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27.6.18

Arquitectura e paisagem na região de Sicó


Arquitectura e paisagem são dois temas que muito me interessam, seja de forma dissociada, seja de forma associada. Em 2014 participei na consulta pública do Plano Nacional de Arquitectura e Paisagem (PNAP) e julgo que até sugeri alguns pontos relativos aos que agora destaco. Em Março último, estive também num evento que decorreu do PNAP, sobre Arquitectura e Paisagem, na CCDR-Norte, que teve casa cheia. Fui porque fiz parte da equipa que elaborou o primeiro Plano Municipal de Paisagem em Portugal, daí ser, para mim, muito importante estar presente naquele evento. E valeu a pena, vos garanto.
A foto que utilizo como "alibi" para este comentário é o exemplo perfeito do problema que pretendo abordar, ou seja os monos na paisagem, que afectam e degradam a paisagem cultural de Sicó. Esta imagem é da colina de Trás de Figueiró, em Ansião. Uma das primeiras coisas que chama à atenção é aquela habitação em construção. Não tem enquadramento paisagístico e isso deve-se à falta de legislação. É possível construir respeitando o território e a paisagem, em harmonia. Basta olharem com atenção e verão que do lado esquerdo daquele mono na paisagem existem mais habitações, contudo estão minimamente enquadradas.
Podem dizer que é só um mono na paisagem, mas não se esqueçam que existem centenas destes exemplos e que são exemplos como este que degradam cada vez mais a paisagem cultural de Sicó. Em vez de valorizarmos as nossas características e mais-valias, estamos apenas a contribuir para que estas sejam cada vez mais prejudicadas. E depois não há volta a dar...
É preciso debate e consciencialização, daí lançar aqui um repto, o de organizarmos um congresso sobre arquitectura e paisagem da região de Sicó, onde se englobe isto e outros aspectos mais. Sicó fica a ganhar e a auto-estima de cada um de nós também. Se alguma entidade pública ou privada estiver interessada, já sabem onde me encontrar...


22.5.18

Eu herbicido, tu herbicidas ele herbicida...

Todos os anos é o mesmo cenário numa qualquer rua perto de nós. Todos os anos vemos que, apesar de aplicarem herbicidas, nem sempre colocam o obrigatório aviso. Todos os anos as pessoas reclamam, contudo só de goela, pois não são consequentes com o que dizem. Todos os anos fico a pensar qual o potencial nocivo dos herbicidas que aplicam nos passeios, bermas e afins. Todos os anos me rio com os termos que vão inventando para tentar aligeirar a carga negativa associada aos herbicidas...
Sou do tempo em que apanhava caracóis (belo pitéu!) nas bermas das estradas, sem receio de venenos. Já há muitos anos que não o faço e não é por acaso...
O princípio da precaução deveria nortear estas acções, contudo há quem teime em não evoluir e ver que há impactos que, mais tarde ou mais cedo, surgem..
Há alternativas aos herbicidas, contudo quem nos governa teima em não se actualizar (boa parte...). Há 1 ano, e através da Plataforma Contra os Herbicidas - Sicó, promoveu-se uma acção que além de pretender sensibilizar os nossos autarcas, pretendia apelar ao fim da utilização de herbicidas por parte das entidades públicas. Foram enviadas mensagens a praticamente todas as Juntas de Freguesia da região de Sicó e a todas as Autarquias de Sicó e nem uma resposta... A única luz ao fundo do túnel é ter sabido que há uma autarquia que está a trabalhar numa alternativa. Curiosamente, ou não, é Ansião, que dá sinais de estar a trabalhar esta questão. Curiosamente, ou não, há também uma freguesia (Pousaflores) que alegadamente não utiliza herbicidas por opção, facto a aplaudir!
Queremos mesmo continuar passivos, à espera que os problemas comecem a surgir ou queremos mitigar os actuais problemas e evitar futuros problemas? Eis a questão!
As imagens seguintes foram captadas em Pombal por um cidadão atento a esta questão.






18.5.18

Vamos Limpar Sicó?


