terça-feira, 27 de setembro de 2016

Reabilitar um edifício histórico e dar-lhe alma, é isto que Sicó necessita!


 

A reabilitação urbana é um dos temas que, de forma regular, costumo abordar aqui no azinheiragate. A gastronomia é um tema igualmente abordado, contudo hoje venho associar dois temas num só. O ponto de partida é a reabilitação urbana, mais precisamente um exemplo do que de bom se pode fazer na região de Sicó. Segue-se a associação ao primeiro tema, incluindo eu agora uma primeira achega a uma rubrica que vou denominar simplesmente como roteiro gastronómico da região de Sicó, onde irei destacar o que de melhor temos nesta região, ou seja restaurantes, tascas ou afins, que se afigurem como embaixadores da região de Sicó. São espaços que irei recomendar a quem nos visita, pois os visitantes merecem o que de melhor a região tem para oferecer.
Esta rubrica já estava idealizada, contudo sem data para iniciar. Este último fim-de-semana tive a sorte de me convidarem para um almoço de gente amiga e o convite foi mesmo no espaço que podem encontrar no edifício das fotografias.
Mas em primeiro lugar, o edifício em causa, situado na Vila de Ansião, é um local histórico, o qual foi recuperado há poucos meses, com a ajuda de fundos comunitários. Além da recuperação, que manteve a traça original, o edifício ganhou um restaurante e bar que, diga-se, me surpreendeu muito positivamente. Quem esteve comigo ficou igualmente surpreendido, independentemente de ser ou não de Ansião, pois as opiniões foram unânimes.
A componente da reabilitação exterior já a tinha observado, contudo nunca tinha tido a oportunidade de entrar naquele espaço, facto agora consumado.
Fiquei apenas desiludido com o facto de, sendo este um edifício com história e intimamente ligado à temática patrimonial, no seu interior se utilizem textos de acordo com o (des)acordo ortográfico, algo que mexe bastante comigo, e com a maioria dos portugueses, dado o valor identitário da língua portuguesa e a perversão cultural que "acordo" ortográfico representa.
Prosseguindo, gostei bastante do interior do espaço e do respeito pela traça do edifício. Tem algumas fotografias e textos que mostram e descrevem estes aspectos e que são uma curiosidade que importa referir. A disposição do espaço é bastante apelativa e digna de um espaço histórico. A ementa é representativa do que de melhor a gastronomia de Sicó tem e os preços são ajustados. Gostei de sobremaneira da alusão ao património da região de Sicó, com as referências, no primeiro andar, a Penela, Pombal, Condeixa, Soure, Alvaiázere, Ansião. Este espaço dignifica a região de Sicó e o seu património.
Resumindo, este é um dos espaços que irei recomendar vivamente a quem visita a região de Sicó e mais especificamente Ansião.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Livre trânsito para a porcalhice: na senda do inaceitável


