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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Arde porque deixamos que arda...


Por esta altura, e mesmo tendo em conta os inúmeros incêndios que já ocorreram um pouco por todo este país, ainda não se fala de incêndios florestais. A "festa", propriamente dita, ainda não começou, portanto, e para já, fala-se apenas de futebóis e outros factos que nada acrescentam a uma vivência sã e equilibrada. Quando os futebóis e afins terminarem, as televisões vão-se virar para a festa pirómana que todos os anos nos assola. E este ano em particular preocupa-me...
As causas são conhecidas, bem como os interesses que orbitam em redor da "festa", contudo, e estranhamente, tudo fica na mesma ano após ano. Não aprendemos com os erros e parece que fazemos questão que tudo ou quase tudo fique na mesma. Os discursos de ocasião ainda não surgiram, pois há que falar a quente, com as coisas acicatadas, lá para Julho ou Agosto.
Mas deixando estes pequenos pormenores de lado, vamos então aos factos. O que vêm na fotografia é uma plantação de eucaliptos, situada à entrada do lugar do Rabaçal, Penela, para quem vem de Ansião. Em 2016 foi efectuado um corte dos eucaliptos, pois já estavam em acção. Nessa altura fiquei surpreendido, já que os sobrantes ficaram todos no terreno. Inicialmente pensei que mais tarde iriam ser recolhidos, contudo os meses passaram e ali continuam. Em termos de risco de incêndio será "escusado" dizer o barril de pólvora ali está. Ninguém quer saber do caso.
Mas caso ocorra ali um incêndio, o que acontecerá? Eu digo, chama-se os desgraçados dos bombeiros e eles que se amanhem. São eles que correm risco de vida e são eles que se devem sacrificar, pensam alguns...
E o que será que o dono do terreno tem a dizer sobre isto? Não se dá ao trabalho de limpar, tal como era suposto, mas caso os bombeiros não aparecessem será, porventura, capaz de dizer que eles eram uns incompetentes ou que demoraram muito a chegar. O dono do terreno pensará inevitavelmente numa coisa, ou seja no lucro rápido. Tudo o resto, e como está à vista, não importa. E a nossa passividade será reconfortante para ele, digo eu.
É por isto e por muito mais que Portugal arde impunemente. E andamos nisto há 4 décadas...
No que me toca, e por mais estranho que possa parecer, não fico chocado ao ver arder eucaliptos. Fico chocado sim quando ardem carvalhos, azinheiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, nogueiras, freixos, choupos e afins. Perde-se demasiado tempo e gastam-se meios que deveriam privilegiar a protecção da nossa floresta, em vez da monocultura do eucalipto. Situações como esta deveriam ser severamente punidas!
Agora uma pergunta que vos faço, porque é que têm de ser os bombeiros voluntários a arriscar a vida e a gastar o seu tempo e meios a proteger algo que serve apenas para o lucro de algumas pessoas? Não seria normal quem tem eucaliptais pagar a protecção do seu investimento? Fica a dica para reflexão...

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Quis saber quem sou, o que faço aqui, quem me abandonou?


Já lá vão uns meses desde que abordei pela última vez a questão das pedreiras na região de Sicó, pela mão da crónica "viagem ao centro da serra". Desta vez abordo a coisa de uma outra perspectiva...
Apesar de actualmente a legislação afecta à exploração de pedra ser outra, o certo é que essa mesma legislação de pouco serve para as muitas pedreiras que populam a região de Sicó, nomeadamente aquelas que não laboram e estão abandonadas. Os planos de recuperação ambiental são uma miragem para estas pedreiras e parece não haver luz ao fundo do túnel.


São demasiadas cicatrizes na extraordinária paisagem cultural da região de Sicó e, na prática, nada se tem feito para ajudar a uma boa e eficaz cicatrização. Falta a vontade, pois isto afinal não dá votos e o pessoal parece que se conforma com isto, comportamento natural num país com muito por evoluir. E nos últimos anos a genial solução foi mesmo a de... legalizar pedreiras ilegais, um mimo da governação autárquica.
Recentemente debrucei-me sobre esta questão em termos práticos, de forma a apresentar ideias para ajudar a reverter este enorme passivo ambiental. A ver vamos no que vai dar...


