Mostrar mensagens com a etiqueta Alvaiázere. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alvaiázere. Mostrar todas as mensagens

10.5.24

Uau, uau e uau!


É a mais recente entrada na minha biblioteca pessoal, a qual faço questão de destacar de forma individual. Quem não é muito de leituras não se apercebe do que vou falar, mas talvez falar leve a que quem não é muito de leituras o comece a ser e quem já é muito de leituras, conheça esta nova obra genial. Gostem ou não de ler, se gostam de património vão ficar assoberbados com este livro publicado há poucas semanas.
Este livro tem uma longa história por detrás, a qual tive a oportunidade de ir acompanhando ao longe. Fui um dos poucos privilegiados que sabia desta investigação plasmada neste livro. Já sabia que um dia haveria de ser publicado, já que tenho a honra de conhecer a autora há vários anos e, por isso, estava ao corrente dos trabalhos e do esforço a levar a bom porto a investigação. Alvaiázere permitiu-me conhecer pessoas extraordinárias ao longo dos anos, igualmente defensoras do património, seja de que tipo for, natural, cultural, etc. Lembro-me das primeiras conversas sobre esta investigação e olhando para trás é ainda mais maravilhoso compreender este longo, árduo e muito meritório caminho da autora que nos trouxe este livro sobre uma temática que poucos conhecem, os sinos. É simplesmente extraordinário e merece uma vénia sentida. Mal imaginam muitos que muitos dos sinos que já viram por esse Portugal fora foram feitos há muitas décadas em Alvaiázere. Sim, esta região tem ainda muitos tesouros por divulgar e só a carolice de "muitos" e "muitas" mentes brilhantes possibilita trazer à luz do dia o resultado de tais investigações, as quais enriquecem de sobremaneira a nossa história e a nossa memória.
Ainda não li o livro, dei apenas uma olhadela ao início, de forma a perceber o que me espera na leitura que nas próximas semanas se irá iniciar. Sicó tem sorte em ter pessoas tão extraordinárias, que trabalham pro bono em prol da divulgação e promoção destes nossos patrimónios!
A apresentação oficial deste livro será em Junho, em data a anunciar. Logo que saiba a data darei conta das informações nas redes sociais. 

5.12.23

Muito orgulho e alguma desilusão!


Lembro-me bem do dia que um alto contacto no meio do activismo me telefonou a perguntar se já sabia. Perguntei: "se sei o quê?". Rapidamente fiquei a perceber que já estava a decorrer o prazo de participação pública de um projecto de pesquisa e prospecção de areias siliciosas e argilas especiais, em Almoster. Apesar de eu receber os avisos da plataforma "Participa", o facto do projecto ter o nome de "Murtal" passou-me despercebido, daí a surpresa. Havia ainda um mês de prazo, portanto comecei logo a divulgar aqui no azinheiragate e aos meus contactos o sucedido, de forma a todos participarem. Em poucos dias já havia uma pequena equipa de cidadãos e cidadãs a trabalhar no duro para tentar parar este projecto.
Eis que passados uns dias, nova má notícia, havia mais um projecto, e a poucas centenas de metros dali, já em Ansião, com o nome de "Pessegueiro", em Pousaflores. Novamente, mais mobilização para fazer, mais esclarecimentos técnicos a fazer. Foram, ao todo, dois meses de muito trabalho (incluindo centenas de kms feitos para poder participar nas sessões de esclarecimento respectivas), com outras pessoas, às quais desde já agradeço o seu trabalho e dedicação em prol desta causa comum a Alvaiázere e a Ansião. Houve muita ajuda de uns a outros. 
Não estranhem o número de participações ser menor em Almoster, já que isso decorreu do facto de ter sido o primeiro processo a ser público e ao facto de, naturalmente, demorar o seu tempo a mobilizar pessoal e a fazer o trabalho necessário. Mesmo assim 141 participações foi um bom número para Almoster.
Ansião teve umas incríveis 903 participações, facto potenciado por ter sido posterior ao de Almoster, ao facto de termos uma comunidade de estrangeiros residentes que fizeram um trabalho excepcional e ao facto de, ao mesmo tempo, termos tido pessoas de Almoster a ajudar e também muito pessoal de Ansião mobilizado. Foi incrível esta mobilização conjunta.
E durante estes últimos dois meses conheci várias pessoas que também fizeram um bom trabalho, pessoas que conheci pessoalmente e outras que me telefonaram a pedir ajuda. Que orgulho pessoal!
Em Ansião a Câmara Municipal deu parecer desfavorável, facto que me orgulha profundamente. A Junta de Freguesia de Pousaflores esteve muito bem na organização e logística da sessão de esclarecimento. Em Alvaiázere a conversa foi outra. Para não variar, o autarca local deu parecer favorável condicionado, mesmo admitindo que não estava bem preparado para analisar o processo. Já depois da sessão pública (onde a 16 minutos do início da mesma falhou a luz, mas apenas naquela área... voltando uma hora depois, sem que o pessoal tenha desmobilizado!), a Junta de Freguesia de Almoster, deu parecer negativo, mostrando assim que está, de facto, do lado da população nesta questão fundamental. Estou curioso para ver se a Câmara Municipal de Alvaiázere vai insistir num erro colossal, com consequências dramáticas a todos os níveis, inclusivamente políticos...
Algo de fabuloso foi ver tanta gente em ambas as sessões de esclarecimento. Em Almoster foram 100 pessoas e em Pousaflores julgo que rondava as 200.
Ou seja, nos próximos 3 meses haverá mais novidades, já que terá de haver uma sessão oficial de esclarecimento, com a empresa em causa, em Almoster e em Pousaflores. Até lá eu e outras pessoas estamos a fazer mais trabalho de casa para a luta que continua!
Para terminar um apelo, o que assinem e partilhem uma petição online que queremos levar à Assembleia da República nos próximos tempos, com alguns milhares de assinaturas!


