sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Fui inspeccionar um aterro ilegal e ainda apanhei um empreiteiro "com as calças na mão"...


É uma triste realidade, a qual parece que me acaba por atrair na medida em que parece que adivinho o momento certo para me deparar com essa mesma triste realidade.
Há umas semanas atrás fui alertado para uma situação que está a ocorrer mesmo ao lado do miradouro da Melriça, em Santiago da Guarda, Ansião. Apenas há poucos dias consegui lá ir, para me inteirar da situação. Fiquei chocado com o que vi, mais ainda sabendo que tem a complacência da Junta de Freguesia de Santiago da Guarda. 
Mas, antes de falar na questão do aterro em si, falo daquilo com o qual me deparei quando lá cheguei, ou seja um empreiteiro a fazer a descarga de resíduos do costume, ilegal. Parece que é sina, eu chegar nos momentos certos. Ele bem olhou para mim, concerteza com receio de ser apanhado a fazer a descarga ilagal. Possivelmente não me conhece, pois se conhecesse se calhar não ficava tão calmo...
Nos próximos dias deverá receber uma cartinha em casa, com uma "prenda de natal". Não gosto de estragar surpresas, mas adianto desde já que, ao contrário das prendas de natal, ele não vai gostar desta... 


Já depois de esta personagem ter ido embora, fui então ver o aterro com olhos de ver. A perspectiva da foto abaixo diz tudo. Não me admira que a Junta de Freguesia de Santiago da Guarda também leve um puxão de orelhas daqui a uns tempos, já que o merece. Nota negativa para o Presidente da Junta de Freguesia de Santiago da Guarda!
É um aterro ilegal e vergonhoso. É um aterro que está a invadir a Rede Natura 2000. É um aterro que é inadmissível e um péssimo cartão de visita daquele miradouro e da própria freguesia. É um erro que demonstra que as mentalidades têm muito que evoluir...
E depois não se venham queixar de mim, pois quem fez a asneira não fui eu, eu apenas a denuncio e torno pública, para que não se repita!
Há 5 anos, numa reunião, propus formalmente à Câmara Municipal de Ansião e a uma grande empresa de construção civil e obras públicas a criação de um espaço que recebesse este tipo de resíduos a nível regional. Infelizmente, e até agora, nada surgiu...




domingo, 22 de novembro de 2015

O Orçamento municipal de Ansião e as grandes não opções do plano



Escassos dias após o meu comentário sobre a Rede Natura 2000, eis que surge o orçamento municipal de Ansião e as grandes opções do plano. Como costumo dar uma vista de olhos por este tipo de documentos (cidadania activa...), eis que me deparei com algo, ou melhor, eis que não me deparei com algo que supostamente deveria constar implícita e explicitamente neste plano.
Mas comecemos pelo início. Observando a distribuição do financiamento por funções (sociais; económicas; gerais e outras funções), e escrutinando a distribuição por objectivos (desporto, recreio e lazer; educação, acção social; ordenamento do território; cultura; resíduos sólidos; abastecimento de água; protecção do ambiente e conservação da Natureza), eis que me deparo com uma percentagem residual naquele que afinal deveria ser um dos objectivos fundamentais do plano. Ou seja, estão consignados uns escandalosos 3% à protecção do ambiente e conservação da Natureza. Isto numa região de imensa importância ambiental, onde a Natureza nos disponibilizou tesouros de enorme valia.
Observo também que, na parte do ordenamento do território e urbanismo, afinal tudo se resume ao urbanismo, ou seja o betão é quem mais ordena. Ordenamento do território é afinal uma coisa mais chata e acessória, tal como fica à vista pelos conteúdos.
Noto ali o típico discurso de retórica na parte relativa ao ambiente. Já agora, não será pleonasmo referir natureza e bodiversidade? A Natureza é constituída por duas partes, a geodiveridade e a biodiversidade, daí não concordar, de todo, com um discurso que mais não é de ocasião.
Voltando à parte da protecção do meio ambiente e conservação da Natureza (voltamos ao pleonasmo...) e aos escandalosos 3%, esta centra-se fundamentalmente na sensibilização (datas comemorativas e pouco mais...) e nas eco-escolas. E o resto? Onde está a estratégia em matéria de conservação da Natureza?
Já no ponto 5.2.11 - Agricultura, pecuária e silvicultura, este resume-se a uma escassa frase. Como é isto possível? Onde está a estratégia?
Relativamente ao ponto 5.2.15 - Turismo, descobri que está pensada uma candidatura para o Parque Ecológico Gramatinha/Ariques. Supostamente já existe há mais de uma década. Mas afinal o que andam as autarquias e a Terras de Sicó (extensão política das autarquias...) a fazer há tantos anos nesta matéria? Fica à vista que, na prática, é quase zero.
E, para terminar, como é que é possível não ver uma única referência, repito, uma única referência à Rede Natura 2000 e ao Sítio Sicó/Alvaiázere neste documento?! Será que ninguém sabe que temos a sorte de ter 41% do território (Ansião) classificado? Isto é simplesmente insustentável, embora não me surpreenda de todo, dada a falta de preparação dos autarcas no âmbito do ambiente e do ordenamento do território. E assim vai ser o desenvolvimento territorial nos próximos anos em Ansião. 
Enquanto geógrafo estou (continuo) preocupado, dada a falta de estratégia num domínio fundamental, o território, sensu lato...