Idealizar a crónica "viagem ao centro da serra", e os seus vários episódios, foi algo de curioso (ainda não acabou...), pois fez-me ver as coisas de uma outra forma. Indo a todas estas pedreiras com um intuito específico transforma a nossa forma de pensar. E isto independentemente de pensarmos que sabemos muito, de já lá termos ido ou já termos visto outras pedreiras. Chegou também a outras regiões, onde o mesmo problema se coloca, algo que dá ainda mais ânimo a esta luta por uma paisagem cársica extraordinária.



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Ronda pelos Orçamentos Participativos: Penela e Condeixa


Tal como prometido, continuo a ronda pelos orçamentos participativos da região de Sicó. Segue-se Penela, com uma verba de 70000 euros destinados ao Orçamento Participativo (OP). Tal como eu esperava, foram poucas as propostas e, mais uma vez, não se liga muito aos reais objectivos de um orçamento participativo. Não me parece razoável que sejam as autarquias ou juntas de freguesia a imiscuir-se nos orçamentos participativos. Devem ser os cidadãos a apresentar propostas em vez das autarquias ou juntas o fazerem. Preocupa-me que desde já se assuma que um orçamento participativo seja encarado por estas entidades como mais uma forma de ir buscar verbas para fazer o que deve ser feito fora do contexto de um orçamento participativo.
São 4 as propostas actualmente em votação. A primeira até compreendo, embora tenha algumas reservas. Mesmo assim parece-me que num primeiro OP não é de todo descabido candidatar a compra de fardamento para o Grupo do Choral Polyphonico.
Prosseguindo para o segundo projecto, será que a cobertura do centro escolar é algo que se deva enquadrar num OP? Evidentemente que não, diria até que à luz do OP é absolutamente ridículo.
Relativamente ao terceiro projecto, será que a requalificação do largo da capela da Chaínça é igualmente algo que se enquadre no OP? Claramente que a Câmara Municipal de Penela confunde o âmbito e objectivos do OP. Aliás, nem sequer me parece razoável que sejam as autarquias a propor ideias para os OP´s.
E há ainda um quarto projecto, promovido pela... Câmara Municipal de Penela. É quase que um projecto com telhados de vidro. Não me parece que o OP tenha o intuito de pagar um telhado a uma associação que promove provas motorizadas.
No que concerne a Penela, julgo que, até agora, foi onde as coisas correram pior em termos de OP na região de Sicó. Quando um OP se desvirtua de tal forma, pouco mais há a dizer... Esperava muito mais dos lados de Penela, que até tem feito algumas coisas interessantes nos últimos anos.


Segue-se Condeixa, com o seu Orçamento Participativo. À semelhança de Alvaiázere, teve a modalidade do OP para jovens, algo que é de salutar. Tendo em conta o efectivo populacional de Condeixa, não compreendo como é que foram apresentadas apenas 6 propostas, estando 5 em votação.
Apesar de se saber que o nível de participação pública é muito baixo em Portugal e na região de Sicó, fica à vista que faltou uma estratégia que levasse os cidadãos a participar neste OP e a apresentar propostas.
Começando pelo projecto "Banco do Livro", é interessante, contudo considero que se sobrepõe de alguma forma aos bancos de livros existentes nas escolas. Já o segundo projecto, o "Parque infantil da Praça do Município", vejo-o com interesse e tendo em conta que é um cidadão (não conheço) e não uma entidade pública a propor, considero isso positivo. Relativamente ao terceiro projecto, o "Condeixa activa", parece-me interessante, restando apenas saber porque é que os antigos equipamento não estão actualizados. Contudo, e na génese, é, genericamente um bom projecto. O mesmo se pode dizer do projecto "Quinta do Barroso Activa". Esta é a génese dos OP e importa salientar isso mesmo. É, talvez, o melhor projecto. Quanto ao OP jovem, trata-se de um projecto que, à parte do OP carece de atenção por parte da respectiva Junta de Freguesia e Câmara Municipal.
Este OP foi o que teve a maior verba atribuída de todos os até agora referenciados (Ansião; Alvaiázere; Pombal), com uns muito interessantes 174000 euros (OPG+OPJ).
Finalizando o comentário, e juntando as duas realidades abordadas agora, confesso que fiquei desiludido, na medida em que era precisamente de Penela e Condeixa que esperaria mais no domínio dos Orçamentos Participativos. Há que reflectir do porquê das coisas, a bem de Sicó e a bem dos próximos orçamentos participativos nesta bela região.