#juntossomosmaisfortes 


 

14.2.23

Concentrar competências é um péssimo indicador...

 


É um facto que muito me tem preocupado, embora não me surpreenda, de todo. Acompanho e visito o Museu Municipal de Alvaiázere há muitos anos, mais concretamenteamente desde que trabalhei em Alvaiázere. Nos primeiros tempos aconteceu algo que foi no mínimo risível, ou seja um autarca colocar-se como o responsável pelo museu em causa, talvez pela questão do prestígio (algo que não aconteceu). Isto tendo o mesmo Museu profissionais competentes e com competências para a gestão do mesmo.

Mas não é esse o cerne da questão. Nos últimos meses tenho constatado uma alteração do bom trabalho de marketing e divulgação feito pelos profissionais do Museu Municipal de Alvaiázere. O que se passará? O que tem acontecido é que canais de comunicação próprios (Museu Municipal de Alvaiázere) têm desaparecido (Facebook, blog e afins), facto que me preocupa. Preocupa-me por dois motivos, o primeiro é que este marketing e divulgação estava a ser feito pelos profissionais do Museu, os quais têm o conhecimento técnico. O segundo é que fica no ar a ideia que o marketing e a divulgação estão a ser concentrados nas mãos de quem não sabe do assunto, não é profissional da área e não faz esse marketing e divulgação por paixão, mas apenas por obrigação e a mando de terceiros. Tem sido tudo concentrado nas redes sociais do Município de Alvaiázere, facto que empobrece o marketing e a divulgação do Museu Municipal de Alvaiázere. É assim que se valorizam os profissionais da área? Fica a questão...

Observando outros Museus Municipais, o que se vê é que a maioria tem canais próprios de comunicação, com alguma independência dos colarinhos brancos da política. Funciona melhor, é feito por quem mais sabe e valoriza os profissionais ligados aos museus. Em Alvaiázere anda-se ao contrário, na onda dos achismos e achistas. E é a regra, não a excepção, a qual tem tido resultados muito negativos ao longo dos anos.

Não é por acaso que tenho visto algumas pessoas que ali trabalhavam a migrar para outras paragens para trabalhar na mesma área em que trabalhavam em Alvaiázere, embora nas novas paragens sejam respeitados e lhes seja dada alguma independência baseada nas suas competências. E assim rendem muito mais em termos profissionais e são mais felizes. Mas em Alvaiázere o que importa não é ser competente, mas sim ser um jotinha e bajular o poder político, sendo esse o cartão para o "sucesso" profissional, em vez da meritocracia. E dói tanto ver bons profissionais a sair para outras paragens ou bons profissionais limitados pela acção política medíocre. Alvaiázere tem tanto potencial não concretizado...

25.9.22

De indústria dita ecológica para isto que se vê...

Há uns anos quiseram, de forma pouco correcta, promover o alargamento de uma zona industrial, em Alvaiázere, à custa do abate de um património arbóreo notável, caso de sobreiros e carvalhos centenários, e azinheiras já a caminho disso, e à custa da propriedade privada e da vontade do dono dos terrenos. Não conseguiram porque sofreram uma derrota a toda a linha, perdendo na justiça, e bem!

Logo que a derrota foi consumada, quiseram impingir uma zona industrial no meio de vários lugares, na freguesia de Pussos, e aí, infelizmente, conseguiram, contra a vontade da maioria dos locais. Foi vendida a ideia do costume, fábricas e uma suposta fábrica ecológica. 

Eis que a alegada ecologia mostra o seu valor, ou melhor, o seu fumo e a sua poluição. O fumo será pior em alturas de calma do vento, já que ali é um local particularmente sensível para a acumulação de fumos... Mas não só, eis que os recursos aquíferos também já estão a sofrer com alegadas descargas que não auguram nada de saudável. E sim, a SEPNA já visitou o local. 

Só tenho pena de quem se opôs a uma zona industrial onde não era suposto (havia alternativas, mas essas não interessavam ao poder político...). Quem apoiou esta zona industrial agora que aguente a poluição!

Em vez de se promover um desenvolvimento do território com base nas mais-valias territoriais, impõe-se uma zona industrial que além de má localizada, não acrescenta valor a este território. Até o prejudica e contribui para a pioria da qualidade de vida.

Isto lembra-me quando há uns anos fui sondado por um engenheiro que pensava que tinha graça, sobre se sabia alguma coisa sobre incineradoras. Isto porque chegou a estar em cima da mesa o poder político trazer para Alvaiázere uma indústria incineradora de lixo... É isto que o poder político alvaiazerense quer para o povo. Sorte em viver ali!




 

18.6.22

"lapsos" que prejudicam o desenvolvimento territorial...


É algo que é fundamental falar, já que é por estas e por outras que Sicó e, concretamente Alvaiázere, não saem da cepa torta. Mas antes de comentar, deixo uma nota de esclarecimento da ADECA, que refere o cerne da questão, a qual irei dissecar seguidamente:

"Nota de esclarecimento: A Adeca vem pela presente forma informar todos os seus associados e todos os empresários a quem presta apoio, que este ano foi afastada da organização da FAFIPA 2022, contrariando o espírito de apoio e entre ajuda que existia há mais de 15 anos. Constatamos agora que para além dos diversos eventos direccionados para os empresários também se irá realizar um sunset de empresários evento que faz parte da história da Adeca e que é de facto “marca” nossa. Assim para além da desconsideração que foi dada a esta casa, os eventos dela foram também “plagiados”. No que nos diz respeito lamentamos o tipo de prática que está a ser levado a cabo pelo executivo em funções, pelo que ilibamos qualquer responsabilidade relativamente aos eventos que vão decorrer, sendo que os logotipos da ADECA incluídos na publicidade dos eventos não coincide / reflecte a parceria, que na prática não existe para este evento. Quanto aos nossos associados e empresários estamos disponíveis para Vos continuar a apoiar no que mais precisarem como até a data tem sido feito, sem olhar a interesses pessoais ou de qualquer outra índole. 
A direcção"

