quinta-feira, 29 de abril de 2010

E depois de Limpar Portugal? Como manter Portugal limpo?

Este título, bem como o conteúdo que agora partilho, são retirados integralmente do site da Associação Portuguesa de Educação Ambiental. Tendo em conta a sua mensagem facilmente a maioria de vós depreende o porquê de eu destacar este concurso no Azinheiragate. Não é muito costume fazer isto, mas neste caso justifica-se plenamente.
Sendo assim, mais uma vez destaco algo que interessa também às escolas e comunidade escolar da região de Sicó, os prémios são aliciantes:

« Lançamos-lhe um novo desafio, no âmbito do projecto Limpar Portugal.
Encontram-se abertas as inscrições para o concurso nacional “Como manter Portugal Limpo — outra qualidade de vida”, patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos e pelas seguradoras Fidelidade Mundial e Império Bonança, que está a ser divulgado por todas as escolas e universidades do país.
Este concurso apela às crianças e aos jovens para que, através da sua criatividade, façam prolongar o espírito do movimento cívico Limpar Portugal, para lá do dia 20 de Março.
O projecto Limpar Portugal e a ASPEA são parceiros desta causa por considerarem que as crianças e os jovens que irão herdar a Terra podem contribuir para alertar os outros jovens e a comunidade em geral para a necessidade de todos participarem na preservação desta herança comum.
O concurso divide-se em três categorias, abrangendo todos os níveis de escolaridade, do 1º ano do ensino básico ao ensino universitário. Os prémios são aliciantes. Desde um dia de actividades em parques nacionais com permanência de uma noite, para o 1º ao 8º anos de escolaridade, até à participação na 24ª Conferência da Caretakers of the Environment Internacional para os grupos escolares do 9º ao 12 º anos. Na categoria Universidades, os premiados terão a possibilidade de participar durante duas semanas num Programa Eco-Sustentável, na Malásia.
Responda a este desafio! Consulte o regulamento em http://www.aspea.org/ »



Fica o desafio à comunidade escolar da região de Sicó, mas não só!

Eu e muitos dos que trabalharam afincadamente na Iniciativa Limpar Portugal sempre dissemos que o dia 20 de Março seria apenas o início de algo e não o fim...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Liberdade, libertinagem e património na região de Sicó

Título confuso talvez, mas foi algo que me pareceu adequado tendo em conta o que tenho desta vez para falar....
Ontem foi, em Portugal, um dia especial, comemorou-se o tão importante 25 de Abril de 1974, data em que Portugal retomou o caminho da liberdade. Infelizmente hoje em dia nem tudo corre bem, não só para o país, bem como para o nosso património natural e/ou construído.
Pessoalmente irrita-me haja pessoas que pensem que os que nasceram após o 25 de Abril têm de comemorar da mesma forma, ouvindo as mesmíssimas canções da época, como que se tivéssemos de gostar obrigatoriamente daquelas músicas. Será que ano após ano temos de nos tornar robots e fazer copy paste indefinidamente dos mesmos gestos? Porque não adequar as comemorações às diferentes gerações de forma que as pessoas gostem de comemorar este dia?
Cada um deve comemorar com quem gosta e da forma que gosta, o importante é comemorar!
Indo ao que mais interessa, penso que hoje em dia se confunde liberdade com libertinagem, sendo uma das causas do estado deste país e, em especial, da região de Sicó. Actualmente faz-se da liberdade um subterfúgio para negócios pouco claros do ponto de vista legal. Falo de negócios que têm destruído muito património existente nesta região, algo contra o qual luto frequentemente.
Seria interessante um estudo sobre a nossa visão do património natural e/ou construído antes e após 1974, de forma a ver de uma forma concreta as implicações que estas duas "épocas" tiveram no nosso património. Penso que seria um estudo muito interessante...
Passou-se de um regime ditatorial para um regime democrático, algo a louvar, mas será que correu tudo bem nesta transição que se fez até aos dias de hoje?
Sei de casos ridículos de atentados ao património na região de Sicó antes e depois do 25 de Abril, por isso mesmo é que um estudo sobre o caso seria potencialmente muito interessante. Se antigamente havia muita falta de conhecimento sobre este mesmo património, hoje já não é bem assim, ao invés tenta-se esconder algum deste património porque caso seja descoberto estraga muitos negócios de alguns colarinhos brancos.
Pessoalmente considero que esta democracia está doente e que poucos são os que fazem algo para tentar reverter a situação. Sinto que o meu país e a minha região estão doentes e que até se sabe qual a doença, mas a medicação é que não surge. Enquando isso não acontece as coisas pioram...
Apesar de cada vez menos, denunciar o crime e o ilícito é visto como que uma afronta a certas pessoas, algo que mostra que ser-se um cidadão activo que pugna por uma sociedade democrática quase que não compensa. Talvez seja uma frase forte, esta última, mas é o que a minha experiência pessoal confirma. Exercer a cidadania activa é visto como pouco democrático para alguns...
Algumas pessoas da geração do 25 de Abril fizeram uma democracia à sua medida e têm boas vidas e vidas boas, mas quem veio depois tem a vida mais dificultada no que concerne à fruição de uma democracia que se pretende forte.
Não ligo a política, seja ela qual for, já deixei de acreditar nisso hà muito tempo, mesmo tendo em conta que em 2009 até "brinquei" um bocado neste âmbito. Foi uma experiência interessante e mostrei que os "grandes" não são quem nós muitas vezes pensamos, agem muitas vezes de forma irracional e de forma infantil, não são pessoas que estejam no pedestal por mérito, mas sim por interesse...
Resumindo este meu comentário diferente do costume, o património anda a perder muito com esta democracia doente, na qual alguns de servem da política para ganharem muito dinheiro, mesmo que isso destrua irremediavelmente muito do património da região de Sicó, bem como de outras regiões. Eu continuarei por cá para lhes fazer frente...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A eucaliptização da região de Sicó