sábado, 10 de setembro de 2016

No Outono, no Inverno, na Primavera e no Verão, é só escolher!


É muito raro ter eventos deste tipo na região de Sicó, daí ser ainda mais importante divulgar este evento, o qual recomendo vivamente. Um dos problemas da região de Sicó é o facto dos seus residentes desconhecerem parte importante do seu território, sendo a geologia e a geomorfologia apenas dois de vários aspectos que importa divulgar. 
Apenas uma nota de desacordo, ou seja o facto de que deveria ler-se "a geologia sedimentar da região de Penela" em vez de "a geologia sedimentar de Penela". Em termos pedagógicos seria o mais correcto. No que concerne à geologia, os limites administrativos não se aplicam, devendo as entidades públicas ter algum cuidado na linguagem do tipo capelinha. O marketing territorial deve ser devidamente pensado.
Os meus sinceros parabéns às entidades por detrás deste notável evento!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Bem integrados, de certeza?!

Fonte: Jornal Terras de Sicó 

Fonte: Jornal Terras de Sicó

Há uns dias vi algo que me fez confusão, já que numa mesma notícia li sobre integração, mas vi a falta dela em algumas das fotografias. Mas gostei de ver bem integrados escrito: "bem integrados".
É sem dúvida um tema complexo, até porque quem fala dele está sujeita às críticas do costume, no entanto eu não tenho qualquer problema em debater a questão. Como se costuma dizer, quem não deve, não teme.
Já sabia da vinda de refugiados para a região de Sicó (Penela), algo que me agrada desde que com regras. As regras são as mais básicas, idoneidade dos refugiados e o compromisso de integração na comunidade. Países como o Canadá já fazem isso mesmo com bons resultados. Para mim a integração na comunidade e o respeito pela cultura local são pré-requesitos para uma boa aceitação e sã convivência.
Quando qualquer um de nós viaja, tem de respeitar o país onde está e a sua cultura. Enquanto pessoa que já visitou vários países, fiz isso mesmo sem qualquer problema. Se visse que havia problema não ia até lá, tão simples como isso. Os meus horizontes alargaram de sobremaneira e a minha tolerância aumentou bastante. Conhecer diferentes culturas enriquece-nos e torna-nos muito tolerantes, ainda mais se formos geógrafos (uma das profissões mais fantásticas que existe!).
Por isto tudo e por muito mais vejo com bons olhos a vinda de refugiados para Portugal, embora me pareça que quem andou a brincar à geopolítica no médio-oriente (Reino Unido; Alemanha; França, etc), deva ser quem mais refugiados deve receber. Mesmo assim Portugal pode receber alguns milhares de refugiados e a região de Sicó algumas dezenas.
Contudo há aqui alguns senãos, o primeiro é que o processo deve ser do tipo bottom-up e não o contrário, tal como está a acontecer. Isto vai resultar em problemas graves, mais tarde ou mais cedo. Acredito na boa vontade das pessoas, no entanto este tipo de processo tem de ser bem pensado e estruturado.
Mas indo então aquilo que me leva a escrever este comentário, será que devemos aceitar a falta de integração que se observa nestas fotos? Portugal deve criar legislação que acautele o interesse superior do país e isso passa por proibir que mulheres possam circular na rua com adereços como a burca, niqab ou afins. A integração passa por isto mesmo. Caso não queiram, então têm vários países onde podem utilizar estes adereços.
Estou curioso para ver as reacções a este comentário. Aposto que alguns se vão ficar pelo título e começar com o cliché da islamofobia, tentando colar-me esse rótulo. Estes "alguns" não sabem sequer que a burca, niqab ou afins não têm nada a ver com o Islão, mas sim com um segmento fundamentalista que "segue" o Islão. É certo que a islamofobia existe na sociedade, derivado de alguma iliteracia cultural, mas, e como disse, esta questão nada tem a ver com religião, mas sim com correntes fundamentalistas.
Há também que relembrar a herança árabe, que faz parte da identidade da região de Sicó. Os topónimos são apenas um dos muitos notáveis exemplos. 
O facto de a maioria de nós ser tolerante e sermos um povo que recebe de braços abertos, não significa que devemos aceitar o desrespeito pela nossa cultura, pelos nossos costumes e pelas nossas tradições. A todo/as aquele/as que querem vir para Portugal e para a região de Sicó, bem vindos!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Paisagens sonoras de Sicó


