terça-feira, 12 de novembro de 2019

Chegou o dia!


Já há muito tempo que dizia para mim que este dia haveria de chegar. Ontem fui espreitar o registo e, já passados uns meses, eis que chegou a boa notícia. A Montante é finalmente uma marca registada!
É o início formal, embora ainda prudente, de um projecto que há muito faltava lançar a primeira pedra. Para isso criei uma marca, a Montante. Com ela irei fazer aquilo que mais gosto e para o qual tanto investi em termos pessoais e profissionais nos últimos anos. Os próximos meses não serão fáceis e serão de planeamento, enquanto não surgem projectos. Contudo, e muito brevemente, irei apresentar projectos a algumas entidades da região, e não só, e estarei naturalmente receptivo a quem me queira apresentar ideias ou projectos concretos de pessoas, entidades ou empresas, para, em conjunto, desenvolvermos. As parcerias são, para mim, fundamentais. 
Nem todas as actividades terão como objectivo o lucro pessoal, mas sim um objectivo maior, a mobilização e a capacitação dos cidadãos e entidades na defesa do património, com tudo o que de positivo isso pode representar a nível ambiental, cultural e/ou económico. A educação ambiental também irá entrar na equação, tal como já acontece há muitos anos, claro que, agora, de uma forma mais completa.
A primeira actividade irá ocorrer daqui a poucos dias, ou seja o I Congresso da Bolota de Sicó, através de uma parceria com a Câmara Municipal de Ansião. Nada mais me alegra do que começar deste modo esta aventura, com quem acredita nas minhas capacidades e competências e no território que fez de mim quem sou, Ansião. Que alegria!

domingo, 27 de outubro de 2019

O que fez a diferença este ano? O S. Pedro!


A regra é não utilizar imagens que envolvam chamas, mas apenas a destruição causada pelas mesmas, contudo abro a desejável excepção, já em pleno Outono, e prestes a acabar o dispositivo especial de combate a incêndios rurais (DECIR 2019). Antes que façam a pergunta, eu dou a resposta, ou seja que a fotografia em causa não é de pose, mas sim uma fotografia tirada por terceiros em modo furtivo num incêndio nocturno, daqueles que alguns ignorantes na matéria dizem que não acontecem (interesses em que arda...).
Indo directamente à questão, este ano foi dos menos maus em termos de incêndios florestais, nomeadamente no que concerne a prejuízos e área ardida. Sensivelmente a cada década há um ano menos mau e isto acontece simplesmente porque o S. Pedro ajuda bastante. Não são medidas de cosmética entretanto tomadas que contribuem para um ano como este. Em termos práticos nada mudou e isso é habitual (e parece que a maioria dos portugueses se conformam na prática, com isso...). A cada ano que passa a conversa é sempre a mesma e nunca se é consequente. Quais são as causas? Muitas, já que a equação é complexa. Muitos maus políticos, poucos bons políticos, muitos interesses em jogo, nomeadamente as celuloses, que gostam de publicitar as boas práticas (que existem, mas apenas nos minoritários terrenos em que são proprietárias) e omitir as más práticas e externalidades negativas nos  terrenos maioritariamente privados, mas que alimentam as celuloses (paga o contribuinte e não bufa...). Muita irresponsabilidade de muito cidadão que, de forma activa ou passiva, contribui para o cenário actual. Muito pouco ordenamento do território (o cerne da questão!), pouco ordenamento florestal, etc, etc, etc...
E depois algo que me preocupa cada vez mais, ou seja uma agenda que indicia querer desmantelar uma estrutura voluntária, secular, que tem sido o garante da salvaguarda dos bens alheios, nomeadamente floresta. Graças a esta agenda oculta, guiada por certos interesses económicos e alguns interesses académicos, estes têm tentado impor uma estrutura paralela, também profissional e imensamente cara (bom para eles ganharem uns valentes trocos, através de estudos, assessorias e afins...), algo de curioso, já que se se investisse a sério numa estrutura profissional já existente nos corpos de bombeiros voluntários (e sapadores florestais), o problema ficava mitigado com a mesma ou melhor eficácia e a um custo muito inferior. Conheço algumas destas pessoas sem escrúpulos, guiadas pelo preconceito ideológico, que insistem em mitos urbanos e realidades ocorridas há 30 anos. E sim, nos corpos de bombeiros voluntários já há uma estrutura profissional, a qual peca apenas por pequena, com poucos direitos e muito mal paga. Em cada corpo de bombeiros, uma determinada percentagem (10 a 20%?) dos elementos é profissional, sabiam?
Claro que como em todas as organizações há problemas, e os bombeiros voluntários, enquanto organização, não são excepção, mas esses problemas nesta entidade resolvem-se, basta haver quem se queira chegar à frente. E há cada vez mais elementos a querer corrigir estes problemas a partir de dentro e a ajudar a evoluir e capacitar mais e melhor esta estrutura (tendo chatices por isso, já que há gente sentada em sofás muito confortáveis...). Não fosse a ignorância e os interesses pessoais, de entre os quais a vaidade, de alguns elementos de comando, as coisas já estariam melhor. Depois não ajuda nada ter alguém que se diz representante dos bombeiros voluntários quando afinal nem sequer é eleito por eles, mas sim por aqueles que estão sentados nos confortáveis sofás...
A melhor altura para falar disto é agora e não no Verão. Lembrem-se que nos próximo Verão há mais "festa" e se não quiserem ser cúmplices, têm não só de mudar (os que ainda insistem em ter comportamentos pirómanos) bem como exigir que as coisas mudem, nomeadamente mais e melhor ordenamento do território (que inclui a floresta e as monoculturas do eucalipto e pinheiro). É assim que conseguiremos mudar o paradigma! Portanto já sabem, no que concerne à silvicultura, têm agora uns meses para salvaguardar os vossos terrenos florestais, fazendo uma gestão racional e responsável dos mesmos.
Confesso que fui ingénuo ao pensar que, depois da tragédia humana de há 2 anos, as coisas mudariam alguma coisa. Nada mudou desde então! Nem mesmo a ignorância e maldade atroz de gente reles, que nunca pegou numa mangueira ou numa enchada para apagar um fogo e viu a tragédia da TV, sentado no sofá e depois de contrariado por quem tem opiniões fundamentadas do ponto de vista teórico e prático surge com frases como "gostava de vos ver defender a vossas teorias em frente aos familiares dos que morreram em Pedrógão". Caso para dizer, burros há muitos!

