Todos os anos publicito esta iniciativa, seja nas redes sociais, seja no azinheiragate. Este ano não é excepção. Este ano, mais do que nunca, impõe-se fazer algo de fundamental, mas para isso é preciso voluntários, seja para ajudar a montar a estrutura a nível regional, seja para, nas semanas em causa, plantar espécies autóctones. Sicó foi também fustigada, portanto aqui e por todo o Portugal importa reflorestar, já que agora há demasiados espaços cinzentos para recuperar e reabilitar. Fica o desafio. Não poderei ser o responsável por esta iniciativa na região de Sicó, já que é-me impossível conjugar com a minha vida profissional, contudo poderei ajudar conforme as minhas disponibilidades. Assim sendo, há que divulgar ao máximo esta iniciativa, de forma a que cidadãos e entidades, públicas e privadas, se envolvam nesta iniciativa crucial para a nossa floresta!
Mostrar mensagens com a etiqueta espécies autóctones. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta espécies autóctones. Mostrar todas as mensagens
19.10.17
18.9.16
Na teoria a ideia é boa, resta aguardar para ver os resultados...
Foi com muito agrado que soube desta inovadora iniciativa da Câmara Municipal de Pombal, ainda mais porque têm faltado medidas concretas para solucionar boa parte dos problemas associados à falta de ordenamento e gestão florestal, bem como do próprio ordenamento do território. Isto aplica-se também à região de Sicó, onde o impacto das associações florestais e das ZIF´s tem deixado muito a desejar. Fazendo uma análise objectiva entre o que poderia ter sido feito por estas e o que, na prática, foi feito, há que assumir que falhou muita coisa e que ficou muito por fazer.
Na teoria, esta oferta pública de aquisição florestal tem um bom potencial, restando saber se, na prática, o vai concretizar. Gosto do facto de se sublinhar a importância das espécies autóctones e das galerias ripículas, já que são preponderantes para o ordenamento e gestão da floresta, bem como na temática dos serviços dos ecossistemas.
Há um ponto que me parece muito problemático, no sentido de que, e para a região de Sicó, parte significativa dos terrenos tem menos de 1 hectare, o que impede a entrada destes terrenos nesta OPA. E não, o minifúndio não é um obstáculo, mas sim uma virtude que tem salvo muitos redutos de males maiores (ex. eucaliptização...). Antes de mais importa ultrapassar de uma vez por todas esta questão, criando uma forma de não restringir esta OPA a terrenos com menos de 1 hectar. Gostaria de saber se foi efectuada uma análise SWOT para antecipar esta e outras questões.
Interessa saber também se esta OPA vai ter em conta a sociedade civil, já que considero que esta deve ser parte do processo e não ser alguém à parte. Lembremo-nos da acção de associações várias que podem ajudar aos processos decorrentes desta OPA, caso de associações ambientais. Ou então universidades, institutos politécnicos e afins. Poderia ser importante envolver por exemplo a Escola Agrária de Coimbra, as classes dos engenheiros florestais, sapadores florestais, guardas florestais e vigilantes da Natureza. Não faço ideia se isto está previsto, pois a informação disponibilizada não permite saber isso mesmo.
Outro aspecto que seria importante esclarecer é se esta OPA não se sobrepõe, em alguns aspectos, à Bolsa Nacional de Terras. Parece-me que poderia ser uma boa opção, ter em conta a bolsa de terras em termos complementares, já que alguns pontos estão evidentemente em sobreposição.
Finalizando, espero que esta OPA acrescente algo mais, enriquecendo a biodiversidade da região de Sicó (e não só) e diminua a área de monocultura do eucalipto, pois este último é um adversário que costuma fazer jogadas sujas para conseguir plantar mais e mais...