Já conhecia o lugar, no entanto fruto de uma passagem rápida. A vontade de voltar aquele lugar ficou, mais ainda porque é um lugar onde o tempo anda devagar e a qualidade de vida impera.
Uma das coisas que mais aprecio na região de Sicó é estar num qualquer lugar e não ouvir o barulho de um carro. Estar aqui e ouvir os sons rurais, e não de forma circense, é das coisas que mais aprecio. Daí que, ao deparar-me com este velho som, lembrei-me de registar o momento. Bem vindo às paisagens sonoras da região de Sicó! E o melhor é que há muitas e variadas paisagens!
Um conselho aqueles que quiserem visitar os muitos lugarejos da região de Sicó, deixem o carro à entrada dos mesmos e vão a pé, pois é assim que estimulam os sentidos...
Fartos da cidade? Bem vindos à região de Sicó!

Nota: não me esqueci de dizer que lugar é este. Posso apenas dizer que é em Penela...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A gruta boa e a gruta má


É um tema que eu considero fracturante na região de Sicó, sendo que a problemática tem sido mais acentuada em Penela. Nunca escondi o meu desagrado acerca do que considero uma péssima gestão deste dossier autárquico, não só pelo anterior executivo, mas também, e agora, pelo actual executivo.
Desde já fica a sugestão para que o actual Presidente da Câmara Municipal de Penela visite um país que eu considero a melhor escola para estas questões, a Eslovénia. Aqui este autarca poderá diferenciar o que é uma gruta visitável, do ponto de vista turístico (show cave), e uma gruta não visitável do ponto de vista turístico. As boas práticas servem como lições que devemos aplicar no nosso território e é precisamente isso que falha na abordagem a este espeleo tema. 
Serve este meu comentário para dar início/continuidade ao debate sobre as grutas de Penela, autênticas maravilhas da região. Tenho visto muita coisa acerca da recente campanha da Câmara Municipal de Penela, a qual pretende massificar as visitas a uma gruta extremamente bela, mas não passível de ser transformada em show cave. Tenho lido muita asneira acerca de quem pouco ou nada sabe sobre espeleologia. Tenho lido muita asneira, dita por quem, sabendo, desvirtua princípios éticos basilares a favor dos princípios do chico-espertismo e interesse financeiro. 
Felizmente que, quem sabe, tem mostrado uma postura certa e adequada ao momento. Felizmente que, quem sabe, se tem insurgido sobre factos que importam saber. Felizmente que há quem não esteja refém de interesses que não o interesse do património natural.
Nos próximos meses muita tinta vai correr sobre esta questão, sendo que eu serei um dos que farei questão em mostrar como as coisas não se devem fazer. Não terei problemas em ser muito incisivo nas palavras, ainda mais porque este território não é nenhum feudo de certos actores, mas sim um território de todos nós. Para já dou apenas uma pequena achega.
O que vêm na foto que ilustra este comentário é o que resta de uma gruta, agora destruída no decorrer da extracção de pedra calcária, em Penela, na envolvência de duas grutas que já tive o privilégio de visitar, enquanto espeleólogo. Ninguém quis saber desta gruta, ninguém escreveu uma linha sobre a mesma. Porquê? Será que a acção predatória e especulativa de uma pedreira se sobrepõe a um valor natural? Porque não se fecha esta pedreira, promovendo sim visitas à mesma, tal como se faz em países mais evoluídos nestas questões? Será que temos grutas boas e grutas más?!