Pode pensar-se que é uma questão ultrapassada tendo em conta que é um grave problema que teve início já há alguns anitos nesta região, mas agora o problema ganha novas dimensões.
Há algo que me preocupa bastante, pois basta dar umas voltas pelos recentes estradões florestais, abertos a regra e esquadro, para ver que este gesto mal pensado está apenas a abrir novas frentes na eucaliptização de alguns sectores da região de Sicó que até à pouco tempo estavam fechados demais para que alguns proprietários se sentissem tentados a plantar eucaliptos.
Preocupa-me seriamente que nada se tenha feito para mitigar este problema, mas parece que enquanto houver fundos a intenção é rasgar o máximo possível de estradões florestais que mais não servem para muitas pessoas irem depositar lixo nas bermas.... Sei de um caso até onde a abertura de um estradão florestal destruiu parte de uma estrada romana, algo que mostra a realidade de uma região onde existe ainda um rico património arqueológico, mesmo que alguns interesses façam questão que este património continue enterrado.
A fiscalização também não se vê, pois noutras áreas, já de plantio antigo, ultrapassa-se largamente as vezes que se pode plantar eucaliptos, ignorando-se esta questão que apenas afecta a biodiversidade da região de Sicó, onde parece que a monocultura do eucalipto é que é boa.
O tempo dirá como a situação irá evoluir, mas a minha perspectiva não é nada animadora, por mais que alguns a pintem como muito positiva...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Penela: a gestão incongruente de uma das maravilhas naturais de Sicó

Apesar de já terem passado alguns dias sobre a divulgação da notícia insólita, ainda estou a tentar compreender como é que é possível fazer uma gestão tão contraproducente de uma das principais maravilhas naturais da região de Sicó, as grutas Talismã.
Antes de começar o comentário, nada melhor do que apresentar os factos:

«Espeleólogos Italianos apresentaram Talismã em 3 dimensões

Durante 13 dias um grupo de 15 espeleólogos da Federação de Espeleológica Pugliese, vindos do sul de Itália, estudaram 2,5 Km das Grutas Talismã. Este estudo teve origem num acordo celebrado entre o Município de Penela, a Universidade de Coimbra e a Federação Espeleológica Pugliese com o objectivo de aprofundar o conhecimento do património geológico e espeleológico de Penela. Foi realizado um levantamento topográfico detalhado, utilizando equipamentos de última geração, para o levantamento e processamento digital de dados in situ, via bluetooth e computadores portáteis utilizados dentro das grutas, o resultado final foi uma reconstituição gráfica bidimensional e tridimensional das zonas estudadas das Grutas Talismã. Os dados científicos obtidos sobre o ambiente cársico subterrâneo podem também contribuir para a identificação de elementos que caracterizam o património geológico e geomorfológico, elementos que vão constituir a bagagem dos recursos identificativos passíveis de valorizar possíveis roteiros turísticos inovadores: turismo de natureza e/ou ambiental, turismo cultural, geo-turismo, turismo espeleológico entre outras possibilidades.Os resultados desta campanha foram apresentados ao Município de Penela no fim-de-semana através de uma apresentação multimédia detalhada, que será transformado em trabalho escrito e científico a ser enviado para a Universidade de Coimbra e Município de Penela. Na apresentação esteve presente o Professor Lúcio Cunha que lisonjeou o trabalho realizado por este grupo, uma vez que é importantíssimo para a continuação do estudo destas grutas que ainda têm tanto por descobrir, assim como permitiu tirar variadas e importantes conclusões sobre a evolução e possível desenvolvimento destas grutas


Depois de lerem esta notícia compreendo que até fiquem contentes, mas vamos aos factos...
Sempre defendi e continuo a defender acerrimamente que temos pessoas das mais variadas áreas técnicas e científicas na região de Sicó ou na sua envolvência, as quais têm a competência necessária para fazer coisas fantásticas em prol da região. Todo o know-how pode e deve ser revertido a favor da região, algo que todos concerteza agradecem.

Na espeleologia acontece precisamente isto, há pessoas, há a competência, a vontade e o reconhecimento, mas infelizmente quando a sua opinião é contrária à de algumas pessoas que ocupam certos lugares, mesmo que com toda a razão do mundo, estas mesmas pessoas (espeleólogos) são "postas de lado" e "ignoradas" de alguma forma pela classe política.

Foi precisamente este o caso, em que havendo dois grupos de espeleólogos implantados na região de Sicó, já com historial muito importante, foram ambos postos de lado num processo que obrigatoriamente os deveria envolver, resta saber porquê...

Ao invés fez-se um protocolo com espeleólogos italianos, que vivem a 2000km daqui... Porque é que havendo pessoas extremamente competentes na região no domínio da espeleologia se foi lá fora buscar espeleólogos ? Gostaria também que fosse tornado público quanto é que custou esta "importação sasonal" de espeleólogos estrangeiros.

Já sabia há alguns anos que há, porventura, uma vontade enorme por parte da Câmara Municipal de Penela em abrir as grutas ao público, é natural, mas não reconheço a competência técnica nem científica à mesma para tentar "impor" algo que não pode de forma alguma acontecer sem os devidos estudos técnicos (ainda não estão feitos na sua totalidade). Nesta questão estou perfeitamente à vontade, já que além de ser geógrafo físico sou também espeleólogo e nos últimos anos tenho tido contacto com esta problemática que é a forte tentação de abrir grutas ao turismo, permitindo apenas a destruição a curto prazo de um património muito valioso.

Fico também muito triste ver que algumas pessoas do meio académico apoiam incondicionalmente esta "importação de espeleólogos", já que mais do que ninguém deveriam saber que este é um erro crasso. Fico triste que estas pessoas se esqueçam dos espeleólogos da região de Sicó, que sabem mais do que os espeleólogos italianos e que fazem o mesmo ou melhor (disso tenho a certeza, já que os conheço pessoalmente - embora não fale por eles, mas sim por mim). Fico também triste por saber que a factura até seria muito inferior à dos italianos, será que esta não será mais uma atitude contraproducente?

É uma triste realidade que se observa na região de Sicó, se tivermos duas pessoas com as mesmas qualificações e se uma for estrangeira, é esta que é a boa, pois parece que os que são de Sicó não valem nada, serão inferiores. É pena que assim seja e é algo que me envergonha todos os dias, saber que as coisas são assim nesta região. Curiosamente os que são de cá só quando vão lá fora (do concelho, região ou país) é que são reconhecidos...

