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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

É um grave problema que nos afecta todos, mas que só interessa a alguns, porquê?!



Fotografias: Facebook do Grupo Protecção Sicó

Não sei se é o destino, mas o certo é que, infelizmente, volto a ter de falar sobre uma questão importantíssima. E isto mesmo que esta mesma questão passe, no essencial, ao lado da maioria da população desta região (Maciço de Sicó) e do pessoal de Pombal, Redinha e não só.
Nas últimas semanas tenho acompanhado o caso da poluição das nascentes do Ourão e dos Anços, na Redinha, Pombal. O Grupo Protecção Sicó tem conseguido trazer esta questão à praça pública, seja através das redes sociais seja através da imprensa regional e nacional (televisão).
Nos últimos dias, e no que me toca, fui convidado para mandar umas farpas sobre esta questão. 
Durante todo este tempo estive com alguma atenção à postura dos autarcas, nomeadamente Diogo Mateus. Não é que esperasse nada de novo, mas mesmo assim é preocupante constatar que as coisas estão iguais quando toca à defesa intransigente de um dos recursos naturais mais importantes de todos, ou seja a água. Seria de esperar que sendo nós constituídos na sua maioria por água, déssemos a respectiva importância à defesa de nós próprios. Em vez de uma mão de ferro, vejo pouco mais que uma mão de cartão, que, na prática, pouco tem feito neste domínio.
Não é aceitável que continuem a existir  focos de poluição nos cursos de água da região de Sicó (nem noutros, obviamente), mais ainda sabendo da fragilidade ambiental dos ecossistemas desta região cársica. E não, situações como esta não são a excepção, mas sim a regra. A diferença é que apenas parte destes casos chega a público, seja porque não são denunciados, seja porque quem os denuncia não tem grande mediatismo. São raros os casos onde quem denuncia tem mediatismo, como é o caso do GPS ou de mim próprio.
E quando acontece, menoriza-se a coisa e diz-se algo do tipo "tende a regularizar-se sem grandes consequências". Isto não é de todo aceitável! A ironia disto é que quem mais pugna pela defesa deste recurso é quem o faz por carolice. Quem é pago para isso faz pouco e mal!
O que se poderia fazer para mudar o paradigma? Várias coisas e a vários níveis, desde a sensibilização ambiental e cívica, a redes eficazes de monitorização e a um projecto estruturante de investigação. Este último poderia ser elaborado por quem sabe, numa parceria entre entidades públicas e privadas. Poderiam por exemplo entrar neste projecto todas as autarquias da região de Sicó, a Universidade de Coimbra (ou outra) e aqueles que melhor conhecem a metade esquecida do carso, o endocarso (a parte subterrânea), ou seja os espeleólogos, como por exemplo o Grupo Protecção Sicó. Estamos numa altura onde se pode fazer isso mesmo, bastando haver vontade e competência. Com isto poder-se-ia investigar uma questão ainda mal conhecida e ter as bases para uma correcta gestão. Uma coisa sei, não há ninguém que possa afirmar que sabe com rigor o real estado dos aquíferos da região de Sicó. Outra que sei é que com um projecto corajoso e realista se poderia vir a saber o que não se sabe. Fica a dica caros autarcas e cara sociedade civil!
E fica também uma informação, a de que há dados bombásticos sobre a poluição, que ainda não foram revelados. E mais não digo... por agora...


