segunda-feira, 27 de abril de 2009

Uma questão de mobilidade numa sede de concelho da região de Sicó

Todos nós já ouvimos falar acerca da questão da mobilidade urbana, directa ou indirectamente, nem que seja devido ao já mais do que conhecido dia sem carros um pouco por todas as cidades da Europa e de Portugal também (em Setembro). Se calhar muitos de vós pensam que este não é um assunto relevante aqui na região de Sicó, mas….
Após ter pensado numa forma efectiva de avaliar (muito sucitamente) esta questão da mobilidade aqui na região de Sicó, decidi fazer algo de concreto de forma a mostrar-vos o quanto problemática é esta questão, mesmo numa região onde o carro, regra geral, é realmente preciso, já que não vivemos numa dita metrópole (felizmente...), e por isso as coisas são bem diferentes. Há várias formas de fazer algo acerca desta questão, isto de forma a compreendermos a necessidade de melhorar as coisas, mesmo parecendo que tudo está bem…
Já tinha idealizado a questão, mas sinceramente ainda não tinha experimentado algo de simples e que me surpreendeu mesmo a mim próprio, que estou ligado a estas coisas do ambiente e património. Por isso meti mãos à obra e aqui vai:
- Pensei numa sede de concelho aqui da região de Sicó. Pensei também em pessoas que conheço e nos seus trajectos para o emprego, além do tipo de combustível que utilizam nos seus veículos. Escolhi cerca de 10 pessoas e coloquei os seus trajectos num Sistema de Informação Geográfica (SIG), podendo assim calcular as distâncias efectuadas por cada uma destas pessoas (e sabendo que são pelo menos 15 pessoas a fazer estes mesmos trajectos), isto apenas com o intuito de colocar em termos numéricos estes valores e com isso ter uma ideia do seu impacto e da real situação destas e de outras pessoas face à mobilidade “urbana”. Por uma questão de respeito pela privacidade das pessoas em causa não as vou identificar, quero apenas que vejam o real estado das coisas aqui na região nesta temática.

Os resultados foram muito maus, já que é inaceitável que pessoas várias, algumas com formação superior (e não inteligência superior), por uma questão de comodismo e exibicionismo peguem no carro e façam apenas 1 ou 2 km diários para ir e vir para o trabalho, agravando o facto de muitos dos veículos serem a gasóleo, os quais em trajectos curtos poluem bem mais…
Os traços que vêm na figura são os trajectos efectuados e na tabela excell constam os percursos e os combustíveis utilizados, basta analisar e ver para percepcionar o quanto grave são os resultados. Em jeito de crítica construtiva, estas pessoas deviam pagar 5 euros ou mais por litro de combustível! Em jeito de crítica de pouco construtiva, estas pessoas deviam ser proibidas, regra geral, de fazer estes trajectos de carro!
Para quem vive longe do trabalho compreendo que tenha de utilizar o carro, já que a nossa região assim o obriga, mas e para quem vive nos principais núcleos urbanos (como são as sedes de concelho)? Será que tem alguma lógica para pequenos trajectos pegarem no carro em vez de andarem breves minutos a pé? (à excepção de pessoas com alguma dificuldade motora, que por acaso uma está representada neste estudo - mas que tem problemas apenas à alguns anos).
Quanto a mim a grande questão deve-se ao facto de o carro ainda ser visto como estatuto, mas, regra geral, desenganem-se as pessoas que fazem como o/as que fazem estes pequenos trajectos e poluem de forma desnecessária, já que além de ser apenas um rótulo de preguiçoso/a, será cada vez mais como que um rótulo de indivíduo com capacidade cognitiva reduzida. Estas pessoas prejudicam-se a si a nós todos, pois poluem o nosso ar evitadamente, “gastam” as estradas e com isso roubam os nossos impostos, os quais deviam ir para o que é realmente necessário. Além disso ainda surgem ideias ditas de desenvolvimento que consistem em gastar milhões a construir parques de estacionamento subterrâneo à porta do seu local de trabalho (é uma boca que, como ansianense tinha de mandar, não escapa…).




