segunda-feira, 22 de junho de 2015

Os relógios de Sol da região de Sicó




Ontem, dia 21 de Junho, comemoraram-se duas datas, uma muito conhecida, outra nem por isso. O solstício de Verão é ainda uma data que não passa, de todo, despercebida. Por seu lado, o mesmo não acontece com o dia em que se comemora um instrumento esquecido pela maior parte de nós, ou seja o relógio de Sol. Se há poucas décadas atrás qualquer pessoa precisava de saber as horas pelo sol, e assim sendo o acto de ver as horas através do sol era normal, hoje, com o advento do relógio digital, ninguém liga patavina a este belo e singelo objecto, agora de índole patrimonial.
São escassos os relógios de Sol na região de Sicó, mas com atenção ainda se descobrem alguns. Este, nas fotos, descobri-o em 2014 porque a curiosidade falou mais alto e lá subi às ruínas. Havia ali uma laje que saia para fora da parede e esse facto deixou-me curioso. Apesar de ser relativamente perigoso chegar aquele ponto, com cuidado lá cheguei, ficando muito surpreendido com tal relógio de sol. Normalmente os relógios de sol estão sempre na vertical, numa parede, mas este era diferente, pois estava na horizontal.
Não me admiro que este relógio de sol se perca um destes dias, tal como a bela casa, arruinada, em que está inserido. É a triste sina da região de Sicó.
Além do aspecto patrimonial deste objecto, outro dos factores que me fez trazer este comentário a todos vós foi o da importância de recuperar velhos hábitos, no bom sentido, claro. A capacidade de desenrasque é uma capacidade que cada vez menos se vê nos nossos jovens. Falha a electricidade, acaba a bateria do telemóvel e o mundo acaba, é outra triste sina. Cada vez dependemos mais de factores externos e isso, diga-se, é grave. Temos de voltar a ganhar capacidades e qualidades perdidas, a bem de nós próprios. Voltar a ganhar capacidade de desenrasque e autonomia é uma das mais importantes tarefas que temos pela frente. Não podemos estar totalmente dependentes das máquinas e das tecnologias, temos sim de ter a capacidade de ser o mais autónomos e desenrascados em caso de necessidade. O afastamento do mundo natural é um caminho perigoso para nós, enquanto espécie...

Sem comentários: