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14.11.18

Projecto Recicla Soure: quero saber mais sff


Até há poucos dias desconhecia o "Projecto Recicla Soure" e foi numa das minhas voltas por Soure que me deparei com dois destes locais que visam dar seguimento à "promoção da reciclagem multi-material e valorização orgânica de resíduos urbanos. 
Não vou embandeirar o projecto, até porque conheço bem a temática da reciclagem e do muito que está por fazer e mudar em Portugal e na região de Sicó. Ando um bocado desiludido com esta questão à conta de um livro que tenho escrito mas que ainda não consegui publicar. Este livro é o reflexo de 20 anos de activismo. Já tive dois nãos e estou agora à espera de resposta por parte de uma outra entidade. Quem eu mais pensava que poderia apoiar a edição de um livro inovador e único sobre a temática, foi quem mais me desiludiu, ou seja uma entidade de âmbito nacional. Esta entidade após contacto inicial mostrou algum interesse, mas 4 meses depois de enviada alguma informação para análise, e apenas 1 dias depois de ter enviado uma mensagem, de forma a solicitar informação sobre a análise, recebi uma resposta seca e pouco profissional, de que não estavam interessados. Já percebi que os interesses instalados não gostaram de ouvir umas verdades, algo que me motivou ainda mais.
Mas voltando a Soure, é bom ver surgir um projecto deste tipo, contudo há que esperar para ver os resultados, já que não sei como foi pensado este projecto. Não sei qual o sucesso que irá ter, ainda mais porque há interesses que se podem considerar de certa forma conflituosos e ambíguos.
Não tenho confiança num sistema em que uma empresa de resíduos, com forte influência autárquica, privilegia há demasiados anos a deposição em aterro de resíduos recicláveis. Não tenho confiança num sistema em que uma empresa de resíduos é muito lenta no desenvolvimento de soluções que foquem em primeiro lugar a reciclagem, focando em primeiro lugar a deposição em aterro, que é muito lucrativa, facto que atrasa o estabelecimento de uma estrutura focada na reciclagem de materiais, algo de muito lucrativo e benéfico para todos.
No domínio da reciclagem há muito por fazer, tal como na questão dos resíduos orgânicos, que representam uma percentagem importante dos resíduos que cada um de nós produz. Há poucos meses propus uma ideia para a Vila de Ansião, com vista a valorizar este tipo de resíduos em especial.
Logo que este projecto esteja mais avançado voltarei a falar do mesmo. Para já fica o convite à reflexão sobre a temática da reciclagem.



9.5.18

Explore Sicó no dia de São nunca à tarde, conheça o "TRYSICO"!

Foi no final de Janeiro que o Farpas Pombalinas promoveu um interessante debate sobre um dos temas que faz parte das lides do Azinheiragate, ou seja o antigo CIMU, "actual" Explore Sicó, supostamente a inaugurar no início de 2019. É uma novela que se desenrola há demasiados anos, com a benção dos nossos impostos. A ver vamos qual vai ser a soma final...
Mas deixemo-nos de conversa gasta e vamos ao que interessa. A temática dos centros de interpretação é-me muito querida. Sempre que viajo costumo visitar este tipo de infra-estruturas, daí ter aprendido bastante nos últimos anos. Foi também há alguns anos que um, então, estudante de arquitectura entrou em contacto comigo, através do Azinheiragate, de forma a trocarmos impressões sobre a temática que nos une, Sicó. Foi assim que conheci mais um amigo de Sicó, que fiz mais um amigo e que pude partilhar parte do meu conhecimento sobre esta região. Aprendi também com o, agora, arquitecto Pedro Mota, na medida em que fiquei a conhecer uma nova perspectiva que me enriqueceu mais um bocado. E começámos a esboçar ideias, algumas das quais pode ser que ainda este ano vejam luz...
Tudo isto porque o arquitecto em causa estava nessa altura a desenvolver um trabalho de mestrado bastante interessante, precisamente na linha dos centros de interpretação/turísticos. Foi um projecto que tive o privilégio de acompanhar e que mostra um caminho, o tal caminho que o Explore Sicó não explorou devidamente. A forma como este projecto foi idealizado é um bom exemplo do que poderia ter sido feito no caso do Explore Sicó (ou outro nome que possa vir a ter...). 
Vejo muitas falhas graves em projectos como o Explore Sicó, porquê? Falta de competência, horizontes curtos, etc, etc, etc. O debate do Farpas Pombalinas sobre o Explore Sicó foi muito bom, já que permitiu-me saber mais falhas do que aquelas que já conhecia.
Decidi abordar o projecto "TRY.SICO" porque retrata algo de importante, seja em termos conceptuais, seja em termos de mentalidade. É isto que tem faltado na região de Sicó, mentalidade e atitude q.b.
Os meus agradecimentos ao arquitecto Pedro Mota, por ter disponibilizado estes conteúdos. Aos tecnocratas e políticos de algibeira, aprendam alguma coisa com este projecto, é esta a minha sugestão.











