sábado, 27 de novembro de 2010

A necessidade do projecto Ecoquarry na região de Sicó


É um dos temas mais complexos de falar na região de Sicó, não porque efectivamente seja um assunto complexo, mas sim porque mexe com interesses e mentalidades complicadas.
Só para vos dar um exemplo desta "complexidade", há umas semanas atrás falei sobre as pedreiras (monstros) de Pombal no azinheiragate. Apesar de ter falado de forma construtiva e ter apresentado uma situação exemplar que ocorre no Reino Unido (algo que podia ser feito na região de Sicó), bastou esse simples comentário para irritar o conhecido Narciso Mota, autarca de Pombal. Diria eu que foi apenas um sinal da saúde democrática que se passa por boa parte da região de Sicó e não apenas por Pombal.
Indo agora à questão que me leva a escrever estas linhas, queria falar das dezenas de pedreiras que existem na região de Sicó. Ferem as vistas, incomodam quem as tem de "gramar no seu quintal" e são tabu nas áreas onde elas coexistem, a bem ou a mal, com as populações. São necessárias, mas não todas, apenas algumas, pois se se reciclasse materiais de construção a coisa já era diferente.
É precisamente neste tema que quero falar, existindo tantas pedreiras na região de Sicó, muitas delas abandonadas, porque é que ainda não surgiu nenhum projecto de recuperação paisagística para algumas destas? Alguns, menos informados, podem dizer que fica caro, mas os mais informados sabem que afinal este pode ser um excelente negócio, no qual se junta o últil ao agradável...
O negócio é simples, ao recuperar paisagísticamente uma pedreira abandonada, tem-se um espaço priveligiado para encaminhar materiais inertes. Mais simples não podia ser, mas infelizmente as vistas curtas dos nossos autarcas não permitiram ainda algo como um projecto igual ou semelhante ao Ecoquarry:
A pedreira que vê na foto está desactivada há quase três décadas, sendo apenas um dos muitos exemplos, existentes na região de Sicó, sobre o qual poderia incidir um projecto como o Ecoquarry.
Os resíduos de construção e obras públicas, caso por exemplo de terras de desaterros, poderiam ser encaminhados para locais como esta pedreira, que tem uma área considerável (penso que uns 3 hectares). Evitar-se-ia também muitas situações lamentáveis de despejos selvagens destes resíduos no meio da floresta. Só para vos dar um exemplo do quanto grave é a situação na região de Sicó, dos 250 locais (lixeiras...) que georeferenciei na iniciativa Limpar Portugal, entre 60 a 70% destes tinha resíduos de construção....
Pombal, Ansião, Alvaiázere, Soure e Penela, todos estes municípios têm este problema que tarda em ser mitigado. Temo que apenas quando as pessoas, em tempo de eleições, deixarem levianamente de pedir apenas que lhes alcatroem a estrada à porta, isto possa mudar.
Sei que as coisas por vezes são difíceis, mas quando há competência as coisas surgem. O problema é quando a competência não existe, ou deixa muito a desejar, e quando as pessoas não exigem aquilo que falam apenas entre amigos/conhecidos.
A democracia é participativa, portanto há que exigir, quase todos têm culpas no cartório...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A iniciativa Plantar Portugal e a semana da reflorestação nacional


