terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Época festiva por excelência, esta altura do ano é sem dúvida especial, por isso nada melhor do que terminar esta mesma época festiva e este ano de 2009 com algo de positivo.
Para finalizar mais um ano em que o Azinheiragate tentou partilhar com todos vós factos bons e menos bons da região de Sicó, decidi utilizar a foto mais extraordinária que tirei este ano, na região de Sicó, para vos desejar boas festas e um 2010.
Não vos quero maçar muito agora, querendo no entanto pedir-vos para reflectirem sobre o que de melhor e de pior se passou na nossa região em 2009. A reflexão é algo que é especialmente importante nesta fase do ano, podendo fazer parte de um exercício mental que vise transformar um novo ano que se aproxima rapidamente, num ano em que maximizemos o que de melhor se passou na região de Sicó e se minimize o que de pior aconteceu. Fazer com que as transformações que têm vindo a ocorrer sejam positivas é um dever cívico de todos vós, combater os lobbys que têm vindo a depradar esta nossa bela região em proveito próprio é também um dever, apesar de nem todos poderem "arriscar" nestes perigosos meandros. Para ambos aqui estarei, continuando a ser uma pedra no sapato de alguns destes lobbys.
Festejem com aqueles que vos são mais próximos, com conta peso e medida e não se excedam nas estradas, pois mais vale perder um minuto da vida do que a vida num minuto. Aproveitem para visitar alguns dos locais mais bonitos da região com a família e/ou amigo/as e disfrutem bem do nosso património, natural ou cultural, além da boa gastronomia. Dêm mais valor a tudo aquilo que torna esta região muito especial e que a torna diferente, para melhor de outras regiões do país. E lembrem-se que são as coisas mais simples que nos tornam melhor pessoas.
Boas festas e um feliz 2010, são os desejos do Azinheragate para todos vós.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Natal de mau gosto?

Hoje o comentário era para ser sobre um caso em Penela, mas tendo em conta que me avisaram para uma situação aberrante noutro local, tenho de adiar o comentário relativo a Penela, o qual irei colocar daqui a poucos dias.
A situação sobre a qual me avisaram é a que vocês vêm nas fotos, algo de muito mau gosto em época natalícia. Em duas rotundas da vila do Avelar houve alguém que teve uma ideia que apesar de ser bem intencionada, reveste-se de um profundo mau gosto.
A ideia peregrina foi simples, para embelezar duas rotundas para a época natalícia, surgiu a ideia de se cortar quase vinte, repito, quase vinte pinheiros ainda jovens e colocá-los nas rotundas. Além de ser algo que atenta contra o nosso património florestal, é um caso de extremo mau gosto, mais parecendo um caso carnavalesco com aquelas fitas pouco próprias.
Não me vou alongar muito neste assunto, deixando apenas uma sugestão à pessoa que teve a ideia, será que não era mais feliz embelezar estas rotundas com materiais recicláveis a fazer de adereços? Já vi casos em que isto resultou na perfeição e juntou-se o útil ao agradável, aproveita-se resíduos que podem ir para o ecoponto, tornando-os temporariamente amigos do pai natal!
Quando passarem nestas rotundas (para os que têm essa possibilidade) observem e digam-me de vossa justiça.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A atitude das superfícies comerciais perante questões ambientais

É um tema que dá pano para mangas, como se costuma dizer, mas desta vez vou ser muito conciso, querendo eu que o que agora vou relatar sirva para reflecção de todos nós.
Uma das muitas frentes em que estou, no domínio ambiental, é precisamente na acção potencial de algumas superfícies comerciais na região de Sicó, por isso tenho-me deparado com situações boas e outras menos boas.
Antes de ir a uma situação menos positiva, queria relatar factos que vos podem dar a entender o impacto positivo que todos podemos ter de alguma forma neste âmbito. Foi já há mais de 6 anos que eu vi algo que me incomodou, uma pequena superfície comercial deitava todos os seus resíduos, nomeadamente papelão e cartão, no caixote do lixo, estando sempre os três caixotes cheios de resíduos que poderiam bem ir para a reciclagem. Isto tudo sendo que à mesma distância (15 metros) se situava um conjunto de ecopontos.
