quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Alvaiázere: Iniciativa Limpar Portugal em risco


Desculpem os mais atentos em estar a insistir tanto no relato de situações lamentáveis em Alvaiázere, já não o fazia há um tempo, mas a gravidade dos factos justifica-o. Prometo que irei dar mais atenção a outros sectores da região de Sicó nas próximas semanas.
Desta vez falo-vos da iniciativa Limpar Portugal, iniciativa que alguns de vós já terão ouvido falar e que daqui a poucas semanas começará a ter um grande impacto nos media nacionais:
Há semanas atrás decidi aceitar o convite que me foi endereçado para ser o coordenador concelhio desta iniciativa em Alvaiázere (e Ansião também), começando eu a mexer-me para dar forma a esta iniciativa neste belo concelho.
Apesar de saber que há atritos entre mim e duas ou três pessoas de destaque em Alvaiázere, sabia também que sou capaz de separar as coisas, portanto entrei em contacto com algumas entidades públicas de forma a pedir o seu apoio a esta nobre iniciativa. Sem o apoio de entidades públicas e/ou privadas o sucesso desta inicativa é quase que impossível.
Infelizmente o ressabiamento é algo que continua a ser um dado adquirido em Alvaiázere, já que não se compreende como é que quase um mês após ter entrado em contacto com estas entidades, não tenha sequer uma única resposta positiva, nem mesmo das entidades que mais responsabilidades têm no domínio das políticas ambientais concelhias.
Tendo em conta estes factos, e para evitar o total insucesso desta iniciativa em Alvaiázere, decidi que a partir de hoje (26/11/2009) deixo de ser coordenador concelhio em Alvaiázere, esperando eu que o meu afastamento leve os ressabiados a apoiar esta iniciativa tão importante em Portugal. Já relatei os factos em reunião distrital e a minha posição foi totalmente compreendida por todos os elementos que fazem parte da coordenação distrital.
É com muita tristeza que me afasto desta lugar de coordenação, já que queria dar muito de mim, mas mesmo assim continuo a ser voluntário e disponível para ajudar quem esteja disponível para assumir a coordenação concelhia, seja quem for.
É triste ver que uma iniciativa tão importante seja alvo de atitudes ressabiadas, mas são coisas que infelizmente acontecem.
Uma coisa vos digo, em Ansião, onde sou coordenador, as coisas estão a correr às mil maravilhas, total cooperação e nenhum vestígio deste tipo de atitudes, algo que mostra quem é quem e que prejudica apenas e só quem continua a ter atitudes vingativas para com a minha pessoa.
Peço a todos que divulguem esta inicativa e que se juntem aos vossos grupos concelhios na região de Sicó (e não só), pois já ha grupos constituídos em todo o país!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Violação repetida do PDM, Rede Natura e manipulação de informação


Antes de ir ao cerne da questão, queria comentar as afirmações do administrador da Construções J.J.R. & Filhos, empresa responsável pela exploração da pedreira dos Penedos Altos, em Alvaiázere, sobre mais uma violação da empresa que explora esta pedreira. Esta notícia saíu na edição 1321 do Jornal de Leiria.
O estradão aberto há 3/4 semanas é mais uma de várias violações do PDM feitas pela empresa que explora a referida pedreira, juntando-se à exploração de pedra desconforme ao PDM há vários anos, à Destruição da Rede Natura 2000 pela anterior desconformidade da extracção de pedra com o PDM em vigor e à desconformidade da central de alcatrão com o PDM.
O estradão aberto não é nenhum aceiro, não tendo sequer autorização para isso mesmo, ao contrário do que o administrador da J.J.R. & Filhos refere, quando diz que não é necessária autorização. É algo que carece de autorização oficial, desde CCDR-Centro até ao ICNB, não se compreendendo de forma alguma este atentado ao património natural e cultural.
Importa também referir que este estradão curiosamente tem a direcção de um terreno que foi comprado á poucos meses por uma pessoa ligada e esta empresa, não importando, para já, referir a pessoa em causa, a qual deverá, ela própria, esclarecer esta feliz coicidência.