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Num país avançado, daqueles que tanto fazemos questão de gabar quando queremos fazer comparações, os atentados ambientais com o apoio de entidades públicas várias são mais difíceis de ocorrer, mas afinal estamos em Portugal, uma bela república das bananas, onde tudo se pode fazer, onde há quem, à revelia das mais elementares regras, defenda gente velha amiga da política, seja a que custo for, mesmo que quem fique a perder seja o interesse público e a saúde pública. Para que as asneiras ambientais e uma quase total impunidade sejam possíveis basta ter dinheiro e/ou estar ligado directa ou indirectamente aos círculos de poder "político"/económico. Neste país chega-se ao cúmulo de olhar de lado quem denuncia e aplaudir quem polui, pois o dinheiro fala mais alto.
Reflexões à parte, e indo directamente à questão, volto a abordar uma situação que considero escandalosa, já previamente denunciada e explanada. Alguns meses após a denúncia, a qual fez muitas pessoas perder medo de falar (embora haja muitas outras que continuem com receio de falar...), eis que a impunidade continua à vista. O esgoto continua a prendar quem por ali passa com o mau cheiro e com uma água com propriedades... pouco amigas da saúde humana. E, há que sublinhar, este esgoto, ilegal, e construído pela própria autarquia, a pedido da entidade responsável pela produção daquela água com propriedades... especiais, tem tido basicamente livre trânsito para poluir, algo que me choca profundamente enquanto cidadão e geógrafo. Porque será que o mais simples e humilde cidadão tem de ter uma fossa séptica e, quando cheia, tem de mandar vir o tractor para despejar no local indicado (ETAR) e uma entidade pública ou privada não o tem de fazer? Porque será que, além de se manter um sistema caduco, se construiu um esgoto para drenar livremente para um sumidouro (ex.), a partir do qual a poluição se vai espalhar em poucos dias por um raio de alguns km a dezenas de km? Dois pesos e duas medidas? E o ordenamento do território, é algum enfeite para inglês ver?!
Estas fotos e os vídeos foram registados há poucos dias, já que este local está a ser monitorizado por várias pessoas desde há largos meses. E vigiado também... Acho uma graçola ir aquele local e logo depois aparecer o "fiscal".
Peço especialmente a todo/as o/as aquele/as que vivem no Alvorge denunciem esta situação e façam pressão, de forma a que a situação seja resolvida. Vão ao local, tirem fotos, façam vídeos e partilhem nas redes sociais, sem medo nem receios. Porque é que o deverão fazer? Simples, porque terceiros estão a poluir os (vossos) recursos aquíferos, precisamente aqueles que tanto precisamos. As vossas reservas de água, recurso estratégico para as próximas décadas, estão a ser comprometidas com o vosso consentimento, através da vossa passividade. A água é um recurso crucial! O que consideram mais importante, defender quem polui ou defender a vossa saúde e a saúde de milhares de pessoas? Não se trata de saber se existe poluição, mas sim saber a real magnitude da mesma. Sim, porque é isso e apenas isso que está em causa. Agora peço-vos o favor de partilharem este comentário, pois isso pode fazer muita diferença e levar a bom porto esta questão.
Esta é uma novela que já teve episódios muito caricatos, com muita polémica, incoerência, contra-informação e que inevitavelmente terá continuidade. Sim, já que há quem diga que esta é uma não questão e que está tudo nos conformes. Muito pelo contrário meus caros, muito pelo contrário...





domingo, 18 de setembro de 2016

Na teoria a ideia é boa, resta aguardar para ver os resultados...



Foi com muito agrado que soube desta inovadora iniciativa da Câmara Municipal de Pombal, ainda mais porque têm faltado medidas concretas para solucionar boa parte dos problemas associados à falta de ordenamento e gestão florestal, bem como do próprio ordenamento do território. Isto aplica-se também à região de Sicó, onde o impacto das associações florestais e das ZIF´s tem deixado muito a desejar. Fazendo uma análise objectiva entre o que poderia ter sido feito por estas e o que, na prática, foi feito, há que assumir que falhou muita coisa e que ficou muito por fazer.
Na teoria, esta oferta pública de aquisição florestal tem um bom potencial, restando saber se, na prática, o vai concretizar. Gosto do facto de se sublinhar a importância das espécies autóctones e das galerias ripículas, já que são preponderantes para o ordenamento e gestão da floresta, bem como na temática dos serviços dos ecossistemas.
Há um ponto que me parece muito problemático, no sentido de que, e para a região de Sicó, parte significativa dos terrenos tem menos de 1 hectare, o que impede a entrada destes terrenos nesta OPA. E não, o minifúndio não é um obstáculo, mas sim uma virtude que tem salvo muitos redutos de males maiores (ex. eucaliptização...). Antes de mais importa ultrapassar de uma vez por todas esta questão, criando uma forma de não restringir esta OPA a terrenos com menos de 1 hectar. Gostaria de saber se foi efectuada uma análise SWOT para antecipar esta e outras questões.
Interessa saber também se esta OPA vai ter em conta a sociedade civil, já que considero que esta deve ser parte do processo e não ser alguém à parte. Lembremo-nos da acção de associações várias que podem ajudar aos processos decorrentes desta OPA, caso de associações ambientais. Ou então universidades, institutos politécnicos e afins. Poderia ser importante envolver por exemplo a Escola Agrária de Coimbra, as classes dos engenheiros florestais, sapadores florestais, guardas florestais e vigilantes da Natureza. Não faço ideia se isto está previsto, pois a informação disponibilizada não permite saber isso mesmo.
Outro aspecto que seria importante esclarecer é se esta OPA não se sobrepõe, em alguns aspectos, à Bolsa Nacional de Terras. Parece-me que poderia ser uma boa opção, ter em conta a bolsa de terras em termos complementares, já que alguns pontos estão evidentemente em sobreposição. 
Finalizando, espero que esta OPA acrescente algo mais, enriquecendo a biodiversidade da região de Sicó (e não só) e diminua a área de monocultura do eucalipto, pois este último é um adversário que costuma fazer jogadas sujas para conseguir plantar mais e mais...