Para quem está de fora será mais difícil compreender, mas o que se passou aqui foi, alegadamente, uma represália de um autarca a uma associação (ADECA) pelo facto de esta ser gerida por alguém que nas últimas eleições concorreu igualmente às eleições locais. Este tipo de represálias é bem conhecido por mim, que também fui alvo por parte de um partido político, o qual na minha opinião que se confunde com uma família bem conhecida localmente, a qual se tem perpectuado na sua "coutada" alvaiazerense. Represálias, projectos metidos na gaveta e afins são a marca da, ironicamente, família política no poder, a qual desta vez ganhou apenas por umas dezenas de votos. A queda nos votos está a ser enorme a cada ciclo eleitoral e nas próximas eleições a coisa pode finalmente virar. Mas até lá há que promover a política da terra queimada, secando tudo à sua volta, tendo na mão todos aqueles que dependem do emprego local e apontando baterias para todos aqueles que têm denunciado tudo aquilo que tem sido denunciado. O que importa é assegurar a continuidade, mesmo que à custa do desenvolvimento de Alvaiázere. E enquanto isso ocorre, continuam as mesmas promessas, repetidas há décadas, sem que Alvaiázere tenha saído da cepa torta. E isto num território com tremendas potencialidades e património incrível.
Acho curioso também o facto da ADECA também, alegadamente, ter sido alvo de plágio numa das suas iniciativas, facto que me faz lembrar quando elaborei um percurso pedonal e ele foi plagiado. Teria bastado colocar a fonte e não teria havido problema algum, já que eu oferecia o trabalho feito.
Tempos difíceis se afiguram novamente para Alvaiázere, com esta política de guerrilha que consome e atrasa ainda mais o desenvolvimento de Alvaiázere.
Não se deixem desanimar com este cenário, sejam activos em prol de Alvaiázere e denunciem o que for para denunciar. Alvaiázere merece ver o seu futuro resgatado da idade medieval.
Nota: o mais provável é entretanto surgir a desculpa do lapso, contudo essa tecla do "lapso" já desapareceu há muitos anos, de tanta vez ser utilizada...

 

13.4.22

Uma obra excepcional que merece destaque nacional!

Fotos: Arqueóloga Paula Cassiano



É uma obra que estava a acompanhar, mesmo ao longe, já que era algo que era diferente daquilo que se costuma fazer na nossa região, mais ainda tratando-se de uma antiga igreja, votada a um esquecimento de muitos anos.  Mesmo esquecida, continuava presente na identidade de muita gente, sendo motivo de muita conversa nos últimos anos. Curiosamente há algumas semanas uma pessoa, daquelas como eu, interessadas pela temática do património, telefonou-me, a ver se eu sabia determinada informação sobre este projecto. Como não sabia, encaminhei para quem de direito. Quando não sabemos, devemos encaminhar para quem sabe.

Mas vamos aos factos. De uma ruína de uma antiga igreja está a surgir uma obra simplesmente excepcional, que conjuga um extremo bom gosto a um respeito pela memória assinalável. É um caso raro de um projecto muito bem pensado por quem sabe e devidamente financiado. Não tenho elogios suficientes para este projecto e para quem o pensou e conseguiu levar adiante. 

Trata-se de uma igreja situada em Almoster, Alvaiázere. Logo que ali possa voltar, voltarei a abordar este projecto genial e aí falar de todos os que têm mérito no mesmo! Para já ficam algumas imagem, gentilmente autorizadas pela arqueóloga Paula Cassiano, que mostram a beleza do projecto em todo o seu esplendor. Qua uau de projecto!

9.4.19

Chamada à recepção: venham esses resumos sff!


Ainda faltam uns meses, contudo, e como quem é investigador bem sabe, é preciso preparar os resumos com antecedência. Assim sendo, fica o convite a investigadores das áreas referidas no respectivo site do  congresso, para que pensem em algo de interessante para apresentar. O azinheiragate é visto por muito/s amigo/as do património, esperando eu ver alguns deles neste congresso. A quem não é investigador e, por isso, não vai apresentar nada, fica o convite para que reservem estes dois dias na vossa agenda, de forma a que possam assistir a um congresso daqueles que vale mesmo a pena, onde se aprende e partilha conhecimento e factos sobre o património natural, cultural e afins.
Já agora um desafio às autarquias da região de Sicó, tratem de pensar apresentar o vosso património. Deleguem a tarefa a um dos vossos técnicos, que tenha as competências certas, para apresentar trabalho feito pelas autarquias. O evento em causa ficará concerteza mais enriquecido. É importante motivar mais os bons técnicos que as autarquias ainda vão tendo. Vão ver que o rendimento deles vai aumentar! Fica a dica...

21.9.18

Porque o Chícharo é importante para Sicó!


Confesso que fico feliz por ver que o festival do Chícharo volta a ser organizado na devida altura, ou seja em Outubro. Já por várias vezes tinha alertado para o erro estratégico, em termos de marketing territorial, que era passar este festival para Junho. Deste modo o Chícharo volta a ganhar o devido protagonismo e Alvaiázere a mostrar que reconhece a importância de voltar a ter o Chícharo no seu devido lugar, de merecido destaque. É um festival que recomendo, portanto toca a agendar uma visita a Alvaiázere naquele fim-de-semana. E preparem o estômago para boa comida...

14.7.18

PDM serve para quê, fazer tábua rasa dos valores naturais?!


