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21.3.13

As árvores fantasma...

Guardei este comentário precisamente para este dia, o dia da árvore. Em Novembro de 2010, elaborei um comentário alusivo à iniciativa "Impacto Zero", a qual promoveu a plantação de 130000 árvores, em Ansião. Nessa altura, critiquei a forma como o projecto foi pensado, já que claramente era um projecto para "encher chouriços", vulgo greenwash, pela General Motors.
A minha principal crítica tinha a ver com o absurdo que era plantar tanta árvore numa área como é a das Serras do Casal Soeiro e Portela. Era então um projecto desajustado perante o território em causa, mas como todos sabemos o que conta é o show-off, mesmo que inconsequente.
Uma das minhas grandes certezas era a mortalidade a que iria assistir naquelas serras, por parte de muitos dos exemplares ali plantados. Findados 3 anos, voltei ao local, para analisar os resultados:


Parei em vários locais, fazendo quase que um transecto por estas duas serras. Observei o conteúdo de dezenas e dezenas de cartuchos, os quais se vêm nas fotografias, e cheguei a uma triste conclusão, mesmo apesar de esperada. A mortalidade é muito elevada, tal como previ inicialmente tendo em conta vários parâmetros, entre os quais o solo.
Não fiz nenhuma estatística, portanto não posso adiantar dados considerados válidos estatisticamente. Mesmo assim, e dos vários locais que vi e dos vários (resmas...) cartuchos que vi, a mortalidade ronda os 40 a 50%. Espero agora que a Associação Florestal de Ansião possa, um dia, elaborar um estudo válido, para que se perceba a coisa no seu todo. Este projecto foi um erro, plantar árvores sim, mas de forma ajustada ao território, pois muitas das árvores estavam condenadas à partida, já que nunca se iriam dar bem em alguns sectores das serras em causa. Boa parte destas árvores poderiam ter sido plantadas em áreas ardidas neste ou noutros concelhos, mas isso já iria concerteza chatear as celuloses que precisam de espaço para continuar a sua senda de eucaliptização do país e da região...


Há que reflectir nos erros do passado para precaver o futuro, pois só assim a região pode andar para a frente. Este é apenas um de muitos, os quais faço questão em denunciar de forma honesta e construtiva.


24.11.10

A iniciativa Plantar Portugal e a semana da reflorestação nacional


Estamos precisamente na semana da reflorestação nacional e a 3 dias do dia "Plantar Portugal", (http://www.plantarportugal.org/pt/) sendo, para mim, uma semana de profunda reflexão neste domínio.
Infelizmente não posso participar em nenhuma actividade relacionada com esta louvável iniciativa, mas estou de consciência plenamente tranquila, não só porque todos os anos luto para que muitas árvores não ardam no triste festival anual de pirómanos e piromanias, bem como já participei por iniciativa própria em actividades de plantação de árvores nobres, caso de carvalhos (que tristemente alguns pacóvios de caçadores fizeram questão de vandalizar....).
Aproveito agora para falar de um assunto que já deveria ter falado há meses, mas fui adiando e adiando. Eis que chega a altura ideal para falar do projecto "Impacto Zero" (o site já desapareceu...), que esteve no terreno no concelho de Ansião e em primeira análise foi promovido pela General Motors.
Esta iniciativa incidiu sobre as freguesias de Chão de Couce e Pousaflores, e pretendeu plantar cerca de 130 000 árvores, entre azinheiras, carvalhos e pinheiros.
Apesar de ser uma iniciativa a louvar, embora tenha o óbvio cheirinho de greenwash da General Motors, e de haver mérito da Câmara Municipal de Ansião e da Associação Florestal de Ansião, não posso deixar de criticar a forma como este processo decorreu.
Em primeiro lugar viu-se claramente que havia que encontrar uma área para plantar 130 000 árvores, portanto estas tinham de ser plantadas de qualquer forma, custasse o que custasse. Assim sendo plantou-se tudo nas serras do Casal Soeiro e de Pousaflores, tendo-se aberto um estradão florestal que destruiu muita coisa e serve apenas para o pessoal dos jipes andar na bolina.
O problema que eu quero salientar é que esta iniciativa foi desajustada tendo em conta o número de árvores plantadas. Estas árvores foram plantadas com uma densidade inacreditável, só para que coubessem todas, foram plantadas mesmo em solos que não eram os mais indicados, pois havia que meter tudo naquele espaço....
Porque é que não se fez um projecto conjunto com outro município? Será que num dos muitos municípios que viram as suas áreas florestais bastante afectadas pelos incêndios florestais de 2003 e 2005 não mereciam muitas destas árvores, as quais foram plantadas só "para encher chouriços"? É a crítica essencial que faço à forma como esta iniciativa foi guiada, não esquecendo que considero que aquela estrada que vêm na foto, a sua abertura foi um erro crasso que prejudica toda aquela área, especialmente a fórnia da Ucha.
Considero que teria sido positivo plantar talvez umas 20000 azinheiras e alguns carvalhos e incidir o resto num projecto semelhante, mas noutro concelho. Infelizmente tenho a certeza que muitas das possíveis áreas para uma iniciativa semelhante, e que arderam em 2003 e/ou 2005 estão agora cheias de.... eucaliptos. É um dos problemas deste país, o problema da macrocefalia das celuloses e do eucalipto....
Para terminar, uma sugestão, plantem árvores, mas não invasoras!!
E os meus sinceros parabéns aos promotores do Plantar Portugal!