Gostaria também de comentar um parágrafo especial:

«Os dados científicos obtidos sobre o ambiente cársico subterrâneo podem também contribuir para a identificação de elementos que caracterizam o património geológico e geomorfológico, elementos que vão constituir a bagagem dos recursos identificativos passíveis de valorizar possíveis roteiros turísticos inovadores: turismo de natureza e/ou ambiental, turismo cultural, geo-turismo, turismo espeleológico entre outras possibilidades

Sobre o património geológico e geomorfológico, este já é conhecido e está referenciado, algum até estudado, não sendo desta forma nada de novo. Sobre a "bagagem de recursos passíveis de valorizar" os vários roteiros, esta bagagem já existe e está referenciada, não tendo até agora existido a frontalidade e o know-how para avançar com algumas destas soluções, tudo devido à falta de visão dos autarcas, os quais ignoram os locais, pagando aos lá de fora projectos chave na mão, falando eu neste caso especificamente de empresas. Sobre o turismo espeleológico, considero que não deverá ser uma solução relativamente às duas grandes grutas ali existentes. Falta coragem para dizer abertamente que se pode perder mais do que ganhar no caso de se abrir as grutas ao público. Não compreendo até como é que se permite que haja ocasionalmente visitas guidas por pessoas sem competência técnica para o efeito, para um público que quando visita estas grutas até estraga o que não deve. As infelizes fotos estão na internet...

Conseguem-se fazer coisas bonitas sem abrir as grutas e sem "importações", basta abrir os horizontes e falar com quem sabe, deixando os políticos de parte estereótipos e tabus da idade da pedra. Uma das soluções seria um geoparque Sicó, algo que propûs à 3 anos atrás.

O endocarso é um mundo muito complexo e frágil e não nunca em altura nenhuma a mera opinião de leigos (políticos) na matéria se deve sobrepor à integridade de grutas como estas. Basta procurarem um bocado no google que até conseguem encontrar artigos sobre esta problemática, todos eles com algo em comum, quando a gestão é má o património é afectado de forma irrecuperável, tudo isto num meio onde a mera respiração de visitantes pode colocar em perigo muito do património ali existente. Caso não encontrem enviem-me um mail que que envio-vos alguns artigos.
Penso que aqui o mais grave será o apoio de alguma comunidade académica, a qual não ponderou bem o apoio que deu a este caso e que nunca o deveria ter dado desta forma.

A inteligência só vale algo se houver sabedoria para a acompanhar, algo que manifestamente não é o caso, a política mais uma vez mostra o seu valor na região de Sicó. É um precedente muito grave que surge na espeleologia e tenho pena que assim tenha sido. Ás vezes tenho de ser duro, pois há casos que justificam. Por vezes custa mais, já que conheço algumas pessoas, mas sou e sempre serei imparcial nos comentários que faço e continuarei a fazer em prol do património de Sicó. Sei que isto causa atritos, mas prefiro ter atritos "seja com quem for" do que perder ou deixar depradar este rico património, o qual se tem perdido a uma velocidade assustadora...

O mundo subterrâneo é algo de extraordinário, quando andamos nas profundezas a sensação é inacreditável e a paz que sentimos é das melhores sensações que alguma vez poderemos ter, acreditem! Por vezes é perigoso, mas o que seria a vida sem alguma emoção?

Deixo-vos com imagens do que não deveria acontecer, precisamente numa das grutas de Penela:





Percurso pedestre a destacar na região de Sicó


segunda-feira, 12 de abril de 2010

A regionalização e a região de Sicó

É um tema fracturante para a sociedade portuguesa e a região de Sicó não escapa a esta questão tão complexa. Apesar de ser um tema quente, é algo necessário discutir abertamente sem nenhum tipo de estereótipo associado.
Lembro-me ainda de à poucos anos ter sido noticiado um crime, aqui na região, no qual um indivíduo assassinou outro porque este lhe teria cobiçado 1 metro de um terreno seu. É uma realidade perturbadora, ver este apego completamente exagerado a um mero limite de um terreno, não apenas por parte de uma pessoa, mas sim de toda uma sociedade.
Não digo que não devamos proteger o que é nosso, mas uma coisa é gostarmos do que é nosso, outra é por exemplo proibir que as pessoas possam passar num terreno nosso, obviamente sem estragar. Fico perplexo por vezes quando ando em áreas mais remotas desta região e há pessoas que muram os seus terrenos, com metro e meio de altura de blocos, como que se de um campo de diamantes fosse...
Tenho pena que os portugueses não vejam esta questão de um outro prisma, como acontece por exemplo na Noruega ou na Hungria, onde podemos andar livremente, sem estragar, nos campos a passear...
Este início de comentário é precisamente para verem como é complicada a questão da regionalização, se já temos problemas quando lidamos com limites de terrenos como poderá ser então com os limites administrativos, muitas vezes limites já seculares e enraizados nas gerações precedentes. Não é que isso seja propriamente mau, mas quando nos deparamos com exageros exacerbados (passe o pleonasmo) com ideias estereotipadas a conversa já é outra!
Foi já há 12 anos o célebre referendo sobre a regionalização em Portugal, na altura tinha os meus 20 anos e era contra a regionalização. Os anos passaram e a minha opinião evoluiu, especialmente tendo em conta a minha formação profissional, agora tenho uma opinião fundamentada e uma mentalidade mais aberta, grande parte devido à abertura de horizontes promovida por alguma experiência de vida, tanto no contexto pessoal tanto no contexto profissional. As viagens que fiz até agora ajudaram também a ser a pessoa que sou, a gostar ainda mais do país e da região em que passei a minha juventude, mas ao mesmo tempo de detestar mais a classe política que nos (des) governa e se governa bem a si própria.
Hoje compreendo que uma das razões para sermos um país "atrasado", estanto também a região de Sicó atrasada, é não termos tido regionalização. Será que por exemplo a região de Sicó, enquanto unidade geográfica, não seria melhor gerida no seu todo? Será que estamos melhor servidos com concelhos compartimentados, alguns com freguesias tão pequenas que não fazem sentido? Será que justifica mantermos lugares políticos para gerir áreas pequeníssimas, caso de algumas freguesias da região de Sicó?
Pessoalmente considero que não faz sentido e que a região de Sicó necessita da regionalização, obviamente discutida abertamente e não apenas por alguns parasitas que se servem da política para fazer a sua vida. Todos devem ser ouvidos, mesmo que as suas opiniões não façam sentido, há que ouvir tudo o todos.
Apesar de considerar a regionalização necessária, considero que não é com estes políticos que vamos lá, seria trágico promover uma regionalização "construída" por uma classe política corrupta e fraca, que promove uma política da capelinha em cada cantinho da região de Sicó. Será que faz algum sentido numa região homogénea promover tão diferentes políticas de (sub) desenvolvimento?
Esta é uma questão estruturante para a região de Sicó e para o país, voltarei brevemente a esta questão, para já queria apenas lançar o debate no azinheiragate. Vejo com bons olhos algum feedback que me queiram fazer, sejam residentes da região de Sicó ou não, sejam portugueses a viver lá fora ou não. Falar sobre outros países é sempre uma boa ideia para analisar esta problemática, obviamente que depois se terá de ter em conta as particularidades de cada país e o seu contexto histórico.
Lembrem-se que um limite administrativo é e sempre será efémero e superficial, já que os verdadeiros limites são os limites naturais, por mais complexos que sejam.....

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dia Nacional dos Moinhos: 7 de Abril


Amanhã, dia 7 de Abril, comemora-se um dia que eu gostaria que tivesse significado na região de Sicó, mas infelizmente o cenário no que concerne a esta temática deixa muito a desejar. Afinal os Moinhos de Vento foram uma das muitas imagens de marca da região de Sicó...

Foram muitas dezenas de moinhos de vento os que existiram na região há décadas atrás, infelizmente o cenário hoje em dia é dramático, um património que poderia reverter a nosso favor, está actualmente esquecido. Na década de 90 do século XX, houve ainda uma ténue tentativa de fazer algo para recuperar de alguma forma este património, mas infelizmente nem isso teve sucesso. A razão foi simples e comum a muitos projectos com apoio dos fundos comunitários, recuperaram-se alguns moinhos de vento, mas apenas de madeira, e quando os fundos foram gastos começou a triste sina da nossa região. Projecto chave na mão nunca é solução!

