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28.3.16

A estupidez não tem limites, mas vai ter multa...


Freguesia do Zambujal, concelho de Condeixa-a-Nova, é precisamente ali que a estupidez não teve limites. Um qualquer cidadão teve a genial ideia de estoirar uns milhares de euros para fazer este belo serviço, o qual representa o expoente máximo da iliteracia ambiental e um sinal claro que muito há a fazer por parte das entidades públicas. Fiquei profundamente chocado quando um amigo me enviou estas imagens. Falta claramente sensibilização ambiental que possa precaver este tipo de acções muito negativas a vários níveis.
Possivelmente quem fez isto nem se apercebeu da acção pouco inteligente que promoveu naquele campo de lapiás, dada a geoiliteracia, mas uma coisa posso garantir, é que brevemente vai-se aperceber e da pior forma, pois esta acção é ilegal e está sujeita a "prémio". Não tenho prazer em promover este "prémio", mas em casos graves não há volta a dar... Quase que aposto que será para plantar eucaliptos...
Quando eu falo em políticas públicas específicas para o carso de Sicó, faço-o precisamente por isto mesmo, já que noutros países, como por exemplo a Eslovénia (berço do carso), estas já existem há muito tempo e isso faz toda a diferença em termos de desenvolvimento socio-económico. Vivemos na Idade Média em termos de legislação específica para a região de Sicó. Temos muito para andar em termos civilizacionais, isso é certo.
A região de Sicó podia estar à frente no seu tempo, pois tem um imenso património e mais-valias. Infelizmente vive-se uma república das bananas e o futuro não se afigura muito diferente, pois para que isso fosse possível as coisas teriam de estar a um outro nível. Temos o know-how, mas falta a vontade para mudar o paradigma actual...



5.10.13

Terras de Sicó, terra da falta de imaginação!


É curioso, mas poucos dias depois de ter elaborado um comentário sobre o lugar do Zambujal, surgiram duas placas que pretendem publicitar o respectivo lugar. Isto até poderia parecer interessante, não fosse o facto anedótico.
O marketing territorial é algo sobre o qual tenho investido muito nos últimos anos, daí ser um tema que muito me diz. Na região de Sicó não se faz marketing territorial, tenta-se fazer algo que nem se aproxima deste. Impera a parolice. Temos tudo para fazer bom marketing territorial, já que temos muita matéria prima para o alimentar, no entanto falta a sabedoria para o conseguir fazer da forma mais correcta e eficaz.
Em vez de se inovar e criar uma estratégia própria, copiam-se ideias e identidades de plástico e o pior disto é que copiam-se péssimas ideias no domínio do "marketing territorial". Pega-se em algo de fora e nem sequer se adapta às especificidades locais.
Como poderão observar nas imagens, consta ali algo que lembra claramente as "Terras de Sicó", nome de uma entidade altamente politizada e nome de uma, dita, Associação de Desenvolvimento Local. Refiro-me claro às "Terras do Zambujal", nome que não lembra a ninguém...
Já por mais que uma vez alguém pegou na palavra "Terras" para colar a uma outra palavra. Este ano já vi isso mesmo num trail (Terras de Ansião) e confesso que fiquei incomodado com tal falta de imaginação. Com este exemplo, das "Terras do Zambujal" a saga continua e não me parece que acabe por aqui.
Na minha opinião, esta moda é de um profundo mau gosto e evidente falta de imaginação, pois pega-se numa palavra outsider para ajudar a caracterizar algo que é verdadeiro, que tem conteúdo, história e identitário. Se me dissessem "Zambujal, terra de - elemento identitário - ... ", aí até concordava, pois podia pegar-se numa palavra relacionada com aquele local, ou seja identitária, para publicitar este território. No entanto não aconteceu isso, fez-se o oposto, foi-se buscar algo de fora para "caracterizar" o lugar. Do ponto de vista do marketing territorial isto é incorrecto, mais ainda sabendo que prejudica a imagem do lugar, mostrando assim uma falta de conhecimento do mesmo. É a típica chapa 5!
Vejam que de todos aqueles elementos identitários, que constam na parte de baixo do placard, nenhum deles foi incluído na expressão que deveria publicitar correctamente o local. Podia ter-se pegado nestes elementos e elaborar uma frase identitária, mas não, foi-se pelo caminho mais fácil e mais incorrecto, ou seja uma frase sem identidade.
Dificilmente irei (re)visitar, na região de Sicó, locais que tenham antes do nome do mesmo a palavra "Terras", pois isso mostra apenas uma coisa, falta de estratégia, de conhecimento e de seguidismo. No próximo ano terei mais tempo para dissertar sobre estas questões, para já fica apenas um cheirinho...
Um agradecimento a quem me facultou as fotos, já que da última vez que aqui passei, não tinha a minha amiga máquina fotográfica. Tive de pedir a um amigo que fizesse o respectivo registo fotográfico.