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

E pela região de Sicó, como vai o Florestar Portugal?!


No próximo fim-de-semana vai ocorrer mais um evento de extraordinária importância, o "Florestar Portugal 2015". É importante não tanto pelo facto de se realizar este ano, mas sim por se realizar de forma regular, facto que lhe confere uma ainda maior importância. É uma excelente ideia e é suportada por uma verdadeira estratégia, a qual pensa no curto, médio e longo prazo. As estratégias só o são verdadeiramente desta forma.
No seguimento do meu último comentário, sobre a RN 2000, decidi que esta era uma excelente altura para abordar o "Florestar Portugal". A razão é muito simples, ou seja a falta de estratégia das autarquias da região de Sicó, senão vejamos, quantas das autarquias da região de Sicó participam no Florestar Portugal 2015? Desafio-vos a descobrir...
As autarquias têm vários problemas, um deles é a falta de estratégia, o pensar na hora e, por vezes, pensar de acordo com a conveniência. Quando surgiu o "Florestar Portugal", foram imensas as autarquias que se juntaram a esta bela iniciativa, mas passado algum tempo muitas delas começaram a esmorecer... O que diziam que era essencial é, afinal, acessório, facto que, para mim, não é surpresa.
E não me venham com a conversa do não há dinheiro, do não há tempo, pois isso é treta. E não "mandem areia para os olhos das pessoas" nem tentem "tapar o sol com uma peneira", pois isso não cola, pelo menos comigo. Não se trata meramente de plantar árvores, sejam uma dúzia e quase que apenas para a fotografia, ou sejam milhares para algum projecto de greenwash.
Trata-se sim de gerir a floresta, plantando árvores autóctones e gerindo todo o espaço florestal. Trata-se de gerir a paisagem. Trata-se de gerir a biodiversidade. Trata-se de pugnar pela qualidade de vida e da nossa saúde física e mental.
Por tudo isto e por muito mais, plantem árvores autóctones e arranquem a porcaria dos eucaliptos, bem como as invasoras (ex. mimosas). Desenvolvimento territorial é isso e muito mais!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Redefinir os limites do Sítio da Rede Natura 2000, Sicó/Alvaiázere e apostar neste extraordinário território!


