quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A crónica da pinha



Decidi regressar para um novo episódio das minhas mini crónicas (a primeira foi a crónica das duas folhas), espaço em que de maneira simples tento explicar o difícil. Para isso baseio-me agora numa bela pinha que há semanas atrás apanhei do chão, enquanto o carro de bombeiros em que eu estava se abastecia para combater o grande incêndio de Pombal/Ourém. Sinto a necessidade de desenvolver estas crónicas, pois poucos são os que de forma pedagógica se dedicam ao explicar das coisas difíceis de uma forma fácil e intuitiva. Obviamente que também pretendo desenvolver a escrita criativa, para mais tarde começar a dedicar-me aos livros.
Tendo como base esta bela pinha, inicio então algo que espero que fique tal como espero que fique, simples e intuitiva em termos pedagógicos, o que nem sempre é fácil quando se escreve na hora.

Quase a começar o Outono, Inês foi a casa dos seus melhores amigos. Era um hábito semanal, o qual visava o convívio entre jovens que já se conheciam desde a primária.
Nesse final de tarde, a fresquidão da brisa de vale já se instalava a jusante do vale onde se situava a casa de Josefina e António. Inês chegou e já acusava esse fresquinho, o que levou a que Josefina se prontificasse a acender a lareira. Inês disse logo:
- Mas não tens aqui acendalhas, como vais acender o lume?
Josefina riu-se logo, pois achou graça ao facto de Inês não ter reparado no óbvio.
- Achas mesmo que eu ia comprar acendalhas para acender o lume?
- Sim, claro, porque não? Respondeu Inês.
- Por um motivo muito simples, o de que não faz sentido algum comprar algo, feito à base de derivados de petróleo, que vem do outro lado do mundo, quando logo aqui à porta tenho pinhas que, além de serem naturais, fazem o serviço melhor.
- Pois, faz todo o sentido, não tinha pensado nisso! Exclamou Inês.

É uma crónica curta, mas penso que explica o essencial. Se reflectirem o suficiente vão perceber a profundidade desta curta, mas incisiva crónica. Temos muitos recursos, infelizmente não os aproveitamos devidamente, apenas nos queixamos que as coisas estão mal. Já pensaram em pegar em meia dúzia de sacos e ir às pinhas? Vivem longe do pinhal? Alguns sim, mas numa volta num qualquer dia podem parar e apanhar umas quantas...
E acabe-se com a praga dos eucaliptos!



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A intemporal Sicó...



Há lugares mágicos, onde o tempo parou há décadas atrás. Felizmente que na região de Sicó ainda há desses lugares mágicos, onde, chegados lá, paramos num tempo que não é o nosso.
Há semanas atrás, tive o privilégio de conhecer um destes lugares mágicos, o qual não irei divulgar tendo em conta a necessidade de proteger a magia do lugar. Pode parecer injusto eu guardar segredo sobre a localização do mesmo, mas como bem sei, é a melhor coisa que posso fazer de modo a o proteger de pessoas que poderiam vandalizar. Estas duas fotografias são apenas um pequeno exemplo de algo maior (muito maior!) que por ali existe.
Quem realmente gosta da região de Sicó, conseguirá mais tarde ou mais cedo descobrir este e outros lugares, autênticos museus associados à evolução humana. Isso pode acontecer por duas formas, ou num qualquer "mergulho no território" num dia qualquer, onde por mero acaso acabamos por nos deparar com algo importante, ou através de uma das muitas pessoas que, tal como eu, gosta da região de Sicó e decide partilhar parte do seu conhecimento. Eu fui bafejado pela sorte, pois houve alguém que me apresentou ao lugar onde tirei estas e outras fotografias, o meu muito obrigado por isso mesmo!
Decidi abordar esta questão por um motivo muito simples, o de que andamos a perder há demasiado tempo muito daquilo que afinal nos trouxe onde hoje estamos. Não valorizamos muito daquilo que realmente é importante, e quando digo que se deve valorizar, não é a muitas típica valorização de pendurar objectos antigos nas paredes para nos lembrarmos de algo passado. A valorização é muito mais do que isso...
Eu sei que estas palavras são curtas, mas o objectivo passa mesmo por palavras curtas, as quais têm como intuito estimular a discussão em redor daquilo que é realmente importante, o nosso património, renegado por alguns em prol de um não património, que é supérfluo e inconsequente!


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Vamos lá ver então a história da tauromaquia enquanto património cultural imaterial...