Estamos precisamente na semana da reflorestação nacional e a 3 dias do dia "Plantar Portugal", (http://www.plantarportugal.org/pt/) sendo, para mim, uma semana de profunda reflexão neste domínio.
Infelizmente não posso participar em nenhuma actividade relacionada com esta louvável iniciativa, mas estou de consciência plenamente tranquila, não só porque todos os anos luto para que muitas árvores não ardam no triste festival anual de pirómanos e piromanias, bem como já participei por iniciativa própria em actividades de plantação de árvores nobres, caso de carvalhos (que tristemente alguns pacóvios de caçadores fizeram questão de vandalizar....).
Aproveito agora para falar de um assunto que já deveria ter falado há meses, mas fui adiando e adiando. Eis que chega a altura ideal para falar do projecto "Impacto Zero" (o site já desapareceu...), que esteve no terreno no concelho de Ansião e em primeira análise foi promovido pela General Motors.
Esta iniciativa incidiu sobre as freguesias de Chão de Couce e Pousaflores, e pretendeu plantar cerca de 130 000 árvores, entre azinheiras, carvalhos e pinheiros.
Apesar de ser uma iniciativa a louvar, embora tenha o óbvio cheirinho de greenwash da General Motors, e de haver mérito da Câmara Municipal de Ansião e da Associação Florestal de Ansião, não posso deixar de criticar a forma como este processo decorreu.
Em primeiro lugar viu-se claramente que havia que encontrar uma área para plantar 130 000 árvores, portanto estas tinham de ser plantadas de qualquer forma, custasse o que custasse. Assim sendo plantou-se tudo nas serras do Casal Soeiro e de Pousaflores, tendo-se aberto um estradão florestal que destruiu muita coisa e serve apenas para o pessoal dos jipes andar na bolina.
O problema que eu quero salientar é que esta iniciativa foi desajustada tendo em conta o número de árvores plantadas. Estas árvores foram plantadas com uma densidade inacreditável, só para que coubessem todas, foram plantadas mesmo em solos que não eram os mais indicados, pois havia que meter tudo naquele espaço....
Porque é que não se fez um projecto conjunto com outro município? Será que num dos muitos municípios que viram as suas áreas florestais bastante afectadas pelos incêndios florestais de 2003 e 2005 não mereciam muitas destas árvores, as quais foram plantadas só "para encher chouriços"? É a crítica essencial que faço à forma como esta iniciativa foi guiada, não esquecendo que considero que aquela estrada que vêm na foto, a sua abertura foi um erro crasso que prejudica toda aquela área, especialmente a fórnia da Ucha.
Considero que teria sido positivo plantar talvez umas 20000 azinheiras e alguns carvalhos e incidir o resto num projecto semelhante, mas noutro concelho. Infelizmente tenho a certeza que muitas das possíveis áreas para uma iniciativa semelhante, e que arderam em 2003 e/ou 2005 estão agora cheias de.... eucaliptos. É um dos problemas deste país, o problema da macrocefalia das celuloses e do eucalipto....
Para terminar, uma sugestão, plantem árvores, mas não invasoras!!
E os meus sinceros parabéns aos promotores do Plantar Portugal!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Azinheiragate apresenta "Os Gralhos"


Em exclusivo nacional, o azinheiragate tem a honra de apresentar "Os gralhos". Estas personagens pertencem ao "universo" do sicócartoon e pretendem fundamentalmente abordar questões igualmente ligadas à temática do património, mas de uma forma diferenciada do sicócartoon. Os gralhos são quase como que um irmão do sicócartoon, embora um irmão que não é gémeo.
O sicócartoon tinha começado com Pombal e agora "os gralhos" começam por Alvaiázere. Apesar desta vez não ter sido eu a propor o tema de conversa, já que "os gralhos" foram uma surpresa que "SC" preparou de forma a consolidar o "universo" sicócartoon, "SC" interpretou plenamente a situação actual pelos lados de Alvaiázere.
O diálogo dos gralhos representa na perfeição o pensamento de muitos dos residentes da Vila de Alvaiázere e mesmo dos alvaiazerenses.
Nos próximos tempos, e de uma forma igualmente regular, "os gralhos" irão apresentar-nos diálogos que pretendem não só fazer passar mensagens pedagógicas, bem como fazer com que as pessoas pensem no que se está a tornar a região de Sicó, para o melhor e para o pior.
Brevemente "os gralhos" irão falar sobre Penela e Ansião...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vergonha local, regional e nacional!


