quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Abate de sobreiros no lugar do Sobreiral, Alvaiázere!


Dizia eu, no último comentário, que em Alvaiázere a política ambiental e territorial era de fachada, lembram-se?
Dizia eu, na última parte do comentário, que se plantam umas dúzias de árvores nobres todos os anos e sempre no mesmo sítio, algo que, quanto a mim, serve apenas proprósitos maiores. Infelizmente não foi preciso esperar muito para surgir mais um facto que mostra que em Alvaiázere vive-se das aparências, politicamente falando.
Esta segunda-feira fui até Alvaiázere, pois além de precisar de fazer um registo fotográfico, do parque eólico, fazia questão de dar uma volta por um território que há 7 anos me fascina. Foi pois o passeio da despedida de 2011 por estes lados. Não contava encontrar o que acabei por encontrar e por mero acaso, quando andava por umas ruas a escassas centenas de metros do centro da Vila. Fui surpreendido porque ninguém, dos meus "informadores" me tinha dito nada, talvez porque a tirania manda naqueles lados e promove o medo nas pessoas, daí ninguém denunciar.
Quando estava a tirar umas belas fotografias de uma bela quinta, acabei por, mais tarde, seguir o caminho que circunda a tal quinta, o que me levou ao lugar do Sobreiral. Como vi que estava por ali uma máquina giratória, acabei por dar a volta e entrar pelo acesso principal, dando assim menos nas vistas (quando sou visto por Alvaiázere certas pessoas são informadas que eu ando por lá e surgem os "vigilantes").
Entrando pelo acesso da estrada municipal, onde tem a placa "Sobreiral", parei a carrinha, pois dali não era visto. Foi nessa altura que ouvi um barulho que me preocupou bastante, o som de uma árvore a ser derrubada. Assim sendo, tirei a máquina fotográfica e peguei novamente na carrinha.
Mais à frente, lá estava a máquina de uma empresa a derrubar árvores. Não foi surpresa ver sobreiros no chão, ainda mais porque o lugar se chama Sobreiral. Estacionei a carrinha num largo e vi que além de sobreiros de grande porte, o mesmo aconteceu a carvalhos de grande porte, todos em bom estado.
Estava ali um emigrante a passear o cão e, durante uns minutos falámos acerca da obra naquela estrada municipal. Algumas das árvores já tinham sido levadas dali...
Desci a rua, até onde a máquina estava a trabalhar, tendo sido precisamente nessa altura que mais um sobreiro veio abaixo, aquele mesmo que vêm na foto. Fiquei chocado com o facto, mas não me chocou que isto tenha acontecido em Alvaiázere...
Se puderem vão ver mais este atentado ambiental em Alvaiázere. Penso que brevemente além de já não restarem provas do sucedido, o lugar do Sobreiral já não vai ter motivos para manter a sua toponímia. Talvez a próxima toponímia possa vir a ser Derruba Sobreiro...
Por esta hora a Brigada Verde da GNR já deve ter tomado conta da ocorrência, pois obviamente fiz quentão em exercer a minha cidadania. Lembro que quem quiser fazer uma denúncia pode fazê-lo de forma anónima, estando assim livre de represálias. No meu caso, não tenho esse problema e faço questão de denunciar mais este caso publicamente, primeiro às autoridades competentes e depois a todos vós.
Não prescindam de fazer algo tão importante como exercer a vossa cidadania, o país está como está devido à "nossa" passividade, por isso há que denunciar tudo o que está mal!


sábado, 17 de dezembro de 2011

As eco-falácias do autarca Paulo Tito Morgado.


Há momentos em que me sinto obrigado a fazer comentários mais robustos, este é apenas mais um desses momentos. Quando digo robusto, significa que é uma questão tremendamente importante, a qual pretendo partilhar convosco de uma forma honesta, construtiva e muito incisiva.
Faço então um comentário que pretende não só denunciar factos que mais adiante irei descrever, mas também, e acima de tudo, alertar a opinião pública para o que pessoalmente considero um "jogo" ética e moralmente reprovável.
Nós, os portugueses, temos o mau hábito do "deixa andar" numa patética atitude de passividade perante quase tudo o que nos rodeia. Infelizmente há quem se aproveite desta nossa passividade, o que, por vezes pode ter impactos tremendamente negativos para as comunidades e para o... património!
Para começar esta minha denúncia, nada como começar pelo princípio: 

