terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um mamarracho na Mata Municipal de Ansião


É daqueles temas que são óbvios, mas que afinal nunca são falados como o deveriam ser. Falo, claro, de uma obra que mesmo apesar de ter gerado tanta controvérsia ao longo dos anos, continua teimosamente a ser lembrada apenas pelo seu nome, ou seja mamarracho.
Mamarrachos há muitos, isso é certo, pois a região de Sicó tem uma elevada concentração destes objectos controversos, no entanto poucos são tão centrais e são tão simbólicos como é o palco instalado, desde o início da década de 90, na Mata Municipal de Ansião.
Nunca percebi como é possível existir algo tão feio e algo tão fora de contexto como é este palco, instalado em plena Mata Municipal de Ansião. Não compreendo como é possível não se fazer algo para minimizar a descontextualização daquele corpo de cimento e ferro em pleno espaço verde como é aquele. Não coloco em causa a existência do mesmo, no entanto a sua construção deixa tudo a desejar, pois simplesmente é algo que não se integra visualmente naquele espaço, facto último que pesa negativamente na imagem da Mata Municipal de Ansião.
É certo que tem havido, ao longo dos últimos anos, melhorias na Mata Municipal de Ansião, no entanto a integração visual daquele palco é algo que continua por fazer. E não, não é preciso obras faraónicas para resolver este problema, a solução é simples, falta a vontade e o know-how para o fazer.
A Mata Municipal de Ansião tem um potencial muito interessante, havendo a necessidade de ponderar esta questão. Seja enquanto "instrumento pedagógico" para a escola ali existente (e não apenas enquanto recreio), seja enquanto local de lazer para a população, há vários caminhos que podem ser seguidos. A instalação de um circuito de manutenção foi algo de importante, no entanto há que trabalhar as mentalidades para que não aconteça o que acabou por acontecer ao circuito de manutenção. E quando digo que há vários caminhos que podem ser seguidos, não é apenas pelas entidades públicas, é também pelo associativismo e pelo exercício da cidadania, que muitas vezes faz maravilhas...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Portugal Rural: a oportunidade Vs Sicó Rural: a oportunidade


Apesar da crise de valores, que deu azo a uma crise financeira, uma lição podemos todos (re)aprender (se bem que alguns teimem em não o fazer...), a de que o rural não é algo mau nem algo sinónimo de atraso ou retrocesso, é sim algo de muito bom, estruturante e sinónimo de progresso. A decisão sobre o futuro da região de Sicó passa por cada um de nós, daí sugerir um livro que espero que dê cartas um pouco por todo o lado.
A economia não é nem nunca será o "centro do universo", é e sempre será "apenas" uma de várias variáveis sobre as quais podemos e devemos apoiar as nossas sociedades. O alicerce da economia é o mundo rural, portanto se queremos ter uma economia forte, há que fortalecer o mundo rural, só assim Sicó poderá ter um futuro risonho. O futuro da região de Sicó passa pelo mundo rural, contrariar teimosamente esse facto, com políticas de colarinho branco, desajustadas à realidade e ajustadas a alguns lóbis, é um erro crasso que tem custado muito caro a todos (quase...) os que aqui vivem!
Sempre que se justificar destacarei livros que, embora não relativos á região de Sicó, sejam uma referência para questões tão importantes, caso do mundo rural. A leitura de obras como esta é uma das melhores formas de (re)aprendermos factos tão importantes como aqueles ligados ao mundo rural, daí a minha sugestão de leitura.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A decorrer!