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Operação "Porcahontas"

Baptizei esta operação com o nome de código de "Porcahontas" e confesso que já me ri bastante à conta deste nome, inventado meramente para dar nome a uma acção de recolha de "água" no Alvorge, para análises laboratoriais. 
O caso é bem conhecido e até agora deu muito que falar. Agora que o cenário político é outro, espero sinceramente que o proteccionismo político, evidenciado pelo anterior executivo camarário, a quem tem  poluido acabe de uma vez por todas, especialmente a bem da saúde pública. Agora que o executivo é outro, estou esperançoso que a coisa comece a ir no bom caminho, de forma a resolver este grave problema ambiental, que ameaça a saúde pública, através da contaminação dos aquíferos. A impunidade tem de acabar!
Mas vamos então à operação "Porcahontas". Basicamente fui ao local do esgoto ilegal, que drena livremente para terrenos vários e linha de água (indo ter a um sumidouro mais adiante...). Ao chegar ao local, constatei que era mesmo verdade o que as minhas fontes me tinham confidenciado. Há coisa de 3 meses, quiçá na despedida, alguém cobriu com brita a zona onde o esgoto brota, numa tentativa de tapar o sol com uma peneira (santa ignorância...). Uns 10 centímetros que me fizeram voltar a casa para trazer uma enxada. Depois procedi ao destapamento da área onde se situa a tampa de esgoto. Levantei a tampa e, antes, tive de inspirar fundo, não fosse ficar inconsciente com a podridão ali existente... Peguei nos recipientes e enchi os mesmos, tendo de lavar as mãos, com água que tinha trazido já com esse propósito numa garrafa de plástico. Depois foi simplesmente baixar a tampa e recobrir a mesma, de forma a que não ficasse ali um buraco.
Depois desloquei-me até um centro de análises laboratoriais e entreguei os recipientes. Paguei uma importância, que penso que será provisória e terá de ser alinhavada de acordo com as análises de facto efectuadas e fui informado que dali a 10 dias teria os resultados. Sei que há algumas pessoas que mostraram disponibilidade para me ajudar a custear esta despesa, portanto se assim o entenderem, basta falar comigo para acertarmos contas. 
Custou ficar calado este tempo, mas já tenho as análises na minha posse. Nos próximos dias divulgarei aqui os resultados, os quais espero que possam fazer acordar as pessoas que ainda não acordaram e que não entendem o que está em causa é mesmo a sua saúde. A ver vamos se essas pessoas consideram que o interesse privado de alguns e a poluição causada por esse mesmo interesse privado se sobrepõe à sua saúde e à saúde dos seus filhos, familiares e conhecidos...
Nos próximos dias irei publicar aqui os resultados das análises, portanto estejam atentos...







quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O crime ambiental é algo que tem de ser denunciado!


A imagem não é a melhor, mas é a imagem possível, portanto não se admirem ter dificuldade em perceber o que ali está em cima daquele tronco de carvalho. Mas vamos então saber o que aquilo é...
Trata-se de uma bateria de um carro, aberta, que estava escondida dentro do tronco de um carvalho já cortado há algum tempo, que é agora um "bom esconderijo". Porquê? É uma arma que certos covardes utilizam para secar árvores de vizinhos. O ácido sulfúrico faz maravilhas quando se trata de secar árvores saudáveis que estorvam, nomeadamente sobreiros...
Além de representar uma atitude covarde, é algo que polui de forma gravosa, prejudicando-nos a todos!
Sei quem é que fez isto, pois curiosamente, ou não, já estava a acompanhar o indivíduo em causa, concretamente num caso onde já árvores secaram miraculosamente ao pé de um muro feito nos últimos meses pelo próprio, facto que vem mesmo a calhar ao indivíduo em causa.
A ele, a minha promessa de futuras multas ambientais e outras mais, é o mínimo que lhe posso fazer depois desta atitude desprezível e atentatória da saúde pública. E não se trata de saber se, mas sim quando...

quinta-feira, 23 de março de 2017

Este interesse público cheira mal, muito mal...


