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10.7.22

Gosto de folclore, mas não deste género...

Fonte: Facebook da Junta de Freguesia de Pousaflores

Fiquei bastante perplexo quando vi algumas destas imagens, já que a moda pimba ainda consegue surpreender. Compreendo a ânsia em querer divulgar o território e os locais, contudo nunca na base do pimba, da chapa 5 e de modas efémeras. 

Mas vamos ao que me traz a este comentário. Antes de mais, logo que passe ao lado destas mariolas, irei derrubar todas as que vir, já que não faz qualquer sentido as mesmas ali. É pouco mais que um estorvo paisagístico que sem sequer legal é... Copiou-se o balancé, vindo sabe-se de lá onde, copiou-se a moda das mariolas, vindas de onde até fazia sentido, muito embora se tenha tornado um circo nas mãos de algumas pessoas ligadas às modas do momento. Para quê todo este pimba? Onde pára a identidade dos locais?


E teve de se copiar a moda das placas com cores espampanantes... Isto quando se podia ter feito algo de inovador e integrado da paisagem e neste território da Rede Natura 2000.


E depois isto, onde temos uma bela fórnia (fórnia da Ucha), importante elemento geomorfológico que poderia ter sido utilizado em vez do "vale encantado" nesta placa. Ou outro elemento histórico ali existente, escolhas não faltam. Tudo bem que a porta adiante está engraçada, o problema é que continuam a descaracterizar estas serras com elementos estranhos às mesmas, seja objectos, seja nomes.

Mais uma vez, compreendo a vontade de fazer estas coisas, contudo há que o saber fazer com atenção aos factos e aos pormenores, sem modas, importações, chapas 5 e outras coisas à mistura. Há coisas, já feitas na Serra da Portela que ficaram porreiras, contudo outras, como estas, nem por isso...



 

10.6.22

A arte da pedra na Serra da Portela, Pousaflores



Ainda não tive a possibilidade de ir à Serra da Portela desde que a colecção de esculturas foi toda posicionada, contudo tenho observado fotografias e comentários vários. Não é fácil abordar esta questão, já que a análise da arte é algo de subjectivo, dependendo a interpretação das esculturas de vários factores. Pessoas diferentes com diferentes perspectivas, experiências de vida e bagagens culturais podem ter opiniões semelhantes ou opiniões muito diferenciadas. E depois há as "opiniões" toldadas pela política.

Na Serra da portela foram colocadas 4 esculturas, cada uma delas muito diferenciada, mas baseada nesta mesma Serra da Portela e os valores naturais e culturais ali presentes. Julgo que a escultura que é mais aceite será a da mó. Esta será, para mim, a que conseguiu o melhor resultado, conjugando o aspecto e a identidade moageira da Serra da Portela. Depois segue-se uma escultura que tem também um valor identitário muito forte, ou seja a escultura das ovelhas. Monte da Ovelha é um topónimo histórico, ainda presente na cartografia histórica da Serra da Portela. Pessoalmente teria colocado a escultura próximo do marco geodésico. Há uns meses tinha dado a sugestão de criar uma escultura deste tipo, concretamente a criação de 3 ou 4 esculturas de ovelhas, as quais seriam colocadas em redor do marco geodésico.

Depois temos a escultura relacionada com as orquídeas. Não será a que a que terá mais sucesso, já que o interesse das pessoas pelas extraordinárias orquídeas presentes todos os anos na Serra da Portela é, genericamente falando, recente, mas esse mesmo facto, conjugado com um bom posicionamento, pode ter um bom impacto em prol da preservação e valorização destes belos elementos da biodiversidade local e regional, no carso de Sicó. 

Depois temos a quarta e última escultura, que será porventura a que menos impacto terá, contudo isso faz parte do processo. Julgo que o posicionamento da escultura das ovelhas poderia ter sido outra, mas isso não é muito relevante.

Há umas semanas li o comentário político de alguém ligado a um partido político, a menorizar estas esculturas, algo que me surpreendeu vindo de quem veio, mas quando a isso mais tarde falarei. 

A arte é algo que faz falta em Sicó. Poucos sabem o que significa isto no concreto, já que a bagagem cultural de muitos não é assim tão pesada e as ideologias políticas toldam o raciocínio. 

Mas, e para finalizar, fico contente com esta iniciativa artística na Serra da Portela. A arte é como o oxigénio, não existimos sem ele...




24.1.21

Sai mais uma dose de arqueologia!

