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18.1.18

Uma ponte simplesmente parva!




Fiquei a saber do facto através do Grupo Protecção Sicó, mas apenas agora tive tempo para me debruçar sobre a questão e fazer o trabalho de casa de forma a perceber, de facto, o que se passa e o que está em causa. Fui ao site da Câmara Municipal de Pombal e comecei a ver os ficheiros relativos às Grandes Opções do Plano 2018-2021. No ponto 2.3., na página 19, constava algo que me deixou indignado e perplexo. Há, de facto, ideia de construir uma ponte sobre o Vale dos Poios nos próximos 4 anos, já com 420 000 euros consignados nos orçamentos municipais de 2018, 2019 e 2020.
Mas antes de ir ao cerne da questão, porque constam, no GOP uns reles 3000 euros para a rede de aldeias do calcário (deveriam ser do carso, mas nem vou por aí)? Brevemente irei voltar a dissertar sobre as aldeias do carso...
Mas vamos então à questão da ideia da ponte suspensa para o Vale dos Poios, de quem terá sido esta ideia, peregrina, que eu considero absurda e parola? Sim, absurda porque não faz sentido algum. Parola porque irá degradar aquela área e não valorizar a mesma. Ideias de génese circense costumam ser assim parolas por natureza. O Vale dos Poios não é um circo meus caros!
Já não chegava o desastre que tem sido a gestão do dossier do CIMU, e agora aparece esta ideia peregrina. Santa paciência... Sobre o CIMU, parece que agora foi baptizado de Explora Sicó, mas brevemente irei voltar a falar do tema, agora que as obras estão a recomeçar.
Nos últimos anos viajei bastante para um destino onde a pedra calcária reina ainda mais do que em Sicó, a Eslovénia, de forma a conhecer e a aprender mais e melhor sobre formas de gestão do carso, sobre o ordenamento do território em meio cársico e muito mais. Não vi por lá parolices como a projectada ponte suspensa para o Vale dos Poios e não é por acaso...
Nunca vi o projecto da ponte suspensa, nunca vi o Estudo de Impacto Ambiental, Estudo de Incidências Ambientais ou mesmo discussão pública sobre o projecto. Alguém teve esta ideia parola, na base do acho que, e siga a festa, é a ideia que fica no ar. Ainda nem sequer vi um esboço de um plano de gestão do Vale dos Poios, de forma a acautelar a sua integridade e impedir a sua degradação por uma utilização sem regras. E a obrigatória classificação como local de interesse geológico?
Muito gostam estes executivos municipais de começar a casa pelo telhado, juntando ainda por cima características daquelas que os emigrantes juntaram às suas casas nas últimas décadas, um folclore abismal.
Já por uma vez disse e volto agora a repetir aqui, no azinheiragate, autarcas como Diogo Mateus têm de descer à terra, falar com quem sabe e visitar países como a Eslovénia, falando com quem é de lá e sabe, de forma a, de uma vez por todas, deixarem de pensar nestas ideias parolas e aprenderem as boas práticas associadas à gestão territorial em meio cársico. E se precisarem de contactos por lá digam, pois não tenho problemas em estabelecer pontes, daquelas que fazem sentido e fazem, de facto, falta!
A (i)lógica de muitos dos autarcas da região de Sicó no que concerne à dinamização territorial tem sido a de transformar este belo território num circo. Não queremos Sicó transformada num circo! Queremos sim um território devidamente valorizado, sem ideias parvas à mistura.
Já só falta meter uns bungalows nas paredes verticais do Canhão Fluviocársico para ser o circo total (não é uma ideia, só para que não fiquem confusos, é mesmo uma sátira).

14.3.17

É melhor estudar-se um fóssil do que ser-se um fóssil

Eventos como este têm pouca visibilidade, contudo isso não significa que não sejam importantes, muito pelo contrário. A região de Sicó é pródiga a vários níveis, sendo que a paleontologia é apenas uma das muitas riquezas que por aqui temos. Há que divulgar e valorizar a paleontologia, já que isso poderá ser muito importante, não só para a ciência, bem como para a economia da região. Sim, os dinossauros também por aqui andaram, seja em Pombal, Alvaiázere ou outros mais...
E não se enganem, já que a paleontologia é bem divertida e o que é preciso é um bom intérprete.




Agora, e para terminar, finalizo o trocadilho que iniciei com o título do comentário. Qual preferes, ser um fóssil ou estudar um fóssil? Bem me parecia...

4.12.16

Atenção que o desastre continua no Inverno...


Infelizmente não pude ajudar ao combate a este incêndio, o qual afectou, entre outros, as Degracias. Infelizmente é uma imagem recorrente na região, onde ano após ano determinadas áreas ficam como podem ver nas fotografias. Também recorrente é o que se vê na segunda fotografia, ou seja placas de caça ardidas rapidamente substituídas. Pena é que os caçadores se preocupem mais com a substituição das placas do que com a recuperação ambiental das áreas ardidas...