Foi com grande perplexidade que fiquei a saber deste caso, ainda mais porque ocorre perto de um outro local, onde uma situação algo semelhante já fez correr muita tinta e muito mau cheiro. Os visados são os mesmos de sempre. Quanto aos prejudicados, são os do costume...
O espanto foi a duplicar, seja pela existência desta situação, seja pela típica postura das entidades públicas, neste caso da Câmara Municipal de Ansião, a qual, através da sua Assembleia Municipal, apesar de, por um lado, ter emitido uma declaração de interesse municipal para a construção de uma nova infra-estrutura, por outro pouco faz para impedir que esta situação acabe. Não basta dizer que está mal, há que ser-se incisivo na acção. Interesse público é acabar com esta situação, doa a quem doer, mesmo que isso implique perder alguns votos.
Este é um caso, entre vários, onde a ilegalidade se prolonga no tempo, mesmo que isso signifique anos de espera enquanto se procede à legalização da coisa. É algo que eu denomino como fundamentalismo político, que acaba por beneficiar em primeiro lugar quem prevarica e castiga quem, teoricamente, tem direito a um ambiente são, tal como adiante farei referência.
Eu devo andar muito desactualizado, já que no meu tempo o interesse público tinha a ver com o interesse da população e não com o interesse de alguns empresários. Neste caso a população queixa-se, e com toda a razão, mas parece que o interesse público é, por vezes, alérgico às populações e desenvolveu uma curiosa "simbiose" com alguns empresários que, imagine-se, não cumprem as suas obrigações.
Achei curioso o facto de o presidente da Junta de Freguesia de Santiago da Guarda ter referido à imprensa a unidade de tratamento de estrume, situada a umas escassas centenas de metros, e o seu não funcionamento, sem que tenha referido os muito polémicos porquês e interesses dessa mesma paragem. Já Rui Rocha, esse tem a mesma posição de sempre, politicamente correcto perante os jornalistas, mesmo apesar de não ter competências técnicas sobre vários temas sobre os quais tanto gosta de falar, que nem especialista, e demagogia e populismo numa espécie de defesa dos empresários prevaricadores, dada a sua postura mais passiva do que activa. E os residentes que têm de gramar com o mau cheiro, onde se enquadram estes tendo em conta o tal interesse público? Interesse público não é ter empresas a laborar dentro da legalidade e sem prejudicar as populações e o ambiente?
É realmente curioso como é que se tem uma unidade de tratamento desta tipologia de resíduos na região, paga, em parte, com fundos comunitários, e esta não funcione. Quase que fico com a ideia que é economicamente mais vantajoso para alguns empresários que aquela unidade não funcione e que se tenha de colocar o estrume neste pavilhão, pois assim fica mais em conta, poupando-se uns trocos quando comparado com a referida unidade de tratamento que está parada. Aqui não há que gastar mais dinheiro no funcionamento desta unidade e nem se precisa de gastar dinheiro em filtros, que têm o papel de, imagine-se, poupar os narizes daqueles que vivem em redor deste local e possibilitar que estes usufruam das suas casas de janela aberta. São meros factos, para alguns sem grande importância, já que o interesse público é, para alguns, um bicho muito subjectivo, aplicável quando interessa e menosprezado noutras situações.
E assim os anos vão passando...
Esta situação é digna de um país terceiro mundista, onde quase tudo se pode fazer e onde o interesse de alguns lóbis é quem mais ordena. Fico envergonhado ser de uma região onde é permitido que isto ocorra. Fico ainda mais envergonhado saber que é uma de várias situações que se pode resolver havendo vontade e a aplicação do interesse público. Estamos numa região cársica, onde o impacto da poluição causada por esta tipologia de resíduos é ainda mais grave e compromete os nossos aquíferos. E isso é preocupante, muito preocupante!
Trabalhei durante duas décadas neste sector e já vi de tudo. Se é certo que este sector evoluiu, isso só aconteceu por imposição das empresas que compram os frangos e ovos e também por imposição de legislação europeia. Se não fosse assim as coisas não teriam evoluído tanto. Conheço vários produtores de frangos e ovos e se há coisa que é comum à maioria deles é poupar em tudo que seja possível para que o lucro seja maior. E isto mesmo que se polua e se comprometa o interesse público... 
Mas vamos ter esperança, pois este é ano de eleições e, nesta óptica, o voto de um grupo restrito de empresários/sócios vale muito menos nas urnas do que os votos de toda uma população que tem de gramar o mau cheiro alheio... 



