26.4.22

Um lençol de água que importa conhecer...


 
Foi há uns valentes meses que me deparei com esta mensagem num grupo das redes sociais, concretamente um grupo grupo denominado como "utentes do IC8". Fiz logo o registo para arquivar, de forma a, um dia, falar sobre o que isto significa. Decidi que era a altura para o fazer, no seguimento do Dia Mundial da Terra.
Quem é de Ansião ou passa muito regularmente no IC8 facilmente reconhece o tal lençol de água que a mensagem em causa refere, contudo serão raros os que, de facto, sabem das causas do mesmo. Trata-se daquela acumulação de água que ocorre logo após o Centro de Negócios de Ansião, mais concretamente naquele sector da recta do IC8 após o Camporês. 
Poucos sabem a quanto sensível é aquela área em termos ambientais. Poucos sabem também que a localização da zona industrial foi mal pensada e mal desenvolvida, já que é graças a esta que ocorre tal acumulação de água, a qual, por vezes, submerge o IC8. Ignorou-se a dinâmica natural daquela área. Dito de uma forma mais simples, ignorou-se a dinâmica hidrológica, tal como a dinâmica geológica e geomorfológica. Raros são os que sabem, de facto, da ligação entre aquela área e a nascente do Rio Nabão. E o essencial do erro foi feito há muitos anos, a mentalidade que levou a tal subsiste. Lembro-me há uns meses de um jovem da minha idade, que não tem qualquer tipo de competência técnica ou científica nestes domínios, ter afirmado publicamente que era uma perda de tempo andar com avaliações ambientais aquando do alargamento da zona industrial... É duplamente grave, já que se um disparate já é mau por si só, dito por um, agora, presidente de junta, é bem pior. Não é possível termos um bom ordenamento do território com autarcas que não sabem os mínimos sobre ambiente...
Actualmente não é possível alargar a zona industrial para o sector que costuma alagar, já que as regras hoje são outras, contudo há ali um problema que nunca será possível resolver a 100%. E somos nós que sofremos com isso. Alguém foi profundamente incompetente e saiu impune...

22.4.22

22 de Abril, Dia Mundial da Terra


Apesar de vivermos num planeta extraordinário, fruto de um equilíbrio de condições que permite que vivamos nele, raras vezes paramos para pensar, de facto, neste mesmo planeta e em tudo o que isso significa. Mesmo apesar do conhecimento sobre este mesmo planeta, nossa casa, ser cada vez maior (embora ainda com muitas lacunas, caso dos oceanos por exemplo...), continuamos a insistir numa retórica de que façamos o mal que fizermos, a ciência resolve todos os desequilíbrios que andamos a promover com a nossa acção nefasta diária sobre este mesmo planeta. Infelizmente a ciência não resolve tudo, facto que certas ideologias teimam em querer negar, de forma a continuarmos numa (i)lógica de "compro, logo existo". 
Não é fácil lidar com tudo isto, especialmente quando o nosso papel, de comunicadores, é mostrar que o mais importante é preservar um fundamental equilíbrio ambiental neste extraordinário planeta, e não manter um sistema económico predatório deste mesmo planeta. Há quem se deixe levar por esta retórica do "consome o que te apetecer, sem limites", que a ciência resolve. Não resolve, ponto!
O desafio que vos lanço é que num dos próximos dias parem num local como este da fotografia (com vista para a Serra de Sicó) e simplesmente contemplem o que veem com os vossos olhos. Um mergulho na Natureza, envolvidos nas muitas maravilhas que esta nos proporciona, é o melhor para nos inspirar e recarregar aquela coisa que dá pelo nome de cérebro... O mundo real é a maior inspiração, tudo o restante está a jusante. No centro da vossa vida está este belo planeta, pensem bem nisso no vosso dia-a-dia...

17.4.22

O drama da mobilidade em territórios de baixa densidade...