 


Fonte: https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios&subsid=56505&fbclid=IwAR1hvD9VlA_zuEXy9bNUPIy2u2TymQAOdEIqEwqROBLttTH0QjDdcaBUvnE


Fonte: https://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios&subsid=56505&fbclid=IwAR1hvD9VlA_zuEXy9bNUPIy2u2TymQAOdEIqEwqROBLttTH0QjDdcaBUvnE

E continuo com o tema da arqueologia, aproveitando o balanço propiciado pelo último comentário. A propósito deste último comentário, o qual publicitava um seminário sobre arqueologia, foi uma honra ser convidado para falar neste evento sobre parte de Sicó e do seu património. Foi também fantástico partilhar informação e aprender mais umas "coisas" com outros investigadores de outras áreas, uns já meus conhecidos, outros nem por isso. Todos eles mostraram que é um prazer investigar em Sicó, haja verba para isso...
Mas indo ao que me traz a este comentário, hoje quero partilhar algo que muitos ansianenses, e não só, desconhecem, mesmo pessoal de Pousaflores. Tratam-se de dois povoamentos arqueológicos, um na Serra do Castelo, outro na vertente Norte da Serra da Portela. Se pesquisarem a carta militar poderão perceber o porquê dos topónimos "Castelo". Nada é por acaso...
Na primeira imagem consta um print da informação sobre o Castro (povoamento arqueológico) da Serra do Castelo, referenciado pelos arqueólogos como Castelo de Pousaflores, e outro sobre o Castro da Serra da Portela, referenciado pelos arqueólogos como Castelo da Serra do Mouro.
Aproveitem para consultar a informação respectiva sobre os mesmos, disponível através dos links que constam logo abaixo de cada uma das imagens.
Já agora um extra. Há 5 anos um amigo meu deu uma ajuda na hora de tentar visualizar lá do alto o Castro da Serra da Portela, cuja visualização é dificílima, graças aos carrascos que tapam quase tudo.
Como podem ver, há muito património por ali, este esquecido. Espero que os que desconheciam estes dois povoamentos arqueológicos tenham agora mais um motivo de orgulho!

27.3.19

Os moinhos estão quase a chegar!


Dia Nacional dos Moinhos e Moinhos Abertos 2019! Está quase a chegar um fim-de-semana épico, onde qualquer um de nós poderá visitar o belo moinho! Na região de Sicó sei apenas que vão haver actividades no Moinho da Serra da Portela, Pousaflores (Ansião) e no Moinho da Pelmá, em Alvaiázere. É de aproveitar para pegarem em vocês e na famelga, bem como amigos, e partirem à aventura, conhecendo estes ou outros moinhos.
Em Dezembro li um comentário do Farpas Pombalinas que me surpreendeu. Tratava-se de um comentário sobre os moinhos das Corujeiras, em Abiúl, Pombal, no qual foi afirmado que os moinhos não tinham recuperação possível, que não tinham interesse económico, turístico, cultural, etc. De facto aqueles moinhos, ou o que resta deles, é passível de ser devidamente reabilitado, criando potencial económico na base do património, o qual tem, de facto, interesse cultural e turístico.
Tenho a felicidade de já ter elaborado um artigo científico sobre os moinhos da região de Sicó, tendo sido aí que aprendi a maioria do que sei sobre moinhos de vento. 

"Forte, J.; Medeiros, S.; Silva, L.; Neves, H.; Medeiros, G.; Alves, P.; Ferreira, C.; Silva, M.; Neves, C.; Mendes, H. (2016) – “Dos moinhos de vento às torres eólicas: contextualização do aproveitamento da energia eólica no âmbito do património natural e cultural na região de Sicó”. Actas do I Congresso de História e Património da Alta Estremadura, 28 a 30 de Outubro de 2011, Ourém"

Por isso mesmo é que sei que os moinhos das Corujeiras têm muito potencial, desde que a coisa seja bem planeada, bem potenciada e bem valorizada. Há já um bom trabalho de base, feito pelo Rui Rua, sobre estes moinhos, que pode fazer toda a diferença na hora de trabalhar num projecto de recuperação dos moinhos em causa. Não se pode renegar este património, portanto, e aliando o útil ao agradável,  porque não recuperar estes moinhos e honrar a nossa memória e identidade? Recuperar aqueles moinhos é trazer vida a Sicó. Poucos são os que sabem do real potencial dos moinhos de vento nesta região. e se formos criativos, aí as coisas podem ter um impacto positivo brutal. Daqui a poucos dias irei falar pessoalmente com um entendido na matéria, de forma a ver se entretanto proponho um projecto para um orçamento participativo...