Neste pequeno estudo podemos encontrar pessoas com formações académicas variadas, desde 4ª classe até licenciados (erroneamente rotulados como doutores, pois a denominação correcta é Lic. e não Dr. …), por isso fica o aviso que é um problema transversal à sociedade…
Pensem agora todos vós (sejam ou não da região) em pessoas que conhecem e que sabem que vivem perto do local onde trabalham, façam o mesmo exercício que eu fiz (sem ser necessário grandes contas e SIG´s á mistura) e cheguem às vossas conclusões, surpreendidos?
Andem a pé ou de bicicleta sempre que possam, não tenham receio de vos verem como “coitadinhos” e acima de tudo sensibilizem aqueles que estiverem nesta situação (viver e trabalhar a pequenas distâncias), vocês hão de agradecer a vós próprios daqui a uns anos por isto mesmo…
Eu tenho todo o orgulho de andar a pé ou de bicicleta em trajectos curtos, dá-me saúde e prazer em andar devagar e sentir as coisas, poupo o ambiente e $$$, posso parar e falar com os amigos, não perco tempo a estacionar, etc, etc, etc. Além disto tudo lembrem-se que o estatuto é-nos reconhecido pelo nosso papel em prol da sociedade e não pelo facto de andarmos a exibirmo-nos com o popó, sabendo que, infelizmente, muitos tratam melhor os carros do que as mulheres e até conseguem passar mal só para poderem pagar a prestação de um carro de marca mais conhecida.
Enfim, coisas ridículas e que impedem que a região e o país ande para a frente…

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dia da Terra: uma pequena grande nota

Fonte: http://onemanbandwidth.com/wordpress/wp-content/uploads/2007/04/earth-day.gif

Não vos vou maçar com textos algo alongados desta vez, mas não queria deixar de salientar o dia dos dias, ou seja o dia do Património mais importante, a Terra!
É uma tarefa por vezes ingrata esta a de "ambientalista", muitas vezes temos de ouvir que nem grafonolas com o mesmo disco a rodar alguns "iluminados" chamarem de fundamentalistas a todos aqueles que defendem o planeta que, "apenas e só", é o garante da nossa sobrevivência, pelo menos enquanto não dermos cabo do planeta tendo em vista a nossa continuidade da espécie humana.
É precisamente neste último ponto que vos quero alertar, o de que por mais mal que façamos ao planeta ele irá continuar, nós é que poderemos ter problemas sérios, por isso os ambientalistas querem apenas e só ajudar todos aqueles que querem habitar neste planeta e deixar cá os filhos, netos, bisnetos, etc...
No próximo comentário irei mostrar algo que muitos ficarão surpreendidos, pessoas que por mera preguiça intelectual nos lesam a todos nós, esquecendo-se que o que deve prevalecer é o interesse comum e não o interesse próprio. É um breve estudo, efectuado numa das sedes de concelho da região de Sicó, que até a mim me surpreendeu pela negativa e me preocupou seriamente, o porquê irão ver nos próximos dias...
Pensem no bem que podem fazer pela região, pelo país e pelo planeta e reflictam no vosso dia-a-dia. Mudem comportamentos, pois se não mudarem a Terra nunca mais irá ser a mesma, quem perde somos nós e não a Terra!
Deixo para aqueles que gostam de reflectir um pequeno vídeo, de entre muitos, que me faz pensar no nosso futuro:

sábado, 18 de abril de 2009

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios: reflexão urgente sobre o património