domingo, 13 de abril de 2014

Viagem ao centro da serra: em Abril, pedreiras mil





E cá estou de volta para mais uma viagem ao centro da Serra, desta vez a viagem é até Penela, onde o Monte de Vez quase parece desaparecer de vez.
Trocadilhos à parte, esta pedreira faz parte do conjunto das pedreiras do Maciço de Sicó que eu denomino por "monstras", dada a sua dimensão. Esta é daquelas que não passa despercebida quando tentamos usufruir da paisagem de Sicó e que perturba gravemente o usufruto da mesma.
É impossível alguém vir à região de Sicó e não reparar naquela enorme mancha sobranceira ao Monte de Vez. Mais difícil é ir até às proximidades da besta e observar in loco a mesma, daí este meu esforço em vos levar a besta o mais próximo possível.
Ir até ao pé das bestas tem um intuito, o ser confrontado com a besta no seu estado puro, pois só desta forma podemos ganhar uma verdadeira consciência sobre a problemática das pedreiras. Já fui a todas as pedreiras da região de Sicó, no entanto continuo a ficar chocado com o que vejo. Nesta, em especial, fui confrontado (mais uma vez...) com algo que não esperava e que prontamente indaguei sobre os factos. Para já não posso dizer o que é, mas logo que possa, irei retratar a situação no concreto, pois justifica um comentário específico.
Ando a ponderar fazer algo mais concreto sobre a temática das pedreiras na região de Sicó e o seu impacto. Isto passa pelo debate puro e duro, sem tabus, sem estereótipos e sem receios. Um debate aberto é urgente. Cidadãos, Câmaras Municipais, empresas, todos devem estar presentes no debate, muito embora eu saiba à partida os receios que há no que concerne às empresas que laboram no Maciço de Sicó. A ver vamos o que vai surgir desta minha ideia, a qual já comecei a explorar.

sábado, 5 de outubro de 2013

Terras de Sicó, terra da falta de imaginação!


