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26.10.14

Viagem ao Centro da Serra: falar sobre pedreiras incomoda muito...


Volto então à crónica "Viagem ao Centro da Serra", iniciativa que tem como intuito fundamental a discussão de um dos temas literalmente fracturantes desta região, ou seja a extracção de pedra calcária. Novamente, e para balizar o tema, eu não sou contra a extracção de pedra, sou sim contra a falta de ordenamento neste domínio. 
As negociatas em redor da extracção de pedra são, por vezes, muito curiosas, onde uma empresa costuma pagar o que eu considero uma reles renda em troca da destruição de um bem maior, muitas vezes em terrenos baldios, que em vez de serem geridos pelas comunidades, são geridos pelas autarquias respectivas. 
Desta vez trago-vos uma pedreira situada em Alvaiázere, para todos os efeitos a laborar há vários anos em plena violação do actual Plano Director Municipal (uma entre várias...), pois já há alguns anos que esta ultrapassou a área legalmente prevista para a extracção de pedra (facto!). O imbróglio jurídico decorre ainda. Este buraco situa-se no domínio dos baldios, sendo que a empresa paga uma renda de alguns milhares de euros à Câmara Municipal de Alvaiázere. É uma das pedreiras que mais polémica tem trazido à região.
Deixo-vos com estas imagens, esperando que as mesmas vos ajudem a reflectir sobre um tema que realmente a todos importa. O pior que podemos fazer é alhearmo-nos desta questão, assobiar para o lado e continuar a ouvir opiniões baseadas em estereótipos, disseminados muitas vezes por gente comprometida com os interesses económicos que abrem estas crateras numa região onde a paisagem cultural é ainda uma marca de grande valor.








13.4.14

Viagem ao centro da serra: em Abril, pedreiras mil





E cá estou de volta para mais uma viagem ao centro da Serra, desta vez a viagem é até Penela, onde o Monte de Vez quase parece desaparecer de vez.
Trocadilhos à parte, esta pedreira faz parte do conjunto das pedreiras do Maciço de Sicó que eu denomino por "monstras", dada a sua dimensão. Esta é daquelas que não passa despercebida quando tentamos usufruir da paisagem de Sicó e que perturba gravemente o usufruto da mesma.
É impossível alguém vir à região de Sicó e não reparar naquela enorme mancha sobranceira ao Monte de Vez. Mais difícil é ir até às proximidades da besta e observar in loco a mesma, daí este meu esforço em vos levar a besta o mais próximo possível.
Ir até ao pé das bestas tem um intuito, o ser confrontado com a besta no seu estado puro, pois só desta forma podemos ganhar uma verdadeira consciência sobre a problemática das pedreiras. Já fui a todas as pedreiras da região de Sicó, no entanto continuo a ficar chocado com o que vejo. Nesta, em especial, fui confrontado (mais uma vez...) com algo que não esperava e que prontamente indaguei sobre os factos. Para já não posso dizer o que é, mas logo que possa, irei retratar a situação no concreto, pois justifica um comentário específico.
Ando a ponderar fazer algo mais concreto sobre a temática das pedreiras na região de Sicó e o seu impacto. Isto passa pelo debate puro e duro, sem tabus, sem estereótipos e sem receios. Um debate aberto é urgente. Cidadãos, Câmaras Municipais, empresas, todos devem estar presentes no debate, muito embora eu saiba à partida os receios que há no que concerne às empresas que laboram no Maciço de Sicó. A ver vamos o que vai surgir desta minha ideia, a qual já comecei a explorar.

5.3.14

Viagem ao centro da Serra: petróleo de Pombal uma ova!




Regresso então a um dos temas mais fracturantes da região de Sicó, com mais um episódio das viagens ao centro da serra. Voltei igualmente à Serra de Sicó, pois esta era a última pedreira que aqui faltava fotografar em todo o seu horror. O pleno está quase, faltando apenas três das grandes pedreiras em laboração no Maciço de Sicó, além de outras, mais pequenas, já encerradas.
Apesar de não ter previsto falar agora desta pedreira, pois afinal tinha outra programada (que fica para daqui a breves semanas), acabei por tomar a decisão de abordar a mesma tendo em conta um comentário que li há alguns dias, num blog da região que acompanho regularmente, concretamente em questões de âmbito territorial. O comentário em causa, sobre as pedreiras, dizia assim:

"Este é o petróleo de Pombal, por muito que custe a todos temos de saber conviver com isso".