Hoje, dia 18 de Abril de 2009 celebra-se um pouco por todo o lado o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, uma data em que se pretende divulgar de uma forma mais visível os nossos Monumentos e Sítios, os quais representam um património de valor inestimável, pelo menos teoricamente, pois na prática já não é bem assim.
Além de não potenciarmos muitos destes monumentos, assiste-se à sua desvirtualização. Já falei de alguns casos problemáticos e de algumas situações de certo modo positivas. De modo positivo falei já do Castelo do Germanelo, em Penela. De forma ensosse (tendo em conta a proximidade de um projecto imobiliário), falei do Castelo de Santiago da Guarda, em Ansião. Brevemente irei falar sobre o Castelo de Pombal, mas para já fica um caso que muitos desconhecem e que falo questão de divulgar e denunciar factos inaceitáveis tendo em conta a sua importância histórica.
No topo da Serra de Alvaiázere situa-se um dos monumentos mais importantes de toda a região, em termos de importância histórica e cultural. É um monumento que tem sido esquecido durante décadas e que poderia estar a render divisas à região, nomeadamente a Alvaiázere, mas que por uma questão de interesses vários (obscuros) e de incompetência tem sido esquecido.
Falo, claro, do maior povoamento da Idade do Bronze da Península Ibérica, situado em plena Serra de Alvaiázere (castro de Alvaiázere). Tem uma muralha exterior (em ruínas) que tem mais de 2km, podendo observar-se ao longe com atenção, e uma muralha interna circular com pouco mais de 50 m de extensão. Quem lá for não vê nada, pois está tudo em ruínas e ao abandono. Na década de 60 do século XX, alguma mente brilhante teve a ideia de fazer uma estrada até ao topo da Serra e para isso construíu cerca de 500 m de estrada exactamente por cima da muralha, conhecida por Carreira dos Cavalos.
Ainda à 3 anos houve uma reunião com o investigador Paulo Félix com o meu grande amigo Paulo Tito Morgado, o resultado foi nicles. Podia e devia ter-se investido em excavações de forma a potenciar em poucos anos aquele valiosíssimo monumento, mas concerteza o meu amigo Tito Morgado teve mais em que gastar uns milhares de euros, caso de uma exposição de pianos de utilidade muito duvidosa, especialmente em tempos de vacas magras...
Continuando, se fosse noutro país, este monumento já tinha rendido dezenas de milhares de euros em divisas, alguns postos de trabalho e alguma revitalização da economia local. Mas, como é em Alvaiázere, está às moscas, literalmente (concerteza que daqui a mais uns tempos alguém irá dizer que é uma descoberta fenomenal, quando afinal já se sabe há décadas...).
Em 2006 soube que estava prestes a surgir uma ameaça a este monumento e à própria serra, a todo o seu valor, natural e cultural, já que esta Serra é uma autêntica jóia nacional, se bem que alguns façam questão em abafar a coisa. Mais uma investida de uma empresa ligada às eólicas queria ali implantar um parque eólico (Sealve), projecto que já tinha sido tentado em 2004 pela Finerge, o qual foi chumbado.
Por isso, várias pessoas e entidades (re)começaram a mobilizar-se de forma a impedir que esta Serra e os seus valores naturais e culturais fossem afectados. Apesar de todas estas pessoas serem a favor das energias renováveis já há várias décadas (coisa que alguns autarcas só se lembraram à poucos anos), não são favoráveis a que de uma forma criminosa se destruam valores como os presentes na Serra de Alvaiázere, já que parques eólicos sim, mas não a qualquer custo, especialmente havendo alternativas!
No decorrer deste processo o Castro da Serra de Alvaiázere começou a ser conhecido por muitos, infelizmente são ainda poucos os que realmente sabem a importância internacional deste monumento. Infelizmente, os lobbys começaram uma campanha com vista à descridibilização de todos os que pretendem a salvaguarda deste monumento, o qual só após esta segunda investida de uma empresa das eólicas miraculosamente começou a ganhar mais força para ser classificado como monumento, processo que ainda decorre. Este processo de classificação deve-se à notável acção da Albaiaz (Associação de Defesa do Património), que em 1999 apresentou um processo de classificação deste marco histórico da região de Sicó.
Aproveitei e comecei a apresentar este problema em eventos ligados à minha área, numa primeira fase em fóruns da especialidade e depois então numa comunicação e artigo num congresso europeu ocorrido em 2007 na Batalha. O meu amigo Tito Morgado, quando soube de um texto que escrevi num dos fóruns, nada abonatório deste possível projecto, ficou revoltado e disse que ia tratar disto à sua maneira (foi-me dito por um elemento do seu executivo), algo que não me preocupou nada, pois já sabia que estava a mexer numa área sensível.
