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5.12.23

Muito orgulho e alguma desilusão!


Lembro-me bem do dia que um alto contacto no meio do activismo me telefonou a perguntar se já sabia. Perguntei: "se sei o quê?". Rapidamente fiquei a perceber que já estava a decorrer o prazo de participação pública de um projecto de pesquisa e prospecção de areias siliciosas e argilas especiais, em Almoster. Apesar de eu receber os avisos da plataforma "Participa", o facto do projecto ter o nome de "Murtal" passou-me despercebido, daí a surpresa. Havia ainda um mês de prazo, portanto comecei logo a divulgar aqui no azinheiragate e aos meus contactos o sucedido, de forma a todos participarem. Em poucos dias já havia uma pequena equipa de cidadãos e cidadãs a trabalhar no duro para tentar parar este projecto.
Eis que passados uns dias, nova má notícia, havia mais um projecto, e a poucas centenas de metros dali, já em Ansião, com o nome de "Pessegueiro", em Pousaflores. Novamente, mais mobilização para fazer, mais esclarecimentos técnicos a fazer. Foram, ao todo, dois meses de muito trabalho (incluindo centenas de kms feitos para poder participar nas sessões de esclarecimento respectivas), com outras pessoas, às quais desde já agradeço o seu trabalho e dedicação em prol desta causa comum a Alvaiázere e a Ansião. Houve muita ajuda de uns a outros. 
Não estranhem o número de participações ser menor em Almoster, já que isso decorreu do facto de ter sido o primeiro processo a ser público e ao facto de, naturalmente, demorar o seu tempo a mobilizar pessoal e a fazer o trabalho necessário. Mesmo assim 141 participações foi um bom número para Almoster.
Ansião teve umas incríveis 903 participações, facto potenciado por ter sido posterior ao de Almoster, ao facto de termos uma comunidade de estrangeiros residentes que fizeram um trabalho excepcional e ao facto de, ao mesmo tempo, termos tido pessoas de Almoster a ajudar e também muito pessoal de Ansião mobilizado. Foi incrível esta mobilização conjunta.
E durante estes últimos dois meses conheci várias pessoas que também fizeram um bom trabalho, pessoas que conheci pessoalmente e outras que me telefonaram a pedir ajuda. Que orgulho pessoal!
Em Ansião a Câmara Municipal deu parecer desfavorável, facto que me orgulha profundamente. A Junta de Freguesia de Pousaflores esteve muito bem na organização e logística da sessão de esclarecimento. Em Alvaiázere a conversa foi outra. Para não variar, o autarca local deu parecer favorável condicionado, mesmo admitindo que não estava bem preparado para analisar o processo. Já depois da sessão pública (onde a 16 minutos do início da mesma falhou a luz, mas apenas naquela área... voltando uma hora depois, sem que o pessoal tenha desmobilizado!), a Junta de Freguesia de Almoster, deu parecer negativo, mostrando assim que está, de facto, do lado da população nesta questão fundamental. Estou curioso para ver se a Câmara Municipal de Alvaiázere vai insistir num erro colossal, com consequências dramáticas a todos os níveis, inclusivamente políticos...
Algo de fabuloso foi ver tanta gente em ambas as sessões de esclarecimento. Em Almoster foram 100 pessoas e em Pousaflores julgo que rondava as 200.
Ou seja, nos próximos 3 meses haverá mais novidades, já que terá de haver uma sessão oficial de esclarecimento, com a empresa em causa, em Almoster e em Pousaflores. Até lá eu e outras pessoas estamos a fazer mais trabalho de casa para a luta que continua!
Para terminar um apelo, o que assinem e partilhem uma petição online que queremos levar à Assembleia da República nos próximos tempos, com alguns milhares de assinaturas!


#juntossomosmaisfortes 


 

24.3.23

Fui lá e... uau!!!




Já aqui tinha falado deste notável projecto, onde se pegou numa ruína sem vida de uma igreja e se fez algo de inovador e belo. Quando o fiz, ainda não tinha feito a necessária visita e socorri-me de fotografias que me foram enviadas por uma das pessoas que tem o mérito do projecto em causa. Nessa altura a minha intenção era fundamentalmente ajudar a divulgar a nível nacional este projecto, algo que consegui, já que quando é necessário consigo levar bem longe estas notícias, através da minha rede de amigos/contactos.

Contudo faltava-me ir ao local ver com os meus olhos e sentir o local novamente vivo. Dantes era uma mera ruína que víamos ao passar na estrada à entrada de Almoster, Alvaiázere. Agora é algo bem diferente.

