27.10.23

Sobre a iliteracia ambiental...

Volto mais uma vez à temática dos livros. Apesar de sempre que publico algo sobre livros ter poucas visualizações, esse facto apenas me motiva a escrever mais sobre livros, sobre literacia ambiental e tudo o que orbita em redor dos mesmos.

Desta vez inicio com duas fotografias de uma livraria no Reino Unido, a qual visitei há poucos dias num tempo livre entre apresentações do congresso a que fui por ali. Fiquei impressionado com a quantidade de livros disponíveis sobre a questão "Natureza" e sobre a diversidade da mesma. E também com a diversidade dentro da mesma. Em Portugal ocorre já há muitos anos um esvaziamento de livros da temática "Natureza" das prateleiras das livrarias, cenário que é a regra. Sendo eu alguém que compra bastantes livros, fico triste ser tão difícil encontrar livros desta temática nas várias livrarias. Mas naquela livraria, no Reino Unido, havia centenas à escolha e a preços acessíveis q.b. Apetecia-me literalmente trazer dezenas de livros debaixo do braço, mas só pude trazer dois, dado o espaço limitado na mochila.

Mas voltando atrás, este cenário estende-se às bibliotecas municipais, que têm pouca oferta de livros sobre o mundo natural. Neste caso, e nas últimas duas décadas, tenho dado um contributo para reverter o cenário em algumas bibliotecas municipais, nomeadamente aquela que mais me diz e que alguns saberão. 


Mas vamos então às novas entradas na minha biblioteca. O primeiro livro trata de uma questão para mim fundamental, ou seja educar as crianças e aproximá-las do mundo natural de uma forma pedagógica. Mesmo sendo eu um pedagogo com experiência nesta temática, gosto de aprender mais e melhor com obras como esta, que me apresentam outras perspectivas que só me irão enriquecer e fazer ser uma melhor pessoa. 


Depois uma novidade que ainda não tinha na minha biblioteca. Uma obra que nos mostra o mundo animal na perspectiva das suas viagens e do seu sentido de navegação. Já pensaram que nós, para ir de um local a outro mais longínquo, só o conseguimos fazer com a ajuda de ferramentas de navegação? Já pensaram como é que por exemplo uma ave consegue percorrer milhares de km sem qualquer aparelho de navegação a ajudar? Incrível, não é?



Os próximos dois livros chegaram à minha biblioteca há poucos dias, fruto de mais uma incursão numa livraria portuguesa. O primeiro é de um autor bem conhecido por quem lê sobre ciência e o título do livro é simplesmente maravilhoso "books do furnish a Life"!


Depois este, tem um sub-título com o qual me identifico bastante. Complementa a minha biblioteca a qual vai crescendo através de uma cobertura muito vasta, passe o pleonasmo, de temas que me interessam e que contribuem para eu ser alguém mais informado e crítico sobre esses mesmos temas. Julgo que é um reflexo natural de eu ser geógrafo. Talvez a mais-valia de ser geógrafo é saber um pouco de tudo e vez de muito de pouco.




 

17.10.23

Participem na discussão pública do projecto "Defesa contra cheias de Pombal"


Muitos são os que se queixam quando ocorrem cheias e inundações em Pombal (e não só), mas raros são os que, tendo possibilidade, se manifestam quando são chamados a dar a sua opinião e contributos para a mitigação do grave problema. Eis que todo/as têm agora a possibilidade de dar a sua opinião, técnica ou não, sobre algo que deve dizer muito a Pombal.
Como fazer para darem a vossa opinião? Simples, vão à plataforma "Participa", façam o vosso registo pessoal, de forma a se inscreverem na plataforma, e analisem a documentação sobre o projecto "Defesa contra cheias de Pombal". E não me venham com a desculpa de não terem tempo, lembrem-se que se têm tempo para estar sentados horas no sofá todos os dias, a ver conteúdos televisivos ocos, sem qualquer interesse ou algo para aprender, também têm algumas horas para analisarem os documentos do projecto e, assim poderem ser pessoas activas em prol da defesa da cidade perante fenómenos extremos, tais como cheias e inundações. Cidadania não é só direitos, mas sim também deveres, e participar é um dever!

9.10.23

Falar do património natural de Sicó lá fora!


Neste momento estou no Reino Unido, num congresso que visa o património geológico, geoconservação e afins, para fazer uma apresentação dos resultados de uma investigação sobre património geomorfológico da região de Sicó, mais concretamente de uma área que envolve os concelhos de Ansião e de Alvaiázere. De forma resumida, reavaliei os locais de interesse geomorfológico que avaliei há 15 anos, aquando da elaboração da minha tese de mestrado. É algo pouco feito em Portugal e que já tinha intenção de fazer há alguns anos, aproveitando agora este congresso para o fazer. Já vou aos congressos da PROGEO, uma associação internacional, desde 2008, e tenho apresentado em todos eles o resultado da minha investigação neste território, além também de outras duas duas investigações relativas a outros territórios (Mafra, Portugal e Morro do Chapéu, Brasil; Paredes de Coura, Portugal).
É importante haver mais investigadores a divulgar todo este património, mas para isso é necessário que existam apoios à investigação neste território. Só investigando é que se retira conhecimento do território, podendo depois conseguir as desejadas mais-valias em termos de divulgação e valorização a vários níveis (social, económico, etc).
No meu caso, e mais uma vez, vou a pagar do meu bolso, porque só assim consigo divulgar... Estranho mundo este, não?



 

4.10.23

Uma mina a céu aberto, em Rede Natura 2000? Sim, o autarca de Alvaiázere, alegado defensor da biodiversidade, apoia!



Quando surge algo negro no horizonte de Sicó e não vemos numa fase inicial, há sempre alguém que nos avisa, tal como foi este o caso. Apesar de eu seguir o portal PARTICIPA, não tinha reparado no que agora vos falo e passo a divulgar amplamente. 
Eis que está em discussão pública uma possível mina a céu aberto no concelho de Alvaiázere, freguesia de Almoster, para extracção de areias siliciosas e argilas especiais. Nesta primeira fase trata-se da discussão pública de direitos de prospecção e pesquisa destes minerais, seguindo-se depois uma segunda fase, esta já relativa à extracção dos mesmos. Um buraco com 1,5 km quadrados, para justificar o Sorte em Viver Ali, e premiar quem apoiou cegamente o autarca local, que deu luz verde às intenções de prospecção e pesquisa, abrindo assim a porta a tamanho buraco. E melhor, parte do buraco em plena Rede Natura 2000. Num país decente, nem sequer se colocaria a questão dentro de áreas protegidas, mas em Portugal pode-se tudo, seja pedreiras, parques eólicos, parques solares, minas, etc, é só acenar com umas notas e umas rendas e tudo se faz.
O incêndio de 2022, que varreu toda aquela zona, irá possivelmente ser uma boa ajuda para o trabalho de campo, já que há muito menos vegetação. E não, não estou a insinuar nada, estou apenas a ser factual. 
O autarca de Alvaiázere e o seu executivo deram parecer positivo condicionado, portanto vai ser curioso ver a reacção dos seus eleitores que tanto o apoiaram quando souberem desta amarga novidade, que ameaça Almoster tal como o conhecemos. 
O meu parecer vai ser negativo, pois é uma questão de princípio, áreas protegidas são para proteger, bem como a sua envolvência. Quem estiver sintonizado comigo e quiser participar nesta consulta pública, sabe onde me encontrar e como me contactar para pedir ajuda ou esclarecimentos. Temos até 9 de Novembro para nos pronunciarmos, portanto não se queixem depois que não tiveram tempo para analisar os documentos sobre o processo.
Há uns anos havia intenções de um antigo executivo em trazer uma... incineradora para Alvaiázere, agora isto... É esta a inovação e o desenvolvimento que queremos para a região?! Sobre o discurso do autarca alegadamente defensor da biodiversidade, o mesmo não é consequente, tal como agora fica cabalmente provado.