Para terminar, algo que os nossos autarcas devem ter esquecido:

Constituição da República Portuguesa


"Artigo 9.º
Tarefas fundamentais do Estado

e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correcto ordenamento do território; 

Artigo 66.º
Ambiente e qualidade de vida

 1. Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.
2. Para assegurar o direito ao ambiente, no quadro de um desenvolvimento sustentável, incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e com o envolvimento e a participação dos cidadãos:
a) Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas prejudiciais de erosão;
b) Ordenar e promover o ordenamento do território, tendo em vista uma correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento sócio-económico e a valorização da paisagem;
c) Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio, bem como classificar e proteger paisagens e sítios, de modo a garantir a conservação da natureza e a preservação de valores culturais de interesse histórico ou artístico;                                                                                   
d) Promover o aproveitamento racional dos recursos naturais, salvaguardando a sua capacidade de renovação e a estabilidade ecológica, com respeito pelo princípio da solidariedade entre gerações;                                                                                                                                    
e) Promover, em colaboração com as autarquias locais, a qualidade ambiental das povoações e da vida urbana, designadamente no plano arquitectónico e da protecção das zonas históricas;           
f) Promover a integração de objectivos ambientais nas várias políticas de âmbito sectorial;           
g) Promover a educação ambiental e o respeito pelos valores do ambiente;                                  
h) Assegurar que a política fiscal compatibilize desenvolvimento com protecção do ambiente e qualidade de vida."


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Voltei ao Alvorge e vi a água "límpida" do esgoto a sair para a linha de água...


Por falta de tempo, estive algumas semanas sem ir ao Alvorge, de forma a continuar a monitorização do esgoto (dreno) ilegal, mas na semana passada consegui finalmente lá ir. Na edição da primeira quinzena de Abril, da edição do Jornal Terras de Sicó, a provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, a Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar, "a água sai límpida para uma linha de água". O autarca Rui Rocha tinha a mesma postura, de negar o que estava e está à vista de todos, muito embora, e após a denúncia, afirmasse na imprensa que era um problema preocupante. O impacto mediático desta situação foi enorme, mas infelizmente, e até agora, de pouco valeu, já que, no essencial, tudo se mantém. Resta portanto continuar a dar visibilidade a esta situação e monitorizar a mesma, já que ao contrário do que a Srª provedora possa pensar, o caso não está fechado, está sim em aberto. E mais não digo... A ilegalidade é para acabar e o esgoto para ser tratado, a bem da saúde pública e da seriedade institucional.
Peço a todos que divulguem esta situação e partilhem nas redes sociais, já que, como eu bem sei, isso pode fazer toda a diferença na hora de resolver situações de todo o tipo. Esta situação é particularmente grave, daí a minha dedicação a este caso.
Finalizando, gostaria de pedir à Srª provedora Maria Luísa Ferreira que nos elucidasse sobre aquela matéria orgânica, pois concerteza ela saberá explicar o porquê do sucedido. Como boa gestora que é, de certeza nos poderá elucidar sobre os elementos poluentes ali presentes e o porquê da situação estar pior. Genericamente eu sei o que é, mas o público pode não saber...



