domingo, 4 de dezembro de 2016

Atenção que o desastre continua no Inverno...


Infelizmente não pude ajudar ao combate a este incêndio, o qual afectou, entre outros, as Degracias. Infelizmente é uma imagem recorrente na região, onde ano após ano determinadas áreas ficam como podem ver nas fotografias. Também recorrente é o que se vê na segunda fotografia, ou seja placas de caça ardidas rapidamente substituídas. Pena é que os caçadores se preocupem mais com a substituição das placas do que com a recuperação ambiental das áreas ardidas...


Este foi um grande incêndio, o qual calcorreou centenas de hectares do carso de Sicó. Este foi um incêndio que castigou fortemente uma área frágil e, diga-se, já fragilizada a vários níveis, condenando um modo de vida ancestral. Famílias que tinham o olival como sustento, viram tudo transformado em cinzas. As televisões, sedentas de chamas para encher os jornais das 13 ou das 20, faziam fila para filmar o desastre inicial. Contudo, agora que o desastre continua sem chamas, mas com erosão dos solos e dificuldades para toda uma população idosa, a coisa já não é interessante para explorar nos mesmos jornais. E de quem é a culpa? Nossa, pela inacção enquanto povo. Pouco ou nada se trabalha a montante, de forma a evitar grande parte deste cenário, e continua a seguir-se uma linha de despejar dinheiro na prevenção, a qual, diga-se, se resume a muito pouco. A prevenção activa que se fazia há coisa de uma década, é coisa do passado. As carrinhas então utilizadas na prevenção, fazem tudo menos prevenção. As motas, essas desapareceram do mapa.


Os últimos anos têm sido relativamente calmos para alguns dos municípios da região de Sicó, facto que trouxe consigo um relaxamento pouco desejável e, diga-se, contraproducente. No fim da linha estão os bombeiros, os quais são muitas vezes o bode expiatório para muita gente. A maior parte das vezes as críticas são injustas, facto que importa destacar. E poucos são os que têm conhecimento e moral para falar sobre esta temática.
Já agora, aproveitem para se fazer sócios da corporação de bombeiros do vosso concelho, pois é uma boa prenda que podem dar a vós próprios. Isso mesmo, vós próprios.


Nestes dias de frio, aproveitem para ir até estes locais fantasma, pois é a forma mais eficaz para reflectirem sobre este desastre e sobre as respectivas consequências. Lembrem-se que a vossa passividade e inacção contribuem para este cenário. E não, não é uma fatalidade, trata-se sim de um problema tremendamente complexo, com muitas variáveis, mas com solução, tendo a sua génese nas más políticas de ordenamento do território promovidas nas últimas décadas. As próximas décadas não serão melhores, contudo podemos e devemos reverter esta agonia crónica que nos condena e nos tortura a cada Verão que passa. Findado o Verão, tudo se esquece, pelo menos até ao próximo...


domingo, 27 de novembro de 2016

Onde pára o ordenamento florestal da Serra da Portela?


Muitos do que passam pela Serra da Portela, em Pousaflores, e vão ao miradouro situado ao lado do moinho de vento e do parque eólico da Serra da Portela, não se apercebem do problema que ali existe há vários anos, ou seja a falta de ordenamento florestal. Basta dar corda aos pés ou bicicleta para vermos que há ali algo de grave a ocorrer, ou seja a inobservância de algo fundamental como o é o ordenamento florestal. Em Agosto de 2006 houve um incêndio em parte do sector onde está implantado o pinhal, mas parece que o tempo apaga as memórias e o risco de incêndio é grande, tal como podem constatar nas fotografias.  


Em meados da década de 90, alguém teve a ideia parva de rechaçar  esta bela serra com uma máquina. Foi um verdadeiro atentado ambiental que hoje seria impensável (ou não...). Infelizmente não há volta a dar e temos de nos contentar com o que ali está actualmente. Mas infelizmente o actualmente não augura nada de bom, pois a "estratégia" é a pior de todas. Uma grande mancha de pinheiras, que devidamente geridas dariam uns bons tustos com o rendimento que advém da venda das pinhas (e uma enorme mais-valia para a feira do pinhão anual). Ao lado desta, na Serra do Casal Soeiro, da Serra do Mouro e da Serra da Ameixieira, o projecto falhado das 130 000 árvores, boa parte delas não deram em nada, típico de projectos de greenwash. Junte-se a isto o lóbi dos caçadores e temos todos os ingredientes para o desastre.


