domingo, 27 de outubro de 2013

Gostam do património? Por vezes não parece...


Oiço muitas vezes os autarcas e muitos cidadãos a afirmar taxativamente que o património é que é. Nos últimos meses, com o acentuar da crise, até parece que o termo "património" virou moda, no entanto quando mergulhamos no território Sicó, parece que a palavra património é realmente uma palavra vã...
Em termos de património construído/arquitectónico, esta nossa região é um fenómeno, no entanto e não raras vezes, deparamo-nos com cenários como o que a foto ilustra. Este cenário, em particular, pode ser visto em Santiago da Guarda, em Ansião. Não vou dizer onde é, no concreto, por dois motivos, um é o de que quem sabe já conhece a situação, o outro é que quem não sabe tem aqui um belo motivo para se sentir obrigado a mergulhar neste belo território.
É inacreditável que em toda esta região se vejam casas especiais como esta, autênticos monumentos, no estado que todos vêm, mas que raros criticam em termos concretos. Sim, sei que esta questão não é linear, mas também sei que mesmo havendo muitas questões "acessórias", quando há vontade de reverter situações como esta, isso acontece mesmo!
Temos o mau hábito de não criticar de forma honesta e construtiva, pois pensamos erroneamente que isso é dizer mal de alguém ou de alguma entidade. Muito pelo contrário meus caros, o desenvolvimento deste território também passa por apontar o que está mal. Poucos fazem o papel de crítico, pois isso traz consigo chatices, no entanto a crítica, desde que honesta e construtiva, tem resultados práticos e acaba por inevitavelmente trazer reconhecimento a quem tem a coragem de o fazer, o que dinamiza ainda mais a coisa. Sintam-se obrigados a criticar de forma séria o que de mal se vê e faz neste território, pois vale mesmo a pena, a bem do património, das populações e das próximas gerações, que merecem que lhes deixemos muito património!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A bolsa de terras gerida por uma entidade sem vocação...


Escolhi esta foto, da várzea, para ilustrar a questão que agora destaco, a bolsa de terras, mais precisamente a bolsa de terras que abrange a região de Sicó.
Foi com enorme desagrado que soube de uma novidade que, embora esperasse, não compreendo de forma alguma. Há poucos dias soube que é a "Terras de Sicó" que vai (tentar) gerir a bolsa de terras na região de Sicó. Lembro que esta entidade embora seja conhecida como uma Associação de Desenvolvimento Local, é reconhecida por muitos como uma entidade altamente politizada e partidarizada, daí a minha preocupação sobre esta, quanto a mim,  pouco desejável novidade.
A "Terras de Sicó" já mostrou, na minha opinião de geógrafo, que ao longo dos anos nunca conseguiu vestir o papel de dinamizadora de todo um território, o qual "gere" de gabinetes e pela mão de colarinhos brancos, facto altamente negativo em termos de desenvolvimento territorial. É uma entidade que, na minha opinião, não conhece verdadeiramente o território de Sicó, conhece sim aquilo que interessa à política e o que interessa aos interesses do costume (passe o pleonasmo), daí não ser de estranhar o seu insucesso enquanto Associação de Desenvolvimento Local. 
Eu nunca escondi o facto de, pessoalmente, não reconhecer esta entidade como verdadeira Associação de Desenvolvimento. Não aprecio a sua forma de "gerir" o território, pois mais me parece que gere interesses/visões de pessoas específicas, caso dos autarcas, os quais em vez de se centrarem nos seus territórios e deixarem as Associações de Desenvolvimento para os profissionais do território, açambarcam também este tipo de entidades. A macrocefalia é algo de altamente nocivo, daí autarcas e associações de desenvolvimento não darem bom casamento...
Voltando então à questão da bolsa de terras, propriamente dita, a "Terras de Sicó" não é uma entidade com vocação para gerir e dinamizar esta importante matéria que é a bolsa de terras. Na minha opinião falta-lhe o conhecimento sobre o território, o know-how associado à gestão de uma bolsa de terras e a visão de uma Associação de Desenvolvimento Local. Impera a miopia territorial e a falta de sensibilidade perante valores não compreendidos.
Uma bolsa de terras não é meramente um armazém de terrenos, uma bolsa de terras é puro ordenamento do território, facto que é esquecido por quem de direito. Além do conhecimento para gerir uma bolsa de terras, é necessária uma visão sobre todo um território muito valioso em termos ambientais. 
Para gerir uma bolsa de terras é necessário ver o território a várias escalas, desde o terreno que pode entrar para a bolsa de terras, até à própria paisagem. A paisagem não é compreendida pela "Terras de Sicó" e isso está expresso na sua visão sobre este território. O território evolui a várias escalas e nem a "Terras de Sicó" nem os autarcas compreendem isso, pois na teoria defendem o território, mas na prática atentam, de alguma forma, contra a integridade dela, já que promovem muito do que vai moldar a paisagem a favor de interesses particulares e não a favor de interesses comunitários. Além disso não promovem aquilo que mantém e faz evoluir, no bom sentido, a paisagem, aquela mesmo que tanto gabam lá fora. 
É por estas e por outras que tenho bastante receio, devidamente fundamentado, da anunciada gestão da bolsa de terras por parte da "Terras de Sicó". Parece-me apenas que, no final, as pessoas mais favorecidas por esta bolsa de terras, serão aquelas que orbitam em redor da política, parasitando desta forma um território que eu considero fenomenal. Parece-me que os objectivos da bolsa de terras serão altamente desvirtuados, pois em vez de uma gestão aplicada ao território, irá surgir inevitavelmente uma gestão mais favorável aos interesses partidários, dada a evidente politização da entidade "Terras de Sicó". Daqui a uns anos veremos o resultado, altura em que farei concerteza um ponto de situação.
Não poderia terminar sem apresentar a minha solução, a qual nem sequer é inovadora, já que se baseia em algo que já existe, embora esteja desaparecido do mapa. Falo, claro, do cooperativismo, o qual já teve tradição neste território.
É certo que o cooperativismo já quase não tem expressão, mas também é um facto que poderia haver muita gente que, aproveitando esta questão da bolsa de terras, poderia dinamizar o cooperativismo, criando assim um vector de desenvolvimento local que potenciasse este território. Isto seria muito interessante, já que a política ficaria daqui arredada e conseguir-se-ia integrar pessoas de valor, as quais tantas vezes estão fora da política e fora dos vícios e interesses predatórios a ela associada.
Temos muitos jovens que poderiam dinamizar o cooperativismo, com a ajuda dos anciãos deste território (juntando o melhor de dois mundos), no entanto temos também entidades que os impedem de dinamizar este território. Eu já fui uma das vítimas deste impedimento...
Temos aqui uma oportunidade para dinamizar todo um território, seja a nível da agricultura biológica, floresta e tudo aquilo que se pode imaginar, já que o território é um todo!
Vamos reclamar o que é nosso e que a política perversa nos retirou? Já repararam que a nociva política nos tem retirado poder de intervenção sobre o que é nosso? Quem está interessado em desenvolver o cooperativismo nesta região? Eu estou disponível para ajudar!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Fazer coisas que não devemos para as coisas andarem para a frente?!


