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23.8.25

Não ficou mal, diga-se!



Ainda não tinha ido a Penela após a finalização da obra do estacionamento, mas estava deveras curioso para perceber se a obra em causa tinha ficado enquadrada na paisagem urbana de Penela. Obras deste tipo são sempre um risco, pois podem desvirtuar a identidade local. 
Após ali estar uns minutos e ter percorrido toda a área em ambos os patamares, pude finalmente fazer uma avaliação pessoal da obra. Numa primeira análise julgo que conseguiu não desvirtuar a área em causa. Tenho de ver se tenho fotos anteriores, para fazer uma comparação. Se tivesse tido tempo teria feito os registos fotográficos que tanto gosto de fazer antes de uma obra, para depois repetir finalizada a obra. Porque a memória dos lugares também se faz de registos fotográficos!

 

18.11.23

Gráficos chocantes para reflectir sobre demografia e tudo mais...

Município: Alvaiázere (Dados: Pordata)

Município: Ansião (Dados: Pordata)

Município: Penela (Dados: Pordata)

São 3 gráficos que, para mim, geógrafo ansianense, são profundamente preocupantes, pois mostram uma realidade pura e dura. Não vou falar aqui muito dos gráficos, pois a intenção é que cada um de vós ganhe consciência do que está em causa para um futuro que já chegou. Só vou referir dois pontos sobre os gráficos, o primeiro que será um desafio colossal lidar com uma população escassa e idosa (pirâmide etária invertida), enquanto que o segundo é mais uma (ou mais...) questão à classe política no seu todo: será que isto não chega para todos verem que outras soluções têm de ser desenvolvidas e que a fórmula, gasta, tem de ser mudada? Postas estas duas questões, se é certo que há factores estruturais que fogem do controlo destes municípios, também é certo que há fórmulas que podem ajudar a reverter, em maior ou menor grau, este cenários dramático a todos os níveis, por parte de cada um destes municípios. É certo que há diferenças entre estes municípios, contudo o cenário é exactamente o mesmo para todos eles. Urge reflectir... 
Eu sou um dos que, infelizmente, contribuiu para esta diminuição de população residente, mas apenas porque fui forçado, já que na altura era persona non grata de boa parte do poder político, o qual me dificultou a vida a todos os níveis. Se me cativarem podem conseguir eventualmente recuperar não 1, mas 3 residentes. E como eu há muitos mais... Tic tac, tic tac... 

 

26.9.23

Penela está a montar um pseudo eco Frankenstein!!!

Em Agosto já tinha reparado que tinham cortado muita vegetação na Serra do Monte de Vez, em Penela, e dessa vez pensei por alto que seria eventualmente por causa dos incêndios, mesmo que fosse algo de parvo, diga-se.

Desta vez, e já em Setembro, aquando de uns dias de trabalho de campo na região, vi que se notava mais e telefonei a um colega do Grupo Protecção Sicó, já que tendo em conta que eu passo pouco tempo na região, nada melhor do que perguntar a quem, além de passar tempo, sabe e se interessa pelo que aqui acontece.

Confesso que fiquei perplexo depois de perceber para que é que estão a arrasar o topo da serra. Fiquei indignado e furioso com esta destruição do património natural, cultural e paisagístico de Sicó, tudo para ganhar uns tostões. É a triste sina de Sicó, vários autarcas que não sabem como potenciar todo este património, facilitam a destruição/degradação o mesmo em busca de uns tostões, quiçá para gastar em esgotos, manilhas e afins.

O autarca de Penela desilude-me de uma forma que, diga-se, esperava, já que poucos meses depois de entrar em funções afirmou que preferia que Penela fosse um dormitório em vez de um território vazio. Foi a sua imagem de marca em termos de dizer ao que vem.  Uma prova da sua inabilidade e incompetência para gerir este território. Um discurso de promotor imobiliário ou de construtor em vez de um discurso de um autarca. Poderia ter dito que tem um território com baixa densidade populacional e que iria potenciar todo este património natural, ganhando a economia com isso e ganhando população que viria com essa atractividade. Mas não, este autarca mostra que não sabe fazer isso e o que sabe fazer é afectar gravemente a integridade do património e da paisagem em prol de uns tostões. Não consegue melhor, é a triste sina de Penela. 

