domingo, 28 de maio de 2017

Recuperar o controlo dos baldios



As transformações económicas, sociais, culturais e outras mais relegaram o espírito comunitário para segundo plano durante demasiado tempo. No que concerne aos baldios, trata-se de um exemplo perfeito que ilustra isso mesmo. Durante anos a fio poucos foram os que fizeram questão em trabalhar o sentido comunitário que os baldios representam. As comunidades locais actuais da região de Sicó sofreram transformações significativas nas últimas décadas, daí o consequente desinteresse pelos baldios. Uma comunidade mais virada para os sectores secundário e terciário é, regra geral, uma comunidade afastada dos valores da terra, tal como ocorre na região de Sicó.
Mas houve algo que mexeu com a temática dos baldios. Desde que surgiram os parques eólicos, novos problemas surgiram e não é para menos, já que basicamente se começou a ganhar dinheiro fazendo nada. Isso fez com que houvesse disputas territoriais à conta dos parques eólicos.
Pessoalmente, e se dependesse de mim, não haveria um único parque eólico na região de Sicó, dado o seu valor paisagístico. Teria recusado a construção de parques eólicos nesta região, já que há outras formas de ganhar dinheiro e sem degradar algo de muito valioso para a região de Sicó, ou seja a sua paisagem. As pessoas foram na conversa do "bandido", acreditando que a luz ia ficar mais barata. Além de não ter ficado mais barata, ainda pagam parte dos parques eólicos, através de factura que mensalmente surge na caixa de correio. E não, não sou contra os parques eólicos. Quando eu já falava deles, na década de 90, muitos chamavam-me "maluquinho" por falar em ideias tão revolucionárias em Portugal. Sou a favor da energia eólica, mas não a qualquer custo, é claro e conciso.
Daqui a 10/15 anos alguns dos actuais parques eólicos serão mera arqueologia indústrial. Na próxima década a microgeração será parte importante do mix energético. A energia solar terá uma palavra muito importante e as baterias de lítio serão coisa do "passado". E esta realidade não é do futuro, pois já existe.
Mas voltando à terra, há umas semanas deparei-me com o cartaz que consta na fotografia. Gostei de ver a mensagem ali presente. Tenho gostado também de ver o activismo em prol dos baldios e contra as crateras lunares na serra de Sicó. Vamos recuperar os baldios e retirá-los da mão de quem não os sabe gerir? É que há juntas de freguesia e autarquias que além de não os saberem explorar de forma sustentada, apenas os sabem degradar e/ou destruir. Para estas é mais fácil entregar um baldio à exploração de uma pedreira do que saber gerir um baldio de forma sustentada. Esse é um dos grandes problemas que se observa na região de Sicó. Vamos valorizar o nosso território?!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Passaram 10 anos: o que mudou na região de Sicó?


Há 10 anos eu era um mero técnico de uma autarquia, sem influência alguma, mas daqueles com bichos carpinteiros. Há 11 anos (finais de 2006) eu tive a ideia de propor a organização de um evento pouco provável naquele tempo. A ideia foi aceite, contudo na condição de ser eu a "desenrascar-me". Aceitei a condição e até hoje este é um dos momentos dos quais mais me orgulho em termos profissionais. Modéstia à parte, foi um marco para a região. Consegui a presença de alguns dos maiores especialistas nacionais e isso fez toda a diferença. E nem o facto de ter sido um evento organizado num concelho pouco provável para o efeito fez mossa, ou seja o evento correu muito bem, sendo até hoje recordado no bom sentido. Aliás algumas das ideias então tratadas (ex. aldeias do carso) estão actualmente na baila, mostrando que estávamos à frente do nosso tempo em termos de ideias a desenvolver neste território que é Sicó.
O intuito deste evento era simples, ou seja reunir pessoas e especialistas no domínio do desenvolvimento territorial, de modo a debaterem-se ideias concretas para a região, mas numa perspectiva diferenciada e, até então, pouco debatida publicamente. Apesar de ser um evento específico, concretamente pelo facto de querer debater o papel do património geológico e geomorfológico para o desenvolvimento sócio-económico na região de Sicó, isso não foi entrave, já que se conseguiu reunir investigadores, actores de desenvolvimento locais e cidadãos.
Contudo, e apesar de tudo isto, o tempo tem mostrado que é difícil as boas ideias seguirem o seu rumo nesta região (Sicó). O rumo das coisas continua a ser moldado por uma série de interesses que, na maior parte das vezes, não são coincidentes com o interesse público. E mesmo algumas das ideias que são colocadas em prática são convenientemente capturadas pelos tais interesses, que se colam às mesmas e as condicionam a jusante, numa espécie de parasitismo económico. Muitos sabem disto mesmo, mas raros são os que o dizem abertamente e sem receio de represálias. Eu sou destes últimos, falando abertamente sobre muitos temas tabú, sendo temido por isso mesmo.
Mas voltando ao início, mais precisamente ao título que dá mote a este comentário, o que mudou na região de Sicó neste domínio? Objectivamente falando, nada! Quem é responsável por isso? A resposta é simples, especialmente sabendo que este ano há eleições autárquicas...
A ver vamos o que surge nas propostas dos vários candidatos às autárquicas na região de Sicó, seja candidatos às câmaras, seja às juntas de freguesia. Sejamos exigentes para quem nos pretende governar. Sabem qual é uma das principais diferenças entre aqueles países desenvolvidos que tanto gabamos e entre nós e o nosso país? Nós não somos exigentes nem participativos na hora de decidir o nosso futuro. Simplesmente votamos e delegamos responsabilidades, quando deveríamos votar e participar activamente nos processos de decisão durante os 4 anos de governação autárquica. Resta saber se querem continuar a ser meros espectadores ou então serem actores de promoção e desenvolvimento territorial, tal como é de esperar num país desenvolvido. Na primeira opção têm tudo a perder, enquanto que na segunda opção têm tudo a ganhar. E lembrem-se que sem trabalho nada se faz...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Paisagem da vergonha...


Situações como esta são demasiado comuns na região de Sicó. Situações como esta ocorrem por vários motivos, sendo que um dos quais, e à parte da idiotice de alguns chico-espertos, é a falta de locais de recepção de resíduos de construção. Em 2010, e aproveitando o facto de ter sido coordenador concelhio do Limpar Portugal, em Ansião, sugeri, em reunião com a Câmara Municipal de Ansião e com algumas das entidades que deram apoio a esta iniciativa, caso da empresa ELIMUR, a criação de um espaço de recepção de resíduos de construção. Na altura foi uma ideia bem recebida por todos. Fi-lo porque dos 250 locais que georeferenciei como locais de deposição ilegal de resíduos, parte importante deles tinha resíduos de construção. 
Há poucos meses ouvi a referência de que deveria surgir algo do género em Ansião, talvez na antiga pedreira do Camporês, por parte de Rui Rocha, contudo, e até agora, já passaram 7 anos sem que surgisse algo de palpável, portanto a ver vamos o que se segue. Este problema ainda não é assumido, de facto, como um grave problema, já que se o fosse já teriam surgido soluções e a única solução de que tenho conhecimento surgirá daqui a 1 ou 2 anos, num outro município da região de Sicó. 
Até lá há que fazer sensibilização ambiental e cívica e denunciar quem despeja este e outros tipos de resíduos um pouco por todo o lado. Ficamos todos a ganhar e isso nunca é demais referir! 
A paisagem cultural de Sicó merece toda a nossa dedicação, portanto todos devemos pugnar pela preservação deste valioso recurso. Se não cuidarmos da nossa bela casa quem cuidará?!

domingo, 14 de maio de 2017

Chegado ao CIMU da serra, esbardalhou-se...