24.11.13
Sicócartoon: crónica das espécies autóctones
Uma coisa é a teoria, outra coisa é a prática. Uma coisa são as políticas que se anunciam, outra coisa são as políticas que se concretizam. Em plena semana da reflorestação nacional, urge pensar como é que tendo a região de Sicó mais valias extraordinárias no domínio da floresta e da biodiversidade, como é o caso da Rede Natura 2000, através do Sítio Sicó/Alvaiázere e da maior mancha de carvalho cerquinho da península ibérica, esta mesma região continua a privilegiar, na prática, o eucalipto. Parafraseando um colega meu, a Rede Natura 2000 e o carvalho cerquinho, entre outras espécies, são meros verbos de encher, acrescentando eu verbos de encher chouriços.
É certo que todos vamos vendo iniciativas que visam plantar espécies autóctones, no entanto muitas destas acções não são consequentes com as estratégias locais e regionais, sendo até, por vezes, mero greenwash, como já se assistiu em larga escala em Ansião. Noutras paragens, segue-se a mesma linha e igualmente com pés de barro.
Já me tinham proposto este cartoon há uns meses, tendo eu guardado o mesmo para o momento certo, este. Um "mero" cartoon torna-se agora uma imagem poderosa sobre a qual importa reflectir. Agradeço mais uma vez a "SC" pelo cartoon.
Em geografia damos sempre um exemplo sintomático daquilo que pode representar um perfeito engano. Imagine-se uma pequena área de floresta autóctone, imagine-se que, depois de destruída, ali surge um empreendimento imobiliário, o qual se diz verde e, para o demonstrar, cria uma extensa área de relvado (sem valor ecológico algum) em redor dos prédios ou vivendas. Será que um relvado é mais ecológico do que uma área outrora natural e que foi destruída para dar lugar à especulação imobiliária?
Voltando à realidade, para que é que nos continuamos a deixar enganar por acções que são meros verbos de encher? Porque é que a esmagadora maioria de nós se lembra das espécies autóctones num dia em especial, mas no resto do ano esquece-se das mesmas? Quantos de vós são consequentes no que dizem, tal como eu? Porque é que aceitamos que nos "ofereçam peixe em vez de lições de pesca"? E porque é que gostamos de ser "enganados" durante 364 dias por ano? (ou 365 dias em anos bissextos?). Enquanto nos deixarmos manipular por interesses políticos e económicos, as coisas continuarão na mesma, daí ser perfeitamente natural que, por vezes, se promova acções de reflorestação em áreas ardidas, precisamente aquelas que arderam também devido ao abandono dos terrenos e respectiva falta de limpeza, devido à incúria de políticas que manipulam mapas de risco de incêndio e que votam estas mesmas áreas, valiosas do ponto de vista ecológico, ao desprezo. Teimamos em olhar para o que nos apontam, deixando de olhar a coisa no seu todo, facto altamente problemático.
E não, este não é um comentário azedo, é sim um comentário realista perante uma realidade complexa. O cenário que a política tenta pintar é uma farsa, a qual importa desmontar, daí esta comentário cheio de ironia e sátira política. Quem está por dentro da realidade, compreenderá este meu comentário.
Há interesses políticos e económicos, ambos predatórios, que aproveitam descaradamente a boleia de iniciativas meritórias como são a Semana da Reflorestação Nacional e o Dia das Espécies Autóctones.
Quanto às iniciativas meritórias, felizmente que estas têm ganho força, algo que representa uma mais valia imensa nesta dura luta contra visões de desenvolvimento estereotipadas, que sacrificam a qualquer custo o nosso património florestal. Não é por acaso que poucos meses após o Sobreiro ter sido considerado Árvore nacional, as leis que protegem esta mesma árvore estão em vias de ser aligeiradas. Isto já para não falar de outras espécies autóctones, caso do carvalho cerquinho e das azinheiras. Tudo está a ser feito pelos interesses económicos predatórios para que as barreiras que protegem as espécies autóctones sejam derrubadas. Se não preservarmos o que já temos, de pouco vale andarmos a plantar árvores que à partida já estão condenadas a prazo, é uma realidade que ninguém conseguirá escamotear.