28.5.17

Recuperar o controlo dos baldios



As transformações económicas, sociais, culturais e outras mais relegaram o espírito comunitário para segundo plano durante demasiado tempo. No que concerne aos baldios, trata-se de um exemplo perfeito que ilustra isso mesmo. Durante anos a fio poucos foram os que fizeram questão em trabalhar o sentido comunitário que os baldios representam. As comunidades locais actuais da região de Sicó sofreram transformações significativas nas últimas décadas, daí o consequente desinteresse pelos baldios. Uma comunidade mais virada para os sectores secundário e terciário é, regra geral, uma comunidade afastada dos valores da terra, tal como ocorre na região de Sicó.
Mas houve algo que mexeu com a temática dos baldios. Desde que surgiram os parques eólicos, novos problemas surgiram e não é para menos, já que basicamente se começou a ganhar dinheiro fazendo nada. Isso fez com que houvesse disputas territoriais à conta dos parques eólicos.
Pessoalmente, e se dependesse de mim, não haveria um único parque eólico na região de Sicó, dado o seu valor paisagístico. Teria recusado a construção de parques eólicos nesta região, já que há outras formas de ganhar dinheiro e sem degradar algo de muito valioso para a região de Sicó, ou seja a sua paisagem. As pessoas foram na conversa do "bandido", acreditando que a luz ia ficar mais barata. Além de não ter ficado mais barata, ainda pagam parte dos parques eólicos, através de factura que mensalmente surge na caixa de correio. E não, não sou contra os parques eólicos. Quando eu já falava deles, na década de 90, muitos chamavam-me "maluquinho" por falar em ideias tão revolucionárias em Portugal. Sou a favor da energia eólica, mas não a qualquer custo, é claro e conciso.
Daqui a 10/15 anos alguns dos actuais parques eólicos serão mera arqueologia indústrial. Na próxima década a microgeração será parte importante do mix energético. A energia solar terá uma palavra muito importante e as baterias de lítio serão coisa do "passado". E esta realidade não é do futuro, pois já existe.
Mas voltando à terra, há umas semanas deparei-me com o cartaz que consta na fotografia. Gostei de ver a mensagem ali presente. Tenho gostado também de ver o activismo em prol dos baldios e contra as crateras lunares na serra de Sicó. Vamos recuperar os baldios e retirá-los da mão de quem não os sabe gerir? É que há juntas de freguesia e autarquias que além de não os saberem explorar de forma sustentada, apenas os sabem degradar e/ou destruir. Para estas é mais fácil entregar um baldio à exploração de uma pedreira do que saber gerir um baldio de forma sustentada. Esse é um dos grandes problemas que se observa na região de Sicó. Vamos valorizar o nosso território?!

4.12.16

Atenção que o desastre continua no Inverno...