Indo agora ao cerne da questão:

São apenas três dos muitos factos associados ao cada vez mais conhecido caso da Pedreira dos Penedos Altos, situada no concelho de Alvaiázere. Nenhum dos factos que irei descrever agora favorece a posição da empresa que explora esta pedreira, nem mesmo o autarca que tem defendido a posição desta empresa a desfavor da população prejudicada pelo projecto de ampliação desta indústria extactiva.

Desde que se desenrolou este processo, tem-se assistido a um rol de casos bastante polémicos, alguns deles graves demais para que passem em branco, destacando eu um caso muito grave de manipulação de informação de índole geográfica.

Para quem não sabe do caso, passo a explicar:

Há poucos meses, a empresa que explora a pedreira dos Penedos Altos, iniciou um processo que visava a ampliação da área de onde explora rochas sedimentares (calcário). Até aqui tudo bem, mas o facto é que esta pedreira está rodeada por casas em todos os quadrantes, à excepção do quadrante Oeste, onde existe um castro (antigo povoamento da idade do bronze). Os habitantes (a esmagadora maioria destes) começaram a ficar preocupados, já que havendo casas a menos de 200/300m, algumas delas com paredes rachadas, não fazia sentido a ampliação da pedreira. Sendo assim, de forma legal exerceram o seu direito de cidadania, protestando contra esta possível ampliação, algo que naturalmente começou a incomodar a empresa que explora esta pedreira, localizada em terrenos baldios, alugados pela Câmara Municipal de Alvaiázere à Bripealtos.

Em termos genéricos foi assim a primeira fase deste processo, mas o grave começa a passar-se na segunda fase deste processo, onde se começam a descobrir factos bastante comprometedores...

Estes factos começam a descobrir-se na fase de participação pública, onde, naturalmente, cidadãos e entidades elaboraram as suas considerações sobre este mesmo projecto. Para os cidadãos e entidades que fizeram os seus pareceres, técnicos ou não, a opinião foi quase que unânime, o projecto de ampliação não fazia sentido tendo em conta a grave perca de qualidade de vida das populações e a destruição de património natural e cultural, base da economia local não potenciada.

Aqui, a empresa que explora a pedreira ficou ainda mais incomodada, pois obviamente os seus interesses estavam em risco. Descobriu-se por exemplo que esta empresa já estava a extrair ilegalmente há vários meses (alguns anos), em clara incomfornidade com o Plano Director Municipal de Alvaiázere, que estava igualmente a violar a Rede Natura 2000 e também que a central de alcatrão, estava a funcionar sem o devido enquadramento legal (PDM), algo que constitui uma ilegalidade para todos os efeitos.

O caso chegou às televisões e aí surgiu o meu amigo Tito Morgado, em defesa da.... empresa e em desfavor das populações afectadas, algo que não constituiu nenhuma surpresa dadas as suas posições insustentáveis no domínio territorial.

A partir deste momento começou como que uma guerra entre lobbys e populações afectadas, surgindo inclusivé manipulações inaceitáveis da opinião pública, é precisamente aqui que eu vou começar a minha análise, sobre a qual incide este comentário no azinheiragate.

Vou comentar factos, com base "apenas" nas factualidades ocorridas e presentes em documentação, pois é com base em factos concretos e não em opiniões parciais e manipuladoras que eu me rejo.

Na exposição proposta pela empresa "Penedos Altos - Britagem dos Penedos Altos, LDA.", datada de 3 de Agosto de 2009, enviada por esta empresa ao Secretário de Estado do Ambiente, posteriormente ao parecer desfavorável, datado de 30 de Junho de 2009, pela CCDR-Centro, constam vários factos, alguns destes que conduziram a um intrigante, e posterior, parecer favorável condicionado ao projecto de ampliação da pedreira dos Penedos Altos:

1- Na página 10 desta exposição sobre o projecto, constato algo de muito curioso, quando a certa altura é referida a minha pessoa:

«...importa em primeira linha tecer duas considerações acerca do conteúdo da reclamação do Sr. João Paulo Forte...»