18.9.13

Longe de nada, perto de tudo



Como já disse mais do que uma vez, um dos defeitos que temos é andar sempre do local X para o local Y, sem que, contudo, passemos pelo lugar Z. Apenas quem domina a linguagem geográfica poderá perceber bem o que quis dizer com isto do X, Y e do Z.
Indo então à questão, eu gosto muito do Z, pois ali há uma coisa importante, a dimensão dos lugares. Estive para colocar um título diferente a este comentário, seria "O lugar dos lugares", no entanto, e à última da hora, decidi não ir pelo mais óbvio, mas sim colocar dimensão no título.
Estas duas fotografias são do lugar do Zambujal, em Condeixa-a-Nova. Apesar deste ser muito próximo a Condeixa e, mesmo de Coimbra, é um lugar que, aparentemente está longe de tudo e perto de nada. Muito poucos são aqueles que, no seu trajecto normal, por aqueles lados, fazem o desvio para visitar este lugar, algo de muito comum na região de Sicó. O óbvio acaba por passar despercebido, já que estamos formatados para ir do lugar X ao lugar Y sem pensar muito.
Lugares como este há muitos por toda a região, e o cenário de vazio é comum na grande maioria deles. As políticas desenvolvidas nas últimas décadas favoreceram apenas uma coisa, o esvaziamento destes lugares a favor das cidades, mesmo que boa parte das pessoas esteja "enjaulada" em apartamentos sem alma, sem história e sem sentimentos. Alma, história e sentimentos é um recurso que lugares como o Zambujal têm para dar e vender, no entanto há cada vez menos compradores. Os velhotes vão morrendo e os novos desaparecendo destes lugares, fazendo com que muitos destes estejam literalmente  condenados a desaparecer em poucas décadas. Falo, claro, de lugares como este, não daqueles onde a última pessoa já foi para outras paragens.
Agora pergunto eu, porque não aproveitamos estes lugares, voltando a ocupá-los, voltando a dar-lhe sentido e voltando a cultivar todos aqueles terrenos em redor dos mesmos?
As políticas actuais atentam contra isto mesmo, por mais estranho que pareça. Tudo está feito para que seja mais fácil fazer o mais difícil, ou seja mais fácil construir de novo, muitas vezes em terrenos dantes agrícolas, do que reabilitar o velho.
Mais revoltado fico quando vejo os nossos políticos a vitimizarem-se, dizendo que a culpa não é deles. Então a as políticas de reclassificação de solos, que também ajudaram a este sangrar de pessoas destes lugares? Então as oportunidades alicerçadas nesta riqueza fenomenal? Será que é melhor "empurrar" o pessoal para as cidades, onde as coisas já não são como eram, onde se vive em total dependência de um ordenado?
A balança devia estar equilibrada, de um lado as cidades, do outro o campo, no entanto a balança está cada vez mais perigosamente a pender para o lado das cidades. Imaginem agora como será a esmagadora maioria de nós na mão de interesses económicos, numa qualquer cidade, vivendo numa total dependência de modas. Nós podemos viver independentemente de modas, e até as podemos criar a partir destes lugares catitas. Há que regressar ao campo, não ao campo de antigamente, mas ao campo actual, o qual está longe de nada e perto de tudo!