quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Empreendorismo na região de Sicó: Sicó está à vossa espera caros empreendedores


Há poucos anos era uma escola, mas daqui a algum tempo este edifício será reconvertido numa incubadora de empresas e espaço de coworking. É, na minha opinião, uma excelente ideia a desenvolver, e logo num local estratégico, facto que favorece ainda mais o projecto.
Se há coisa que aprecio é um espaço deste género situado no centro de uma vila, ou muito próximo do mesmo, tal como é o caso. Localizações como esta têm potencial para imprimir uma dinâmica própria aos aglomerados urbanos respectivos. Espero também que se lembrem de colocar um espaço para estacionamento de bicicletas, pois será a cereja no topo do bolo.
Onde é? Alvaiázere. Se há por aí empreendedores a pensar em criar uma empresa, eis um bom espaço, numa região com imenso potencial por explorar nos mais variados domínios. 


As incubadoras de empresas são um tema que apenas por duas vezes falei (Ansião e Penela), já que são algo de relativamente recente na região de Sicó. No caso que melhor conheço, Ansião, e em 2009, ainda ponderei ligar-me aquela incubadora de empresas, contudo, e após dificuldades causadas pelo fundamentalismo político local, que fecha as portas a quem não é alinhado com a malta, desisti da ideia. Ando novamente a pensar no assunto, mas Ansião está fora de questão em termos de incubadora de empresas. Sinceramente não estou para me chatear e, confesso, não aprecio nada a postura do tipo "tens ali um espaço", preferindo a postura de "desafio-te para pensares nesta incubadora de empresas", tal como aconteceu há uns anos e há poucos meses, respectivamente. A incubadora de empresas de Ansião é vocacionada apenas para quem está ligado às empresas situadas na zona industrial do Camporês e não tem sequer um estacionamento para bicicletas. Falta um outro espaço, complementar, situado em plena vila de Ansião (sugiro o edifício da antiga pré-primária).
Aquele que será o edifício base da incubadora de empresas de Alvaiázere, e espaço de coworking, é, na minha opinião, um espaço com muito potencial. Por esse motivo é que é algo que pode ser equacionado na hora de tomar decisões sobre futuros negócios na região de Sicó.
Para o pessoal que anda a pensar mudar de ares, a região de Sicó está à vossa espera. Especialmente para projectos ligados à criatividade, mas não só, Alvaiázere é uma boa opção, portanto qualquer dúvida é facilmente esclarecida por quem de direito, caso da já existente incubadora de empresas, situada num edifício de forma provisória, ou da Câmara Municipal de Alvaiázere. 
E se houver por aí um ou dois investidores sérios, informo que sou todo ouvidos, pois nunca se sabe se pode surgir algo de uma sinergia...


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"Chão de Couce está de luto": crónica de um atentado à identidade local


Fonte: António Simões

Já sabia há uns meses que iriam começar as obras de requalificação daquele largo, já que há que mostrar obra feita para as eleições, contudo, e para não variar, o escrutínio público ficou por fazer. É essa a (i)lógica da política da treta em Ansião e não só, faz-se para "ingês ver" e deixa-se o mais importante, e que não se vê, para segundo plano. O que não esperava é que fizessem o que todos podem ver na fotografia acima e no vídeo. Talvez por isso este projecto tenha estado longe dos holofotes da opinião e debate público, tal como Ansião nos tem habituado ao longo dos mandatos de Fernando Marques e Rui Rocha.
Uma enorme árvore centenária (freixo) e elemento identitário de Chão de Couce, Ansião, foi destruída e, como um local disse, "Chão de Couce está de luto". A desculpa foi a do costume, está em risco, temos de pensar nas pessoas e o blá blá blá do costume. O curioso é o suposto perigo só começou a existir quando se começou a obra... Querem mesmo que eu acredite que havia perigo?! Acredito nisso  e já agora também no pai natal..
Esta árvore não estava doente, é um facto. Se não tinha problemas? Sim, tinha alguns, mas nada que obrigasse ao seu abate. Quando se trata mal uma árvore, ela fica com mazelas. Nunca houve uma cultura de espaços verdes em Ansião (excluo daqui relvados...), daí esta falta de atenção para com o arvoredo. Falei com um amigo botânico e a resposta foi a mesma, a árvore não tinha problemas de monta, portanto não se justificava tal abate.
O fundamentalismo político, que vê estas árvores como um estorvo não é novo, pois infelizmente é o pão nosso de cada dia. Ansião não é mais evoluído do que outros, é igual ou pior, tal como fica à vista. Trata-se de um monumental atestado de incompetência de várias entidades públicas.
Enquanto cidadão e ansianense fico repugnado com mais esta acção fundamentalista, que atenta contra o património e contra a identidade local, tal como os emotivos relatos feitos nas redes sociais têm demonstrado.

