quarta-feira, 17 de abril de 2019

"Mais depressa se apanha um incompetente do que um competente", já diz o "ditado"...


Desde miúdo que oiço um ditado que diz que "mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo", mas agora há um outro ditado: "mais depressa se detecta um presidente de junta incompetente do que um presidente de junta competente". Falo, claro, do presidente de junta de freguesia de Alvaiázere, o qual me surpreendeu pela negativa ao cometer duas ilegalidades no exercício de autarca e, depois de "apanhado", em vez de reconhecer o erro, surgiu com  a conversa da treta do costume. Já agora, porque é que o presidente da junta de freguesia de Alvaiázere ainda não foi demitido, como a lei aliás prevê em casos como este?!
Em Fevereiro último denunciei a abertura ilegal de dois estradões em plena Rede Natura 2000 (mais dois entre muitos em Alvaiázere...) por parte da Junta de Freguesia de Alvaiázere. Confirmada a ilegalidade pelas autoridades (recebi hoje mesmo o ofício!), eis que o presidente da junta surgiu com as afirmações (balelas..) que eu antecipava...
Há poucos dias fui ao terreno fazer uma avaliação dos estragos e do real impacto num destes estradões, concretamente na Boca da Mata, um local idílico. Agora, já feita a análise, passo a dissertar sobre esta questão, já de uma forma mais objectiva.
Aproveitei para ler o que se disse na imprensa, nomeadamente de um alegado morador, que não se identificou, mas que quis dar a sua opinião. Disse que a abertura do estradão era uma necessidade por causa do fogo (deve ter querido dizer da caça...). Falso! Existiam ali caminhos que, desde que fossem limpos, resolveriam o problema facilmente. Conheço muito bem o local! Noutros sectores, pequenas intervenções não intrusivas mitigariam a questão sem impactos de monta. Apesar deste mesmo morador ter dito numa primeira fase que ninguém conseguia ali passar (falso!), logo de seguida diz que os donos dos terrenos conseguem passar com mais facilidade... Em que ficamos? E fala dos donos dos terrenos abandonados? As silvas são fáceis de cortar. Depois, sobre os megalapiás, disse que o local continua intacto, facto que, tal como podem ver pelas fotos, não é verdade. Foram destruídos megalapiás e lapiás, que, só por curiosidade, são habitats protegidos... Achei também engraçado este morador dizer que os megalapiás podiam ser melhor preservados com o corte das silvas que os cobrem nalguns sectores. Curioso confundir a mera visualização dos mesmos com preservação, algo que só demonstra o  que afinal sabe de geoconservação...
Mas deixemo-nos de rodeios e vamos ao cerne da questão. Na primeira fotografia podem ver a importância que o presidente da junta de Alvaiázere dá ao património. Um antigo lagar destruído e o desprezo pelo espólio respectivo!
Já as seguintes fotografias dão uma ideia do que se destruiu, desde carvalhos, oliveiras, lapiás, megalapiás, um antigo depósito de água raro, antigos caminhos seculares, abandonados, etc. Já nem falo de eventuais vestígios arqueológicos, presentes naquela área (uns já descobertos e outros por descobrir...). A integridade deste local idílico foi posta em causa. Um recurso fabuloso afectado por incompetência grosseira do presidente da junta de Alvaiázere. Eu teria vergonha na cara e pediria a minha demissão...
Um presidente de junta competente não faria isto. Um presidente de junta competente falaria com a Engenheira Florestal da Câmara, de forma a resolver o problema. Ela falaria com o ICNF e trataria a questão da melhor forma. Seria fácil, pois de facto existiam ali caminhos, os quais, em boa parte, poderiam ser limpos de vegetação (tal como já aconteceu noutro caso) e, noutros locais, bastaria uma intervenção não invasiva para possibilitar o trânsito de tractores ou veículos vários. Mas isso não chegaria para o lóbi da caça, que tem também ali interesses... (estais aí sr ex bigodes?)
Mas afinal a freguesia de Alvaiázere não tem um presidente de junta competente, já que este, à revelia de todas as regras e leis às quais está sujeito, decidiu que o que importava era abrir dois estradões, mesmo que contra a lei e sem prestar contas a ninguém. Estas acções ilegais são passíveis de levar a uma exoneração do respectivo autarca!
Confesso que não esperava isto por parte do presidente da junta de Alvaiázere, seja por o conhecer, seja porque há todo um historial vergonhoso de abertura de estradões em Alvaiázere e Almoster que devia ter servido de lição a todos. E aqueles que aplaudem esta acção ilegal, preparem a carteira, pois vão ser chamados a pagar as respectivas coimas decorrentes de mais estes dois estradões ilegais. Há que tenha orgulho em ser ignorante...
Termino com uma questão ao presidente da junta de Alvaiázere, se eu comprar um terreno na sua freguesia e lhe pedir para me recuperar uma casa antiga, você empresta as máquinas, trabalhadores da junta e ainda cede uns trocos para reabilitar a casa? É que, pela sua lógica, parece que basta pedir para que se faça algo de ilegal, tal como aconteceu com estes dois estradões...











