quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Não esqueçam as variedades tradicionais!


Vi-os ali, no chão, esquecidos e desprezados. Não os quis deixar acabar de apodrecer e decidi ir buscar um balde, de modo a que as galinhas pudessem ter um lanche diferente. Já na capoeira peguei na faca e comecei a cortar os pêros em bocados. Fui apanhado de surpresa, pois afinal eles não estavam podres por dentro. Fiquei chateado, pois já era tarde demais para os comer. Sabia que o sabor destes pêros era indiscutivelmente melhor do que a muita da fruta que encontro nos super e hipermercados. Não é tão bonita, mas é muito mais saborosa, saudável, pois é verdadeiramente biológica, e é de uma variedade tradicional.
Felizmente que há associações várias que têm sabido trazer esta questão a bom porto, mesmo sabendo que há muito caminho a percorrer.
Por enquanto ainda vamos tendo muitas variedades tradicionais, no entanto, e caso não façamos nada, estas continuarão a senda do esquecimento. Empresas como a Monsanto agradecem o esquecimento, no entanto há que incentivar o culto pelas variedades tradicionais, pois estas não servem, em primeiro lugar, para tornar empresas ainda mais ricas e acéfalas, mas sim para apurar o que a Natureza tem de melhor e para melhorar a nossa saúde numa época onde muito é denominado por alimento não o sendo...
À parte destes peros, tenho-me deliciado com a bela da amora, que por esta altura se encontra à nossa espera um pouco por toda a Sicó, à beira de caminhos pouco frequentados. Atenção que há quem coloque veneno em alguns locais!
Muito brevemente serão os figos a preencher a minha agenda gastronómica. Onde houver figos pingo de mel, lá estarei! 

sábado, 23 de agosto de 2014

Privatização do domínio público hídrico?


Por esta altura há quem pense que a situação está resolvida, no entanto, e por enquanto, ainda estamos num país de direito e não numa república das bananas.
Tenho acompanhado esta situação há largos meses e tenho feito o que está ao meu alcance para reverter uma situação que considero absolutamente abusiva, já que, na minha opinião, este é um caso que afigura, na prática, a usurpação do domínio público hídrico por parte de um particular. Por este mesmo motivo, expus o caso à Agência Portuguesa do Ambiente, já que é esta entidade a que devemos recorrer em questões como esta. Isto já depois de um abaixo-assinado da população, a solicitar que a serventia não fosse fechada. 
Falo, claro, de uma situação que se passou em Ansião, onde o domínio público hídrico foi, na prática, privatizado, num sector que corresponde a uma serventia que há décadas atrás foi construída por cima de um curso de água. Até há poucas semanas qualquer pessoa utilizava esta serventia, mas agora o cenário é outro, tal como as fotografias documentam.
Apesar de várias irregularidades ali constatadas e queixas da população sobre estas mesmas irregularidades, quem ficou a ganhar foi o privado que faz uso deste local. Estranho que, ao mesmo tempo, alguém possa viver num edifício que tenho sérias dúvidas que esteja licenciado para habitação. Direitos especiais para alguns?
Mas, como já afirmei, a situação não está fechada, pois está a decorrer um processo com vista ao apuramento de todo este imbróglio. Na exposição que fiz, sugeri que a situação original fosse reposta e que o troço do ribeiro fosse renaturalizado, ou seja, colocado à vista de todos. 
Se a situação actual se mantiver, o mais natural será que daqui a uns anos aquele troço de rio tenha de ser renaturalizado. Nessa altura o Estado terá de expropriar aquela área e pagar com os nossos impostos, facto que vale a pena não esquecer.
Espero sinceramente que esta situação não represente o que vulgarmente é denominado por facto consumado. Não aceito que o interesse particular se sobreponha ao interesse público, mais ainda em questões fundamentais como aquelas que envolvem o recurso água!


terça-feira, 19 de agosto de 2014

A alminha do Santo Gnomo




O poder político pensa que consegue comprar as pessoas, o que em termos genéricos até corresponde à verdade. No entanto, e por vezes, há pessoas que têm reacções geniais perante a patetice política. Num mês onde o mais importante é descansar, eis que vos trago um daqueles episódios reais que vos pode ajudar a alegrar o dia.
O poder político utiliza muitas armas poderosas para chegar onde quer. A religião é uma dessas armas, utilizada já há vários séculos. Quando se misturam ambos, o resultado nunca pode ser bom...
Indo então ao cerne da questão, o poder político pensa que pode comprar as pessoas com "boas acções" tais como a construção de uma alminha. No entanto há pessoas que pensam, reflectem e agem perante estas afrontas. O que se vê nestas duas fotografias é o que seria uma alminha, mas que o povo não deixou ser. Além de não aceitarem este suborno, tiveram uma ideia genial, a de colocar um gnomo no local onde seria expectável estar um santo qualquer. Antes deste gnomo, e numa fase inicial esteve por ali uma garrafa de cerveja.
É um gesto sublime, mas cheio de substância, que pretendo trazer ao vosso conhecimento. Onde é? Poderia ser num qualquer lugar da região de Sicó ou mesmo de Portugal, mas curiosamente, ou não, situa-se em Alvaiázere. E esta, hein?



domingo, 10 de agosto de 2014

Rio Nabão a régua, esquadro e cimento...