Hoje em dia mesmo esses moinhos estão ao abandono, com a madeira apodrecida, casos que podemos observar por exemplo em Serras como a da Portela, Janeanes (em destaque na primeira fotografia) e muito mais, são apenas exemplos demonstrativos da realidade a nível regional. Há também um caso particular em Alvaiázere, o qual serve para armazenar bebidas para o pessoal fazer festas, algo de lamentável tendo em conta que os fundos comunitários não podem ser utilizados para fazer "tascas".

Muito embora este mau exemplo, há também um bom exemplo em Alvaiázere, representado pela segunda fotografia, um moinho recuperado pelos locais (Pelmá) e que ainda serve em ocasiões especiais, algo de salutar.


Temos também o caso mais comum ilustrado pela foto acima, no qual apenas restam as lajes por onde as rodas de pedra rolavam. Há casos como este que ficam longe do acesso de ladrões e infelizmente há outros casos em que vulgares ladrões roubam estas lajes para serem vendidas para jardins particulares.

É algo que me irrita profundamente, um recurso fantástico ao abandono. Lembro-me ainda da última vez em que assisti ao funcionamento de um moinho de vento que na altura ainda funcionava. Foi em 2003 e andava nessa altura na prevenção aos incêndios, fazendo além da prevenção propriamente dita, vigia em alguns miradouros, caso do miradouro da Melriça.

Nesse ano o moleiro ainda ia de vez em quando ao moinho para o pôr a funcionar e moer cereais, era algo de muito bonito de ser ver. Além disso o cheiro era algo de realmente fabuloso, ficava algo cheio de pó, mas valia a pena, já que são coisas que para mim têm um valor extraordinário.

Há muitas formas de valorizar este património, é apenas necessário pensar as coisas e falar com as pessoas certas... Quando digo as pessoas certas não são pessoas de empresas, mas sim os locais, pois os anciãos (idosos) é que são sábios nestas questões!
Nesta região tem-se um mau hábito (entre muitos outros), se é alguém da terra é um "tanso", mas se é alguém de fora, inclusivé com as mesmas habilitações, já é um sabichão. Desta forma contrata-se pessoas de fora sem know-how para virem cá buscar o dinheirinho e fazer trabalhos muitas vezes sem nexo e sem continuidade, pensem nisto!

Fiquem com um link bem interessante:

sábado, 3 de abril de 2010

Corrupção na região de Sicó: breves notas

É um tema quente e ao mesmo tempo complexo de analisar, no entanto sabe-se que existe na região de Sicó. Vestem-se bem e utilizam fundamentalmente dois meios para se moverem, a política e o mundo empresarial, estando os dois intrínsecamente ligados.
Há aqueles que se servem da política para ganhar somas significativas e acumular património ao longo do tempo em que se servem da política e outros que estando já no meio empresarial, ganham também somas significativas através de negócios no mínimo ilegais, para não dizer corruptos, negócios muitas vezes que até se sabe que são ilegais mas que curiosamente nada se faz para impedir.
O truque é simples, uma teia muito complexa que vai sendo construída à custa de jogos perigosos de interesses, prendas e sacos azuis. Quando as coisas até começam a ser denunciadas oferecem-se presentes caros a pessoas chave e tudo se esquece.
O que me choca mais nesta questão estrutural é a passividade de muitos dos que sabem de "faces ocultas" e similares, há pessoas que sabem mas mantêm-se caladinhas. Alguns casos até compreendo, já que há contas para pagar, ou então está em causa a integridade física de familiares. No entanto há outro casos que nada disto está em causa, falta apenas a coragem de assumir as coisas...
Pessoalmente sinto-me feliz por não ser nenhum dos anteriores, sempre que sei de "faces ocultas" trato de "publicitar" os casos, obviamente não vou tornar público a forma como o faço, isso é algo que não convém divulgar. Sinto-me também feliz por ser temido por alguns destes corruptos, quase como que um "David" contra "Golias".
Apesar disto mesmo é um mundo perigoso e há que tomar certas medidas de protecção, pois quando surgiram ameaças tive de começar a ter mais cuidado.
Num fim de semana em que muitos de nós estamos com as nossas famílias e amigos, urge reflectir sobre esta questão que tanto nos afecta, por mais que a ignoremos ou façamos conta que não existe na região de Sicó.