sábado, 28 de junho de 2014

O belo do girino


Foi no início do mês que me deparei com o extraordinário cenário, quando me preparava para passar o Rio Nabão, de uma margem para a outra, onde, apesar da água já não correr, ainda se mantinha presente em pequenas poças de água. Ao ver tal cenário, encostei a bicicleta e peguei logo na máquina fotográfica. Eram milhares de girinos, coisa que não via já há alguns anos, pelo menos em termos de quantidade. Eram tímidos, pois ao aproximar da objectiva, eles fugiam logo.
Por momentos voltei às memórias da infância, onde, no tempo das traquinices, ia para a ribeira apanhar girinos. Depois de apanhar vários, o seu destino era simples, de volta ao seu habitat. Brincadeiras como esta foram determinantes para uma aprendizagem que, infelizmente, escasseia hoje em dia. Nos dia de hoje são muitas as crianças que são afastadas de locais privilegiados em termos educacionais. Há um grave afastamento do mundo natural por parte de muita da juventude de hoje em dia. E o mais grave é que são precisamente aqueles que deveriam ensinar os mais novos que potenciam este afastamento. A estes um pedido, levem os mais novos de volta ao contacto com o mundo natural. Deixem-se de estereótipos. Sujar as mãoes na terra é bom. Calçar as galochas e ir para os ribeiros não é perigoso nem uma perda de tempo, muito pelo contrário. O pior que podemos fazer é criar uma geração de fofinhos e fofinhas, pois isso mais tarde terá consequências trágicas e a vários níveis. Não ofereçam brinquedos, instiguem a que os mais novos os façam eles mesmo. Não pensem que oferecer brinquedos substitui o afecto, o tempo em família. Peguem na família e vão para o campo, sentir, ouvir, mexer, cheirar!
Brevemente espero dar seguimento a um projecto educacional relacionado, o qual não pude ainda iniciar por falta de tempo. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Nunca é demais lembrar: ler, reter e divulgar sff!

Para o/as esquecido/as, desatento/as, amnésico/as e afins, fica algo que nunca é demais relembrar. Para acabar com esta vergonha pirómana, que assola o país há 3 décadas, há que mudar comportamentos e atitudes. Se virem borralheiras denunciem! Se tiverem vizinhos que não limpam o mato em redor da sua casa, pondo em perigo a vossa, denunciem! Não sejam benevolentes com comportamentos que potenciam a tragédia!
Lembrem-se que há pequenos gestos que fazem toda a diferença, desde a prevenção até ao alerta. Lembrem-se também que há gestos que salvam vidas, bens e a Natureza que é de todos nós!