Mesmo sabendo que sempre esperei de tudo num caso tão pernicioso como é o processo do parque eólico na Serra de Alvaiázere, onde a polémica já se desenrola há anos (inclusivé em tribunais que infelizmente não têm know how em questões de direito ambiental...), confesso que nunca esperei aquilo com que me deparei este fim de semana, quando me desloquei à Serra de Alvaiázere para mais uma ronda de monitorização ambiental associada a este escandaloso processo.
O que está a acontecer mostra que nada funciona neste país, Ministério do Ambiente, ICNB; CCDR-Centro e demais entidades. Só funciona mesmo o interesse financeiro predatório, contra tudo e contra todos, passando por cima de tudo o que é etica e moralmente aceitável, é a minha humilde opinião.
Não vou repetir o que já disse sobre este processo, vou sim falar de algo que vi da última vez que fui à Serra de Alvaiázere.
Antes de falar sobre algo muito complicado, queria apenas referir que supostamente as grutas encontradas no decorrer desta obra (várias...) deveriam ser preservadas e o parque eólico deveria ser compatibilizado com grutas existentes. Isto é a Declaração de Impacte Ambiental que o diz, portanto, supostamente, deveria ser para cumprir.
No entanto encontrou-se uma solução que considero no mínimo ilícita, para tornear um problema que atrasou em vários meses (10 meses!) os planos da empresa promotora deste parque eólico.
Tendo ido eu, mais uma vez, à Serra de Alvaiázere, eis que me deparo com a construção da sapata de uma torre eólica, precisamente em cima de uma gruta! Aquele tapume de ferro está exactamente por cima da entrada da gruta. A máquina que vêm está a abrir um segundo buraco, com um diâmetro de quase meio metro, já que o primeiro (com cerca de 10 metros de profundidade) já está feito. Isto será para sustentar melhor a sapata da torre, já que debaixo está uma gruta!!!!!!! Já estou mesmo a ver a desculpa para isto, deverá ser algo do género, que estão a utilizar uma técnica de construção que permite deixar acesso por debaixo, mesmo com a torre em cima, algo que eu consideraria de anedótico em termos ambientais (e não só...).
Este caso é o que eu denomino de vergonha nacional! Sinto vergonha, enquanto cidadão e enquanto geógrafo, assistir a algo tão triste na região de Sicó e num país onde quem manda é o dinheiro. Ética e moral são coisas do passado que, supostamente, a democracia deveria ter cultivado...
Espero sinceramente que a investigação que está a ser feita sobre este processo traga tudo a público, mesmo que algumas pessoas estejam bastante nervosas com isso...
Eu aqui continuarei firme na defesa do património da região de Sicó, sem receio algum da cidadania activa que faço questão de exercer de forma honesta e construtiva!
Apesar de agora nada impedir que o parque eólico seja terminado, farei deste caso um case study a nível nacional (pela gravidade e precedente da situação no domínio do ordenamento do território), de forma que o mesmo não se volte a repetir. Isto a bem do património natural e cultural deste país.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Toponímia: uma forma brilhante de conhecer a região de Sicó

Comprei este livro há 2 meses numa mini-feira do livro. Tendo em conta que é um dos muitos temas que me interessa, não houve a mínima hesitação na compra de mais um livro para a cada vez maior biblioteca pessoal.
Uma das coisas que considero mais importante para o conhecimento da região de Sicó, por parte de cada um de nós, é o ir para o campo, caminhar por locais não conhecidos ou mesmo por locais que pensamos que conhecemos. Confesso que me incomoda ouvir sempre a desculpa do costume, pois quando, por vezes, desafiava alguns colegas para a ida à descoberta, havia sempre a expressão "está frio", ou "está calor" ou então "cansa muito".
Estas breves expressões têm um significado mais profundo do que se pensa, pois reflecte plenamente o espírito de muitos nós. É pena que assim seja, pois há muito para conhecer na extraordinária região de Sicó.
Será que é melhor ficar o tempo todo no sofá a ver a televisão de qualidade duvidosa? Será que é melhor ir sempre para o café à espera que o tempo passe? Claro que não!
Peguem numa carta militar (podem comprar através de: http://www.igeoe.pt/) de olhos fechados apontem para um sítio, ou então uma ideia que agora vos proponho.
Vejam a diversidade de topónimos existente nas várias cartas militares que abrangem a região de Sicó e partam em busca do significado desse topónimo.
Dou apenas algumas sugestões:
Fonte da Pedra; Quatro Lagoas; Vales Verdes; Vale Florido; Bouça do Ferreiro; Carrascal das Sete Fontes; Estercadas; Governos; Aldeia do Rio; Cabeço Nacreal; Terras Largas; Bica; Castelo; Escarramoa; Marrocos.

