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28.10.17

Pequenos contributos que podem fazer toda a diferença!

Não é propriamente o meu estilo publicar aqui recortes de imprensa, no entanto abro mais uma excepção, a qual se justifica plenamente tendo em conta a temática em causa. Parabéns ao Jornal Terras de Sicó por abordar um tema que, apesar de esquecido pelas entidades públicas, é da maior importância para a região. A ver vamos se mais alguma notícia sobre esta tema surge entretanto...

23.6.13

E o comércio tradicional?



Comércio tradicional, é isso mesmo. Penso que devem ser duas palavras muito caras, já que cada vez menos pessoas as utilizam, quiçá por estarem sujeitas a um imposto qualquer...
Indo então ao assunto que vos trago, desta vez venho abordar uma questão crucial para a região de Sicó, ou seja o comércio tradicional, o qual não existe apenas na época natalícia. Para isso focalizo o tema em algo que vale mesmo a pena, uma loja que é, no meu entender o melhor exemplo, no bom sentido, do que pode representar o comércio tradicional. É, para mim, uma referência, pois afinal esta loja é mais um dos elementos que faz parte das minhas memórias mais antigas e que se perpectua até hoje, felizmente. 
E sim, esta loja situa-se mesmo em Ansião, a escassos metros da igreja matriz. Para os que não conhecem este notável estabelecimento comercial, sugiro uma visita, pois, garanto-vos, que vale mesmo a pena. Quando lá entrarem e sentirem o ambiente vão perceber do que falo. Fico muito agradecido pelo facto de logo na primeira conversa me ter sido dada a necessária autorização para tirar estas fotografias no interior da loja, as quais servem para mostrar a todos que o comércio verdadeiramente tradicional ainda está vivo e recomenda-se. Uma pessoa entra ali, compra algo e ainda dá dois dedos de conversa, algo de fantástico, mas que se tem vindo a perder...
Esta é apenas a primeira ronda por um dos estabelecimentos comerciais notáveis do comércio tradicional desta não menos notável região.
Andava com esta ideia já há uns meses, mas apenas agora lá tive tempo e oportunidade para fazer o registo fotográfico. A minha intenção é alertar para algo de grave, ou seja o desaparecimento de muitos dos estabelecimentos notáveis do comércio tradicional, onde o antigo ainda resiste, onde o ambiente é único e onde cada estabelecimento comercial tem a sua alma. Não gosto de estabelecimentos comerciais clonados, iguais a um qualquer. Quando viajo, detesto ver lojas exactamente iguais, seja em Portugal ou fora deste. Gosto sim de lojas únicas, as quais têm vindo a desaparecer a uma velocidade assustadora. 
Ansião é um desses casos, onde já poucas lojas notáveis subsistem. No centro da Vila de Ansião, o comércio tradicional está completamente descaracterizado. O cenário há 15 (+-) anos era completamente diferente, pois havia vários estabelecimentos notáveis. Agora existem ali apenas dois ou três estabelecimentos comerciais que se enquadram no comércio tradicional, pois os outros, esses, apesar de importantes, são de um comércio de proximidade e não tradicional. Não gosto do que agora ali vejo, pois não se tentou preservar a alma que ali existia, não se fez um esforço por manter a identidade daquele local e do comércio tradicional.
A maioria de nós até tem pena, no entanto quantos são aqueles que pugnam pelo comércio tradicional e pelos produtos feitos em Portugal? Muitos dos que lamentam o fecho de lojas nesta região, têm um discurso nada consequente, pois logo que apareceram as lojas chinesas e outras mais, de grandes marcas estrangeiras, preferiram ir pelo lado mais fácil, comprando fora do comércio tradicional e roupa que não made in portugal. Depois admiram-se haver desemprego e do pessoal amigo não ter emprego. Não precisam ser fundamentalistas e não comprar nada de fora, mas pelo menos podem fazer como eu, comprar maioritariamente produtos produzidos em Portugal e a preços competitivos.
Obviamente que não posso desmentir que há problemas a debater no comércio tradicional, um deles tem a ver com o valor dos produtos quando sai da fábrica e quando chega à loja. Nesse curto processo há alguns intermediários que ficaram com boa parte do lucro, encarecendo assim o produto e dificultando a tarefa às lojas onde o produto chega. Mas isso são outras conversas, as quais podem e devem ser debatidas noutro âmbito. Para já, foco a atenção apenas nas lojas notáveis do nosso comércio tradicional.
Lojas como esta fazem parte da nossa identidade, porque não fazemos um esforço para a preservar, tal como fazemos com outros aspectos da nossa identidade? Esta perda de identidade leva a um gravíssimo desenraizamento das pessoas para com a sua terra. Perdem-se elementos patrimoniais relevantes, os quais deixam de poder ser passados às gerações que vêm a seguir. 
Se todos fizermos um pequeno esforço em prol desta causa, o resultado poderá ser de uma enorme importância e a vários níveis. Eu irei continuar a tentar dar contributos válidos para que as pessoas se sintam obrigadas a pensar em algo realmente importante, o nosso comércio tradicional. Eu não me conformo com o rumo das coisas, daí ter decidido dar destaque a um estabelecimento comercial de referência a nível regional.