Há quase dois anos que abordei a questão do CIMU, ou seja falei sobre o Centro de Interpretação e Museu da Serra da Sicó e sobre o que esperava para o que se seguiria após a conclusão das obras. Confesso que acreditei que a coisa por esta altura já estaria concluída, contudo Sicó tem uma sina que, diga-se, é reflexo apenas da falta de competência de quem (des)governa esta região. Um potencial incrível, património diversificado, algumas pessoas competentes, contudo a sina parece que é mais forte. A incompetência acaba por prevalecer sobre a competência, tal como fica à vista.
Por estes dias voltei aos Poios, de modo a ver como estava a coisa a correr. Já sabia que não estava a correr propriamente bem, mas não queria comentar sem lá voltar, daí, e apenas agora, voltar à carga. Resumindo, a obra está parada há mais de 1 ano e o orçamento parece que não será suficiente para a finalizar, algo de típico neste belo país plantado à beira-mar.
Culpados procuram-se, contudo cheira-me que a culpa vai morrer solteira. Será que a obra vai ser finalizada? E os tantos apoios institucionais que surgiram por parte de entidades várias, o que têm estas a dizer agora?


Os centros de interpretação ambiental da região de Sicó parece que padecem de um problema muito grave, já que todos eles têm tido histórias curiosas. Os autarcas parece que confirmam o que se diz há muito tempo, ou seja deixam muito a desejar na hora de levar a bom porto projectos de grande importância, nomeadamente no domínio ambiental e patrimonial. E isso, para eles, parece que não é problema, já que nós, sicoenses, não somos exigentes para com os nossos autarcas. A cidadania activa não é para a maioria de nós algo que cultivamos e pelo qual pugnamos, preferindo ficar no nosso cantinho, pelo menos até que nos cheire a queimado...
Que tem Diogo Mateus a dizer sobre o assunto? E não, não quero ouvir aquela história do costume, onde se sacode a água do capote. Será que vamos assistir a um milagre, onde um autarca pede desculpa por este desastroso processo? E a Terras de Sicó, o que tem a dizer sobre o assunto?


Para terminar, um apontamento sobre um pequeno pormenor. Do outro lado da estrada, procedeu-se ao aterro de uma parte do terreno, algo que lamento, e para piorar, não se trata apenas de terra, mas sim de uma mixórdia que inclui lixo. Com práticas destas, é normal que as coisas não corram bem para quem as faz...



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Arde porque deixamos que arda...


Por esta altura, e mesmo tendo em conta os inúmeros incêndios que já ocorreram um pouco por todo este país, ainda não se fala de incêndios florestais. A "festa", propriamente dita, ainda não começou, portanto, e para já, fala-se apenas de futebóis e outros factos que nada acrescentam a uma vivência sã e equilibrada. Quando os futebóis e afins terminarem, as televisões vão-se virar para a festa pirómana que todos os anos nos assola. E este ano em particular preocupa-me...
As causas são conhecidas, bem como os interesses que orbitam em redor da "festa", contudo, e estranhamente, tudo fica na mesma ano após ano. Não aprendemos com os erros e parece que fazemos questão que tudo ou quase tudo fique na mesma. Os discursos de ocasião ainda não surgiram, pois há que falar a quente, com as coisas acicatadas, lá para Julho ou Agosto.
Mas deixando estes pequenos pormenores de lado, vamos então aos factos. O que vêm na fotografia é uma plantação de eucaliptos, situada à entrada do lugar do Rabaçal, Penela, para quem vem de Ansião. Em 2016 foi efectuado um corte dos eucaliptos, pois já estavam em acção. Nessa altura fiquei surpreendido, já que os sobrantes ficaram todos no terreno. Inicialmente pensei que mais tarde iriam ser recolhidos, contudo os meses passaram e ali continuam. Em termos de risco de incêndio será "escusado" dizer o barril de pólvora ali está. Ninguém quer saber do caso.
Mas caso ocorra ali um incêndio, o que acontecerá? Eu digo, chama-se os desgraçados dos bombeiros e eles que se amanhem. São eles que correm risco de vida e são eles que se devem sacrificar, pensam alguns...
E o que será que o dono do terreno tem a dizer sobre isto? Não se dá ao trabalho de limpar, tal como era suposto, mas caso os bombeiros não aparecessem será, porventura, capaz de dizer que eles eram uns incompetentes ou que demoraram muito a chegar. O dono do terreno pensará inevitavelmente numa coisa, ou seja no lucro rápido. Tudo o resto, e como está à vista, não importa. E a nossa passividade será reconfortante para ele, digo eu.
É por isto e por muito mais que Portugal arde impunemente. E andamos nisto há 4 décadas...
No que me toca, e por mais estranho que possa parecer, não fico chocado ao ver arder eucaliptos. Fico chocado sim quando ardem carvalhos, azinheiras, sobreiros, oliveiras, castanheiros, nogueiras, freixos, choupos e afins. Perde-se demasiado tempo e gastam-se meios que deveriam privilegiar a protecção da nossa floresta, em vez da monocultura do eucalipto. Situações como esta deveriam ser severamente punidas!
Agora uma pergunta que vos faço, porque é que têm de ser os bombeiros voluntários a arriscar a vida e a gastar o seu tempo e meios a proteger algo que serve apenas para o lucro de algumas pessoas? Não seria normal quem tem eucaliptais pagar a protecção do seu investimento? Fica a dica para reflexão...

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Já lá vão 7 anos de espera e até agora... nicles!


É uma das minhas muitas "lutas" dos últimos anos. Como explicar que as entidades públicas não se preocupem com a questão do encaminhamento e reciclagem de resíduos tão poluentes como lâmpadas?
É isto que se passa por exemplo em Ansião, onde parece que a reciclagem de lâmpadas é um não assunto. Mesmo no ecocentro, situado no camporês, não há espaço para as lâmpadas, será isto aceitável? 
Há coisa de 7 anos tomei a liberdade de enviar um pedido directamente à Amb3E, de modo a solicitar a colocação de um ponto electrão, para lâmpadas, em Ansião. Foi-me respondido que, na altura, não estavam a equacionar a questão. Meses depois voltei à carga, e nesse altura foi-me dito que estariam alegadamente a tratar o assunto com a Câmara Municipal de Ansião. Durante uns tempos acreditei que sim, até que me fartei de esperar e me desloquei aos serviços da Câmara Municipal de Ansião (CMA), de modo a pedir informações sobre o andamento da situação. Descobri hoje que, nessa altura, não ficou nenhum registo do sucedido, algo de compreensível já que o sistema era diferente do actual. Mas voltando à narração dos factos, e quando fui então à CMA, foi-me comunicado que, alegadamente, estavam a estudar a localização para um ponto electrão em Ansião, algo que sinceramente é absurdo, já que fazer um estudo para isto é realmente absurdo.
E hoje, novamente, desloquei-me aos serviços camarários, de modo a ver como estava o processo. Nada de nada. Será que é com a vinda do papa que acontece o milagre de Ansião ter um ponto electrão, para recolha de lâmpadas? 
Mas não me fiquei por pedir um apenas, pois solicitei um ponto electrão para cada uma das sedes de freguesia. Parece-me que já deverá ser o suficiente numa fase inicial.
A foto que ilustra este comentário é de um de dois pontos de armazenamento de lâmpadas. Este é num local que não da minha responsabilidade, embora tenha sido eu que tenha pedido o espaço para guardar as lâmpadas. Brevemente será demolido, portanto há que arranjar solução para as lâmpadas. Existe um outro, num local da minha responsabilidade, onde estão guardadas umas quantas dezenas de lâmpadas, que vieram precisamente deste local que consta na foto. Já estão cheias de pó, tal o tempo de espera...
Durante algum tempo fui encaminhando lâmpadas para pontos electrão em Coimbra ou outras cidades onde já existem há anos, mas a quantidade que continuava a chegar aos pontos de armazenagem que referi fizeram com que se tornasse complicado andar a passear com tantas lâmpadas, ainda mais sujeito a levar uma multa por ser apanhado com elas no carro.
A ver vamos quanto tempo mais demora até Ansião ter pontos de recolha para lâmpadas. Enquanto isso não acontecer eu sentir-me-ei obrigado a fazer estes lembretes, já que uma das coisas que percebi já há alguns anos é que o facto de eu ser conhecido e falar em certas questões, ajuda a resolver algumas coisas.
E pelos outros concelhos da região de Sicó, como estão as coisas em termos de recolha de lâmpadas? Fica a questão, que espero que ajude de alguma forma a estimular as pessoas a exercer a cidadania activa, tal como eu o faço.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Aldeias do carso: pelo menos uma década atrasados, como aliás é costume...


Para todos os efeitos é, teoricamente, uma boa notícia, contudo daí, e até a ideia se materializar e ter sucesso vai um caminho muito longo e fortemente dependente da competência de quem estiver à frente do processo. E como bem sei, são poucas as boas ideias que têm sucesso na região de Sicó, culpa dos interesses do costume. Brevemente irei abordar uma outra ideia que tem tido um caminho desastroso, ali para os lados de Pombal...
Mas vamos então à questão que me leva a escrever estas linhas. Trata-se da ideia das aldeias do carso/ calcário, que vem novamente à baila, desta vez pela mão da dita Associação de Desenvolvimento Terras de Sicó.
Estou realmente curioso para saber o que um ex vereador de Alvaiázere tem a dizer sobre esta questão, já que quando lancei a ideia no colóquio "Desenvolvimento sócio-económico promovido pelo património geológico e geomorfológico nas Terras de Sicó", há 10 anos, esse tal ex vereador disse basicamente, de uma forma politicamente correcta, que não era uma grande ideia e que era uma ideia de alguém novo demais para saber o que seria um projecto de valor para a região de Sicó. Aposto que agora vai dizer que é uma ideia genial, e caso eu o veja a afirmar isso mesmo, irei relembrá-lo das suas palavras há 10 anos, o que terá a sua graça...
Trata-se de uma ideia que tem tudo para singrar, faltando apenas quem tenha a competência para o fazer da melhor forma. Esta ideia já poderia existir, na prática, há muitos anos, contudo a falta de competência de entidades politizadas, como a Terras de Sicó, e dos nossos autarcas tem atrasado o processo. 
Não vou lançar foguetes, até porque já noutros casos os lancei e depois arrependi-me (o tal caminho desastroso que insinuei atrás...). As aldeias do xisto já existem há alguns anos e as aldeias do carso (calcário) irão surgir inevitavelmente mais ano menos ano, seja na região de Sicó seja na região D´Aire e Candeeiros, onde aliás esta ideia também tem sido falada nos últimos 8/9 anos. 
O absurdo disto é que esta nem é uma ideia complicada, mas sim uma ideia simples e com tremendo potencial. O único risco é que alguns interesses económicos tentem de alguma forma manipular a ideia, desvirtuando-a, para que os seus interesses prevaleçam. 
Na região de Sicó já vi um bocado de tudo, também no domínio do turismo.
Mas deixando de lado estas questões, a ideia das aldeias do carso (e não do calcário...) tem, teoricamente, muitas pernas para andar. Os benefícios são imensos e não falo sequer do turismo, mas sim da recuperação do imenso edificado ao abandono. Há ainda muito a preservar da arquitectura vernacular, começando pelas aldeias do carso e continuando pelo restante edificado, seja nos pequenos lugarejos seja nas nossas vilas, já que aí ainda há muita matéria-prima para trabalhar. E o sector da construção, que até há poucos anos tinha algumas dificuldades em largar a construção de raiz e entrar na vertente da reabilitação, terá um papel importante.
Preservando o que temos de melhor e integrando todo este património no nosso dia-a-dia, actualizando-o, é algo que nos faz melhores pessoas e mais merecedoras de uma região com um património e uma cultura valorosos!
A ver vamos como vão ser os próximos episódios da ideia das aldeias do carso...


domingo, 23 de abril de 2017

Quem semeia ventos, colhe património...


Faltam poucos dias para o final do prazo de apresentação de propostas ao orçamento participativo do município de Ansião, daí estar agora a "picar" os ansianenses para que participem activamente neste processo, apresentando propostas concretas. Claro que tenho também o intuito de "picar" todos os sicoenses para que façam o mesmo nos seus respectivos municípios, logo que se propicie isso mesmo.
Este ano decidi apresentar apenas uma proposta, ao contrário de 2016, onde apresentei 4 propostas. Porquê? Simples, este ano o valor da proposta é igual ao valor da verba disponível, daí não fazer sentido apresentar outras propostas, que concorressem entre si. Em 2016 apresentei 4 propostas diferenciadas, de valor reduzido, não representando uma espécie de concorrência entre si.
Sim, a proposta deste ano é sobre moinhos de vento, esse belo objecto patrimonial que teima em não ser devidamente potenciado e valorizado. 
Há umas semanas, e pensando no dia nacional dos Moinhos e Moinhos abertos 2017, apresentei, numa associação da qual faço parte, a proposta de envolver um dos moinhos desta região para promover a actividade em causa, contudo, e após pedir informação a quem sabia da coisa, fiquei a saber que não seria possível, já que esse mesmo moinho, que não o da foto (Serra da Portela, Pousaflores), não estava funcional. Foi então que surgiu luz e ponderei a ideia. Apresentei uma proposta que tem como intuito arranjar aquilo que está estragado, recuperar o que está por recuperar e valorizar todos estes moinhos de vento. A esmagadora maioria é de madeira, tal como o da Serra da Portela, e um outro é de metal. Penso que é algo de exequível, mas a ver vamos se o mesmo vai ser aceite para ir a votos. Caso a proposta seja aceite, irei naturalmente pedir o vosso voto, de modo a valorizar a molinologia da região de Sicó. 
Tenho visto que há mais pessoas a pensar da mesma forma na região de Sicó, e algumas delas a trabalhar para que isso aconteça, portanto há que pugnar para que esta bela paisagem comece a ver mais moinhos de vento a funcionar, já que é algo de fabuloso e que pode representar uma mais-valia bastante interessante...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Mudam-se os tempos, não muda a passividade...


Não é caso único, muito pelo contrário, contudo sempre que por ali passo olho para lá e, por vezes, paro novamente, de forma a reflectir mais um bocado sobre esta temática. Estar frente a frente com o objecto é uma das melhores formas de pensar as coisas.
Não, não vou dizer onde isto é, senão ainda corria o risco de algum chico-esperto dar com o que vêm nas fotos e subtrair dali alguns destes objectos de valor histórico.
A região de Sicó é pródiga em património e isso tem duas faces, ou seja, por um lado algum património preservado e classificado e, por outro, muito património ao abandono e totalmente desprotegido. Isto é um problema muito grave, contudo, e para a maior parte, é um problema sobre o qual além de não falarem, é uma questão sobre a qual não perdem tempo, já que o importante é tudo menos o que é realmente importante. A identidade da região é algo sobre o qual muitas pessoas não querem saber na prática, muito embora, e caso indagados sobre a questão, muito digam que é realmente importante.


Importa debater esta questão, a bem da nossa identidade. Muitos lugarejos desta bela região têm muito património ao abandono, restando saber a melhor forma de o preservar, caso obviamente haja interesse, bem como as melhores opções para a sua valorização. E quando falo de valorização não falo da típica (i)lógica circense que muitas vezes se vê na hora de tentar valorizar o património, mas sim de valorizar de forma integrada, aproveitando também para recuperar velhos hábitos e formas de estar e incluir os mesmos na actual vivência de cada um de nós. Sim, é possível, contudo há que saber trilhar o caminho, facto que é um dos crónicos problemas desta região.
Uma das primeiras formas de o fazer é começar pela base, ou seja por vós próprios, que vivem nesses lugarejos ou que têm algum tipo de ligação aos mesmos. Há que pensar soluções, ousar, debater ideias e tentar fazer nascer algo de inovador. É assim que se faz noutros países, noutras regiões e noutros lugarejos. O que os diferencia de nós e deste abandono? A atitude pró-activa!


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ouvi dizer que a espécie humana é a mais inteligente, contudo tenho muitas dúvidas...


Não me choca que cortem carvalhos ou azinheiras, já que, por vezes, isso mesmo é necessário para gerir a floresta. Claro que quando falo em cortar carvalhos, não falo em cortar carvalhos com dois séculos, pois isso é, para mim, criminoso. Falo sim em cortar alguns espécimes do estrato arbustivo, onde a densidade é demasiado elevada, tal como acontece em alguns terrenos abandonados por privados ou por entidades públicas.
Findado este esclarecimento prévio, vou então ao que me leva a escrever estas linhas. Há uns dias fui alertado para o abate de algumas árvores centenárias, uma delas era um belo carvalho português, centenário (deve rondar os dois séculos...). As outras árvores, entre as quais freixos (com Tamarix) e um choupo negro quais faziam parte da galeria ripícula de um tributário do Rio Nabão, no limite de Alvaiázere (Almoster) com Ourém.
Solicitei fiscalização por parte das autoridades e espero pelo menos uma multa para quem fez este disparate. Penso que a multa que estará garantida será a relativa à destruição do freixial. Sobre o carvalho, como está fora da RN2000 e não está protegido a nível municipal, penso que escapará, mas não tenho a certeza, pois tudo depende da questão do domínio hídrico. Espero também que a acção de fiscalização tenha impedido a continuação do arboricídio.
Se assistirem a situações como esta na região de Sicó avisem-me sff, de forma a indagar sobre a legalidade das mesmas. E caso sejam ilegais, eu trato de agilizar a questão da coima...


Mas pegando no título, sempre ouvi dizer que a espécie humana era a mais inteligente, contudo discordo frontalmente dessa afirmação, já que somos a espécie que faz mais disparates neste belo planeta. Além do mais, de nada vale ser inteligente se não houver a sabedoria para utilizar a inteligência de cada um de nós e da espécie enquanto um todo.
Apesar de já ter visto muitos casos como este, a sensação de tristeza é sempre igual. Um, dois ou três séculos são muitos anos de vida. E é pena que as nossas autarquias ou juntas de freguesia menosprezem a protecção e classificação destes espécimes centenários. Mas não pensem que a culpa é só das autarquias, juntas de freguesia e dos respectivos autarcas, já que estes costumam ser o reflexo de quem os elege. Resta saber se cada um de nós se conforma com este triste cenário ou se cada um de nós faz questão em pugnar por um planeta com saúde suficiente para albergar todos aqueles que por aqui andam. E isto mesmo sabendo que isso pode significar chatices de vez em quando.
Da minha experiência posso-vos garantir que as chatices têm valido a pena, pois o que está em jogo é demasiado importante para ficar no meu cantinho, a fingir que não é nada comigo...


