terça-feira, 30 de abril de 2013

Geoparque/Parque Natural Serra de Sicó: utupias em debate


Foi neste último fim-de-semana que se realizou a tertúlia a que a brochura acima de refere. Tendo em conta acontecimentos recentes, decidi que o melhor era mesmo dissociar-me deste evento.
Confesso que fiquei algo perplexo há 2 semanas atrás, já que apenas nessa altura soube da realização desta tertúlia, através de terceiros. Isto é estranho, já que em Junho de 2012 uma pessoa da organização falou comigo, dizendo que me iria convidar posteriormente, algo que nunca aconteceu. Note-se que, na altura, dei aconselhamento sobre algumas questões pertinentes, dado o meu conhecimento sobre a temática dos geoparques e dado o facto de desde há coisa de 7 anos eu andar a falar de um "Geoparque Sicó". Desde então muita coisa mudou...
Indo então ao meu comentário sobre esta questão, noto logo à partida 3 factos, um é que está-se a partidarizar algo que nunca o deveria ser. É certo que estas ideias precisam de apoio político, mas uma coisa é ter apoio político outra é partidarizar a coisa, facto que desvirtua logo à partida o debate. O segundo facto é que dos autarcas convidados, segundo a brochura, faltam alguns que são imprescindíveis para a discussão, caso de Penela, Ferreira do Zêzere, Ourém e Tomar. Já o terceiro facto, quiçá o mais importante, é que falhou algo de crucial, já que nos "preliminares" da coisa, e no que concerne estritamente à questão do Geoparque, faltam os especialistas. É certo que esteve um representante do Geoparque Arouca, tal como eu sugeri em 2012, no entanto faltam os geólogos e geógrafos que se dedicam à temática geoparques. Efectivamente falta ali pelo menos um especialista em geoparques.
Como curiosidade, veja-se que na brochura respectiva, parcialmente reproduzida na primeira imagem, não consta nenhuma imagem relativa à biodiversidade de Sicó. Noto também a ausência de termos fundamentais na questão "geoparque", caso de geossítio ou mesmo geodiversidade, algo de incompreensível num debate deste género.
Face aos enquadramentos da tertúlia:


Noto alguma incoerência nos objectivos da tertúlia, já que parece que se esquece que já existem "políticas comuns supramunicipais" no território Sicó. O problema aqui centra-se fundamentalmente nas políticas de capelinha, pois se não há capacidade para os autarcas pensarem o território enquanto um todo, como podem ter eles capacidade para fazer nascer algo de novo? Se tendo já políticas comuns supramunicipais, com as quais não se entendem, como querem algo de novo?
O reconhecimento nacional já existe, no meu entender não está é devidamente potenciado, culpa não só das respectivas autarquias, bem como a Associação de Desenvolvimento Local, a Terras de Sicó.
O aumento do número de turistas e visitantes só é desejável quando existir uma estrutura comum e interligada, a qual permita que haja um usufruto sustentável do património natural e cultural aqui existente. Antes disso não, há que construir a casa pela base e não pelo telhado...
Quanto ao ordenamento do território, este é um termo que os autarcas locais muito gostam de falar, contudo sem saberem factualmente o que ele é. Apesar dos autarcas locais dizerem que o ordenamento do território é importante, as suas políticas não são consequentes com as suas próprias palavras, muitas vezes muito faladas em campanha eleitoral (e este é ano de eleições...).
O mesmo se passa face à protecção ambiental e biodiversidade, pois, para estes, a protecção ambiental é quase sempre um entrave às suas políticas do betão. A Rede Natura 2000 é o exemplo perfeito do que atrás referi. O que têm feito os autarcas locais pela Rede Natura 2000? Isto além de dizerem que é um entrave e dizerem algumas palavras vãs, de ocasião, nas brochuras municipais...
E porque não se classifica a nível municipal muito do património existente por estes lados? Será que não sabem dessa possibilidade?
Lembro um dos casos mais emblemáticos desta incoerência, ou seja o polémico (ex)projecto de um hotel para a Serra de Alvaiázere, em plena Rede Natura 2000 e em Reserva Ecológica Nacional. Será que para potenciar tem de se degradar?


Outro ponto que considero algo caricato é aquele relacionado com o potencial e as mais-valias do território Sicó, já que potencial e mais-valias são coisas que se debatem há anos e anos, sem que, no concreto, surjam medidas para os concretizar. Tenta-se inventar a roda quando ela já existe há muito tempo. As responsáveis pela inexistência destas medidas são precisamente as capelinhas implantadas em cada freguesia, em cada concelho e em cada cabeça de cada um dos autarcas locais.
A concordância só surge quando é para receber fundos comunitários para a região. Após isso tudo se esbate e lá voltamos às capelinhas. Muitos sabem disto mesmo, mas poucos têm a coragem de o dizer publicamente.
Noto também que há uma confusão face ao que é um parque natural e face a um geoparque, já que o primeiro implica uma classificação legal, prevista na legislação, e o segundo não. São figuras muito diferenciadas, algo que parece que não é percebido.
Outro ponto fundamental e que me parece que não tenha sido debatido, é o facto de que fala-se muito em turismo e visitantes, mas não se fale tanto nas actividades dos locais, as quais têm mantido e transformado esta bela paisagem de Sicó. Não se pretende que esta região seja o cenário de um "circo", onde vêm visitantes ver os "palhaços parolos". O foco deve estar em primeiro lugar nos que aqui estão e não dos que aqui vêm. Só depois de pensarmos nos que aqui estão é que poderemos pensar nos que aqui vêm. A lógica invertida não é aqui desejável.
Esta tertúlia mostra, no meu entender, uma nocivo parasitismo sobre questões que deviam manter desparasitadas. Apesar da JSD ter mérito em debater esta questão, algo que aplaudo, noto que este debate está à partida enviesado. A JSD deveria sim ter reunido primeiro lugar os especialistas em geoparques e os vários investigadores que se têm dedicado à "geo-investigação" na região de Sicó. Só depois destes se reunirem e chegarem à conclusão que há potencial para a criação de um geoparque, é que poderiam ser chamados os políticos e tecnocratas, de forma a dar o seu apoio. É assim que se processa e não como se processou nesta tertúlia. Estiveram apenas alguns investigadores presentes e uma outra pessoa ligada a um geoparque, portanto faltaram os especialistas em geoparques. Sugeri isso mesmo em Junho de 2012, no entanto os meus conselhos foram, em boa medida, ignorados...
Para finalizar, deixo a minha opinião sobre o futuro ou utupia das questões debatidas. Não sou apologista de um parque natural para a região de Sicó, os motivos, esses poderei explicar num futuro próximo. Quanto ao geoparque, apesar de nos primeiros anos ter defendido e promovido a criação de um, desde 2008/09 que considero que este não será possível. Um dos pressupostos fundamentais para a criação de um geoparque é a existência de geossítios de valor internacional, não um ou dois, mas vários. Isso não acontece em Sicó, os "geossítios de Sicó" são fundamentalmente de valor regional e, alguns de valor nacional, tal como foi confirmado numa publicação recente. Não existe a âncora necessária para um geoparque. Obviamente que tenho pena, mas a verdade é essa.
Então o que defendo para Sicó? É simples, inove-se e crie-se uma figura inspirada nos geoparques. Criem uma figura nova e façam surgir algo de realmente novo e factualmente exequível. Com muitos dos geossítios ali existentes, estes base de uma nova figura, e com todo o valioso património natural e cultural existente em Sicó, poderemos sim criar algo que não passe de uma utupia, mesmo que bem intencionada. Lembrem-se que já temos uma Rede Natura 2000, a qual poderia além de ser devidamente promovida, ser integrada na tal nova figura a criar...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Como não fazer marketing territorial na região de Sicó!


O marketing territorial é um dos meus temas preferidos, daí, também, não poder deixar passar em branco algo que representa um erro tremendo neste domínio. Este erro sobre o qual vou dissertar, representa não só o não saber fazer, bem como o fazer da forma mais absurda que pode existir.
Quando me refiro ao absurdo, quero dizer basicamente que fazer algo do género como ir ao google,  buscar imagens fáceis, não é algo de aceitável quando estamos a elaborar conteúdos relacionados com o marketing territorial na região de Sicó. Há que pegar na máquina fotográfica e mergulhar no território!
Indo então ao que me leva a escrever este comentário, este centra-se sobre um painel publicitário, o qual se refere à próxima Feira do Queijo Rabaçal, a realizar no próximo dia 5 de Maio.
À primeira vista, parece uma publicidade atractiva em termos visuais, o que afinal até acaba por acontecer, contudo, e como não há bela sem senão, quando me centro no conteúdo, ou no miolo da coisa, aí é que as coisas mudam de figura. Por isso mesmo é que destaco o problema nesta segunda fotografia:


Ora vejamos, o que dá o valor e o sabor ao queijo desta região? A resposta é simples, mas parece que alguém não sabe isto mesmo, talvez por nunca sair do gabinete, digo eu...
O que dá o valor e o sabor ao nosso queijo é o pasto diversificado, consubstanciado na elevada biodiversidade que temos nesta região.
Assim sendo, porque carga de água é que está ali um relvado???
Isto é, na minha opinião, uma péssima publicidade, algo que apesar de simples de perceber, não é entendido por quem faz este tipo de conteúdos, bonitos em termos visuais, mas completamente afastados da realidade e das especificidades locais, facto que, no final, prejudica a imagem da região.
Não é preciso ser um especialista na matéria e muitas pessoas com as quais já falei sobre esta questão perceberam facilmente a descontextualização desta publicidade.
Como querem então promover a região com conteúdos afastados da realidade? Estou para ver a argumentação em defesa da relva, pois este cartaz é do tipo McRural (termo introduzido por Figueiredo, E. 2011), ou noutras palavras supérfluo e inconsequente.

sábado, 20 de abril de 2013

Viagem ao centro da Serra: à descoberta do Soureossáurios

São muitos os que nunca ali passaram, pois afinal é uma estrada que foge ao percurso tipo que muitos fazem pela região de Sicó. Já aqueles que não são daqui, a maioria deles nem imagina aquilo que eu denomino como Soureossáurios, um espécime que não sendo novo no carso de Sicó, é sempre impressionante de se ver, pela negativa, claro.
Eis 4 panorâmicas sobre o bicho Soureossáurios:





Ninguém pode dizer que fica indiferente quando passa pela EN 348, em Soure, pois não há como fugir do bicho. Aquela estrada já por mais que uma vez viu o seu traçado alterado, pois havia que desviar a estrada para que o bicho se pudesse alimentar do carso moribundo e pouco protegido.
Este é apenas mais um episódio da "Viagem ao Centro da Serra", que tem o intuito principal de consciencializar os cidadãos para um problema gravíssimo, o qual não é mais do que um cancro que se alimenta do belo carso da região de Sicó.
Com estas fotografias panorâmicas tento mostrar a todos, episódio a  episódio, a verdade nua e crua, fazendo jus aquela expressão "uma imagem vale mais do que mil palavras", sendo que neste caso são 4 imagens.
Espero que todos se sintam obrigados a reflectir sobre esta importante questão, que afecta património natural, património cultural e que afecta a vida de mais pessoas do que aquelas que favorece. São muitas as comunidades afectadas pela acção destes monstros, os quais se regem apenas pelo interesse de privados e do puro lucro imediato.
Precisamos de tantas pedreiras? Não, não precisamos de tantas! Além disso precisamos de ordenamento do território, pois o que deve mover um território é o interesse comum e não de privados, os quais findada a exploração destes locais, deixam um passivo absolutamente inaceitável, o qual nunca será recuperado. Lembrem-se deste último ponto, pois é nesta fase que vos pergunto, é isto que querem deixar aos vossos filhos, netos e bisnetos?

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um fim-de-semana diferente!

Ficam várias sugestões para um fim-de-semana alternativo, pela região de Sicó:



Dia 20 de Abril - Teatro, na Associação Cultural da Melriça (Ansião), pelo Grupo de Teatro Olimpo. 





Fonte: http://teatroamadorpombal.pt.vu/


sexta-feira, 12 de abril de 2013

A invasão do património: perigos do século XXI


Foi com alguma perplexidade que, por mero acaso, descobri algo que me preocupou seriamente, enquanto cidadão defensor da privacidade. Sabia que mais tarde ou mais cedo isto poderia acontecer, mas aconteceu "agora" e logo num lugar que tão bem conheço.
Enquanto utilizador de informação geográfica, caso de ortofotomapas, tenho a perfeita noção da importância que representa este e outros tipos de informação priveligiada. Nunca fui contra a utilização deste tipo de informação, associada obviamente a Sistemas de Informação Geográfica. Sou, aliás, um fervoroso adepto deste tipo de informação.
No entanto, e como em tudo na vida, há limites éticos, morais e legais. É deste último limite que pretendo falar agora.
Há poucos dias, enquanto navegava pelo Street View, deparei-me com algo de muito preocupante. Há coisa de 1 ou 2 anos, andou pela região de Sicó um carro com um aparelho colocado em cima do tejadilho. Era um carro vermelho, o qual por mero acaso vi em Ansião. Sabia que aquele carro andava a fazer um levantamento que pretendia ter uma visão 360º por todas as estradas públicas pelo qual passava. Apesar de algo receoso, até tolerei o facto, sabendo, no entanto, que a legislação portuguesa era algo omissa em termos de legislação que ditasse as regras para este tipo de levantamentos. Notem que este tipo de levantamentos não é o mesmo que um ortofotomapa. Notem também que é uma empresa americana que andou a fazer este levantamento, sem que, para isso, tenha pedido autorizações aos respectivos municípios.
Indo então ao que me interessa, a situação que pretendo abordar, tem a ver com a invasão de propriedade privada que ocorreu em algumas situações, sendo que este print (imagem) representa uma delas. Como é que a viatura que andou a fazer este levantamento entrou em propriedade privada sem autorização? Notem que, neste local, a propriedade privada está bem delimitada, pois o alcatrão acaba ao chegar aos marcos, só tem luz pública até aos marcos e tem dois enormes marcos que delimitam a entrada para a propriedade privada. Como é possível isto num país de direito, uma empresa americana tornar público algo no domínio da propriedade privada?
São conhecidos os abusos desta empresa americana, a qual pensa que pode passar impune a todas as ilegalidades que faz.
Assim sendo, sugiro que todos vejam se encontram situações semelhantes no Street View, de forma a que, caso haja interessados, estes se reunam, contratem um advogado e peçam uma indemnização à empresa responsável por estas ilegalidades, obrigando-a, também, a retirar as imagens indevidas. Se todos se juntarem, a coisa pode resultar!
A privacidade de cada um é um direito, daí que ninguém possa passar impune perante graves violações de privacidade. A Google ultrapassou os limites, daí ter de chegar a hora de exigir direitos consignados na Constituição da República Portuguesa.
A mim não me aconteceu isto, no entanto, enquanto conhecedor destas matérias, sinto a responsabilidade de avisar e alertar todos os que foram afectados, de modo a que mais casos sejam conhecidos. Lembrem-se que não se trata de uma mera invasão de privacidade, feita por uma qualquer pessoa, é sim uma invasão global, feita por uma empresa global. Não podemos impedir que esta invada o espaço público (até um dia...), no entanto, e no que concerne ao espaço privado, a história já é outra...
Só para finalizar, e se é que havia dúvidas do abuso que é esta invasão da propriedade privada, veja-se um outro local, ainda em Ansião, onde mesmo apesar de ali estar uma placa a dizer "propriedade privada", se fez vista grossa da mesma (ao centro da imagem, pintada de vermelho). E ninguém pode dizer que não viu a placa, pois esta foi processada posteriormente, tal como se faz a matrículas e caras de pessoas...




quinta-feira, 4 de abril de 2013

Iniciativa "Moinhos Abertos 2013" na região de Sicó




No próximo fim-de-semana festeja-se o Dia Nacional dos Moinhos (7 de Abril), com a iniciativa "Moinhos Abertos", promovida pela Rede Portuguesa de Moinhos e com o apoio de várias entidades.
É, por isso, uma data muito especial no domínio do património molinológico, também na região de Sicó. Contudo, e como podem ver pela figura acima, vão ser apenas dois moinhos abertos a visitas em toda a região de Sicó, o que lamento profundamente.
Sicó é uma região de moinhos, muito embora restem muitos poucos a funcionar. Na maior parte dos locais onde já existiram moinhos, existem hoje apenas as pedras onde os moinhos faziam a sua dança do vento. Face aos moinhos de água, o cenário não é muito diferente...
Tenho pena que mais moinhos não estejam abertos naquele dia muito especial. O Moinho da Melriça e os do Outeiro, ambos em Santiago da Guarda (Ansião), são apenas alguns dos que deveriam estar de portas abertas, mas infelizmente isso não acontece este ano, esperemos que para o próximo ano eles estejam à nossa espera.
Consultei a listagem disponível no documento acima referenciado, e constatei que apenas o moinho da Serra da Portela (Pousaflores, Ansião) e o moinho da Avanteira-Pelmá (Alvaiázere), vão estar de portas abertas. Isto, note-se, numa região de moinhos!
Esta é a prova evidente, se é que havia dúvidas, da nossa falta de atenção para com este nosso património. Cidadãos, entidades e associações dão pouca ou nenhuma atenção para este património que poderia representar uma mais valia imensa para toda esta região. São poucos os cidadãos, entidades e associações que dão o real valor aos nossos moinhos, sejam eles de vento ou de água. Todos eles estarão representados nesta iniciativa.
No que me toca, estou à vontade para falar deste tema, já que enquanto cidadão e enquanto associado de duas emblemáticas associações da região de Sicó, tenho, em conjunto, feito algum trabalho em prol do património molinológico da região de Sicó, nomeadamente através de artigos científicos. Se todos fizermos um bocadinho, poderemos fazer muito em prol deste recurso patrimonial de valor inestimável.
Quem ainda não teve a oportunidade de fazer alguma coisa que seja, pode começar por, no próximo fim-de-semana, visitar os moinhos que estejam de portas abertas. Eu irei visitar, mais uma vez, o moinho da Serra da Portela, em Ansião!