Mostrar mensagens com a etiqueta Azinheiras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Azinheiras. Mostrar todas as mensagens

23.11.17

Acorda Sicó!


Desde que me conheço que conheço a bolota. No meu recreio havia muitos carvalhos e um dos meus brinquedos era a bolota, a qual servia, entre outros, para mandar contra o pessoal. Belos tempos! Sim, o meu recreio era especial, pois não havia paredes, mas sim árvores.
Contudo, e há poucos anos comecei a interessar-me pela bolota de uma forma diferente. O que me despertou foi o facto de haver cada vez menos carvalhos e azinheiras e o pessoal ver estas duas espécies apenas como sinónimo de lenha para a lareira, quando afinal isso é muito, mas mesmo muito redutor. Pensei para mim que a bolota era algo de interessante, até porque sabia, através do pessoal idoso que a bolota foi, em tempos, um alimento. Depois pensei para com os meus botões, e se a bolota fosse não só a salvação para o abate de tantos carvalhos e azinheiras, alguns centenários. E se a bolota renascesse, em Sicó, para a alimentação humana, enriquecendo a gastrononia regional e funcionando como mais uma ferramenta para a promoção de políticas de desenvolvimento territorial? Comecei a pesquisar e meses depois, em 2015, fui a um congresso da bolota, na Herdade do Freixo do Meio. Fui matutando sobre a questão e vendo que há muitas oportunidades no aproveitamento económico da bolota. No último fim-de-semana fui novamente a um congresso da bolota, sendo desta vez um congresso ibérico sobre a bolota, em Matosinhos. Voltei a ver "velhos conhecidos" e a perceber que a roda já rodou bastante desde há 2 anos. Claro que há um enorme caminho a percorrer, mas já se provou que ele existe e que é fabuloso.
A região de Sicó tem potencial para ser desenvolvido no âmbito da fileira da bolota. Não há caminho trilhado, o que é complicado, mas não seria fabuloso fazermos este caminho e daqui a uma década olharmos para trás e dizermos que foi uma das melhores coisas que podíamos ter feito?
Quem estiver interessado em falar sobre trilhar caminho, que se acuse. Há muito por falar e muito por fazer... Sei que é arriscado fazer o que estou a fazer, dada a chicoespertice que por aqui há, contudo, e por vezes, há temas demasiado importantes, e potencialmente transformadores, que merecem ser partilhados. E se vierem para tentar ver se o barro cola, esqueçam, pois eu não nasci ontem...

10.4.17

O pior inimigo do património dá pelo nome de iliteracia ambiental


É, no meu entender, a questão mais sensível e complexa quando se trata de abordar a questão do património. É, portanto, algo que importa debater neste espaço, onde miúdos e graúdos costumam investir uns minutos a ler estas linhas.
Nos muitos anos que levo de activismo ambiental já vi muita coisa, sendo que hoje utilizo esta situação para falar dos porquês de alguns dos disparates que se vêem pela região de Sicó. Trata-se de um caso ocorrido perto da nascente do Olho do Tordo, em Alvaiázere, mas já na freguesia de Pelmá. Desloquei-me ao local, após ter ouvido em conversa que ali se havia passado algo. Ao chegar lá fiquei perplexo com o que vi, já que não fazia sentido algum. Umas quantas azinheiras partidas por uma máquina, a qual fez uma valeta num local onde não faz sentido algum a fazer.
Como costume fiz o trabalho de casa e tratei de investigar o caso. Poucas horas depois informei a Câmara Municipal de Alvaiázere sobre o sucedido, pedindo a esta entidade que indagasse sobre o caso. Poucos dias depois fiquei a saber que alegadamente tinha sido a Junta de Freguesia de Pelmá a fazer este disparate. Fui informado que o autarca respectivo alegadamente não saberia que isto não se poderia fazer, facto que estranho bastante, ainda mais sabendo o historial da bela azinheira pelos lados de Alvaiázere.
Mas isto leva-nos a algo de importante, ou seja a incipiente literacia ambiental neste território e noutros mais, facto que nos deveria deixar a todos preocupados. Não é admissível que em pleno século XXI ainda subsista tamanha iliteracia ambiental, especialmente por parte de autarcas, os quais têm a obrigação de saber os mínimos nesta temática. É por isto mesmo que há muitos anos defendo publicamente que os autarcas deveriam ter noções básicas sobre ordenamento do território e afins.
E, antes que alguém venha com a conversa do costume, não, ao falar de iliteracia ambiental eu não estou a afirmar que há pessoas menos inteligentes, mas sim a afirmar que há pessoas com responsabilidades que não sabem o que deveriam saber. Se é certo que é pouco provável que estes possam saber tudo o que é necessário, é certo que estes têm de estar munidos das ferramentas básicas que os ajudem a desenvolver as suas acções enquanto autarcas. 
Esta é a minha luta, pugnar pela literacia ambiental e cívica. Foi, é e será uma luta difícil, contudo posso-vos garantir que vale mesmo a pena. Todos ficam a ganhar com a literacia ambiental e ninguém perde com isso!