O comentário de hoje é sobre uma iniciativa extremamente meritória, à qual me associei desde o seu início efectivo. Hoje recebi uma mensagem, através de um e-mail, que me fez pensar em alguns factos e discutir os mesmos aqui, daí este meu comentário. Antes de mais agradeço a crítica e compreendo perfeitamente a dúvida, pois eu não contextualizei devidamente os factos, erro meu.
Raramente surgem iniciativas com um potencial tão grande como esta, que tenho vindo a publicitar no azinheiragate, facto que traz consigo todo um manancial pedagógico que pode, de facto, reverter em termos de cidadania para toda uma população pouco consciente dos valores associados à nossa floresta.
O comentário que faço hoje não é sobre esses mesmos valores, os quais tenho vindo a fazer referência nos últimos 3 anos e meio, é sobre os inevitáveis oportunismos que surgem quando estas iniciativas acontecem. Lembro, aliás, que o que deu origem a este blog foi precisamente uma azinheira, ou melhor, milhares delas, que foram cortadas de forma ilegal, daí estar plenamente à vontade com o que irei seguidamente referir.
Os oportunismos surgem, como atrás referi, nestas alturas, onde certas entidades apoiam as iniciativas tendo em vista algum reconhecimento. Quando trabalhei voluntariamente na iniciativa Limpar Portugal, tive a oportunidade de sentir isso mesmo, o oportunismo de algumas entidades, no entanto soube lidar com isso e assim até consegui fazer pedagogia com algumas destas entidades. Não fui teimoso e soube aprender com a experiência, tendo sido reconhecido por isso mesmo.
Falando especificamente da Semana da Reflorestação Nacional, esta é inevitavelmente uma iniciativa que é aproveitada por algumas entidades para fazerem passar uma imagem que não corresponde à verdade. Não há que ser teimoso e perceber que há aqui um potencial enorme, o qual possibilita trabalhar com entidades que na teoria dizem uma coisa e que na prática fazem outra. Isso está a ser feito com inteligência, no entanto há que ter certos cuidados, já que, de facto, há claramente segundas intenções por parte de algumas entidades que fazem do greenwash o seu modo de vida.
O greenwash é uma ferramenta poderosa, a qual serve para manipular a sociedade em que vivemos, daí ser preciso muito cuidado quando falamos de certas entidades. Podemos trabalhar com elas? Sim, obviamente, mas não podemos ser de alguma forma ingénuos (já me aconteceu há anos atrás...). O facto de uma qualquer entidade apoiar a Semana da Reflorestação Nacional não a torna "santa", mais ainda quando se fala de uma qualquer entidade que desde há vários anos promove uma política predadora, facto que se reflecte em vários crimes ambientais, e logo de forma contínua no espaço e no tempo. Há que conhecer devidamente o território e as entidades, de forma a que se saiba efectivamente com quem estamos a lidar, só depois é que poderemos saber a forma como lidar com as mesmas. Se isso não for feito, podemos apenas estar a dar cobertura, mesmo de forma inconsciente, a entidades que são manipuladas por interesses predatórios, levando assim à degradação daquilo que inicialmente estamos a tentar proteger. E, ao referir estes mesmos factos, não estou de alguma forma a prejudicar a imagem de uma iniciativa que apoio desde o seu início, estou sim a salientar factos externos que podem prejudicar os "factos internos". O mérito é inquestionável e extremamente meritório, só a sabedoria que quem meteu mãos à obra pode resultar numa iniciativa tão valorosa como é a Semana da Reflorestação Nacional. 
Para já fico-me por aqui, mas brevemente darei precisamente um exemplo disto mesmo na região de Sicó, embora seja algo não ligado à Semana da Reflorestação Nacional.
Agora toca a plantar árvores. Não têm nenhuma? Simples, podem por exemplo ir apanhar umas bolotas, como eu aliás fiz no domingo, para depois plantar!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os olivais da região de Sicó


Esquecidos, abandonados ou desprezados, é assim que estão muitos dos olivais da região de Sicó. Os motivos são vários e davam matéria para muita discussão, no entanto não venho, por agora, falar destes mesmos motivos, venho sim tentar motivar uma discussão construtiva sobre algo que tem um imenso potencial para toda a região de Sicó.
Por esta altura podem alguns questionar este potencial, algo de natural, no entanto relembro a todos vós que o distrito de Leiria foi há poucas décadas atrás o maior produtor de azeite de Portugal. Surpreendidos?! A região de Sicó teve nisso um grande contributo, já que era ali que se situavam dezenas de milhar de oliveiras. Existiam dezenas e dezenas de lagares, dos quais saia muito, mas mesmo muito azeite. Estes mesmos lagares estão na sua maior parte em ruínas, existindo apenas alguns. Eu próprio vivi muitos anos à beira de um lagar, o qual até ao início da década de 90 libertava na ribeira aquelas águas castanhas...
Só para vos dar um exemplo da grandeza associada aos lagares, lembro-me de me terem dito que por exemplo em Alvaiázere, já terem existido cerca de 60 lagares (fonte segura). Lembro-me também de, há poucas semanas atrás, numa exposição na Biblioteca Nacional, dedicada à memória do Professor Orlando Ribeiro, ter visto um dos seus mapas, onde visualmente estava bem expresso o peso que a azeitona teve, em tempos, na região de Sicó.
Falando agora de outra perspectiva, lembro-me bem, aquando da minha estadia de vários meses no Brasil, da quantidade de marcas de azeite português que eu vi nos supermercados, havendo muitas marcas que aqui em Portugal nem sequer existem.
Isto leva-me a muitas interrogações, uma delas é porque é que não sabemos aproveitar e potenciar este valiosíssimo recurso? É certo que não podemos competir com as explorações extensivas do Alentejo, mas podemos competir em qualidade, aproveitando igualmente esta questão em termos turísticos. O nosso problema é menosprezar o que temos e o que é essencial, para valorizar o que não temos e é supérfluo, daí, e falando especificamente nesta questão, a crise estar a dar uma ajuda no reeducar as mentalidades, mostrando que são coisas como esta que são efectivamente importantes.
Uma outra potencialidade seria o "reanimar" da paisagem da região de Sicó, pois os olivais são ainda uma componente paisagística importantíssima desta paisagem cultural que é Sicó. Nas últimas semanas tenho visto muita gente na apanha da azeitona, sendo que algumas destas pessoas voltaram a fazer algo tão importante como é o recuperar de algo tão importante como é voltar a aproveitar um recurso tão valioso como é a azeitona!
Só para terminar, venho agora salientar um outro facto, relacionado com os produtores de azeite da região de Sicó. É certo que há qualidade, no entanto há ainda muita falta de preparação de alguns destes produtores. Digo isto por um motivo muitos simples, o de que outro dia comprei azeite de um destes produtores, e vi algo que se fosse a ASAE a ver...
No próximo mês irei descrever, no concreto, o que aconteceu, de modo a que o que me aconteceu não aconteça com algum turista que venha à região de Sicó e depois fique muito mal impressionado. Se há produtores de azeite que não têm qualidade, só há dois caminhos para estes, a evolução ou o seu afastamento dos círculos de distribuição deste belo produto que é o azeite. Se queremos afirmar o azeite da região de Sicó há que trabalhar nesse sentido, pois não chega produzir o azeite e colocar um rótulo com o nome de Sicó.
Como vêm, o azeite dá muito que falar, resta-nos fazer com que seja no bom sentido!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Notas sobre o projecto "Ciclo do pão" e sobre o livro "Ciclo da broa e do pão"