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Livre trânsito para a porcalhice: na senda do inaceitável





Num país avançado, daqueles que tanto fazemos questão de gabar quando queremos fazer comparações, os atentados ambientais com o apoio de entidades públicas várias são mais difíceis de ocorrer, mas afinal estamos em Portugal, uma bela república das bananas, onde tudo se pode fazer, onde há quem, à revelia das mais elementares regras, defenda gente velha amiga da política, seja a que custo for, mesmo que quem fique a perder seja o interesse público e a saúde pública. Para que as asneiras ambientais e uma quase total impunidade sejam possíveis basta ter dinheiro e/ou estar ligado directa ou indirectamente aos círculos de poder "político"/económico. Neste país chega-se ao cúmulo de olhar de lado quem denuncia e aplaudir quem polui, pois o dinheiro fala mais alto.
Reflexões à parte, e indo directamente à questão, volto a abordar uma situação que considero escandalosa, já previamente denunciada e explanada. Alguns meses após a denúncia, a qual fez muitas pessoas perder medo de falar (embora haja muitas outras que continuem com receio de falar...), eis que a impunidade continua à vista. O esgoto continua a prendar quem por ali passa com o mau cheiro e com uma água com propriedades... pouco amigas da saúde humana. E, há que sublinhar, este esgoto, ilegal, e construído pela própria autarquia, a pedido da entidade responsável pela produção daquela água com propriedades... especiais, tem tido basicamente livre trânsito para poluir, algo que me choca profundamente enquanto cidadão e geógrafo. Porque será que o mais simples e humilde cidadão tem de ter uma fossa séptica e, quando cheia, tem de mandar vir o tractor para despejar no local indicado (ETAR) e uma entidade pública ou privada não o tem de fazer? Porque será que, além de se manter um sistema caduco, se construiu um esgoto para drenar livremente para um sumidouro (ex.), a partir do qual a poluição se vai espalhar em poucos dias por um raio de alguns km a dezenas de km? Dois pesos e duas medidas? E o ordenamento do território, é algum enfeite para inglês ver?!
Estas fotos e os vídeos foram registados há poucos dias, já que este local está a ser monitorizado por várias pessoas desde há largos meses. E vigiado também... Acho uma graçola ir aquele local e logo depois aparecer o "fiscal".
Peço especialmente a todo/as o/as aquele/as que vivem no Alvorge denunciem esta situação e façam pressão, de forma a que a situação seja resolvida. Vão ao local, tirem fotos, façam vídeos e partilhem nas redes sociais, sem medo nem receios. Porque é que o deverão fazer? Simples, porque terceiros estão a poluir os (vossos) recursos aquíferos, precisamente aqueles que tanto precisamos. As vossas reservas de água, recurso estratégico para as próximas décadas, estão a ser comprometidas com o vosso consentimento, através da vossa passividade. A água é um recurso crucial! O que consideram mais importante, defender quem polui ou defender a vossa saúde e a saúde de milhares de pessoas? Não se trata de saber se existe poluição, mas sim saber a real magnitude da mesma. Sim, porque é isso e apenas isso que está em causa. Agora peço-vos o favor de partilharem este comentário, pois isso pode fazer muita diferença e levar a bom porto esta questão.
Esta é uma novela que já teve episódios muito caricatos, com muita polémica, incoerência, contra-informação e que inevitavelmente terá continuidade. Sim, já que há quem diga que esta é uma não questão e que está tudo nos conformes. Muito pelo contrário meus caros, muito pelo contrário...





sábado, 14 de maio de 2016

Toca a limpar os dejectos sff!