Já abordei este assunto duas ou três vezes, contudo, e recentemente, tive uma nova perspectiva que me permite voltar ao assunto e a acrescentar factos ao debate. A questão da mobilidade em territórios como o de Sicó é uma questão onde o debate é antigo e nunca se chegou a uma conclusão óbvia, talvez pela falta de um estudo dedicado sobre a mesma.
Mas vamos a factos. Já há alguns anos que, infelizmente, estou longe de Sicó. Custa-me estar longe de Sicó e também não conseguir fazer o que mais gosto em Sicó em termos profisionais. Há demasiados obstáculos promovidos por uma série de pessoas, mentalidades, entidades e interesses. Por esse motivo só me resta, por ora, ir à terra regularmente matar saudades, estar com amigos e pouco mais que dar alguns aconselhamentos. Quando vou não tenho outro remédio senão pegar num carro e atestar o depósito, já que ida e volta são mais de 400 km. A despesa é à volta de 50 euros e isto se não for pela auto-estrada. Gasto então 50 euros (ida e volta) e demoro entre 3 a 4 horas pelas estradas nacionais (ida ou volta). Como não há comboio para Ansião, não tenho essa opção. Poderia ir até Pombal, contudo de Pombal para Ansião o transporte público é escasso. A não ser no caso de férias, onde podemos perder tempo q.b. em transportes, é impensável fazer uma viagem de transportes públicos. Dantes a Rede Expressos ainda passava por Ansião ou pelo Avelar/Pontão, mas já há alguns anos que isso é coisa do passado (neste último ainda pára). Outro dia ainda fiz um exercício que era na base de ir até Pombal de comboio e pegar numa das bicicletas eléctricas partilhadas em Pombal, mas isso não é possível, já que as bicicletas não podem sair de lá de Pombal. Levar a própria bicicleta? Seria uma opção, contudo se temos uma reunião pouco tempo depois do comboio chegar a Pombal é um bocado complicado fazer 20 km e chegar a uma reunião transpirado... Tentei pensar em todo o tipo de opções, contudo é... complicado.
Dantes também era vulgar apanhar boleias, sendo comum ver pessoa à saída de Ansião e Pombal na berma da estrada a pedir boleia. Hoje é muito raro e quem o faz é olhado quase de lado...
Vejam bem esta problemática que é a questão da mobilidade neste território!
Agora vamos a um exemplo oposto. Durante uns tempos tenho de ir a Lisboa todas as semanas e para isso tive de ver as opções possíveis. Tendo em conta os pontos de chegada e de partida, optei pela Rede Expressos. Para o trajecto pretendido (Braga-Lisboa) tem várias opções e horários diferenciados que se ajustam ao que eu preciso. Uma viagem de ida e volta (400+400km) fica por apenas 13 euros! (comprado com pelo menos semana e meia de antecedência. e demora 4 horas e 30 minutos para cada lado. É confortável e alguns dos autocarros até vídeo têm. Todos eles têm internet gratuita. Dá que pensar, não dá?
Quando se pensa no porquê de tanta gente sair destes territórios de baixa densidade, não será difícil enumerar motivos para muitos terem saído e poucos, como eu, quererem voltar. Há todo um trabalho de base por fazer para reverter este cenário. E não é com zonas industriais que nos convencem a voltar...

13.4.22

Uma obra excepcional que merece destaque nacional!

Fotos: Arqueóloga Paula Cassiano



É uma obra que estava a acompanhar, mesmo ao longe, já que era algo que era diferente daquilo que se costuma fazer na nossa região, mais ainda tratando-se de uma antiga igreja, votada a um esquecimento de muitos anos.  Mesmo esquecida, continuava presente na identidade de muita gente, sendo motivo de muita conversa nos últimos anos. Curiosamente há algumas semanas uma pessoa, daquelas como eu, interessadas pela temática do património, telefonou-me, a ver se eu sabia determinada informação sobre este projecto. Como não sabia, encaminhei para quem de direito. Quando não sabemos, devemos encaminhar para quem sabe.

Mas vamos aos factos. De uma ruína de uma antiga igreja está a surgir uma obra simplesmente excepcional, que conjuga um extremo bom gosto a um respeito pela memória assinalável. É um caso raro de um projecto muito bem pensado por quem sabe e devidamente financiado. Não tenho elogios suficientes para este projecto e para quem o pensou e conseguiu levar adiante. 

Trata-se de uma igreja situada em Almoster, Alvaiázere. Logo que ali possa voltar, voltarei a abordar este projecto genial e aí falar de todos os que têm mérito no mesmo! Para já ficam algumas imagem, gentilmente autorizadas pela arqueóloga Paula Cassiano, que mostram a beleza do projecto em todo o seu esplendor. Qua uau de projecto!

8.4.22

Sicó, a jóia da coroa, não merece tamanha incompetência...