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Quem não participa não conta...



É um dos vários processos com o qual me envolvi activamente, seja na divulgação do mesmo, seja na apresentação de propostas concretas e objectivas. Falo obviamente do Orçamento Participativo de Ansião, o qual tem neste momento 8 projectos a votação (Votem!!). Apresentei 4 propostas (turismo; mobilidade sustentável; literacia ambiental; espécies invasoras) e só não apresentei mais umas quantas porque o prazo final de envio de propostas coincidia com o envio da candidatura a um projecto profissional, o que condicionou o esboçar de outras ideias. Mesmo assim fiquei de consciência tranquila, pois fiz o meu papel de cidadão activo e interventivo. Uma das propostas foi aprovada para votação e uma das que não foi aprovada dará frutos a breve prazo (darei notícias logo que se confirme). Quanto às outras ideias que não foram aprovadas, valeu a pena, pois sensibilizaram quem de direito e isso é importante.
Vejo os orçamentos participativos como uma excelente oportunidade para transformar a nossa terra para melhor. Para mim é mais importante apresentar uma série de micro-projectos do que apresentar apenas um. Há projectos que podem e devem ser desenvolvidos prioritariamente fora dos orçamentos participativos, sob o risco de cativarem toda a verba afecta aos orçamentos participativos e de alguma forma desvirtuarem a filosofia dos orçamentos participativos. Obviamente que podem haver excepções.
A melhoria da nossa terra passa pela cidadania plena, pela apresentação de propostas devidamente pensadas numa óptica de melhoria a vários níveis. Sendo algo de novo, obviamente que tem arestas a limar, mas o caminho faz-se caminhando. A participação pública é algo de preponderante nos dias de hoje e o orçamento participativo é mais uma boa ferramenta para concretizar isso mesmo.
Fiquei muito desapontado na medida em que considero inconcebível um tão reduzido número de propostas aprovadas, fruto do défice de propostas apresentadas pelos munícipes. É muito pouco e lamento que tanta gente que gosta muito de falar não dê seguimento às suas ideias nos orçamentos participativos (muita goela e nada mais...). Há que ser consequente pessoal! Ansião (e não só...) tem um grave défice de participação cívica e isso traduziu-se nas poucas propostas enviadas à Câmara Municipal de Ansião, ou seja foram enviadas apenas 16 propostas, o que é manifestamente insuficiente.
A divulgação do Orçamento Participativo não foi a melhor, mas mesmo assim dou nota positiva. Houve info-excluídos e isso deverá ser revisto na próxima edição do Orçamento Participativo de Ansião. Importa correr todo o concelho e chegar a todos, pois do mais simples e humilde cidadão, mesmo iletrado, pode surgir algo de muito bom para todos. 
Sobre as propostas, fiquei satisfeito com as mesmas, umas mais razoáveis e racionais, outras nem por isso. Uma delas mereceu a minha total atenção, já que vai na linha de um projecto que ando a pensar há vários anos, e que considero que pode ser algo de muito bom e transformador para o concelho de Ansião. Mas vou ser imparcial e não irei comentar publicamente os projectos apresentados nesta fase de votação.
Findado o comentário termino com um apelo à votação!

sábado, 10 de setembro de 2016

No Outono, no Inverno, na Primavera e no Verão, é só escolher!


É muito raro ter eventos deste tipo na região de Sicó, daí ser ainda mais importante divulgar este evento, o qual recomendo vivamente. Um dos problemas da região de Sicó é o facto dos seus residentes desconhecerem parte importante do seu território, sendo a geologia e a geomorfologia apenas dois de vários aspectos que importa divulgar. 
Apenas uma nota de desacordo, ou seja o facto de que deveria ler-se "a geologia sedimentar da região de Penela" em vez de "a geologia sedimentar de Penela". Em termos pedagógicos seria o mais correcto. No que concerne à geologia, os limites administrativos não se aplicam, devendo as entidades públicas ter algum cuidado na linguagem do tipo capelinha. O marketing territorial deve ser devidamente pensado.
Os meus sinceros parabéns às entidades por detrás deste notável evento!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Na teoria a escolha é óbvia. E na prática, será?!