Fonte: CCDR-Centro

O mapa é, no meu entender, apenas o reflexo da pouca atenção que as entidades públicas têm dado à questão da Rede Natura 2000, mas afinal é o que encontrei numa brochura da CCDR.
Este comentário tem dois intuitos, os quais orbitam em redor de uma questão que eu considero crucial para a região de Sicó, ou seja a Rede Natura 2000.
Mas comecemos pelos factos. Os limites actuais do Sítio da Rede Natura 2000, Sicó/Alvaiázere, pecam por escassos. Os limites deveriam ser alterados e incluir sectores que, não sei bem porquê, não foram incluídos, ou seja parte significativa do sector Norte do município de Ansião, parte significativa do sector Oeste de Penela, uma parte relativa do sector Sudeste de Soure e uma parte relativa do sector Sul de Condeixa. Estes seriam os limites mais correctos deste Sítio da Rede Natura 2000. 
Mas não só, pois de pouco vale criar um Sítio da Rede Natura 2000 se depois quase que se deixa a mesma ao abandono. O ICN falhou nesta questão e o actual ICNF acentuou a falha, ao quase que demitir-se da gestão do Sítio Sicó/Alvaiázere. Os últimos governos têm igualmente falhado, pois o prometido apoio não chegou e isso quase que colocou em causa alguns destes locais de grande importância ecológica, cultural e económica. As Câmaras Municipais também têm falhado a toda a linha, pois em vez de pugnarem pela valorização da Rede Natura 2000 e apoiarem iniciativas várias (ex. parcerias com universidades e empresas) com vista a um maior conhecimento dos valores naturais ali existentes (para uma boa gestão dos mesmos), têm feito a apologia do estorvo, dizendo implicitamente que a Rede Natura 2000 é um estorvo ao desenvolvimento territorial.
Curiosamente os que têm feito o melhor trabalho são as associações de defesa do património, das quais destaco aqui a Al-Baiaz. Quem menos tem é quem mais tem feito, quem diria...
Também, e em recentes revisões de PDM, reparei que pelo menos num caso as Orientações de Gestão preconizadas para a Rede Natura 2000 foram pura e simplesmente ignoradas (ex. Ansião). Outras que ainda não finalizaram, referem que vão ter em conta as Orientações de Gestão (ex. Alvaiázere).
Tem faltado também algo que é estrutural, ou seja a informação sobre a Rede Natura 2000. Consultando os respectivos sites das câmaras municipais da região de Sicó, facilmente nos deparamos com um cenário de uma pobreza informativa assinalável, onde a única coisa que aparece é mesmo um mapa rudimentar do Sítio Sicó/Alvaiázere nos geoportais respectivos. Informação sobre o essencial, ou seja os habitats e espécies, nicles...  
E mesmo nos portais turísticos (ex. Descubra Ansião) nem uma única referência sobre a Rede Natura 2000. Como é isto possível?!
Resumindo, a estratégia para a Rede Natura 2000, baseada no seu conhecimento, na sua protecção e na sua utilização enquanto recurso tem falhado a toda a linha.
Mas há mais, já algum de vós ouviu as Câmaras Municipais afirmar/comunicar que há subsídios relativos à Rede Natura 2000, os quais pretendem apoiar todos aqueles que têm a sorte de ter terrenos dentro desta área protegida? E apoios à conservação do solo, das culturas permanentes tradicionais e manutenção de sistemas agrosilvopastoris? (Portaria nº 58/2015; Portaria 50/2015; Portaria 56/2015; Portaria 24/2015; Portaria 25/2015). Surpreendidos? Ainda bem que ajudei a desmistificar... 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Porque é que o património não marca?