10.10.18

Um mamarracho na Serra da Portela, Pousaflores


Já não falava desta temática há bastante tempo, e não é por falta de "matéria-prima", mas sim por alguma falta de tempo para, calmamente, percorrer esta bela região. Falo, claro, dos denominados mamarrachos urbanísticos. 
Há algumas semanas, quando fui a uma interessante actividade que decorreu na Serra da Portela, Pousaflores (Ansião), organizada pela Junta de Freguesia de Pousaflores, estacionei o carro mesmo à frente do mamarracho que consta nas duas fotografias que "embelezam" este comentário. É um "edifício" que está ali há alguns anos, contudo nunca calhou eu falar dele de forma mais directa. É uma ferida na paisagem, não compreendendo eu como é que ali está, seja pelo absurdo que é, seja por estar em área de Rede Natura 2000 (Sítio Sicó/Alvaiázere). A minha sugestão é simples, desmontar esta infraestrutura e renaturalizar o local de implantação. É um passivo que ensombra a beleza daquele local e que não dignifica a Serra da Portela, portanto é um problema por resolver. A dica está dada...


9.6.18

Pousaflores Expõe, um evento interessante...


Ainda não tinha ido a este evento, o "Pousaflores Expõe", que se realizou mais uma vez na Serra da Portela, Pousaflores (Ansião). Desta vez estava por perto e fui até lá ver com os meus próprios olhos.
Começou bem, já que ao invés daquele estradão de antigamente, ao qual eu dava o nome de aeroporto da Portela, temos actualmente uma estrada de calçada, algo que me agrada. Pena é ter demorado tantos anos a surgir.
Mas depois não continuou assim tão bem, já que a primeira coisa que ouvi quando lá cheguei foi uma música rap, algo que me parece perfeitamente dispensável enquanto música ambiente de um evento deste tipo. Pode parecer um pormenor, contudo não é.


Depois mais um erro de casting, que vi logo que saí do carro, uma barraca completamente desenquadrada e... abandonada. Não é propriamente um bom cartão de visita...



Já no recinto do evento, vi a placa de um projecto que tem tido muitos problemas, não sendo aqui minha intenção dissertar muito sobre o caso. Ainda não fiz o trabalho de casa, o qual me permita opinar melhor sobre o assunto. O que sei é o que vejo e algumas coisas que amigos dali me confidenciam. Vejo este projecto com muitos bons olhos, contudo houve algo que falhou nos últimos anos. Urge parar para pensar e reerguer um projecto com bom potencial. Há ali uma infra-estrutura e um moinho que merece trabalhar e espantar quem o visita.



Chegado ao stand da Junta de Freguesia de Pousaflores, gostei de ver o que os mais atentos vêm na foto abaixo, contudo não há bela sem senão... Já aqui referi o semi-abandono das pinheiras. Falta limpar para diminuir o risco de incêndio. 


Dei uma volta completa ao recinto e gostei de ver tanto expositor e bom artesanato. Dou uma sugestão, porquê tapar a bela vista com os stands do outro lado? Seria interessante pensar uma outra organização dos expositores e, quiçá, umas mesas com aquele bela vista.
Depois de corrigidos alguns erros e feitas algumas melhorias, o Pousaflores Expõe pode ter uma outra dimensão. Não está mau para começar, portanto importa melhorar para trazer mais pessoas à Serra da Portela e para que o património e o artesanato tenham mais destaque. Resumindo, um evento com muito potencial...



9.3.18

O estradão das Serras da Portela, Casal Soeiro e Ameixieira...


É uma estrada pela qual todos os que querem ir à Serra da Portela (Pousaflores) têm de passar, pelo menos os que, de carro, querem ir ver o miradouro, tipo chapa 5, do Anjo da Guarda, o parque eólico ou o melhor, o moinho de vento, que de vez em quando expõe as suas velas ao vento. Continua a ser um local agradável de ir e curiosamente local de belas fotografias em concursos de fotografia.
Pode parecer, para alguns, estranho o facto de eu estar a abordar um tema tão pouco interessante como uma estrada, mas já vão compreender...
Seja para quem vai à Serra da Portela, à Serra do Casal Soeiro ou à Serra da Ameixieira, é inevitável passar num estradão que, a cada Inverno que passa, fica em mau estado onde o declive é mais acentuado. A solução tem sido espalhar brita de forma recorrente. Ou seja, em vez de se resolver um problema, está-se, por um lado, a adiar a resolução do mesmo e, por outro, a criar outro problema, já que o perfil vertical do estradão aumenta ano após ano. Resumindo, não se vai ao cerne da questão. Anda-se basicamente a ir buscar brita a pedreiras de calcário, degradando assim mais a paisagem, para espalhar a brita na... serra...
Alguns dirão para se alcatroar, ao que eu respondo, basta de atentados ambientais nestas serras. Já chegou bem o crime que ali fizeram em meados da década de 90, quando uma máquina obliterou o topo da serra da Portela sem justificação alguma.
Há soluções ambientalmente sustentáveis e sem impacto visual que não interferem com a identidade daquelas serras, portanto há que pugnar por uma solução pensada por quem sabe. Não se pretende uma solução à chico-esperto nem à tuga, pois disso estamos fartos!