Fonte: http://www.gnr.pt/default.asp?do=5r20n/DM.p105ryu15/p105ryu15 


quinta-feira, 19 de junho de 2014

A vida no campo


Quem me conhece sabe que sou um grande defensor das virtudes do mundo rural. Isto mesmo que o rural de hoje em dia seja diferente do de outros tempos, onde a tecnologia não tinha tantos impactos como os que tem hoje. Surgiram termos que se centram nesta mesma questão, caso do termo "glocal".
Quem me conhece sabe também que sou um temido adversário daqueles que, das mais variadas formas, desprezam, destroem ou degradam tudo aquilo que torna o mundo rural um território mágico.
Nos últimos anos não tenho tido o tempo que queria para me dedicar a alguns projectos que tenho pensados, todos eles têm como base o melhor que podemos encontrar numa região extraordinária, Sicó. Brevemente irei começar a desenvolver alguns destes mesmos projectos, algo que me anima de sobremaneira.
Mas falemos então das virtudes do mundo rural. Aqui dependemos em primeiro lugar de nós próprios, pois não estamos totalmente dependentes do ordenado, como acontece nas cidades. Aqui temos todo um potencial de rendimentos financeiros e, em especial, uma qualidade de vida inigualável. Há mais apoios à família e isso faz muita diferença. 
Falando em dinheiro, com o mesmo ordenado, vive-se bem melhor por aqui, pois não se vive viciado por um sistema que nos impinge tudo aquilo que não precisamos. No mundo rural o que manda não é o comando da televisão, é sim o sol. No mundo rural o importante não é ter para parecer, é sim ter para ser feliz, sem a questão materialista. Com pouco consegue-se ser feliz e viver uma vida nada stressante. Já repararam que apesar de cada vez se poder andar mais depressa, cada vez se tem menos tempo para nós próprios. Ironia das ironias... No campo o tempo estica, não encolhe!
Aqui, em vez de ir ao shopping, andar que nem baratas tontas, a mostrar aquilo que não somos e aquilo que não temos, podemos ir onde quisermos. Ao rio, dar um mergulho, andar no carvalhal ou no azinhal (e fazer um balancé para os filhos, como antigamente se fazia), à Rede Natura 2000, aos lugarejos passear e falar com os velhotes, aprendendo com eles. Comprar uma gaiola para meter o desgraçado do pássaro? Aqui não é preciso, pois eles andam lá fora, aparecem de vez em quando à janela e se lhes arranjarmos um ninho, eles ficam por perto.
Temos praia ou montanha a 1 hora de distância. Quantos se podem orgulhar deste privilégio?
Em vez de termos um apartamento pequeno e caro, temos uma casa pequena e barata mas com um enorme quintal, onde podemos ter animais e fazer o belo do churrasco com os amigos. Carvão não é preciso comprar, pois temos lenha. Não gastamos dinheiro com acendalhas, pois temos pinhas ou caruma para acender o lume. Não nos preocupamos com a conta do gás, do aquecimento, pois temos lenha para dar e vender.
Não temos relvado, mas isso nem é preciso, pois o cão pode ir arrear o calhau longe e em vez deste, podemos ter um ervado, onde podemos fazer muita coisa, desde jogar à bola até ter o gado a pastar. Para as ervas em redor da casa, não precisamos sequer de meter herbicidas (com potencial cancerígeno...), pois temos a enchada, que até é muito boa para exercitar os músculos!
A conta da electricidade é menor, pois a roupa seca-se lá fora, com maior ou menor rapidez.
Não precisamos da TV cabo, pois temos os amigos, a rua para confraternizar e todo um mundo para explorar. O carro pode ficar quase sempre em casa, pois a bicicleta dá conta do recado.
Fruta quase não precisamos de comprar, pois temos árvores de fruto para todos os gostos. Além disso temos as belas das nogueiras ou os castanheiros, não precisamos sequer de pagar para comer estas iguarias. Nêsperas, figos, é só escolher. A horta dá tudo aquilo que quisermos, basta ter espaço e vontade de meter as mãos à terra. E a bela da fava, que nem sequer dá trabalho?! E o belo do pinhão, basta ir às pinhas que é de borla. Nas cidades costuma-se comprar quase a 100 euros o kg...
E temos as espécies autóctones e variedades tradicionais, não precisamos que empresas como a Monsanto e afins nos impinjam seja o que for. Qualidade e saúde alimentar em primeiro lugar.
Na cidade quem quer biológico paga caro, no entanto nós temos biológico sem o pagar, pois, para nós, isso é o normal, a regra e não a excepção. Não há nada como, pela manhã, ir ao galinheiro buscar ovos para fazer ovos mexidos para o pequeno-almoço. Não há nada como à hora do almoço ir buscar uma alface à horta para a salada. Não há nada como à hora do jantar ir buscar umas couves para a sopa. Luxo? Não, é mesmo a vida no campo.
Se formos a andar na rua e por um azar qualquer cairmos, então alguém aparece para nos ajudar, coisa cada vez mais rara nos grandes aglomerados urbanos. Em vez de sermos sócios de um clube de futebol, somos sócios dos bombeiros voluntários, pois esses sim, fazem algo por todos nós e não ganham como os do futebol...
E sim, as cidades são precisas. Só um imbecil pode afirmar que um mundo sem cidades é possível. A questão aqui é só uma, a de que não é nada saudável a maior parte da população estar centrada nas cidades e a tendência ser para piorar o cenário actual. 
Quem sustenta as cidades? O Mundo rural! 
Vejamos então, gostam do mundo rural mas não vivem nele? De que estão à espera? Há muita casa para recuperar, há muita actividade económica para dinamizar, muita cultura para usufruir e até ganhar algum dinheiro com isso. Sim, eu sei, há problemas vários e dificuldades, caso de gente burguesa que pensa que manda nisto tudo, no entanto isso combate-se com o conhecimento, com a sabedoria ancestral e com coragem. Esta última tem faltado a muito boa gente...
Se tiverem dificuldades, há muita gente disponível para ajudar à mudança, desde pessoas como eu até pessoas ligadas a projectos emblemáticos, caso dos Novos Povoadores. Todos contam e todos nós podemos ajudar a uma desejável mudança de paradigma!
Brevemente darei continuidade a este texto, pois há muito, mas mesmo muito para falar...