É curioso, mas poucos dias depois de ter elaborado um comentário sobre o lugar do Zambujal, surgiram duas placas que pretendem publicitar o respectivo lugar. Isto até poderia parecer interessante, não fosse o facto anedótico.
O marketing territorial é algo sobre o qual tenho investido muito nos últimos anos, daí ser um tema que muito me diz. Na região de Sicó não se faz marketing territorial, tenta-se fazer algo que nem se aproxima deste. Impera a parolice. Temos tudo para fazer bom marketing territorial, já que temos muita matéria prima para o alimentar, no entanto falta a sabedoria para o conseguir fazer da forma mais correcta e eficaz.
Em vez de se inovar e criar uma estratégia própria, copiam-se ideias e identidades de plástico e o pior disto é que copiam-se péssimas ideias no domínio do "marketing territorial". Pega-se em algo de fora e nem sequer se adapta às especificidades locais.
Como poderão observar nas imagens, consta ali algo que lembra claramente as "Terras de Sicó", nome de uma entidade altamente politizada e nome de uma, dita, Associação de Desenvolvimento Local. Refiro-me claro às "Terras do Zambujal", nome que não lembra a ninguém...
Já por mais que uma vez alguém pegou na palavra "Terras" para colar a uma outra palavra. Este ano já vi isso mesmo num trail (Terras de Ansião) e confesso que fiquei incomodado com tal falta de imaginação. Com este exemplo, das "Terras do Zambujal" a saga continua e não me parece que acabe por aqui.
Na minha opinião, esta moda é de um profundo mau gosto e evidente falta de imaginação, pois pega-se numa palavra outsider para ajudar a caracterizar algo que é verdadeiro, que tem conteúdo, história e identitário. Se me dissessem "Zambujal, terra de - elemento identitário - ... ", aí até concordava, pois podia pegar-se numa palavra relacionada com aquele local, ou seja identitária, para publicitar este território. No entanto não aconteceu isso, fez-se o oposto, foi-se buscar algo de fora para "caracterizar" o lugar. Do ponto de vista do marketing territorial isto é incorrecto, mais ainda sabendo que prejudica a imagem do lugar, mostrando assim uma falta de conhecimento do mesmo. É a típica chapa 5!
Vejam que de todos aqueles elementos identitários, que constam na parte de baixo do placard, nenhum deles foi incluído na expressão que deveria publicitar correctamente o local. Podia ter-se pegado nestes elementos e elaborar uma frase identitária, mas não, foi-se pelo caminho mais fácil e mais incorrecto, ou seja uma frase sem identidade.
Dificilmente irei (re)visitar, na região de Sicó, locais que tenham antes do nome do mesmo a palavra "Terras", pois isso mostra apenas uma coisa, falta de estratégia, de conhecimento e de seguidismo. No próximo ano terei mais tempo para dissertar sobre estas questões, para já fica apenas um cheirinho...
Um agradecimento a quem me facultou as fotos, já que da última vez que aqui passei, não tinha a minha amiga máquina fotográfica. Tive de pedir a um amigo que fizesse o respectivo registo fotográfico.


terça-feira, 30 de abril de 2013

Geoparque/Parque Natural Serra de Sicó: utupias em debate


Foi neste último fim-de-semana que se realizou a tertúlia a que a brochura acima de refere. Tendo em conta acontecimentos recentes, decidi que o melhor era mesmo dissociar-me deste evento.
Confesso que fiquei algo perplexo há 2 semanas atrás, já que apenas nessa altura soube da realização desta tertúlia, através de terceiros. Isto é estranho, já que em Junho de 2012 uma pessoa da organização falou comigo, dizendo que me iria convidar posteriormente, algo que nunca aconteceu. Note-se que, na altura, dei aconselhamento sobre algumas questões pertinentes, dado o meu conhecimento sobre a temática dos geoparques e dado o facto de desde há coisa de 7 anos eu andar a falar de um "Geoparque Sicó". Desde então muita coisa mudou...
Indo então ao meu comentário sobre esta questão, noto logo à partida 3 factos, um é que está-se a partidarizar algo que nunca o deveria ser. É certo que estas ideias precisam de apoio político, mas uma coisa é ter apoio político outra é partidarizar a coisa, facto que desvirtua logo à partida o debate. O segundo facto é que dos autarcas convidados, segundo a brochura, faltam alguns que são imprescindíveis para a discussão, caso de Penela, Ferreira do Zêzere, Ourém e Tomar. Já o terceiro facto, quiçá o mais importante, é que falhou algo de crucial, já que nos "preliminares" da coisa, e no que concerne estritamente à questão do Geoparque, faltam os especialistas. É certo que esteve um representante do Geoparque Arouca, tal como eu sugeri em 2012, no entanto faltam os geólogos e geógrafos que se dedicam à temática geoparques. Efectivamente falta ali pelo menos um especialista em geoparques.
Como curiosidade, veja-se que na brochura respectiva, parcialmente reproduzida na primeira imagem, não consta nenhuma imagem relativa à biodiversidade de Sicó. Noto também a ausência de termos fundamentais na questão "geoparque", caso de geossítio ou mesmo geodiversidade, algo de incompreensível num debate deste género.
Face aos enquadramentos da tertúlia:


Noto alguma incoerência nos objectivos da tertúlia, já que parece que se esquece que já existem "políticas comuns supramunicipais" no território Sicó. O problema aqui centra-se fundamentalmente nas políticas de capelinha, pois se não há capacidade para os autarcas pensarem o território enquanto um todo, como podem ter eles capacidade para fazer nascer algo de novo? Se tendo já políticas comuns supramunicipais, com as quais não se entendem, como querem algo de novo?
O reconhecimento nacional já existe, no meu entender não está é devidamente potenciado, culpa não só das respectivas autarquias, bem como a Associação de Desenvolvimento Local, a Terras de Sicó.
O aumento do número de turistas e visitantes só é desejável quando existir uma estrutura comum e interligada, a qual permita que haja um usufruto sustentável do património natural e cultural aqui existente. Antes disso não, há que construir a casa pela base e não pelo telhado...
Quanto ao ordenamento do território, este é um termo que os autarcas locais muito gostam de falar, contudo sem saberem factualmente o que ele é. Apesar dos autarcas locais dizerem que o ordenamento do território é importante, as suas políticas não são consequentes com as suas próprias palavras, muitas vezes muito faladas em campanha eleitoral (e este é ano de eleições...).
O mesmo se passa face à protecção ambiental e biodiversidade, pois, para estes, a protecção ambiental é quase sempre um entrave às suas políticas do betão. A Rede Natura 2000 é o exemplo perfeito do que atrás referi. O que têm feito os autarcas locais pela Rede Natura 2000? Isto além de dizerem que é um entrave e dizerem algumas palavras vãs, de ocasião, nas brochuras municipais...
E porque não se classifica a nível municipal muito do património existente por estes lados? Será que não sabem dessa possibilidade?
Lembro um dos casos mais emblemáticos desta incoerência, ou seja o polémico (ex)projecto de um hotel para a Serra de Alvaiázere, em plena Rede Natura 2000 e em Reserva Ecológica Nacional. Será que para potenciar tem de se degradar?


Outro ponto que considero algo caricato é aquele relacionado com o potencial e as mais-valias do território Sicó, já que potencial e mais-valias são coisas que se debatem há anos e anos, sem que, no concreto, surjam medidas para os concretizar. Tenta-se inventar a roda quando ela já existe há muito tempo. As responsáveis pela inexistência destas medidas são precisamente as capelinhas implantadas em cada freguesia, em cada concelho e em cada cabeça de cada um dos autarcas locais.
A concordância só surge quando é para receber fundos comunitários para a região. Após isso tudo se esbate e lá voltamos às capelinhas. Muitos sabem disto mesmo, mas poucos têm a coragem de o dizer publicamente.
Noto também que há uma confusão face ao que é um parque natural e face a um geoparque, já que o primeiro implica uma classificação legal, prevista na legislação, e o segundo não. São figuras muito diferenciadas, algo que parece que não é percebido.
Outro ponto fundamental e que me parece que não tenha sido debatido, é o facto de que fala-se muito em turismo e visitantes, mas não se fale tanto nas actividades dos locais, as quais têm mantido e transformado esta bela paisagem de Sicó. Não se pretende que esta região seja o cenário de um "circo", onde vêm visitantes ver os "palhaços parolos". O foco deve estar em primeiro lugar nos que aqui estão e não dos que aqui vêm. Só depois de pensarmos nos que aqui estão é que poderemos pensar nos que aqui vêm. A lógica invertida não é aqui desejável.
Esta tertúlia mostra, no meu entender, uma nocivo parasitismo sobre questões que deviam manter desparasitadas. Apesar da JSD ter mérito em debater esta questão, algo que aplaudo, noto que este debate está à partida enviesado. A JSD deveria sim ter reunido primeiro lugar os especialistas em geoparques e os vários investigadores que se têm dedicado à "geo-investigação" na região de Sicó. Só depois destes se reunirem e chegarem à conclusão que há potencial para a criação de um geoparque, é que poderiam ser chamados os políticos e tecnocratas, de forma a dar o seu apoio. É assim que se processa e não como se processou nesta tertúlia. Estiveram apenas alguns investigadores presentes e uma outra pessoa ligada a um geoparque, portanto faltaram os especialistas em geoparques. Sugeri isso mesmo em Junho de 2012, no entanto os meus conselhos foram, em boa medida, ignorados...
Para finalizar, deixo a minha opinião sobre o futuro ou utupia das questões debatidas. Não sou apologista de um parque natural para a região de Sicó, os motivos, esses poderei explicar num futuro próximo. Quanto ao geoparque, apesar de nos primeiros anos ter defendido e promovido a criação de um, desde 2008/09 que considero que este não será possível. Um dos pressupostos fundamentais para a criação de um geoparque é a existência de geossítios de valor internacional, não um ou dois, mas vários. Isso não acontece em Sicó, os "geossítios de Sicó" são fundamentalmente de valor regional e, alguns de valor nacional, tal como foi confirmado numa publicação recente. Não existe a âncora necessária para um geoparque. Obviamente que tenho pena, mas a verdade é essa.
Então o que defendo para Sicó? É simples, inove-se e crie-se uma figura inspirada nos geoparques. Criem uma figura nova e façam surgir algo de realmente novo e factualmente exequível. Com muitos dos geossítios ali existentes, estes base de uma nova figura, e com todo o valioso património natural e cultural existente em Sicó, poderemos sim criar algo que não passe de uma utupia, mesmo que bem intencionada. Lembrem-se que já temos uma Rede Natura 2000, a qual poderia além de ser devidamente promovida, ser integrada na tal nova figura a criar...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um fim-de-semana diferente!

