terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sede de queimar...


Mesmo antes de ser permitido, já o pessoal teimava em fazer a "bela" da borralheira. Depois do adiamento dos vários prazos, devidos ao persistente risco de incêndio, foram às centenas as borralheiras a surgir um pouco por toda a Sicó e não só. Apesar do paradigma ter mudado, há coisas que parece que custam a mudar. Será que é realmente preciso fazer estas borralheiras? Será que não seria de evitar fazê-las?
Em boa parte dos casos não há necessidade alguma de queimar os restos de ervas e afins. Estupidamente continuo a ver também a queima de lixo no meio das borralheiras, umas vezes bem dissimulado (à excepção do cheiro...), outras vezes nem por isso.
A lei deveria mudar, de forma a impedir algo que é na maior parte dos casos desnecessário. O pessoal gosta simplesmente de queimar, uma tradição que vem de longe, onde aí fazia sentido. Eu não faço borralheiras. Eu coloco tudo num monte, encostado a uma parede, e deixo o tempo fazer o que melhor sabe. Passados uns meses tenho fertilizante para utilizar nas culturas que faço. É só vantagens!
Vamos repensar esta questão, promovendo não só a racionalidade e qualidade ambiental bem como reduzindo o risco de incêndio?

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Acorda Sicó!


Desde que me conheço que conheço a bolota. No meu recreio havia muitos carvalhos e um dos meus brinquedos era a bolota, a qual servia, entre outros, para mandar contra o pessoal. Belos tempos! Sim, o meu recreio era especial, pois não havia paredes, mas sim árvores.
Contudo, e há poucos anos comecei a interessar-me pela bolota de uma forma diferente. O que me despertou foi o facto de haver cada vez menos carvalhos e azinheiras e o pessoal ver estas duas espécies apenas como sinónimo de lenha para a lareira, quando afinal isso é muito, mas mesmo muito redutor. Pensei para mim que a bolota era algo de interessante, até porque sabia, através do pessoal idoso que a bolota foi, em tempos, um alimento. Depois pensei para com os meus botões, e se a bolota fosse não só a salvação para o abate de tantos carvalhos e azinheiras, alguns centenários. E se a bolota renascesse, em Sicó, para a alimentação humana, enriquecendo a gastrononia regional e funcionando como mais uma ferramenta para a promoção de políticas de desenvolvimento territorial? Comecei a pesquisar e meses depois, em 2015, fui a um congresso da bolota, na Herdade do Freixo do Meio. Fui matutando sobre a questão e vendo que há muitas oportunidades no aproveitamento económico da bolota. No último fim-de-semana fui novamente a um congresso da bolota, sendo desta vez um congresso ibérico sobre a bolota, em Matosinhos. Voltei a ver "velhos conhecidos" e a perceber que a roda já rodou bastante desde há 2 anos. Claro que há um enorme caminho a percorrer, mas já se provou que ele existe e que é fabuloso.
A região de Sicó tem potencial para ser desenvolvido no âmbito da fileira da bolota. Não há caminho trilhado, o que é complicado, mas não seria fabuloso fazermos este caminho e daqui a uma década olharmos para trás e dizermos que foi uma das melhores coisas que podíamos ter feito?
Quem estiver interessado em falar sobre trilhar caminho, que se acuse. Há muito por falar e muito por fazer... Sei que é arriscado fazer o que estou a fazer, dada a chicoespertice que por aqui há, contudo, e por vezes, há temas demasiado importantes, e potencialmente transformadores, que merecem ser partilhados. E se vierem para tentar ver se o barro cola, esqueçam, pois eu não nasci ontem...

domingo, 19 de novembro de 2017

Deixar tudo ao deus de ará...