28.7.17

Topónimos invasores...


Penso que ainda não tinha detectado este pormenor, pois caso tivesse já teria concerteza abordado esta questão. Passando em Pousaflores, há uma rua que tem um topónimo que me parece absurdo. Trata-se da rua das mimosas.
Na primeira imagem vê-se a Serra da Portela ao fundo, e nesta rua, mais abaixo, situa-se o lugar de Pousaflores. É ali que se vê a placa com o nome/topónimo desta rua. Não compreendo minimamente o nome dado a esta rua. Passando do pressuposto que "mimosas" se refere aquela espécie invasora, é um absurdo ter-se optado por aquele nome/topónimo. Sendo Pousaflores um lugar com tanta história, torna-se realmente incompreensível a escolha deste nome para aquela rua. 
Descendo a rua, até Pousaflores, e olhando para os dois lados, o que se vê mais são carvalhos. Fica a a sugestão para a correcção do nome da rua...
A preservação da identidade também passa pelo legado de topónimos com sentido e com história, lembremo-nos desse pequeno grande pormenor.


23.4.17

Quem semeia ventos, colhe património...


Faltam poucos dias para o final do prazo de apresentação de propostas ao orçamento participativo do município de Ansião, daí estar agora a "picar" os ansianenses para que participem activamente neste processo, apresentando propostas concretas. Claro que tenho também o intuito de "picar" todos os sicoenses para que façam o mesmo nos seus respectivos municípios, logo que se propicie isso mesmo.
Este ano decidi apresentar apenas uma proposta, ao contrário de 2016, onde apresentei 4 propostas. Porquê? Simples, este ano o valor da proposta é igual ao valor da verba disponível, daí não fazer sentido apresentar outras propostas, que concorressem entre si. Em 2016 apresentei 4 propostas diferenciadas, de valor reduzido, não representando uma espécie de concorrência entre si.
Sim, a proposta deste ano é sobre moinhos de vento, esse belo objecto patrimonial que teima em não ser devidamente potenciado e valorizado. 
Há umas semanas, e pensando no dia nacional dos Moinhos e Moinhos abertos 2017, apresentei, numa associação da qual faço parte, a proposta de envolver um dos moinhos desta região para promover a actividade em causa, contudo, e após pedir informação a quem sabia da coisa, fiquei a saber que não seria possível, já que esse mesmo moinho, que não o da foto (Serra da Portela, Pousaflores), não estava funcional. Foi então que surgiu luz e ponderei a ideia. Apresentei uma proposta que tem como intuito arranjar aquilo que está estragado, recuperar o que está por recuperar e valorizar todos estes moinhos de vento. A esmagadora maioria é de madeira, tal como o da Serra da Portela, e um outro é de metal. Penso que é algo de exequível, mas a ver vamos se o mesmo vai ser aceite para ir a votos. Caso a proposta seja aceite, irei naturalmente pedir o vosso voto, de modo a valorizar a molinologia da região de Sicó. 
Tenho visto que há mais pessoas a pensar da mesma forma na região de Sicó, e algumas delas a trabalhar para que isso aconteça, portanto há que pugnar para que esta bela paisagem comece a ver mais moinhos de vento a funcionar, já que é algo de fabuloso e que pode representar uma mais-valia bastante interessante...

27.11.16

Onde pára o ordenamento florestal da Serra da Portela?


Muitos do que passam pela Serra da Portela, em Pousaflores, e vão ao miradouro situado ao lado do moinho de vento e do parque eólico da Serra da Portela, não se apercebem do problema que ali existe há vários anos, ou seja a falta de ordenamento florestal. Basta dar corda aos pés ou bicicleta para vermos que há ali algo de grave a ocorrer, ou seja a inobservância de algo fundamental como o é o ordenamento florestal. Em Agosto de 2006 houve um incêndio em parte do sector onde está implantado o pinhal, mas parece que o tempo apaga as memórias e o risco de incêndio é grande, tal como podem constatar nas fotografias.  


Em meados da década de 90, alguém teve a ideia parva de rechaçar  esta bela serra com uma máquina. Foi um verdadeiro atentado ambiental que hoje seria impensável (ou não...). Infelizmente não há volta a dar e temos de nos contentar com o que ali está actualmente. Mas infelizmente o actualmente não augura nada de bom, pois a "estratégia" é a pior de todas. Uma grande mancha de pinheiras, que devidamente geridas dariam uns bons tustos com o rendimento que advém da venda das pinhas (e uma enorme mais-valia para a feira do pinhão anual). Ao lado desta, na Serra do Casal Soeiro, da Serra do Mouro e da Serra da Ameixieira, o projecto falhado das 130 000 árvores, boa parte delas não deram em nada, típico de projectos de greenwash. Junte-se a isto o lóbi dos caçadores e temos todos os ingredientes para o desastre.