Agradeço sinceramente que me tratem por Sr., não compreendendo no entanto porque é que na página 14, quando se refere esta empresa a técnicos com qualificações iguais ou inferiores à minha pessoa, se diz:

«... importa considerar a exposição técnica que aqui se transcreve dos Biólogos Dr. José Carlos Correia e da Drª. Maria Helena Pimentel...»

É preocupante observar que aqui há dois pesos e duas medidas no tratamento de técnicos, já que eu além de ser geógrafo tenho pelo menos as mesmas qualificações dos dois técnicos referidos por Dr. e Drª. . Será que por ter opinião contrária à da empresa sou menos do que outros? Do Dr. faço questão de prescindir (coisa que falo desde sempre), já que é um prefixo que faz as pessoas maiores do que são, mas do geógrafo já não prescindo, já que é a minha profissão.

2 - Na página 15, consta uma figura, a qual tem a seguinte legenda:

Figura IV. 5.1 - Implantação da delimitação dos habitats protegidos sobre ortofotomapa de 1995 (CNIG, 2008)

Este foi um facto que descobri apenas e só porque tenho a fotografia aérea de 1995 daquela área, já que tive de a comprar para um trabalho de investigação que iniciei em 2006. O facto é que o que consta nesta página não é um ortofoto de 1995, é sim um ortofoto posterior a 1998, algo que representa não só uma imprecisão muito grave, que benificia a posição da empresa que explora a pedreira dos Penedos Altos, bem como representa uma evidente manipulação de informação priveligiada, como são os ortofotomapas. Não sei de quem é a culpa deste facto, mas é algo que tem de ser investigado, pois é inaceitável que aconteça algo como isto. Quando trabalhamos com ortofotomapas sabemos de que ano são, portanto tirem as vossas próprias conclusões.
Uma das curiosidades deste facto é que a empresa refere que a central de alcatrão em 1995 já existiria, quando afinal a fotografia aérea de 1995 desmente enequivocamente esta posição da empresa. Portanto a central de alcatrão é posterior ao PDM (1997) e portanto não tem enquadramento legal (algo de complicado de se justificar).

3 - Na página 23, é referido:

«Não foram encontradas grutas na área do projecto, nem na sua envolvente próxima»

Esta afirmação é extraordinária, já que no estudo que foi feito para a ampliação da pedreira, não foi consultado um estudo já com 20 anos sobre grutas e cavidades desta área, bem como não foram consultados os espeleólogos que trabalham nesta região. Mais ainda porque existe uma foto bem explícita, de um algar situado dentro do perímetro da pedreira, que foi destruído em 2007 sem que ninguém tenha sabido (além de mim e de outros espeleólogos).

4 - Outro facto que eu considero pouco elegante, é o referido na página 12:

«Na verdade os reclamantes se não tiveram conhecimento foi pelo facto de ou se encontrarem ausentes, o que se compreende por não serem residentes, ou por alheamento e desinteresse ou distracção das questões importantes da "sua" terra...»

A presunção desta empresa é curiosa, será que sabe melhor das vidas dos reclamantes dos que os próprios? Além disso reparem os leitores na expressão «da "sua" terra», a forma como rodeiam a palavra «"sua"» é bastante curiosa, parece até que é no sentido depreciativo, será que há cidadãos de segunda e de primeira? Fica a questão no ar...

5 - Uma outra questão, a qual eu considero quase que difamatória, é a referida pela Bripealtos na página 11:

«.... entenda que, mesmo que só nove postos de trabalho não sejam importantes na dinamização da economia de uma região que apresenta um quadro de desertificação...»

Bem, aqui as coisas ficam ainda menos favoráveis para a Bripealtos, já que não só eu considero os tais 9 postos de trabalho na dinamização da economia, bem como defendo-os, tendo eu apresentado propostas e alternativas para o fecho desta pedreira. Apresentei alternativas e projectos que se projectam no espaço e no tempo, já que eu apresentei alternativas sustentáveis, baseadas no aproveitamento do potencial económico desta área e da própria região, tendo em conta o seu património natural e cultural (criando dezenas de postos de trabalho).
Além disso, no meu parecer (durante a fase de participação pública), mostrei preocupação sobre o encerramento, em 2004/05 de uma casa de turismo rural que fechou devido à actividade nociva da pedreira, portanto mostrei claramente o meu interesse na questão dos postos de trabalho, mesmo que nesta antiga casa de turismo rural estivesse em causa "apenas" um posto de trabalho.