Pois é, por vezes surge uma frase ou desabafo que, embora passe despercebida à maior parte das pessoas e mesmo a quem a diz, demonstra muito. Por vezes detecto algumas dessas frases, outras nem por isso, mas desta vez ficou-me na memória uma frase que tem muito que se lhe diga. Indo então para a tal frase:

  "... o nosso país é um país com demasiada burocracia, é um país em crise. é um país que precisa de dinheiro. ás vezes temos de fazer coisas q nao devemos para as coisas andarem para a frente..."

Esta frase foi dita por um jovem, o qual concerteza não se deu conta da gravidade do que disse. É algo que não me admira, já que hoje em dia muitos jovens são manipulados por interesses vários, neste caso manipulado por uma juventude partidária. Admito que, genericamente falando, detesto as juventudes partidárias. Isto porque, muitas vezes, estas são meramente uma escola de más virtudes, as quais são utilizadas para alicerçar interesses económicos predatórios e corruptos. Sei do que falo, já que em miúdo fiz parte de uma, tendo-me afastado ainda jovem, dado o facto de me ter apercebido da podridão ali existente. Curiosamente esta juventude partidária, que abordo agora, é de Alvaiázere, local onde as más virtudes são levadas ao um expoente de imbecilidade crónica.
Voltando à frase destacada, esta mostra bem o quanto moldadas conseguem ser as mentalidades dos jovens. Incrivelmente consegue-se passar a mensagem de que fazendo aquilo que está mal se chega a um futuro promissor. Quem tiver a mente despoluída desta nocividade "política", consegue ver que quem está a moldar aquelas mentalidades, são interesses corruptos, os quais, sob a batuta da política, têm terreno fértil para a promoção da iliteracia cultural. Dito por miúdos, estes interesse corruptos, conseguem, através da manipulação mental, "educar" autênticos "soldados", os quais, mais tarde vão ajudar a legitimar estes interesses corruptos, de entre os quais interesses de algumas famílias de elite que vêm o bem comum como que se do bem bem próprio fosse.
Onde é que já se viu uma sociedade de bem fazer coisas que não deve para as coisas andarem para a frente? Coisas, que coisas são estas? Não serão sim os interesses corruptos? É que os interesses de corruptos não são os interesses da sociedade!
As coisas só andarão para a frente quando limparmos esta sociedade de corruptos, de malandros oportunistas, de lambe-botas, etc. Não é no facebook que isto se resolve, com um like, é sim na vida real, a diferença é que na vida real as coisas doem e esta luta pode ter consequências para nós próprios. Mas para isso é preciso ter coragem de afrontar esta gentalha, coisa que poucos têm. Há que não ter medo de ficar sem o emprego, pois isso é o menos importante, arranja-se outro, tal como eu o fiz, dando a volta por cima!
As coisas só andarão para a frente fazendo as coisas bem, as coisas certas, é isso que tem falhado e que nos levou à situação actual, é simples e não custa entender. Não é com malandragem que o país avança.
A inversão de valores é uma coisa perigosa demais para eu deixar passar em branco esta frase. Esta inversão de valores tem sido desastrosa para o património da região de Sicó (e não só), daí esta minha chamada de atenção para um problema que é real e que passa ao lado de muita gente distraída.
Um conselhos aos pais desta região, não deixem os vossos filhos andar nas jotas, pois o resultado é desastroso. Deixem sim os vossos filhos andar no associativismo, no voluntariado, no desporto e em tudo aquilo que os faz crescer de forma sã e produtiva!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O carrasco de Sicó: crónica de um invasor