Infelizmente não pude ajudar ao combate a este incêndio, o qual afectou, entre outros, as Degracias. Infelizmente é uma imagem recorrente na região, onde ano após ano determinadas áreas ficam como podem ver nas fotografias. Também recorrente é o que se vê na segunda fotografia, ou seja placas de caça ardidas rapidamente substituídas. Pena é que os caçadores se preocupem mais com a substituição das placas do que com a recuperação ambiental das áreas ardidas...


Este foi um grande incêndio, o qual calcorreou centenas de hectares do carso de Sicó. Este foi um incêndio que castigou fortemente uma área frágil e, diga-se, já fragilizada a vários níveis, condenando um modo de vida ancestral. Famílias que tinham o olival como sustento, viram tudo transformado em cinzas. As televisões, sedentas de chamas para encher os jornais das 13 ou das 20, faziam fila para filmar o desastre inicial. Contudo, agora que o desastre continua sem chamas, mas com erosão dos solos e dificuldades para toda uma população idosa, a coisa já não é interessante para explorar nos mesmos jornais. E de quem é a culpa? Nossa, pela inacção enquanto povo. Pouco ou nada se trabalha a montante, de forma a evitar grande parte deste cenário, e continua a seguir-se uma linha de despejar dinheiro na prevenção, a qual, diga-se, se resume a muito pouco. A prevenção activa que se fazia há coisa de uma década, é coisa do passado. As carrinhas então utilizadas na prevenção, fazem tudo menos prevenção. As motas, essas desapareceram do mapa.


Os últimos anos têm sido relativamente calmos para alguns dos municípios da região de Sicó, facto que trouxe consigo um relaxamento pouco desejável e, diga-se, contraproducente. No fim da linha estão os bombeiros, os quais são muitas vezes o bode expiatório para muita gente. A maior parte das vezes as críticas são injustas, facto que importa destacar. E poucos são os que têm conhecimento e moral para falar sobre esta temática.
Já agora, aproveitem para se fazer sócios da corporação de bombeiros do vosso concelho, pois é uma boa prenda que podem dar a vós próprios. Isso mesmo, vós próprios.


Nestes dias de frio, aproveitem para ir até estes locais fantasma, pois é a forma mais eficaz para reflectirem sobre este desastre e sobre as respectivas consequências. Lembrem-se que a vossa passividade e inacção contribuem para este cenário. E não, não é uma fatalidade, trata-se sim de um problema tremendamente complexo, com muitas variáveis, mas com solução, tendo a sua génese nas más políticas de ordenamento do território promovidas nas últimas décadas. As próximas décadas não serão melhores, contudo podemos e devemos reverter esta agonia crónica que nos condena e nos tortura a cada Verão que passa. Findado o Verão, tudo se esquece, pelo menos até ao próximo...


23.7.16

A caça fotográfica que dá bailinho aos pokémons...


Dos milhares de fotografias que tenho sobre a região de Sicó, há algumas que ficam na memória. Sicó é um território extraordinário, onde, por vezes, os extremos se encontram. É neste encontro que muitas vezes consigo fazer registos fotográficos que merecem ficar para a posterioridade. Diria até que, destes, há alguns registos que são uma delícia para, entre outros, geógrafos, pois são elementos fundamentais para "vestir" as suas pesquisas, neste caso relacionadas com a geografia humana.
Nunca me considerei fotógrafo, considero-me como alguém que gosta bastante de fotografia e que não tem muita paciência para ajustes nas máquinas fotográficas. Para mim, e na maior parte das vezes, importa sim fazer um registo fotográfico que preserve momentos ou cenários que um dia serão parte da história.
Esta imagem é uma delas. O local posso apenas dizer que se situa num lugar de Soure, obviamente na abrangência do Maciço de Sicó, alvo fundamental deste blogue. Passando por ali, deparamo-nos com este cenário bem caricato. É um cenário de contrastes e que merece aqui destaque. Só faltava ali um ou dois velhotes para ser uma fotografia digna de um livro ou artigo científico.
É uma fotografia excelente para pensar, entre outros, o que queremos da região de Sicó. Importa parar e pensar de onde vimos, onde estamos e o que queremos fazer deste belo e extraordinário território.
Agora desafio-vos a, em vez de andarem à caça de gambuzinos/pokémons, partirem à caça fotográfica deste belo território, mesmo que apenas com o vosso telemóvel. O património é real e um legado, ao contrário de coisas supérfluas que simplesmente duplicam o valor em bolsa das empresas que estão por detrás delas...

