27.11.23

Orçamento Participativo de Pombal: apelo ao voto e breves notas sobre o OP


Falo aqui regularmente, e já há alguns anos, dos Orçamentos Participativos dos vários municípios da região de Sicó. Desta vez falo sobre o OP de Pombal, que está em fase de votação. Façam o favor de votar!

Há 2 dias estive a falar precisamente sobre o OP de Pombal com alguém de Pombal, mais concretamente sobre algumas dúvidas sobre o processo e sobre um dos projectos em particular, portanto nada como vir falar disso aqui, já que se justifica plenamente. É um tema que considero muito interessante e que é importante falar especialmente nestes primeiros anos de OP, já que se tem visto muita chico espertice nos vários OP´s municipais. 

Mas vamos então ao OP de Pombal. Foram submetidos cerca de 32 projectos (muito bom este número!) e seguiram para votação cerca de 11 destes projectos (nada mau!). Um dos pontos que me apercebi quando estive a dar uma vista de olhos no OP é o facto de não ser fácil perceber logo quem são os promotores dos projectos, portanto fica o reparo para o próximo OP. Outro dos pontos foi a diversidade de projectos apresentados, facto a salientar e a aplaudir.

Não pretendo aqui esmiuçar sobre os projectos, de forma a que se sintam curiosos ir dar uma vista de olhos sobre os mesmos (os que seguiram para votação mas também os que se ficaram pela primeira fase). Quero apenas destacar aqui, de forma crítica, um dos projectos, já que me parece que o mesmo não se adequa a um OP, especialmente tento em conta a entidade promotora do mesmo. Falo, claro, do projecto P-Bike. E por favor, deixem-se de estrangeirismos!!!

A filosofia dos OP´s é serem pessoas individuais, associações ou afins da sociedade civil a propor projectos vários. Não é filosofia dos OP´s serem as entidades públicas a proporem projectos... Os OP´s não podem servir para arranjar dinheiro para colmatar o orçamento municipal. Este projecto nem era suposto aparecer no OP. O promotor do projecto poderia sim optar por fazer algo muito simples, ou seja destinar uma verba de apoio a quem quisesse comprar bicicletas eléctricas (ou convencionais) para usar no seu dia-a-dia. Por isso mesmo fica a dica ao promotor do projecto para que faça um estudo desta ideia, de forma a num próximo orçamento municipal a incluir já de forma devidamente planeada e de forma a que possa ter sucesso. É uma ideia que pode ajudar a tirar centenas de carros do centro da cidade, já que actualmente a bicicleta eléctrica (e convencional...) é uma boa opção para muitas das viagens curtas e médias que tanta gente faz diariamente.

23.11.23

Faz algum sentido?


Outro dia, quando passei ali ao lado do Castelo de Pombal, reparei num belo mural, recentemente inaugurado. É de uma temática importante e algo que merece uma visita, portanto façam o favor de dar uma voltinha a pé e passem por ali para apreciar a bela obra de arte urbana.
Mas não é do mural que quero falar, quero falar sim de algo que não faz sentido, ou seja o posicionamento de duas estruturas, bancos e estacionamento de bicicletas. Os bancos são os adequados e o sistema de estacionamento de bicicletas, de tipo Sheffield, também é o adequado, contudo o posicionamento de ambos colide, ou seja não beneficia quem quer estar ali sentado, dado o facto do estacionamento de bicicletas estar demasiado próximo. Deveria ter sido pensado um posicionamento diferente de ambas as infra-estruturas, de forma a não se atrapalharem uma à outra, tal como acontece neste caso. É pena não estarem ali estacionadas bicicletas, pois caso estivessem, perceberiam melhor o problema. Caso estivessem, perceberiam que quem quisesse ir sentar-se ali ficaria com pouco espaço, já que as rodas das bicicletas ficariam muito próximas dos bancos. É um conflito desnecessário, diga-se. Resolver esta questão é fácil, portanto fica a a dica ao executivo municipal...

18.11.23

Gráficos chocantes para reflectir sobre demografia e tudo mais...

Município: Alvaiázere (Dados: Pordata)

Município: Ansião (Dados: Pordata)

Município: Penela (Dados: Pordata)

São 3 gráficos que, para mim, geógrafo ansianense, são profundamente preocupantes, pois mostram uma realidade pura e dura. Não vou falar aqui muito dos gráficos, pois a intenção é que cada um de vós ganhe consciência do que está em causa para um futuro que já chegou. Só vou referir dois pontos sobre os gráficos, o primeiro que será um desafio colossal lidar com uma população escassa e idosa (pirâmide etária invertida), enquanto que o segundo é mais uma (ou mais...) questão à classe política no seu todo: será que isto não chega para todos verem que outras soluções têm de ser desenvolvidas e que a fórmula, gasta, tem de ser mudada? Postas estas duas questões, se é certo que há factores estruturais que fogem do controlo destes municípios, também é certo que há fórmulas que podem ajudar a reverter, em maior ou menor grau, este cenários dramático a todos os níveis, por parte de cada um destes municípios. É certo que há diferenças entre estes municípios, contudo o cenário é exactamente o mesmo para todos eles. Urge reflectir... 
Eu sou um dos que, infelizmente, contribuiu para esta diminuição de população residente, mas apenas porque fui forçado, já que na altura era persona non grata de boa parte do poder político, o qual me dificultou a vida a todos os níveis. Se me cativarem podem conseguir eventualmente recuperar não 1, mas 3 residentes. E como eu há muitos mais... Tic tac, tic tac... 

 

13.11.23

Marquem nas vossas agendas sff!