5.3.17

A verdade é como a azinheira: vem sempre ao de cima...

Peguei numa expressão bem conhecida dos portugueses e adaptei-a. Utilizo esta mesma expressão para confrontar o Presidente da Junta de Freguesia de Almoster com os factos ocorridos aquando da abertura de dois estradões ilegais em Rede Natura 2000, à revelia das mais elementares regras legalmente instituídas no domínio do ordenamento do território, do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 e do funcionamento das próprias Juntas de Freguesia, que estão sujeitas a regras específicas. 
Começo por disponibilizar dois recortes de imprensa, os quais irei utilizar neste comentário, tendo em conta as declarações que este autarca fez ao Jornal de Leiria:


Fonte: Jornal de Leiria (Ed. 16 de Fevereiro de 2017)

Começando pelo princípio, este autarca não pode simplesmente alegar lapso, já que, por inerência das suas funções, este é obrigado a saber o que, alegadamente, não sabia. É, no mínimo absurdo, alegar-se "lapso" numa situação destas. Enquanto autarca, Paulo Silva está vinculado ao cumprimento de alguns princípios basilares, os quais constam na legislação afecta à sua actuação enquanto Presidente da Junta. Falo, claro, do Regime Jurídico das Autarquias Locais, concretamente a Lei nº 75/2013, de 12 de Setembro. Quando se viola estes princípios, está-se sujeito a consequências, nomeadamente a dissolução da Junta de Freguesia, tal como, na minha opinião, deveria ocorrer tendo em conta o que esta Junta de Freguesia fez, ao mandar abrir aqueles estradões ilegais. Isto mesmo está previsto na lei. Penso que nem preciso de referir ao pormenor a legislação onde consta isto mesmo, deixando isso para o Sr. Paulo Silva.
Prosseguindo, Paulo Silva afirma que apenas cortaram árvores de pequena dimensão e que a obra era reclamada pela população. Depois contradiz o que ele próprio refere, já que afinal só foram cortados pequenos arbustos e que a obra pretendeu facilitar o acesso às propriedades. Árvore é uma coisa, arbusto outra, não compreendo tal confusão... Confusões à parte, e falando apenas das  azinheiras, é proibido cortar exemplares desta espécie, sejam eles arbustos ou árvores de pequena, média ou grande dimensão. Depois refere que preservou os muros e que o que havia já estava no chão. Nem sequer fala dos lapiás, pensando possivelmente que são muros, dado o teor das suas afirmações.
Fez tudo isto sem, alegadamente, dar conhecimento à Câmara Municipal de Alvaiázere, algo de estranho tendo em conta, entre outros, que o normal seria a Junta falar com a Câmara e que uma operação deste tipo terá custado uns milhares de euros (máquinas). Será que esta Junta está a nadar em dinheiro ou o ano de autárquicas assim o exige? Mais estranho é o facto de, tendo a Câmara Municipal de Alvaiázere um gabinete florestal, Paulo Silva tenha eventualmente achado que não valia a pena falar com a Engª Florestal para pensar uma acção daquele género, vendo, em primeiro lugar, se seria sequer possível. Mas ainda mais estranho é Paulo Silva alegar que apurou que aquela área não era Reserva Ecológica Nacional, mas que partiu do princípio que não era RN2000. Onde terá Paulo Silva consultado o PDM? É no mínimo estranho que estando toda esta informação disponível na Câmara Municipal ou no Geoportal, este afirme que partiu do princípio que aquela área não era RN2000. Muito pouco convincente, ainda mais sabendo que o Sítio Sicó/Alvaiázere não foi criado há 17 dias, mas sim há 17 anos!!!
Por curiosidade fui ao site da Junta de Freguesia de Almoster e não vi uma única referência à RN2000. É estranho que tantas Juntas de Freguesia tenham orgulho no seu património e mostrem todo este património e a Junta de Almoster omita a Rede Natura 2000, Sítio Sicó/Alvaiázere do seu site. A visão do património de Paulo Silva é, no meu entender, muito redutora. Este autarca mostra que não conhece bem o território que gere, facto que não deve ser encarado de ânimo leve.
Mas vamos ao que mais interessa. Paulo Silva, quando refere que apenas cortaram árvores de pequena dimensão, ou os tais arbustos, está a faltar à verdade, pois não há sequer dúvidas sobre o abate ilegal de árvores, seja de pequena ou média dimensão, nomeadamente azinheiras e carvalho cerquinho. Trata-se de um facto e não de uma opinião. Nem preciso de pegar num GPS e percorrer os caminhos, de forma a posteriormente cruzar os dados do GPS com os ortofotomapas, onde facilmente se conseguirá saber exactamente quantas árvores foram abatidas (poderei fazer isso...). Preciso apenas de mostrar duas imagens de um mesmo local, onde o antes e o depois estão bem à vista:



Ou seja, o confronto do antes e do depois, na entrada do estradão, ilegal, das Bouxinhas, mostra que havia ali algumas árvores de dimensão... significativa, nomeadamente um carvalho, que consta na foto e, imagine-se, desapareceu, tal como um número ainda indeterminado de árvores, ou "arbustos". Assim qualquer pessoa facilmente pode ver que Paulo Silva faltou à verdade quando referiu que foram cortados apenas uns "arbustos". Não há argumentos que possam fazer desaparecer o que está à vista.
Mas continuemos:


Na imagem acima consta um tronco que, curiosamente, não conseguiram acabar de queimar. Será que a chuva que caia naquela altura impediu a queima de mais azinheiras e carvalhos do que efectivamente foram queimados? O tronco que delimitei na foto é o tronco de uma árvore. Será que o Sr. Paulo Silva sabe que espécie é esta?
Já agora, não sabia que as azinheiras estorvavam sequer... E já agora, porque é que foram colocados troncos de azinheira por detrás dos lapiás arrancados? É um bocado suspeito, arrancar e depois esconder ou queimar lenha tão boa para a lareira.
Sobre os muros, se estavam alagados, porque é que nunca foram arranjados? É certo que partes do muro estavam alagadas, mas porque é que apenas um dos lados estava alagado? Curioso os donos dos terrenos não se terem incomodado com isto, mas agora alegarem que precisavam de acesso...
Mas vamos também à questão do acesso às propriedades. Havia pelo menos dois caminhos rurais, transversais ao que foi ilegalmente feito, que poderiam ter sido utilizados para melhorar o razoável acesso a todas as propriedades. Pergunto eu, porque não foi esta hipótese equacionada? Sem ilegalidades, sem multas, sem onerar os contribuintes? Fala de mato e de silvas, mas então se os donos dos terrenos cuidavam tão bem deles, como é que havia mato e silvas? Porque é que ninguém fala disto? É por aqui, em primeiro lugar, que devemos centrar o debate.
Esperei uns dias para elaborar este comentário, já que além de querer ver o que este autarca diria sobre o caso, queria também ver as reacções dos populares. Houve dois comentários mais curiosos...
O primeiro foi o de um conhecido meu, das lides do facebook, que referiu que "a Rede Natura 2000 ficou beneficiada com estes serviços". Escusado será dizer que esta foi uma afirmação bastante disparatada e sem sentido algum, pois, de facto, a Rede Natura 2000, e não só, ficou claramente a perder. É em afirmações deste género que se constata a fraca literacial ambiental da população, facto que só ocorre devido ao desinteresse das entidades públicas e pelo desinvestimento, entre outros, na educação ambiental e cívica. Como alguém disse, só se ama aquilo que se conhece e só se protege aquilo que se conhece. 
O segundo comentário foi, imagine-se, de uma senhora que também faz parte da Junta de Freguesia de Almoster, que afirmou que concordava plenamente com o primeiro comentário. Escusado será dizer que esta nem sequer deve imaginar que o seu cargo está em risco, dada as ilegalidades perpetradas pela Junta de Freguesia, da qual ela faz parte. Tudo o que ele diz é tendencialmente... parcial. Ambas as acções que levaram á abertura daqueles dois estradões são ilegais, portanto quem fez a asneira que a assuma. Ficarei à espera da dissolução da Junta de Freguesia de Almoster, já que os responsáveis por estas ilegalidades têm de ser responsabilizados e punidos segundo a lei, tal como está previsto.
É por estas e por outras que defendo há muitos anos que qualquer pessoa que fosse candidata a autarca, teria de fazer formação básica no domínio do ordenamento do território. Fazendo uma analogia, eu para poder conduzir tive de tirar a carta, contudo para poder ser autarca não tenho de tirar "carta" alguma. Faz isto algum sentido?!