Convido-vos a todos a dar uma volta da Serra da Portela, de forma a verem pelos próprios olhos o barril de pólvora que ali está e que urge minimizar, através de uma correcta gestão da floresta. Podem deixar o carro no miradouro do Anjo da Guarda ou na Capela do Anjo da Guarda e dar uma volta pelo estradão que dá a volta à Serra da Portela pelo seu topo.


Esta situação deverá ser resolvida rapidamente por um conjunto de entidades, onde se inclui a Junta de Freguesia de Pousaflores, a Câmara Municipal de Ansião, pela Associação Florestal e pelo ICNF (Rede Natura 2000 - Sítio Sicó/Alvaiázere). Os incêndios existem por vários motivos, um deles é a falta de gestão florestal. E os incêndios previnem-se antes do Verão...


E claro, não podia faltar um aspecto típico, a lixeira do costume, infelizmente muito comum por Ansião e arredores... Das 250 lixeiras de detectei em 2010, no Limpar Portugal, a maior parte tinha também restos de construção...


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Pensar global, comprar local


Por estes dias já há quem tenha começado a pensar no que comprar na próxima época festiva, portanto é a altura certa para "abrir as hostilidades". Nesta altura, tal como no resto do ano, urge comprar localmente os produtos ou artesanato. Sicó tem muito por onde escolher, seja a nível gastronómico seja artesanato ou afins, muito há de útil e de qualidade para comprar, ajudando assim a nossa região e a sua economia. A minha sugestão é precisamente essa, privilegiarem o comércio local e os produtos feitos na região. No que concerne ao artesanato, sugiro que comprem objectos úteis e não aqueles para encher prateleiras a ganhar pó. Há muita coisa que alia o artesanal ao prático e útil, portanto é procurar nas lojas e/ou mercados locais. No que concerne à gastronomia, aí a diversidade de produtos locais tem vindo a aumentar e a ter mais visibilidade, portanto é comprar e embrulhar, pois vão ver que vale a pena. Em vez de comprarem algo sem utilidade, made in China, por vezes feito com mão de obra quase escrava, comprem algo com utilidade, feito na região de Sicó e por sicoenses ou por quem cá trabalha. É assim que se dinamiza a economia. Ao comprarem localmente estão a dinamizar a economia de Sicó e a garantir postos de trabalho!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Voltei ao Alvorge e vi a água "límpida" do esgoto a sair para a linha de água...


Por falta de tempo, estive algumas semanas sem ir ao Alvorge, de forma a continuar a monitorização do esgoto (dreno) ilegal, mas na semana passada consegui finalmente lá ir. Na edição da primeira quinzena de Abril, da edição do Jornal Terras de Sicó, a provedora da Santa Casa da Misericórdia do Alvorge, a Srª Maria Luísa Ferreira, afirmava que, e passo a citar, "a água sai límpida para uma linha de água". O autarca Rui Rocha tinha a mesma postura, de negar o que estava e está à vista de todos, muito embora, e após a denúncia, afirmasse na imprensa que era um problema preocupante. O impacto mediático desta situação foi enorme, mas infelizmente, e até agora, de pouco valeu, já que, no essencial, tudo se mantém. Resta portanto continuar a dar visibilidade a esta situação e monitorizar a mesma, já que ao contrário do que a Srª provedora possa pensar, o caso não está fechado, está sim em aberto. E mais não digo... A ilegalidade é para acabar e o esgoto para ser tratado, a bem da saúde pública e da seriedade institucional.
Peço a todos que divulguem esta situação e partilhem nas redes sociais, já que, como eu bem sei, isso pode fazer toda a diferença na hora de resolver situações de todo o tipo. Esta situação é particularmente grave, daí a minha dedicação a este caso.
Finalizando, gostaria de pedir à Srª provedora Maria Luísa Ferreira que nos elucidasse sobre aquela matéria orgânica, pois concerteza ela saberá explicar o porquê do sucedido. Como boa gestora que é, de certeza nos poderá elucidar sobre os elementos poluentes ali presentes e o porquê da situação estar pior. Genericamente eu sei o que é, mas o público pode não saber...