21.11.14

E que tal fazer da região de Sicó uma zona livre de organismos geneticamente modificados?!

É um tema que tenho feito questão de acompanhar já há largos anos, concretamente desde que me iniciei nas lides ambientais. Falar de Organismos Geneticamente Modificados não é fácil, no entanto é fácil falar sobre os interesses económicos que se servem da desculpa "alimentar o mundo" para impor um modelo de negócio que é totalmente contra os princípios mais elementares da soberania alimentar. É também um modelo de negócio que atenta contra a biodiversidade do planeta, a qual é a garantia do nosso futuro. Empresas gigantescas como o são a Monsanto, Bayer, Syngenta, Dow e afins baseiam-se em boa parte na nossa dependência de sementes, as quais estas tentam a todo o custo registar em termos de patentes. É uma indústria que movimenta milhares de milhões e que desvirtua muita gente, com ou sem princípios.
Há poucos dias dei-me ao trabalho de analisar esta questão, no que concerne ao milho, descobrindo eu que, já este ano, o milho geneticamente modificado foi semeado em Soure, portanto bem pertinho de todos nós. Tenho a certeza se o minifúndio fosse residual na região de Sicó os OGM´s já teriam tido algum sucesso e perturbado tudo o resto, mas felizmente que o minifúndio ainda manda por estes lados, servindo de barreira contra invasores.
Será interessante perceber, no curto prazo, se as abelhas vão começar a desaparecer "misteriosamente" nas áreas em redor deste campo de milho geneticamente modificado, pois é isso que tem acontecido noutros lados...

Cultivo de milho geneticamente modificado (2014) na abrangência da região de Sicó


Fonte: Direcção Geral de Alimentação e Veterinária

Indo então ao cerne da questão, o meu desafio é simples, o de tornar a região de Sicó uma zona livre de Organismos Geneticamente Modificados. Não se deixem iludir, pois estes não são a autodenominada salvação para milhões de pobrezinhos, já na década de 60, do século passado, as grandes multinacionais vieram com essa conversa durante a denominada "revolução verde", a qual foi guiada por uma série de empresas "químicas" e por um químico que trouxe a desgraça, o conhecido DDT.
Fiquem com alguns (entre muitos mais...) sites onde podem aprender e partilhar informação sobre o que é realmente importante:





Uma sociedade bem informada é uma sociedade com futuro!