Este foi um grande incêndio, o qual calcorreou centenas de hectares do carso de Sicó. Este foi um incêndio que castigou fortemente uma área frágil e, diga-se, já fragilizada a vários níveis, condenando um modo de vida ancestral. Famílias que tinham o olival como sustento, viram tudo transformado em cinzas. As televisões, sedentas de chamas para encher os jornais das 13 ou das 20, faziam fila para filmar o desastre inicial. Contudo, agora que o desastre continua sem chamas, mas com erosão dos solos e dificuldades para toda uma população idosa, a coisa já não é interessante para explorar nos mesmos jornais. E de quem é a culpa? Nossa, pela inacção enquanto povo. Pouco ou nada se trabalha a montante, de forma a evitar grande parte deste cenário, e continua a seguir-se uma linha de despejar dinheiro na prevenção, a qual, diga-se, se resume a muito pouco. A prevenção activa que se fazia há coisa de uma década, é coisa do passado. As carrinhas então utilizadas na prevenção, fazem tudo menos prevenção. As motas, essas desapareceram do mapa.


Os últimos anos têm sido relativamente calmos para alguns dos municípios da região de Sicó, facto que trouxe consigo um relaxamento pouco desejável e, diga-se, contraproducente. No fim da linha estão os bombeiros, os quais são muitas vezes o bode expiatório para muita gente. A maior parte das vezes as críticas são injustas, facto que importa destacar. E poucos são os que têm conhecimento e moral para falar sobre esta temática.
Já agora, aproveitem para se fazer sócios da corporação de bombeiros do vosso concelho, pois é uma boa prenda que podem dar a vós próprios. Isso mesmo, vós próprios.


Nestes dias de frio, aproveitem para ir até estes locais fantasma, pois é a forma mais eficaz para reflectirem sobre este desastre e sobre as respectivas consequências. Lembrem-se que a vossa passividade e inacção contribuem para este cenário. E não, não é uma fatalidade, trata-se sim de um problema tremendamente complexo, com muitas variáveis, mas com solução, tendo a sua génese nas más políticas de ordenamento do território promovidas nas últimas décadas. As próximas décadas não serão melhores, contudo podemos e devemos reverter esta agonia crónica que nos condena e nos tortura a cada Verão que passa. Findado o Verão, tudo se esquece, pelo menos até ao próximo...


27.10.16

Quis saber quem sou, o que faço aqui, quem me abandonou?


Já lá vão uns meses desde que abordei pela última vez a questão das pedreiras na região de Sicó, pela mão da crónica "viagem ao centro da serra". Desta vez abordo a coisa de uma outra perspectiva...
Apesar de actualmente a legislação afecta à exploração de pedra ser outra, o certo é que essa mesma legislação de pouco serve para as muitas pedreiras que populam a região de Sicó, nomeadamente aquelas que não laboram e estão abandonadas. Os planos de recuperação ambiental são uma miragem para estas pedreiras e parece não haver luz ao fundo do túnel.


São demasiadas cicatrizes na extraordinária paisagem cultural da região de Sicó e, na prática, nada se tem feito para ajudar a uma boa e eficaz cicatrização. Falta a vontade, pois isto afinal não dá votos e o pessoal parece que se conforma com isto, comportamento natural num país com muito por evoluir. E nos últimos anos a genial solução foi mesmo a de... legalizar pedreiras ilegais, um mimo da governação autárquica.
Recentemente debrucei-me sobre esta questão em termos práticos, de forma a apresentar ideias para ajudar a reverter este enorme passivo ambiental. A ver vamos no que vai dar...


Idealizar a crónica "viagem ao centro da serra", e os seus vários episódios, foi algo de curioso (ainda não acabou...), pois fez-me ver as coisas de uma outra forma. Indo a todas estas pedreiras com um intuito específico transforma a nossa forma de pensar. E isto independentemente de pensarmos que sabemos muito, de já lá termos ido ou já termos visto outras pedreiras. Chegou também a outras regiões, onde o mesmo problema se coloca, algo que dá ainda mais ânimo a esta luta por uma paisagem cársica extraordinária.



10.9.16

No Outono, no Inverno, na Primavera e no Verão, é só escolher!


É muito raro ter eventos deste tipo na região de Sicó, daí ser ainda mais importante divulgar este evento, o qual recomendo vivamente. Um dos problemas da região de Sicó é o facto dos seus residentes desconhecerem parte importante do seu território, sendo a geologia e a geomorfologia apenas dois de vários aspectos que importa divulgar. 
Apenas uma nota de desacordo, ou seja o facto de que deveria ler-se "a geologia sedimentar da região de Penela" em vez de "a geologia sedimentar de Penela". Em termos pedagógicos seria o mais correcto. No que concerne à geologia, os limites administrativos não se aplicam, devendo as entidades públicas ter algum cuidado na linguagem do tipo capelinha. O marketing territorial deve ser devidamente pensado.
Os meus sinceros parabéns às entidades por detrás deste notável evento!