Foi há poucas semanas que fiquei a conhecer esta situação e agora, que já houve mais desenvolvimentos, venho então abordar a questão no azinheiragate.
Mas vamos aos factos. A Câmara Municipal de Alvaiázere achou por bem elaborar um projecto de alargamento de uma zona industrial (na foto inicial...) e candidatar o mesmo a fundos comunitários. Consta que foi aprovado. Até aqui tudo normal e desejável, só que há um pequeno pormenor que faz toda a diferença e que me indigna enquanto cidadão e geógrafo. Tudo isto foi feito à revelia de, pelo menos, um proprietário de um terreno que agora a Câmara Municipal de Alvaiázere quer expropriar. Resumindo, fez tudo à revelia do dono do terreno em causa e já depois do projecto aprovado é que lhe enviou uma carta registada a manifestar o interesse em comprar o seu terreno. Caso recusasse, seria expropriado. Já nos últimos dias, mais uma carta registada, onde alegadamente é manifestado o interesse numa expropriação urgente, de forma a começar a obra. Ou seja, tudo isto no espaço de um mês...
Como foi possível entidades públicas várias autorizarem tudo isto? Será isto ético e correcto?


O terreno em causa faz parte de uma quinta, a qual me surpreendeu pela beleza e pelo património natural e construído ali presente. Há um projecto (entrado nos serviços da Câmara há 10 anos, portanto nem sequer pode ser alegado desconhecimento do mesmo), no qual já foi investido algum dinheiro, que fica em risco agora. Mas não só, caso a obra avance, dezenas de árvores de grande porte vão ter de ser abatidas, de entre as quais sobreiros centenários (árvore nacional....), carvalhos centenários e azinheiras (protegidas). 
Como é isto possível?! Elabora-se um projecto em terreno alheio e sem conhecimento do proprietário? O ordenamento do território é feito para e com as pessoas, não sem as pessoas e para as empresas virtuais. Um PDM serve para gerir todo um território e não é uma mera formalidade. Um PDM serve para definir onde se deve ou não construir, de forma a salvaguardar valores..
O terreno em causa consta no actual PDM (1997) como espaço industrial proposto e, esperava eu, que com a revisão do PDM (em curso há 10 anos...) situações incongruentes como esta desaparecessem, contudo, e como descobri agora, não foi o caso. Tanto se criticava o PDM e agora, que está em revisão, aproveita-se para abrir uma porta para... construir onde não se devia, pegando não no novo PDM, em revisão há mais de uma década, mas sim num PDM da década de 90. As perspectivas sociais, económicas e ambientais são diferentes de 1997, contudo isso parece que não interessa agora... Até agora as únicas duas alterações de pormenor ao PDM foram para legalizar uma construção ilegal (1 piso feito a mais num prédio) e para legalizar uma pedreira que explorava pedra em desconformidade com o PDM...


As alternativas existem, não existe é vontade política. Não vi qualquer estudo onde as alternativas fossem estudadas/avaliadas e não será por acaso. Já na altura em que trabalhei naquela autarquia, a conversa era a mesma. Nessa altura o que alguns diziam era que as alternativas eram uma coisa chata, já que implicava movimento de terras numa das outras localizações, mesmo que sem impactos relevantes em termos ambientais ou patrimoniais...
O que seria de esperar, tendo em conta a revisão do PDM, era de que se fizessem estudos vários, nomeadamente sobre localização e eventual alargamento de zonas industriais, contudo aqui não se fez isso, porquê? Não se salvaguarda o património por um lado e por outro afirma-se à imprensa que o património é um motor de desenvolvimento. Esta é uma prova cabal da consideração que o património efectivamente tem em Alvaiázere, um velho hábito por estes lados. Ouvi falar também em medidas de compensação, mas como é sequer possível compensar o abate de árvores protegidas, seculares?! Os sobreiros, carvalhos e azinheiras não são muros, que dão para destruir e depois construir imediatamente noutro local!
Este projecto nada tem a ver com convergência e equilíbrio entre as várias necessidades diagnosticadas, nem é sequer do interesse para a sustentabilidade, muito pelo contrário. É do interesse para a construção, nada mais. Destrói-se património natural insubstituível, destrói-se serviços ambientais importantes e por aí adiante. Se fosse feito um estudo afecto às alternativas, aí sim, seria pugnar por uma convergência e equilíbrio entre as várias necessidades diagnosticadas. Todas elas têm algo em comum, o território e os seus valores, tudo parte do território e quando se manda às favas o território, tudo o que está a jusante vai ter problemas, mais tarde ou mais cedo.
O proprietário desta quinta tem todo o meu apoio na defesa deste património. É um orgulho ver um cidadão lutar pelo património, coisa que em Portugal, e apesar dos avanços, ainda tem muito que avançar. Há alternativas, portanto é por aí o caminho a trilhar em prol do desenvolvimento de Alvaiázere, que todos desejam.
E aproveito para dar conhecimento a todo/as de algo importante. Em 2017 participei numa formação de empreendorismo na incubadora de negócios de Alvaiázere, onde está a ser feito um trabalho muito interessante. A ideia era localizar uma empresa que pretendo abrir nos próximos meses (por motivos pessoais tenho adiado o início da actividade) em Alvaiázere, dado o bom trabalho ali feito, a localização e infraestrutura que já existe e outra que deverá estar em funcionamento em breve. Com muita pena minha comunico hoje formalmente que não pretendo mais localizar ali a empresa que irei criar, ligada à temática ambiental. E é realmente uma pena, já que Ansião não tem o espaço que eu gostava que tivesse para albergar empresas como aquela que tenho idealizada.
Este episódio mostra que não há garantias no que concerne à preservação do património que tanto prezo e pretendo potenciar em termos ambientais, sociais e económicos. Para quê investir em algo que não temos garantia que continue a existir no curto prazo?
Portugal tem muito que evoluir e Alvaiázere não é excepção.


5.9.17

O que é bom é para se partilhar!