Passados 8 anos do Limpar Portugal, eis que o desafio volta a ser feito. Há poucas semanas aproveitei para dar conta disto mesmo, mas hoje venho formalmente desafiar-vos para serem parte integrante desta acção de limpeza importantíssima. Actualmente, e dada a maior sensibilização, é mais fácil organizar esta iniciativa, portanto porque não nos reunirmos todos nesta bela iniciativa e contribuirmos para uma Sicó mais limpa? É importante sensibilizar e é importante retirar muito do lixo que tanto tuga vai despejar por aí fora. 
Tal como há algumas semanas referi, não poderei ser novamente coordenador concelhio, contudo poderei dar uma ajuda, seja com mais dois braços, seja com o conhecimento que obtive há 8 anos. Se cada um de nós der uma pequena ajuda, esta tarefa será muito mais fácil. Não custa nada investir umas horas nesta iniciativa. Ansião, Alvaiázere, Pombal, Penela, Condeixa e Soure, estão todos convocados para a mobilização regional (e nacional, claro)!
Aceitas o desafio ou achas que não vale a pena tornar Sicó uma região ainda mais bonita?!

18.4.18

Adivinhem onde é...


Não, não é onde alguns pensarão à primeira vista, daí um dos interesses em destacar a questão dos topónimos, concretamente nomes de ruas e afins.
Há umas semanas, num dos meus mergulhos no território Sicó, descobri algo que desconhecia. Porquê?  Talvez porque ir sem rumo definido é uma das melhores formas de descobrir Sicó. Gosto de ir sem rumo e ir devagar, parando e observando os pormenores que passam despercebidos numa altura em que andamos demasiado depressa do ponto A para o ponto B.
Fiquei surpreendido quando me deparei com este topónimo, especialmente num local onde não o esperava. Sei que há uma história por detrás e estórias por contar, daí daqui a mais uns tempos ter um motivo específico para visitar este lugar e falar com os populares...

5.4.18

Como vai a calçada portuguesa na região de Sicó?


Há uns dias andava pelas ruas de Pombal, a desfrutar daquelas ruelas mais esquecidas, mas com pormenores que valem a pena ver com olhos de ver. Foquei a minha atenção na calçada, a qual ainda se vai vendo pela região de Sicó. Não sei se há algum estudo ou análise que permita perceber como tem sido tratada a questão da calçada portuguesa nesta região, mas se alguém souber por favor avise!
A ideia que eu tenho é que é uma arte que tem cada vez menor expressão, o que é uma pena. E muitos dos passeios onde ela ainda não foi substituída por pavimentos sem personalidade, a regra parece que é deixa andar até que abra buracos, facto que tem trazido críticas à calçada portuguesa quando não faz qualquer sentido. Tem de haver manutenção! Havendo, deixa de haver a esmagadora maioria dos problemas que se costuma falar.
A calçada portuguesa é uma arte que tem de ser mais valorizada e tem de voltar a ser assumida pelas câmaras e juntas de freguesia como uma mais valia e como um traço identitário, já que a pedra calcária faz parte da nossa identidade. Hoje cai-se muito em modas fáceis, relegando-se para segundo plano coisas tão simples como a... calçada portuguesa. Onde pára a criatividade das entidades públicas e privadas da região de Sicó no que concerne à dinamização desta arte um pouco por toda a região? E se não tiverem ideias, já sabem onde me encontrar... 
A cidade de Pombal, as vilas e as aldeias da região de Sicó são autênticos "habitats naturais" para revalorizar a calçada portuguesa! 

5.3.18

Memórias com os dias contados...