É daqueles temas fracturantes na sociedade portuguesa, ao qual a região de Sicó não escapa. Naturalmente não poderia deixar passar muito mais tempo sem deixar aqui bem expressa a minha opinião, já que afinal o azinheiragate trata de património. Isto, muito embora os gralhos já se tenham manifestado há meses atrás.
Depois de um mês de Agosto, onde a festa taurina apareceu em locais onde não tem nem nunca teve tradição (Ansião - Santiago da Guarda - por ex.), eis que decido então abordar esta questão. Isto já muito depois do Município de Pombal ter reconhecido e declarado a tauromaquia património cultural imaterial do município.
Considero este reconhecimento sinal de populismo demagogo, já que a reconhecer e declarar a tauromaquia enquanto património cultural imaterial, isso só teria algum sentido em Abiúl. Isto será apenas uma atitude desesperada de quem quer impor uma cultura que não existe em muitos lugares e que querem impor a qualquer custo.
Indo então ao cerne da questão, não tenho problema algum em dizer que até gosto de largadas de vacas ou touros, já que isso é uma luta justa e todos se divertem. Mas fico-me por aqui, já que dizer que espetar ferros no lombo de um touro é "património cultural imaterial", isso não cabe na cabeça de mentes sãs. Não será difícil perceber que, tal como está, a tourada irá inevitavelmente acabar, já que quem gosta de espetar ferros e quem gosta de ver é gente teimosa, no mau sentido. Porque não acabar com este gesto da idade da pedra e mudar algo que não faz sentido algum? Inventem algo que não passe por espetar ferros no lombo de animais!
Será mesmo que a tauromaquia "fomenta de sobremaneira o desenvolvimento turístico do município de Pombal"? Claro que não!
Abordando agora as afirmações do Presidente da Junta de Freguesia de Abiúl, quando refere que "o touro nasceu efectivamente para ser lidado", considero estas anedóticas. Darwin acharia muita graça a isto, se bem que graça não tem nenhuma. Quando refere que "acabar com a actividade taurina é acabar com parte da economia nacional", esta é mais uma daquelas afirmações que não lembra a ninguém. Quem está a acabar com a actividade taurina são os próprios dinamizadores da mesma, já que ao teimarem em espetar ferros nos animais, só porque tem de ser e é "tradição", estão apenas a condenar-se a si próprios. As touradas estão a perder terreno a olhos vistos e caso os ferros continuem, as pessoas tendencialmente irão perder (ainda mais!) o interesse num espectáculo bárbaro e degradante. Isto já acontece, resta saber quantos anos mais a teimosia vai durar...
Já este ano, quando me desloquei a Valladolid, entrei numa antiga praça de touros, a qual foi transformada em complexo habitacional. É apenas um de muitos exemplos que mostra que as touradas já não são o que foram e nem têm a força que alguns ainda dizem que tem.
Se gostam de correr à frente de touros, tudo bem com isso, agora englobar o gesto bárbaro que é espetar ferros num animal, no património imaterial, isso é que nem pensar. E não, não faço parte de nenhum grupo defensor dos animais, sou sim defensor do que realmente é património e daquilo que realmente é racional.
Termino com um bom exemplo no que concerne à tauromaquia sã, onde todos se puderam divertir (incluindo os touros!), as festas do Mogadouro, em Ansião, no último fim-de-semana. Há 3 anos pude lá ir, correr à frente dos touros, numa luta justa e sem espetanços no lombo, isso sim é património cultural imaterial!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

E ainda...



Era este o exemplo que pretendia destacar antes de acontecer a outra tragédia que foi o incêndio na Serra de Alvaiázere. O local que podem observar na fotografia e na imagem do google earth, situa-se a Sul da Serra de Alvaiázere, a escassas dezenas de metros da base da Serra de Alvaiázere. 
Indo então aos factos, há semanas atrás, ardeu parte desta área (na 1ª fotografia), facto que até nem me surpreendeu tendo em conta o historial desta área em especial...
Quando soube de mais este trágico incêndio, fui ao local e reparei que, no seguimento de uma estrada aberta ilegalmente (em REN e Rede Natura 2000), há coisa de 2 ou 3 anos, existe agora um outro estradão, precisamente no seguimento do primeiro. Resta saber em que condições isso aconteceu. Pessoalmente considero isto realmente muito estranho.
Reparem na fotografia seguinte, estão ali duas máquinas giratórias a rasgar a Serra. (agradeço a quem gentilmente me enviou esta fotografia, tirada na primeira quinzena de Agosto). Tendo em conta que não há incêndio na altura das fotos, parece-me exagerada a presença de 2 máquinas giratórias. Porque será que estão ali duas máquinas? Pressa para quê?


Como curiosidade, aquele círculo de pedras que vêm no meio da imagem, é um Castro (arqueologia), parte do qual está agora à vista de todos, já que o sector Sul daquela colina também ardeu.
Curiosidades curiosas, não?





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Queimar para reinar: retaliação cobarde na Serra de Alvaiázere?