Lembro-me bem da década de 80, altura em que o eucalipto começou a invadir um território que não era o seu. Lembro-me que foi nessa altura que extensas áreas de pinheiro arderam, dando lugar a este invasor. Passaram mais de 3 décadas e, também na região de Sicó, este invasor ganhou uma posição perigosa, destruindo com isso extensas áreas de floresta. Lembro os menos informados que uma área de eucaliptal não é floresta, é sim monocultura, facto que faz toda a diferença. Pinheiros, carvalhos, azinheiras, sobreiros, medronheiros, todos estes foram gravemente afectados com isso, obviamente em diferentes graus.
Foi também durante estas últimas décadas que muitos abandonaram ou esqueceram muitos terrenos, os quais antigamente davam sempre rendimento e logo nas mais variadas formas. O gado que pastava por muitos dos terrenos foi também esvanecendo. Toda uma forma de estar neste território foi violentamente afectada em poucos anos. O ordenamento do território foi igualmente esquecido, o que tendo em conta que este é crucial para o desenvolvimento do território, torna-se altamente problemático. 
Tudo isto e muito mais contribuiu para que o comité de boas vindas recebesse com imenso calor este invasor que dá pelo nome de eucalipto. Muitos que deixaram de ligar aos seus terrenos, lembraram-se que seria bom mandar lá uma máquina para preparar o terreno para meter eucaliptos, esquecendo que que isso teria consequências a vários níveis. 
A paisagem começou a transformar-se, o que por si mesmo não é mau, o problema é que dantes a paisagem transformou-se de modo a termos aqui um modo de vida sustentável e agora esta transformou-se para o pessoal plantar eucaliptos e mais nada. Obviamente quando assim é, as coisas só podem correr mal.
O eucalipto é, para mim, desde alguns anos atrás, uma árvore non grata, a qual serve apenas um propósito, a pura ganância de alguns e o interesse económico das celuloses. Alguns ganham uns trocos, mas todos perdem muito mais. Pessoalmente considero que o eucalipto devia pagar um imposto elevado, pois sendo este meramente para o ganho financeiro, é justo que assim seja. Outras árvores, caso do carvalho, oliveira, nogueira ou outros mais, servem vários propósitos e não apenas um, é essa a minha justificação.
Curioso que várias pessoas, na ânsia de ganhar dinheiro, não têm ganho nenhum, pois os seus eucaliptais ardem regularmente...
Curioso ver outras pessoas, (mal) mascaradas de "ambientalistas", são acérrimas defensoras do eucalipto, quiçá por trabalharem com as celuloses. Meros mercenários pintados de verde cor de alface.
O eucalipto tem sido um dos carrascos da região de Sicó e mesmo assim continuamos a insistir em plantar. Vejo pessoas que sabem das consequências negativas de plantar eucaliptos, em áreas sem apetência para isso, e que estão-se a marimbar, pois só vêm dinheiro à frente, só vêm o seu interesse primeiro, esquecendo-se que vivem em comunidade e que o egoísmo não dá bom resultado. Há também aqueles que plantam eucaliptos dentro do perímetro de protecção de nascentes e depois, como se diz na gíria, mamam a bucha, com a bela multa. A água é um bem precioso, portanto tem de ser bem protegida!
Eu vejo uma tragédia onde plantam eucaliptos, pois basta olhar com atenção para perceber isto mesmo. Não é fácil, pois exige algum conhecimento e, acima de tudo, atenção, mas é possível. A introdução deste invasor num mosaico florestal altamente fragmentado é algo de trágico e que potencia, em termos de velocidade e perigosidade, os incêndios e as suas consequências. Lembram-se daquele incêndio de 2012, Pombal-Ourém? Sim, esse mesmo, que consumiu uns 6000 hectares. Se não houvesse tanto eucalipto por ali, as consequências teriam sido outras. O eucalipto ali é rei, portanto essa conversa do mato limpo, aqui, não colhe. O eucalipto representa risco de incêndio muito superior, especialmente em áreas de minifúndio, como é o nosso caso. É perigoso para todos, especialmente para aqueles que têm de o apagar. Eu pessoalmente pouco arrisco quando estão eucaliptos a arder. Os donos que arrisquem, pois o lucro é deles e a vida é minha. 
Por esta altura o pessoa já esqueceu os incêndios, para o ano há mais, no entanto parte significativa das consequências ocorre agora, caso do arrastamento e consequente perda de solo. Isto onde o há, pois há pessoal que o planta seja onde for.
O comité de boas vindas, que continua a receber todos os anos o eucalipto, deve estar confuso, é que o calor vem todo do eucalipto...