Resolvi falar de uma questão que, apesar de forma sublime abordar aqui regularmente, raramente dou exemplos práticos. Isto porque é algo que considero que faz parte dos meus deveres enquanto cidadão e, por isso, não precisa de ser publicitado. Mas agora abro uma excepção. Normalmente achamos que só temos direitos e não temos deveres.
Um dos exemplos que costumo dar quando falo com os meus amigos é quando vem um temporal e o vento tomba certos objectos, tais como os caixotes do lixo. Enquanto a maior parte das pessoas nada faz, dizendo que isso é função da câmara ou da junta, eu mexo-me e coloco os objectos na sua devida posição. É esta diferença de atitude que faz toda a diferença.
Mas vamos a um exemplo prático. No início de Setembro, ao passar por uma estrada pouco frequentada, deparei-me com este problema na via. Terão sido centenas de pessoas que ali passaram ao longo de meses e que, vendo aquilo, nada fizeram. Mas se depois passassem por ali e tivessem um acidente, aí a conversa já seria outra. Possivelmente iriam culpar a câmara ou a junta...
Eu sou diferente, já que tendo-me deparado com esta situação, parei o carro, tirei fotos e coloquei pedras para sinalizar minimamente o perigo. Poucas horas depois já tinha enviado uma mensagem à Câmara Municipal de Ansião a relatar esta situação, de forma a que a mesma fosse resolvida. Passados uns dias recebi uma mensagem a agradecer o alerta e a comunicar que o problema tinha sido resolvido e que agora a via de comunicação estava em condições. Chama-se a isto cidadania activa. E é apenas mais uma acção que me faz estar de consciência tranquila, pois a cidadania activa é assim mesmo, plena. E posso desde já dizer que sempre que alertei para situações deste género, elas foram sempre resolvidas em poucos dias, facto que importa destacar.
Mas indo agora ao cerne da questão, quantos de vós já tiveram esta atitude? Por exemplo em Ansião suspeito que sejam muito poucas as pessoas que o fazem, já que sempre que vou aos serviços camarários alertar sobre situações como esta, percebo que são efectivamente poucos os que o fazem. Vejo muitas pessoas a criticar (o que por si mesmo não é mau) mas poucas a exercer a cidadania activa, onde os direitos e os deveres são duas faces de uma mesma moeda. Se todos tivermos uma atitude deste tipo, todos teremos a ganhar com isso e, assim, evitaremos problemas perfeitamente evitáveis e só possíveis devido à nossa atitude passiva. Vamos exercer a cidadania activa?!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Uma janela sobre a literacia ambiental...


Uma das questões com a qual me deparo mais vezes, quando falo com as pessoas sobre ambiente, é quiçá a mais importante de todas. Falo, claro da literacia ambiental, da percepção que temos sobre o nosso território, sobre aquela que é afinal a nossa casa, o planeta terra. Não conhecer todas as divisões da nossa casa é um problema estrutural, daí eu já há vários anos fazer este investimento pessoal e profissional em prol da causa maior que é a sensibilização ambiental.
Há poucas semanas, e quando me cruzei na rua com uma pessoa amiga, acabámos por ficar ali a falar longos minutos sobre a temática do mundo natural. Ouvi algo que me preocupou e que, tal como acima referi, é algo que o qual sou confrontado demasiadas vezes. Em termos muito resumidos, aquela pessoa dizia-me que tinha uns terrenos que não valiam nada e que eram um estorvo. Na brincadeira até me disse se eu queria os terrenos. Ou seja, por não ser possível construir ali uma casa ou por não ser um terreno agrícola, não tinha qualquer valor.
Comecei logo a rebater os factos, dizendo que aqueles argumentos não justificam o desprezo pelos terrenos, até porque eles têm funções que normalmente desconhecemos ou que basicamente não achamos importantes, talvez porque essas funções estão, por enquanto garantidas. Falo, claro, dos serviços dos ecossistemas. Estes serviços dos ecossistemas são basicamente benefícios que nós, enquanto sociedade, retiramos dos ecossistemas. Estes serviços dividem-se por serviços de produção (ex. alimentos, água, medicamentos), de regulação (polinização, regulação climática, mitigação de cheias, controlo de pragas, etc), serviços culturais (ex. educação, recreação, património, espiritual) e serviços de suporte (manutenção da biodiversidade, reciclagem de nutrientes, produção primária).
Boa parte de nós desconhece, na prática, estes factos, daí não lhes dar o seu real valor e não incluir a defesa destes valores na sua cidadania, activa muitas vezes em outros temas e simplesmente ausente nesta questão de primordial importância na nossa existência.
Agora duas questões se colocam, a primeira é se vão resistir a fazer uma busca no computador ou no telemóvel inteligente sobre os serviços dos ecossistemas e se da próxima vez que se meterem num carro (ou bicicleta ou a pé...) e palmilharem dezenas de km continuarão a desconhecer que todas aquelas diferenças que vêm na paisagem natural têm uma função, a qual pode ser essencial para a vossa existência. Aproveito para vos sugerir a leitura do livro "pensar como uma montanha" de Aldo Leopold.
Cada vez mais me apercebo que o caminho de sensibilização que tenho em frente nos próximos anos é hercúleo. Haja saúde...