É, para mim, um enorme orgulho anunciar também aqui este evento, ou seja a V Conferência Ibérica Sobre a Bolota, a realizar no fim-de-semana de 2 e 3 de Março de 2024. Marquem nas vossas agendas, que em Dezembro iniciam-se as inscrições deste evento. E ajudem a divulgar sff, partilhando entre os vossos contactos. Eu agradeço, Ansião agradece, Sicó e o seu património e a economia agradecem!

 

10.11.23

Afirmar que é medíocre até é um elogio...


Nesta primeira imagem está algo que não é medíocre e que foi feito há cerca de 16 anos por duas jovens que estavam a estagiar na Câmara Municipal de Alvaiázere, julgo que em turismo. Na altura pediram-me ajuda para elaborar um pequeno livro de apoio a turistas, com percursos pedestres e tudo. Material que cedi gratuitamente e que elas organizaram depois de umas dicas. Para a altura, até era algo à frente no seu tempo e que ainda hoje as deve orgulhar.
Mas acaba aqui a parte que não inclui uma inacreditável mediocridade no domínio dos conteúdos turísticos. Consultei mais uma vez o site da Câmara Municipal de Alvaiázere para ver o que tinha sobre turismo. E fiquei perplexo com o que vi...
Informação escassa e mal estruturada. E não é por falta de "matéria-prima" nem de locais turísticos ou de património natural. Consultei também a carta turística e quem percebe minimamente de SIG´s vê que aqueles conteúdos são dos primórdios dos SIG. Não há técnicos competentes para fazer conteúdos de qualidade e actuais?
Mas há algo que me revolta profundamente, ou seja o facto de, alegadamente, copiarem, e mal, o meu trabalho. Quem diz que aquele megalapiás é o "Homem Velho" é porque das duas uma, ou não é sério ou copia mal, já que na minha tese de mestrado baptizei outro megalapiás como "Homem Velho", sendo que o da imagem mais abaixo é afinal o "Tochas". Ao menos inventavam outro nome que não estivesse incluído nos vários lapiás que baptizei (após ter falado com residentes e perceber que não tinham nomes dados). Há duas coisas que abomino, incompetência e plagiar o trabalho alheio. E o incrível é que eu disse que podiam utilizar gratuitamente todo o trabalho, sendo que citar o meu nome seria apenas o que é de esperar quando se usa o trabalho de alguém. 
Podem perceber melhor do que falo aqui e aqui
Mas não me admira tudo isto, já que o que o autarca alvaiazerense apoia de forma firme uma mina de caulinos, projecto que caso vá em frente, destruirá boa parte da actividade turística (e não só...) em Alvaiázere e da própria região de Sicó.








 

5.11.23

Uma mina a céu aberto em Pousaflores, Ansião? Vamos mostrar à empresa que não queremos! Participem!!



Primeiro surgiu a informação da intenção de uma empresa fazer prospecção de depósitos minerais de areias siliociosas e argilas especiais no Murtal, mesmo junto ao limite administrativo de Ansião com Alvaiázere. Poucos dias depois surgiu outra intenção, através da mesma empresa, em fazer o mesmo no Pessegueiro, Pousaflores, em Ansião, ou seja duas potenciais minas de caulinos a céu aberto. Duas crateras de 3 km quadrados nesta zona, as quais nada acrescentam de bom ao território. Pelo contrário poderiam destruir as componentes económicas, tecido social, ambiental e outras mais. E podem potencialmente afectar gravemente e estruturalmente todo o desenvolvimento da região de Sicó. O turismo gravemente afectado, com destruição dezenas de postos de trabalho, fecho de alojamento local e outros mais. Saúde das pessoas afectadas, já que a exploração das areias silenciosas afecta gravemente os pulmões de quem vive perto destas explorações. Todo um território destruído para que uma empresa possa lucrar com estes depósitos minerais à custa da população que ali vive e das suas vidas. Recursos hídricos superficiais obliterados e recursos aquíferos subterrâneos afectados. Será que alguém quer isto para esta região?
Se são como eu, têm uma solução muito simples, inscrever-se na plataforma "Participa" (link acima) e submeterem a vossa opinião de acordo com o que acham sobre o assunto. É fundamental que o façam!
Pelo que sei, a posição da Câmara Municipal de Ansião será desfavorável às intenções de prospecção e pesquisa da empresa em causa. Haverá uma sessão pública de esclarecimento, julgo que no dia 20 de Novembro, às 18:30, na antiga escola do Casal Novo / São João de Brito, Pousaflores (irei publicitar nas redes sociais, portanto estejam atentos por favor).
Participem nesta plataforma (têm até dia 28 de Novembro), divulguem esta ameaça a Pousaflores, Ansião e Sicó e apareçam no dia 20! Quem precisar de ajuda que se acuse, tal como muitos e muitas têm feito nas últimas semanas.
Se é certo que precisamos de extrair recursos geológicos, também é certo que há locais que devem estar livres desta mesma exploração de recursos geológicos. Temos uma região reconhecida em termos patrimoniais, com a Rede Natura 2000, temos uma paisagem cultural a ser classificada e temos todo um território que ainda que fragilizado, está íntegro e pode ser potenciado, trazendo riqueza sem destruição. Caso estas minas avancem, teremos apenas duas crateras no território, durante décadas, e toda uma economia gravemente afectada, portanto percebam bem o que está em jogo! 
Estou triste que isto esteja a acontecer, embora feliz por ter percebido que haverá uma autarquia que mostrará que está com a população, enquanto outra, vizinha, está factualmente com a empresa visada, apesar de dizer que está com a população (esta revoltada com as intenções da empresa)... Temos de nos ajudar uns aos outros, a bem da nossa região! Contra as minas marchar, marchar!