Foi esta escorrência que me chamou a atenção quando por ali passava. Prendida a atenção, vi aquelas ervas fartas e percebi o que aquilo era. Não fiquei surpreendido, tendo em conta que naquela área, já ocorreram casos bem curiosos à luz do ordenamento do território, caso de violação do PDM (primeira geração) e violação da Rede Natura 2000. Onde é? Moinho das Moitas, Ansião, na estrada que segue para a Fonte Galega, a escassos 300 metros da antiga Intercer. Trata-se de um local onde uma empresa deposita estrume de frangos, de forma ilegal. São várias toneladas de estrume que ali costumam ser depositadas, facto que passa ao lado de quem por ali passa. A poluição, nomeadamente os lexiviados, infiltra-se rapidamente no subsolo e em poucas horas chega ao aquífero. 
Esta situação é apenas mais uma de outras mais, mas desta vez apetece-me ser pedagógico. Assim sendo, sugiro à empresa que cometeu esta ilegalidade, que limpe o local no espaço até ao final do mês. Se até lá a situação estiver resolvida, não farei queixa. Caso o local continue assim, irei tomar as medidas necessárias para que a situação seja resolvida de vez. Só uma sugestão, quando digo resolver não é relocalizar o que se vê na foto. O aquífero dos Olhos de Água não precisa de ser ainda mais poluído. Cumprir as regras não é uma questão de vontade, mas sim de obrigatoriedade. E além disso, ninguém está acima da lei, sejam eles familiares ou não.
Fica a dica e a promessa que irei monitorizar esta e outras situações, a bem do ordenamento do território e da saúde pública.
Porque procedi desta forma? Simples, a visibilidade que estou a dar a este caso terá mais impacto que uma possível multa e será claramente mais pedagógica. Esta visibilidade significa que a comunidade vai estar atenta e fica a conhecer algo que lhe pode passar ao lado, tal como me aconteceu até há 3 semanas. 

sábado, 5 de setembro de 2015

SOS Rio Nabão


Desde criança que tenho uma relação muito especial com o Rio Nabão. A nascente deste, o antigo lagar e, especialmente, o troço inicial, foram um local de brincadeira e uma verdadeira escola sobre os sistemas ribeirinhos. Os anos passaram e a paixão por este rio continuou. Diria até que aumentou à medida que me fiz geógrafo físico, algo de perfeitamente natural.
Por tudo isto e por tudo o mais, sou um defensor acérrimo deste rio, em especial. 


No início de Agosto aconteceu o que já se tinha assistido nos dias precedentes, contudo a uma escala muito maior, o que ditou a morte de centenas de peixes e não só. A SEPNA esteve no local a proceder a limpezas, concretamente retirada de peixes mortos. Não conseguiram limpar tudo, pois no dia seguinte ainda se observavam muitos peixes mortos, alguns que escaparam à limpeza outros que morreram entretanto. O cheiro intenso ficou durante uns dias.


Curiosamente a notícia foi abafada, "sabe-se lá porquê", no entanto o responsável político tem nome próprio e, até agora, não vi nenhuma afirmação sobre o caso. Será porque é incómodo? Será porque a zona industrial é uma "vaca sagrada" e um tabú em caso de acidente?
Indo agora ao que aconteceu, terá ocorrido uma enorme descarga de esgotos, vindos da zona industrial do Camporês, a qual contaminou tudo à sua passagem e, com isso, teve um grave impacto ambiental. Rio, poços, aquíferos, nada escapou. Não faço a mínima ideia do tipo de resíduos que foram derramados, contudo, imagino, tal o impacto ambiental constatado.
Nos dias anteriores a esta situação, já tinham ocorrido pequenas descargas, por entupimento dos esgotos. Uma delas bem perto do restaurante localizado perto da nascente. Isto aconteceu porque não houve o devido planeamento, porque não foram tomadas as medidas que em municípios desenvolvidos são tomadas por quem de direito.


Um aspecto curioso desta situação é o de que há pessoas que não imaginavam que o Rio Nabão tinha peixes. Lembro-me bem de uma conversa, há meses atrás, em que uma pessoa, quando confrontada com o que eu lhe disse, sobre a existência de peixes, disse genericamente que eu "era tolo", tal o seu desconhecimento sobre este facto elementar. Esta pessoa curiosamente também tem actualmente um cargo político. Esta pessoa disse que era parvo colocarem entreves à colocação de represas no Rio Nabão, já que não existiam ali peixes...