Convido-vos a todos a dar uma volta da Serra da Portela, de forma a verem pelos próprios olhos o barril de pólvora que ali está e que urge minimizar, através de uma correcta gestão da floresta. Podem deixar o carro no miradouro do Anjo da Guarda ou na Capela do Anjo da Guarda e dar uma volta pelo estradão que dá a volta à Serra da Portela pelo seu topo.


Esta situação deverá ser resolvida rapidamente por um conjunto de entidades, onde se inclui a Junta de Freguesia de Pousaflores, a Câmara Municipal de Ansião, pela Associação Florestal e pelo ICNF (Rede Natura 2000 - Sítio Sicó/Alvaiázere). Os incêndios existem por vários motivos, um deles é a falta de gestão florestal. E os incêndios previnem-se antes do Verão...


E claro, não podia faltar um aspecto típico, a lixeira do costume, infelizmente muito comum por Ansião e arredores... Das 250 lixeiras de detectei em 2010, no Limpar Portugal, a maior parte tinha também restos de construção...


9.6.16

Quem são os ladrões que andam a roubar a Serra da Portela?


Não é um problema novo, muito pelo contrário, no entanto parece-me que ganhou escala nos últimos anos. Falo, claro, do roubo de lajes calcárias, utilizadas nos bancos e mesas situados pelo topo da Serra da Portela, em Pousaflores (Ansião). É um local bastante conhecido, mas mesmo assim há quem não desista de roubar o que é de todos. Não será impossível detectar os ladrões, ainda mais porque alguns deles poderão ser dos arredores, roubando estas lajes para os seus jardins.
Uma boa opção seria marcar as lajes, de forma a que a tentação deixasse de existir. Uma maceta e um escopro servem...


Não me admira que haja quem saiba quem são alguns dos ladrões, contudo, e por amizade, não denunciam o "belo" amigo do alheio.
A serra da Portela é um local bastante aprazível, isto mesmo tendo em conta que esta foi maltratada nas últimas décadas (destruição dos habitats - bio e geo - em todo o topo da serra; abertura de estradões de forma absurda, sem estudos e sem cuidados; tentativa de manipulação de um topónimo secular; lóbi dos caçadores; projectos de greenwash; parque eólico em área protegida e destruição de algar..; etc).
Mesmo assim, vale mesmo a pena ali ir, seja sozinho, seja acompanhado. Podem simplesmente pegar no carro e ir até ao moinho de vento, ou então fazer uma caminhada ou passeio de bicicleta. E se tiverem a sorte de ver o moleiro por ali, aproveitem o privilégio que é falar com ele.
Atenção que caso vão sozinhos, convém avisar os amigos, de forma a precaver percalços. 
De que é que estão á espera?!


14.4.16

Cartografia histórica da região de Sicó: em busca dos topónimos perdidos


Já tinha a carta de Ansião mais recente de todas (2004), contudo faltava-me mais uma, pensava eu. Afinal faltavam-me duas versões mais antigas da carta militar de Ansião, daí rapidamente as ter adquirido no formato que mais gosto, em papel, para poder investigar os topónimos. A cartografia é barata e recomendo-vos vivamente que adquiram pelo menos o exemplar da carta correspondente à área onde vocês vivem.
A cartografia já me fascina há largos anos, embora o gosto efectivo pela cartografia histórica seja mais recente.
Mas vamos a um pequeno esclarecimento. Vêem que a Serra da Portela sempre teve esse nome e não outro? Eu também fui surpreendido há coisa de duas décadas, pois havia algumas pessoas que diziam que aquela serra tinha um outro nome (e eu acreditava só porque elas me diziam...). Uma coisa é elas, a título individual, denominarem a mesma por um qualquer nome que não o oficial e legal, outra é elas afirmarem, erroneamente, que seria esse o seu nome oficial e legal. O nome/topónimo próprio já existe há muitas décadas, tal como a cartografia o comprova sem qualquer margem para dúvidas. Anjo da Guarda refere-se apenas à capela e ao miradouro existente na serra da Portela.
Informação à parte, fiquei agora esclarecido porque é que já tinha visto Pousa-Flores em vez de Pousaflores.

Fonte: Carta Militar de Ansião, 1947 (275) - excerto do meu exemplar (papel). 