A diferença entre o sucesso e o insucesso nas políticas de desenvolvimento territorial tem a ver em boa parte com a competência ou incompetência das pessoas que estão à frente dos organismos ou associações que operam às várias escalas. Neste caso refiro-me à escala local e, concretamente, a Alvaiázere. Nos últimos tempos as coisas mudaram para melhor, fruto do fim da "idade das trevas" e dos velhos do Restelo e da era dos ressabiados mimados. O paradigma mudou e outros "actores" entraram em cena, facto que teve reflexos positivos.
Uma das pessoas que entrou em cena, com uma postura e competência a destacar, foi o, agora, Presidente da Associação de Desenvolvimento Integrado do Concelho de Alvaiázere, Bruno Furtado de Sousa, que trouxe consigo algo que faltava em Alvaiázere há muitos anos, sabedoria, criatividade e humildade. Ao contrário de outros, que não sabem ouvir os outros nem mesmo trocar ideias de forma honesta e produtiva, é alguém que tem capacidade de encaixe, que não embirra com aqueles que têm ideias diferentes e que respeita, não tentando tramar a vida pessoal e profissional de quem discorda de si. Não sendo o único responsável pela realização do evento que destaco neste comentário, é alguém que considero determinante para a realização do mesmo, dada a sua postura e vontade de fazer mais.
O bootcamp de empreendorismo não é o início de algo, é sim a continuação de um processo que já teve início há algum tempo e foi devidamente planeado. 
Já estive presente numa outra actividade promovida pelos mesmos actores de desenvolvimento territorial e posso dizer que foi algo de excepcional.
Esta iniciativa tem um potencial mobilizador importante em termos de dinamização territorial e económica, daí a importância de o referir e de o ajudar a publicitar. Não tenho a mínima dúvida dos efeitos positivos que esta linha de actuação, presentemente em desenvolvimento em Alvaiázere, terá a nível concelhio e a nível regional, a seu tempo. Sim, porque cada concelho só estará melhor se os seus vizinhos também estiverem, pormenor que tem escapado a muita gente, defensora das políticas das capelinhas.
Para o/as interessado/as, fica o programa:

"16 Setembro
09h30 // Sessão de Abertura
Célia Marques, Câmara Municipal de Alvaiázere
Vanessa Batista, Territórios Criativos
10h00 // Inspirational Talk (sessão aberta ao público)
Isabel Neves, empresária e reconhecida investidora (Shark Tank Portugal)
11h30 // Coffee Break
12h00 // Perfect Pitch
Vanessa Batista, Territórios Criativos
13h00 // Almoço Livre
14h30 // Teamwork
16h00 // Speed Mentoring

17 Setembro
10h00 // Empreendedorismo e o Potencial da Região Centro (sessão aberta ao público) Gonçalo Gomes, Turismo do Centro
João Coroado, Instituto Politécnico de Tomar
Luís Matos Martins, Territórios Criativos
Rui Pedrosa, Instituto Politécnico de Leiria
Moderação – Mário Pinto, Diário de Leiria
11h30 // Coffee Break
11h45 // Pitch your Idea
13h00 // Sessão de Encerramento
Célia Marques, Câmara Municipal de Alvaiázere
13h15 // Network & Lunch"
Fonte: Alvaiázere +
Parabéns a todos os organizadores deste evento, Sicó fica-vos agradecida!

28.8.17

Dar vida ao património!


Tendo em conta que a iniciativa "Dar vida aos coretos" também passa pela região de Sicó, concretamente por Alvaiázere, que tem um belo coreto, importa ajudar a divulgar esta iniciativa que tanto valoriza os nossos belos coretos. Agora não há desculpa para não ir a este evento!

10.7.17

É muito importante debater esta questão, percebam porquê...


