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23.8.25

Não ficou mal, diga-se!



Ainda não tinha ido a Penela após a finalização da obra do estacionamento, mas estava deveras curioso para perceber se a obra em causa tinha ficado enquadrada na paisagem urbana de Penela. Obras deste tipo são sempre um risco, pois podem desvirtuar a identidade local. 
Após ali estar uns minutos e ter percorrido toda a área em ambos os patamares, pude finalmente fazer uma avaliação pessoal da obra. Numa primeira análise julgo que conseguiu não desvirtuar a área em causa. Tenho de ver se tenho fotos anteriores, para fazer uma comparação. Se tivesse tido tempo teria feito os registos fotográficos que tanto gosto de fazer antes de uma obra, para depois repetir finalizada a obra. Porque a memória dos lugares também se faz de registos fotográficos!

 

23.8.23

O antes e o depois da última obra do quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião.

Quem acompanha o azinheiragate já se apercebeu que uma das muitas coisas que gosto de aqui trazer é precisamente o antes e o depois de pontos/locais vários de Ansião, concretamente antes e depois de intervenções no edificado. Desta vez trata-se do actual quartel dos Bombeiros Voluntários de Ansião. Tenho pena não ter fotos da década de 90, quando o terreno por detrás do quartel, actual parte nova, era um olival, mas tenho de jogar com o que tenho.

Em 2015 fiz um registo fotográfico do quartel, que inclui outros pontos além dos que aqui mostro. Há poucas semanas voltei aos mesmos locais onde tinha feito os primeiros registos fotográficos para voltar a repetir o que fiz há 8 anos. Há alguns pontos em falta porque foram registados dentro do recinto e como eu deixei de frequentar esta Associação em 2018, não coloco as imagens em falta nem fiz registo posterior dos mesmos pontos. Esta situação deriva de uma série de episódios de total e vergonhoso desrespeito por mim por parte de 3 elementos deste corpo de bombeiros (que me temiam e me viam como uma ameaça ao pseudo estatuto deles) e também pelo facto de eu ter sido literalmente esquecido por esta Associação Humanitária, mesmo depois de um grave acidente em 2005, no qual fiquei com uma sequela para o resto da vida, a qual me causa ainda dores e desconforto e, incrivelmente, tive de pagar do meu bolso a fisioterapia em 2006. O dinheiro é como o outro, volta-se a ganhar, agora a atitude é que é, para mim, imperdoável... Foi neste mesmo mês, em 2005 que o acidente ocorreu, daí a carga sentimental das últimas linhas. Felizmente que nunca precisei de nenhuma causa para ser gente, ter voz e ser ouvido. Muitos dos que me conhecem, inclusivamente muitos bons amigos que ali tenho, sabem o que isto significa e partilham desta minha forma de estar na vida. Muitos não sabem, mas o pior inimigo dos bombeiros são os próprios bombeiros, daí a realidade que se observa um pouco por todo o país, por ciclos, obviamente. Felizmente que não confundo a árvore com a floresta, continuando a apoiar activamente, e de outras formas, a causa humanitária noutros pontos do país e promovendo/divulgando sempre iniciativas solidárias para com qualquer Associação Humanitária na região de Sicó, ou por vezes, fora desta.

Mas voltando ao principal, mostro aqui, e para cada um dos locais onde fiz os registos em 2015, o registo de 2023, ou seja o antes e o depois. São imagens sempre curiosas que nos remetem para as memórias, seja de uma Associação da qual fiz parte uns 17 anos, seja da evolução do edificado da Vila de Ansião. Espero que apreciem, pois a memória não tem preço. 











4.12.22

Recuperar memórias da Vila de Ansião!


Há uns anitos lembrei-me de fazer uns registos fotográficos da Vila de Ansião, de forma a não só ter um registo do momento, mas também para que anos mais tarde, e após eventuais intervenções urbanas, pudesse registar no mesmo local os registos fotográficos iniciais. É algo que me tem dado um prazer incrível, recuperar memórias!