Já surpresa foi o facto de ver que o marco geodésico do Monte da Ovelha já teve outro nome/topónimo, ou seja Moura. Não me admira que isto esteja ligado ao povoamento arqueológico situado a escassas centenas de metros a Norte daquele ponto. Já o nome Monte da Ovelha poderá estar relacionado com o período que antecedeu o plano dos centenários (escolas primárias), quando as próprias crianças levavam os rebanhos para a serra. 
Tive outras surpresas, pois mesmo no local onde vivo, fiquei a saber de um topónimo que nunca tinha ouvido falar...

 Fonte: Carta Militar de Ansião, 1984 (275) - excerto do meu exemplar (papel). 

O comum cidadão, que não lida com cartografia, está muito alheado do valor e interesse de tudo aquilo que as cartas militares retêm numa simples folha de papel. O intuito deste meu comentário tem a ver precisamente com o regresso às origens e com aquilo que é realmente importante, o nosso património e os nossos belos topónimos, que importa conhecer. Apenas nesta carta (275) tenho muito por onde explorar, mas para isso vou precisar da ajuda dos mais velhos, dos anciãos, complementando com antigas publicações.
E para os mais desatentos, Ansião já foi Ancião, sendo eu ainda do tempo em que na escola se escrevia Ancião (sim, estou a ficar velho).

Fonte: Carta Militar de Ansião, 2004 (275) - excerto do meu exemplar (papel). 

5.4.16

Temos estratégia?


Foto: Feira dos Pinhões, 2016

Foi com agrado que soube da plantação de pinheiros mansos em Ansião, mais precisamente na Quinta das lagoas. O argumento é válido, peca apenas por tardio, pois sendo o pinhão um produto de grande valor económico e com o qual se pode conseguir valor acrescentado, Ansião já deveria ter, na prática, uma verdadeira estratégia para o pinhão. Estamos pelo menos 2 décadas atrasados neste domínio. E só daqui a umas décadas é que vamos ter pinhão a sair daquele local, mas afinal sem plantar eles nunca poderiam surgir. Há que semear para colher.
Espero que daqui a 20 anos não surja uma ideia mirabolante para aquele local (imobiliário...) que leve ao corte da plantação agora feita. Estarei atento aos futuros autarcas...
Mas indo ao que mais interessa, importa salientar que é com o pinheiro manso, com o pinheiro, com a azinheira, carvalho cerquinho, nogueiras e outro mais que poderemos almejar o tão desejado desenvolvimento territorial. E o eucalipto? Mandem o eucalipto para um certo sítio, pois esse não é de todo desejável, dadas as imensas externalidades negativas.

Fonte. facebook do Município de Ansião

Uma das áreas onde podem ver uma grande plantação de pinheiros mansos, é na Serra da Portela (Pousaflores), de onde já se explora a pinha e o pinhão há alguns anos. Seria importante termos uma maior área de pinheiros mansos, não em plena serra, mas em áreas indicadas para o efeito (foi um enorme erro ter-se feito aquela plantação da década de 90, arrasando parte da Serra da Portela com maquinaria pesada...).
A estratégia de exploração na Serra da Portela não tem sido a melhor e só mais recentemente se tem tido mais atenção ao facto.
Cabe-nos o papel de dinamizadores territoriais, sozinhos e/ou com ajuda das entidades públicas. Cabe-nos criar formas de escoar este tipo de produtos, de forma a dinamizar também este sector. Só criando a procura se consegue dar vazão á matéria-prima. No que me toca, este ano irei iniciar oficialmente as "hostilidades" neste âmbito, pois Ansião e toda a região de Sicó merecem. É uma região fantástica que merece a nossa dedicação e o nosso investimento.
Não se retraiam, invistam e inovem, pois mais tarde conseguirão receber a vossa recompensa. Há muitas formas de o fazer, mesmo com pouco investimento. E se precisarem de ideias, eu tenho para "dar" e vender...


Foto da Serra da Portela (Pousaflores), sector da Ucha (2007)

26.2.16

Porcos por vocação ou por convicção?!