Escrevo estas linhas ainda a pensar que não passaria de uma peta do 1 de Abril, contudo tenho a noção de que é apenas uma ilusão minha para tentar ultrapassar a desilusão do costume, ou seja de ser de uma região onde a regra é a inaptidão crónica de quem deveria ser competente para desenvolver, de facto, a região de Sicó. 
Há poucos dias recebi o Jornal Terras de Sicó, um dos poucos jornais que acompanho, de facto, já que além de lhe reconhecer um trabalho interessante em Sicó, é um jornal que é dos meus, ou seja escreve em bom português e não se deixa iludir com atentados culturais como o é o "acordo" ortográfico. Mas voltando aos carris, quando recebi a última edição do Jornal Terras de Sicó, houve uma notícia que saltou à vista das demais, não só por ser capa do mesmo, mas fundamentalmente por ser um assunto que me é muito caro e sobre o qual já aqui falei por várias vezes.
Mas vamos aos factos anunciados na notícia da qual dou conta na imagem acima. Acaba por não ser surpresa uma notícia deste tipo, algo de sintomático tendo em conta o amadorismo demonstrado pela da Terras de Sicó neste domínio. "Tiveram a ideia" de classificar a paisagem de Sicó, algo de bom e que já se falava há muitos anos, contudo, e depois, começou o amadorismo. Quando se esperaria que a Terras de Sicó envolvesse de início os especialistas que têm Sicó como território privilegiado de estudo, não os envolveu e contratou uma empresa do Porto para fazer um estudo muito, mas muito redutor, que custou apenas pouco mais de 15000 euros. Quando se esperaria que a Terras de Sicó envolvesse entidades, associativismo e os próprios cidadãos, ignorou-os e só os "chamou" depois da coisa feita para limar duas ou três arestas. Surgiu então um relatório muito incompleto e com graves omissões, que mostrou que o território de Sicó não foi devidamente avaliado e entendido. Depois disto a Terras de Sicó, por via de cada um dos municípios, lembrou-se de promover sessões de esclarecimento, daquelas tipo facto consumado, onde parece que a nossa opinião foi tomada em conta. Não foi, pois se fosse a nossa opinião teria sido tomada em conta no início do processo, antes do relatório e durante as visitas ao terreno. Foi nestas sessões públicas que a Terras de Sicó viu que tinha cometido erros crassos, já que surgiram as mais que expectáveis críticas ao processo e ao relatório. Foram críticas unânimes e por investigadores e associações que já cá andam há muitos anos e que conhecem muito bem Sicó.
Importa também referir que antes deste processo, foi sugerido à Terras de Sicó que promovesse um Plano de Paisagem, de forma a ter uma base sólida para uma posterior classificação da paisagem de Sicó e um instrumento de gestão essencial para a valorização da mesma, promovendo assim um desenvolvimento territorial baseado nos valores naturais, compatível com a preservação destes mesmos valores.
Eis que agora surge uma notícia sobre uma reavaliação do projecto. Na notícia fala-se que há 3 anos a Terras de Sicó ponderou entre a classificação da paisagem de Sicó ou um Geoparque. Só para verem como a Terras de Sicó está muito atrasada em termos de planeamento estratégico, a ideia da classificação da paisagem de Sicó já tem décadas e a ideia de um Geoparque tem 16 anos, já que foi uma ideia que apresentei num evento do qual fui responsável pela organização. Na altura houve um vereador que achou que eu era muito ingénuo, quando afinal não percebeu que eu estava à frente do seu tempo. No meio académico o evento foi muito bem recebido.
Mas, e prosseguindo, na notícia em causa, é dito que a proposta de classificação foi elaborada por uma empresa especializada, mas sem referir em que é afinal especializada... Não se confunda uma empresa do ramo ambiental com uma empresa especializada na elaboração de planos com vista à classificação de uma paisagem protegida. Diz a notícia que o documento foi aprovado nos executivos municipais, sem referir que foi liminarmente chumbado por todos aqueles que trabalham em prol desta jóia que é Sicó, seja investigadores, seja associações como por exemplo o Grupo Protecção Sicó.
Depois disto, é relatado que o assunto saltou para as páginas dos vários orgãos de imprensa local e regional. E não foi por acaso, já que chega-se ao ridículo de prever medidas que, imagine-se, levam, no concreto a uma não manutenção de práticas que foram o garante do moldar desta paisagem e de processos importantes para a sua manutenção. Fala-se também no impedimento da realização de provas de atletismo, quando se, por exemplo, tivesse sido elaborado um plano de paisagem para Sicó, facilmente se saberia que se podem fazer provas deste género desde que sujeitas a limites (capacidade de carga). O mesmo se aplica a outras actividades, as quais se podem fazer desde que com regras. 
É também referido que os autarcas estão descontentes com a polémica, facto compreensível, contudo essa polémica deve-se fundamentalmente à desastrosa, repito, desastrosa gestão da Terras de Sicó deste processo. Já só falta meterem a culpa em nós... Fazer mea culpa não é um defeito, mas sim uma virtude, fica a dica à Terras de Sicó. O processo não cumpriu os preceitos necessários, portanto não mandem areia para os olhos do pessoal sff. E não teve a exposição pública necessária! O que quiseram foi legitimar o processo com sessões públicas organizadas quando já o relatório já estava feito. É uma falha estrutural e que mostra bem o amadorismo do processo. A Terras de Sicó quis começar a casa pelo telhado e o resultado está à vista.
Sobre o tal investimento necessário, acham mesmo que algo desta importância e grandeza se faz com 15000 euros? Queixam-se de ter de fazer avultados investimentos quando por outro lado ainda há poucos meses investiram 300000 euros num festival de magia?! (nada contra este festival de magia!). Não saberá a Terras de Sicó que para elaborar um processo que vise à classificação da paisagem de Sicó é necessário um investimento na ordem de centenas de milhar de euros? É um investimento que tem de ser feito e que no médio prazo trará milhões de euros como benefício. E planeamento...
É triste que o amadorismo ainda seja a regra em Sicó e que Sicó esteja ainda refém de uma, na minha opinião, incompetência com raízes profundas. Como se pode investir num território onde a própria Associação de Desenvolvimento Territorial não dá garantias de competência em processos tão importantes como este? Depois queixam-se de sermos uma região de baixa densidade, com problemas estruturais. Pudera...



































4.4.22

Contribuir para uma causa importantíssima não custa nada e faz toda a diferença!


E já agora, também podem aproveitar a entrega do IRS para doar 0,5% a associações como esta, portanto não há desculpas para não doar a quem nos apoia tanto.