Desfrutem e, para os chico espertos, lembrem-se que toda e qualquer fotografia minha está sujeita a direitos de autor.
























 

5.7.21

Jardim das Laranjeiras: o antes, o depois e a identidade perdida.

Tinha planeado esta acção em 2018, quando fiz o registo fotográfico do Jardim das Laranjeiras, em Pombal. Foi em Dezembro de 2018 que, tendo ido a Pombal passear, fiz o registo fotográfico de 4 pontos distintos do Jardim das Laranjeiras, de forma a que facilmente conseguisse fazer novo registo fotográfico após as obras de "requalificação". Depois de muitas limitações, derivadas da era covidiana, fiz novo registo fotográfico, já após as obras de "requalificação", nos mesmos locais onde em 2018 tinha estado.

Os primeiros 3 locais são 3 perspectivas observadas de pontos que cobrem toda aquela área. O último registo fotográfico (antes e depois) é de um "pormenor" que era expectável, daí eu me ter lembrado de tirar a foto à calçada antes desta ser destruída para dar lugar a... granito.

Importa em primeiro lugar diferenciar a intervenção, de forma a balizar a crítica. Uma parte é relativa ao Jardim das Laranjeiras, enquanto que a outra parte é relativa à sua envolvência.

Vamos então aos factos. Granito?! Mas o que é que o granito tem a ver com a identidade de Sicó? Nada! Projectos sem alma que desvirtuam a identidade local. Absolutamente vergonhoso! Trocar calçada portuguesa, essa bela arte, por lajes de... granito?! Mas será que sabem o que significa preservar a identidade local? Sabem que é possível intervir respeitando a identidade local e as especificidades locais?

Relativamente ao Jardim das Laranjeiras propriamente dito, tal como está à vista de todos, a sua identidade foi adulterada por um projecto chapa 5 que nada tem a ver com o local, a sua especificidade e a sua identidade. Se o antigo jardim era fabuloso? Não, não era, era sim desprezado e com uns "retoques" ficava à maneira.

Em vez de aprendermos com as boas práticas e as aplicarmos na nossa região tendo em conta as suas especificidades, derretemos milhões a "requalificar" espaços, desvirtuando e destruindo a sua identidade, num completo desrespeito pela identidade dos locais. O que importa é mandar fazer um projecto a um técnico para depois ter material para mostrar em tempo de eleições. Trabalhar com os cidadãos e ter em conta a identidade local é que está quieto...

Tenho apenas dois pontos positivo a salientar, ou seja o fecho de uma rua e a colocação de pilaretes, a qual impede imbecis de estacionar no passeio.

Fiquem então com estes registos fotográficos, metade deles históricos. A outra metade é um registo de uma moda parola granítica que não respeita o lugar, a sua identidade e a sua história. Eu aqui estarei para continuar a pugnar pelo respeito da identidade local, pela competência e a fazer registos fotográficos para mais tarde recordar. A mediocridade irrita-me!!









15.10.20

A sério que utizaram granito?!



Estávamos em Janeiro de 2019 quando aqui abordei o mau estado da Praça Marquês de Pombal, na cidade de Pombal. Lajes partidas, carros a circular num espaço nobre e, portanto, um cenário que envergonhava a todos. Há poucas semanas, e após uma longa ausência, voltei aquela praça, já que se trata de uma área bastante aprazível e com interesse histórico e arquitectónico. Eis que fiquei estupefacto com o que vi... A praça já estava arranjada, contudo há ali um elemento estranho que fere a identidade da praça e da região de Sicó. Os políticos, os projectistas e os arquitectos que trabalharam neste projecto provaram mais uma vez que não alcançam o básico, ou seja feriram a identidade do local. A região de Sicó é uma região cársica, ou seja tem no calcário um dos seus traços identitários. Eu não tenho dúvidas em afirmar que Sicó tem no calcário a sua matriz identitária base. Por isto mesmo não compreendo esta insistência em trazer granito para aqui. Granito?! Não faz sentido!!! Temos muito que evoluir também neste domínio... A cada obra que passa, a identidade da região vai sendo obliterada...