13.12.13

A chave do Imposto Municipal sobre Imóveis - IMI


Nas últimas semanas têm saído várias notícias acerca da descida do IMI que incide sobre o edificado nas zonas históricas dos vários concelhos da região de Sicó. O objectivo é simples, o de "piscar o olho" a quem tem edifícios antigos, de forma a que eles acabem por ser recuperados. Será a descida do IMI a chave para o futuro?
É uma iniciativa louvável, no entanto, pergunto eu, porque é que não fizeram isto mesmo à coisa de 15 ou 20 anos, aquando dos PDM´s de primeira geração?
A resposta é simples, é que foi muito mais fácil e apelativo promover novas construções, disseminadas um pouco por todo o lado. A prioridade era apenas uma, construir de raiz. Eram tempos de vacas gordas e nessa altura não era sequer prioridade baixar o IMI sobre os edifícios devolutos das zonas históricas. O resultado foi o que está à vista em vilas como a de Ansião, Alvaiázere ou na cidade de Pombal, entre outros.
Importa referir que parte significativa das receitas que entraram nos cofres das respectivas autarquias, provêm do IMI, daí que as autarquias não estivessem propriamente interessadas em baixar o IMI. Agora que o tempo é de vacas esqueléticas é que surge uma iniciativa que apesar de louvável, peca por demasiado tardia e desesperada, pois isso deveria ter sido feito à muito, mas muito tempo, com tudo o que isso poderia ter significado em termos de desenvolvimento territorial.
Promoveu-se a especulação imobiliária, através da reclassificação de solos, feita nos PDM´s, o que resultou em enormes lucros para as empresas de construção civil, algumas delas abertamente apoiantes dos autarcas no poder (já que participam recorrentemente com camiões da empresa nos respectivas caravanas em tempo de campanha...). 
Extensas áreas de terrenos com aptidão agrícola, foram reconvertidos, em sede de PDM (na década de 90) em áreas urbanizáveis, o que além de grave, é muito preocupante do ponto de vista do desenvolvimento territorial. 
Vejo com alguma relutância esta medida, não porque seja má (é boa), mas sim pelo facto de ser tardia e, daí, os efeitos esperados me parecerem escassos no curto e médio prazo. Deveriam ter sido tomadas medidas há mais tempo e não apenas a descida do IMI. Deveriam ter sido esboçadas estratégias nos primeiros PDM´s para que não se chegasse a este ponto. Mesmo nos PDM´s de segunda geração, em preparação, continua ausente uma estratégia séria e descomprometida com o sector da construção civil. Não se pensa uma estratégia a médio e longo prazo, vai-se sempre pelo mais fácil, o curto prazo, o que acaba por ter consequências muito negativas e, aliás, à vista de todos.
Bons profissionais, de áreas como a minha, sempre alertaram que era fundamental apostar na reabilitação do edificado, fosse ou não das zonas históricas, mas ninguém da política quis saber. Havia que alegrar o sector da construção civil, o qual dependia exclusivamente da construção de raiz. Este sector nunca quis verdadeiramente saber da reabilitação, e nos últimos anos pagou bem caro essa desatenção. Agora este mesmo sector diz que a reabilitação é o futuro, imagine-se terem descoberto a pólvora...

30.4.13

Geoparque/Parque Natural Serra de Sicó: utupias em debate


Foi neste último fim-de-semana que se realizou a tertúlia a que a brochura acima de refere. Tendo em conta acontecimentos recentes, decidi que o melhor era mesmo dissociar-me deste evento.
Confesso que fiquei algo perplexo há 2 semanas atrás, já que apenas nessa altura soube da realização desta tertúlia, através de terceiros. Isto é estranho, já que em Junho de 2012 uma pessoa da organização falou comigo, dizendo que me iria convidar posteriormente, algo que nunca aconteceu. Note-se que, na altura, dei aconselhamento sobre algumas questões pertinentes, dado o meu conhecimento sobre a temática dos geoparques e dado o facto de desde há coisa de 7 anos eu andar a falar de um "Geoparque Sicó". Desde então muita coisa mudou...
Indo então ao meu comentário sobre esta questão, noto logo à partida 3 factos, um é que está-se a partidarizar algo que nunca o deveria ser. É certo que estas ideias precisam de apoio político, mas uma coisa é ter apoio político outra é partidarizar a coisa, facto que desvirtua logo à partida o debate. O segundo facto é que dos autarcas convidados, segundo a brochura, faltam alguns que são imprescindíveis para a discussão, caso de Penela, Ferreira do Zêzere, Ourém e Tomar. Já o terceiro facto, quiçá o mais importante, é que falhou algo de crucial, já que nos "preliminares" da coisa, e no que concerne estritamente à questão do Geoparque, faltam os especialistas. É certo que esteve um representante do Geoparque Arouca, tal como eu sugeri em 2012, no entanto faltam os geólogos e geógrafos que se dedicam à temática geoparques. Efectivamente falta ali pelo menos um especialista em geoparques.
Como curiosidade, veja-se que na brochura respectiva, parcialmente reproduzida na primeira imagem, não consta nenhuma imagem relativa à geodiversidade de Sicó. Noto também a ausência de termos fundamentais na questão "geoparque", caso de geossítio ou mesmo geodiversidade, algo de incompreensível num debate deste género.
Face aos enquadramentos da tertúlia:


Noto alguma incoerência nos objectivos da tertúlia, já que parece que se esquece que já existem "políticas comuns supramunicipais" no território Sicó. O problema aqui centra-se fundamentalmente nas políticas de capelinha, pois se não há capacidade para os autarcas pensarem o território enquanto um todo, como podem ter eles capacidade para fazer nascer algo de novo? Se tendo já políticas comuns supramunicipais, com as quais não se entendem, como querem algo de novo?
O reconhecimento nacional já existe, no meu entender não está é devidamente potenciado, culpa não só das respectivas autarquias, bem como a Associação de Desenvolvimento Local, a Terras de Sicó.
O aumento do número de turistas e visitantes só é desejável quando existir uma estrutura comum e interligada, a qual permita que haja um usufruto sustentável do património natural e cultural aqui existente. Antes disso não, há que construir a casa pela base e não pelo telhado...
Quanto ao ordenamento do território, este é um termo que os autarcas locais muito gostam de falar, contudo sem saberem factualmente o que ele é. Apesar dos autarcas locais dizerem que o ordenamento do território é importante, as suas políticas não são consequentes com as suas próprias palavras, muitas vezes muito faladas em campanha eleitoral (e este é ano de eleições...).
O mesmo se passa face à protecção ambiental e biodiversidade, pois, para estes, a protecção ambiental é quase sempre um entrave às suas políticas do betão. A Rede Natura 2000 é o exemplo perfeito do que atrás referi. O que têm feito os autarcas locais pela Rede Natura 2000? Isto além de dizerem que é um entrave e dizerem algumas palavras vãs, de ocasião, nas brochuras municipais...
E porque não se classifica a nível municipal muito do património existente por estes lados? Será que não sabem dessa possibilidade?
Lembro um dos casos mais emblemáticos desta incoerência, ou seja o polémico (ex)projecto de um hotel para a Serra de Alvaiázere, em plena Rede Natura 2000 e em Reserva Ecológica Nacional. Será que para potenciar tem de se degradar?