A vontade de comentar quer o projecto "Ciclo do pão", quer o livro "Ciclo da broa e do pão", era enorme, pois já conhecia ambos.
Começando pelo "Ciclo do pão", apenas agora destaco o projecto, e o motivo é simples, não me cabia falar do projecto antes de quem teve o mérito o fazer primeiro. Assim sendo, e tendo em conta que o projecto já está oficialmente lançado, posso então destacar o mesmo.
Infelizmente não tive a possibilidade de, no dia 5 de Novembro, dia da inauguração, me deslocar à Serra da Portela (e não Serra do Anjo da Guarda...), de modo a assistir à estreia oficial do projecto, já que estava num congresso, no Geopark Naturtejo. Apesar desta minha ausência, 2 semanas antes tinha estado na Serra da Portela, já que tinha de fazer um registo fotográfico, entre outros, do moinho de vento ali existente, o qual é a "base" do projecto do "Ciclo do pão". Tive sorte, já que naquele momento o moinho esteve com as velas içadas, possibilitando a bela da foto. Além disso, já não entrava num moinho de vento há 8 anos, sendo que a última vez foi no moinho da Melriça.
Indo agora directamente ao assunto, considero este projecto muito positivo e de louvar, só tenho pena o mesmo não ter surgido há 15 anos atrás. Felicito especialmente a Liga dos Amigos da Gramatinha - LIAGRA, a qual mostra que o associativismo felizmente tem ainda muita força da região de Sicó. Conheço algumas pessoas da LIAGRA, daí saber que o projecto tem futuro. Felicito também a Junta de Freguesia de Pousaflores e a Câmara Municipal de Ansião, já que são entidades igualmente envolvidas neste projecto.
Tenho um interesse especial por projectos desta tipologia, já que estou, conjuntamente com uma equipe multidisciplinar, a elaborar um artigo científico que engloba não só os moinhos de vento, bem como os parques eólicos da região de Sicó. Foi ainda em Outubro que participámos no 1º Congresso de História e Património da Alta Estremadura, em Ourém (evento notável!), sendo que nos primeiros meses de 2012 surgirá o respectivo artigo.
Voltando ao projecto do "Ciclo do pão", só espero que não aconteça o que é costume acontecer com projectos como este, o não pensar as coisas no seu todo. Falo, claro, do facto de raramente se incluir projectos como este em roteiros, funcionando os mesmos como uma "ilha", a qual, isolada, o que mais tarde ou mais cedo acaba por se traduzir no insucesso. Da parte do azinheiragate, fica uma breve nota de apoio sobre o projecto, sabendo que daqui a mais algumas semanas irei concerteza à Serra da Portela ver a mó a rodar, momento que vos garanto que é mágico, especialmente se os grãos de cereais estiverem a ser moídos. Há que salientar que este projecto tem um enorme potencial, portanto há que fazer as coisas com sabedoria. Há que dizer também que já estou com saudades de comer aquela broa de milho que se comia até há coisa de 15/20 anos, pois as de hoje de broa têm pouco...
Para terminar esta minha referência a este projecto, só há algo que não compreendo bem, porque é que aquando da construção do parque eólico, na Serra da Portela, não se mobilizaram verbas da respectiva renda para constituir o projecto que agora surgiu? Sei que é uma questão incómoda, mas fica a questão no ar...