Não pensava voltar a esta questão tão rapidamente, no entanto, e tendo em conta recentes desenvolvimentos, torna-se pertinente mais um comentário sobre uma situação que eu considero gravosa do ponto de vista do ordenamento do território.
Quando se trata de ordenamento do território, há dois aspectos que me preocupam em particular. O primeiro é a falta de competência e o segundo é a incompetência de quem lida com a temática territorial. Nesta situação, em particular, juntaram-se as duas, pois se numa primeira fase da obra a questão era mais a nível da falta de competência para a elaboração do projecto, numa segunda fase a questão é agora a nível de incompetência, pura e dura. Quando falo em incompetência quero dizer que quem procedeu a este biscate, não é competente para o mesmo. Resumindo, quem procedeu a este remendo, não percebe patavina de dinâmica fluvial, daí o gravíssimo erro que as 3 fotos que apresento pretendem mostrar.
O que me incomoda mais nesta situação, é que esta é apenas o culminar de uma série de erros, não sendo nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que se insiste em seguir um caminho errado e que resultará apenas em degradação do que resta daquele  troço do rio Nabão e em prejuízos financeiros, pagos pelos do costume, os contribuintes.


Indo então à questão, trata-se de mais uma intervenção desastrosa no troço intermédio do sector já mal intervencionado do rio Nabão. Desta vez, e já depois de duas reconstruções  de um muro, alguém teve a genial ideia de brincar aos rios naquele troço muito peculiar. A uma obra mal planeada, seguiram-se problemas decorrentes da não consideração de aspectos básicos de dinâmica fluvial. Agora a sequela até a mim me surpreendeu...
Imagine-se que a solução para mitigar os erros a montante do projecto original, foi a de reforçar a base do muro que tinha caído já por duas vezes. Este reforço ocupou mais ainda o canal já por si estreitado aquando da obra inicial. Isso tem vindo a causar uma preocupante erosão que começa a ameaçar a galeria ripícula. Insiste-se, portanto, num erro básico. Depois surgiu a ideia peregrina de criar uma rampa para a água correr, tal como podem ver na terceira foto, do lado direito. Retirou-se terra, degradou-se ainda mais a galeria ripícula, fez-se uma razia às raízes e criou-se assim mais um problema. A erosão tratará de fazer desaparecer mais um bocado da base que sustenta aquela galeria ripícula. A segunda fotografia mostra onde a água irá abrir caminho. Não estranharei que daqui a 1 ou 2 anos, num gesto desesperado surja uma parede de betão naquele lugar...
Mas não é tudo, pois ainda havia mais um trunfo para jogar. Ou seja, colocou-se cimento e algumas pedras, os quais alguém pensou que poderia salvaguardar as coitadas das árvores, daquela galeria ripícula. E logo em dois lados, não sem que se cortasse mais um bocado de uma das árvores situadas na margem direita do rio. Se esta intervenção foi mediada por algum especialista? Obviamente que não. Não compreendo isto, pois até havia quem tivesse competências para tratar esta situação. Será isto aceitável? Obviamente que não.
Daqui a alguns anos, quando aquelas árvores deixarem de fazer parte da paisagem, não se admirem pelo facto. Não será o vento nem a água a derrubar aquelas árvores, mas sim a falta de competência e a incompetência de quem deveria ter competência para gerir esta questão.
Nessa altura, e tal como agora, eu estarei por aqui, pronto a denunciar o que de mal se faz por estes lados...



terça-feira, 5 de agosto de 2014

As águas da discórdia...


Agosto é um mês onde muitos de nós se apercebem do real valor da água, nem que seja pelo simples facto de que Agosto é um mês onde, por vezes, a água escasseia e em alguns locais é inclusivamente racionada.
Ontem tirei estas duas fotografias, as quais, na sua versão completa, mostram algo que devia preocupar todos nós. Irei fazer uma exposição do caso às autoridades, de modo a solicitar informação acerca da possível ilegalidade do acto perpetrado pela empresa em causa. De modo não oficial já o fiz, sabendo à partida que deverá ser mesmo uma acção ilegal.
Indo então aos factos, uma empresa anda em Ansião a proceder à lavagem dos contentores do lixo, algo que é muito importante. No entanto, quando vai reabastecer de água, despeja a água resultante das lavagens num esgoto que tem como destino o rio Nabão. Se fosse num esgoto que tivesse ligação à ETAR de Ansião, aceitava, pois é assim mesmo que deve ser, no entanto, e sublinho, a água vai toda para o rio Nabão, que agora está seco. Como todos deviam saber, há muitos caixotes do lixo que contêm substâncias que não deviam conter e essa é a minha preocupação, a de que assim se esteja a promover a poluição gratuita dos aquíferos.
Situações como esta têm de ser resolvidas. Estas águas têm de ser tratadas, pois não há controle nenhum sobre as águas que, até agora, têm sido despejadas no rio Nabão.
Irei fazer uma exposição do caso à empresa respectiva, esperando assim contribuir para a resolução de um problema real e preocupante.
Para quem torce o nariz a estas coisas, lembro apenas que a água é um dos recursos dos quais a nossa vida depende. Quanto mais poluirmos a pouca água potável que temos, pior...