Lobbys obscuros e não identificados começaram também as hostilidades sobre a minha pessoa, destaco neste âmbito uns vídeos que na altura meti no youtube e que descrevem a situação, vejam os mesmos e os comentários de ameaça constantes em alguns deles:
Voltando ao processo relativo à classificação deste monumento nacional, há factos estranhos que interessa saber:
- O limite proposto, para protecção, foi feito à medida para se poder implantar o parque eólico, duas das torres poderiam ser dentro do perímetro do Castro (como?).
- Os vários estudos não foram devidamente acompanhados por arqueólogos.
- O meu amigo Tito Morgado já no início de 2007 disse-me que o projecto ia em frente, tendo-me mostrado o edifício de apoio ao parque eólico (com uns fantásticos 30 metros e garagem...), como é isto possível sendo que o projecto estava apenas em fase de estudos e a sua aprovação estava condicionada?
- Há varios factos que não tenho espaço para mostrar, mas os mesmos estarão disponíveis no decorrer do processo, já que os pareceres enviados por várias entidades estarão á vossa disposição e poderão ver estes e outros factos gravosos.
O problema associado a este monumento e à sua preservação é simples, os terrenos são baldios e a Câmara vê com bons olhos o dinheiro que cada uma das 9 torres projectadas pode render. O que interessa nestes casos às Câmaras não é o facto de serem energias amigas do ambiente, é sim serem energias amigas dos cofres. Tudo o que estorvar estes processos é mal vindo, mesmo existindo um monumento de importância internacional implantado nesta Serra. Há alternativas, mas os terrenos já são privados. Em 2006 durante uma visita de um representante das eólicas apresentei duas alternativas, mas como não eram baldios....
O que interessa mais, destruir e/ou afectar gravemente um monumento nacional (além dos valores naturais) construindo um parque eólico na Serra de Alvaiázere ou construir um parque eólico com mais de 20 torres numa área sem impactos, mas sem em terrenos baldios?
Para o meu amigo Tito Morgado a primeira opção é a mais correcta, algo que não favorece a sua imagem política (já para não falar moral..) já muito denegrida pelos factos que já todos conhecem.
Só para juntar uns factos à discussão (os quais já referi à autoridade competente na matéria) pergunto:
- Quem é afinal a Sealve, Sociedade Eléctrica de Alvaiázere, S.A. e quem está por detrás dela? Parece-me pertinente saber quem representa esta legítima empresa de energias renováveis, bem como se alguém associado à mesma poderá ter incompatibilidades derivado do facto de ter interesses económicos nesta empresa e ao mesmo tempo estar associado a uma entidade pública (seja através do seu executivo ou através da sua assembleia municipal), caso da Câmara Municipal de Alvaiázere, entidade que muito estimo e procuro defender de interesses lobistas (algo que a Constituição portuguesa me permite enquanto cidadão!).
- Que interesses económicos se movem por detrás deste processo tendo em vista a construção de um parque eólico que em situação regular nunca passará do papel?
- Onde está a prorrogação da Declaração de Impacte Ambiental (condicionada) emitida em 2004? Não vi na documentação este documento mágico....
- Sabiam que das duas vezes que a documentação esteve disponível para consulta pública o acesso foi-me vedado inicialmente, tendo eu feito queixa?
Muito mais há a dizer, mas lanço ao debate esta questão, pretendendo apenas mobilizar todos os cidadãos na defesa deste monumento nacional.
- Porque é que o meu amigo Tito Morgado se tem confundido muitas vezes (através de afirmações na imprensa) com um qualquer representante de uma empresa de eólicas)
Só para terminar, já soube, off the record, que o projecto do parque eólico de Alvaiázere foi novamente chumbado, vamos a ver o que os lobbys fazem relativamente a isto... Por mais que dois ou três não gostem, eu continuo intransigente na defesa do património e alerta para a questão em análise.
Há duas décadas nós dizíamos que as energias renováveis eram o futuro, especialmente a solar e eólica, na altura os autarcas diziam que nós éramos malucos, passada uma década diziam que talvez fosse uma hipótese e agora dizem que já todos sabemos isso (a vantagen das energias alternativas). Além de incompetentes, estes autarcas andam atrasados no tempo e quando as coisas surgem.... atropela-se tudo o que é possível só para poder aprovar projectos que deviam ser objecto de ponderação, já que parques eólicos sim, mas não a qualquer custo, há áreas como a Serra de Alvaiázere que nunca deveriam ser alvo de atentados como o que se quer fazer...
É mesmo isto que queremos para o nosso património? Fica a questão...