Quanto ao dia de ontem, o dia das espécies autóctones, fiz parte dele, plantando 40 carvalhos alvarinhos em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês. Porque não o fiz na região de Sicó? Simples, em primeiro lugar porque não estava por ali, depois, porque já ali plantei algumas dezenas e todos eles foram arrancados por caçadores...
É certo que todos vamos vendo iniciativas que visam plantar espécies autóctones, no entanto muitas destas acções não são consequentes com as estratégias locais e regionais, sendo até, por vezes, mero greenwash, como já se assistiu em larga escala em Ansião. Noutras paragens, segue-se a mesma linha e igualmente com pés de barro.
Já me tinham proposto este cartoon há uns meses, tendo eu guardado o mesmo para o momento certo, este. Um "mero" cartoon torna-se agora uma imagem poderosa sobre a qual importa reflectir. Agradeço mais uma vez a "SC" pelo cartoon.
Em geografia damos sempre um exemplo sintomático daquilo que pode representar um perfeito engano. Imagine-se uma pequena área de floresta autóctone, imagine-se que, depois de destruída, ali surge um empreendimento imobiliário, o qual se diz verde e, para o demonstrar, cria uma extensa área de relvado (sem valor ecológico algum) em redor dos prédios ou vivendas. Será que um relvado é mais ecológico do que uma área outrora natural e que foi destruída para dar lugar à especulação imobiliária?
Voltando à realidade, para que é que nos continuamos a deixar enganar por acções que são meros verbos de encher? Porque é que a esmagadora maioria de nós se lembra das espécies autóctones num dia em especial, mas no resto do ano esquece-se das mesmas? Quantos de vós são consequentes no que dizem, tal como eu? Porque é que aceitamos que nos "ofereçam peixe em vez de lições de pesca"? E porque é que gostamos de ser "enganados" durante 364 dias por ano? (ou 365 dias em anos bissextos?). Enquanto nos deixarmos manipular por interesses políticos e económicos, as coisas continuarão na mesma, daí ser perfeitamente natural que, por vezes, se promova acções de reflorestação em áreas ardidas, precisamente aquelas que arderam também devido ao abandono dos terrenos e respectiva falta de limpeza, devido à incúria de políticas que manipulam mapas de risco de incêndio e que votam estas mesmas áreas, valiosas do ponto de vista ecológico, ao desprezo. Teimamos em olhar para o que nos apontam, deixando de olhar a coisa no seu todo, facto altamente problemático.
E não, este não é um comentário azedo, é sim um comentário realista perante uma realidade complexa. O cenário que a política tenta pintar é uma farsa, a qual importa desmontar, daí esta comentário cheio de ironia e sátira política. Quem está por dentro da realidade, compreenderá este meu comentário.
Há interesses políticos e económicos, ambos predatórios, que aproveitam descaradamente a boleia de iniciativas meritórias como são a Semana da Reflorestação Nacional e o Dia das Espécies Autóctones.
Quanto às iniciativas meritórias, felizmente que estas têm ganho força, algo que representa uma mais valia imensa nesta dura luta contra visões de desenvolvimento estereotipadas, que sacrificam a qualquer custo o nosso património florestal. Não é por acaso que poucos meses após o Sobreiro ter sido considerado Árvore nacional, as leis que protegem esta mesma árvore estão em vias de ser aligeiradas. Isto já para não falar de outras espécies autóctones, caso do carvalho cerquinho e das azinheiras. Tudo está a ser feito pelos interesses económicos predatórios para que as barreiras que protegem as espécies autóctones sejam derrubadas. Se não preservarmos o que já temos, de pouco vale andarmos a plantar árvores que à partida já estão condenadas a prazo, é uma realidade que ninguém conseguirá escamotear.
Quanto ao dia de ontem, o dia das espécies autóctones, fiz parte dele, plantando 40 carvalhos alvarinhos em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês. Porque não o fiz na região de Sicó? Simples, em primeiro lugar porque não estava por ali, depois, porque já ali plantei algumas dezenas e todos eles foram arrancados por caçadores...
Subscrever:
Mensagens (Atom)