Já agora, especialmente para aquelas pessoas que diziam que o freixo estava seco e doente:



Mas vamos agora às justificações da Câmara Municipal de Ansião, referidas num comunicado:

"ESCLARECIMENTO
Tendo em consideração a sensibilidade suscitada pela intervenção no adro da igreja de Chão de Couce, prevista para o presente mandato autárquico, prestamos os seguintes esclarecimentos:

• A árvore (freixo) em causa, que não possuía qualquer classificação patrimonial ou protecção particular, constituía já perigo para a circulação naquela zona e, sobretudo, as suas raízes estavam a interferir com a rede de saneamento naquela área, o que levaria a curto prazo ao mesmo desfecho;

• Do projecto de requalificação do adro da igreja de Chão de Couce foi, em devido tempo, dado conhecimento à Junta de Freguesia de Chão de Couce, tendo merecido a sua aprovação;

• Para a intervenção neste espaço, que embora seja de uso público é propriedade da Diocese de Coimbra, foi obtida autorização e aprovação, através da sua Comissão Diocesana de Arte Sacra, constituída por técnicos credenciados;

• Está prevista a replantação, nos casos em que tal seja possível, das árvores existentes no adro da igreja de Chão de Couce, bem como a plantação de novas árvores de porte considerável, minorando o impacto visual da intervenção;

• Esta intervenção pretende devolver espaço às pessoas e à sua mobilidade, limitando o acesso a automóveis ao interior do adro e reforçando a centralidade da Sede de Freguesia, acrescentando-lhe modernidade e urbanidade, salvaguardando todas as vertentes da riqueza patrimonial e paisagística do espaço em causa.

Tendo plena consciência da referência que o actual figurino do adro representa, acreditamos que a intervenção agora iniciada marcará o futuro do centro de Chão de Couce."

Começando pelo primeiro ponto:

- Desde quando é que o facto de não ter classificação patrimonial ou protecção particular é desculpa para justificar o abate de uma árvore? Gostaria de saber quantas foram as árvores centenárias que a Câmara Municipal de Ansião classificou ou protegeu nas últimas duas décadas, nos mandatos de Fernando Marques e de Rui Rocha. Já agora, porque não é referido neste comunicado que a árvore em causa (freixo) era um marco identitário de Chão de Couce? Não convém ou é incómodo?
- Perigo para a circulação? Porquê? É falso que fosse um perigo para a circulação, trata-se apenas de uma desculpa fácil e esfarrapada, a qual se espera que o pessoal pouco esclarecido acredite cegamente.
- Expliquem-me lá como é que uma árvore centenária pode ter uma taxa de crescimento que dite que "a curto prazo" leve a que seja o que for? Será que, mesmo que fosse essa a situação, uma árvore que era um marco identitário não justificaria uma acção que prevenisse isto mesmo? Mais parece uma desculpa tipo do zé da esquina.
- Se o projecto foi do conhecimento da Junta de Freguesia, porque não foi do pleno conhecimento público, dado o interesse público do projecto? A opinião dos locais não interessa? Democracia participativa, já alguém ouviu falar? Ou será que o povo não é competente para participar na elaboração destes projectos?
- Então se o espaço é de uso público, mas propriedade da Diocese de Coimbra, porque é que a obra é feita com fundos públicos? Importa colocar dinheiro público, mas não interessa o interesse público e a opinião das pessoas? A igreja fica igualmente mal na fotografia.
- Técnicos credenciados da igreja? E os técnicos credenciados fora da esfera da igreja e da política? Já agora, técnicos com credenciação em quê? Assassinar uma árvore destas é pecado caros religiosos!
- Replantação? E a identidade local, que foi posta em causa com o abate injustificado da árvore? Quando se abate uma árvore centenária, é um bocado absurdo e populista falar em replantar, já que nenhum de nós cá estará para ver essas próximas árvores centenárias. Desculpas esfarrapadas...
- Plantação de árvores de porte considerável? O que é "porte considerável"?
- Devolver espaço às pessoas através do abate de uma árvore centenária e objecto identitário? E é necessário sequer fazer obras para limitar o acesso dos carros? Cancelas, conhecem?! Muita demagogia e populismo à mistura. Essa "necessidade" de fazer obras para justificar votos é patética e bem ilustrativa da (i)lógica que move esta classe política sem classe alguma. 
- Modernidade e urbanidade? Modernidade não implica romper com o passado e destruir objectos que fazem parte da identidade local! Urbanidade? Já existia, com identidade, pois não era uma "identidade" fabricada à vontade de duas ou três pessoas! Já agora, sabem realmente o que representa a urbanidade?
Salvaguardando todas as vertentes da riqueza patrimonial e paisagística? Bom sentido de humor, mas infelizmente estamos a falar de coisas sérias e não em discursos de conveniência. É ridículo e absurdo surgir neste contexto, e como argumento, a salvaguarda de todas as vertentes da riqueza patrimonial.
- Modernidade e urbanidade ou estorvo ao arquitecto que elaborou o projecto? Modernidade e urbanidade não é um projecto tipo chapa 5, tal como aconteceu na Vila de Ansião, semelhante a um qualquer por esse país fora.
A plena consciência só existe quando se avalia todas as variáveis em jogo. Claramente aqui não há consciência do que está em jogo, algo que lamento profundamente. 

Tenho lido bastantes comentários de profundo desagrado sobre este estúpido abate de uma árvore de enorme importância e valor patrimonial, material e imaterial, que atravessou várias gerações durante dois ou três séculos, e confesso que há alguns que me impressionam, dada a sua evidente comoção pela perda de identidade e de memórias insubstituíveis.
O que vale é que este ano é ano de eleições autárquicas, portanto lembremo-nos deste atentado à identidade local na hora de votar... E já agora, lembrem-se também que a igreja deu o seu aval a este atentado à identidade local, portanto, e a na hora da esmola, lembrem-se disto mesmo!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

As belas e seculares capelas da região de Sicó


É o antes (2011) e o depois (2012) das obras da Capela de Senhora do Pranto, situada na freguesia de Pousaflores, bem pertinho da Serra da Portela. Já por algumas vezes esta capela do século XVII foi sendo reconstruída ou reparada e felizmente que se tem mantido ao longo de séculos.
É uma das várias belas capelas datadas dos séculos XVII ou XVIII da região de Sicó, todas elas representando uma fatia representativa do belo do património religioso desta bela região. Só quem conhece bem a região de Sicó e o seu património consegue dar conta delas todas e, mesmo assim, nem todos, pois há sempre mais um tesouro que não se conhece, tal como me foi acontecendo ao longo de muitos anos. Esta é já uma velha conhecida, contudo houve outras que apenas descobri na última década, fruto do convívio com pessoal ligado ao património, que sabe e partilha q.b., tal como eu o faço, já que assim todos ficamos a ganhar e Sicó agradece.
Fica o convite à descoberta desta e de outras belas capelas da região de Sicó. Contudo, e se vierem com más intenções, lembrem-se que o pessoal tem a espingarda atrás da porta...


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Começar o ano às claras e com bons actores...