18.11.15

E pela região de Sicó, como vai o Florestar Portugal?!


No próximo fim-de-semana vai ocorrer mais um evento de extraordinária importância, o "Florestar Portugal 2015". É importante não tanto pelo facto de se realizar este ano, mas sim por se realizar de forma regular, facto que lhe confere uma ainda maior importância. É uma excelente ideia e é suportada por uma verdadeira estratégia, a qual pensa no curto, médio e longo prazo. As estratégias só o são verdadeiramente desta forma.
No seguimento do meu último comentário, sobre a RN 2000, decidi que esta era uma excelente altura para abordar o "Florestar Portugal". A razão é muito simples, ou seja a falta de estratégia das autarquias da região de Sicó, senão vejamos, quantas das autarquias da região de Sicó participam no Florestar Portugal 2015? Desafio-vos a descobrir...
As autarquias têm vários problemas, um deles é a falta de estratégia, o pensar na hora e, por vezes, pensar de acordo com a conveniência. Quando surgiu o "Florestar Portugal", foram imensas as autarquias que se juntaram a esta bela iniciativa, mas passado algum tempo muitas delas começaram a esmorecer... O que diziam que era essencial é, afinal, acessório, facto que, para mim, não é surpresa.
E não me venham com a conversa do não há dinheiro, do não há tempo, pois isso é treta. E não "mandem areia para os olhos das pessoas" nem tentem "tapar o sol com uma peneira", pois isso não cola, pelo menos comigo. Não se trata meramente de plantar árvores, sejam uma dúzia e quase que apenas para a fotografia, ou sejam milhares para algum projecto de greenwash.
Trata-se sim de gerir a floresta, plantando árvores autóctones e gerindo todo o espaço florestal. Trata-se de gerir a paisagem. Trata-se de gerir a biodiversidade. Trata-se de pugnar pela qualidade de vida e da nossa saúde física e mental.
Por tudo isto e por muito mais, plantem árvores autóctones e arranquem a porcaria dos eucaliptos, bem como as invasoras (ex. mimosas). Desenvolvimento territorial é isso e muito mais!

17.12.11

As eco-falácias do autarca Paulo Tito Morgado.


Há momentos em que me sinto obrigado a fazer comentários mais robustos, este é apenas mais um desses momentos. Quando digo robusto, significa que é uma questão tremendamente importante, a qual pretendo partilhar convosco de uma forma honesta, construtiva e muito incisiva.
Faço então um comentário que pretende não só denunciar factos que mais adiante irei descrever, mas também, e acima de tudo, alertar a opinião pública para o que pessoalmente considero um "jogo" ética e moralmente reprovável.
Nós, os portugueses, temos o mau hábito do "deixa andar" numa patética atitude de passividade perante quase tudo o que nos rodeia. Infelizmente há quem se aproveite desta nossa passividade, o que, por vezes pode ter impactos tremendamente negativos para as comunidades e para o... património!
Para começar esta minha denúncia, nada como começar pelo princípio: 