Depois de saber que está a decorrer um processo que pode envolver a regularização/legalização da actividade de exploração de inertes na freguesia de Almoster, Alvaiázere, decidi que seria importante debater esta questão. Faço-o por vários motivos, em primeiro lugar porque é uma questão que deve ser debatida publicamente. A população deve ser envolvida neste debate e saber toda a informação possível, de modo a poder dar o seu contributo e decidir (sim, a população tem poder de decisão). Em segundo lugar estou saturado de ouvir o  pseudo argumento do costume por parte de empresas do ramo em causa. Acenam com os postos de trabalho sem, contudo, dizer o que é importante todos saberem. 
Trata-se de um projecto que envolve a exploração de saibro e areia, numa área de oito hectares (oito campos de futebol...). Trata-se, portanto, de um grande impacto ambiental/paisagístico naquela freguesia e de postos de trabalho que nada acrescentam aquele território. Não se tratam de postos de trabalho que acrescentem valor ao território e que retirem dali as mais valias do mesmo. Retiram sim valor ao território e é isso que as pessoas precisam de saber, para depois, e em consciência, decidir. Resta saber o que a população prefere ter, empregos estáveis e duradouros, que valorizem o território ou empregos a prazo que degradem o território.
Não me espanta este projecto, ainda mais sabendo que o PDM está em revisão e uma das hipóteses em cima da mesa é tornar esta área de REN uma área sem condicionantes à exploração de inertes, facto que não é ordenamento do território mas sim uma mera desclassificação de uma área com mais valias ambientais para uma área de exploração de inertes, com o inerente passivo ambiental.
Depois de ler alguma documentação, fiquei algo surpreendido com o facto de se estar a utilizar este projecto como que um "seguro" para uma outra exploração (pedreira). É algo que me preocupa seriamente, pois um projecto que utiliza este argumento demonstra uma fragilidade importante. Já não fiquei surpreendido em ler a argumentação da empresa em causa, populada por demagogia e populismo. E quanto ao texto do documento em causa, nem se fala, pois utiliza nuns parágrafos o "acordo" ortográfico e noutros não o utiliza (e bem). Há também erros ortográficos de realce, como o "impato".
Voltando à questão, a empresa em causa utiliza uma argumentação onde refere os impactos positivos da exploração, sem dizer objectivamente quais são e como são, omitindo contudo os impactos negativos, talvez pelo facto de não ser conveniente em termos de imagem para a população. Em vez de se centrar neste projecto, está continuamente a referir a sua outra exploração, abordando o cumprimento de normativos de segurança e saúde no que respeita aos colaboradores, mas esquecendo aqueles que vivem em redor desta exploração.
O documento que li tem muito daquilo a que denominamos como "palha". Quando seria por exemplo de esperar que se falasse numa suposta obtenção de declaração de interesse público, surge apenas "consequências da não obtenção de declaração de interesse público". Em vez de se falar nos impactos ambientais da exploração, tal como é suposto, fala-se nos custos sociais e económicos da não exploração da "pedreira". É, portanto, uma narrativa parcial, algo que deve ser devidamente apontado. Se há formas de criar empregos duradouros e que não impliquem a destruição e degradação de partes do território, porque devemos nós aceitar esta demagogia de uma empresa num documento que deveria ser imparcial? Porque é que tem de ser o interesse de uma empresa a impor-se ao interesse público? Deverá esta exploração ser reconhecida como do interesse público, sem que exista debate público? Porque não há debate sobre este suposto interesse público?
E que tal promover-se um debate público, sem estereótipos e populismos sobre este projecto? Em democracia é natural que isso aconteça. E porque é que a Junta de Freguesia de Almoster não promove um debate, já que o projecto é relativo à sua freguesia? É certo que o actual presidente da junta de freguesia não é o mais competente para se envolver em questões ambientais, mas mesmo assim tem essa obrigação. 
Há uns dias introduzi a questão num grupo do facebook de Almoster. Inicialmente a reacção de uma ou duas pessoas foi de apoio ao projecto, contudo, e depois de eu desenvolver a questão, as reacções foram diferentes. As pessoas começaram a estranhar não saberem nada de concreto sobre o projecto e não saberem nada sobre a dimensão do mesmo ou das consequências e impactos ambientais. (não conheço nenhum estudo de impacto ou incidências ambientais, tal como seria de esperar...). Começaram a fazer perguntas, algo que será sem dúvida incómodo para a empresa em causa, mas que é de salutar em termos de cidadania activa e uma democracia que se pretende sã.
Ou seja, eu dei o tiro de partida, esperando agora que o debate prossiga...

27.6.17

É um erro que importa reconhecer e corrigir...


Não é a primeira vez que abordo esta questão e, caso se mantenha, não será a última vez. Falo, claro, do erro que é juntar o Festival do Chícharo de Alvaiázere com as festas do concelho (FAFIPA), em Junho. O Festival do Chícharo deveria voltar a ser na altura própria, ou seja em Outubro, já depois da colheita desta bela e saborosa leguminosa. Ou seja, não é de todo boa estratégia promover um festival do chícharo antes da sua colheita. A lógica das festas das colheitas é mesmo ser após a colheita do produto em causa, de forma a celebrar o mesmo, nunca antes.
Este retrocesso, em termos de marketing territorial, ocorreu há cerca de uma década, sob a égide do anterior autarca, Paulo Morgado, que, devido a alegados constrangimentos económicos, decidiu que era uma boa opção deixar de realizar o Festival do Chícharo em Outubro. Já houve demasiadas mudanças, as quais afectaram a imagem desde festival. Santa Catarina da Serra, em Leiria, onde se realiza um outro Festival do Chícharo, deve estar muito agradecida com este pára arranca...
Foi uma péssima decisão, em termos de marketing territorial. Não se pode andar a acabar com um festival no mês indicado, mudando-o para outra altura. O factor financeiro não pode desvirtuar um festival deste género e desta importância. O factor financeiro não é sequer decisivo para se organizar um festival deste género, pois com pouco pode-se fazer muito. E em Alvaiázere há que tenha a sabedoria e criatividade para fazer muito com pouco... 
E isto não significa que o chícharo não possa ter o devido destaque nas festas do concelho. Pode e deve  ter algum protagonismo durante a FAFIPA, funcionando como rampa de lançamento para o Festival do Chícharo em Outubro de cada ano. Há, portanto, que repensar esta questão, a bem da identidade local e do marketing territorial. As coisas têm mudado nos últimos tempos, esperando eu que se consolide o que de bom se está a fazer e que não volte a acontecer o mal que já aconteceu.
E falando em marketing territorial, no dia 20 de Junho foi apresentado publicamente um vídeo de grande qualidade sobre Alvaiázere, o qual recomendo vivamente que visionem. É uma bela ferramenta de marketing territorial, a qual vos desafio a partilhar nas redes sociais. Se as entidades públicas forem coerentes e consequentes com o que ali é mostrado e dito, então Alvaiázere terá um futuro bem risonho. É algo pelo qual pugno há 13 anos. O património merece!


17.6.17

Centro de Arqueologia de Alvaiázere, uma excelente novidade para Sicó!