Confesso que fiquei perplexo, dado não só o facto do respectivo comentário ter sido efectuado de uma forma completamente leviana, bem como, e acima de tudo, por este não estar devidamente alicerçado em factos concretos ou justificações, tendo sido uma daquelas afirmações tipo enche chouriços.
Indo então aos factos, gostaria de sublinhar que não temos todos de saber conviver com isso, pois se há quem feche os olhos e assobie para o lado, eu não sou um desses. Depois de tanto tantos anos, onde o enredo foi densificando, como pode alguém afirmar levianamente que temos de conviver com isso? Se fosse um qualquer dono de pedreira ou um assalariado da mesma, até poderia compreender tal afirmação, embora não concordasse com a mesma, mas assim não.
Indo então à questão do petróleo, gostaria então de saber onde estão as imensas divisas que este "petróleo" já possibilitou a toda uma região, já que havendo "petróleo" eu não vejo riqueza alguma. Curioso é o facto de ainda há poucos meses atrás uma destas empresas, com os cofres, supostamente cheios de tanto "petróleo", renegociou a renda associada à exploração da pedra, com a Câmara Municipal de Pombal, por evidentes dificuldades económicas. Então há "petróleo" mas não há dinheiro, em que ficamos? E a sustentabilidade onde anda?
Utilizar o termo "petróleo" para ilustrar uma mera opinião no âmbito das pedreiras é, no mínimo, anedótico, carecendo de uma chamada de atenção para o erro/abuso linguístico. Sugiro que quem fez tal comentário olhe bem para estas 4 fotografias (panorâmicas) e pense bem no que diz, que pense que ali não há petróleo, há sim um crime ambiental que destrói uma das maiores riquezas do concelho de Pombal, a serra de Sicó. A exploração da pedra é uma actividade predatória, neste caso com a agravante de o ser numa área dita protegida e de imenso valor patrimonial.
Se há tantas formas de explorar um território, sem que para isso seja necessário destruir todos os valores ali existentes, será que é inteligente centrar a questão económica na exploração da pedra?
Se as pedreiras não são precisas? Sim, são, mas não tantas e não em locais de reconhecido valor patrimonial como o é Sicó. Exige-se ordenamento do território, puro e duro! O que se vê nas fotos é de uma gravidade que está para além da compreensão da maior parte das pessoas. É natural que assim o seja, mas eu aqui estou para, entre outros, ajudar à compreensão do problema, daí ter criado a série "Viagem ao centro da Serra", a qual traz literalmente a serra às pessoas através de um clique. As horas que invisto a ir para o campo, onde faço registos fotográficos extensos, e que depois resumo em panorâmicas como estas 4, valem cada minuto, pois só assim muitas pessoas vêm realmente o que está em jogo e o que representa uma pedreira. Mesmo eu, continuo a ficar tremendamente impressionado com estes cenários. Em todas as pedreiras faço questão de me sentar uns minutos e sentir aquilo com o qual estou confrontado e posso dizer sem a mínima dúvida que fico sempre abismado com estes monstros que consomem a maior riqueza da região, a qual é uma das mais valiosas paisagens culturais de Portugal. Esta região não tem de estar refém do sector da construção, o necessário crescimento e desenvolvimento não pode ser a qualquer custo.
A pedreira que destaco nas 4 panorâmicas irá infelizmente crescer ainda mais, esperando eu que o novo executivo tenha a coragem de dizer simplesmente:
- Chega!





10.11.13

Viagem ao centro da serra: condeixamegalossauro



Muitos de nós até costumam passar mesmo ao lado deste monstro, ao chegar ou passar por Condeixa, no entanto raros são os que param para reflectir sobre este predador de paisagens.
Confesso que esta ideia de criar as viagens ao centro da serra me tem surpreendido, não pela ideia em si, mas pelo impacto brutal que cada vez mais me venho a aperceber que estas pedreiras têm na região de Sicó. Enquanto cidadão e enquanto geógrafo já tinha uma ideia base, mas nada nos pode preparar para uma experiência como esta tem sido. Ir ao encontro de cada um destes monstros e palmilhar a envolvência destes é algo de avassalador, isso vos posso garantir.
Este é o 4º episódio da "Viagem ao centro da serra", o qual dá continuidade à minha expressa vontade de vos sensibilizar perante um problema tão grave como este o é. Se são precisas pedreiras? São, mas não tantas. Ordenamento exige-se, chega de especulação de um bem comum!
Importa que todos pensem porque é que não se investe na reutilização de materiais da construção, tal como se faz noutros países, que tanto gabamos quando nos convém. Importa que todos pensem porque é que naqueles países que tanto gabamos, se paga um imposto directo, por tonelada de pedra extraída (entre 1,5 a 2 euros), enquanto no nosso pobre país não se paga nada e nem se recebe uma renda condigna, já que muitas destas pedreiras estão em baldios. Contrapartidas, o que é isso?
Não me vou alongar muito nas palavras, já que como alguém disse, uma imagem vale mais do que mil palavras. Digo apenas, e para finalizar, que duas imagens valem mais do que duas mil palavras...

20.4.13

Viagem ao centro da Serra: à descoberta do Soureossáurios

São muitos os que nunca ali passaram, pois afinal é uma estrada que foge ao percurso tipo que muitos fazem pela região de Sicó. Já aqueles que não são daqui, a maioria deles nem imagina aquilo que eu denomino como Soureossáurios, um espécime que não sendo novo no carso de Sicó, é sempre impressionante de se ver, pela negativa, claro.
Eis 4 panorâmicas sobre o bicho Soureossáurios:





Ninguém pode dizer que fica indiferente quando passa pela EN 348, em Soure, pois não há como fugir do bicho. Aquela estrada já por mais que uma vez viu o seu traçado alterado, pois havia que desviar a estrada para que o bicho se pudesse alimentar do carso moribundo e pouco protegido.
Este é apenas mais um episódio da "Viagem ao Centro da Serra", que tem o intuito principal de consciencializar os cidadãos para um problema gravíssimo, o qual não é mais do que um cancro que se alimenta do belo carso da região de Sicó.
Com estas fotografias panorâmicas tento mostrar a todos, episódio a  episódio, a verdade nua e crua, fazendo jus aquela expressão "uma imagem vale mais do que mil palavras", sendo que neste caso são 4 imagens.
Espero que todos se sintam obrigados a reflectir sobre esta importante questão, que afecta património natural, património cultural e que afecta a vida de mais pessoas do que aquelas que favorece. São muitas as comunidades afectadas pela acção destes monstros, os quais se regem apenas pelo interesse de privados e do puro lucro imediato.
Precisamos de tantas pedreiras? Não, não precisamos de tantas! Além disso precisamos de ordenamento do território, pois o que deve mover um território é o interesse comum e não de privados, os quais findada a exploração destes locais, deixam um passivo absolutamente inaceitável, o qual nunca será recuperado. Lembrem-se deste último ponto, pois é nesta fase que vos pergunto, é isto que querem deixar aos vossos filhos, netos e bisnetos?