Infelizmente não é a primeira vez que aqui falo sobre porcalhões. Infelizmente não deverá ser a última, pois há porcos que vão continuar a ser o que mais gostam, porcos.
Tenho vários amigos caçadores, dois ou três até costumam ficar "tocados" com este tipo de comentários, muito embora não façam parte do clube dos porcalhões. De certa forma compreendo isto, pois em qualquer "clube" temos a tendência a proteger-nos uns aos outros. Mesmo assim costuma ser pacífico, pois sei que eles não se reveem nos actos ilustrados por estas duas fotografias.
Pormenores à parte, não compreendo porque é que um qualquer caçador não tem de entregar um cartucho cada vez que compra um novo. Esta seria uma excelente forma de promover a reciclagem deste tipo de resíduos. E nem daria trabalho, pois o caminho de ida, para a entrega dos cartuchos na loja, é o mesmo de regresso à fábrica.
Não faço ideia de quantas centenas de milhar de cartuchos são mandados para o chão por gente reles e sem escrúpulos. Sei apenas que este cenário continua a ser recorrente. Estas duas fotos são de um mesmo caminho, no limite entre Ansião e Penela, onde pelo menos dois porcalhões decidiram que é fixe deixar o seu lixo, pois das duas uma, ou alguém, como eu, vai apanhando alguns, ou ficam ali simplesmente a degradar-se por muitos e longos anos. E as associações de caçadores da região pouco fazem para mitigar este problema...
O único local onde vi recipientes para recolha de cartuchos, entretando desaparecidos, foi ali pelos lados das Serras da Portela e do Castelo (Pousaflores).
Se vocês tiverem amigos ou conhecidos, caçadores, abordem este problema, pois pode ser uma boa forma de começar a mudar mentalidades retrógadas e imbecis. Nada fazendo, o cenário continuará a ser este. Será que querem que assim continue?!


8.12.15

Serra da Portela: incompetência até às profundezas da Serra...


Eu tento evitar, mas afinal só me dão matéria para comentar... Esta é uma situação que se enquadra bem numa problemática que é comum, especialmente na região de Sicó. Porquê? Simples, pelo facto de estarmos numa região cársica, portanto com características muito especiais, que carecem de conhecimento diferenciado por parte dos autarcas, os quais muito raramente têm algum tipo de formação no domínio do ordenamento do território. Por estas e por outras é que em 2011, num congresso sobre património, sugeri a elaboração de um manual de boas práticas para regiões cársicas, ferramenta a ser utilizada por todos os autarcas com territórios deste tipo. Seria um documento particularmente útil, na medida em que facilmente poderia impedir erros básicos de gestão territorial, e logo a vários níveis.
Com um manual de boas práticas, seria bem mais difícil ver situações como a que as fotografias mostram. Trata-se de um sumidouro situado na berma de uma estrada já na abrangência da Serra da Portela, em Pousaflores (Serra onde está situado o parque eólico). Como é costume, informei-me antes de fazer juízos de valor e constatei dois factos, um positivo, outro negativo.
Comecemos pelo positivo. A Junta de Freguesia de Pousaflores não quer tapar este sumidouro. É precisamente isto que se deve fazer, não tapar, devendo a mesma colocar uma protecção superficial, a qual possibilite a entrada de água da valeta. Algo como uma grelha deverá ser mais que suficiente. Não se perturba a dinâmica natural da coisa e assegura-se segurança para todos, inclusivamente animais ditos irracionais.
Indo agora ao negativo. A Câmara Municipal de Ansião já tentou tapar a cavidade, com brita. Escusado será dizer que não resultou e que toda a brita foi naturalmente escoada pela cavidade para o seu interior. Não percebo para que é que se tem técnicos minimamente credenciados (ex. geógrafos) neste domínio ao serviço da Câmara e depois não se solicita um breve parecer ao mesmo. Impera ainda o "acho que" por parte de não sei quem. Este caso afigura a típica incompetência, a qual lesa os contribuinte e mostra que muito há a fazer no domínio do conhecimento do território e dos seus processos, base fundamental para uma correcta gestão territorial.
Degrada-se desnecessariamente a paisagem, com pedreiras sem fim, para depois andar a meter brita em sumidouros/algares, bravo!


21.7.14

Conversa da treta...

Fonte: Jornal de Leiria, Edição 1565 (10 de Julho)

Foi há 2 meses que dei conta de um caso que me pareceu passível de denunciar, dada a gravidade da situação. Tendo em conta o facto, solicitei informação ao ICNF, que, poucas semanas depois, confirmou as minhas suspeitas. 
Há 2 semanas, saiu a notícia do caso no Jornal de Leiria, dando seguimento jornalístico à peculiar situação. Gostei bastante de ler o que o anterior presidente da junta de freguesia referiu, já que este, ao ser confrontado com os factos, teve uma notável postura de bom samaritano. É para os bombeiros e para os donos dos terrenos irem limpar os seus terrenos. Bravo!
O apelo à compaixão, perante uma ilegalidade grave, é notável. Na região de Sicó há muito este hábito,  dizer que o ilegal foi afinal por uma boa causa... 
O caminho, que já existia, não foi aberto para os bombeiros, é um facto! Para isso há mecanismos e planos próprios. Há também pedidos de autorização, estando tudo previsto. Então porque não se fez nada disto? As regras não são para cumprir? Em que ficamos?!
O acesso para os proprietários já existia, portanto esta é mais uma falsa questão. Por falar em limpeza, ela não existe para aqueles lados. Basta andar pela Serra da Portela para constatar isso...
Gostei também de ver a postura do actual presidente da câmara municipal de Ansião, que, quando confrontado com os factos, se limitou a dizer meras palavras de ocasião perante uma situação grave. Como é possível, num território Rede Natura 2000, um presidente da junta mandar fazer, sem quaisquer autorização, um alargamento de um caminho numa área tão sensível sem que, para isso, tenha de informar o presidente da câmara? Não compreendo...
Mais uma vez fica à vista a forma como os nossos autarcas, actuais e anteriores, vêm, na prática, o território e os valores que ele encerra. Lamento esta postura por parte destes autarcas, pois é essa mesma postura, bem enraizada, que se tem traduzido numa evidente e marcada degradação desta extraordinária região.
Esta região e este país têm vários problemas, um deles é a falta de responsabilização dos políticos que nos muito mal governam. Se for um funcionário camarário a fazer asneira, então está tramado, mas se for por exemplo um presidente da junta, então parece que não há problema algum...