Mas o que é que está a ser feito ali, perguntam vocês. Bem, aqui está o que estão a fazer. É uma absoluta vergonha!!! Se não sabe. como potenciar todo este património, dedique-se ao sector imobiliário caro autarca de Penela e deixe o cargo para quem sabe o honra o legado patrimonial de Penela. Discurso de promotor imobiliário já tem... Chega de prejudicar o futuro de Penela e de destruir postos de trabalho ligados ao turismo e afins!

Esta lenga lenga da descarbonização tem de acabar, pois já chega de destruir património. Quando os interesses pegam na moda dita eco, a destruição não tem fim...



 

15.1.23

Qual território vazio?


Antes de mais um reparo, o de que este comentário estava esquecido há largos meses, algo raramente me acontece, mas faz parte. Reparo feito, vamos ao que interessa. 

Esta afirmação foi feita em 2021 pelo novo autarca de Panela, Eduardo Santos, numa entrevista ao DN (da qual retirei a "imagem" acima). É uma afirmação que me marcou enquanto sicoense e enquanto geógrafo apaixonado pela região de Sicó, já que, para mim, é um péssimo cartão de visita de um autarca. Não sei se o mesmo compreendeu o erro que foi fazer tal comentário, mas aqui estamos para debater o mesmo. Compreendo que quando se é recente no cargo, possamos ter afirmações menos felizes, contudo afirmações como esta, e no meu entender, não podem acontecer.

Em geografia uma das coisas que estudamos por exemplo em geografia humana são os graves problemas associados às cidades dormitório. Curiosamente eu já vivi numa, no tempo em que estudava em Lisboa, sabendo na teoria e na prática os problemas associados a cidades dormitórios. Por isso mesmo é que fiquei negativamente surpreendido com uma afirmação deste tipo de um autarca. No seguimento disto referiu ainda que "...queremos tornar Penela num território aperitivo para aqueles que querem sair dos centros das cidades. Queremos tornar Penela atractiva para os novos povoados. Tanto para aqueles que vêm procurar soluções de tele-trabalho...". Este é o típico discurso chapa 5, que, para piorar, mostra algo que preocupa ainda mais. E então os que lá estão e aqueles que mal acabem os cursos não tenham oportunidades em Panela? Pois é, falta o básico e sobram os discursos formatados.

Uma cidade dormitório representa problemas, como por exemplo das deslocações pendulares e construção de infra-estruturas pesadas. Isso traria logo à partida um trânsito caótico. É mesmo isso que Penela quer? Não me parece. Outro problema é identitário. O que leva uma pessoa que simplesmente dorme num local, e pouco mais, a criar laços identitários nesse mesmo local? Nada. O que, de facto, leva à criação da identidade é mesmo o estar ali e criar raízes, hábitos e afins. Nas cidades dormitório isso não acontece. Falo por experiência própria.

Eu detesto dormitórios. Território vazio?! Mas Penela está a abarrotar de património (quer no carro quer nos xistos) e ainda tem gente e associativismo que permitem fazer o que não foi feito. Não há territórios vazios, há sim é visões redutoras do território e visões formatadas q.b. relativamente a modelos de desenvolvimento. Um território dito vazio possibilita o melhor de dois mundos, planear o território e garantir que o desenvolvimento que se pretende para o mesmo possa ser harmonioso com qualidade de vida para quem lá vive. Ter um dormitório nunca rimou com qualidade de vida... Aliás, ter um dormitório significa décadas para corrigir problemas...

Continua-se a ver um território como que apenas uma plataforma para construir casas e zonas industriais. Continua-se a não ver o território como um manancial de potencialidades e recursos não explorados, um território onde o mais importante é dar condições a quem lá está em vez de andar a fazer dormitórios.