26.4.19

A magia da arte urbana: criar emoções positivas e uma cidade mais alegre



Foi na véspera do 25 de Abril que me aconteceu algo de engraçado. Tinha ido a Pombal e estava à espera que chegasse a hora de ir jantar com pessoal conhecido. De repente, naquela rua muito movimentada, mas, infelizmente parcialmente degradada, com uma zona onde em tempos existiu um edifício, reparei numa parede especial. Alguém teve a feliz ideia de tornar aquela parece algo de especial, com um toque artístico que, apesar de "simples", acaba por ser transformante, dando vida aquele local e espalhando a magia da alegria por quem ali passa e tem atenção aquela obra de arte urbana. Não sei há quantos meses ali está, já que até ontem não tinha reparado, confesso.
Numa primeira reacção, reparei nas belas aves pintadas na parede. Depois vi algo que me fez ser mais tímido, já que estava alguém à janela a olhar para mim. Por isso mesmo, decidi tirar uma foto sem dar nas vistas. Passado um minuto comecei a estranhar que a senhora estivesse imóvel "tanto tempo". E até estava, contudo, e afinal, também era uma das figurantes nesta bela obra de arte urbana. Não era uma senhora à janela, era "apenas" uma pintura bem realista de uma senhora a olhar à janela. 
Agora que sabem disto, vão pensar que também sabiam, mas experimentem ir ali e olhar de onde eu olhei, por volta das 20 horas, a ver se não pensariam o mesmo que eu...
A arte urbana já é uma realidade em algumas cidades portuguesas, destacando eu a que melhor conheço neste domínio, a Covilhã. Há lá obras de arte mais complexas e mais simples, predominantemente pinturas, e todas elas valem a pena ver. No caso de Pombal, e a juntar a esta, conheço apenas mais um exemplo, situado à entrada da escadaria que nos leva ao castelo de Pombal (julgo que retrata o Marquês - já a referenciei aqui, contudo não encontrei agora quando foi). 
Mas voltando ao início, as aves na parede, a senhora e as flores à janela são algo que dá vida aquela rua, daquele lado, muito mal tratado em termos urbanísticos, não sabendo eu quais as causas que levaram ao actual cenário daquele espaço e do péssimo estado dos edifícios situados ao lado deste terreno vacante.
Ir naquela rua e sair dali com um sorriso devido a esta obra de arte, bastante eficaz, é de aplaudir! Parabéns a quem teve esta brilhante ideia, de dar vida e alegria a quem por ali passa! Coisas simples como esta tornam os espaços urbanos locais mais agradáveis!

16.12.18

Desenquadrado à boa maneira portuguesa...


A maioria das pessoas vai olhar para esta fotografia e dizer que não vê ali nada de especial. Eu vejo algo de especial, pela negativa.
É um de muitos aspectos que gosto de destacar sempre que os detecto, de forma a mostrar aquilo que não deve acontecer. O planeamento urbano não é fácil, tal como todos os que estudaram esta temática sabem, contudo há aspectos do planeamento urbano que, sendo óbvios, continuam a ser menosprezados. Falo, obviamente, da componente do desenquadramento urbano de alguns elementos da paisagem urbana. Será que é preciso ser especialista para perceber que aquele candeeiro não se enquadra nada bem naquela rua de Pombal? Para piorar o cenário, trata-se da parte antiga da cidade, o que teoricamente obriga a uma atenção especial, já que é de evitar tudo o que tem potencial para perturbar um equilíbrio da paisagem urbana. E não é caso único, nem em Pombal nem noutras vilas.
Se as falhas começam nos elementos mais elementares não é de esperar que as falhas vão ganhando dimensão quando começamos a falar de ruas, edifícios e afins. O que queremos afinal para o nosso espaço urbano, algo de bonito e enquadrado ou algo tipo salada russa? A qualidade de vida passa também por isto!
E quando disserem que isto é um pequeno pormenor que não perturba a paisagem urbana de qualidade, comecem a juntar os pequenos pormenores, que verão que são às centenas ou milhares, dependendo da aldeia, vila ou cidade...