sábado, 11 de abril de 2009

A trágica perda de identidade na região de Sicó: dois exemplos práticos

É talvez o que me incomoda mais quando se fala em questões patrimoniais, já que é algo de fundamental quando se fala na nossa região. A identidade própria da região de Sicó é algo de muito valioso e algo que nos diferencia de outras regiões de Portugal. Desta fora é algo que, se bem gerido, pode reverter em benefícios económicos por largos anos.

Quem me conhece, sabe que não só me interessa a componente ambiental da região, mas também a sua identidade cultural, por isso falo em temas tão diferenciados neste blog de forma a todos vós possam ser alertados para a defesa deste património valiosíssimo, o qual se estivermos minimamente atentos podemos observar um pouco por toda a região.

A região onde vivemos, o seu aspecto, é o reflexo de séculos de interacção homem/meio, sendo uma das mais relevantes regiões de Portugal neste domínio, já que é mais do que muitas uma paisagem cultural, algo que interessa proteger e valorizar de modo sustentável.

Infelizmente cada vez mais e na ânsia de trazer desenvolvimento à região, observo cada vez mais a destruição de muita desta identidade que nos diferencia pela positiva de outras regiões. Autarcas sem preparação mínima e com versões estereotipadas de desenvolvimento trazem não o desenvolvimento à região, mas sim a sua descaracterização cultural. As populações, por seu lado não têm a informação necessária para poderem percepcionar esta e outras questões, e , por isso, nem se apercebem do que se está a perder, só anos após certos factos ocorrerem é que finalmente percebem que se perdeu algo de importante, mas aí já é tarde demais (já para não falar em populações que são manietadas por autarcas que são autênticas ameaças à identidade cultural da região, caso do meu amigo Paulo Tito Morgado - pelas situações que já todos conhecem).

Por isso, e de forma a fazer a ponte entre a ciência e o cidadão, faço questão de vos mostrar e descrever problemas concretos que apenas contribuem para que a nossa região esteja muito aquém do seu potencial efectivo. Este é o principal objectivo deste blog, de uma forma simples e concisa trazer ao vosso conhecimento factos importantes e de uma forma imparcial, longe de interesses pessoais.

Tenho agora dois casos concretos do que falo, um já consumado e outro por consumar, representam na perfeição o que é afinal a perda de identidade regional. O primeiro exemplo situa-se num lugar chamado Cabeça Redonda, em Penela, e nestas duas fotos mostro-vos o antes e o depois de uma acção que considero muito infeliz na temática da preservação da identidade regional. A Cabeça Redonda é um lugar que ainda preserva características únicas em termos de identidade, muitas casas antigas e tradicionais, bem como caminhos de calçada, um elemento identitário que começa aos poucos a escassear. A calçada portuguesa é um dos muitos elementos culturais em que Portugal se destaca, são vários os livros que destacam este pormenor.

Neste caso específico, não compreendo porque é que sendo um lugarejo tão peculiar, se destruiu esta calçada, alcatroando de seguida o pouco amigo do ambiente alcatrão, tudo bem que a estrada precisava de ser arranjada, mas isso fazia-se com a calçada e não com o alcatrão!. O mais provável é a autarquia de Penela dizer que é mais barato, mas isso não é justificação tendo em conta um património e identidade que urge preservar. Não compreendo como é que os autarcas dizem que a região tem características únicas e depois com acções como esta destroem estas mesmas características. Além disso em ano de eleições alcatroa-se tudo o que ainda não foi alcatroado...

