sexta-feira, 26 de junho de 2015

A sério?!


Sendo eu uma pessoa ligada à questão da educação ambiental, sou, por isso, mais sensível a situações que, na minha opinião, demonstram bem um problema estruturante, ou seja as graves falhas na educação das novas gerações. Enquanto cidadão, fico perplexo com o que os próprios pais partilham no seu facebook, de forma completamente aberta (pública).
Descobri esta preciosidade há uns meses atrás, sendo que a guardei para mais tarde utilizar. Não será por acaso que a fotografia em causa está relacionada com o lóbi da caça, neste caso fundamentalista, onde uma criança é colocada num cenário que, na minha opinião, é perigoso do ponto de vista educacional. Mata-se um javali e depois mete-se uma faca na mão de uma criança que é posicionada para a "bela" fotografia. E, claro, coloca-se a efeméride no facebook, disponível a qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo...
Que há cada vez menos pais a saber educar os filhos, isso eu já sei, mas a deseducar os filhos?!
Esta situação terá ocorrido em Alvaiázere e, para mim, vindo de quem vem não é surpresa alguma. Mesmo assim fiquei perplexo com esta imagem e com tantos likes. Obviamente que não vou divulgar quem são estas pessoas, mas estou curioso para ver qual a reacção dos mesmos quando derem com este comentário. Possivelmente ficarão incomodados, mas isso é problema seu, já que não fui eu que, publicamente, disponibilizei a fotografia e que expus uma criança de forma que considero irresponsável e eticamente inaceitável.
Com uma educação destas, como é que as gerações mais novas poderão ter respeito por si e pelo mundo natural? Que violência gratuita é esta? Por estas e por outras é que mais facilmente uma criança manda uma pedra a um pássaro, que uma criança esborracha com o pé uma lagarta. Por estas e por outras é que "adultos" têm prazer em atropelar animais, em atirar a tudo o que mexe, mesmo espécies protegidas. Por estas e por outras é que estamos como estamos e damos como exemplo quem não faz estas barbaridades...
E, ironia das ironias, são estas mesmas pessoas que me rotulam como fundamentalista. Quem diria...

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Os relógios de Sol da região de Sicó




Ontem, dia 21 de Junho, comemoraram-se duas datas, uma muito conhecida, outra nem por isso. O solstício de Verão é ainda uma data que não passa, de todo, despercebida. Por seu lado, o mesmo não acontece com o dia em que se comemora um instrumento esquecido pela maior parte de nós, ou seja o relógio de Sol. Se há poucas décadas atrás qualquer pessoa precisava de saber as horas pelo sol, e assim sendo o acto de ver as horas através do sol era normal, hoje, com o advento do relógio digital, ninguém liga patavina a este belo e singelo objecto, agora de índole patrimonial.
São escassos os relógios de Sol na região de Sicó, mas com atenção ainda se descobrem alguns. Este, nas fotos, descobri-o em 2014 porque a curiosidade falou mais alto e lá subi às ruínas. Havia ali uma laje que saia para fora da parede e esse facto deixou-me curioso. Apesar de ser relativamente perigoso chegar aquele ponto, com cuidado lá cheguei, ficando muito surpreendido com tal relógio de sol. Normalmente os relógios de sol estão sempre na vertical, numa parede, mas este era diferente, pois estava na horizontal.
Não me admiro que este relógio de sol se perca um destes dias, tal como a bela casa, arruinada, em que está inserido. É a triste sina da região de Sicó.
Além do aspecto patrimonial deste objecto, outro dos factores que me fez trazer este comentário a todos vós foi o da importância de recuperar velhos hábitos, no bom sentido, claro. A capacidade de desenrasque é uma capacidade que cada vez menos se vê nos nossos jovens. Falha a electricidade, acaba a bateria do telemóvel e o mundo acaba, é outra triste sina. Cada vez dependemos mais de factores externos e isso, diga-se, é grave. Temos de voltar a ganhar capacidades e qualidades perdidas, a bem de nós próprios. Voltar a ganhar capacidade de desenrasque e autonomia é uma das mais importantes tarefas que temos pela frente. Não podemos estar totalmente dependentes das máquinas e das tecnologias, temos sim de ter a capacidade de ser o mais autónomos e desenrascados em caso de necessidade. O afastamento do mundo natural é um caminho perigoso para nós, enquanto espécie...