Imagens: Alexandra Figueiredo

É uma novidade que, infelizmente, não está a ter o devido destaque na imprensa regional. A arqueologia na região de Sicó ganhou uma nova vida, pois foi inaugurado há poucos dias o Centro de Arqueologia de Alvaiázere, projecto do Instituto Politécnico de Tomar e da Câmara Municipal de Alvaiázere. Estão ambos de parabéns por esta ideia ter chegado a bom rumo.
A ideia já poderia ter sido consumada há mais tempo, dada a incompetência do anterior autarca no domínio da temática patrimonial. Há 10 anos eu estava a trabalhar em Alvaiázere numa ideia que além de englobar dois centros de interpretação ambiental (Escola da Geodiversidade e Escola da Biodiversidade/Centro Ciência Viva do Carvalho Cerquinho) englobava um outro espaço, ou seja a reconversão de uma antiga escola primária para um espaço que pudesse receber investigadores de várias áreas. Infelizmente o projecto foi metido na gaveta, mas eis que Alvaiázere ganhou uma vida nova, sem ressabiamentos e vinganças à mistura.
Com esta infra-estrutura todos ficam a ganhar, Alvaiázere e a própria região de Sicó, que agora fica com um espaço de referência para a investigação. É de salientar também a dedicação no domínio da arqueologia da Directora do Museu Municipal de Alvaiázere, Paula Cassiano, que, em conjunto com um pequeno núcleo duro, mantiveram a chama da arqueologia viva em Alvaiázere num tempo onde a arqueologia era um parente pobre na temática do património.
Espero agora por novas descobertas, já que toda esta região tem muito por descobrir!




13.6.17

Trail do Chícharo: não fazer o que foi feito...


Foto: José Antunes

À primeira vista pode parecer um mero monte de pedras, contudo é algo de importante e que se deve preservar. Sei que a intenção era boa, contudo a consequência é bastante negativa.
Já por mais que uma vez falei do impacto negativo que provas desportivas podem ter, nomeadamente ao passarem por locais onde não deveriam passar. Isto acontece por manifesta falta de conhecimento, daí eu fazer questão em abordar mais uma situação do género.
Quando tive conhecimento do Trail do Chícharo fiquei contente, já que Alvaiázere e as suas gentes merecem e quem não é de lá merece ser presenteado com uma prova deste género. Conciliar o desporto com paisagens fantásticas é algo de inesquecível. E a Serra de Alvaiázere, mesmo apesar da destruição causada pelo parque eólico (em área supostamente protegida...), vale mesmo a pena visitar. Já agora, é o ponto mais elevado do Maciço de Sicó.
Contudo há um grande senão, ou seja o facto da prova em causa ter passado por um local onde nunca deveria ter passado, num local que deveria ter estatuto de protecção, dada a sua importância patrimonial. Quando vi a foto que ilustra este comentário, e que retirei do facebook de um amigo meu,  fiquei perplexo. Sei que a organização teve boas intenções, mas fazer passar a prova por ali foi um erro, o qual espero que não seja repetido.
Pode parecer que se trata de um monte de pedras, contudo há ali algo de muito importante em termos de património natural. Falo, claro, das cascalheiras de gravidade da Serra de Alvaiázere, um local de interesse geomorfológico importante e que importa preservar. A sua preservação passa fundamentalmente por medidas que impeçam o trânsito de pessoas por aquele local, evitando assim o pisoteio. Uma coisa é passar por ali uma pessoa uma ou duas vezes por ano, outra é passarem dezenas ou centenas de pessoas num par de horas. Em poucas horas promoveu-se um impacto que não aconteceu em alguns milhares de anos...
Importa também salientar que naquele local já foram encontrados vestígios arqueológicos (cerâmica), portanto ao património geomorfológico junta-se também a questão da arqueologia. 
Para quem estiver interessado em saber mais, pode encontrar informação sobre este local de interesse geomorfológico num trabalho meu, de 2008, na página 115:
Agora um apelo, aquando do planeamento de provas do género, tentem informar-se sobre documentos técnicos vários que possam existir sobre esta e outras áreas, pois ao estarem informados dos valores ali presentes, podem não só conhecer património que desconhecem bem como preservar este mesmo património, evitando a sua degradação. É fácil evitar este tipo de situações, bastando para isso uma nova atitude na abordagem à questão. E se pedirem algum tipo de ajuda, terão certamente resposta por parte de quem conhece coisas que vocês não conhecem. E através desta troca de conhecimento, ficamos todos a ganhar e o património agradece!

23.5.17

Passaram 10 anos: o que mudou na região de Sicó?


Há 10 anos eu era um mero técnico de uma autarquia, sem influência alguma, mas daqueles com bichos carpinteiros. Há 11 anos (finais de 2006) eu tive a ideia de propor a organização de um evento pouco provável naquele tempo. A ideia foi aceite, contudo na condição de ser eu a "desenrascar-me". Aceitei a condição e até hoje este é um dos momentos dos quais mais me orgulho em termos profissionais. Modéstia à parte, foi um marco para a região. Consegui a presença de alguns dos maiores especialistas nacionais e isso fez toda a diferença. E nem o facto de ter sido um evento organizado num concelho pouco provável para o efeito fez mossa, ou seja o evento correu muito bem, sendo até hoje recordado no bom sentido. Aliás algumas das ideias então tratadas (ex. aldeias do carso) estão actualmente na baila, mostrando que estávamos à frente do nosso tempo em termos de ideias a desenvolver neste território que é Sicó.
O intuito deste evento era simples, ou seja reunir pessoas e especialistas no domínio do desenvolvimento territorial, de modo a debaterem-se ideias concretas para a região, mas numa perspectiva diferenciada e, até então, pouco debatida publicamente. Apesar de ser um evento específico, concretamente pelo facto de querer debater o papel do património geológico e geomorfológico para o desenvolvimento sócio-económico na região de Sicó, isso não foi entrave, já que se conseguiu reunir investigadores, actores de desenvolvimento locais e cidadãos.
Contudo, e apesar de tudo isto, o tempo tem mostrado que é difícil as boas ideias seguirem o seu rumo nesta região (Sicó). O rumo das coisas continua a ser moldado por uma série de interesses que, na maior parte das vezes, não são coincidentes com o interesse público. E mesmo algumas das ideias que são colocadas em prática são convenientemente capturadas pelos tais interesses, que se colam às mesmas e as condicionam a jusante, numa espécie de parasitismo económico. Muitos sabem disto mesmo, mas raros são os que o dizem abertamente e sem receio de represálias. Eu sou destes últimos, falando abertamente sobre muitos temas tabú, sendo temido por isso mesmo.
Mas voltando ao início, mais precisamente ao título que dá mote a este comentário, o que mudou na região de Sicó neste domínio? Objectivamente falando, nada! Quem é responsável por isso? A resposta é simples, especialmente sabendo que este ano há eleições autárquicas...
A ver vamos o que surge nas propostas dos vários candidatos às autárquicas na região de Sicó, seja candidatos às câmaras, seja às juntas de freguesia. Sejamos exigentes para quem nos pretende governar. Sabem qual é uma das principais diferenças entre aqueles países desenvolvidos que tanto gabamos e entre nós e o nosso país? Nós não somos exigentes nem participativos na hora de decidir o nosso futuro. Simplesmente votamos e delegamos responsabilidades, quando deveríamos votar e participar activamente nos processos de decisão durante os 4 anos de governação autárquica. Resta saber se querem continuar a ser meros espectadores ou então serem actores de promoção e desenvolvimento territorial, tal como é de esperar num país desenvolvido. Na primeira opção têm tudo a perder, enquanto que na segunda opção têm tudo a ganhar. E lembrem-se que sem trabalho nada se faz...