domingo, 15 de junho de 2014

E se eu quiser estacionar a minha bicicleta, será que tenho estacionamento?


É um tema do qual gosto particularmente falar, já que enquanto ciclista tenho uma experiência que já leva muitos anos, muitos milhares de km e um atropelamento por parte de uma carrinha. A experiência é importante quando chega a hora de dissertar sobre alguns temas, sendo este um bom exemplo disso mesmo. 
Desde já faço uma distinção clara, a de que, para mim, um ciclista é aquele que de uma forma regular (diária ou semanal) faz uso da bicicleta para se deslocar. Todos os outros são meros utilizadores ocasionais da bicicleta. Esta distinção torna-se fundamental na hora de opinar sobre os ditos modos suaves.
É raro o dia em que não dou ao pedal, tendo para isso 3 bicicletas diferenciadas. Sempre gostei da bicicleta, mesmo em anos onde a mesma não era moda. Nunca liguei aquele estereótipo, ainda presente, de que a pessoa que anda de bicicleta é uma coitadinha, que não tem dinheiro para um carro, etc, etc. 
O cenário associado à mobilidade sustentável na região de Sicó tem mudado de alguma forma, mas não ainda a suficiente. Surgiram as ciclovias, surgiram os sistemas de bicicletas partilhadas e pouco mais. Falta o resto. Não surgiu uma maior consciencialização por parte de muitos utilizadores da bicicleta, em termos de educação rodoviária. Incomoda-me ver pessoal a andar em contramão, a passar as passadeiras de bicicleta (não têm prioridade) e também a andar à noite sem luz e reflectores. São apenas alguns exemplos, os quais, além do evidente perigo, representam um foco de conflito para com os condutores de automóvel, alguns dos quais com comportamentos ao volante perfeitamente imbecis e, por vezes, criminosos.
Há muito por evoluir, sendo que é urgente mudar as mentalidades e também a forma como moldamos as vilas e cidades, pois há que ter em conta em primeiro lugar os modos suaves e os transportes públicos. Só depois vem o carro, pois este já tem privilégios a mais...
Estamos numa fase onde muitas pessoas voltaram a pegar as bicicletas, tal como aconteceu há muitos anos atrás. Quando a situação económica melhorar, acontecerá o mesmo de sempre, muitos voltarão ao comodismo e luxo do automóvel. Por isso mesmo há que aproveitar esta fase para melhorar tudo aquilo que pode ajudar a disseminar aquele belo gesto que é o dar ao pedal. Mas para isso há que ter pedalada.
Uma destas melhorias será a de criar centenas de pontos de estacionamento de bicicletas, em toda a região de Sicó, nomeadamente em meio urbano.
Quantos pontos como o da foto conseguem encontrar em toda a região de Sicó? Eu conheço poucos, muito poucos...
São baratos, eficazes e, fundamentalmente, necessários para ciclistas e utilizadores ocasionais de bicicleta. Não é admissível chegar a uma Vila e não ter um único estacionamento para bicicletas. Por exemplo, conhecem algum destes pontos à frente de entidades públicas, caso de Câmaras Municipais, Finanças, piscinas ou escolas? Ainda outro dia, ao ir à piscina municipal de Ansião, tive de prender a bicicleta a um poste. Será esta uma boa publicidade para o Município de Ansião?
Muito sinceramente ando com ideias de lançar uma petição com vista a mitigar esta mesma questão. Confrontar quem nos governa com situações como esta é a melhor forma de solucionar problemas como este.
Quanto à foto que ilustra este comentário, esta é relativa a Alvaiázere, a um estacionamento localizado entre o gimnodesportivo e o campo de ténis. Fazem falta mais estacionamentos como este, muito embora este, na foto, não seja o mais correcto. É normalmente denominado como entorta aros, pois basta uma pessoa chocar inadvertidamente com a bicicleta, para entortar um aro. Os melhores são aqueles altos, onde facilmente se prende o quadro da bicicleta.
Prontos para reivindicar pontos de estacionamento de bicicletas na região de Sicó?