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Não é fatalidade, é mesmo burrice chapada...


É algo que, confesso, estou saturado de debater. Contudo é um mal necessário, nem que seja para despejar alguma da negatividade que, infelizmente e inevitavelmente, vou acumulando a cada Verão que passa. 
A temática dos incêndios florestais já tem mais enredo do que todas as telenovelas juntas. Terá concerteza mais espectadores, já que esta é uma novela pirómana que fazemos questão de assistir há 3 décadas a fio. Esta novela tem uma particularidade que as outras não têm, sempre que a coisa aquece lá surgem os turistas pirómanos. Ou seja, gente que não tendo mais nada que fazer, desloca-se até ao sítio das "filmagens" e fica ali a apreciar todo o movimento de bombeiros, helicópteros, aviões e afins. Diria que é um gosto perverso, pois é, no mínimo, estranho, estarem mais pessoas a assistir e a estorvar do que a ajudar...
Este verão parece-me que será complicado, já que o El Niño parece que vai ajudar à "festa". Na região de Sicó já se assiste ao "aquecimento", facto que me preocupa ainda mais. Seria bom que todas as televisões deixassem de transmitir imagens dos incêndios, ficando-se por planos sem chamas. Há quem diga que se deve mostrar as imagens, mas quanto a isso eu digo apenas que a cumplicidade passa também por esta tolerância para com as imagens que envolvam chamas...
Há muita gente que opina sem saber nada sobre o assunto, facto que me incomoda bastante. Outros opinam numa lógica de pura maldade, pois têm algum trauma de infância e vivem para criticar os bombeiros voluntários. Claro que nem tudo corre bem, mas isso é conversa para quem percebe da coisa, não para meros espectadores.
Há interesses económicos que ganham com esta novela pirómana, seja de forma activa, seja de forma passiva. Curiosamente estes mesmos interesses continuam a ser intocáveis...
Pessoalmente há algo que me choca e me revolta. Gastam-se milhões e perdem-se vidas inocentes a proteger o investimento de particulares. Falo especificamente da monocultura do eucalipto. Sabendo que os eucaliptos servem apenas o propósito do lucro de particulares, porque será que têm de ser os bombeiros voluntários a arriscar a sua vida só para que algumas pessoas possam ganhar  uns milhares de euros? Outras espécies, servem outros propósitos que não o do lucro puro e duro, daí ser normal proteger a floresta portuguesa, no entanto as monoculturas não são floresta e, na minha opinião, deveriam ter tratamento diferenciado. Quem quisesse plantar eucaliptos deveria ser o único responsável pela sua protecção no Verão, pagando para isso. Não deveria ser o contribuinte a pagar para defender a monocultura do eucalipto. Deveria ser criado um imposto que servisse para pagar a defesa desta monocultura, pago obviamente por quem quisesse plantar eucaliptos. A minha vontade em apagar fogo depende em primeiro lugar da espécie que está a ser afectada. Sendo espécies autóctones, estas terão toda a minha atenção, todo o meu esforço e a minha dedicação. Não tenho qualquer problema em, de forma racional, arriscar a vida a defender a floresta portuguesa. Quanto ao eucalipto, os donos deles que arrisquem a sua vida, que gastem as suas energias, que passem fome, que sintam frio, calor, que façam muitas directas, que tenham dificuldades em respirar todo o tipo de gases a proteger o seu investimento predatório. Neste caso é literalmente fazer o bem, olhando a quem.
Nas próximas semanas, se virem alguma borralheira, denunciem! Se virem algo suspeito, relatem às autoridades! Acima de tudo, não facilitem! E se puderem, ajudem quem vos ajuda! E, claro, limpem os terrenos e limpem em redor de vossas casas. Caso tenham vizinhos teimosos, denunciem à SEPNA, pois podem fazer uma denúncia de forma anónima, caso assim o entendam.
Se já sabemos há muito tempo como acabar com este drama, porque continuamos a insistir em medidas de cosmética?! Enquanto não ganharmos coragem, o cenário continuará a ser o mesmo, ano após ano, sendo que quem mais manda será o S. Pedro e a sua bexiga...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sacos, saquinhos e sacolas: a cultura do plástico