14.10.18

Não é apenas uma fachada, é algo mais do que isso...


Lembro-me de um trabalho académico que fiz há coisa de 15 anos, numa disciplina que dava pelo nome de geografia urbana. Este trabalho ficou na memória porque permitiu-me adquirir conhecimentos particularmente interessantes no domínio da urbe e de tudo o que ela pode significar. Nestes conhecimentos entra a questão da perspectiva, a qual foi adquirida através de um processo bastante curioso. Basicamente andámos pela zona histórica de Setúbal a percorrer cada um dos edifícios, tentando saber qual a actividade económica que era desenvolvida naquele espaço no presente, mas também no passado. Este levantamento foi feito para o rés-do-chão e para o primeiro e segundo piso. No primeiro andar prevaleciam os negócios, enquanto que no primeiro e segundo piso já predominava a habitação. Feitos os mapas, teve-se uma visão bastante curiosa sobre a evolução da tipologia de ocupação e da respectiva evolução ao longo de algumas décadas.
Isto tudo para introduzir uma perspectiva que raramente é factualmente percepcionada pelas pessoas. Quando aplicada à região de Sicó, a coisa ganha um novo sentido, já que não tenho ligação alguma com Setúbal, mas tenho uma conhecida ligação com, por exemplo, Ansião. Lembrei-me de registar esta imagem para este propósito. Para os mais novos, a fachada que consta na fotografia que acompanha este comentário não diz muito. Diria até que a maioria dos mais novos nem se apercebe que há ali uma fachada e que por detrás dela há um mundo diferente, numa espécie de colagem urbanística.
Para mim há ali uma fachada e um edifício por detrás dela. O edifício nada me diz, ao contrário da fachada, que, para mim, representa parte da minha identidade e memórias importantes. Era ali que antigamente se situava o posto da GNR de Ansião, no antigo edifício do qual resta apenas a fachada. Era também ali que se situava uma oficina de bicicletas (irmãos David), a qual eu frequentava regularmente, dado o facto de que as bicicletas fazem parte do meu ADN há mais de 3 décadas.
Por tudo isto e por muito mais é que é importante acautelar estas questões na hora de fazer urbanismo. A identidade local é única e intransmissível. Perturbar a identidade local é algo de grave, daí trazer aqui este tema, de forma a vos fazer pensar nesta importante questão. Sem pensarmos nesta e noutras questões o espírito crítico não se desenvolve e o exercício da cidadania fica enfraquecido, tal como é tristemente frequente e como aliás está bem presente na Vila de Ansião. É tudo...

10.10.18

Um mamarracho na Serra da Portela, Pousaflores


Já não falava desta temática há bastante tempo, e não é por falta de "matéria-prima", mas sim por alguma falta de tempo para, calmamente, percorrer esta bela região. Falo, claro, dos denominados mamarrachos urbanísticos. 
Há algumas semanas, quando fui a uma interessante actividade que decorreu na Serra da Portela, Pousaflores (Ansião), organizada pela Junta de Freguesia de Pousaflores, estacionei o carro mesmo à frente do mamarracho que consta nas duas fotografias que "embelezam" este comentário. É um "edifício" que está ali há alguns anos, contudo nunca calhou eu falar dele de forma mais directa. É uma ferida na paisagem, não compreendendo eu como é que ali está, seja pelo absurdo que é, seja por estar em área de Rede Natura 2000 (Sítio Sicó/Alvaiázere). A minha sugestão é simples, desmontar esta infraestrutura e renaturalizar o local de implantação. É um passivo que ensombra a beleza daquele local e que não dignifica a Serra da Portela, portanto é um problema por resolver. A dica está dada...