12.5.14

Anti-património na Serra da Portela: crónica de uma sucessão de acções atentatórias do património natural e cultural



A região de Sicó é pródiga em muitos aspectos, no bom e no mau sentido. Infelizmente os maus aspectos sobrepõem-se aos bons, o que me leva a ser cada vez mais incisivo na defesa do património desta extraordinária região. As ideias parvas têm muito sucessos por estas bandas, é a nossa triste sina.
Desta vez a história passa-se na Serra da Portela (Pousaflores), no Concelho de Ansião. Infelizmente é uma história já com algumas décadas e com vários episódios. Os protagonistas são os mesmíssimos de sempre. Ainda na década de 80, alguém teve a ideia peregrina de mandar para o topo da Serra da Portela uma máquina de rastos, que basicamente andou a lavrar nos lapiás, um atentado hediondo ao património regional. Posteriormente plantaram-se árvores, não das autóctones, mas de outro tipo. O lóbi da caça foi aqui preponderante. Depois, abriu-se uma estrada que mais parece uma pista de aterragem de avionetas, com ligação directa ao edifício dos caçadores.
Mais alguns episódios e eis que há poucos meses surgiu mais uma novidade. Já tinha visto, ao longe, que algo se passava por ali, no entanto, e por falta de tempo, apenas agora tive a possibilidade de me deslocar ao local, de bicicleta e máquina fotográfica a postos.
Não pensei que o que se passava ali fosse tão mau, mas afinal é mesmo assim, sem tirar nem pôr. Onde há poucos meses existia um pequeno e belo caminho, que se inicia em Pousaflores e segue pela serra acima, existe agora um estradão, populado por 12 novas cruzes, as quais me parece que terão o destino das últimas, ou seja vandalizadas.
Apesar de não achar graça, não ficaria incomodado se tivessem (re)colocado apenas as cruzes, de forma a repor aquelas que foram colocadas há vários anos atrás. No entanto, tal não aconteceu. Afinal surgiu uma ideia mais catita, rasgou-se a vertente Sul da Serra da Portela, destruindo o belo caminho e criando um estradão, o qual foi enfeitado, pois claro, com carradas de brita. Degradou-se o património, afectou-se negativamente a paisagem e criaram-se vários problemas, os quais irão afectar ano após ano aquele local. Alguns já se iniciaram com a chuva, pois a bela da erosão já começou a espalhar a brita, através de belos regos escavados pela água da chuva. Ano após ano será necessário voltar a espalhar brita e mais brita, que nem circo das pedreiras.
Os taludes também já sofrem, pois as máquinas instabilizaram extensas áreas. Colocaram-se tubos que ficam imensamente bonitos, melhor ainda quando a chuva os destapar mais.
O antigo caminho, agora estradão, terá uma grande importância, pois as provas de jipes irão adorar começar a trepar pela serra acima, criando ainda mais erosão. As curvas cegas são o expoente da genialidade, de tal forma que já alguns jipes patinaram por ali.
É a lógica circense do costume, a qual irei indagar se efectivamente foi legal, pois é precisa uma autorização para este tipo de espectáculos, especialmente quando o carvalho cerquinho perdeu algumas dezenas de irmãos. E pensava eu que os lapiás e o carvalho cerquinho eram protegidos, que aquela área fazia parte da Rede Natura 2000. Mas devo ser eu que estou enganado...
A Serra da Portela já foi violada demasiadas vezes. Na vertente cultural, primeiro lembraram-se de chamar esta Serra por Monte da Ovelha, mas depois de ali erigirem uma pequena capela, acharam que seria mais bonito chamar a mesma por Anjo da Guarda. Imagine-se, contudo, que esta serra tem um único topónimo, ou seja Portela, Serra da Portela. Na vertente natural, é tal como já atrás referi. E agora, o que se segue?