A imagem não é a melhor, já que além de ter sido registada ao final do dia, foi registada com um telemóvel, contudo serve o meu propósito. Não vou dizer onde é, de forma a que fiquem com a pulga atrás da orelha e fiquem mais atentos aos recantos que ainda não foram arrasados por uma qualquer construção (e que irá inevitavelmente ocorrer neste local, mais tarde ou mais cedo...).
Fica num terreno sobranceiro a uma rua que conheço há quase 40 anos e pela qual já passei milhares de vezes. A esmagadora maioria das pessoas passa ali de carro. A pé são menos e do outro lado da rua. Algumas passam por ali e vêm estes antigos tanques de lavar roupa, mas, os mais novos, e alguns mais velhos, que não dali, não sabem o como, quando e porquê. 
Tive a sorte de quando ali ia a passar me deparar com uma pessoa conhecida e já de idade, que vive mesmo ao lado. Como ela me viu parado a contemplar aquele património, meteu conversa. Foi assim que descobri o como, o quando e o porquê. Já por várias vezes tinha reparado neles, contudo nunca tinha parado o tempo suficiente (há tanto para ver...) e nunca se tinha conjugado estar ali a pessoa certa na altura certa. Há coisa de 60 anos aqueles tanques eram utilizados pelos populares, tal como acontecia noutros tanques pela região de Sicó. Os tempos mudaram e a função dos mesmos deixou de ser actual nos moldes em que então era. Ficaram ali esquecidos e irão ficar até que o dono do terreno ache por bem investir na construção de um prédio, já que é um local muito favorável para isso. Depois disso serão apenas uma memória presente na mente de alguns. Com sorte ficarão imortalizados através de alguma foto que poderá eventualmente ganhar protagonismo num qualquer "memorial" informal.
Fica o desafio a cada um de vós para que andem a pé pelas vossas vilas e vejam tudo com olhos de ver, já que há cantinhos destes um pouco por todo o lado e que valem a pena contemplar. Depois é reflectir sobre o que andamos a fazer ao espaço urbano (descaracterização...) e perceber se parte deste património não pode ser salvo e/ou incluído no espaço urbano. Sim, é possível pegar no que de bom temos, do passado, e fazer o futuro com esse património integrado..

18.1.18

Uma ponte simplesmente parva!




Fiquei a saber do facto através do Grupo Protecção Sicó, mas apenas agora tive tempo para me debruçar sobre a questão e fazer o trabalho de casa de forma a perceber, de facto, o que se passa e o que está em causa. Fui ao site da Câmara Municipal de Pombal e comecei a ver os ficheiros relativos às Grandes Opções do Plano 2018-2021. No ponto 2.3., na página 19, constava algo que me deixou indignado e perplexo. Há, de facto, ideia de construir uma ponte sobre o Vale dos Poios nos próximos 4 anos, já com 420 000 euros consignados nos orçamentos municipais de 2018, 2019 e 2020.
Mas antes de ir ao cerne da questão, porque constam, no GOP uns reles 3000 euros para a rede de aldeias do calcário (deveriam ser do carso, mas nem vou por aí)? Brevemente irei voltar a dissertar sobre as aldeias do carso...
Mas vamos então à questão da ideia da ponte suspensa para o Vale dos Poios, de quem terá sido esta ideia, peregrina, que eu considero absurda e parola? Sim, absurda porque não faz sentido algum. Parola porque irá degradar aquela área e não valorizar a mesma. Ideias de génese circense costumam ser assim parolas por natureza. O Vale dos Poios não é um circo meus caros!
Já não chegava o desastre que tem sido a gestão do dossier do CIMU, e agora aparece esta ideia peregrina. Santa paciência... Sobre o CIMU, parece que agora foi baptizado de Explora Sicó, mas brevemente irei voltar a falar do tema, agora que as obras estão a recomeçar.
Nos últimos anos viajei bastante para um destino onde a pedra calcária reina ainda mais do que em Sicó, a Eslovénia, de forma a conhecer e a aprender mais e melhor sobre formas de gestão do carso, sobre o ordenamento do território em meio cársico e muito mais. Não vi por lá parolices como a projectada ponte suspensa para o Vale dos Poios e não é por acaso...
Nunca vi o projecto da ponte suspensa, nunca vi o Estudo de Impacto Ambiental, Estudo de Incidências Ambientais ou mesmo discussão pública sobre o projecto. Alguém teve esta ideia parola, na base do acho que, e siga a festa, é a ideia que fica no ar. Ainda nem sequer vi um esboço de um plano de gestão do Vale dos Poios, de forma a acautelar a sua integridade e impedir a sua degradação por uma utilização sem regras. E a obrigatória classificação como local de interesse geológico?
Muito gostam estes executivos municipais de começar a casa pelo telhado, juntando ainda por cima características daquelas que os emigrantes juntaram às suas casas nas últimas décadas, um folclore abismal.
Já por uma vez disse e volto agora a repetir aqui, no azinheiragate, autarcas como Diogo Mateus têm de descer à terra, falar com quem sabe e visitar países como a Eslovénia, falando com quem é de lá e sabe, de forma a, de uma vez por todas, deixarem de pensar nestas ideias parolas e aprenderem as boas práticas associadas à gestão territorial em meio cársico. E se precisarem de contactos por lá digam, pois não tenho problemas em estabelecer pontes, daquelas que fazem sentido e fazem, de facto, falta!
A (i)lógica de muitos dos autarcas da região de Sicó no que concerne à dinamização territorial tem sido a de transformar este belo território num circo. Não queremos Sicó transformada num circo! Queremos sim um território devidamente valorizado, sem ideias parvas à mistura.
Já só falta meter uns bungalows nas paredes verticais do Canhão Fluviocársico para ser o circo total (não é uma ideia, só para que não fiquem confusos, é mesmo uma sátira).