São apenas alguns dos milhares de hipóteses (topónimos) para explorar. Vão ver que por detrás de cada topónimo há histórias fabulosas. Desfrutem também da paisagem (cada vez mais fragmentada..) da região, pois ainda vale bem a pena.
Posso contar uma que vivi há 2 anos. Num trabalho de investigação, estava a analisar em estereoscopia uma fotografia aérea e deparei-me com algo que se assemelhava à "bordadura" de uma dolina (forma cársica). Como precisava de confirmar no terreno se era ou não aquilo que eu pensava, fui então ao local, onde infelizmente não consegui chegar. O mato era tão denso que apenas terei chegado uns 20 a 30 metros do local.
Indo à carta militar vi que o topónimo do lugar era "Castelo" e não é que após questionar um colega meu, cheguei à conclusão que o que me parecia uma dolina na fotografia aérea era afinal um castro (antigo povoamento)? Infelizmente está ao abandono, facto normal na região de Sicó. A arqueologia é muito mal tratada por estes lados...
Este é apenas um mero exemplo de histórias por detrás de topónimos esquecidos. Vão ver que se em vez de estarem no sofá a perder demasiado tempo ou no café a perder tempo e dinheiro, ficam mais felizes da vida ao fazerem algo de saudável (caminhar e conviver de forma saudável com amigo/as) e mais conscientes do património que a região encerra. Tudo isto através de uma forma alternativa e valorosa de conhecer o nosso território.
Não esqueço também outro facto muito importante, dialogar com as pessoas de muitos lugares esquecidos da região de Sicó é das coisas mais enriquecedoras que podemos fazer, elas têm algo que tem faltado aos nossos governantes, a sabedoria, a humildade e a simplicidade! Vão ver que elas ficam muito agradecidas por terem alguém para partilhar a ancestral sabedoria...
Os vossos horizontes ficarão mais alargados, isso vos garanto. Além disso mais tarde vão dizer para vós próprios: "o que eu tenho perdido..."

domingo, 7 de novembro de 2010

Mistérios do património

É daquelas coisas que caso procurasse, dificilmente encontraria e que só mesmo por um acaso encontrei num momento fotográfico feliz.
Tentem descobrir, antes de eu dizer o que será...
Esta foto foi tirada há quase um ano, e só quando estava a imprimir para um concurso fotográfico na região de Sicó (no primeiro semestre de 2010), percebi algo que até então me tinha passado completamente ao lado.
Como podem ver, a foto retrata uma bela oliveira, muito provavelmente milenar. Nesta foto não dá para terem uma ideia da escala/dimensão da mesma (é grande...), mas caso colocasse outro ângulo não veriam algo do outro mundo. Não vou divulgar o local onde esta se localiza, pois há pessoas que poderiam ir lá e estragar este exemplar. Além disso é num terreno privado e há que respeitar esse facto.
Quando me apercebi do pormenor que torna esta oliveira um caso peculiar, enviei a foto para um amigo meu, fotógrafo de categoria nacional, de forma a ele me desse uma opinião sobre o caso. Disse-me que era algo que podia acontecer, mas que é raro, especialmente no caso de árvores.
Indo directamente ao facto, vejam a que é que se assemelha aquela figura do lado direito do tronco da oliveira, sensivelmente a meio. Digam lá que não parece uma figura de "outro mundo" a espreitar com a cabeça por detrás do tronco?!
Já tirei milhares de fotos, mas nenhuma delas tinha algo tão assombroso, literalmente!