Foi o triste culminar de uma das semanas mais complicadas que tive em termos combate em incêndios florestais. Depois de ter estado 3 dias e 2 noites nos incêndios de Pombal/Ourém e Alvaiázere (Maçãs D. Maria) eis que surgiu um incêndio na Serra de Alvaiázere.
Quando me telefonaram, a pedir disponibilidade para estar de reforço no quartel, nem queria acreditar, a  bela Serra de Alvaiázere estava em chamas. Confesso que me emocionei, já que se já é difícil aceitar que algo esteja a arder, mais difícil é aceitar que algo tão belo esteja sujeito a este drama anual que são os incêndios florestais. Trabalhei muito em prol da Serra de Alvaiázere, daí a proximidade perante a mesma me afectar ainda mais. Mas desenganem-se, não irei esmorecer, já que a Natureza irá curar as suas feridas!
Estava para falar desta questão dos incêndios, já que há semanas atrás surgiu um outro incêndio muito suspeito a Sul da Serra de Alvaiázere, o qual sinceramente me parece que teve intuitos bem definidos. Não esperava agora que fosse a Serra de Alvaiázere a começar a arder, muito embora fosse algo que sempre tivesse receio, já que alguém eventualmente poderia retaliar desta forma perante a minha luta em prol desta área em particular.
Ontem foi então um dia em que muito pensei, já que há factos que importa agora trazer a público. Na quarta-feira, dia 5 de Outubro, andei praticamente o dia todo com uma equipa de filmagem, de forma a retratar várias questões polémicas associadas à Serra de Alvaiázere. A reportagem será emitida nas próximas semanas (irei anunciar aqui no azinheiragate), no programa Biosfera, da RTP2.
Durante esse dia, fomos "vigiados" por algumas "pessoas", as quais ficaram francamente incomodadas com o facto de eu estar a falar perante uma câmara. Uma delas, passou pateticamente perante nós, num carro, a uns 10 à hora, tendo voltado momentos depois, sempre a olhar para nós de forma intimidatória. Pararam a escassos metros dos nossos carros, fingindo que iam ver uma vinha que nem sequer era deles... 
Eis que no dia seguinte à reportagem, surge um incêndio, precisamente na Serra de Alvaiázere, será coincidência? Não me parece, parece-me sim que possivelmente alguém terá mandado incendiar a Serra de Alvaiázere, numa atitude típica de quem pensa que a Serra é sua coutada. É uma atitude tipo "se a serra não é para mim, então não é para ninguém", a qual confirma tudo aquilo que sempre disse sobre interesses corruptos que pairam sobre este território. Será, na minha opinião, uma atitude de retaliação, a qual mostra que há gente que é capaz de tudo, mas mesmo tudo, para conseguir o que pretende. Aposto que esta gentalha ainda irá vitimizar-se, aproveitando uma tragédia a seu favor, mesmo que seja a culpada pela mesma. É repugnante que haja gente com esta mentalidade em pleno século XXI.
Embora não fosse difícil de imaginar, e pelo que me informaram, este incêndio teve mesmo origem criminosa, portanto o puzzle não será impossível de montar. Quem meteu este incêndio infelizmente sabia o que fazia, já que o ponto de ignição foi realmente estratégico.
Espero que a Judiciária consiga apanhar o pirómano, bem como o seu eventual mandante. Não sou adepto de teorias da conspiração, mas que aqui há gato há...
Não me vou alongar muito mais, já que o cansaço de uma semana dura ainda se manifesta em mim, quero apenas terminar apelando a que todos se mexam para acabar com este drama que são os incêndios. Eu já faço o meu papel há muitos anos e de variadas formas, é duro, é arriscado, mas vale a pena arriscar a vida pela floresta, pelos nossos bens e por todos nós, cidadãos de Portugal!
Finalizo apenas com um pedido, o de que divulguem a sete ventos esta questão que agora retratei.



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Faça-se luz sobre o património de Sicó!


Esta é uma das melhores alturas do ano para pensar no passado. O motivo é simples, o de que por esta altura muitos de nós têm a cabeça mais fresca, pronta a processar de forma mais eficiente muito daquilo que em alturas mais exigentes não consegue.
Os comentários das próximas semanas vão ser o reflexo disso mesmo, esperando eu que a cada comentário que passe a aprendizagem seja cada vez maior, não só para quem lê o azinheiragate, mas também para mim próprio, o que beneficia todos e, em última análise, o património que tanto gostamos. É a defesa e valorização desse património que tanto me interessa, tudo o resto, que os lóbis digam, é areia para os olhos dos cidadãos. O sol é demasiado grande para os lóbis o tentarem tapar com uma peneira!
Este mês será de importância simbólica, já que a defesa do património da região de Sicó irá chegar aos holofotes..., daí o título deste comentário. A ver vamos como vai ser, ficando a promessa do devido aviso a todos os que realmente se interessam pelo património da região de Sicó.