sábado, 13 de abril de 2019

A importância do comércio local na dinamização da economia local e regional


De vez em quando abordo aqui a questão do comércio local, já que é um tema muito importante e a vários níveis. Hoje destaco um estabelecimento comercial, situado em Alvaiázere, que me despertou a atenção há uns tempos. Tendo em conta que há poucos dias voltei a Alvaiázere, eis que fui visitar esta loja, de modo a ver se correspondia à boa impressão que tinha dela.
Antes de mais, tem uma localização excepcional, ou seja na rua principal, situada à frente da Câmara Municipal de Alvaiázere. Situa-se num edifício recuperado há poucos anos e tem uma boa apresentação. Tem os obrigatórios bolos/pastelaria com chícharo e curiosamente tem também pinhão (na última fotografia uns são de chícharo e outros são de pinhão). E não se fica por aqui, tendo mais produtos. 
As pequenas lojas do comércio tradicional são fundamentais para a economia, daí que não sejam de "menosprezar" quanto ao seu potencial empregador e de dinamização da economia. Dali surgem muitas vezes ideias criativas e inovadoras que, no conjunto, significam uma boa notícia para a economia local. E Alvaiázere bem precisa...
Sempre que visitarem aldeias, vilas ou cidades, lembrem-se do comércio local e de proximidade. E não se esqueçam que os preços são por vezes inferiores aos das superfícies comerciais, as quais esmagam a margem de lucro de quem produz... Ao comprarem localmente, no comércio local, estão a tendencialmente apoiar as gentes locais, que produzem, e as economias locais, que assim crescem!



terça-feira, 9 de abril de 2019

Chamada à recepção: venham esses resumos sff!


Ainda faltam uns meses, contudo, e como quem é investigador bem sabe, é preciso preparar os resumos com antecedência. Assim sendo, fica o convite a investigadores das áreas referidas no respectivo site do  congresso, para que pensem em algo de interessante para apresentar. O azinheiragate é visto por muito/s amigo/as do património, esperando eu ver alguns deles neste congresso. A quem não é investigador e, por isso, não vai apresentar nada, fica o convite para que reservem estes dois dias na vossa agenda, de forma a que possam assistir a um congresso daqueles que vale mesmo a pena, onde se aprende e partilha conhecimento e factos sobre o património natural, cultural e afins.
Já agora um desafio às autarquias da região de Sicó, tratem de pensar apresentar o vosso património. Deleguem a tarefa a um dos vossos técnicos, que tenha as competências certas, para apresentar trabalho feito pelas autarquias. O evento em causa ficará concerteza mais enriquecido. É importante motivar mais os bons técnicos que as autarquias ainda vão tendo. Vão ver que o rendimento deles vai aumentar! Fica a dica...

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Plásticos e dias de mercado municipal: urge mudar regulamentos e mentalidades!


Em Setembro último, abordei uma questão, a qual se relacionava com o cenário pós dia ou manhã de mercado municipal. É um cenário que se repete por todos os mercados municipais deste país, sendo que Ansião não é excepção. 
Há umas semanas, e em Ansião, deparei-me com este cenário. Na primeira imagem numa rua ainda de dia e a segunda já de noite, numa outra rua (ao pé do tribunal). Ambas no dia do mercado. Apesar de ambos os locais distarem respectivamente algumas dezenas ou centenas de metros do recinto do mercado municipal, ambos padeciam de um problema, a invasão de plásticos. Como os regulamentos estão, é normal que isto aconteça, contudo as coisas têm de mudar. Urge apertar os critérios, de forma a que não se possa ver um único plástico no chão em dias de mercado! Os feirantes têm de ser sensibilizados numa primeira fase e obrigados a não poluir. É difícil? Sim, é, mas trabalhando a questão em conjunto, ouvindo todas as partes consegue-se resolver, daí eu voltar a esta questão. Imaginem quantos plásticos voam dali, indo para as ruas, para o mato ou mesmo para cursos de água. Ficamos de boca aberta quando vemos imagens relacionadas com a poluição em países ditos de terceiro mundo, contudo quase que achamos normal ver este tipo de cenários nas nossas terras. Somos ou não somos evoluídos? Se calhar não somos tão evoluídos como gostamos de pensar...
Assim sendo, lanço o repto a todas as autarquias e freguesias da região de Sicó onde ocorram os típicos mercados tradicionais (além de todas as outras autarquias e freguesias do país em igual situação), para que este problema seja de uma vez por todas resolvido através de acções concretas e eficazes. Todos ficamos a ganhar e ninguém perde!
Vamos resolver a situação ou vamos continuar a olhar para o lado quando vemos estes plásticos no chão?!