15.3.12

O património e as questões fracturantes


Muitas vezes ouvi dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras, no entanto há imagens que para serem descritas necessitam de mais de mil palavras. Esta é a primeira vez que trago à discussão um tema que considero fracturante no domínio da questão patrimonial.
Alguns de vós saberão onde se situa este lugar, no entanto o importante da imagem é o significado de algo maior, que representa um verdadeiro problema no domínio não só patrimonial, bem como do próprio âmbito territorial.
A imagem que hoje vos trago é singela, já que há um evidente contraste na mesma. De um lado uma capela já com uma longa história, enquanto que do outro lado está um edifício habitacional recente.
Recorri a este exemplo por dois motivos, o primeiro tem a ver com o meu conhecimento do lugar, pois este foi um dos que fez parte da minha infância. O segundo tem a ver com o tal contraste evidenciado na mesma.
Aliada à já por si complexa questão, está o que eu denomino como choque patrimonial de gerações. São poucos os que sabem, mas neste exemplo, em concreto, está-se a lidar com um problema que já trouxe muita conflictualidade a nível local. A construção deste edifício habitacional trouxe à ribalta o tal choque entre gerações, já que de um lado está a população, maioritariamente idosa, de outro lado gente jovem. Os primeiros, e alguns mais jovens, não acharam muita graça aquele objecto estranho que surgiu ao lado da capela, os segundos fizeram aquilo que afinal tinham direito, construir a sua residência.
Não estou aqui para julgar nem uns nem outros, estou sim para apontar uma questão que raras vezes é tida em conta na temática do património e mesmo no âmbito territorial, nomeadamente PDM. Não raras vezes surgem atritos em situações como esta, mas esta é especial, já que mexe com valores e crenças ancestrais. Já raras são as vezes em que se tenta de alguma forma evitar o que afinal é um problema, onde se poderia reunir os jovens e os menos jovens para que situações como esta não acontecessem. 
Pessoalmente considero que se deveriam debater questões como esta, de modo a que quando surgisse a intenção de construir em áreas sensíveis, tal como é a envolvência de locais de culto (ou outros) como é aquele, as coisas corressem bem, de forma integrada e não desconexa
Pessoalmente considero que há ali um contraste fracturante, ou seja considero que há realmente um "objecto" estranho que perturba a paz do lugar. Para que não digam que eu sou parcial, eu nem sequer sou religioso, facto que logo à partida deitará por terra quem tentar puxar por este argumento. Podem apontar a parcialidade de eu falar de um local que conheço, mas afinal é esse meu conhecimento que me dá as mais valias para falar sobre o caso.
Considero apenas que em pequenos lugares como é este, há certas coisas que têm de ser salvaguardadas, como por exemplo a identidade do lugar. Quem, como eu, conhece aquele lugar, saberá do que estou a tentar falar.
Lembrem-se que no final de tudo está a nossa identidade, que urge preservar. É certo que as identidades constroem-se, mas essa construção deve ser feita de forma dinâmica, e não de forma fracturante, tal como é este o caso. Isso além de não ser saudável, só representa uma perda de identidade local.
Esta é uma questão que certamente não vai suscitar muito interesse, no entanto eu não me movo por número de visualizações, movo-me apenas e só pelo património. Para bom entendedor...

26.3.09

Quem protege as oliveiras milenares?


Uma das imagens de marca da região de Sicó e do próprio mediterrâneo (propriamente dito) é a bela da oliveira, os extensos olivais escondem por vezes espécimes com muitas centenas de anos, alguns já milenares. Infelizmente e mesmo sendo um recurso fantástico sob vários pontos de vista (económico por exemplo...) ainda há infelizmente quem de vez em quando quem corte alguns destes espécimes já com idade muito respeitável.

Penso que uma boa ideia seria as próprias câmaras municipais identificarem todas as oliveiras milenares (bem como outras já próximas dessa idade) tendo em vista a sua classificação a nível municipal, porque não classificar estes autênticos monumentos ao abrigo da lei de classificação dos imóveis de interesse municipal (ou leis que abarquem o património cultural), preservando-os desta forma?

Brevemente irei apresentar esta proposta a um dos municípios da região com vista à sua efectivação, felizmente ainda há alguns autarcas com bom senso e que me pedem algumas sugestões no domínio ambiental (ao contrário de Alvaiázere onde tudo o que possa ser uma ideia da minha parte é à partida negado).

Penso que este seria um bom tema para o dia da árvore, que já passou, infelizmente caímos todos os anos na mesma história, plantar árvores (o que apesar de tudo não é mau), então e afinal proteger as árvores que já existem, será que não merecem atenção?

Num dos próximos comentários irei dissertar sobre a florestação em grande escala que está a ser feita nas Serras do Casal Soeiro e da Portela, em Ansião. Para já ficam estas belas fotos de dois espécimes bem velhinhos e bonitos em dois concelhos distintos da região de Sicó.

Se calhar alguns já se interrogaram afinal para onde vão aquelas oliveiras que por vezes se vêm em cima de camiões ou ainda à espera de ser carregadas, como acontece no cruzamento do IC8 no Mogadouro/Ansião, pois bem, vão para jardins em países europeus, e não só, e são vendidas a peso de ouro (não pelos velhotes que as tinham mas sim pelos intermediários, pois os velhotes quase que dão as oliveiras.....). É o que se chama de venda ao desbarato do nosso património.