Se fosse numa grande cidade onde o número de carros é elevado (algo que tem reflexos numa destruição precoce deste tipo de piso) compredendia, mas sendo num lugar com identidade própria e sendo numa estrada com pouco mais de 300 metros é algo de inadmissível! Além, claro dos ridículos muros em blocos a tapar os tradicionais muros de pedra.

Ficam as fotos do antes e do depois:





Outro exemplo, ainda por consumar, passa-se em Ansião, onde um belo caminho antigo que poderia estar incluído num belo percurso pedestre, irá a muito curto prazo ser literalmente destruído para uma estrada florestal, sem que para isso haja necessidade, antes de mais fica um pequeno vídeo (que tive de colocar no youtube) e depois passo ao comentário sobre o ocorrido:

http://www.youtube.com/watch?v=tzKYI2ttNEc&feature=channel_page

A questão dos tão falados caminhos florestais é uma temática muito complexa que levanta por vezes problemas muito graves. Há muitos locais onde os caminhos florestais podem e devem ser abertos, mas o que se observa é que muitas vezes estes caminhos são abertos a regra e esquadro, sem ter em conta vários aspectos, o valor patrimonial é um deles, já que só para vos dar um exemplo (que já abordei o ano passado) uma estrada florestal destruiu em Ansião parte de uma estrada romana... Será que vale tudo na abertura de estradas florestais, será que custa muito analisar o que eventualmente poderá ser destruído? Não me parece, especialmente tendo em conta que uma coisa é termos uma área de eucaliptais outra coisa é termos uma área de carvalhal, onde o risco de incêndio é manifestamente inferior. Claro que após esta frase algum sabichão vai dizer "mas o que é que ele percebe de risco de incêndio e de incêndios florestais?" Bem, é simples, sei o suficiente, pois além de profissional da área (os geógrafos são técnicos bem habilitados para trabalhar nesta área), sou bombeiro e consigo associar as duas coisas. Além disso o meu trabalho de final de licenciatura foi precisamente sobre prevenção de incêndios (na Serra de Aire) e já trabalhei na prevenção de incêndios. Portanto fica aqui a nota que falo com conhecimento de causa.
Nesta situação é inaceitável que se abra o estradão previsto, pois não há real necessidade, pode e deve-se sim fazer uma limpeza dos matos que o problema fica resolvido em boa parte, a outra resolve-se prendendo os incendiários e não os soltando depois dando-os como "tolinhos" (já para não falar nos interesses que se movem com a questão dos incêndios florestais...).

Porque é que não se analisa caso a caso e nestas situações não se faz a coisa com cabeça tronco e membros? É demasiado valioso o património que se anda a destruir de forma impune em alguns caminhos tradicionais e que poderiam ser um recurso económico, por isso esta minha chamada de atenção para este e outros casos.

Espero com esta linguagem ter conseguido passar a mensagem, colocando-vos agora uma questão crucial, será que querem o "antes" ou o "depois", qual deles representa a identidade regional?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Uma actividade a destacar!

A pedido de um dos organizadores, ao qual acedo com todo o prazer, venho fazer divulgação de uma actividade que considero importante para a população. Conhecer o património, seja ele natural ou construído é algo de fundamental para o futuro da região, por isso fica o registo do evento. Espero desta forma que as pessoas que comecem a interessar por algo que é de todos, só conhecendo o património é que se pode ganhar capacidade para quando existem ameaças ao mesmo, se impeça o seu desaparecimento e a sua destruição, as orquídeas são um belo exemplo disto mesmo, pois há pessoas que não as sabem distinguir e quando vão à serra arrancam muitas sem saber o estrago que fazem...