segunda-feira, 10 de abril de 2017

O pior inimigo do património dá pelo nome de iliteracia ambiental


É, no meu entender, a questão mais sensível e complexa quando se trata de abordar a questão do património. É, portanto, algo que importa debater neste espaço, onde miúdos e graúdos costumam investir uns minutos a ler estas linhas.
Nos muitos anos que levo de activismo ambiental já vi muita coisa, sendo que hoje utilizo esta situação para falar dos porquês de alguns dos disparates que se vêem pela região de Sicó. Trata-se de um caso ocorrido perto da nascente do Olho do Tordo, em Alvaiázere, mas já na freguesia de Pelmá. Desloquei-me ao local, após ter ouvido em conversa que ali se havia passado algo. Ao chegar lá fiquei perplexo com o que vi, já que não fazia sentido algum. Umas quantas azinheiras partidas por uma máquina, a qual fez uma valeta num local onde não faz sentido algum a fazer.
Como costume fiz o trabalho de casa e tratei de investigar o caso. Poucas horas depois informei a Câmara Municipal de Alvaiázere sobre o sucedido, pedindo a esta entidade que indagasse sobre o caso. Poucos dias depois fiquei a saber que alegadamente tinha sido a Junta de Freguesia de Pelmá a fazer este disparate. Fui informado que o autarca respectivo alegadamente não saberia que isto não se poderia fazer, facto que estranho bastante, ainda mais sabendo o historial da bela azinheira pelos lados de Alvaiázere.
Mas isto leva-nos a algo de importante, ou seja a incipiente literacia ambiental neste território e noutros mais, facto que nos deveria deixar a todos preocupados. Não é admissível que em pleno século XXI ainda subsista tamanha iliteracia ambiental, especialmente por parte de autarcas, os quais têm a obrigação de saber os mínimos nesta temática. É por isto mesmo que há muitos anos defendo publicamente que os autarcas deveriam ter noções básicas sobre ordenamento do território e afins.
E, antes que alguém venha com a conversa do costume, não, ao falar de iliteracia ambiental eu não estou a afirmar que há pessoas menos inteligentes, mas sim a afirmar que há pessoas com responsabilidades que não sabem o que deveriam saber. Se é certo que é pouco provável que estes possam saber tudo o que é necessário, é certo que estes têm de estar munidos das ferramentas básicas que os ajudem a desenvolver as suas acções enquanto autarcas. 
Esta é a minha luta, pugnar pela literacia ambiental e cívica. Foi, é e será uma luta difícil, contudo posso-vos garantir que vale mesmo a pena. Todos ficam a ganhar com a literacia ambiental e ninguém perde com isso!


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Um patrocínio que deu em polémica! E não é para menos...


Fonte: Trail running Pombal

Há uns dias deparei-me nas redes sociais com um debate algo acesso sobre uma questão bastante pertinente. Tratava-se de um debate que lidava com uma questão muito importante, que me leva agora a dar mais visibilidade.
Faço-o por vários motivos, seja em primeiro lugar porque se trata de uma questão que mexe com o património de Sicó e que eu acompanho activamente há muitos anos, com um tema tabú, com um patrocínio que importa debater sem complexos e finalmente com a questão da posição da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal (e não com os bombeiros propriamente ditos).
Mas comecemos pelo início. Pelo terceiro ano vai-se realizar uma prova solidária de trail, em voga nos últimos anos, na Serra de Sicó. As verbas vão reverter inteiramente para os bombeiros voluntários de Pombal, facto a aplaudir. Até aqui tudo bem, contudo eis que surge o patrocínio da empresa que explora talvez a pedreira mais polémica da região de Sicó. E é aqui que a polémica começa, pois surge uma questão ética, à qual a direcção da AHBVP não pode fugir. Ao aceitar este patrocínio aquela direcção está, na prática, a pactuar com o brutal impacto da exploração e questões associadas de uma pedreira muito polémica.
E não, não se trata de maldizer sobre os bombeiros ou mesmo sobre a direcção da AHBVP, como dois ou  três insinuam de forma demagógica e populista, mas sim sobre uma questão ética. Isto facilmente seria resolvido caso a AHBVP agradecesse o patrocínio da Iberobrita, mas declinasse o mesmo, argumentando que isso poderia afectar a imagem dos bombeiros. É algo que me parece simples de entender, contudo há sempre pessoas prodigiosas, que surgem com o populismo e demagogia do costume. Em vez de ouvirem argumentos como os que atrás referi, insurgem-se contra os mesmos, numa espécie de democracia ajustada ao gosto de suas excelências. Os Bombeiros Voluntários de Pombal são, imagine-se, meros espectadores nesta questão, sendo que o problema está ao nível de uma decisão tomada e assumida pela direcção da AHBVP.
Mas antes de prosseguir, faço questão de utilizar uma analogia para que aqueles que não compreendem o que está em causa. Se vocês tivessem interesse em participar num evento, seja ele qual for, patrocinado por uma empresa que destruisse as florestas tropicais, participariam à mesma no evento? Muitos claramente que não, já que está em causa uma questão ética, a de não pactuar com a destruição de algo muito importante, caso das florestas tropicais. E isto tem acontecido por todo o mundo, havendo cada vez mais uma recusa na compra de produtos associados à destruição da floresta ou afins. Ou então um caso bem conhecido, lembram-se do filme "diamantes de sangue"? A lógica não é comparável, obviamente, mas para fazer uma analogia dá bem.
Continuando, nunca participei nesta prova por uma questão de ética e de princípios. Quem, como eu, trabalha em prol do património da região de Sicó não pode pactuar com uma prova que tem um patrocínio tão polémico. E não, não estou contra os bombeiros, estou apenas contra a exploração daquela pedreira e todas as ilegalidades que têm sido tornadas públicas. Já pensaram que podem ir directamente à secretaria dos BVP e deixar o vosso donativo? Há pessoas que parece que não sabem que isto é possível...
Há que separar as coisas e pena é que haja quem não tenha o melhor discernimento e siga na linha da demagogia barata e populismo populista, passe o pleonasmo. Curiosamente, ou não, até sou bombeiro voluntário, portanto é escusado alguém referir que é uma posição que é contra os bombeiros. Não falo enquanto bombeiro, até porque além de não o poder fazer não tenho qualquer interesse em o fazer. Posso apenas referir que sou bombeiro e isso diz muito no que se refere ao debate da questão. Falo sim enquanto cidadão e activista do património da região de Sicó.
Indo então ao debate que vi numa das redes sociais mais pujantes, e pegando no que disse atrás, vi muita coisa absurda. Uma delas foi o comentário absurdo de um indivíduo, sobre uma pessoa que argumentava da mesma forma como eu, já que este indivíduo afirmava que a pessoa referida se tinha "empenhado em mal dizer de pessoas e organizações que são um exemplo no cumprimento das suas obrigações". É algo que mostra bem a falta de discernimento e muita demagogia à mistura.
Depois continuou o pessoal do "Trail Running Pombal", ao referir que se estava a "misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho em questões que não são da nossa competência nem responsabilidade". Nada mais absurdo e demagogo meus caros, pois ninguém está a misturar as coisas e a pôr a AHBVP ao barulho. Está-se sim a debater uma questão sem complexos nem tabús e a pôr em causa uma decisão de uma direcção de uma associação. Sobre a questão da competência e responsabilidade, basta apenas referir que vivemos em democracia e todos estão sujeitos ao escrutínio. Há questões que não são para ser debatidas publicamente, como é óbvio, mas há outras questões, como é este o caso, que são para debater publicamente, já que diz respeito a todos nós. Ética e princípios são valores basilares, contudo, e para dois ou três, mais parece que em certos casos se pode fazer uma pausa ou abrir uma excepção.
As direcções das Associações Humanitárias não são imunes ao escrutínio nem à crítica, sempre que se justifique. Trata-se de uma questão ética e parece que é isso que o pessoal do Trail Running Pombal e o presidente da AHBVP não alcançam. Ao debatermos esta questão, estamos a enriquecer um debate necessário, o qual não coloca em causa a AHBVP.
Já o que afecta de algum modo a imagem da AHBVP é, na minha opinião, a aceitação deste patrocínio, na medida que colide com a imagem da Associação (defesa de pessoas, bens e do património...), e, por outro lado a postura arrogante e, diga-se, pouco educada do seu presidente. Mas nada como mostrar quem disse o quê, de forma a que cada um faça um juízo de valores... 


E se pensam que isto é algo sem importância, pensem melhor, pois é isso que falta, reflexão e discernimento. E nada de tabús e estereótipos... Se houvesse quem ali estivesse a maldizer dos bombeiros, rapidamente levaria uma resposta incisiva da minha parte, contudo não foi isso que aconteceu.
Quanto ao Sr. Sérgio Gomes, não confunda o mérito de ser presidente da AHBVP com a competência para o ser. É o que digo aos meus camaradas bombeiros, uma coisa é o mérito de ser bombeiro outra coisa é a competência na acção. Só funciona bem se ambos andarem lado a lado...
Para terminar, e respondendo ao Sr. Sérgio Gomes, que por um lado disse que não queria saber quem eu sou, mas por outro me perguntou quem era eu para lhe falar de ética, respondo apenas que sou o João Forte.

terça-feira, 28 de março de 2017

Já está disponível para venda!



A apresentação pública deste belo livro foi no dia 25 de Março e foi um evento no qual valeu mesmo a pena estar presente, seja pelo facto de ser associado da Al-Baiaz, seja pelo facto de ser um activista do património, com um foco especial na região de Sicó. Ou então pelos belos momentos de convívio entre os muitos amigos do património presentes. No final, tive o privilégio de ter sido o primeiro a ter o meu exemplar autografado por um enorme amigo do património, o Professor Doutor Mário Lousã, que conheço pessoalmente há mais de uma década. Aproveitei e adquiri dois exemplares extra.
Tudo isto para vos dizer que este livro já está à venda. Caso assim o entendam, podem pedir que vos seja enviado por correio. Podem enviar um e-mail para a Al-Baiaz a solicitar o envio desta notável obra: albaiaz@sapo.pt
Podem também entrar em contacto comigo, pois faço parte da direcção da Al-Baiaz e terei todo o gosto em vos ajudar. O preço de venda deste livro é de 15 euros. Trata-se de um livro ilustrado com belas imagens e a cores, facto que importa referenciar. É uma referência para a região de Sicó e o espaço antes vazio está agora muito bem preenchido com este livro que recomendo vivamente a todos aqueles que gostam da região de Sicó. É de fácil leitura e é sem dúvida um bom auxílio para quem quer conhecer parte da biodiversidade da região de Sicó e do Sítio da Rede Natura 2000, Sicó-Alvaiázere. E está livre do "acordo" ortográfico, sendo portanto a cereja no topo do bolo. Parabéns aos autores do livro, parabéns à Al-Baiaz pela edição do livro e um agradecimento à Câmara Municipal de Alvaiázere pelo seu contributo para a edição do livro.

E já que estou com a mão nos livros, fica também a informação de que o livro sobre as orquídeas do Sítio Sicó-Alvaiázere está também disponível para venda através da Al-Baiaz, por 5 euros, portanto na hora de oferecer um presente a vós mesmos ou a um amigo....



quinta-feira, 23 de março de 2017

Este interesse público cheira mal, muito mal...


Foi com grande perplexidade que fiquei a saber deste caso, ainda mais porque ocorre perto de um outro local, onde uma situação algo semelhante já fez correr muita tinta e muito mau cheiro. Os visados são os mesmos de sempre. Quanto aos prejudicados, são os do costume...
O espanto foi a duplicar, seja pela existência desta situação, seja pela típica postura das entidades públicas, neste caso da Câmara Municipal de Ansião, a qual, através da sua Assembleia Municipal, apesar de, por um lado, ter emitido uma declaração de interesse municipal para a construção de uma nova infra-estrutura, por outro pouco faz para impedir que esta situação acabe. Não basta dizer que está mal, há que ser-se incisivo na acção. Interesse público é acabar com esta situação, doa a quem doer, mesmo que isso implique perder alguns votos.
Este é um caso, entre vários, onde a ilegalidade se prolonga no tempo, mesmo que isso signifique anos de espera enquanto se procede à legalização da coisa. É algo que eu denomino como fundamentalismo político, que acaba por beneficiar em primeiro lugar quem prevarica e castiga quem, teoricamente, tem direito a um ambiente são, tal como adiante farei referência.
Eu devo andar muito desactualizado, já que no meu tempo o interesse público tinha a ver com o interesse da população e não com o interesse de alguns empresários. Neste caso a população queixa-se, e com toda a razão, mas parece que o interesse público é, por vezes, alérgico às populações e desenvolveu uma curiosa "simbiose" com alguns empresários que, imagine-se, não cumprem as suas obrigações.
Achei curioso o facto de o presidente da Junta de Freguesia de Santiago da Guarda ter referido à imprensa a unidade de tratamento de estrume, situada a umas escassas centenas de metros, e o seu não funcionamento, sem que tenha referido os muito polémicos porquês e interesses dessa mesma paragem. Já Rui Rocha, esse tem a mesma posição de sempre, politicamente correcto perante os jornalistas, mesmo apesar de não ter competências técnicas sobre vários temas sobre os quais tanto gosta de falar, que nem especialista, e demagogia e populismo numa espécie de defesa dos empresários prevaricadores, dada a sua postura mais passiva do que activa. E os residentes que têm de gramar com o mau cheiro, onde se enquadram estes tendo em conta o tal interesse público? Interesse público não é ter empresas a laborar dentro da legalidade e sem prejudicar as populações e o ambiente?
É realmente curioso como é que se tem uma unidade de tratamento desta tipologia de resíduos na região, paga, em parte, com fundos comunitários, e esta não funcione. Quase que fico com a ideia que é economicamente mais vantajoso para alguns empresários que aquela unidade não funcione e que se tenha de colocar o estrume neste pavilhão, pois assim fica mais em conta, poupando-se uns trocos quando comparado com a referida unidade de tratamento que está parada. Aqui não há que gastar mais dinheiro no funcionamento desta unidade e nem se precisa de gastar dinheiro em filtros, que têm o papel de, imagine-se, poupar os narizes daqueles que vivem em redor deste local e possibilitar que estes usufruam das suas casas de janela aberta. São meros factos, para alguns sem grande importância, já que o interesse público é, para alguns, um bicho muito subjectivo, aplicável quando interessa e menosprezado noutras situações.
E assim os anos vão passando...
Esta situação é digna de um país terceiro mundista, onde quase tudo se pode fazer e onde o interesse de alguns lóbis é quem mais ordena. Fico envergonhado ser de uma região onde é permitido que isto ocorra. Fico ainda mais envergonhado saber que é uma de várias situações que se pode resolver havendo vontade e a aplicação do interesse público. Estamos numa região cársica, onde o impacto da poluição causada por esta tipologia de resíduos é ainda mais grave e compromete os nossos aquíferos. E isso é preocupante, muito preocupante!
Trabalhei durante duas décadas neste sector e já vi de tudo. Se é certo que este sector evoluiu, isso só aconteceu por imposição das empresas que compram os frangos e ovos e também por imposição de legislação europeia. Se não fosse assim as coisas não teriam evoluído tanto. Conheço vários produtores de frangos e ovos e se há coisa que é comum à maioria deles é poupar em tudo que seja possível para que o lucro seja maior. E isto mesmo que se polua e se comprometa o interesse público... 
Mas vamos ter esperança, pois este é ano de eleições e, nesta óptica, o voto de um grupo restrito de empresários/sócios vale muito menos nas urnas do que os votos de toda uma população que tem de gramar o mau cheiro alheio... 



Para terminar, algo que os nossos autarcas devem ter esquecido:

Constituição da República Portuguesa


"Artigo 9.º
Tarefas fundamentais do Estado

e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correcto ordenamento do território; 

Artigo 66.º
Ambiente e qualidade de vida

 1. Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.
2. Para assegurar o direito ao ambiente, no quadro de um desenvolvimento sustentável, incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e com o envolvimento e a participação dos cidadãos:
a) Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas prejudiciais de erosão;
b) Ordenar e promover o ordenamento do território, tendo em vista uma correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento sócio-económico e a valorização da paisagem;
c) Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio, bem como classificar e proteger paisagens e sítios, de modo a garantir a conservação da natureza e a preservação de valores culturais de interesse histórico ou artístico;                                                                                   
d) Promover o aproveitamento racional dos recursos naturais, salvaguardando a sua capacidade de renovação e a estabilidade ecológica, com respeito pelo princípio da solidariedade entre gerações;                                                                                                                                    
e) Promover, em colaboração com as autarquias locais, a qualidade ambiental das povoações e da vida urbana, designadamente no plano arquitectónico e da protecção das zonas históricas;           
f) Promover a integração de objectivos ambientais nas várias políticas de âmbito sectorial;           
g) Promover a educação ambiental e o respeito pelos valores do ambiente;                                  
h) Assegurar que a política fiscal compatibilize desenvolvimento com protecção do ambiente e qualidade de vida."


domingo, 19 de março de 2017

Viva a ferrugem!



Ando de bicicleta desde que me lembro, ou seja há muitos anos. Faço-o por gosto, sendo aliás uma espécie de filosofia de vida, que faz parte do meu "adn". Nunca liguei aos estereótipos e ao preconceito por quem faz da bicicleta a sua principal forma de mobilidade na curtas distâncias (5/6 km), no seu dia-a-dia e nas médias distâncias naqueles dias em que apetece fazer umas dezenas de km pelo monte e pela estrada. É certo que, tal como na década de 80, a bicicleta está na moda, contudo o ciclo irá, infelizmente, inverter mais ano menos ano, é essa a triste sina tuga, mesmo que a comunidade de utilizadores das duas rodas, a pedal, esteja cada vez mais forte e com maior capacidade no que concerne ao estabelecer as bases para alterar o paradigma actual, onde a bicicleta é ainda um parente pobre. Somos cada vez mais e, a seu tempo, conseguiremos mais e melhores resultados, isso é certo.
Tenho 3 bicicletas e daqui a mais uns tempos irei comprar uma quarta. Para diferentes usos, diferentes bicicletas. Duas são de marcas portuguesas e a outra de uma marca estrangeira. 
Tudo isto para vos mostrar simplesmente o meu gosto pelas duas rodas e o porquê de regularmente abordar a temática das bicicletas e dos modos suaves.
Mas vamos então ao assunto principal deste comentário. Já alertei várias vezes para esta questão, contudo nada se fez para resolver o problema, por isso a srª ferrugem está pujante e a reivindicar o seu poder. Fora a questão dos pneus crestados... Alertei para o facto de não existir nenhum abrigo para as bicicletas de uso partilhado na Vila de Ansião, a E-Ginga. Seja Inverno seja Verão, elas ali ficam à chuva ou ao sol. Tanto podem estar 40 graus positivos como 16 negativos, que elas ali estão, desprotegidas e à mercê dos elementos. 
Diz o bom senso que deveriam existir uns abrigos que as protegessem minimamente, prolongando a sua vida útil. Nas fotos podem ver o estado actual destas bicicletas, facto a lamentar. Das 3 bicicletas que tenho, a mais velha tem quase 30 anos. Curiosamente não tem tanta ferrugem como estas que constam nas fotos...
Fica novamente o apelo para a construção de uns abrigos para estas meninas, já que elas merecem! 



terça-feira, 14 de março de 2017

É melhor estudar-se um fóssil do que ser-se um fóssil

Eventos como este têm pouca visibilidade, contudo isso não significa que não sejam importantes, muito pelo contrário. A região de Sicó é pródiga a vários níveis, sendo que a paleontologia é apenas uma das muitas riquezas que por aqui temos. Há que divulgar e valorizar a paleontologia, já que isso poderá ser muito importante, não só para a ciência, bem como para a economia da região. Sim, os dinossauros também por aqui andaram, seja em Pombal, Alvaiázere ou outros mais...
E não se enganem, já que a paleontologia é bem divertida e o que é preciso é um bom intérprete.




Agora, e para terminar, finalizo o trocadilho que iniciei com o título do comentário. Qual preferes, ser um fóssil ou estudar um fóssil? Bem me parecia...

domingo, 5 de março de 2017

A verdade é como a azinheira: vem sempre ao de cima...

Peguei numa expressão bem conhecida dos portugueses e adaptei-a. Utilizo esta mesma expressão para confrontar o Presidente da Junta de Freguesia de Almoster com os factos ocorridos aquando da abertura de dois estradões ilegais em Rede Natura 2000, à revelia das mais elementares regras legalmente instituídas no domínio do ordenamento do território, do Plano Sectorial da Rede Natura 2000 e do funcionamento das próprias Juntas de Freguesia, que estão sujeitas a regras específicas. 
Começo por disponibilizar dois recortes de imprensa, os quais irei utilizar neste comentário, tendo em conta as declarações que este autarca fez ao Jornal de Leiria:


Fonte: Jornal de Leiria (Ed. 16 de Fevereiro de 2017)

Começando pelo princípio, este autarca não pode simplesmente alegar lapso, já que, por inerência das suas funções, este é obrigado a saber o que, alegadamente, não sabia. É, no mínimo absurdo, alegar-se "lapso" numa situação destas. Enquanto autarca, Paulo Silva está vinculado ao cumprimento de alguns princípios basilares, os quais constam na legislação afecta à sua actuação enquanto Presidente da Junta. Falo, claro, do Regime Jurídico das Autarquias Locais, concretamente a Lei nº 75/2013, de 12 de Setembro. Quando se viola estes princípios, está-se sujeito a consequências, nomeadamente a dissolução da Junta de Freguesia, tal como, na minha opinião, deveria ocorrer tendo em conta o que esta Junta de Freguesia fez, ao mandar abrir aqueles estradões ilegais. Isto mesmo está previsto na lei. Penso que nem preciso de referir ao pormenor a legislação onde consta isto mesmo, deixando isso para o Sr. Paulo Silva.
Prosseguindo, Paulo Silva afirma que apenas cortaram árvores de pequena dimensão e que a obra era reclamada pela população. Depois contradiz o que ele próprio refere, já que afinal só foram cortados pequenos arbustos e que a obra pretendeu facilitar o acesso às propriedades. Árvore é uma coisa, arbusto outra, não compreendo tal confusão... Confusões à parte, e falando apenas das  azinheiras, é proibido cortar exemplares desta espécie, sejam eles arbustos ou árvores de pequena, média ou grande dimensão. Depois refere que preservou os muros e que o que havia já estava no chão. Nem sequer fala dos lapiás, pensando possivelmente que são muros, dado o teor das suas afirmações.
Fez tudo isto sem, alegadamente, dar conhecimento à Câmara Municipal de Alvaiázere, algo de estranho tendo em conta, entre outros, que o normal seria a Junta falar com a Câmara e que uma operação deste tipo terá custado uns milhares de euros (máquinas). Será que esta Junta está a nadar em dinheiro ou o ano de autárquicas assim o exige? Mais estranho é o facto de, tendo a Câmara Municipal de Alvaiázere um gabinete florestal, Paulo Silva tenha eventualmente achado que não valia a pena falar com a Engª Florestal para pensar uma acção daquele género, vendo, em primeiro lugar, se seria sequer possível. Mas ainda mais estranho é Paulo Silva alegar que apurou que aquela área não era Reserva Ecológica Nacional, mas que partiu do princípio que não era RN2000. Onde terá Paulo Silva consultado o PDM? É no mínimo estranho que estando toda esta informação disponível na Câmara Municipal ou no Geoportal, este afirme que partiu do princípio que aquela área não era RN2000. Muito pouco convincente, ainda mais sabendo que o Sítio Sicó/Alvaiázere não foi criado há 17 dias, mas sim há 17 anos!!!
Por curiosidade fui ao site da Junta de Freguesia de Almoster e não vi uma única referência à RN2000. É estranho que tantas Juntas de Freguesia tenham orgulho no seu património e mostrem todo este património e a Junta de Almoster omita a Rede Natura 2000, Sítio Sicó/Alvaiázere do seu site. A visão do património de Paulo Silva é, no meu entender, muito redutora. Este autarca mostra que não conhece bem o território que gere, facto que não deve ser encarado de ânimo leve.
Mas vamos ao que mais interessa. Paulo Silva, quando refere que apenas cortaram árvores de pequena dimensão, ou os tais arbustos, está a faltar à verdade, pois não há sequer dúvidas sobre o abate ilegal de árvores, seja de pequena ou média dimensão, nomeadamente azinheiras e carvalho cerquinho. Trata-se de um facto e não de uma opinião. Nem preciso de pegar num GPS e percorrer os caminhos, de forma a posteriormente cruzar os dados do GPS com os ortofotomapas, onde facilmente se conseguirá saber exactamente quantas árvores foram abatidas (poderei fazer isso...). Preciso apenas de mostrar duas imagens de um mesmo local, onde o antes e o depois estão bem à vista:



Ou seja, o confronto do antes e do depois, na entrada do estradão, ilegal, das Bouxinhas, mostra que havia ali algumas árvores de dimensão... significativa, nomeadamente um carvalho, que consta na foto e, imagine-se, desapareceu, tal como um número ainda indeterminado de árvores, ou "arbustos". Assim qualquer pessoa facilmente pode ver que Paulo Silva faltou à verdade quando referiu que foram cortados apenas uns "arbustos". Não há argumentos que possam fazer desaparecer o que está à vista.
Mas continuemos:


Na imagem acima consta um tronco que, curiosamente, não conseguiram acabar de queimar. Será que a chuva que caia naquela altura impediu a queima de mais azinheiras e carvalhos do que efectivamente foram queimados? O tronco que delimitei na foto é o tronco de uma árvore. Será que o Sr. Paulo Silva sabe que espécie é esta?
Já agora, não sabia que as azinheiras estorvavam sequer... E já agora, porque é que foram colocados troncos de azinheira por detrás dos lapiás arrancados? É um bocado suspeito, arrancar e depois esconder ou queimar lenha tão boa para a lareira.
Sobre os muros, se estavam alagados, porque é que nunca foram arranjados? É certo que partes do muro estavam alagadas, mas porque é que apenas um dos lados estava alagado? Curioso os donos dos terrenos não se terem incomodado com isto, mas agora alegarem que precisavam de acesso...
Mas vamos também à questão do acesso às propriedades. Havia pelo menos dois caminhos rurais, transversais ao que foi ilegalmente feito, que poderiam ter sido utilizados para melhorar o razoável acesso a todas as propriedades. Pergunto eu, porque não foi esta hipótese equacionada? Sem ilegalidades, sem multas, sem onerar os contribuintes? Fala de mato e de silvas, mas então se os donos dos terrenos cuidavam tão bem deles, como é que havia mato e silvas? Porque é que ninguém fala disto? É por aqui, em primeiro lugar, que devemos centrar o debate.
Esperei uns dias para elaborar este comentário, já que além de querer ver o que este autarca diria sobre o caso, queria também ver as reacções dos populares. Houve dois comentários mais curiosos...
O primeiro foi o de um conhecido meu, das lides do facebook, que referiu que "a Rede Natura 2000 ficou beneficiada com estes serviços". Escusado será dizer que esta foi uma afirmação bastante disparatada e sem sentido algum, pois, de facto, a Rede Natura 2000, e não só, ficou claramente a perder. É em afirmações deste género que se constata a fraca literacial ambiental da população, facto que só ocorre devido ao desinteresse das entidades públicas e pelo desinvestimento, entre outros, na educação ambiental e cívica. Como alguém disse, só se ama aquilo que se conhece e só se protege aquilo que se conhece. 
O segundo comentário foi, imagine-se, de uma senhora que também faz parte da Junta de Freguesia de Almoster, que afirmou que concordava plenamente com o primeiro comentário. Escusado será dizer que esta nem sequer deve imaginar que o seu cargo está em risco, dada as ilegalidades perpetradas pela Junta de Freguesia, da qual ela faz parte. Tudo o que ele diz é tendencialmente... parcial. Ambas as acções que levaram á abertura daqueles dois estradões são ilegais, portanto quem fez a asneira que a assuma. Ficarei à espera da dissolução da Junta de Freguesia de Almoster, já que os responsáveis por estas ilegalidades têm de ser responsabilizados e punidos segundo a lei, tal como está previsto.
É por estas e por outras que defendo há muitos anos que qualquer pessoa que fosse candidata a autarca, teria de fazer formação básica no domínio do ordenamento do território. Fazendo uma analogia, eu para poder conduzir tive de tirar a carta, contudo para poder ser autarca não tenho de tirar "carta" alguma. Faz isto algum sentido?!