Passadas poucas semanas e farto de ver esta situação, decidi escrever uma carta para a gerente, de forma a lhe mostrar a importância do correcto encaminhamento dos resíduos, bem como do impacto positivo que esta acção poderia ter na própria imagem do estabelecimento comercial. No dia seguinte, fui à loja e coloquei a carta na caixa de sugestões.
Para minha surpresa, no dia seguinte, tudo o que ia anteriormente para o lixo, ia agora para o ecoponto, confesso que me deu muito prazer ver isso mesmo e ver que afinal vale a pena chamarmos à atenção, de forma construtiva, os nossos lojistas, ficamos todos a ganhar. Senti o dever cumprido, mesmo que não vivesse à beira deste estabelecimento.
Outro exemplo positivo, foi há coisa de 3 anos, quando vi que outro estabelecimento comercial, apesar de até colocar algumas coisas para a reciclagem, tinha um monte enorme de papelão por detrás do seu estabelecimento, causando um certo impacto visual. Fui então falar com o gerente e ele disse-me que era demasiada quantidade de papelão para o pequeno ecoponto, compreendendo eu o problema. Disse logo que ia ajudar à resolução do problema, entrando em contacto com a ERSUC.
Dias mais tarde, e após o contacto via endereço electrónico, lá veio um camião próprio, o qual... ficou cheio de papel para reciclar. De novo senti missão cumprida, mesmo que não vivesse à beira da superfície comercial, foi algo que me deu enorme prazer ajudar e mostrou que pequenas atitudes positivas podem ter um grande impacto.
Mas nem tudo pode ser positivo, infelizmente, por isso passo a relatar algo que concerteza irão ficar perplexos.
Foi há mais de uma semana, quando andei a fazer uma "ronda" a algumas superfícies da região de Sicó, com o intuito de pedir a colaboração de algumas destas superfícies comerciais, na divulgação do Projecto Limpar Portugal ( http://limparportugal.org/ - http://limparportugal.ning.com/ ), através da colocação de um cartaz desta iniciativa nas respectivas montras.
Fui à primeira e tudo bem, não haveria problema algum, na segunda igual. Quando chego à terceira, foi-me dito "duvido que ele aceite, sabe porquê não sabe?!" Na minha ignorância momentânea disse "sim, sei, mas não custa nada pedir". Honestamente pensei que seria por política da empresa, mas alguns minutos lá cheguei á conclusão óbvia...
Já há algum tempo tinha chamado à atenção desta superfície comercial sobre uma questão ambiental, questão esta que parece que fez mossa. Sinceramente não tinha pensado que tinha tido tanto impacto, algo que me agradou, mas é triste quando fazemos um reparo de forma construtiva e depois ficam com o "burrinho". Ninguém é ou pode ser obrigado a ter um poster do Limpar Portugal, ou de outra iniciativa ou actividade, é legítimo que haja recusas, pena é que esta possível recusa possa ser apenas e só por ressabiamento para com uma pessoa individual.
No que me toca, este facto não me afecta, pois sou voluntário e não ganho um tostão com isso, portanto se é por mim esta recusa não tem lógica nem impacto algum. Esta atitude apenas prejudica a superfície comercial e não por ela própria, mas apenas e só por uma atitude irreflectida de uma ou duas pessoas que pode ter resultados muito negativos, caso por exemplo da perca de clientes. É bom estas pessoas lembrarem-se que dependem dos clientes e não o contrário.
Penso, sinceramente um destes dias fazer um ranking ambiental das superfícies comerciais na região de Sicó, não sei como nem quando, mas...
Da minha parte, consigo conciliar preços acessíveis com atitudes correctas das superfícies comerciais perante o ambiente, pois é dele que dependemos, ao contribuirmos estamos a preocupar-nos com a nossa qualidade de vida e dos nossos mais queridos.
Ainda acreditam que uma pequena atitude vossa não consegue ter impactos muito positivos?!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Vídeos chocantes que comprometem seriamente....

Fui esta semana à Serra de Alvaiázere, já que fui avisado que o parque eólico já estaria a ser feito, mas sinceramente nunca pensei a verdade ser tão chocante....