"Num momento histórico e económico em que a sustentabilidade e o aproveitamento de recursos faz cada vez mais sentido, o Município de Alvaiázere promoveu, com o apoio da Finerge, vistas guiadas ao Parque Eólico de Alvaiázere.
 Assim, entre os dias 17 e 26 de Outubro, cerca de três centenas de alunos dos três estabelecimentos de ensino do concelho (Agrupamento de Escolas de Alvaiázere, Pólo de Alvaiázere da Escola Tecnológica e Profissional de Sicó e Pólo de Cabaços da Cearte) visitaram o referido parque, ficando a conhecer a lógica de funcionamento de uma infra-estrutura com estas características. Estes alunos e respectivos professores tiveram acesso ao interior de uma torre, percebendo os mecanismos subjacentes ao respectivo funcionamento para a produção de energia e à estação de recepção e transformação da energia produzida. 
Acompanhados por técnicos especializados da Finerge, estes jovens alvaiazerenses perceberam in loco todo o processo de produção de energias verdes associadas ao recurso do vento e foram sensibilizados para a importância da construção e funcionamento dos parques eólicos. Foram ainda elucidados sobre os estudos e trabalhos prévios que antecedem a construção destes parques, percebendo que todos os pormenores são tidos em consideração no sentido de garantir a preservação da fauna, da flora e das características, riquezas e especificidades geomorfológicas do local de implantação.
Tratou-se, pois, de um momento de grande qualidade pedagógica que contribuiu para a formação integral dos jovens alvaiazerenses no sentido de perceberem que o futuro começa hoje e que urge procedermos à protecção e preservação do nosso planeta."

Depois de lerem este excerto de uma notícia, publicada no site da Câmara Municipal de Alvaiázere, podem ficar contentes com a mesma, no entanto como o sábio provérbio diz "nem tudo o que luz é ouro".
Depois de uma cuidada análise à notícia, fiquei realmente preocupado, já que além de ser uma notícia que não corresponde aos factos ocorridos, é uma não notícia. Isto por um motivo muito simples, é um texto que consciente ou inconscientemente visa a manipulação da opinião pública, é a minha humilde opinião.
Repare-se na parte do texto que sublinhei, é precisamente esta parte que confirma inequivocamente a manipulação da opinião pública, com a agravante de estarmos a falar da comunidade escolar. Precisamente num parque eólico que é, e foi, altamente polémico e que também é um case study a nível nacional sobre como não se deve fazer um parque eólico, é dito que "todos os pormenores são tidos em consideração no sentido de garantir a preservação da fauna, da flora e das características, riquezas e especificidades geomorfológicas do local de implantação". Basta uma breve pequisa na imprensa para saber que nem todos os pormenores foram tidos em consideração em termos de garantir a preservação da componente biótica, e abiótica da área, isto não esquecendo a componente arqueológica e cultural. Ver uma mentira passar por verdade é algo que nos deve preocupar a todos, especialmente quanto esta é recorrente e tem um objectivo manipulador.
Apenas um link para informar quem não sabe dos factos ocorridos:
Não foi de forma alguma um momento de qualidade pedagógica, muito pelo contrário. Em termos pedagógicos isto nunca sequer seria falado à comunidade escolar.
O curioso é que isto não me choca, tudo porque o autarca local é Paulo Tito Morgado, o qual desde há 2 anos, depois de um período de silêncio de 1 ano, iniciou uma verdadeira política de tipo greenwash, a qual visa dar cobertura a uma política predadora do território e dos valores ali presentes. É uma política de cosmética que face a grande parte da opinião pública local, e mesmo regional, tem vindo a dar cartas, mesmo que seja uma política com pés de barro.