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Isto não é o "faroeste", sabiam?


Por mais experiência que tenha no ramo de descobrir coisas estranhas, há sempre algo mais para me surpreender. Esta situação passa-se a escassos metros de uma antiga pedreira, situada ao lado do IC8, em Ansião. E é realmente curioso ver como é que alguém faz isto, pensando, quiçá, que ninguém vai reparar...
Há uns meses lembro-me de saber, através das redes sociais, da venda de um terreno que fazia parte da área de exploração da antiga pedreira, onde se situavam edifícios de apoio à mesma. Lembro-me também de um muito estranho negócio que foi a passagem de um troço de uma estrada municipal para a posse de um privado. Tudo num secretismo muito estranho, que passou ao lado do conhecimento público.
A juntar à festa, eis que o novo proprietário eventualmente achou que seria fixe fazer o que se vê na foto, ou seja fazer um desaterro e meter ali uns postes para fazer uma ponte. Isto sem qualquer autorização, facto que torna a coisa grave... No que concerne a linhas de água, não se pode fazer o que se vê na foto, pois há regras a cumprir. Só por si já é algo que me preocupa, mas há algo que me preocupa ainda mais, ou seja a presença de veículos em fim de vida por ali. O que tem de mal? Vejamos, infiltração de óleos para a linha de água e do rio Nabão. É um potencial foco de poluição, e não é de menorizar, pois os óleos são altamente poluentes!
Por esta altura o caso já deverá ter sido alvo de fiscalização, de modo a repor a legalidade e a ordem. Ansião não é o "faroeste" e eu sou muito sensível quer a questões ligadas ao (des)ordenamento do território bem como a questões ligadas à poluição e afins. Agora resta a quem cometeu a ilegalidade colher o que semeou...