A região de Sicó, onde Penela se insere em parte (carso), é um território extraordinário. Não precisamos de andar a vender o território ao desbarato, e com isso degradar o mesmo, para que o pessoal da cidade venha para cá, mas sim potenciar o território e apoiar quem cá está, inclusivamente os jovens que em poucos anos vão embora trabalhar para outras paragens (parte deles podem ser atraídos com incentivos e uma estratégia eficaz!). E isso, por si mesmo, irá atrair quem não está cá mas que gosta desta região e do seu património e paisagem cultural. 

Crescimento não é sinónimo de desenvolvimento. Trabalhemos sim o desenvolvimento territorial harmonioso e tendo em conta as especificidades regionais, que além de se promover o natural crescimento, sustentado e sustentável, cria-se qualidade de vida. Eu não quero cidades dormitório em Sicó, nem resmas de pessoas no vai e vem, eu quero aldeias com vida, vilas com vida e cidades saudáveis. Não me interessa ter por exemplo 500000 pessoas a viver em Sicó, prefiro ter 100000 a viver com qualidade de vida, coisa que se perde completamente nas cidades dormitório.

Um dos problemas subjacentes a esta ideologia de cidades dormitório e não só é que as autarquias vivem muito do IMI. Quanto mais autorizarem construir, mais ganham. E não é assim que se evolui e promove territórios sustentados e sustentáveis. 

A bem de Sicó e de Penela, pensemos nisto...

18.3.22

Como vão estes projectos, alguém sabe?

Fonte: Jornal Terras de Sicó

Fonte: Jornal Terras de Sicó

Tinha estas notícias no arquivo para posteriormente as utilizar quando voltasse a abordar desta questão, a reciclagem. São projectos bastante interessantes e relevantes, daí eu agora querer saber como vão ambos os projectos, um em Condeixa e outro em Penela. Como gosto de interagir com quem acompanha o azinheiragate, peço a quem seja um destes locais me possa informar sobre o estado actual destes projectos, se estão a decorrer bem ou se estão com algum tipo de atraso.
Monitorizar projectos é uma das formas mais eficazes de promover o sucesso dos mesmos, já que monitorizado os projectos, está-se em cima do acontecimento e consegue-se corrigir eventuais falhas ou proceder a melhorias em aspectos que não estavam previstos. Claro que as condições também se alteram e o facto de termos tido um período em que o Covid perturbou a nossa vida pode ter sido impactante no normal decorrer destes projectos.
Caso possam dar testemunhos de como estão ambos os projectos, agradeço de antemão o facto. Caso sejam também as próprias autarquias a dar essa informação, mais completa a imparcial será a partilha dos factos e melhor será o debate sobre a temática da reciclagem na região de Sicó.

22.10.21

Nascimento e crescimento dos monstros de Penela!

Termino esta trilogia com o caso de Penela e as suas pedreiras, uma ainda, bem, activa. Outra, abandonada,  já há meia dúzia de anos anos ouvia dizer que era para ser recuperada em termos ambientais e paisagísticos. A análise das 4 versões da Carta Militar do Espinhal mostra a evolução dos monstros nas últimas décadas, concretamente desde a década de 80. A mim tudo isto diz-me muito, já que todas elas fazem parte das minhas memórias visuais desde pequeno, e não por bons motivos. 

Espero que mais estes três contributos sirvam para sensibilizar para esta temática, de forma ponderada e racional, sem demagogias e populosos tão comuns pela região de Sicó. Há uns anos tive uma "luta" precisamente nesta questão, em Alvaiázere. Os donos e a ralé política andavam bastante irritados comigo por eu alertar para o facto daquela pedreira andar a poluir o aquífero e andar a laborar em clara violação do Plano Director Municipal e Rede Natura 2000, portanto à revelia das mais elementares regras assumidas por entidades públicas e privadas. Essa pedreira fechou e lições foram aprendidas :-D

1947

1983

2003

2019

Fonte: excertos dos meus exemplares da carta militar do IGEOE, folha - Espinhal

14.3.18

Não há 2 denúncias sem 3 denúncias...