Educação ambiental. Este é aquele que actualmente considero o maior desafio civilizacional, já que só educando se conseguem resultados, também ao nível da temática ambiental e da cidadania. Só poderemos ajudar a proteger aquilo que conhecemos e só poderemos gostar daquilo que conhecemos, é mais ou menos assim que diz um dos dizeres que frequentemente vemos nas redes sociais, aplicado à temática ambiental. É esta linha que tenho seguido activamente nas últimas duas décadas, em crescendo, também com reflexos neste blogue.
Educação ambiental na região de Sicó é uma área onde muito há por fazer. A Escola da Água, situada na Arrifana (Condeixa) é um pólo de educação ambiental que, desde o seu recente início, tem vindo a trilhar um caminho fundamental, o de bem educar miúdos e graúdos. Eis então mais uma actividade promovida neste importante pólo de conhecimento, a qual importa divulgar, dado o seu mérito.
E não, os morcegos não são bichos feios, isso é um mero estereótipo cultivado precocemente nas nossas mentalidades. Quem conhece bem os morcegos sabe não só que são belos, como são muito importantes para os ecossistemas. E quem não conhece? Simples, comecem por visitar esta exposição. Fica a sugestão...

Mas não é tudo!
Destaco também a celebração dos 20 anos do Teatro Olimpo, na qual cada um de vocês poderá participar sem gastar um tostão. Portanto não há a desculpa do "não tenho dinheiro". E caso não possam num dos dias, têm outros 3 à escolha. A cultura é para celebrar e ir ao teatro é uma das muitas formas de a celebrar. O Teatro Olimpo tem enriquecido a agenda cultural de Ansião e da própria região de Sicó nos últimos 20 anos, portanto há que apoiar quem dignifica a região e a arte que é o teatro e os artistas que são os seus actores.


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Pensar o futuro de Sicó: reflectir sobre 2016 para melhor preparar 2017


Estamos a poucos dias de finalizar mais um ano civil e iniciar um novo ano. É, portanto, a altura ideal para reflectir sobre o passado recente e idealizar o futuro próximo.
Ontem deparei-me com o que podem ver na fotografia e que ilustra este comentário. Parei logo e fui buscar a máquina fotográfica ao banco de trás do carro. É um daqueles momentos que merece ficar registado para a posterioridade, mesmo apesar do facto de ser um momento comum para quem por ali passa todos os dias quando o sol se mostra no seu esplendor. É uma imagem de contrastes, a bela da árvore e a bela da casa antiga e abandonada. Resumindo, é uma imagem de contraste, ideal para ajudar a reflectir um pouco sobre Sicó e sobre o seu património e a sua cultura.
Sobre 2016, foi mais um ano de activismo em prol do património de Sicó. Foi mais um ano de trabalho em prol desta extraordinária região e mais um ano de apoio a quem me pediu ajuda para resolver algumas situações mais gravosas. Dei continuidade à minha luta contra os interesses instalados, aqueles que pensam que querem, podem e mandam. Mas não ficam impunes... Estes mesmos interesses continuam a pensar que não há quem seja mais esperto do que eles, contudo afinal têm aprendido que há quem lhes faça frente, sem receio algum. 
O património da região de Sicó continua a ser delapidado pela acção destes mesmos interesses e pela acção de gente que pensa apenas em si própria, desrespeitando a lei e o património de Sicó. Contudo as coisas têm mudado para melhor. Pouco a pouco, e graças ao trabalho de muitas pessoas, de muitas associações e afins, o património continua a ter muitos defensores, não daqueles que dizem que são, mas daqueles que são consequentes com o que afirmam e defendem. A todos esses, o meu muito obrigado!
Mas vamos a 2017. Vai ser um ano particularmente interessante para o património de Sicó. O facto de ser um ano eleições autárquicas representa por si mesmo um pormenor diferenciador, já que é aqui que se traçam boa parte das estratégias relativas ao património de Sicó, através dos respectivos programas eleitorais. Por isso será determinante envolverem-se nas autárquicas, seja em que partido político for ou em candidaturas independentes, ou seja simplesmente por votarem no dia das eleições. Contudo há outro pormenor importante, ou seja exigirem que o património seja protegido e valorizado. Chega da (i)lógica de exigirem apenas que alcatroem a vossa rua ou que coloquem uma manilha, tudo a troco de duas canetas de um qualquer partido, de um outro qualquer brinde, pois não é esse o caminho. Exijam o melhor dos candidatos, exijam que eles sejam consequentes com o que vão apregoar, já que palavras vãs e de ocasião valem zero.
Resumindo, para sermos uma região com futuro temos de ser exigentes connosco próprios, facto esquecido por muitos de nós. Só assim poderemos aspirar a algo melhor!