sábado, 5 de outubro de 2013

Terras de Sicó, terra da falta de imaginação!


É curioso, mas poucos dias depois de ter elaborado um comentário sobre o lugar do Zambujal, surgiram duas placas que pretendem publicitar o respectivo lugar. Isto até poderia parecer interessante, não fosse o facto anedótico.
O marketing territorial é algo sobre o qual tenho investido muito nos últimos anos, daí ser um tema que muito me diz. Na região de Sicó não se faz marketing territorial, tenta-se fazer algo que nem se aproxima deste. Impera a parolice. Temos tudo para fazer bom marketing territorial, já que temos muita matéria prima para o alimentar, no entanto falta a sabedoria para o conseguir fazer da forma mais correcta e eficaz.
Em vez de se inovar e criar uma estratégia própria, copiam-se ideias e identidades de plástico e o pior disto é que copiam-se péssimas ideias no domínio do "marketing territorial". Pega-se em algo de fora e nem sequer se adapta às especificidades locais.
Como poderão observar nas imagens, consta ali algo que lembra claramente as "Terras de Sicó", nome de uma entidade altamente politizada e nome de uma, dita, Associação de Desenvolvimento Local. Refiro-me claro às "Terras do Zambujal", nome que não lembra a ninguém...
Já por mais que uma vez alguém pegou na palavra "Terras" para colar a uma outra palavra. Este ano já vi isso mesmo num trail (Terras de Ansião) e confesso que fiquei incomodado com tal falta de imaginação. Com este exemplo, das "Terras do Zambujal" a saga continua e não me parece que acabe por aqui.
Na minha opinião, esta moda é de um profundo mau gosto e evidente falta de imaginação, pois pega-se numa palavra outsider para ajudar a caracterizar algo que é verdadeiro, que tem conteúdo, história e identitário. Se me dissessem "Zambujal, terra de - elemento identitário - ... ", aí até concordava, pois podia pegar-se numa palavra relacionada com aquele local, ou seja identitária, para publicitar este território. No entanto não aconteceu isso, fez-se o oposto, foi-se buscar algo de fora para "caracterizar" o lugar. Do ponto de vista do marketing territorial isto é incorrecto, mais ainda sabendo que prejudica a imagem do lugar, mostrando assim uma falta de conhecimento do mesmo. É a típica chapa 5!
Vejam que de todos aqueles elementos identitários, que constam na parte de baixo do placard, nenhum deles foi incluído na expressão que deveria publicitar correctamente o local. Podia ter-se pegado nestes elementos e elaborar uma frase identitária, mas não, foi-se pelo caminho mais fácil e mais incorrecto, ou seja uma frase sem identidade.
Dificilmente irei (re)visitar, na região de Sicó, locais que tenham antes do nome do mesmo a palavra "Terras", pois isso mostra apenas uma coisa, falta de estratégia, de conhecimento e de seguidismo. No próximo ano terei mais tempo para dissertar sobre estas questões, para já fica apenas um cheirinho...
Um agradecimento a quem me facultou as fotos, já que da última vez que aqui passei, não tinha a minha amiga máquina fotográfica. Tive de pedir a um amigo que fizesse o respectivo registo fotográfico.