"Num momento histórico e económico em que a sustentabilidade e o aproveitamento de recursos faz cada vez mais sentido, o Município de Alvaiázere promoveu, com o apoio da Finerge, vistas guiadas ao Parque Eólico de Alvaiázere.
 Assim, entre os dias 17 e 26 de Outubro, cerca de três centenas de alunos dos três estabelecimentos de ensino do concelho (Agrupamento de Escolas de Alvaiázere, Pólo de Alvaiázere da Escola Tecnológica e Profissional de Sicó e Pólo de Cabaços da Cearte) visitaram o referido parque, ficando a conhecer a lógica de funcionamento de uma infra-estrutura com estas características. Estes alunos e respectivos professores tiveram acesso ao interior de uma torre, percebendo os mecanismos subjacentes ao respectivo funcionamento para a produção de energia e à estação de recepção e transformação da energia produzida. 
Acompanhados por técnicos especializados da Finerge, estes jovens alvaiazerenses perceberam in loco todo o processo de produção de energias verdes associadas ao recurso do vento e foram sensibilizados para a importância da construção e funcionamento dos parques eólicos. Foram ainda elucidados sobre os estudos e trabalhos prévios que antecedem a construção destes parques, percebendo que todos os pormenores são tidos em consideração no sentido de garantir a preservação da fauna, da flora e das características, riquezas e especificidades geomorfológicas do local de implantação.
Tratou-se, pois, de um momento de grande qualidade pedagógica que contribuiu para a formação integral dos jovens alvaiazerenses no sentido de perceberem que o futuro começa hoje e que urge procedermos à protecção e preservação do nosso planeta."

Depois de lerem este excerto de uma notícia, publicada no site da Câmara Municipal de Alvaiázere, podem ficar contentes com a mesma, no entanto como o sábio provérbio diz "nem tudo o que luz é ouro".
Depois de uma cuidada análise à notícia, fiquei realmente preocupado, já que além de ser uma notícia que não corresponde aos factos ocorridos, é uma não notícia. Isto por um motivo muito simples, é um texto que consciente ou inconscientemente visa a manipulação da opinião pública, é a minha humilde opinião.
Repare-se na parte do texto que sublinhei, é precisamente esta parte que confirma inequivocamente a manipulação da opinião pública, com a agravante de estarmos a falar da comunidade escolar. Precisamente num parque eólico que é, e foi, altamente polémico e que também é um case study a nível nacional sobre como não se deve fazer um parque eólico, é dito que "todos os pormenores são tidos em consideração no sentido de garantir a preservação da fauna, da flora e das características, riquezas e especificidades geomorfológicas do local de implantação". Basta uma breve pequisa na imprensa para saber que nem todos os pormenores foram tidos em consideração em termos de garantir a preservação da componente biótica, e abiótica da área, isto não esquecendo a componente arqueológica e cultural. Ver uma mentira passar por verdade é algo que nos deve preocupar a todos, especialmente quanto esta é recorrente e tem um objectivo manipulador.
Apenas um link para informar quem não sabe dos factos ocorridos:
Não foi de forma alguma um momento de qualidade pedagógica, muito pelo contrário. Em termos pedagógicos isto nunca sequer seria falado à comunidade escolar.
O curioso é que isto não me choca, tudo porque o autarca local é Paulo Tito Morgado, o qual desde há 2 anos, depois de um período de silêncio de 1 ano, iniciou uma verdadeira política de tipo greenwash, a qual visa dar cobertura a uma política predadora do território e dos valores ali presentes. É uma política de cosmética que face a grande parte da opinião pública local, e mesmo regional, tem vindo a dar cartas, mesmo que seja uma política com pés de barro.


Mas esta foi apenas uma de muitas acções supérfluas de charme perante uma opinião pública local que infelizmente é vítima da sua própria inocência, guiada livremente por interesses económicos que de Alvaiázere apenas pretendem o lucro, nada mais. Já houve várias situações, novamente polémicas, em que o autarca local, em vez de estar ao lado das populações, esteve sim ao lado dos interesses económicos que exploram ou querem explorar, de forma mais ou menos predatória, aquele território. A imprensa nacional já por várias vezes esteve em Alvaiázere e o resultado foi sempre o mesmo, população de um lado, autarca local e empresas do outro. Obviamente havia certas pessoas do lado do autarca, mas são apenas peões/fantoches que aparecem sempre para tentar diminuir o desgaste que as polémicas têm trazido.
Outra situação que quero destacar, ainda neste âmbito, foi o lançamento da 2ª Edição da Semana da Reflorestação Nacional, ocorrido precisamente em Alvaiázere, em Novembro último. Obviamente que há mérito da parte da Eng.ª Florestal da autarquia, e da própria autarquia, isso não está nem nunca esteve em causa, no entanto esta acção, quanto a mim, não é mais do que algo que infelizmente serve um propósito maior, o da cobertura a uma política altamente lesiva para aquele território. Por um lado planta-se todos os anos umas quantas dezenas de árvores emblemáticas, sempre no mesmo sítio, por outro, prossegue-se com uma política que no essencial degrada o valioso património biótico e abiótico de Alvaiázere. Analisando todas as medidas e projectos pensados por este autarca, a realidade é bem mais dura, betão e mais betão, juntando alcatrão.
Quem, como eu, trabalha em questões ambientais, sabe do que falo, no entanto somos ainda poucos, daí eu pretender com este comentário alertar os restantes, a bem do património da região de Sicó. Estamos a falar de coisas sérias e muito importantes, as quais infelizmente não são debatidas, no entanto aqui estou eu para lançar o debate. Será aceitável esta política de fachada do autarda local, pautada por repetidas eco-falácias?