Foi há 2 anos que surgiu a primeira denúncia. Depois surgiu a segunda. Por estes dias já seguiu a terceira denúncia. Onde? Entre a Ribeira de Alcalamouque e o Rabaçal. Olhem para a vossa direita (vindos do Rabaçal) ou para a vossa esquerda (vindos da Ribeira de Alcalamouque) e verão do que falo. Em plena reserva ecológica nacional cometeram, pela terceira vez, uma ilegalidade, por isso não haverá perdão. Estou curioso para ver se é para fazer o mesmo do costume, ou seja plantar eucaliptos...
A fiscalização é uma palavra vã, já que nada do que foi destruído inicialmente foi até agora reposto. É a triste sina. Como se costuma dizer, o crime compensa, daí as coisas infelizmente não mudarem. A literacia ambiental é escassa, tal como está mais uma vez à vista de todos.
É mesmo isto que queremos que aconteça recorrentemente? É esta a Sicó que queremos?


10.5.17

Arde porque deixamos que arda...


Por esta altura, e mesmo tendo em conta os inúmeros incêndios que já ocorreram um pouco por todo este país, ainda não se fala de incêndios florestais. A "festa", propriamente dita, ainda não começou, portanto, e para já, fala-se apenas de futebóis e outros factos que nada acrescentam a uma vivência sã e equilibrada. Quando os futebóis e afins terminarem, as televisões vão-se virar para a festa pirómana que todos os anos nos assola. E este ano em particular preocupa-me...
As causas são conhecidas, bem como os interesses que orbitam em redor da "festa", contudo, e estranhamente, tudo fica na mesma ano após ano. Não aprendemos com os erros e parece que fazemos questão que tudo ou quase tudo fique na mesma. Os discursos de ocasião ainda não surgiram, pois há que falar a quente, com as coisas acicatadas, lá para Julho ou Agosto.
Mas deixando estes pequenos pormenores de lado, vamos então aos factos. O que vêm na fotografia é uma plantação de eucaliptos, situada à entrada do lugar do Rabaçal, Penela, para quem vem de Ansião. Em 2016 foi efectuado um corte dos eucaliptos, pois já estavam em acção. Nessa altura fiquei surpreendido, já que os sobrantes ficaram todos no terreno. Inicialmente pensei que mais tarde iriam ser recolhidos, contudo os meses passaram e ali continuam. Em termos de risco de incêndio será "escusado" dizer o barril de pólvora ali está. Ninguém quer saber do caso.
Mas caso ocorra ali um incêndio, o que acontecerá? Eu digo, chama-se os desgraçados dos bombeiros e eles que se amanhem. São eles que correm risco de vida e são eles que se devem sacrificar, pensam alguns...
E o que será que o dono do terreno tem a dizer sobre isto? Não se dá ao trabalho de limpar, tal como era suposto, mas caso os bombeiros não aparecessem será, porventura, capaz de dizer que eles eram uns incompetentes ou que demoraram muito a chegar. O dono do terreno pensará inevitavelmente numa coisa, ou seja no lucro rápido. Tudo o resto, e como está à vista, não importa. E a nossa passividade será reconfortante para ele, digo eu.
É por isto e por muito mais que Portugal arde impunemente. E andamos nisto há 4 décadas...
No que me toca, e por mais estranho que possa parecer, não fico chocado ao ver arder eucaliptos. Fico chocado sim quando ardem carvalhos, azinheiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, nogueiras, freixos, choupos e afins. Perde-se demasiado tempo e gastam-se meios que deveriam privilegiar a protecção da nossa floresta, em vez da monocultura do eucalipto. Situações como esta deveriam ser severamente punidas!
Agora uma pergunta que vos faço, porque é que têm de ser os bombeiros voluntários a arriscar a vida e a gastar o seu tempo e meios a proteger algo que serve apenas para o lucro de algumas pessoas? Não seria normal quem tem eucaliptais pagar a protecção do seu investimento? Fica a dica para reflexão...