Neste momento, dou uma espécie de benefício da dúvida, mas se a Bripealtos, de novo, fizer algum comentário que não corresponda à verdade das minhas afirmações, farei questão em seguir para um processo por difamação. Não tolero que uma empresa não tenha a capacidade de aceitar comentários honestos e devidamente fundamentados, fazendo depois afirmações atentatórias da imagem da pessoa que faz críticas imparciais, legais e honestas, sem manipulação alguma.

A empresa que explora esta pedreira tem, primeiro que tudo, saber aceitar opiniões diferentes da sua, não se trata aqui se dizer mal de pessoas ou empresas, não é a minha forma de ser, é sim de tratar assuntos como este de forma séria sem manipular a opinião pública, doa isso o que doer seja a quem for.
Aproveitava já agora para relembrar que esta empresa comprometeu-se a colocar sismógrafos em algumas casas próximo da pedreira até Setembro, algo que até agora não aconteceu.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O "semblante encapotado" da Serra de Alvaiázere


Estávamos ainda em 2007 (Outubro), quando fui avisado que estavam a rasgar a Serra de Alvaiázere, o objectivo seria a abertura de uma estrada de acesso para um parque eólico. Já em 2004 tinham tentado implantar ali um parque eólico, mas sem sucesso, pois foi chumbado.
Esta notícia para mim era no mínimo estranha, já que eu, na altura, trabalhava na Câmara Municipal de Alvaiázere, na qualidade de técnico superior em geografia. A primeira coisa que me veio à cabeça foi " porque é que sendo eu a pessoa mais credenciada na matéria não soube de nada?".
Foi com uma certa consternação que vi uma outra informação algo estranha, após pesquisa nas actas da Câmara Municipal de Alvaiázere, vi que a acta nº 17/2007, datada de 6 de Setembro, dava um parecer positivo para o tal acesso ao parque eólico. Tinha sido requirido um parecer, pelo autarca local, à Divisão onde eu prestava serviço a essa mesma data, e eu nunca tinha sabido de nada, algo de realmente estranho sendo eu a pessoa mais habilitada para esse mesmo parecer.

Entretanto comecei a informar-me, já que não queria estar a formar opiniões sem saber de facto o que se passava. Poucas semanas depois soube que não havia autorização para a abertura de qualquer estrada, havia apenas autorização, do Ministério do Ambiente, para fazer um desbaste de vegetação para permitir a passagem de máquina de sondagens.
Parecia que havia ali uma política de terra queimada, destrói-se primeiro e pergunta-se depois.



Foi ali que comecei a perceber que havia qualquer coisa que batia mal, tendo começado a mexer-me no meio de forma a denunciar a situação gravíssima que se estava a passar. Muito antes de ter tido os problemas que me levaram à saída compulsiva do meu posto de trabalho, já eu tinha feito alguma investigação, coisa que uma pessoa em especial tentou esconder da opinião pública, pois a certa altura houve quem dissesse que eu tinha feito denúncia desta situação em particular apenas após Dezembro de 2007, quando afinal meses antes já eu andava no terreno, há documentação disponível na internet que comprova isto mesmo (um dos documentos foi discutivo num fórum de geógrafos em Novembro de 2007).

http://azinheiragate.blogspot.com/2008/05/parques-elicos-e-desordenamento-do.html


Ao longo das semanas a investigação ia avançando e as minhas denúncias também, as quas foram feitas nas entidades próprias e não na praça pública, portanto o que agora refiro (à excepção do que direi no final) já não é nada de novo, estou apenas a atar pontas soltas.