terça-feira, 10 de junho de 2014

O crime da liberalização do eucalipto: será que se deve continuar a apostar na defesa da monocultura contra os incêndios?


Não é a primeira vez que abordo aqui a questão da liberalização do eucalipto, contudo será a primeira vez que abordo esta questão de um ponto de vista diferenciado dos anteriores e, para alguns, de uma forma polémica. De modo a evitar confusões, afirmo desde já que todos os incêndios devem ser combatidos, embora de forma diferenciada, pois os riscos são maiores nuns casos e menores noutros.
Estamos a chegar ao início de uma época onde, ano após ano, se repete o mesmo cenário. As televisões gostam muito da festa pirómana e muitos portugueses parece que também. Chegados ao final do Verão, as mesmas palavras de circunstância e, tristemente, vidas ceifadas pelas chamas e bens perdidos.
Para acabar com este drama, ou pelo menos minorar grandemente o mesmo, é necessário tomar medidas bastante incisivas e abrangentes, mas ninguém parece ter coragem para pegar o touro pelos cornos e acabar de vez com a anormalidade pirómana de Portugal, a qual é encarada como que se de uma fatalidade se tratasse. Os tecnocratas que nos (des)governam, em vez de ordenarem o território, mitigando a fundo a questão, ignoram a mesma, pois isso é na prática o que acontece. O mesmo já não acontece com leis que potenciam grandemente a tragédia, como a da liberalização do eucalipto.
Reparem a primeira foto. Á primeira vista é um terreno agrícola, o qual o dono sabiamente limpou e cuidou das oliveiras. Contudo, se prestarem mais atenção, verão que onde deviam estar favas ou afins, estão eucaliptos. Fiquei revoltado quando me deparei com esta situação, há poucos dias, num recanto esquecido em Ansião. Apeteceu-me saltar a rede e arrancar um a um daqueles invasores. Não compreendo como isto é possível, no entanto, acaba por ser normal, pois além de estarmos a ser governados por um bando de garotos e pais destes, estes ainda metem nos organismos que "gerem" o ambiente, garotos tecnocratas que antes de ali trabalharem, eram altos quadros das celuloses (facto) e não sabem o que é ter calos nas mãos. Mas não só.
Mas não é tanto disto que pretendo falar, é sim de uma outra situação. A segunda foto é de uma área onde quem manda é a monocultura do eucalipto e onde outrora existia floresta. Quem planta eucaliptos pretende apenas uma coisa, lucro, custe o que custar. Nada de benefícios para a sociedade. As externalidades positivas ($), essas, quando existem, vão apenas para quem planta os eucaliptos. Já as externalidades negativas, essas são totalmente assumidas por toda a sociedade, a qual não tem culpa no cartório. Fará sentido este cenário?!
Ou seja, acaba-se com a floresta, a qual possibilita toda uma série de serviços ambientais à sociedade e planta-se uma monocultura que além de não possibilitar serviços ambientais, degrada fortemente o ecossistema. Água já fostes, solos nem vê-los e por aí adiante. Quem planta eucaliptos está a roubar toda uma sociedade e a onerar a mesma por várias gerações. E não vou falar do roubo dos serviços ambientais, isso fica para mais tarde. Vou falar sim de outra questão. 
Havendo milhares de Bombeiros Voluntários em Portugal (cada vez menos...), os quais ajudam heroicamente a proteger a nossa floresta (bem da sociedade), faz algum sentido obrigar os mesmos a proteger a monocultura do eucalipto? (que não é floresta!) Não será que esta é uma função que deveria ser proporcionada exclusivamente por quem planta os eucaliptos? Porque não obrigar quem tem eucaliptal a pagar seguros de risco? Porque não obrigar a quem tem eucaliptal a pagar a equipas de combate a incêndio (que não bombeiros voluntários) para proteger o seu investimento? Porque têm os portugueses de pagar do seu bolso o investimento de pessoas que apenas querem ganhar dinheiro com o eucalipto? Porque tem o país de se subjugar às celuloses? PIB? O PIB seria bem mais favorável se tivéssemos um país devidamente ordenado...
Muitos dos acidentes que têm ocorrido nos últimos anos nos grandes incêndios florestais, concretamente com mortes de Bombeiros, ocorreram em área de eucaliptal. Isto não é coincidência. E não me venham falar no problema que é o minifúndio, pois esse é afinal o último guardião das virtudes do mundo rural face aos interesses económicos predatórios, que desvirtuam tudo o que podem em prol de um pseudo desenvolvimento.
Por isso o meu apelo aos Bombeiros Voluntários é simples, nada de arriscar por conta dos eucaliptos, controlem apenas. Quem os plantou que arrisque a sua vida, o seu tempo livre e a sua saúde. 
A factura do combate dos incêndios em áreas de monocultura deveria ir apenas para o donos destas culturas, mas infelizmente quem paga é o zé povinho (diga-se, algum com culpa no cartório...).
Devemos sim defender a floresta, pois essa é que é realmente importante para a sociedade. Com espécies autóctones o risco é diminuto e nem sequer é preciso arriscar, pois nesses casos é fácil prever o comportamento do fogo. A floresta fornece-nos um conjunto de serviços ambientais, dos quais dependemos a vários níveis. 
A monocultura não tem nada para nos oferecer, apenas para roubar!