Foi motivo de aceso debate na sociedade portuguesa há algumas semanas. Actualmente já não há grande debate. Penso que isto se deve a um simples facto, o de que as pessoas já assimilaram que afinal isto não é nenhum bicho papão e que é algo simples de se fazer. Falo, claro, de todos abandonarmos a cultura dos sacos de plástico, utilizando apenas o que realmente precisamos. Já muitos viram que a taxa verde, aplicada sobre os sacos de plástico (leves), faz todo o sentido e que tudo isto pretende apenas mudar maus hábitos, infelizmente enraizados na nossa cultura, consumista por natureza. Há até quem, de forma brilhante, tenha brincado com a coisa.
Há ainda muito estereótipo associado a esta temática, mas felizmente que alguns deles foram esbatidos nos últimos meses. Assisti a debates vários, onde estes estereótipos estavam bem presentes, um deles foi no programa Prós e Contras, onde o Bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas teimou em insistir em alguns destes mesmos estereótipos. Disse que os hábitos não se quebram facilmente, mas, como ele agora pode constatar, o hábito dos sacos, saquinhos e sacolas até foi bem mais fácil de quebrar do que se pensaria. Disse que impostos e ambiente não se devem misturar, quando afinal estes devem obrigatoriamente ser "misturados", pois as externalidades negativas devem ser pagas por quem mais polui. Quem mais polui mais paga, é um princípio elementar. Este esqueceu-se que, os mesmos países que este é capaz de dar como exemplo em questões económicas, são os mesmos que já levam a fiscalidade verde a sério. Claro que podemos e devemos debater se a fiscalidade verde está a servir outros propósitos que não aquele para que foi criada, mas isso é conversa para outro comentário.
O Bastonário dos TOC chegou inclusivamente a referir que banir os sacos de plástico significa desemprego, esquecendo que não se quer banir os sacos de plástico, mas sim reduzir o consumo dos mesmos para níveis aceitáveis e sustentáveis em termos ambientais. Não referiu que isto é uma boa oportunidade para a inovação e para substituirmos importações. Há uma excelente oportunidade para produzir sacos de pano e outros materiais. E o lendário saco de pão que dantes utilizávamos? Faz sentido andar a utilizar diariamente sacos de plástico em vez de utilizar o mesmo saco de pano?
Mas não só, pois isto é apenas a ponta do iceberg, há toda uma enormidade de lixo que é mandada fora e/ou que vai para aterro. fará isto algum sentido? Falemos também da tara para garrafas e latas! Falemos  em, de forma gradual, deixar de pagar taxas de resíduos (para quem separa os resíduos), já que estes mesmos resíduos representam matéria-prima que todos deitamos fora, seja de forma certa ou errada, mas que outros aproveitam como matéria-prima para as suas fábricas! Falemos em deixar de mandar fora frascos de vidro e começar a utilizar os mesmos para guardar aquilo que precisamos. Faz sentido mandar fora por exemplo um frasco de cevada e depois andar a comprar pequenas embalagens de plástico para guardar por exemplo feijão? Há que alterar o paradigma...
Lembrem-se que há pequenos gestos que fazem toda a diferença, e um desses gestos é mesmo abandonar a cultura do plástico!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sicó em acção!




