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8.12.15

Serra da Portela: incompetência até às profundezas da Serra...


Eu tento evitar, mas afinal só me dão matéria para comentar... Esta é uma situação que se enquadra bem numa problemática que é comum, especialmente na região de Sicó. Porquê? Simples, pelo facto de estarmos numa região cársica, portanto com características muito especiais, que carecem de conhecimento diferenciado por parte dos autarcas, os quais muito raramente têm algum tipo de formação no domínio do ordenamento do território. Por estas e por outras é que em 2011, num congresso sobre património, sugeri a elaboração de um manual de boas práticas para regiões cársicas, ferramenta a ser utilizada por todos os autarcas com territórios deste tipo. Seria um documento particularmente útil, na medida em que facilmente poderia impedir erros básicos de gestão territorial, e logo a vários níveis.
Com um manual de boas práticas, seria bem mais difícil ver situações como a que as fotografias mostram. Trata-se de um sumidouro situado na berma de uma estrada já na abrangência da Serra da Portela, em Pousaflores (Serra onde está situado o parque eólico). Como é costume, informei-me antes de fazer juízos de valor e constatei dois factos, um positivo, outro negativo.
Comecemos pelo positivo. A Junta de Freguesia de Pousaflores não quer tapar este sumidouro. É precisamente isto que se deve fazer, não tapar, devendo a mesma colocar uma protecção superficial, a qual possibilite a entrada de água da valeta. Algo como uma grelha deverá ser mais que suficiente. Não se perturba a dinâmica natural da coisa e assegura-se segurança para todos, inclusivamente animais ditos irracionais.
Indo agora ao negativo. A Câmara Municipal de Ansião já tentou tapar a cavidade, com brita. Escusado será dizer que não resultou e que toda a brita foi naturalmente escoada pela cavidade para o seu interior. Não percebo para que é que se tem técnicos minimamente credenciados (ex. geógrafos) neste domínio ao serviço da Câmara e depois não se solicita um breve parecer ao mesmo. Impera ainda o "acho que" por parte de não sei quem. Este caso afigura a típica incompetência, a qual lesa os contribuinte e mostra que muito há a fazer no domínio do conhecimento do território e dos seus processos, base fundamental para uma correcta gestão territorial.
Degrada-se desnecessariamente a paisagem, com pedreiras sem fim, para depois andar a meter brita em sumidouros/algares, bravo!


9.8.12

A polémica da "denúncia sem fundamento" no Alvorge


Esta é mais uma daquelas histórias que importa destacar, dada a sua especificidade. Falo, claro, da polémica associada ao novo sistema de drenagem dos esgotos que decorrem da normal actividade do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Alvorge.
Esta era uma questão que, até há poucas semanas atrás, desconhecia. Isto porque, genericamente falando, já deixei de ler jornais de regime, os quais dão muitas vezes uma notável cobertura, parcial, a pessoas ligadas ao regime.
Assim sendo, e após me terem informado sobre esta questão, lá consegui ter algum tempo para ir ao terreno ver o que se passa. Já depois de me ter deslocado ao terreno, emprestaram-me um exemplar do Jornal Serras de Ansião (edição de 15/06/2012), onde pude ler uma notícia associada a esta polémica.
Confrontando aquilo que vi no terreno com aquilo que foi escrito sobre o mesmo, concluí que estamos perante algo que realmente vale a pena debater.
Fiquei bastante curioso sobre o facto da Provedora da Misericórdia, Maria Luisa Ferreira, referir que é falso que os esgotos se infiltrem num algar ali próximo, quando no mesmo texto refere que os tanques de decantação estão ligados a sorvedouros subterrâneos naturais... Isto parece-me, no mínimo incoerente, já que isto é basicamente dizer nim.
Importa referir que não sei quem fez a denúncia, nem sequer o conteúdo da mesma, estando desta forma a fazer um apontamento estritamente pessoal sobre esta questão, baseado no que vi e no que avaliei no terreno.
Prosseguindo, ao chegar ao local em análise, vi 4 poços fechados (tanques de decantação) e seguidamente vi o novo acrescento à rede de esgotos, a qual não vai ter a qualquer lado (porque será?!). Passando os poços, tem-se 3 ou 4 tampas de esgoto, as quais mostram o sentido da rede de esgotos (SW), a qual termina sem que se observe qualquer poço de decantação. Basicamente o problema foi empurrado para mais adiante, onde ninguém vê a coisa abertamente. Irei começar a monitorizar esta situação, já que mal os sinais de poluição, à superfície, apareçam, eu estarei por aqui para denunciar. No que se refere à poluição subterrânea, também irei tentar acompanhar, embora, por vezes, seja mais difícil de monitorizar.
Irei tentar saber, ao certo, como está instituída a nova rede de drenagem dos esgotos, já que não me parece normal esta situação. Será curioso perceber o que está por debaixo daquelas tampas de esgoto...
Passando agora à componente mais técnica, gostaria de saber quais são as competências técnico científicas da Provedora Misericórdia do Alvorge no domínio ambiental, já que taxativamente afirma que não há problemas de poluição associada à rede de esgotos. Uma coisa é acharmos algo, outra coisa é sabermos minimamente algo...
Os factos são simples, goste-se ou não, a poluição associada a esta rede de drenagem de esgotos é um facto, resta saber o grau de severidade da mesma. Esta rede de esgotos está a drenar para um belo sumidouro, a Sul. De forma muito resumida, a rede de esgotos está a drenar para este sumidouro, o que significa que a poluição está a ser disseminada por uma área ainda por determinar. Daí decorre o facto de ser importante começar a monitorizar esta situação em particular, de forma a se compreender se o grau de gravidade da poluição associada.
Acho curioso o facto da Provedora da Misericórdia se manifestar preocupada com a poluição na área envolvente aos poços de decantação, mas já não manifestar a mesma preocupação pelo problema ter sido empurrado mais umas dezenas de metros para a frente. O perigo de salubridade é exactamente o mesmo, pois tudo drena para o mesmo local, ou seja aquele sumidouro que destaquei na imagem do googlearth.
Finalizando com uma palavra utilizada pela Provedora da Misericórdia, o ressabiamento não pode existir nesta questão em especial, já que trata-se apenas e só de preocupação com um problema real e indesmentível, o qual nos afecta a todos. Só não vê quem não quer...