Apenas uma coisa é certa este ano, se o calor realmente vier em força nos próximos 3/4 meses, o ano será dos mais trágicos...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Do céu ao inferno...

Fonte: http://sigma2.cm-ansiao.pt/

Estava a ser um dia fantástico e o passeio de bicicleta já ia longo. Andava à caça de boas fotografias num roteiro pré-definido, no entanto com margem para desvios. Só quando me estava a aproximar do local em causa, perto do Alvorge, é que me lembrei que aquele era dos locais mais fantásticos que conhecia na região de Sicó, dada a sua "especificidade cársica", um extraordinário sumidouro literalmente escondido por vários carvalhos, alguns centenários, e uma bela galeria ripícula, com exemplares também centenários. Era um cantinho do céu que tinha tido a oportunidade de conhecer ao pormenor há alguns anos, quando em espeleo prospecções tive a oportunidade de passar algumas horas no fundo daquele sumidouro. A descida era algo difícil, pois era um local bem guardado por vegetação dos estratos arbóreo e arbustivo. Simplesmente mágico.
Contudo não foi o céu que ali reencontrei, foi sim o inferno, pois uma mente brilhante achou que o melhor seria arrasar tudo aquilo (representado no ortofoto acima), cortando tudo o que por ali havia, atulhando parte do sumidouro e plantando, imagine-se eucaliptos. Tem inclusivamente eucaliptos plantados dentro do curso de água, que termina, à superfície, naquele enorme sumidouro. 
Confesso que foi algo que não estava à espera e que me revoltou profundamente, dada a gravidade do sucedido. Já solicitei a intervenção da SEPNA, de forma a que esta possa confirmar a ilegalidade de algumas das acções ali ocorridas. Naturalmente que haverá um "prémio" para quem perpetrou tal acção.
É realmente preocupante constatar que mesmo locais tão isolados e tão valiosos do ponto de vista do ecossistema, são afectados de forma tão gravosa, nada está a salvo e um dos grandes culpados é o eucalipto e a sua liberalização. Este é um dos casos onde fica bem expressa a infelicidade de uma lei que promove a destruição de valores naturais fundamentais em prol do lucro puro e duro, seja a que custo for. A evidente iliteracia cultural faz o resto.
Nos próximos dias irei destacar a questão da monocultura de uma forma algo polémica, mas que faço questão de abordar de uma forma completamente diferente do que muitos estão habituados...