23.10.08

Xeque Mate a Paulo Tito Morgado, por João Forte

Provérbio: "A justiça de Deus é infalível"
In: Jornal de Leiria, 23 de Outubro de 2008

Provérbio: "A verdade é nua e crua"


In: Jornal de Leiria, 23 de Outubro de 2008


"A verdade e o azeite vêm sempre ao de cima", é com este provérbio que inicío este comentário. Confesso que fiquei um bocado emocionado com esta notícia, já que a carga emocional é grande, afinal foi este caso que deu origem à minha situação de desemprego inesperado, já lá vão 7 meses.

Quando este caso foi despontado e começou a surgir na comunicação social, começaram os jogos de bastidores, onde Tito Morgado referiu que o meu afastamento (http://www.oalvaiazerense.com.pt/index.php?n=0803_01) seria pelo facto de supostamente eu não ter implementado uma aplicação SIG no site da autarquia, pura mentira, já que esta aplicação estava já pronta há quase 1 ano e só não estava online porque ele não fez o trabalho de casa, ou seja, não providenciou a verba para alugar um servidor web para servir de "casa" à aplicação. Esqueceu-se que tudos estes factos estão registados em acta em local seguro e fora da sua abrangência.... Por algum tempo, algumas pessoas menos informadas ainda pensaram que ele dizia a verdade, mas o tempo passou e a verdade começou a vir ao de cima.

Espero agora a oportunidade de ser entrevistado pelo Jornal o Alvaiazerense (ou outros...), já que com esta condenação de Tito Morgado o facto justifica-se, é uma questão de igualdade de tratamento!

Paulo Tito Morgado negou algo que foi evidente e que eu fiz questão de divulgar no youtube, facto este que não passou despercebido à sociedade no geral e que se reflectiu no enorme número de visualizações do vídeo mais emblemático da minha autoria, onde pretendi apenas desmascarar uma (grande) mentira:


Foram tempos difíceis, onde tive de me expor para me defender de ataques cobardes de alguns, mas estou orgulhoso do que fiz, não me arrependo de nada, a minha única intenção foi desmascarar a mentira e não fazer algo que o mesmo quis referir, nunca despoletei «uma série de ofensivas contra a Câmara Municipal e contra si, pessoalmente, através de e-mail’s e de vídeos no youtube.» Ainda teve a infelicidade de considerar «que as acusações que são feitas são sérias e, estando em causa o seu bom-nome e o da Câmara Municipal, propõe que se lhe instaure processo disciplinar e que se participe criminalmente.» (Acta da Câmara Municipal de Alvaiázere, a 22 de Janeiro de 2008).

Abriu um inquérito de averiguações (com vista a um processo disciplinar), mas acabou por desistir, a fundamentação não existia! Impediu-me de trabalhar, cortando o acesso ao computador que eu utilizava, situação que levou a uma queixa directa ao primeiro-ministro (sendo endereçada à CM de Alvaiázere um pedido de esclarecimentos!) e que mostra uma prepotência inaceitável por parte de um autarca. Tentou destruir a minha imagem de profissional íntegro, mas esqueceu-se que eu era dos poucos que trabalhava a sério e a população de Alvaiázere (e não só) saiu em minha defesa, protegendo-me de males maiores... com isso a minha imagem de profissional íntegro apenas saiu reforçada, a história espalhou-se a todo o país e alguns dos vídeos do youtube serviram para aulas numa universidade brasileira, sendo um exemplo de seriedade de um profissional que se viu em apuros por defender um património que é de todos!