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O que é que eles andarão a fazer?



Há umas semanas deparei-me com estas e outras imagens nas redes sociais. Se por um lado fiquei contente em ver um elemento paisagístico como este a ser construído (são raros os que ainda resistem), por outro fiquei preocupado ao perceber que não seria um abrigo de pastor, mas sim um abrigo construído para caçadores. Foi a impressão com que fiquei e logo que falei no termo caçadores, alguns saíram da toca, tendo a coisa, e de certa forma, aquecido.
Isto passa-se na Serra de Alvaiázere, uma serra fantástica, mas que infelizmente tem sido alvo de acções absolutamente destruidoras das suas mais valias.
Nunca escondi que não aprecio a caça nem a maior parte da atitude dos caçadores, dado a caça ser actualmente algo de absurdo (apenas se justificam algumas acções de controle de algumas espécies, nada mais) e ser um mundo onde o vandalismo e o desrespeito pelo mundo natural é o pão nosso de cada dia.
Irei estar atento ao que por ali se passa, já que se há uma coisa que é certa é o facto dos caçadores serem especialistas a fazer asneiras, por mais tentem fazer passar uma boa imagem, de gente respeitadora. Uma das últimas situações que me lembro, nesta serra, foi de quando ardeu da última vez, num incêndio muito suspeito. Havia no topo da serra um local onde os caçadores tinham um comedouro, que utilizavam para alimentar a caça. Depois de ardido, nem se deram ao trabalho de limpar e levar dali os restos de plástico. Simplesmente mandaram o plástico uns metros para o lado e colocaram um novo comedouro. É algo que ilustra bem a forma de ser dos caçadores. Sei que nem todos são assim, mas também sei que a maioria é assim mesmo.
Se tivessem o mesma atitude que têm pela caça e a estendessem ao património natural, aí as coisas podiam ser bem diferentes. Mas felizmente que o tempo irá fazer com que a caça nos moldes actuais termine. Chamar à caça um desporto é simplesmente estúpido!

domingo, 5 de novembro de 2017

Reabilitação urbana: juntar a identidade à modernidade

Há pouco mais de um ano, abordei o caso da reabilitação de um edifício histórico em Ansião, no âmbito do tema da reabilitação urbana. Hoje volto à carga com mais um exemplo de reabilitação de um edifício na Vila de Ansião, desta vez uma reabilitação diferente, que implicou obras diferenciadas. Compreendo que em alguns casos tem de se seguir outro caminho, já que alguns dos edifícios são bastante limitados em termos de espaço, não sendo por isso prático nem racional promover obras só para inglês ver. Por isso mesmo há que inovar e integrar o melhor de dois mundos, a identidade pré existente e o prático do dia-a-dia. Neste caso, e tendo eu já visto algumas imagens do interior, num site de arquitectura, penso que se conseguiu algo interessante, que não desvirtuou o que já existia e que criou algo de prático e muito útil.





Vivemos demasiado num tempo onde as empresas de construção civil estavam apenas interessadas e preparadas para fazer de raíz, esquecendo a importante reabilitação urbana. As empresas que apostaram na reabilitação urbana, ainda antes da crise, foram as que melhor se safaram, já que abriram uma escapatória à crise e criaram uma nova frente no que concerne a esta actividade económica. As que não quiseram evoluir foram as que tiveram mais problemas, diria eu que ainda bem pois assim até se fez uma escolha no que concerne aos melhores. Havia uma grande falta de qualidade na construção e agora  as coisas estão a mudar, esperando eu que continuem a mudar para melhor, com mais e melhores empresas e com profissionais que inovem, seja no que de novo se construa, seja no que de velho se reabilite. Daqui a mais uns tempos voltarei a esta questão, pois já tenho mais para mostrar...