Outro ponto que considero algo caricato é aquele relacionado com o potencial e as mais-valias do território Sicó, já que potencial e mais-valias são coisas que se debatem há anos e anos, sem que, no concreto, surjam medidas para os concretizar. Tenta-se inventar a roda quando ela já existe há muito tempo. As responsáveis pela inexistência destas medidas são precisamente as capelinhas implantadas em cada freguesia, em cada concelho e em cada cabeça de cada um dos autarcas locais.
A concordância só surge quando é para receber fundos comunitários para a região. Após isso tudo se esbate e lá voltamos às capelinhas. Muitos sabem disto mesmo, mas poucos têm a coragem de o dizer publicamente.
Noto também que há uma confusão face ao que é um parque natural e face a um geoparque, já que o primeiro implica uma classificação legal, prevista na legislação, e o segundo não. São figuras muito diferenciadas, algo que parece que não é percebido.
Outro ponto fundamental e que me parece que não tenha sido debatido, é o facto de que fala-se muito em turismo e visitantes, mas não se fale tanto nas actividades dos locais, as quais têm mantido e transformado esta bela paisagem de Sicó. Não se pretende que esta região seja o cenário de um "circo", onde vêm visitantes ver os "palhaços parolos". O foco deve estar em primeiro lugar nos que aqui estão e não dos que aqui vêm. Só depois de pensarmos nos que aqui estão é que poderemos pensar nos que aqui vêm. A lógica invertida não é aqui desejável.
Esta tertúlia mostra, no meu entender, uma nocivo parasitismo sobre questões que deviam manter desparasitadas. Apesar da JSD ter mérito em debater esta questão, algo que aplaudo, noto que este debate está à partida enviesado. A JSD deveria sim ter reunido primeiro lugar os especialistas em geoparques e os vários investigadores que se têm dedicado à "geo-investigação" na região de Sicó. Só depois destes se reunirem e chegarem à conclusão que há potencial para a criação de um geoparque, é que poderiam ser chamados os políticos e tecnocratas, de forma a dar o seu apoio. É assim que se processa e não como se processou nesta tertúlia. Estiveram apenas alguns investigadores presentes e uma outra pessoa ligada a um geoparque, portanto faltaram os especialistas em geoparques. Sugeri isso mesmo em Junho de 2012, no entanto os meus conselhos foram, em boa medida, ignorados...
Para finalizar, deixo a minha opinião sobre o futuro ou utupia das questões debatidas. Não sou apologista de um parque natural para a região de Sicó, os motivos, esses poderei explicar num futuro próximo. Quanto ao geoparque, apesar de nos primeiros anos ter defendido e promovido a criação de um, desde 2008/09 que considero que este não será possível. Um dos pressupostos fundamentais para a criação de um geoparque é a existência de geossítios de valor internacional, não um ou dois, mas vários. Isso não acontece em Sicó, os "geossítios de Sicó" são fundamentalmente de valor regional e, alguns de valor nacional, tal como foi confirmado numa publicação recente. Não existe a âncora necessária para um geoparque. Obviamente que tenho pena, mas a verdade é essa.
Então o que defendo para Sicó? É simples, inove-se e crie-se uma figura inspirada nos geoparques. Criem uma figura nova e façam surgir algo de realmente novo e factualmente exequível. Com muitos dos geossítios ali existentes, estes base de uma nova figura, e com todo o valioso património natural e cultural existente em Sicó, poderemos sim criar algo que não passe de uma utupia, mesmo que bem intencionada. Lembrem-se que já temos uma Rede Natura 2000, a qual poderia além de ser devidamente promovida, ser integrada na tal nova figura a criar...

20.4.13

Viagem ao centro da Serra: à descoberta do Soureossáurios

São muitos os que nunca ali passaram, pois afinal é uma estrada que foge ao percurso tipo que muitos fazem pela região de Sicó. Já aqueles que não são daqui, a maioria deles nem imagina aquilo que eu denomino como Soureossáurios, um espécime que não sendo novo no carso de Sicó, é sempre impressionante de se ver, pela negativa, claro.
Eis 4 panorâmicas sobre o bicho Soureossáurios:





Ninguém pode dizer que fica indiferente quando passa pela EN 348, em Soure, pois não há como fugir do bicho. Aquela estrada já por mais que uma vez viu o seu traçado alterado, pois havia que desviar a estrada para que o bicho se pudesse alimentar do carso moribundo e pouco protegido.
Este é apenas mais um episódio da "Viagem ao Centro da Serra", que tem o intuito principal de consciencializar os cidadãos para um problema gravíssimo, o qual não é mais do que um cancro que se alimenta do belo carso da região de Sicó.
Com estas fotografias panorâmicas tento mostrar a todos, episódio a  episódio, a verdade nua e crua, fazendo jus aquela expressão "uma imagem vale mais do que mil palavras", sendo que neste caso são 4 imagens.
Espero que todos se sintam obrigados a reflectir sobre esta importante questão, que afecta património natural, património cultural e que afecta a vida de mais pessoas do que aquelas que favorece. São muitas as comunidades afectadas pela acção destes monstros, os quais se regem apenas pelo interesse de privados e do puro lucro imediato.
Precisamos de tantas pedreiras? Não, não precisamos de tantas! Além disso precisamos de ordenamento do território, pois o que deve mover um território é o interesse comum e não de privados, os quais findada a exploração destes locais, deixam um passivo absolutamente inaceitável, o qual nunca será recuperado. Lembrem-se deste último ponto, pois é nesta fase que vos pergunto, é isto que querem deixar aos vossos filhos, netos e bisnetos?