Mais surpreendente foi a reacção de muitos ansianenses, quando descobriram que há lontras no seu rio. E se eu disesse que até Guarda Rios (ave) ali há, muitos não acreditariam. Algo que mostra o quanto está distante a relação dos ansianenses com o seu rio. No Rio Nabão há muita surpresa, pena é que os ansianenses não façam muito por ele e não peçam que façam por ele, a começar pelas entidades públicas com responsabilidade na matéria. Pena é que, como facilmente todos podem ver, há tanta gente porca, que suja este belo rio.
Falta a informação, falta a educação ambiental e falta o que sempre faltou, ou seja o marketing territorial, precisamente aquele que faz com que quando vou a um qualquer sítio de Portugal, e quando falo do Rio Nabão, em vez de ouvir a palavra Ansião, oiço a palavra Tomar. Dá que pensar, especialmente sabendo que é em Ansião que este surge das entranhas da terra...


A minha resposta a tudo isto irá resumir-se a um projecto ao qual ainda não me pude dedicar, mas que brevemente irei fazer surgir, ou seja trazer o Projecto Rios a Ansião. As coisas mudam-se com educação e formação. O resto é conversa...
Brevemente darei notícias, mas quem estiver interessado em adoptar um troço do Rio Nabão, pode entrar em contacto comigo.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

As águas da discórdia...


Agosto é um mês onde muitos de nós se apercebem do real valor da água, nem que seja pelo simples facto de que Agosto é um mês onde, por vezes, a água escasseia e em alguns locais é inclusivamente racionada.
Ontem tirei estas duas fotografias, as quais, na sua versão completa, mostram algo que devia preocupar todos nós. Irei fazer uma exposição do caso às autoridades, de modo a solicitar informação acerca da possível ilegalidade do acto perpetrado pela empresa em causa. De modo não oficial já o fiz, sabendo à partida que deverá ser mesmo uma acção ilegal.
Indo então aos factos, uma empresa anda em Ansião a proceder à lavagem dos contentores do lixo, algo que é muito importante. No entanto, quando vai reabastecer de água, despeja a água resultante das lavagens num esgoto que tem como destino o rio Nabão. Se fosse num esgoto que tivesse ligação à ETAR de Ansião, aceitava, pois é assim mesmo que deve ser, no entanto, e sublinho, a água vai toda para o rio Nabão, que agora está seco. Como todos deviam saber, há muitos caixotes do lixo que contêm substâncias que não deviam conter e essa é a minha preocupação, a de que assim se esteja a promover a poluição gratuita dos aquíferos.
Situações como esta têm de ser resolvidas. Estas águas têm de ser tratadas, pois não há controle nenhum sobre as águas que, até agora, têm sido despejadas no rio Nabão.
Irei fazer uma exposição do caso à empresa respectiva, esperando assim contribuir para a resolução de um problema real e preocupante.
Para quem torce o nariz a estas coisas, lembro apenas que a água é um dos recursos dos quais a nossa vida depende. Quanto mais poluirmos a pouca água potável que temos, pior...



domingo, 19 de fevereiro de 2012

A justiça não folga ao domingo!