Tinha ido dar mais uma volta, em busca de fotos para alimentar o azinheiragate. Quis o destino que nessa precisa altura o pessoal do parapente andasse por Trás-de-Fiqueiró, em Ansião. Não é comum andarem por ali, daí a minha surpresa. É mais comum andarem para os lados de Pombal ou Condeixa.
Por isto mesmo acabei por subir aquela colina e ficar por ali uns minutos, de modo a apreciar o espectáculo. Um dia destes quero experimentar a sensação de voar...



Há quem chame a este e a outro pessoal malucos, no entanto quem os rotula assim costuma ser o pessoal comodista, que prefere ficar pelas esplanadas ou pelo sofá o dia todo sem fazer patavina.
Este e outro pessoal desfrutam o melhor que a região tem para oferecer. Este pessoal opta por não ser um mero cidadão formatado, que, de facto, não aproveita a sua vida e a sua região e prefere ser uma "ovelha" seguidista numa sociedade afastada de tudo aquilo que dá mais sentido à vida e próxima a tudo aquilo que é supérfluo e ainda numa base da aparência.



Para os mais preguiçosos, experimentem sair do sofá e/ou da cadeira do café. Peguem na bicicleta ou no carro e vão à aventura, conhecendo esta região, já que há muita gente que não conhece bem a sua própria região, o que é uma pena tendo em conta o enorme património que esta ainda conserva. No final do dia vão ver que interiormente estão mais ricos, mais contentes e felizes da vida. Concerteza que irão ficar com vontade de repetir e conhecer mais e mais. Há todo o tipo de possibilidades e para todos os gostos. Sejam pessoas mais activas ou mais preguiçosas, há sempre algo para fazermos! E, já agora, façam o belo do piquenique, gesto tão esquecido por estes lados!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A leitura pode afectar gravemente a nossa ignorância!


Ler, ler e ler, este é um dos melhores lemas que podemos ter na nossa vida. Devorar livros transforma a nossa forma de ser e estar na vida. Claro que tudo isto com livros, revistas e afins com qualidade e, claro, sem "acordo" ortográfico. Se não concordam é simples, recusem! Apenas são obrigados aqueles que trabalham para o Estado, todos os outros podem e devem mandar à fava algo que é um erro histórico e um atentado à cultura, promovido por interesses financeiros. Não há evolução, mas sim manipulação da língua...
À data que me sento a escrever este comentário, acabei de ler mais um livro, sendo este o primeiro desta lista de sugestões. Confesso que fui parcialmente surpreendido pelo livro, que estava meio "esquecido" no móvel. Só não fui totalmente surpreendido porque estamos a falar de Jacques Cousteau, uma das minhas referências de sempre no que toca ao amor por este extraordinário planeta. Uma leitura que nos abre os horizontes!


Uma revista bem interessante, que volto a destacar, dada a sua pertinência e qualidade. De dois em dois meses ela está à nossa espera nas bancas.


Este ainda não li, no entanto está para breve. Já dei uma olhadela e promete, dada a temática em análise. Curiosamente (ou não), é um geógrafo que nos pretende mostrar que há muito a aprender com os outros. Não comprei a edição em "português" porque foi traduzida num "português" poluído e desvirtuado.


Esta é mais uma revista que descobri há poucos meses. Fiquei assoberbado com a qualidade da mesma. Conteúdos de grande interesse com os quais podemos aprender e reflectir. De 6 em 6 meses apresenta-nos algo que vale mesmo a pena.


E porque não? Ao sabermos mais da nossa segunda língua, o Mirandês, estamos a aprender mais sobre o nosso país, sobre a nossa cultura, aumentando assim a paixão por este belo pedaço de território.


Leitura ligeira mas interessante. Muitos de nós não conhecem realmente o país, as suas gentes e as suas culturas.


Idem!

Já pararam para pensar que a arquitectura tem bastante interesse, especialmente no que concerne à sua evolução ao longo dos séculos? Nada como abrir horizontes e ler sobre temáticas diferenciadas para evoluir a nossa forma de pensar as coisas.