Não, não vou falar daquelas conversas que andamos a ter, ano após ano, a cada Verão, há mais de 3 décadas, pois já chateia de tanta treta, de tanto especialista do sofá e de tanto teórico, daqueles que sabem apenas a teoria mas que lhe falta a prática para sustentar devidamente as suas posições técnicas e científicas. Chega-se ao extremo de ver um instituto de investigação de fogos florestais afirmar taxativamente que, e passo a citar "a dimensão dos fogos em Portugal depende, entre outros factores, da continuidade do espaço florestal, mas não depende da espécie ou mistura de espécies constituintes". Hoje é fácil mandar uma série de variáveis, sem distinguir variáveis dependentes de variáveis independentes, para um qualquer SIG e interpretar cegamente o que dali sair. Basta clicar no rato e venha daí...
Não vou falar do espectáculo que as televisões nos proporcionam, com aquelas labaredas enormes. E dos maluquinhos do costume, não? Não! Já nem preciso falar da maçada que é abordar o cancro do eucalipto e de todos aqueles que de forma activa ou de forma passiva o defendem. Escusado será também falar do papel dos sucessivos governos nesta festa pirómana e do sucessivo sacudir a água do capote. Hoje mesmo ri-me à fartazana quando li que o actual governo considera incomportável a contratação de 200 vigilantes da Natureza (supostamente 4 milhões por ano) mas que ao mesmo tempo considera natural um gasto anual de 100 milhões no combate aos incêndios. É apenas um episódio de uma interminável novela patética... Ordenamento do território? O que é isso?!
E também não vou falar da confusão de alguns bombeiros, que confundem o inequívoco mérito de ali estar, sob o risco iminente de vida (recorrente...) a defender pessoas, bens, a floresta e a monocultura do eucalipto, com a competência (ou falta dela) para defender tudo isto. Sou imparcial e não tenho temas tabú.
Não, não vou falar disto tudo e de muito mais, vou sim falar da vossa culpa no cartório. Sim, tu, tu e tu, pois a culpa disto começa em cada um de nós. Começa em primeiro lugar num povo que se consegue mobilizar por uma selecção de futebol, mas que não se consegue mobilizar para acabar com um dos piores problemas estruturais que Portugal tem tido nas últimas décadas, uma guerra que nos consome a alma e o coração. 
Há uns meses li algo de brilhante, que quero aqui partilhar com todos. Num artigo com o título de "Da impossibilidade do empreendorismo nacional: uma viagem por algumas tradições culturais portuguesas", na Revista XXI Ter Opinião (nº 2 - 2013), Paulo Guinote escreveu o seguinte:
"Assim acabamos confortáveis por sabermos fazer o diagnóstico com rigor e ficarmos de bem com a doença. Mas não nos curamos."
Quando li esta frase pensei para comigo que era isto mesmo, sem tirar nem pôr. Sabemos qual é o problema, sabemos como resolvê-lo, mas ficamos por aqui. Porque não o resolvemos? Parece que é uma questão cultural. Depois pensei que iria precisar de uma fotografia para ilustrar o comentário. Não queria uma fotografia com chamas, pois isso além de parvo é um cliché. Queria algo que vos fizesse reflectir e para isso escolhi esta fotografia nua e crua. Podem pensar que a escolha é óbvia. Escolher o verde, neste caso o carvalho, é, na teoria, a escolha da esmagadora maioria daqueles que estão a ler este comentário. Mas vejamos, o que é que cada um de vós faz para materializar esta escolha? Isso mesmo, na prática nada, daí a nossa inacção, enquanto povo, resultar no que está na palma da luva da vossa esquerda, simplesmente cinzas, vazio, morte e destruição pura e dura...
Resta saber o que queremos para o nosso futuro. Resta saber o que vocês estão na disposição de fazer para acabar com esta guerra, se querem ou não ser consequentes. A dica está dada e espero a vossa resposta...

Finalizo com um agradecimento ao Mário Almeida pelo envio da fotografia, tal como pedido.