Descobri então outra coisa curiosa, algo que até hoje ninguém me respondeu, mesmo tendo eu questionado à quase ano e meio as entidades oficiais, onde é que está a declaração de impacte ambiental, ou melhor a sua revovação? Sim, porque a DIA datada de 2004 nunca foi revogada e um projecto nunca pode arrancar sem este importante documento.

Fiz, na altura, alguns vídeos no youtube que denunciavam vários factos muito estranhos, no mínimo:


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/30/eMFox97ates


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/31/H8jR5zYaFp8


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/32/LJZJOr7mjGM


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/33/-XcvN6NzUzo


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/24/nS_24zzSXh8


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/10/GnJR3DFBXvU


Depois de terem visto estes breves comentários, penso que já estão em condições de perceber que ali há gato, mas continuemos...


Outro facto que fiz questão em salientar foi o porquê de todo este processo estar a ser feito nas costas da população, ou então o porquê da falta de diálogo entre a SEALVE, SA, empresa promotora, e a população. Curioso é ninguém, da população, saber quem está por detrás de uma empresa denominada por Sociedade Eléctrica de Alvaiázere, SA. Onde está o diálogo com a população?

Ainda mais estranho, na altura, era o facto de todas as afirmações sobre este caso serem feitas por alguém que não funcionário ou gerente executivo da empresa promotora, ao invés era sempre o autarca local que fazia afirmações sobre as matérias relacionadas com este processo, porquê? Sendo os terrenos baldios não seria correcto ser a população a fazer afirmações?


Na altura, e em sede própria, até pedi que me fosse respondido pela autoridade própria, se este autarca teria algum tipo de ligação, directa ou indirecta com a empresa promotora de parque eólico. Igual pedido foi feito sobre um elemento da Assembleia de Câmara, o ex. ministro Arlindo de Carvalho. Foram duas questões que até agora, quase dois anos depois, não me foram respondidas.


Quanto mais eu investigava, mais a pressão sobre a minha pessoa aumentava, parecia que havia quem temesse esta minha investigação. Descobri coisas muito curiosas, além do que referi até agora, desde uma curiosa delimitação do maior castro da península ibérica, a qual não incluia todo o perímetro do povoamente arqueológico (na parte não incluída surgiam três torres a ser implantadas), até um edifício com mais de 30 metros, para apoio ao parque eólico (com garagem e tudo). Tudo isto numa serra reconhecida a nível internacional pelo seu valor natural e cultural, algo de lamentável.


No estudo elaborado por uma empresa externa até surgiam coisas estranhas, desde afirmações que não correspondiam à verdade científica, até contradições notórias sobre habitats protegidos.


Tudo isto foi rebatido, entre outros, por mim durante o processo de participação pública, sendo que durante este processo o acesso à informação foi-me muito dificultado. Uma das dificuldades surgiu quando fui à Câmara Municipal de Alvaiázere para consultar a documentação, tive inclusivé de fazer uma queixa por este mesmo facto (não fiz queixa no livro de reclamações porque entendi que por causa de uma pessoa só não pode pagar a imagem de uma instituição nobre como é o caso desta autarquia), fazendo a queixa à entidade mais indicada.


Mesmo no site onde deveria constar o Resumo Não Técnico, da Agência Portuguesa do Ambiente, este esteve inacessível durante todas as vezes que eu tentava consultar, algo de muito estranho. Mesmo agora podem procurar que a única coisa que surge é do 2004, porquê?


Já em 2008, e após muita tinta correr nor jornais, surgiu o esperado 2º chumbo do projecto do parque eólico, algo, para mim, de perfeitamente natural, já que era um projecto inaceitável para esta Serra em especial e havia alternativas para o parque eólico.