Tenho uma excelente relação com a Câmara Municipal de Alvaiázere, por mais que Tito Morgado não goste ou não, pena é que ele coloque em cheque a imagem da Câmara, quem colocou o bom nome da Câmara foi Tito Morgado, não eu!

O caso seguiu nos media durante três longos meses, mas agora surge o que eu esperava e confirma tudo o que eu referi relativamente ao abate ilegal de azinheiras! Entretanto a aventura no youtube ganhou uma importância que nunca esperei, mas que se revelou uma boa defesa! Nunca hei de retirar os vídeos, apesar de muito exposto, retratam um caso que fica para a história da região e é um exemplo a seguir por outros!

Provérbio: "Quem mentiu e jurou, não me enganou"



Provérbios: "A coragem é a força de resistir e de sofrer"

"Quem está perto da razão, fica longe da culpa"

"A sabedoria não vem dos ricos, vem dos pobres"


Sinceramente não sei que mais escrever, já que a emoção é grande, a sensação de justiça é enorme. Contudo não posso deixar de salientar e agradecer a ajuda de muitas pessoas, as quais me ajudaram especialmente na fase que se seguiu aos ataques ferozes sobre a minha pessoa.

Há muitas a quem não posso agradecer na praça pública porque podem ter problemas nos seus empregos, este mundo é mesmo cão.... Mesmo assim agradeço-lhes, agradeço aos cidadãos "sem nome", agradeço à opinião pública que esteve sempre ao meu lado, ao lado da verdade, agradeço à imprensa que de forma imparcial tratou o tema (mesmo apesar de um jornal ter sido enganado aquando de uma visita ao terreno, onde curiosamente um tractor estava a barrar o caminho das azinheiras - muito conveniente...), e a todos os que me ajudaram e me mantiveram o ânimo, vivi tempos difíceis... felizmente já passaram!!

Se alguém pensa que me fico por aqui... desengane-se, pois a minha luta pela verdade está apenas no início. Lutei até agora em três grandes "batalhas" por Alvaiázere e pelas suas gentes, foram as três grandes lutas e todas elas ganhei:

- Abate ilegal de azinheiras (ganhou a verdade)

- IC3 (ganhou o traçado que mais beneficia Alvaiázere)

- Parque eólico de Alvaiázere (as ilegalidades foram descobertas e a comissão de acompanhamento chumbou o projecto, a ver vamos o que se segue...).

No entanto tenho pena de uma coisa, o facto de quem vai pagar as ilegalidades ser o contribuinte e não quem promoveu a ilegalidade, Tito Morgado. O dinheiro da multa deveria sair do ordenado daqueles que promoveram este atentado ambiental e não de quem não tem culpa!

No comício do PSD em Alvaiázere, a 17 de Fevereiro, Tito Morgado disse:

«O poder autárquico é o bode expiatório de tudo o que há de mal no nosso País» e, a cada dia que passa, «fazemos mais com menos», mas está-se a chegar ao «limite do insuportável e do insustentável».

Ao que eu respondo:

- É bode expiatório por alguma coisa, casos como o abate das azinheiras são só e apenas um dos muitos exemplos do porquê serem bodes expiatórios, pena é que assim seja, mas a verdade é esta mesma. O tempo de crise ajuda a estabelecer prioridades, exposições de pianos não são uma delas, servir o povo sim.

O limite do insuportável e do insustentável é ter em Alvaiázere um autarca que promeveu uma ilegalidade e continua no poder sem pedir a respectiva demissão, a lei é para cumprir!
E se este autarca não lida bem com críticas construtivas, habitue-se, pois vivemos em democracia e podemos expressar opiniões e dar a conhecer factos, sem que haja intenção de vingança, mas apenas justiça!
E se por acaso alguém pensa que eu tenho medo, desengane-se, já provei que sou capaz de me defender de vinganças e não tenho telhados de vidro...

Desculpem o texto talvez desconexo, mas a alegria é por demais evidente!!