Já todos sabem que eu descobri muita ilegalidade no processo deste parque eólico, e que nada foi feito para investigar isso mesmo, mas ainda ninguém sabe de algo que descobri na segunda e na terça de manhã, quando fui ao local, é algo de chocante e que confirma suspeitas minhas sobre o estudo geológico....
Vou tentar explicar isto de uma forma simples, pois é um tema complexo para quem não tem muitos conhecimentos nesta área, mas no final vão compreender a gravidade dos factos.
Na fase de acompanhamento público (2008), critiquei fortemente os resultados do "estudo" que o geólogo responsável elaborou, especialista este que de calcários percebe tanto como eu de engenharia de pontes. Este estudo era claramente mal elaborado e, por isso eu elaborei um parecer (Julho de 2008) onde constava:
«No ponto 3.4.2 (p. 17) – Geologia, geomorfologia e solos
É referido que se avaliará e acautelará a distância de segurança entre a área afecta a trabalhos de construção e as eventuais cavidades cársicas identificadas na prospecção geológica, assegurando a estabilidade da área de trabalho e das cavidades. Não é concretizado como se fará isto, não compreendo tanto cuidado com as cavidades quando afinal algumas foram destruídas aquando da construção da estrada em Outubro de 2007, algo de que tenho fotos!
Não é referido o deslizamento que poderá ocorrer na vertente Este da Serra de Alvaiázere e que está a colocar em risco algumas habitações, especialmente quando é colocada a questão da utilização de explosivos, como mitigar esta questão gravosa?!
Na página 22 do RECAPE é referenciado que deverá ser «elaborada uma planta de condicionamento à escala de pelo menos 1: 5 000 com todos os elementos do projecto e as áreas a proteger e salvaguardar, tais como áreas sensíveis do ponto de vista ecológico, ocorrências patrimoniais…. Zonas de importância geológica» Como se não estão referenciadas muitos destes elementos?!
No parecer do Professor António Gonçalves Henriques (Director da APA), com a referência 146/08, relativamente ao processo de AIA nº 1161 “Parque eólico de Alvaiázere”, é referido também, no que concerne às cavidades cársicas que:
«As cavidades detectadas devem ser melhor interpretadas, uma vez que a DIA prevê a necessidade de compatibilizar o projecto com as cavidades cársicas…»
Este parecer aconselha também a utilização de geo-radar como complemento da prospecção de cavidades cársicas.
Infelizmente a falta de competência técnica e científica do técnico geólogo no domínio do carso, levou a que este referisse que o método de geo-radar «poderia fornecer resultados requerendo uma interpretação delicada muitas vezes controversa….»
Diria eu, como especialista no carso, que este geólogo é tecnicamente inqualificado para este estudo, já que não conhece este método aplicado ao carso, onde em países como nos EUA, onde é praticado por quem sabe, tem mostrado bons resultados como técnica complementar. Eu pessoalmente aconselharia este geólogo a ter formação nesta técnica, o Karst Research Institute (Eslovénia) é uma das entidades que lhe pode dar informações precisas sobre esta técnica de modo a desmistificar estereótipos sobre novas tecnologias aplicadas ao estudo do carso.
Este geólogo refere adiante que:
«Por ultimo, informa-se que a campanha de prospecção interessa apenas a zona onde se prevêem localizar as torres dos aerogeradores que está situada no flanco de encosta e a cotas inferiores àquelas em que ocorre o campo de lapiás, não interferindo com as referidas formas superficiais que são por definição estratos aflorantes»
Mais uma vez conceitos imprecisos, pois os lapiás têm a sua expressão visual a nível superficial, mas a bancada calcária do qual tem origem nesta área tem cerca de 40 metros de espessura, além do facto de o sector Oeste da Serra ter pendor em monoclinal precisamente para Oeste, sendo que a camada que tem expressão visual na escarpa de falha a Este, facilmente pode ter expressão visual a Oeste. É bastante provável que ali haja grutas de grande profundidade, por isso a questão das cotas é algo de muito relativo.