15.12.17

Operação "Porcahontas"

Baptizei esta operação com o nome de código de "Porcahontas" e confesso que já me ri bastante à conta deste nome, inventado meramente para dar nome a uma acção de recolha de "água" no Alvorge, para análises laboratoriais. 
O caso é bem conhecido e até agora deu muito que falar. Agora que o cenário político é outro, espero sinceramente que o proteccionismo político, evidenciado pelo anterior executivo camarário, a quem tem  poluido acabe de uma vez por todas, especialmente a bem da saúde pública. Agora que o executivo é outro, estou esperançoso que a coisa comece a ir no bom caminho, de forma a resolver este grave problema ambiental, que ameaça a saúde pública, através da contaminação dos aquíferos. A impunidade tem de acabar!
Mas vamos então à operação "Porcahontas". Basicamente fui ao local do esgoto ilegal, que drena livremente para terrenos vários e linha de água (indo ter a um sumidouro mais adiante...). Ao chegar ao local, constatei que era mesmo verdade o que as minhas fontes me tinham confidenciado. Há coisa de 3 meses, quiçá na despedida, alguém cobriu com brita a zona onde o esgoto brota, numa tentativa de tapar o sol com uma peneira (santa ignorância...). Uns 10 centímetros que me fizeram voltar a casa para trazer uma enxada. Depois procedi ao destapamento da área onde se situa a tampa de esgoto. Levantei a tampa e, antes, tive de inspirar fundo, não fosse ficar inconsciente com a podridão ali existente... Peguei nos recipientes e enchi os mesmos, tendo de lavar as mãos, com água que tinha trazido já com esse propósito numa garrafa de plástico. Depois foi simplesmente baixar a tampa e recobrir a mesma, de forma a que não ficasse ali um buraco.
Depois desloquei-me até um centro de análises laboratoriais e entreguei os recipientes. Paguei uma importância, que penso que será provisória e terá de ser alinhavada de acordo com as análises de facto efectuadas e fui informado que dali a 10 dias teria os resultados. Sei que há algumas pessoas que mostraram disponibilidade para me ajudar a custear esta despesa, portanto se assim o entenderem, basta falar comigo para acertarmos contas. 
Custou ficar calado este tempo, mas já tenho as análises na minha posse. Nos próximos dias divulgarei aqui os resultados, os quais espero que possam fazer acordar as pessoas que ainda não acordaram e que não entendem o que está em causa é mesmo a sua saúde. A ver vamos se essas pessoas consideram que o interesse privado de alguns e a poluição causada por esse mesmo interesse privado se sobrepõe à sua saúde e à saúde dos seus filhos, familiares e conhecidos...
Nos próximos dias irei publicar aqui os resultados das análises, portanto estejam atentos...







11.12.17

Associações Florestais ou Associações do Eucalipto?! Preocupante, muito preocupante...