Falando agora do livro "Ciclo da Broa e do pão", da autoria de Eduardo Medeiros, este é um livro que apenas há semanas atrás fiquei a conhecer, já que é uma das obras que serve de bibliografia ao artigo que atrás referenciei. Fiquei muito surpreendido por conhecer esta obra, pois é de uma qualidade notável, a qual merece ser amplamente divulgada tendo em conta o imenso valor patrimonial que percepcionei em mais de 200 páginas. Uma das coisas que infelizmente acontece com obras de grande qualidade, como é este o caso, é a pouca visibilidade que as mesmas têm, por isso mesmo o azinheiragate dá um escasso, mas honesto, contributo para a divulgação deste livro que recomendo a todo/as. 
Há que investir em idas regulares às bibliotecas da região de Sicó (e não só), pois é lá que se encontram livros que têm um valor inestimável para a cultura da região de Sicó. Fica o desafio! 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

2 000 000 de euros é "terrorismo" urbanístico e social!


Mal sabia eu que, quando sugeri dois livros centrados na questão do urbanismo e afins, mais tarde iria saber de algo que até a mim me surpreendeu. Há poucos dias, fiquei a saber de algo que importa discutir de forma séria e honesta, a bem da região de Sicó.
Não é surpresa alguma que na região de Sicó se pratica um urbanismo que quase só favorece certos interesses económicos, havendo muitos exemplos práticos disso mesmo, no entanto desta vez soube de algo que merece ser do domínio público, dados os valores em causa.
Muitas vezes vemos o pseudo-urbanismo, outras o urbanismo duvidoso, e ainda acontece, por vezes, o urbanismo desvirtuador da identidade local. Agora surge o que eu denomino por "terrorismo" urbanístico, facto que, quanto a mim, se justifica tendo em conta os valores monetários em causa, além, claro, das complicações que trouxe aos alvaiazerenses. Imaginem o que é terem a vossa casinha e porque alguém, unilateralmente, pensa que é bom alargar a estrada, vocês têm de sair da mesma, a bem ou a menos bem (tribunal).
Já todos ouvimos falar de casos em que se gastam milhões de euros em obras duvidosas, muitas vezes casos que orbitam em redor de estradas ou auto-estradas. Indo directamente ao cerne da questão, quero destacar um caso onde num projecto megalómano, de alargamento de estrada, onde em pouco mais de 1km de estrada se gastaram até agora quase 2 000 000 de euros, isso mesmo! E não, não estamos e falar de uma obra a ocorrer numa área densamente povoada (ex. Lisboa ou Porto), estamos sim a falar de uma obra a ocorrer na Vila de Alvaiázere, na estrada de Seiceira, onde passam poucas dezenas de carros por dia. Será que este valor astronómico se justifica? Não me parece, de todo...
Além disto tudo, o valor deverá aumentar ainda mais, mostrando que muito vai mal pelos lados de Alvaiázere, no domínio do urbanismo. Ali o importante é expropriar terrenos, comprar casas para depois demolir (alguns casos estão ou estiveram em tribunal) e proceder a alargamentos que, enquanto geógrafo, e por mais esforço que faça, não compreendo.


Sugiro a todo/as aquele/as que tenham a possibilidade, de visitar Alvaiázere o façam, de modo a verem como as coisas não devem acontecer, e perceber onde se enterram milhões que deveriam ser utilizados verdadeiramente em prol da população e do seu território. Infelizmente temos um país à nossa imagem, vivendo a maioria de nós da ideia que já fomos um grande país e agindo numa patética passividade, no deixa andar.
Casos como este nunca deveriam acontecer, mas isso só acontece porque "nós" colocamos no poder autarcas como Paulo Tito Morgado, que ainda tem o despudor de adquirir, com dinheiros públicos, uma viatura de luxo (SUV) para uso pessoal (CMA), que (nos) custa a módica quantia de 54000 euros, dando uma justificação que roça o ridículo. Talvez, quando as obras estiverem terminadas, a viatura em causa já não desapareça convenientemente do radar das câmaras da SIC, pois concerteza nessa altura ficará bem na reportagem.
A última fotografia ilustra bem o nosso futuro no curto e médio prazo, uma estrada que não vai dar a lado nenhum, tudo porque toleramos casos como o que agora destaquei. Resta esperar pela reacção dos portugueses, estando eu particularmente curioso sobre se alguém irá efectivamente pedir explicações a este autarca sobre as suas prioridades e sobre os gastos da autarquia que presidirá até 2013. É esta impunidade que corrói Portugal, a sua identidade e tudo aquilo que temos de bom.
Temos o que merecemos, é o que me apetece dizer...