Mostrar mensagens com a etiqueta LIGeom. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta LIGeom. Mostrar todas as mensagens

10.9.15

Geovandalismo, puro e duro!


No início, este ícone situado na bela Serra de Alvaiázere era assim, belo, extraordinário, único. Era um local de interesse geomorfológico de uma rara beleza, não conhecendo eu nenhum semelhante na região de Sicó. Descobri este lindíssimo LIGeom lá para 2006, em pleno trabalho de campo da tese de mestrado. Nunca divulguei a localização exacta deste ícone, pois tinha receio daquilo que acabou por vir a acontecer. 


Sendo um local muito particular, apresentava uma vulnerabilidade muito elevada, já que qualquer pascácio se podia empoleirar em cima e fazer com que a pedra resvalasse, destruindo assim algo de muito belo de se ver. Quando assim é, mais vale não divulgar o local e a respectiva localização. Contudo, mais tarde ou mais cedo este é descoberto, ainda mais quando existe uma cache por perto.


Há semanas atrás, quando lá fui com alguns amigos ligados ao património geológico, deparei-me com algo difícil de ser ver. Estranhei, no início, não encontrar o local, pois já tinham passado 2 anos desde a última visita, mas depois de palmilhar uns megalapiás, lá dei com o LIGeom. Não podia acreditar, ele já não existia...


Conhecendo eu bem o local, e já depois de uma pequena perícia, cheguei a uma conclusão, a de que a queda do bloco não tinha sido acaso, mas sim causada por um qualquer paspalho que de forma consciente ou inconsciente, fez o bloco desabar. Infelizmente é algo típico quando se trata deste tipo de ocorrências. Desaparece assim um ícone. Triste, muito triste...


18.1.10

As más estratégias de divulgação do património...

Confesso que fiquei perplexo há poucos dias quando entrei mais uma vez no google earth para mostrar um local em especial a um colega, mais ainda, fiquei muito preocupado com o que vi...
Foi já há quase 4 anos que eu coloquei algumas imagens de interesse de alguns locais particulares, no google earth, este local de divulgação do património bem interessante.
Na altura, mais especificamente num colóquio em Alvaiázere, referi a importância desta ferramenta na divulgação de Alvaiázere, bem como da própria região. Disse-o mas com algumas reservas, já que há património que não se deve divulgar sem medidas de protecção.
Na altura não me levaram a sério em Alvaiázere, mas agora surgiu curiosamente uma "avalanche" de imagens, é precisamente sobre algumas delas que quero falar de uma forma concreta e sucinta.
Escolhi alguns dos exemplos que mostram como não se deve fazer esta divulgação no google earth, em primeiro lugar deve-se divulgar os factos com conhecimento de causa, depois deve-se fazer a divulgação, mas de forma responsável...
O primeiro exemplo, é de um local onde coloquei uma foto de um megalapiás agora muito conhecido, é um local de interesse geomorfológico que eu em 2006 destaquei no google earth. Eis que agora surge uma outra imagem, do mesmo local, que não é específica nem científicamente precisa, pois se a ter sido o Município de Alvaiázere a colocar esta informação, este errou. Isto pode parecer um mero erro básico, mas se imaginarem que eu tenho um trabalho de investigação onde retrato este local em particular e que ofereci um exemplar em papel do mesmo ao Município de Alvaiázere, o erro toma proporções de algum alcance, porque é que esta informação científica foi pura e simplesmente ignorada?


Depois passamos para um lapiás que é, segundo o Município de Alvaiázere, de interesse arqueológico, mas será que o lapiás é um elemento arqueológico? Não será antes um elemento geomorfológico?

Megalaiás dos Penedos Altos? Não será antes Megalapiás dos Penedos Altos? E não não é outro mero erro ortográfico, pois ainda há outra foto onde consta megalapiáz, quando é sim megalapiás. Nesta questão da terminologia é pena errar-se de forma tão gravosa, especialmente tendo em conta que eu ofereci em 2007 o glossário ilustrado de termos cársicos ao... Município de Alvaiázere.
Temos de ser exigentes com as entidades públicas, pois estas são bem pagas para fazer este género de trabalhos, portanto não podemos permitir que errem como o faz um aluno de 1º ano de licenciatura.