Após o chumbo, surgiram algumas vozes discordantes, dizendo que todos aqueles que tinham dado parecer negativo a este projecto absurdo (eu e várias entidades locais e regionais), deveriam reçarcir a autarquia pelo prejuízo causado pelo atraso neste projecto, algo de lamentável da parte do autarca local, Paulo Tito Delgado Morgado.


http://azinheiragate.blogspot.com/2008/12/elica-gate-na-serra-de-alvaizere.html


Logo começou um processo, liderado por este autarca, com vista à reanálise deste processo com vista a uma aprovação do mesmo. Foi apresentado um projecto que pessoalmente considerei como que uma pressão ineceitável para reverter o chumbo:


http://azinheiragate.blogspot.com/2009/05/exclusivo-nacional-alvaiazere.html


Já este ano, há poucos meses surgiu no site da Câmara Municipal de Alvaiázere um aviso sobre a passagem de linhas de alta tensão para o parque eólico da Serra de Alvaiázere, algo que me intrigou. Afinal sendo eu uma pessoa bem informada não sabia que o chumbo tinha sido revertido, continuo sem saber, seja oficial ou não oficialmente, já que os meus "tentáculos" chegam bem longe...


Ainda hoje tento procurar informação sobre isto, já que tento estar actualizado todas as semanas. Há poucos dias, quando passei por Alvaiázere, surgiu uma pessoa que me avisou que já andavam máquinas a tratar de começar as obras para as linhas de alta tensão, algo que me incomodou profundamente, já que parece que a política por terras de Alvaiázere é a política da terra queimada, faz-se primeiro e questiona-se depois. Uma técnica usada por pessoas sem escrúpulos, resta saber quem são realmente estas pessoas...


Penso, com toda a certeza, que este é um caso passível de investigação por entidades competentes na matéria, bem como da imprensa nacional, pois temo que haja aqui factos que sejam graves demais para que um jornal regional investigue e depois possa ter sérios problemas por isso.


Basicamente poderá ser um furo jornalístico de relevância supra-regional!


Não é costume meu pedir favores, apenas os peço em favor da comunidade, não em meu nome. Por isso peço aos orgãos de comunicação social que semanalmente visionam este blog, nomeadamente Agência Lusa, televisões, etc, que investiguem esta situação, pois os últimos acontecimentos mostram que aqui há gato...


Se eu temo ameaças por estar a mexer-me em terreno perigoso? Sinceramente não, tenho os meus cuidados e tenho as costas bem quentinhas, pautando sempre as minhas afirmações pela verdade e moralidade e não por outras razões que não as do apuramento da verdade. Digo isto por um motivo muito simples, há mais de um ano que fui alvo de ameaças não identificadas quando falei neste caso, portanto quem fez as ameaças lembre-se que estou ainda mais forte do que quando fui alvo de ameaças e continuo a não temer.


Pretendo cabal esclarecimento deste caso e para isso há que apurar responsabilidades, custe o que custar, doa a quem doer...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Quintas com história: actividade emblemática da Albaiaz

A Albaiaz - Associação de Defesa do Património (http://www.albaiaz.com/), é uma associação que ao longo dos anos se tem assumido como uma entidade chave na preservação e divulgação do património natural e cultural. Apesar de operar parcialmente na região se Sicó (além de outros concelhos que não os da região de Sicó), tem feito um trabalho notável em prol do nosso património.

Infelizmente, por vezes, é ignorada pelas entidades que mais deveriam estar interessadas pelo seu trabalho notável, ou seja as autarquias, facto que não dá boa imagem destas, já que uma das razões para o insucesso de muitas políticas regionais é precisamente o ignorar de muitos actores locais de desenvolvimento, caso da Albaiaz.

Uma das figuras mais notáveis que se destaca no seio desta associação local, é o Professor Doutor Mário Lousã, defensor intransigente do património botânico da região de Sicó. Há ainda mais pessoas com grandes capacidades nesta associação, ultrapassando o potencial humano de muitas das câmaras municipais da região.

Uma iniciativa que agora quero destacar e publicitar, é a iniciativa que a Albaiaz tem desenvolvido sobre as Quintas com história, que no dia 21 de Novembro irá deslocar-se à Quinta de Cima, em Chão de Couce, Ansião. É uma oportunidade única e rara de se visitar um dos edifícios com mais história no concelho de Ansião.