Foi num belo domingo de sol que certo cidadão teve uma atitude reprovável, quando se lembrou de queimar resíduos altamente poluentes, o que configura um crime ambiental grave. Sinceramente, e por mais esforço que faça, não compreendo o que é que passa pela cabeça de alguém que tem atitudes reprováveis e altamente lesivas em termos de saúde pública. Será que esta pessoa pensou que aos domingos não haveria fiscalização? Será que confiou no facto da grande maioria dos ansianenses ser passivo perante tais actos?
A resposta não sei, sei apenas que pensou mal, já que a fiscalização não folga aos domingos, e que confiou em demasia, já que apesar da grande maioria dos ansianenses ser passivo e tolerante perante tais actos, basta um para denunciar.
A manhã de sol até estava a correr bem, mas foi sol de pouca dura. O fumo negro deu muito nas vistas e eu obviamente fiz o que que qualquer uma das muitas centenas de pessoas que viram, deveria ter feito, ou seja denunciar! As mentalidades têm mudado, é certo, no entanto é um processo que demora muito e que teima em ter muitos desvios. Não compreendo porque é que os ansianenses (e outros) vendo algo que está mal, pouco nada fazem para mudar o que está mal. São escassos os que fazem algo, é a esses que agradeço os telefonemas que me fazem!
Estou para ver se um determinado jornalista, que vive ali bem perto, publica uma notícia sobre esta questão, pois afinal o fumo tóxico chegou-lhe às portas de casa...
Há que denunciar casos como este. Não há que ter medo, pois caso não queiram denunciar publicamente, sempre podem denunciar de forma anónima! Eu não tenho esse problema ou essa condicionante, pois faço as denúncias assinando por baixo. 
Por vezes vejo situações onde não vale a pena denunciar, valendo a pena sim ser pedagógico (já tive sucesso em algumas situações de pouca gravidade), no entanto em situações como esta não há perdão, dada a sua gravidade. Não é o ambiente que perdeu com esta queima ilegal de resíduos tóxicos, foi sim a comunidade, pois além de respirar gases tóxicos, irá beber, directa ou indirectamente, água poluída (dos aquíferos), é isso afinal que está em causa. Pensem nos vossos filhos, netos ou outros! Vão continuar a ser passivos perante actos tão gravosos como este? 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Água: um recurso a proteger a qualquer custo!


Vale mais do que petróleo, já que sem ela ninguém consegue viver, mas há ainda quem, além de ignorar a sua importância, polua gravemente os aquíferos onde ela está armazenada.
A água é um recurso e um património de valor inestimável, infelizmente hoje em dia ainda vemos situações que não podem passar impunes, em que alguém polui sem se importar com as consequências para as populações. Há ainda quem pense que pode fazer o que bem entende em locais ermos da região de Sicó, mas felizmente estes mesmos locais ermos conseguem-se encontrar e aí a coisa começa a correr mal para quem comete atentados ambientais gravíssimos.

O que vocês vêm na foto não é água, são sim dejectos líquidos que alguém com uma pecuária se lembrou de colocar num local ermo, depois de abrir um buraco, mesmo sem licença alguma, mesmo sem algum tipo de tratamento. Em plena Reserva Ecológica Nacional e numa área cársica, algo que piora a situação, dado a fácil infiltração destes resíduos, que em poucas horas podem viajar dezenas de km e poluem os aquíferos por muitos anos, tornando um recurso imprescindível em algo que não pode ser aproveitado...
A denúncia surgiu e o resultado não deverá ter sido bem aceite por quem fez o estrago, pois afinal os efluentes pecuários não tinham sido encaminhados para o local próprio e não havia licença para o tratamento dos mesmos. Abriu-se simplesmente um buraco no meio do nada e esperou-se que ninguém denunciasse...
Mas alguém ali passou e ficou envergonhado com o que viu, como não teve coragem de denunciar, mesmo sabendo que o podia fazer de forma anónima, avisou-me e assim lá fui eu tratar da situação.
Este é um exemplo que pode ser falado porque facilmente as pessoas compreendem a gravidade do sucedido. Não costumo falar destes casos porque por vezes há situações que não são compreendidas pelos cidadãos, falta o conhecimento (que tento incutir através do azinheiragate), mas abri aqui uma excepção para vos mostrar o que se deve fazer quando se passa algo de tão grave e lesivo para todos nós. Lembrem-se que a água da torneira vem de algum lado e caso ela esteja poluída....
Não se acanhem quando virem situações graves, denunciem!
Em casos ligeiros deve-se entrar com a pedagogia e avisar, mas em casos gravíssimos como este não há pedagogia possível, resta denunciar. Felizmente que cada vez mais este gesto de cidadania é encarado com normalidade e aplaudido, estão cada vez mais longe os tempos em que quem denunciava é que era visto como o mau da fita...