Surgiu de uma conversa em plena rua, quando uma pessoa que admiro imenso se cruzou comigo e começámos a falar sobre a tragédia deste Verão. A determinado momento chegou-se à parte das menosprezadas espécies autóctones, nomeadamente do carvalho cerquinho, azinheira, medronheiro, etc. Disse-me que há uns tempos tinha ido à Associação Florestal de Ansião, da qual é associada, pedir informações, já que queria deixar um legado às próximas gerações e, por isso, queria plantar por exemplo carvalho cerquinho. Como não sabia da aptidão do solo, queria saber mais informações, de forma a dar seguimento a essa sua vontade. Contudo, e alegadamente, sugeriram-lhe plantar... eucaliptos, concretamente uma variedade que não consumia tanta água como outra espécie de eucalipto já existente por estes lados...
Fiquei perplexo, pois ver uma Associação Florestal incentivar a monocultura do eucalipto em vez de incentivar a plantação de espécies autóctones, não é propriamente algo de compreensível. Nem quero imaginar as vezes que isto acontece, contudo seria interessante fazer uma análise perante os associados, de forma a ver como tem sido o aconselhamento... 
Mas não é tudo. Duas semanas depois, quando abordei aqui a questão do medronheiro, partilhando o comentário das redes sociais, uma outra pessoa comentou que tinha feito o mesmo, em Penela, de forma a ver a possibilidade de plantar medronheiros, e foi-lhe alegadamente dito que não era viável. Quase que em jeito de brincadeira, eu disse-lhe "presumo que lhe tenham sugerido o eucalipto", tendo-me sido dito "pois foi isso mesmo".
Tendo em conta a localização que me foi comunicada, tenho sérias dúvidas sobre a suposta inviabilidade da plantação de medronheiros. Cheira-me ao lóbi do eucalipto...
Após isto, fico seriamente preocupado com o que, de facto, estas nossas Associações Florestais andam a fazer, já que fica a ideia que são meras pregadoras da monocultura do eucalipto, funcionando na (i)lógica de mercado actual, sendo assim contra a floresta e a favor da monocultura do eucalipto. 
Não mudar o paradigma é grave, ainda mais por parte de quem devia ser pró floresta e não pró eucalipto. Manter esta nossa região refém do eucalipto é grave, não sendo sequer necessário dizer porquê. Este ano falou por si mesmo, de uma das piores formas possíveis...
Importa agora compreender qual o real papel das nossas Associações Florestais, já que estes dois casos indiciam algo que me preocupa seriamente. O papel das Associações Florestais é pugnar pela floresta, não por monoculturas como a do eucalipto!

6.12.17

É bom, é um recurso económico importante, contudo...


Sim, sou um guloso. Sim, comi parte significativa destes medronhos. Sim, aproveitei algo que ninguém quis e que deixou ao abandono. Apesar de ser cada vez menor a área de medronheiros na região de Sicó, devido a abate de medronheiros e aos incêndios, o certo é que ainda há por aqui umas bolsas de medronheiros muito interessantes e que poderia representar mais uma valia económica entre muitas outras, menosprezadas.
A fileira do medronho continua a ser desprezada neste belo território. Devidamente estruturada poderia ser o melhor de dois mundos, um contributo para o repensar da fileira florestal e uma importante mais-valia económica, onde se consegue acrescentar valor à matéria-prima que é o medronho. Nos últimos anos tenho insistido nesta questão, tendo até aconselhado algumas pessoas a trilhar este caminho.
As autarquias deveriam fazer mais para que este recurso local fosse potenciado. As Associações Florestais, em vez de andar a sugerir a particulares que plantem eucaliptos geneticamente modificados (e a dizer que consomem menos água...) deveriam sim pugnar pelo ressurgimento de fileiras como o medronho. E nós, em vez de sermos invejosos e egoístas, deveríamos pensar que mais importante do que ganhar dinheiro rapidamente e à custa de tanta área ardida e sem fazer um chavo, é fundamental diversificar a fileira florestal, apostando nas espécies autóctones e fazer o desmame do eucalipto de uma vez por todas. Sim, as espécies como o medronheiro também rendem dinheiro e não representam o risco que o eucalipto representa. 
Vamos mudar o paradigma?!

23.11.17

Acorda Sicó!