No seguimento deste raciocínio, não vejo nota alguma sobre as consequências na rede hidrográfica e infiltrações no maciço calcário, o facto de não haver linhas de água superficiais é enganador ao mais desconhecedor
...»
Reparem que eu disse isto em 2008! Agora, antes de prosseguir, vejam o que é afinal um geo-radar:
Depois de entenderem isto tudo, vejam agora o que se está a passar na Serra de Alvaiázere:
Vendo estes vídeos e fazendo a ligação com tudo o que disse atrás, digam-me como é que isto é possível?! Se o geo-radar tivesse sido realmente utilizado estas grutas tinham sido facilmente detectadas. Supostamente o geo-radar foi utilizado, mas uma coisa é certa, os resultados não batem certos, o que indicia que efectivamente os resultados apresentados não correspondem à verdade, ou seja o estudo não foi feito naquela área e os resultados não são verdadeiros. Como é que não se detecta uma série de grutas existentes nuna linha de fractura que se prolonga pela Serra de Sul para Norte?
Ando sinceramente a pensar divulgar os meus pareceres técnicos que fiz na fase de acompanhamento público e pós avaliação, estes mostram suspeitas que algumas pessoas temem fortemente.... Nesta fase basta juntar as peças do puzzle para ver que este parque eólico tem uma história secreta que andam a tentar esconder, pois os lobbys são muito poderosos e conseguem fazer tudo para chegar onde querem, o lucro fácil. É um património de valor nacional e internacional que anda a ser destruído para que alguns possam ganhar muito dinheiro, quem perde é país e o povo! CHEGA!!!
Estou disponível para os facultar esta documentação aos orgãos de comunicação social, jornais, rádios e televisão!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A cegonha teimosa de Pombal....

Sou apenas um dos muitos que conhecem, de vista, esta bela ave, mas infelizmente sou dos poucos que a pode tentar ajudar a dar-se a conhecer, ajudando não só esta espécie, mas também alertando para os problemas que as aves têm também nesta região.
É teimosa e ainda bem que assim é esta cegonha, muitos pombalenses a conhecem, além claro que muitos dos que ficam por breves minutos à espera de apanhar o comboio na estação de Pombal. Há também aqueles mais atentos que do IC2 a conseguem observar num breve momento de passagem por aquele local.
Não me lembro há quantos anos ela ali anda, mas desde que me lembro ela ali está, fico muito feliz por ter a oportunidade de ver os anos passar e ela continuar ali a acasalar e ter mais uma cria, algo de fácil de ver quando o macho por ali anda. Há duas semanas, estava eu prestes a apanhar o comboio para o Porto, lembrei-me que tinha os meus binóculos na mochila, tirei-os e vi este belo espécime ainda de mais perto, foi realmente muito entusiasmante, confesso.
Esta "conversa toda" não é para vos fazer perder tempo, é sim para vos fazer reflectir sobre qual afinal o respeito que muitos de nós temos por espécies de aves tão belas, que se mantêm em locais como este, as quais assistem a tanta asneira que fazemos, ficando teimosamente nos seus locais predilectos, mesmo que lhes comece a ser desconfortável, poluição, prédios que começam a crescer em locais que não deviam (o autarca de Pombal continua a não querer aprender com os erros do passado que levaram às cheias de 2006...).
Peço, acima de tudo, que reflictam os factos e se lembrem de animais como este, os quais porventura vos conseguem arrancar um sorriso quando olham ao longe para eles....
Quando andarem por Pombal, seja perto da estação seja perto do estádio olhem para cima para as chaminés e vejam se ela lá está, pode estar chuva, sol, mas ela está sempre por lá!
Será que não é tempo de Pombal reconhecer em termos institucionais esta bela ave pela sua persistência e pelos sorrisos que ela arranca a tantos de nós?!
E já agora que falamos das belas aves, será que imaginam o potencial do birdwatching na região de Sicó, bem como o seu impacto no turismo ?! Eu até imagino, já que me conheço pessoalmente especialistas, mas..... pensem nisso, é apenas mais um nicho a explorar (pelo menos enquanto os caçadores não matarem mais águias, milhafres e outros mais...).