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Não plantem eucaliptos, plantem por exemplo medronheiros!



Há umas semanas, aquando de uma das minhas "saídas de campo", deram-me a conhecer algo de fantástico. Era algo que desconhecia, mesmo sabendo que já tinha passado ali bem perto, contudo era um cantinho desconhecido para mim. Infelizmente antes do fantástico havia algo desprezível, algo só possível porque um animal de um madeireiro decidiu que parte importante do medronhal teria de ir à vida só porque sua excelência tinha de ter um estradão para o seu veículo ir buscar uns pinheiros. Isso abriu um precedente e a área de medronheiros foi diminuindo, pois há quem tenha vindo a ir ali buscar madeira de medronho, abatendo mais uns quantos. Não sei quem foi, mas se soubesse a multa já estaria a caminho...
Deixando as tristezas de lado, eis então que se chega à bela formação de medronheiros, a qual vive num vale com um pequeno caminho pedonal no seu fundo plano. Estar ali e desfrutar daquele momento foi algo de muito especial, ainda mais vendo medronheiros já com uns anitos, coisa que vai rareando pela região de Sicó. Não vou divulgar o local, evitando assim os possíveis vândalos. A experiência já me ensinou que há locais que mais vale não divulgar, preservando-os assim mais uns anos.
E que tal plantarmos mais uns quantos medronheiros pela nossa região? Peçam ajuda, caso tenham um terreno adequado, e plantem uma catrafada deles. Promovam a biodiversidade e, passado poucos anos, começam a ter ali uma fonte de rendimento, através da venda de medronhos. A minha sugestão é mesmo acrescentar mais-valias aos medronhos, transformando-os para, por exemplo, fins culinários ou compotas. Sicó agradece!
Há que começar a reduzir rapidamente a área de eucaliptal e dar vida à paisagem de Sicó. Medronheiros, carvalhos, azinheiras, etc. Há que diminuir o risco de incêndio, pois esse é um aspecto menosprezado também na região de Sicó. Agora mãos à obra!



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Ia para ver uma coisa parva, mas acabei por vez duas coisas parvas...


Infelizmente é um tipo de situação comum pela região de Sicó, mas mesmo assim continuo a ficar parvo com este tipo de situações. Portugal e a região de Sicó têm vários problemas que contribuem para a fragmentação de habitats e da paisagem, empobrecendo desta forma o património desta bela região.
É o caso desta primeira situação, onde se vê um recente muro de blocos de cimento a assinalar os limites de um terreno. Quero, posso e mando, é a típica mentalidade que leva a este tipo de situações. Para ajudar, os regulamentos camarários permitem este tipo de obras de mau gosto. Será que havia necessidade de tal mamarracho para marcar o limite de uma propriedade qualquer? Será que uns postes de madeira com uns arames não ficavam melhor enquadrados? E mesmo esta última hipótese, faz sequer falta? Mas afinal porque é que temos a mania de mandar construir muros desta forma? Absurdo... 


Já nesta segunda situação o caso é algo diferente. Em primeiro lugar há que saber se tem licença (nos próximos dias a fiscalização irá ao terreno), e, em caso afirmativo, há que saber qual é a lógica de construir ao lado de sobreiros centenários? Será que é para mais tarde ter legitimidade para mandar cortar os sobreiros alheios, dizendo que estorvam? Nas Cavadas, Ansião, alguém terá essa resposta.
E aqueles pinheiros pegados ao muro, porque é que secaram de forma repentina?
No final disto há uma conclusão a retirar deste tipo de situações, ou seja a necessidade de apostar seriamente na educação ambiental e cívica, solução de fundo para mitigar este tipo de situações. Há que mudar urgentemente as mentalidades. Gostamos muito de dizer bem daqueles países avançados, mas esquecemo-nos do que os faz países avançados...