Desde que me conheço que conheço a bolota. No meu recreio havia muitos carvalhos e um dos meus brinquedos era a bolota, a qual servia, entre outros, para mandar contra o pessoal. Belos tempos! Sim, o meu recreio era especial, pois não havia paredes, mas sim árvores.
Contudo, e há poucos anos comecei a interessar-me pela bolota de uma forma diferente. O que me despertou foi o facto de haver cada vez menos carvalhos e azinheiras e o pessoal ver estas duas espécies apenas como sinónimo de lenha para a lareira, quando afinal isso é muito, mas mesmo muito redutor. Pensei para mim que a bolota era algo de interessante, até porque sabia, através do pessoal idoso que a bolota foi, em tempos, um alimento. Depois pensei para com os meus botões, e se a bolota fosse não só a salvação para o abate de tantos carvalhos e azinheiras, alguns centenários. E se a bolota renascesse, em Sicó, para a alimentação humana, enriquecendo a gastrononia regional e funcionando como mais uma ferramenta para a promoção de políticas de desenvolvimento territorial? Comecei a pesquisar e meses depois, em 2015, fui a um congresso da bolota, na Herdade do Freixo do Meio. Fui matutando sobre a questão e vendo que há muitas oportunidades no aproveitamento económico da bolota. No último fim-de-semana fui novamente a um congresso da bolota, sendo desta vez um congresso ibérico sobre a bolota, em Matosinhos. Voltei a ver "velhos conhecidos" e a perceber que a roda já rodou bastante desde há 2 anos. Claro que há um enorme caminho a percorrer, mas já se provou que ele existe e que é fabuloso.
A região de Sicó tem potencial para ser desenvolvido no âmbito da fileira da bolota. Não há caminho trilhado, o que é complicado, mas não seria fabuloso fazermos este caminho e daqui a uma década olharmos para trás e dizermos que foi uma das melhores coisas que podíamos ter feito?
Quem estiver interessado em falar sobre trilhar caminho, que se acuse. Há muito por falar e muito por fazer... Sei que é arriscado fazer o que estou a fazer, dada a chicoespertice que por aqui há, contudo, e por vezes, há temas demasiado importantes, e potencialmente transformadores, que merecem ser partilhados. E se vierem para tentar ver se o barro cola, esqueçam, pois eu não nasci ontem...

10.11.17

O que é que eles andarão a fazer?



Há umas semanas deparei-me com estas e outras imagens nas redes sociais. Se por um lado fiquei contente em ver um elemento paisagístico como este a ser construído (são raros os que ainda resistem), por outro fiquei preocupado ao perceber que não seria um abrigo de pastor, mas sim um abrigo construído para caçadores. Foi a impressão com que fiquei e logo que falei no termo caçadores, alguns saíram da toca, tendo a coisa, e de certa forma, aquecido.
Isto passa-se na Serra de Alvaiázere, uma serra fantástica, mas que infelizmente tem sido alvo de acções absolutamente destruidoras das suas mais valias.
Nunca escondi que não aprecio a caça nem a maior parte da atitude dos caçadores, dado a caça ser actualmente algo de absurdo (apenas se justificam algumas acções de controle de algumas espécies, nada mais) e ser um mundo onde o vandalismo e o desrespeito pelo mundo natural é o pão nosso de cada dia.
Irei estar atento ao que por ali se passa, já que se há uma coisa que é certa é o facto dos caçadores serem especialistas a fazer asneiras, por mais tentem fazer passar uma boa imagem, de gente respeitadora. Uma das últimas situações que me lembro, nesta serra, foi de quando ardeu da última vez, num incêndio muito suspeito. Havia no topo da serra um local onde os caçadores tinham um comedouro, que utilizavam para alimentar a caça. Depois de ardido, nem se deram ao trabalho de limpar e levar dali os restos de plástico. Simplesmente mandaram o plástico uns metros para o lado e colocaram um novo comedouro. É algo que ilustra bem a forma de ser dos caçadores. Sei que nem todos são assim, mas também sei que a maioria é assim mesmo.
Se tivessem o mesma atitude que têm pela caça e a estendessem ao património natural, aí as coisas podiam ser bem diferentes. Mas felizmente que o tempo irá fazer com que a caça nos moldes actuais termine. Chamar à caça um desporto é simplesmente estúpido!

28.10.17

Pequenos contributos que podem fazer toda a diferença!

Não é propriamente o meu estilo publicar aqui recortes de imprensa, no entanto abro mais uma excepção, a qual se justifica plenamente tendo em conta a temática em causa. Parabéns ao Jornal Terras de Sicó por abordar um tema que, apesar de esquecido pelas entidades públicas, é da maior importância para a região. A ver vamos se mais alguma notícia sobre esta tema surge entretanto...

24.10.17

E assim nasce um ícone!


