terça-feira, 27 de junho de 2017

É um erro que importa reconhecer e corrigir...


Não é a primeira vez que abordo esta questão e, caso se mantenha, não será a última vez. Falo, claro, do erro que é juntar o Festival do Chícharo de Alvaiázere com as festas do concelho (FAFIPA), em Junho. O Festival do Chícharo deveria voltar a ser na altura própria, ou seja em Outubro, já depois da colheita desta bela e saborosa leguminosa. Ou seja, não é de todo boa estratégia promover um festival do chícharo antes da sua colheita. A lógica das festas das colheitas é mesmo ser após a colheita do produto em causa, de forma a celebrar o mesmo, nunca antes.
Este retrocesso, em termos de marketing territorial, ocorreu há cerca de uma década, sob a égide do anterior autarca, Paulo Morgado, que, devido a alegados constrangimentos económicos, decidiu que era uma boa opção deixar de realizar o Festival do Chícharo em Outubro. Já houve demasiadas mudanças, as quais afectaram a imagem desde festival. Santa Catarina da Serra, em Leiria, onde se realiza um outro Festival do Chícharo, deve estar muito agradecida com este pára arranca...
Foi uma péssima decisão, em termos de marketing territorial. Não se pode andar a acabar com um festival no mês indicado, mudando-o para outra altura. O factor financeiro não pode desvirtuar um festival deste género e desta importância. O factor financeiro não é sequer decisivo para se organizar um festival deste género, pois com pouco pode-se fazer muito. E em Alvaiázere há que tenha a sabedoria e criatividade para fazer muito com pouco... 
E isto não significa que o chícharo não possa ter o devido destaque nas festas do concelho. Pode e deve  ter algum protagonismo durante a FAFIPA, funcionando como rampa de lançamento para o Festival do Chícharo em Outubro de cada ano. Há, portanto, que repensar esta questão, a bem da identidade local e do marketing territorial. As coisas têm mudado nos últimos tempos, esperando eu que se consolide o que de bom se está a fazer e que não volte a acontecer o mal que já aconteceu.
E falando em marketing territorial, no dia 20 de Junho foi apresentado publicamente um vídeo de grande qualidade sobre Alvaiázere, o qual recomendo vivamente que visionem. É uma bela ferramenta de marketing territorial, a qual vos desafio a partilhar nas redes sociais. Se as entidades públicas forem coerentes e consequentes com o que ali é mostrado e dito, então Alvaiázere terá um futuro bem risonho. É algo pelo qual pugno há 13 anos. O património merece!


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Não somos apenas vítimas, somos também, e acima de tudo, cúmplices!


Podia colocar aqui uma daquelas fotos de grande impacto de um incêndio absolutamente destruidor a vários níveis e que ficará na história como o maior atestado da nossa incompetência, inacção e passividade enquanto povo perante um problema que já vai com quase 4 décadas. Mas não coloco, já que não sou apologista disso. Prefiro colocar apenas uma foto feia, com menos impacto e sem chamas à vista, mesmo que isso signifique menos visualizações. Não pode valer tudo, é uma lição que dou especialmente à TVI, mas não só...
Não me vou alongar sobre as causas que, em conjunto, levaram a esta tragédia, já que as causas são sobejamente conhecidas e, diga-se, estou cansado. O que falta então?
Falta atitude de todo um povo, a qual tem possibilitado uma letargia que já vai com quase 4 décadas. A falta de ordenamento do território é, no concreto, a causa de tudo isto. E todos temos culpa no cartório, uns mais do que outros, obviamente. Não é só o político tem culpa. O político é apenas o reflexo de quem os elege. A culpa é também de quem conhece bem esta realidade e teima em não limpar em redor das suas casas. Mas não só. Somos todos culpados morais desta tragédia e isso tem de ser dito com todas as palavras, goste-se ou não.
A melhor homenagem que podemos fazer aos que partiram será promover, de facto, o ordenamento do território, pois essa será, de facto, a única forma estrutural de precaver mais desastres como este. A melhor homenagem que podemos fazer aos que ainda vão resistindo por esta região é promover, de facto, o ordenamento do território. Promover o ordenamento do território é algo de complicado, é um facto, mas também é um facto que não temos feito por isso. Se não metermos mãos à obra tudo isto voltará a acontecer, mais tarde ou mais cedo. Há passividade, há inacção, há incompetência, há interesses e outras coisas mais. Que esta tragédia sirva de uma vez por todas para resolver um grave problema. Resta saber que vamos ter a coragem de o fazer ou se continuaremos a ser uns covardes, tal como temos sido nas últimas décadas.
E que ninguém se tente demitir desta tarefa. Seja em maior ou em menor grau, todos teremos um contributo para dar nesta nossa obrigação, ordenar o território, possibilitando o desenvolvimento territorial de toda uma região e de todo um país. E notem que o problema não acaba quando as câmaras da televisão forem embora. Trata-se de um problema que começou há poucos dias e que se prolongará durante algumas décadas... 

sábado, 17 de junho de 2017

Centro de Arqueologia de Alvaiázere, uma excelente novidade para Sicó!


Imagens: Alexandra Figueiredo

É uma novidade que, infelizmente, não está a ter o devido destaque na imprensa regional. A arqueologia na região de Sicó ganhou uma nova vida, pois foi inaugurado há poucos dias o Centro de Arqueologia de Alvaiázere, projecto do Instituto Politécnico de Tomar e da Câmara Municipal de Alvaiázere. Estão ambos de parabéns por esta ideia ter chegado a bom rumo.
A ideia já poderia ter sido consumada há mais tempo, dada a incompetência do anterior autarca no domínio da temática patrimonial. Há 10 anos eu estava a trabalhar em Alvaiázere numa ideia que além de englobar dois centros de interpretação ambiental (Escola da Geodiversidade e Escola da Biodiversidade/Centro Ciência Viva do Carvalho Cerquinho) englobava um outro espaço, ou seja a reconversão de uma antiga escola primária para um espaço que pudesse receber investigadores de várias áreas. Infelizmente o projecto foi metido na gaveta, mas eis que Alvaiázere ganhou uma vida nova, sem ressabiamentos e vinganças à mistura.
Com esta infra-estrutura todos ficam a ganhar, Alvaiázere e a própria região de Sicó, que agora fica com um espaço de referência para a investigação. É de salientar também a dedicação no domínio da arqueologia da Directora do Museu Municipal de Alvaiázere, Paula Cassiano, que, em conjunto com um pequeno núcleo duro, mantiveram a chama da arqueologia viva em Alvaiázere num tempo onde a arqueologia era um parente pobre na temática do património.
Espero agora por novas descobertas, já que toda esta região tem muito por descobrir!




terça-feira, 13 de junho de 2017

Trail do Chícharo: não fazer o que foi feito...


Foto: José Antunes

À primeira vista pode parecer um mero monte de pedras, contudo é algo de importante e que se deve preservar. Sei que a intenção era boa, contudo a consequência é bastante negativa.
Já por mais que uma vez falei do impacto negativo que provas desportivas podem ter, nomeadamente ao passarem por locais onde não deveriam passar. Isto acontece por manifesta falta de conhecimento, daí eu fazer questão em abordar mais uma situação do género.
Quando tive conhecimento do Trail do Chícharo fiquei contente, já que Alvaiázere e as suas gentes merecem e quem não é de lá merece ser presenteado com uma prova deste género. Conciliar o desporto com paisagens fantásticas é algo de inesquecível. E a Serra de Alvaiázere, mesmo apesar da destruição causada pelo parque eólico (em área supostamente protegida...), vale mesmo a pena visitar. Já agora, é o ponto mais elevado do Maciço de Sicó.
Contudo há um grande senão, ou seja o facto da prova em causa ter passado por um local onde nunca deveria ter passado, num local que deveria ter estatuto de protecção, dada a sua importância patrimonial. Quando vi a foto que ilustra este comentário, e que retirei do facebook de um amigo meu,  fiquei perplexo. Sei que a organização teve boas intenções, mas fazer passar a prova por ali foi um erro, o qual espero que não seja repetido.
Pode parecer que se trata de um monte de pedras, contudo há ali algo de muito importante em termos de património natural. Falo, claro, das cascalheiras de gravidade da Serra de Alvaiázere, um local de interesse geomorfológico importante e que importa preservar. A sua preservação passa fundamentalmente por medidas que impeçam o trânsito de pessoas por aquele local, evitando assim o pisoteio. Uma coisa é passar por ali uma pessoa uma ou duas vezes por ano, outra é passarem dezenas ou centenas de pessoas num par de horas. Em poucas horas promoveu-se um impacto que não aconteceu em alguns milhares de anos...
Importa também salientar que naquele local já foram encontrados vestígios arqueológicos (cerâmica), portanto ao património geomorfológico junta-se também a questão da arqueologia. 
Para quem estiver interessado em saber mais, pode encontrar informação sobre este local de interesse geomorfológico num trabalho meu, de 2008, na página 115:
Agora um apelo, aquando do planeamento de provas do género, tentem informar-se sobre documentos técnicos vários que possam existir sobre esta e outras áreas, pois ao estarem informados dos valores ali presentes, podem não só conhecer património que desconhecem bem como preservar este mesmo património, evitando a sua degradação. É fácil evitar este tipo de situações, bastando para isso uma nova atitude na abordagem à questão. E se pedirem algum tipo de ajuda, terão certamente resposta por parte de quem conhece coisas que vocês não conhecem. E através desta troca de conhecimento, ficamos todos a ganhar e o património agradece!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Voltei ao Alvorge e fiquei... emporcalhado!


É um assunto tremendamente incómodo para as pessoas e entidades envolvidas nesta questão. É uma questão que se arrasta há vários anos, sem que se tenha feito algo para acabar com este atentado ambiental.
Em Abril de 2016, a Provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar "a água sai límpida para uma linha de água". Foi uma afirmação que, de facto, não correspondia à verdade, sendo apenas uma defesa, diga-se muito mal montada, de quem tem responsabilidades pela situação. Chegou ao cúmulo de negar a poluição, imagine-se...
Há também co-responsáveis, neste caso a Câmara Municipal de Ansião, que fez um "esgoto" para terra de ninguém, sem qualquer ligação à rede de saneamento.


Até agora nada se fez para resolver este grave problema, facto que me preocupa tendo em conta o enorme potencial de contaminação dos aquíferos. Não sei o nível de contaminação dos mesmos, contudo, e enquanto geógrafo físico ligado à temática do carso (calcários), estou profundamente preocupado com esta situação. Casos como este são graves, mas em meio cársico são particularmente graves, dada a susceptibilidade à poluição do mesmo.
Para que conste, estas fotografias foram tiradas há poucas semanas...


Seria particularmente interessante promover-se um debate público onde estivessem presentes a Srª Maria Luísa Ferreira, o Sr. Rui Rocha (actual Presidente) e o Sr. Fernando Marques (ex. Presidente, actual candidato do PSD e político sempre apoiado pela Srª. Maria Luísa Ferreira). 


Ao contrário do que alguns possam pensar, esta questão não está fechada, muito pelo contrário e a duas frentes. Numa frente a nível legal e noutra frente a nível político. E o "maravilhoso" disto é que este é ano de autárquicas, onde questões como esta costumam ser bastante comprometedoras para quem contribuiu para elas, por isso é um tema que irei destacar nos próximos meses...
Esta é uma situação que está acima de politiquices mesquinhas. Esta é uma situação que coloca em risco a saúde pública, dada a contaminação dos aquíferos. Esta é uma situação inaceitável, daí eu vos pedir que partilhem este comentário. Ao partilhar estão indirectamente a ajudar a que a situação se resolva. E já agora, para os ansianenses, questionem todos os candidato/as às autárquicas, sem excepções, sobre esta situação. E se alguém recusar o debate, lembrem que dia 1 de Outubro é dia de "ajustar contas".
Só para finalizar, se ouvirem a Srª Maria Luísa Ferreira, o Sr. Rui Rocha ou o Sr. Fernando Marques a opinar sobre a componente técnica/ambiental desta questão, digam-lhes que não têm competências na matéria e que deixem isso para os especialistas.
Para o pessoal do Alvorge, não tenham receio, pois mesmo para os que não querem ter problemas, vocês podem ajudar a resolver o problema, nem que seja "apenas" através do voto.


domingo, 4 de junho de 2017

Ajudar à festa!


Nos últimos anos parece que as festas populares voltaram à baila. Não sei se é impressão minha, mas parece-me que, nos últimos anos, as festas populares têm vindo a ganhar uma nova dinâmica, talvez devido ao facto do pessoal mais jovem ter conseguido ajudar à festa, literalmente, imprimindo uma nova dinâmica nas mesmas. Uma imagem mais actual, mais apelativa e mais actividades para todos nós. É algo que nos deve orgulhar, já que as festas populares da região de Sicó são, de facto, populares.
Há que ajudar às festas do vosso bairro, da vossa terra e divulgar as mesmas. Há que trazer a esta região quem não é de cá e contribuir para que estas pessoas conheçam a nossa cultura e o que de melhor temos em termos culturais e não só. Há que não só manter bem como potenciar estes tesouros culturais da região de Sicó, claro que sem lógicas circenses. 
Siga a festa!