Ficam várias sugestões para um fim-de-semana alternativo, pela região de Sicó:



Dia 20 de Abril - Teatro, na Associação Cultural da Melriça (Ansião), pelo Grupo de Teatro Olimpo. 





Fonte: http://teatroamadorpombal.pt.vu/


domingo, 20 de janeiro de 2013

Especulação imobiliária: o caso do Rabaçal


É uma imagem que muitos podem ver a cada vez que passam pelo Rabaçal, em Penela. É uma imagem que se repete dia após dia, e já há alguns anos. Mas porque será que isto acontece?
Um dos erros trágicos, no qual ainda se tenta insistir na região de Sicó, é o de que plantando betão no paraíso, se consegue o tão almejado desenvolvimento. Mera ilusão, digo eu. Mero negócio, dizem as Câmaras Municipais, que dependem em boa medida das receitas do IMI...
Estas obras, paradas há anos, são apenas um de muitos (maus) exemplos que podemos ver um pouco por toda a região. Promove-se a especulação imobiliária, e depois se vê. O rebentamento da bolha imobiliária, também em Portugal, está a mostrar, no concreto, que a especulação imobiliária é um erro que se paga caro. A agravante, na região de Sicó, é a de que esta especulação imobiliária tem desvirtuado algumas das mais valias da mesma, seja a componente paisagística, seja o património edificado, que naturalmente se vai degradando e, com isso, perdendo irremediavelmente. 
É, assim, natural, ver-se uma ruína a cada cantinho de Sicó, por recuperar, já que reabilitação não é palavra que tenha entrado no dicionário dos políticos que nos desgovernam e, há que dizê-lo, na maioria de nós, que preferem construir de novo em vez de recuperar o que já existe. Subsistem os estereótipos, um deles é o de que fica mais caro recuperar do que construir de novo. Mera ilusão, digo eu e cada vez mais pessoas, mero negócio, dizem os empreiteiros que apenas constroem de raiz. Por estas e por outras é que alguns empreiteiros, que nunca enveredaram pela reabilitação, foram abrindo falência...
Este exemplo que agora destaco, deve servir para que se debata também esta questão, já que a crise também se deve a isto mesmo.