Fiz uma visita no início do ano e tive a sorte de estar ali sozinho, facto que possibilita sentir o local e desfrutar sem interferências e com os sentidos bem atentos. Foi uma experiência notável e a confirmação do que já sabia, ou seja que se trata de algo excepcional e que merece várias visitas. Já me imagino ali sentado a ler um livro ou a assistir a algum evento cultural. Não me canso de repetir que este projecto é algo de categoria nacional e que merece ser divulgado e usufruído. Agora toca a visitar Almoster e este local mágico em especial. E eu, que nem sou religioso, recomendo vivamente a que ali vão. Não tem nada a ver com religião, mas sim com beleza, com património e outras coisas mais. Há muito para absorver. A religião obviamente que faz parte da história.

13.4.20

Vamos falar... disto!


Estava para falar disto, que consta neste cartaz (disponível nas redes sociais), aquando do início da pandemia, contudo esta última acabou por atrasar a coisa a adiar a minha atenção sobre esta questão. Assim sendo, vamos ao que interessa.
Nunca escondi o meu desprezo por aqueles caçadores que atentam contra espécies animais de forma gravosa. Sublinhando que, por vezes, há a necessidade de controle da população de algumas espécies, sempre na base de estudos técnicos, fundamentados em ciência e não em achismos de caçadores, o certo é que não é isso que aqui acontece. O que acontece é certos caçadores acham que se justifica a perseguição a algumas espécies. Acham normal destruir/afectar negativamente habitats e deixar as galinhas soltas à noite, ao mesmo tempo que acham inaceitável haver animais que fazem o que sempre fizeram, no seu habitat! Pois, para não afectar negativamente os habitats é preciso conhecimento e vontade e construir uma galinheira em condições dá trabalho, muito mais do que organizar batidas...
Conheço caçadores que sabem o que fazem e não são daqueles que o que lhes interessa é trazer milhentos espécimes para casa, e conheço caçadores que o que lhes interessa é mandar uns tiros, apontar a tudo o que mexe, incluindo sinais e afins, e destruir. São estes últimos que foco.
Já há muitos anos que vejo caçadores a cometer crimes de vária ordem, alguns sendo apanhados, talvez daí o muito ódio que alguns têm para com a minha pessoa. Eu aponto os factos e eles não rebatem os mesmos... Já aquando do escândalo da abertura de um estradão na Serra de Ariques, a variável "caçadores" esteve ao barulho, já que foi uma das variáveis que contribuiu para aquela ilegalidade. E alegadamente terão sido pessoas ligadas à caça que levou a isto.
Em Almoster, Alvaiázere, também há caçadores que são parte do problema. Ali as polémicas também são comuns e de vária ordem.
Mas vamos, finalmente, ao que me trouxe aqui. O que justificou esta batida à raposa? Onde estão os estudos técnicos, devidamente fundamentados, que justificaram esta acção? E dizer que as raposas atacam as galinhas não conta, ok? Também não conta dizer que é pela preservação das espécies e que os caçadores são os mais interessados, pois isso é demagogia e populismo bacoco!
Para quando os caçadores se afirmarem, no seu todo, como grupo interessado, de facto, na preservação das espécies e dos habitats? Alguns afirmam-se, de facto, como tal, contribuindo para isso, enquanto que os outros, a sua maioria, não!
Resumindo, esta batida à raposa não se justifica!! Controlem mas é os javalis, aqueles dos quais tanto se queixam de destruir os campos, ao mesmo tempo que, em "segredo", os alimentam... E mesmo no que concerne aos javalis, onde param os números que têm supostamente justificado as batidas ao javali nesta região? Pois, não há! 
Baseiem-se na técnica e na ciência e não em achismos. Tenham como troféu a preservação de habitats e espécies e não 30 ou 40 pássaros, ou umas quantas raposas penduradas nas carrinhas. E não me venham com aquela história do pessoal da cidade não sabe, já que eu não sou da cidade, sou sim do campo e sei do que falo. Sim, há pessoal da cidade que não sabe do que fala, caso de algum pessoal fundamentalista do PAN e afins, tal como há pessoal do campo que não sabe do que fala, caso de alguns caçadores que parece que vivem na idade da pedra. E, ainda, não venham retirar verbas aos orçamentos públicos para pagar pequenos-almoços e almoços a caçadores, ok? Paguem do vosso bolso, não do bolso do contribuinte alheio!
Finalizando, e falando de raposas, vem-me à memória um caçador, criminoso, que se queixava das raposas lhe visitarem a capoeira. Isto, ao mesmo tempo que, trezentos metros acima da sua casa, mandava frangos de aviário mortos para o meio do mato só para não os ter de enterrar, acto este que atraiu a atenção das... raposas. É esta incoerência de alguns caçadores que me irrita...