Mas esta foi apenas uma de muitas acções supérfluas de charme perante uma opinião pública local que infelizmente é vítima da sua própria inocência, guiada livremente por interesses económicos que de Alvaiázere apenas pretendem o lucro, nada mais. Já houve várias situações, novamente polémicas, em que o autarca local, em vez de estar ao lado das populações, esteve sim ao lado dos interesses económicos que exploram ou querem explorar, de forma mais ou menos predatória, aquele território. A imprensa nacional já por várias vezes esteve em Alvaiázere e o resultado foi sempre o mesmo, população de um lado, autarca local e empresas do outro. Obviamente havia certas pessoas do lado do autarca, mas são apenas peões/fantoches que aparecem sempre para tentar diminuir o desgaste que as polémicas têm trazido.
Outra situação que quero destacar, ainda neste âmbito, foi o lançamento da 2ª Edição da Semana da Reflorestação Nacional, ocorrido precisamente em Alvaiázere, em Novembro último. Obviamente que há mérito da parte da Eng.ª Florestal da autarquia, e da própria autarquia, isso não está nem nunca esteve em causa, no entanto esta acção, quanto a mim, não é mais do que algo que infelizmente serve um propósito maior, o da cobertura a uma política altamente lesiva para aquele território. Por um lado planta-se todos os anos umas quantas dezenas de árvores emblemáticas, sempre no mesmo sítio, por outro, prossegue-se com uma política que no essencial degrada o valioso património biótico e abiótico de Alvaiázere. Analisando todas as medidas e projectos pensados por este autarca, a realidade é bem mais dura, betão e mais betão, juntando alcatrão.
Quem, como eu, trabalha em questões ambientais, sabe do que falo, no entanto somos ainda poucos, daí eu pretender com este comentário alertar os restantes, a bem do património da região de Sicó. Estamos a falar de coisas sérias e muito importantes, as quais infelizmente não são debatidas, no entanto aqui estou eu para lançar o debate. Será aceitável esta política de fachada do autarda local, pautada por repetidas eco-falácias?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Crónica das duas folhas


Esta é a história de duas folhas. A primeira folha nasceu num campo, perto de uma aldeia, a sua mãe era uma caducifólia esplendorosa, a qual, todos os anos fazia surgir uma imensidão de filhotas. Ano após ano, decorrida a magia das fases fonológicas, surgiam as belas folhas, que embelezavam a paisagem populada por uma imensidão de objectos visuais. Certo dia surgiu uma folha especial, a qual adquiriu uma consciência própria.
Certo dia, após uma vida fogaz, desprendeu-se da sua mãe, caindo até à terra cheirosa. Neste curto trajecto, embalado por uma brisa de vale, a folha não se sentiu triste, pois afinal mesmo após a sua morte, ela teria utilidade. Já sem vida, a folha ganhou uma alma e, daí, ficou a contemplar o que iria acontecer ao seu corpo. 
Depois de um breve processo de decomposição, a folha viu o seu corpo fertilizar a terra, agora fértil e pronta a alimentar a sua mãe, que por ali ficou por muitos e bons anos. Depois deste outro processo mágico, a alma da folha seguiu o seu caminho, o da imortalidade.
A segunda folha, nasceu num pequeno jardim de uma cidade, a sua mãe era uma caducifólia que poucos meses antes tinha sido alvo de uma violenta poda. Apesar de violentada, esta ainda conseguia fazer surgir uma imensidão de filhotas. Ano após ano, decorrida a magia das fases fenológicas, surgiam as belas folhas, que embelezavam a triste paisagem urbana, populada por uma imensidão de objectos visuais. Certo dia surgiu uma folha especial, a qual adquiriu uma consciência própria.
Certo dia, após uma vida fogaz, desprendeu-se da sua mãe, caindo até ao alcatrão mal cheiroso e sujo. Neste curto trajecto, alterado pela movimentação de várias dezenas de carros a alta velocidade, a folha sentiu-se triste, pois afinal após a sua morte, ela não teria utilidade. Já sem vida, a folha ganhou uma alma e, daí, ficou a observar o que iria acontecer ao seu corpo.
Depois de escassas horas, a folha viu o seu corpo a ser varrido para dentro de um caixote do lixo, para posteriormente ser levada para um aterro. A sua mãe não foi assim alimentada, não tendo sobrevivido muitos anos mais. Ao invés a sua mãe foi cortada poucos meses depois, já que além das folhas incomodarem os cidadãos, a árvore mãe estorvava o estacionamento de um carro. Depois deste outro choque, a alma da folha fugiu para o campo, onde tinha ouvido que havia vida.
Decidi escrever esta breve crónica das duas folhas, já que muitas vezes vejo certas pessoas a tentar explicar o fácil de forma complicada. É um texto que mesmo sendo sucinto e escrito na hora, pretende promover uma reflexão que se torna cada vez mais urgente, para nosso bem...