Preferi esperar todos estes meses, já que queria ver como isto ia correr. Ou seja, queria perceber como a coisa ia evoluir. Felizmente que a obra de arte se manteve e, já depois de ter apresentado alguns problemas de conservação, por efeito das condições meteorológicas, foi reabilitado e promovida a sua conservação, pensando no longo prazo.
Actualmente pode-se afirmar, sem receios, que temos ali um ícone cultural, feito pela mão dos amigos da Aln Netos, uma Associação que tem sido verdadeiramente dinâmica ao longo dos anos e uma guardiã da etnografia regional.
São exemplos destes que a região de Sicó precisa e, diga-se, associações valorosas não faltam. Falta é algum apoio às mesmas, de forma a dar-lhes mais pujança, ganhando com isso o património, a identidade local e a própria economia, já que a cultura consegue ser uma mais-valia económica muito importante. Mas isto, claro, não numa lógica circense, mas sim numa lógica de naturalidade, como tão bem a Aln Netos, e outras, nos têm mostrado.
E que tal pensar-se agora noutras ideias, pensadas pelas associações locais, que, na sua área, podem fazer maravilhas como esta que a fotografia demonstra? Fica o desafio ao associativismo de toda a região de Sicó.
Só para terminar, e para quem não conhece este ícone, situa-se numa rotunda à beira do IC8, em Ansião. Tenham cuidado a tirar fotos, pois todo o cuidado é pouco!

5.10.17

A exposição é uma bela desculpa para conhecerem um belo Museu!


Sou suspeito para falar sobre esta exposição. Digo apenas que uma imagem vale mais do que mil palavras... E têm lá 17 imagens, portanto aproveitem para conhecer o belo Museu Municipal de Alvaiázere! 

18.9.17

Seminário MosaicoLab, uma semente do CREATUR


Decorrente de um muito interessante projecto que está a ser desenvolvido por várias universidades, de Norte a Sul do país, o CREATUR, eis que surge na região de Sicó uma das sementes deste projecto de turismo criativo, o MosaicoLab. Coincidência ou não, e ainda sem saber deste projecto (MosaicoLab), há poucas semanas estive reunido com elementos deste projecto e confesso que foi bastante interessante conversar com estes investigadores num gabinete de uma das universidades envolvidas neste projecto, ficando eles a saber de um outro projecto idealizado e desenvolvido na região de Sicó por sicoenses.
Neste mesmo projecto, o MosaicoLab, várias actividades estão previstas, portanto nada como começar a publicitar uma particularmente interessante, um workshop sobre mosaicos, ou seja toca a analisar a informação que consta no link em causa e divulgar, sendo que as inscrições são limitadas. Inscrevam-se e/ou divulguem esta acção patrimonial, pois o património e Sicó agradecem.
Importa também referir o seminário e as visitas guiadas temáticas programadas para as Jornadas Europeias do Património, que irão decorrer no próximo fim-de-semana.
São, portanto, mais uns quantos bons motivos para visitar a região de Sicó, aprender sobre o património e ficar mais consciente do imenso património e cultura que esta região tem para nos surpreender!

5.9.17

O que é bom é para se partilhar!


A diferença entre o sucesso e o insucesso nas políticas de desenvolvimento territorial tem a ver em boa parte com a competência ou incompetência das pessoas que estão à frente dos organismos ou associações que operam às várias escalas. Neste caso refiro-me à escala local e, concretamente, a Alvaiázere. Nos últimos tempos as coisas mudaram para melhor, fruto do fim da "idade das trevas" e dos velhos do Restelo e da era dos ressabiados mimados. O paradigma mudou e outros "actores" entraram em cena, facto que teve reflexos positivos.
Uma das pessoas que entrou em cena, com uma postura e competência a destacar, foi o, agora, Presidente da Associação de Desenvolvimento Integrado do Concelho de Alvaiázere, Bruno Furtado de Sousa, que trouxe consigo algo que faltava em Alvaiázere há muitos anos, sabedoria, criatividade e humildade. Ao contrário de outros, que não sabem ouvir os outros nem mesmo trocar ideias de forma honesta e produtiva, é alguém que tem capacidade de encaixe, que não embirra com aqueles que têm ideias diferentes e que respeita, não tentando tramar a vida pessoal e profissional de quem discorda de si. Não sendo o único responsável pela realização do evento que destaco neste comentário, é alguém que considero determinante para a realização do mesmo, dada a sua postura e vontade de fazer mais.
O bootcamp de empreendorismo não é o início de algo, é sim a continuação de um processo que já teve início há algum tempo e foi devidamente planeado. 
Já estive presente numa outra actividade promovida pelos mesmos actores de desenvolvimento territorial e posso dizer que foi algo de excepcional.
Esta iniciativa tem um potencial mobilizador importante em termos de dinamização territorial e económica, daí a importância de o referir e de o ajudar a publicitar. Não tenho a mínima dúvida dos efeitos positivos que esta linha de actuação, presentemente em desenvolvimento em Alvaiázere, terá a nível concelhio e a nível regional, a seu tempo. Sim, porque cada concelho só estará melhor se os seus vizinhos também estiverem, pormenor que tem escapado a muita gente, defensora das políticas das capelinhas.
Para o/as interessado/as, fica o programa:

"16 Setembro
09h30 // Sessão de Abertura
Célia Marques, Câmara Municipal de Alvaiázere
Vanessa Batista, Territórios Criativos
10h00 // Inspirational Talk (sessão aberta ao público)
Isabel Neves, empresária e reconhecida investidora (Shark Tank Portugal)
11h30 // Coffee Break
12h00 // Perfect Pitch
Vanessa Batista, Territórios Criativos
13h00 // Almoço Livre
14h30 // Teamwork
16h00 // Speed Mentoring

17 Setembro
10h00 // Empreendedorismo e o Potencial da Região Centro (sessão aberta ao público) Gonçalo Gomes, Turismo do Centro
João Coroado, Instituto Politécnico de Tomar
Luís Matos Martins, Territórios Criativos
Rui Pedrosa, Instituto Politécnico de Leiria
Moderação – Mário Pinto, Diário de Leiria
11h30 // Coffee Break
11h45 // Pitch your Idea
13h00 // Sessão de Encerramento
Célia Marques, Câmara Municipal de Alvaiázere
13h15 // Network & Lunch"
Fonte: Alvaiázere +
Parabéns a todos os organizadores deste evento, Sicó fica-vos agradecida!

28.8.17

Dar vida ao património!


Tendo em conta que a iniciativa "Dar vida aos coretos" também passa pela região de Sicó, concretamente por Alvaiázere, que tem um belo coreto, importa ajudar a divulgar esta iniciativa que tanto valoriza os nossos belos coretos. Agora não há desculpa para não ir a este evento!

23.8.17

Árvores monumentais: proteger e classificar!


Na região de Sicó ainda existem muitos exemplares daquilo a que se pode chamar como árvores monumentais. A da foto é uma bela oliveira situada pelos lados de Alvaiázere, mas poderia ser em qualquer parte da região de Sicó.
Infelizmente os municípios não têm apostado na preservação e na classificação destes belos exemplares do arvoredo da região de Sicó. São importantes a vários níveis, desde a botânica ao turismo. São raríssimos os exemplares que estão devidamente catalogados e classificados nos respectivos Planos Directores Municipais, algo de incompreensível. Das vezes que tentei sensibilizar para a classificação de alguns exemplares, a reacção foi de desinteresse, sendo que vi que essa possível classificação era encarada como um possível estorvo...
Em tempo de eleições muitos fazem-se de amigos da Natureza, contudo não são consequentes e rapidamente esquecem as suas próprias palavras. Das raras ocasiões onde surgem na notícia é apenas para aparecer na foto, com uma enchada na mão, a plantar uma árvore num qualquer jardim, de fato e gravata...
E nós, o que podemos fazer para reverter este esquecimento deste imenso património? Exigir a sua valorização e a sua protecção! Podemos inclusivamente pedir a classificação de exemplares monumentais, algo que não é difícil de se fazer. Havendo vontade e um bocadito de tempo faz-se! E se precisarem de ajuda, pode ser que se arranje.
Porque as árvores são dos mais belos monumentos naturais, há que pugnar pela protecção dos mesmos. Cada árvore que nasce é mais uma homenagem a este belo planeta em que vivemos. Plantar espécies autóctones deveria ser um acto natural por parte de cada um de nós. Carvalhos, azinheiras, sobreiros, loureiros, nogueiras, castanheiros, freixos e muitos outros mais podem ocupar o seu espaço, seja em terrenos desflorestados, seja em terrenos ocupados pela praga dos eucaliptos.
A árvore é um berço da vida!