10.4.17

O pior inimigo do património dá pelo nome de iliteracia ambiental


É, no meu entender, a questão mais sensível e complexa quando se trata de abordar a questão do património. É, portanto, algo que importa debater neste espaço, onde miúdos e graúdos costumam investir uns minutos a ler estas linhas.
Nos muitos anos que levo de activismo ambiental já vi muita coisa, sendo que hoje utilizo esta situação para falar dos porquês de alguns dos disparates que se vêem pela região de Sicó. Trata-se de um caso ocorrido perto da nascente do Olho do Tordo, em Alvaiázere, mas já na freguesia de Pelmá. Desloquei-me ao local, após ter ouvido em conversa que ali se havia passado algo. Ao chegar lá fiquei perplexo com o que vi, já que não fazia sentido algum. Umas quantas azinheiras partidas por uma máquina, a qual fez uma valeta num local onde não faz sentido algum a fazer.
Como costume fiz o trabalho de casa e tratei de investigar o caso. Poucas horas depois informei a Câmara Municipal de Alvaiázere sobre o sucedido, pedindo a esta entidade que indagasse sobre o caso. Poucos dias depois fiquei a saber que alegadamente tinha sido a Junta de Freguesia de Pelmá a fazer este disparate. Fui informado que o autarca respectivo alegadamente não saberia que isto não se poderia fazer, facto que estranho bastante, ainda mais sabendo o historial da bela azinheira pelos lados de Alvaiázere.
Mas isto leva-nos a algo de importante, ou seja a incipiente literacia ambiental neste território e noutros mais, facto que nos deveria deixar a todos preocupados. Não é admissível que em pleno século XXI ainda subsista tamanha iliteracia ambiental, especialmente por parte de autarcas, os quais têm a obrigação de saber os mínimos nesta temática. É por isto mesmo que há muitos anos defendo publicamente que os autarcas deveriam ter noções básicas sobre ordenamento do território e afins.
E, antes que alguém venha com a conversa do costume, não, ao falar de iliteracia ambiental eu não estou a afirmar que há pessoas menos inteligentes, mas sim a afirmar que há pessoas com responsabilidades que não sabem o que deveriam saber. Se é certo que é pouco provável que estes possam saber tudo o que é necessário, é certo que estes têm de estar munidos das ferramentas básicas que os ajudem a desenvolver as suas acções enquanto autarcas. 
Esta é a minha luta, pugnar pela literacia ambiental e cívica. Foi, é e será uma luta difícil, contudo posso-vos garantir que vale mesmo a pena. Todos ficam a ganhar com a literacia ambiental e ninguém perde com isso!


28.3.17

Já está disponível para venda!



A apresentação pública deste belo livro foi no dia 25 de Março e foi um evento no qual valeu mesmo a pena estar presente, seja pelo facto de ser associado da Al-Baiaz, seja pelo facto de ser um activista do património, com um foco especial na região de Sicó. Ou então pelos belos momentos de convívio entre os muitos amigos do património presentes. No final, tive o privilégio de ter sido o primeiro a ter o meu exemplar autografado por um enorme amigo do património, o Professor Doutor Mário Lousã, que conheço pessoalmente há mais de uma década. Aproveitei e adquiri dois exemplares extra.
Tudo isto para vos dizer que este livro já está à venda. Caso assim o entendam, podem pedir que vos seja enviado por correio. Podem enviar um e-mail para a Al-Baiaz a solicitar o envio desta notável obra: albaiaz@sapo.pt
Podem também entrar em contacto comigo, pois faço parte da direcção da Al-Baiaz e terei todo o gosto em vos ajudar. O preço de venda deste livro é de 15 euros. Trata-se de um livro ilustrado com belas imagens e a cores, facto que importa referenciar. É uma referência para a região de Sicó e o espaço antes vazio está agora muito bem preenchido com este livro que recomendo vivamente a todos aqueles que gostam da região de Sicó. É de fácil leitura e é sem dúvida um bom auxílio para quem quer conhecer parte da biodiversidade da região de Sicó e do Sítio da Rede Natura 2000, Sicó-Alvaiázere. E está livre do "acordo" ortográfico, sendo portanto a cereja no topo do bolo. Parabéns aos autores do livro, parabéns à Al-Baiaz pela edição do livro e um agradecimento à Câmara Municipal de Alvaiázere pelo seu contributo para a edição do livro.

E já que estou com a mão nos livros, fica também a informação de que o livro sobre as orquídeas do Sítio Sicó-Alvaiázere está também disponível para venda através da Al-Baiaz, por 5 euros, portanto na hora de oferecer um presente a vós mesmos ou a um amigo....