Nota: para quem quiser rever o assunto, os conteúdos estão no início do blog, aquando da sua "inauguração" (assim percebem melhor...):


David e Golias: http://www.aciprensa.com/Banco/images/david.jpg

29.7.08

A sentença final do abate das azinheiras (e destruição de REN) em Alvaiázere!!

Figura disponível em: http://www.dgrf.min-agricultura.pt/portal



Sinceramente era para me conter mais uns dias, mas derivado da importância dos factos, não resisto a partilhar com todos vós a notícia pela qual eu ansiava à 8 meses! Aproveito este dia especial o Dia Nacional da Conservação da Natureza para dar largas à minha satisfação....

Há meses atrás, todos puderam assistir a uma série de episódios em torno do abate de azinheiras e destruição de Reserva Ecológica Nacional (REN), onde de um lado estava eu e vários cidadão/ãs interessado/as nas riquezas de Alvaiázere, bem como ONG´s como a Quercus, a Albaiaz, entre outros. Do outro lado estava alguém que se escondia por detrás do manto do funcionalismo público e negava categoricamente os factos.

Este assunto estendeu-se por largos meses nos jornais locais, regionais e dois nacionais, bem como rádios regionais e a própria televisão (programa Biosfera, da RTP).

Houve muito jogo de bastidores por detrás desta história, não sou eu que o digo, mas muita gente a que assistiu de forma perplexa a esta questão.

Não me vou repetir a falar de novo na história, podem consultar os factos na comunicação social, youtube, etc. Mas há um facto recente que interessa relatar, já que é a conclusão deste processo atribulado e que marcou Alvaiázere para "sempre", abriram-se os olhos a muitas pessoas e a outras tentaram fechar os mesmos....


Á poucos dias chegou finalmente a decisão da investigação sobre o abate das azinheiras, veemente negado pelo autarca local, atitude que em nada beneficiou a Câmara Municipal de Alvaiázere, em termos de imagem (algo que tenho pena, pois oa alvaiazerenses merecem tudo de bom). A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro endereçou a esta autarquia uma contra-ordenação derivada do abate das azinheiras e destruição de Reserva Ecológica Nacional, ocorridos na Serra de Ariques, no final de 2007. Penso que todos sabem o que esta contra ordenação significa!

O cidadão tem direito de ser informado, portanto se quiserem saber por vós o facto, só têm de fazer valer os vossos direitos enquanto cidadãos, o de serem informados pelas entidades competentes, neste caso a CCDR-Centro, é um direito a que vos assiste!

Sei que há algumas pessoas que não vão gostar que isto saia para a praça pública, mas se jogassem limpo, não teriam problemas....

Se estou contente? Sim, fez-se justiça, pena é que quem vai pagar a multa somos nós com os nossos impostos, pois a multa deveria sair do ordenado de quem perpetrou este atentado ambiental!

Com esta situação não só saí com dignidade, porque demonstrei que sou íntegro e bom profissional, defendendo a Câmara Municipal de Alvaiázere e os cidadãos que esta serve, bem como saí de consciência tranquila, defendendo de forma imparcial o bem público.

Em vez de sermos passivos na defesa do bem público, deveremos nós ser sim activos na defesa intransigente do mesmo, não cedendo a chantagens, cobardias e lembrando que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo! Houve quem chamasse mentirosos à Quercus, mas quem mentiu foi outro....

Eu sempre disse que no final a verdade prevalece, por mais que ginástica façam para a mascarar...

Espero que a lição de vida que dei seja um bom exemplo para outro/as seguirem. Não prescindam do que mais valioso nós podemos ter, a honestidade acima de tudo! Só assim podem honrar o local e a entidade pela qual trabalham, no meu caso defendi acima de tudo os interesses da Câmara Municipal de Alvaiázere e as gentes de Alvaiázere, infelizmente houve gente sem escrúpulos que tentou fazer-me o mau da fita, dizendo que eu tinha despoletado uma ofensiva contra a entidade que defendi até ao último dia, que colocava em causa o bom nome da mesma, quando a defendia honestamente de interesses obscuros .... Quando tiverem a verdade do vosso lado e a honestidade como princípio, não vacilem, sejam fortes!!
Felizmente que a verdade prevaleceu e que quem fez o mal foi desmascarado, se estas pessoas não aceitam este facto, pena é, agora aguentem-se à bronca pois vêm aí horas difíceis.....