Fica a informação sobre esta iniciativa:





sábado, 7 de novembro de 2009

As variedades tradicionais enquanto património a divulgar

As variedades tradicionais (agricultura) têm perdido importância e valor a um ritmo exponencial nas últimas décadas, com isso a nossa agricultura de subsistência tem-se ressentido bastante, indo pelo caminho mais fácil através da inclusão de variedades muito pouco amigas do próprio ambiente. Empresas gigantescas, como a Monsanto, têm pervertido a nível mundial a lógica da agricultura, pensando só e apenas no lucro fácil, mesmo que isso leve ao desaparecimento de um património genético importantíssimo para a humanidade.

Tendo em conta que faço questão em divulgar tudo aquilo que considero importante no domínio ambiental, quero desta vez abordar uma questão à qual não tenho dado a devida atenção, a componente biótica da natureza. Para isso, divulgo uma associação que quem não está por dentro destas matérias deve conhecer, mais ainda porque bem perto da região de Sicó se localiza um dos locais onde podem conhecer in loco esta questão.

Peço então a vossa atenção para esta temática e em vez de vos "massacrar" com texto, deixo-vos com um documento da Associação Colher para Semear - Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais, onde se podem inteirar melhor sobre esta importante questão, também para a região de Sicó:





domingo, 1 de novembro de 2009

Reconstruir o património é....


Fundamental, mas o que pretendo com este comentário é salientar algo de muito, muito importante. O património, nomeadamente arquitectónico, é uma das imagens de marca da região de Sicó, mas infelizmente muito deste mesmo património está no estado em que esta casa na foto demonstra, ao abandono e em ruínas.
E se esta rica e vasta riqueza patrimonial se pudesse reconstruir/recuperar, com evidentes benefícios económicos? Não é possível dizem algumas mentes iluminadas!
Mas o que é que os números e a realidade da região de Sicó dizem? Bem, em primeiro lugar temos milhares de exemplos como o que a foto ilustra e que podem ser recuperáveis. Em segundo lugar, que infelizmente há muitas empresas de construção civil que em vez de se voltarem para este, ainda, nicho de negócio, continuam em agonia com as suas empresas desajustadas à realidade do mercado e da região.
Há também estatísticas, realmente, muito interessantes que referem que restaurar património é uma das saídas para o desemprego, que, por exemplo, na Holanda, recuperar imóveis pesa 75% na construção civil (reciclam 90% dos resíduos resultante da demolição em edifícios!). A realidade torna-se sinistra quando se aproxima de Portugal, senão vejamos:
- Na Holanda, como disse, representa 75%
- A média europeia é de 40%
- Em Portugal, é de.... 6,5%
E na região de Sicó, será que chega sequer aos 6,5%?
Não resisto mostrar um excerto de um texto (Jornal de Leiria - 20/08/09), onde é referido:
«Elísio Summavielle repete o apelo em Portugal e lembra que há um caminho a percorrer maior do que em outros países. Caminho que passa muito pelo investimento público que as autarquias têm de fazer, quando perceberem que existe um nicho de negócio legado ao turismo cultural à preservação dos centros históricos. Mas há outro problema. Falta mão-de-obra qualificada, como marceneiros, canteiros, estucadores, artesãos e mestres, bem como a exploração de materiais e técnicas de construção tradicionais»
Então se a roda está inventada porque é que não se mete mãos à obra? Porque é que estamos atrasados mais de uma década nesta e noutras matérias? Porque é que temos aqui uma das muitas soluções para preservar o património, trazer riqueza e postos de trabalho e continuamos a assistir a estes tristes exemplos?
Porque é que não ligamos a muitas casas das nossas famílias, deixando-as a cair aos bocados com medo de gastar dinheiro e vêm ingleses, comprando-as e ganhando dinheiro com isso?
Enfim, é mais uma das razões porque temos perdido oportunidades únicas de tornar esta região uma das regiões de excelência do país, ao invés deixamos de forma passiva alguns autarcas e lobbys descaracterizarem muitas das particularidades que nos tornam diferentes, para melhor, de outras regiões portuguesas.
É mais uma questão que vos deixo para pensarem, lembrem-se dela quando passarem por uma bela casa de pedra em ruínas, aí, se calhar, perceberão melhor a importância do que vos tento mostrar. Parem e pensem no que esta região se está a tornar aos poucos...