quarta-feira, 27 de março de 2019

Os moinhos estão quase a chegar!


Dia Nacional dos Moinhos e Moinhos Abertos 2019! Está quase a chegar um fim-de-semana épico, onde qualquer um de nós poderá visitar o belo moinho! Na região de Sicó sei apenas que vão haver actividades no Moinho da Serra da Portela, Pousaflores (Ansião) e no Moinho da Pelmá, em Alvaiázere. É de aproveitar para pegarem em vocês e na famelga, bem como amigos, e partirem à aventura, conhecendo estes ou outros moinhos.
Em Dezembro li um comentário do Farpas Pombalinas que me surpreendeu. Tratava-se de um comentário sobre os moinhos das Corujeiras, em Abiúl, Pombal, no qual foi afirmado que os moinhos não tinham recuperação possível, que não tinham interesse económico, turístico, cultural, etc. De facto aqueles moinhos, ou o que resta deles, é passível de ser devidamente reabilitado, criando potencial económico na base do património, o qual tem, de facto, interesse cultural e turístico.
Tenho a felicidade de já ter elaborado um artigo científico sobre os moinhos da região de Sicó, tendo sido aí que aprendi a maioria do que sei sobre moinhos de vento. 

"Forte, J.; Medeiros, S.; Silva, L.; Neves, H.; Medeiros, G.; Alves, P.; Ferreira, C.; Silva, M.; Neves, C.; Mendes, H. (2016) – “Dos moinhos de vento às torres eólicas: contextualização do aproveitamento da energia eólica no âmbito do património natural e cultural na região de Sicó”. Actas do I Congresso de História e Património da Alta Estremadura, 28 a 30 de Outubro de 2011, Ourém"

Por isso mesmo é que sei que os moinhos das Corujeiras têm muito potencial, desde que a coisa seja bem planeada, bem potenciada e bem valorizada. Há já um bom trabalho de base, feito pelo Rui Rua, sobre estes moinhos, que pode fazer toda a diferença na hora de trabalhar num projecto de recuperação dos moinhos em causa. Não se pode renegar este património, portanto, e aliando o útil ao agradável,  porque não recuperar estes moinhos e honrar a nossa memória e identidade? Recuperar aqueles moinhos é trazer vida a Sicó. Poucos são os que sabem do real potencial dos moinhos de vento nesta região. e se formos criativos, aí as coisas podem ter um impacto positivo brutal. Daqui a poucos dias irei falar pessoalmente com um entendido na matéria, de forma a ver se entretanto proponho um projecto para um orçamento participativo...


sexta-feira, 22 de março de 2019

O definhar do comércio local: ronda pelas lojas vazias em Pombal


É um tema complexo que, na prática, passa ao lado de muitas pessoas. Esta imagem representa esse tema, ou seja o comércio tradicional ou de proximidade. Se calhar alguns pensam que não vale a pena debater esta questão, contudo eu considero que é uma das questões mais importantes para debater. Antes de dizerem que eu estou errado façam uma coisa simples, dêem uma volta por exemplo pela cidade de Pombal, olhando para as centenas de espaços como o da foto, vazios e à espera que alguém se lembre de criar um negócio para ali implantar. Depois de uma volta pela cidade, verão que o cenário é um bocado assustador, com  centenas de lojas vazias, à espera de dias melhores.
Não há fórmulas mágicas para resolver este problema, há sim causas que levaram à situação actual. Desconheço se há ou não um estudo sobre esta temática em Pombal, mas caso não exista, era bom que as entidades públicas se lembrassem de fazer um trabalho de fundo, o qual permitisse analisar esta questão com olhos de ver. O comércio tradicional ou de proximidade é fundamental para os espaços urbanos e para a sua economia, que nem sangue nas veias.
Uma das coisas que noto é que falta alguma criatividade por parte das entidades públicas na hora de ajudar à dinamização do comércio local. Há algumas soluções que podem ser postas em prática, mas para isso há que pensar de forma diferente...