Sem dúvida um local bonito, mas como pode ser um local desta dimensão de interesse paisagístico? Parece-se que há aqui uma confusão de termos bem como de escala de análise.

Aqui é mais um exemplo, onde se ignorou trabalhos já existentes sobre este tipo de património, já com artigos publicados (Guanilho Duarte) e com conhecimento por parte do Município de Alvaiázere. Este poço de cobertura cónica é afinal um poço de carapuça com púcaro, é assim a denominação correcta.

Já na esfera do "património biológico" temos o que é referido como uma árvore notável ?! Penso que aqui há um notável equívoco, já que esta "árvore" é sim uma bela Opuntia sp. (muito provavelmente...) ou seja um arbusto suculento e espinhoso!
São erros crassos como este que não são de forma alguma compreensíveis por parte de uma instituição pública, exige-se melhor e aconselho muito trabalho de casa para corrigir erros graves como estes que agora enunciei.

Antes de terminar queria salientar algo de importantíssimo e que interessa discutir o seu sentido ético. Será que é prudente divulgar desta forma algum património sem a devida autorização dos donos? Será que agora algum deste espólio agora divulgado abertamente no google earth estará a salvo de salteadores de património, caso por exemplo de noras (ou outro espólio notável móvel)?
Divulgação sim, mas de forma responsável e éticamente correcta, ao proceder-se de forma pouco responsável podemos estar todos nós a colocar algum do espólio da região de Sicó em risco, pois agora ele está visível e é conhecido aos olhos de pessoas que fazem da sua vida o saque do património (móvel, obviamente, pois um dos meus amigos megalapiás ninguém os leva...).

9.12.09

Vídeos chocantes que comprometem seriamente....

