. Não precisei de andar muito até me deparar com algo de preocupante, a malvada erosão.
Nesta segunda fotografia, está à vista a erosão (inicial) ocorrida nos últimos 2 a 3 anos, num sector mais declivoso. Não será difícil perceber que em poucos anos, e com episódios de elevada pluviosidade, aquele sulco irá crescer, resta saber a dimensão que terá depois de muita chuva cair e milhares de bicicletas ali passarem. 
Na primeira fotografia, está à vista o que fica depois de alguém pegar numa marreta e andar a partir lapiás à grande e à francesa, mesmo que isso seja proibido (Rede Natura 2000). Quem andou de marreta na mão nem sequer se deu ao trabalho que ver que até estavam ali fósseis...
Não gostei também de constatar que dois muros foram postos abaixo, de forma a que as bicicletas pudessem passar. Será isto preservar o património?!


Nesta quarta fotografia, mostro o trilho linear pelo meio do carvalhal. A ver vamos como vai ficar o sulco daqui a uns tempos. E depois, quando estorvar, abre-se um outro ao lado?


Passo agora a um outro exemplo, mas relacionado com uma prova de trail realizada em Fevereiro último (Trail de Conímbriga). Este troço situa-se no vale das buracas, local de interesse geomorfológico de interesse nacional, o qual devia estar devidamente protegido e ter já um plano de gestão.
No troço que destaco, não deveria passar quaisquer prova, já que é uma área muito sensível. Caso passasse na estrada em terra batida, aí até poderia concordar, mas agora passar num local onde não havia trilho e onde a inclinação é de 45º, aí é que não.


A Câmara Municipal de Condeixa deveria, no meu entender, promover factualmente a preservação do local, e não permitir a degradação do mesmo, pois é isso que está a acontecer. Uma coisa é passar pela estrada em terra (brita), outra é passar por onde não faz sentido, onde só degrada. Urge um plano de gestão deste LIGeom.


Fui ao local, já depois da prova, para elaborar um registo fotográfico que me permita monitorizar a situação nos próximos anos, coisa que ninguém se lembra de fazer. Não gostei de, passados 2 dias, constatar que as fitas de marcação ainda não tinham sido retiradas.
Penso que esta última fotografia é a que mais facilmente é percepcionada por todo/as, já que consegue-se observar o que fica depois da passagem de centenas de pessoas por aquele local com cerca de 35 a 40º de inclinação. Estes locais não aguentam tanta gente e todos os locais têm uma capacidade de carga limitada, a qual não deverá estar estudada para aquele local.
De todo o trajecto, cerca de 22 km, estes 400 metros eram de evitar. Com tanto caminho, para quê passar num local que além de sensível, não tinha caminho?
E, para finalizar, deixo algumas ligações, onde os interessados por esta problemática podem de alguma forma perceber (caso entendam inglês) a problemática associada aos trilhos:





Como já referi, não é uma questão de fundamentalismo nem de imobilismo, é sim de preservação de locais de grande valor patrimonial. Para isso há que criar regras que permitam o usufruto deste património de uma forma sustentada, só assim poderemos realmente usufruir das coisas que gostamos!
Penso que depois deste comentário, fica "tudo" esclarecido, podendo agora ser lançado um debate, sem estereótipos.


22.9.11

O BTT e a sua relação com o património natural e cultural da região de Sicó

É um dos muitos temas sobre o qual tenho particular gosto em falar, a relação de uma actividade desportiva e/ou de lazer, com o património da região de Sicó, seja património natural, cultural ou outro mais.
Juntar o andar de bicicleta com a fruição deste valioso património é algo de fabuloso, isso é um facto. Diria mais, o andar de bicicleta, seja de estrada ou não, é a forma mais interessante de conhecer todo o património da região de Sicó, dado que muito facilmente se consegue ir a locais que de outra forma não se consegue ir. Obviamente que a pé conseguiria ir a todos os locais de interesse, mas de bicicleta consegue-se ir a muitos mais, e de forma mais rápida.
Tenho visto com algum interesse o papel de alguns grupos de BTT nesta questão, os quais têm realizado muitas provas, as quais têm trazido muitos visitantes à região de Sicó. Não vou aqui falar de alguns erros que tenho observado neste âmbito, isso fica para outras oportunidades, embora já tenha, por uma vez feito uma chamada de atenção para aspectos menos positivos. Interessa-me, por agora, dar uma palavra de apreço aos clubes de BTT da região de Sicó, caso dos ansibikers, deixando eu o desafio para que no próximo ano seja realizado uma prova de BTT denominada por exemplo como “Trilhos da geodiversidade de Sicó”. Quem estiver interessado em desenvolver esta ideia, pode facilmente entrar em contacto comigo, que eu darei o devido apoio técnico, com vista à organização de uma prova com evidente interesse turístico, e logo de forma inovadora.
Como sou uma pessoa que faz questão de utilizar a bicicleta no seu dia-a-dia, coisa rara na região de Sicó (bem vinda e-ginga!), tenho uma especial apetência por esta questão, ainda mais podendo aliar este meu gosto à questão profissional. Em 2008 elaborei dois percursos de BTT, pensando exactamente na questão do património natural e cultural, percursos estes que englobaram um sector que engloba Ansião e Alvaiázere. Lamento que nenhuma das autarquias tenha aproveitado o trabalho, mesmo que eu tenha oferecido cópias, em digital e em papel, aos respectivos municípios...
Fica então a nota sobre um tema que interessa cada vez a mais pessoas, sejam ou não da região de Sicó. Brevemente voltarei a esta questão, mas de uma forma diferenciada, para já deixo aqui a ponta do novelo, a qual espero que alguns de vós comecem a puxar, pois vale mesmo a pena!
Só mesmo para finalizar, e para quem pretende adquirir uma bicicleta, seja de estrada ou de BTT, o meu apelo vai no sentido da preferência sobre as marcas nacionais, pois mesmo apesar de poucas, temos marcas de qualidade, que exportam. O que é nacional é bom! E caso me venham com a conversa que são caras, eu direi apenas que é falso, pois, a título de exemplo, tenho visto várias pessoas a comprar bicicletas desdobráveis, de marcas estrangeiras, por 300 euros (ou bem mais...), e eu, ainda em 2010, comprei uma, de marca tuga, por uns meros 150 euros, estando plenamente satisfeito com a aquisição. A crise também o é devido ao nosso infundado descrédito sobre o produto nacional!