Talvez a principal entidade que promove a protecção e divulgação das orquídeas na região, a Albaiaz (Associação de defesa do património, sediada em Alvaiázere - http://www.albaiaz.com/), tem uma publicação notável sobre esta temática, aconselho vivamente a sua compra para todos aqueles que se interessam ou são curiosos, penso que vão ficar espantados com a riqueza que temos aqui na região de Sicó. Para esta actividade a que agora faço nota, esta publicação poderá ser um excelente guia de campo. Brevemente irei fazer uma nota sobre esta associação, a qual tem feito um trabalho voluntário notável na preservação da flora da região.
De certa forma considero estranho a Albaiaz não ter sido convidada para esta actividade (enquanto entidade apoiante), pois é ela quem dá cartas na matéria aqui na região, por vezes, por falta de diálogo/contacto entre entidades públicas e privadas, perdem-se boas oportunidades para fazer mais e melhor. Penso que se a Albaiaz, a Ecofungos e a Câmara Municipal de Ansião estivessem todas juntas nesta iniciativa, o seu sucesso seria ainda maior, com os respectivos benefícios para todos eles e também para o cidadão, que assim ficaria ainda mais bem informado. Resumindo, e sem demérito das entidades de outras partes do país (algumas das quais eu e outros fazemos parte delas) , por vezes temos na região pessoas e entidades também muito competentes e estas são esquecidas a desfavor de outras pessoas e entidades de outras regiões do país, será que os de cá valem menos? É uma pergunta que vos deixo...
Mesmo assim fica uma nota muito positiva no que concerne à organização desta iniciativa, esperando eu que haja muitas inscrições e que a actividade corra bem em termos pedagógicos de forma a que a mensagem efectivamente passe para o cidadão.
Entretanto espero que venha a chuva para aguentar algumas das orquídeas que tenho observado em todo o seu esplendor aqui na região de Sicó.

domingo, 5 de abril de 2009

170 kg de pilhas para a reciclagem!


Sempre ouvi dizer que sozinho não se podia mudar o mundo, mas ao mesmo tempo sempre ouvi dizer que sozinhos também conseguimos fazer muito pelo mesmo, especialmente se tivermos a capacidade para mudar as mentalidades para melhor e mobilizar a sociedade em que nos inserimos.

Este caso que agora vos falo é apenas um exemplo positivo do que podemos fazer se tivermos vontade para isso, já que ando um bocadinho farto das desculpas que alguns arranjam para fugir às suas obrigações. Para poluir há sempre desculpas para alguns, mas para evitar ou mitigar a poluição surgem sempre desculpas esfarrapadas, ou porque o ecoponto é longe ou porque é chato...
Há pouco mais de uma semana enviei para a reciclagem 170kg de pilhas (tenho um protocolo de boas intenções, sem benefícios financeiros, com a ecopilhas http://www.ecopilhas.pt/), para isso contribuí com a prestimosa ajuda dos Bombeiros Voluntários de Ansião, onde está localizado um dos pilhões que tenho à minha responsabilidade, e também de um colega que impediu que parte substancial destas pilhas fosse para o lixo. Destaco aqui que o meu colega trabalha num ecocentro, onde supostamente as coisas são encaminhadas....
É portanto com muita alegria que consegui este feito, impedindo que as pilhas fossem para o lixo! As pilhas são dos resíduos mais poluentes e sugiro-vos que investiguem na internet o brutal impacto que apenas uma pilha pode ter em termos de poluição, especialmente numa região cársica como a de Sicó, onde rapidamente tudo vai parar aos aquíferos. Os metais pesados nas pilhas têm efeitos nefastos na saúde humana, por isso é imperativo que não deitem as pilhas para o lixo, mas sim para o pilhão!
Não me vou alongar mais, queria apenas por último dizer-vos mais um facto importante, o de que quando eu trabalhei na Câmara Municipal de Alvaiázere, por iniciativa própria, pedi cerca de 40 pilhões como os que vêm nas fotos e distribuí-os pelo concelho de Alvaiázere, desde farmácias, correios, até lojas várias. Na altura só havia 1 pilhão no concelho!
Agora pergunto eu, estando os 40 pilhões à responsabilidade da Câmara Municipal de Alvaiázere, o que lhes aconteceu desde então, será que continuam no mesmo lugar (tendo sido recolhidos e substituídos por novos quando cheios) ou será que por ser algo que foi da minha autoria foram também ostracizados? É uma questão que fica no ar....