Fui esta semana à Serra de Alvaiázere, já que fui avisado que o parque eólico já estaria a ser feito, mas sinceramente nunca pensei a verdade ser tão chocante....
Já todos sabem que eu descobri muita ilegalidade no processo deste parque eólico, e que nada foi feito para investigar isso mesmo, mas ainda ninguém sabe de algo que descobri na segunda e na terça de manhã, quando fui ao local, é algo de chocante e que confirma suspeitas minhas sobre o estudo geológico....
Vou tentar explicar isto de uma forma simples, pois é um tema complexo para quem não tem muitos conhecimentos nesta área, mas no final vão compreender a gravidade dos factos.
Na fase de acompanhamento público (2008), critiquei fortemente os resultados do "estudo" que o geólogo responsável elaborou, especialista este que de calcários percebe tanto como eu de engenharia de pontes. Este estudo era claramente mal elaborado e, por isso eu elaborei um parecer (Julho de 2008) onde constava:
«No ponto 3.4.2 (p. 17) – Geologia, geomorfologia e solos
É referido que se avaliará e acautelará a distância de segurança entre a área afecta a trabalhos de construção e as eventuais cavidades cársicas identificadas na prospecção geológica, assegurando a estabilidade da área de trabalho e das cavidades. Não é concretizado como se fará isto, não compreendo tanto cuidado com as cavidades quando afinal algumas foram destruídas aquando da construção da estrada em Outubro de 2007, algo de que tenho fotos!
Não é referido o deslizamento que poderá ocorrer na vertente Este da Serra de Alvaiázere e que está a colocar em risco algumas habitações, especialmente quando é colocada a questão da utilização de explosivos, como mitigar esta questão gravosa?!
Na página 22 do RECAPE é referenciado que deverá ser «elaborada uma planta de condicionamento à escala de pelo menos 1: 5 000 com todos os elementos do projecto e as áreas a proteger e salvaguardar, tais como áreas sensíveis do ponto de vista ecológico, ocorrências patrimoniais…. Zonas de importância geológica» Como se não estão referenciadas muitos destes elementos?!
No parecer do Professor António Gonçalves Henriques (Director da APA), com a referência 146/08, relativamente ao processo de AIA nº 1161 “Parque eólico de Alvaiázere”, é referido também, no que concerne às cavidades cársicas que:
«As cavidades detectadas devem ser melhor interpretadas, uma vez que a DIA prevê a necessidade de compatibilizar o projecto com as cavidades cársicas…»
Este parecer aconselha também a utilização de geo-radar como complemento da prospecção de cavidades cársicas.
Infelizmente a falta de competência técnica e científica do técnico geólogo no domínio do carso, levou a que este referisse que o método de geo-radar «poderia fornecer resultados requerendo uma interpretação delicada muitas vezes controversa….»
Diria eu, como especialista no carso, que este geólogo é tecnicamente inqualificado para este estudo, já que não conhece este método aplicado ao carso, onde em países como nos EUA, onde é praticado por quem sabe, tem mostrado bons resultados como técnica complementar. Eu pessoalmente aconselharia este geólogo a ter formação nesta técnica, o Karst Research Institute (Eslovénia) é uma das entidades que lhe pode dar informações precisas sobre esta técnica de modo a desmistificar estereótipos sobre novas tecnologias aplicadas ao estudo do carso.
Este geólogo refere adiante que:
«Por ultimo, informa-se que a campanha de prospecção interessa apenas a zona onde se prevêem localizar as torres dos aerogeradores que está situada no flanco de encosta e a cotas inferiores àquelas em que ocorre o campo de lapiás, não interferindo com as referidas formas superficiais que são por definição estratos aflorantes»
Mais uma vez conceitos imprecisos, pois os lapiás têm a sua expressão visual a nível superficial, mas a bancada calcária do qual tem origem nesta área tem cerca de 40 metros de espessura, além do facto de o sector Oeste da Serra ter pendor em monoclinal precisamente para Oeste, sendo que a camada que tem expressão visual na escarpa de falha a Este, facilmente pode ter expressão visual a Oeste. É bastante provável que ali haja grutas de grande profundidade, por isso a questão das cotas é algo de muito relativo.
No seguimento deste raciocínio, não vejo nota alguma sobre as consequências na rede hidrográfica e infiltrações no maciço calcário, o facto de não haver linhas de água superficiais é enganador ao mais desconhecedor
...»
Reparem que eu disse isto em 2008! Agora, antes de prosseguir, vejam o que é afinal um geo-radar:
Depois de entenderem isto tudo, vejam agora o que se está a passar na Serra de Alvaiázere:
Vendo estes vídeos e fazendo a ligação com tudo o que disse atrás, digam-me como é que isto é possível?! Se o geo-radar tivesse sido realmente utilizado estas grutas tinham sido facilmente detectadas. Supostamente o geo-radar foi utilizado, mas uma coisa é certa, os resultados não batem certos, o que indicia que efectivamente os resultados apresentados não correspondem à verdade, ou seja o estudo não foi feito naquela área e os resultados não são verdadeiros. Como é que não se detecta uma série de grutas existentes nuna linha de fractura que se prolonga pela Serra de Sul para Norte?
Ando sinceramente a pensar divulgar os meus pareceres técnicos que fiz na fase de acompanhamento público e pós avaliação, estes mostram suspeitas que algumas pessoas temem fortemente.... Nesta fase basta juntar as peças do puzzle para ver que este parque eólico tem uma história secreta que andam a tentar esconder, pois os lobbys são muito poderosos e conseguem fazer tudo para chegar onde querem, o lucro fácil. É um património de valor nacional e internacional que anda a ser destruído para que alguns possam ganhar muito dinheiro, quem perde é país e o povo! CHEGA!!!
Estou disponível para os facultar esta documentação aos orgãos de comunicação social, jornais, rádios e televisão!