É uma questão muito complexa e transversal, portanto dá pano para mangas quando queremos falar sobre esta mesma questão. Porque é que o património não marca é a questão que todos querem ver respondida. No particular ninguém tem a resposta, mas no geral todos temos a resposta. Complicado? Não, até acaba por ser simples. A resposta é uma equação baseada numa série de variáveis, as quais surgem de uma série de factores, alguns concretos, outros objectivos e outros nem uma coisa nem outra. Quando se faz uma leitura de conjunto, a coisa até se percebe no essencial.
O problema é que nas últimas décadas a abordagem tem sido a mesma e elaborada pelas mesmíssimas pessoas e interesses económicos. Tudo aquilo que estas mesmas pessoas não gostam ou não entendem, não entra na equação principal, daí não serem, por vezes, percepcionadas por quem de direito.
Todos temos culpa, desde o cidadão até à entidade pública ou privada. Há 2 semanas, nas extraordinárias VII Jornadas Temáticas da Al-Baiaz, onde pude dissertar sobre esta temática, consegui mostrar algo de novo a muitas pessoas. Para mim foi mais uma aprendizagem, pois a cada apresentação que faço, tento melhorar as minhas capacidades de comunicar com todos aqueles que se interessam sobre património, seja ele natural ou cultural. Uma das coisas que aprendi nesta última década é que as pessoas foram formatadas a pensar de uma forma redutora e claramente limitada. Somos educados numa lógica de pensamento limitado, ou pensamento de massas e, quando confrontados com novos horizontes, a primeira coisa que fazemos é basicamente dizer que aqueles horizontes são irreais e que o caminho certo é aquele que "as massas" nos ensinaram.
No final das VII Jornadas Temáticas da Al-Baiaz, recebi algum feedback sobre a minha apresentação. Fiquei satisfeito, pois conseguir chegar onde queria, numa espécie de acupunctura que estimula a forma de pensar, abrindo assim caminho a novos horizontes e no pensamento crítico. Na minha opinião, a maior luta a ser confrontada nas próximas décadas é mesmo a informação, o transmitir e partilhar conhecimento, o que, diga-se, não é fácil porque infelizmente são poucos os que o sabem fazer. Desenvolver o pensamento crítico, longe de ideologias políticas ou religiosas é a melhor forma de o fazer, pois as ideologias têm um problema fundamental, o de formatarem à priori as mentalidades, castrando assim formas diferenciadas de pensamento. Muitos dos estereótipos existentes devem-se às ideologias.
Quando queremos debater património temos ter em conta tudo isto e muito mais. O que mais me preocupa é mesmo a falta de informação desta sociedade, a qual hoje em dia sabe mais de coisas supérfluas do que factos essenciais para nós, enquanto espécie. Ainda consigo ficar surpreendido quando partilho alguns factos sobre património e as pessoas me dizem que não faziam ideia. Ainda fico surpreendido com o facto de as pessoas não saberem muito daquilo que pode possibilitar o desenvolvimento territorial. Ou melhor, até sabem mas são vítimas do endeusamento da economia pura e dura, onde esta está no centro de tudo, mesmo apesar de, no concreto, não estar e depender em primeiro lugar do ambiente, senso lato, e de tudo o que daí retira.
Este não é um comentário simples de entender, eu sei, mas não deixa de ser necessário...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Bicicleta, luzes... acção!


Mais do que um objecto vulgar, a bicicleta é, para mim, um objecto que está intrinsecamente ligado a uma forma de estar na vida, a um estilo de vida ainda considerado como alternativo. Infelizmente ainda existe o estigma associado ao acto de andar de bicicleta. "Lá vai o pobre diabo" é apenas uma de muitas expressões utilizadas para caracterizar aqueles que fazem questão em andar de bicicleta no seu dia-a-dia. É certo que as mentalidades evoluíram, mas não o suficiente. Continuo a sentir o mesmo que sentia há quase 30 anos, quando me olhavam, de alguma forma, de lado, num quase desprezo, quando passava com a minha bina na Vila de Ansião. Felizmente que nunca liguei a esse tipo de mentalidade e ignorei os comentários. O tempo acabou por me dar razão.
Tal como na década de 80 e início da década de 90, nos últimos anos a bicicleta voltou a estar na moda. E ainda bem!
O intuito deste meu comentário não é dissertar sobre este objecto de culto, mas sim alertar para alguns dos problemas associados ao importante acto que é andar de bicicleta. Faz bem à saúde, à carteira e, diga-se, consegue ser bastante emocionante. A única excepção, diga-se muito rara, é quando um mosquito entra onde não deve e incomoda.
Enquanto utilizador diário de bicicleta, seja para desporto seja para deslocação, tenho uma percepção que me faz ser crítico perante alguns comportamentos que devem ser evitados a todo o custo, a bem de todos. E quando falo em comportamentos desajustados, não estou a falar dos miúdos traquinas que populam a urbe, mas sim dos adultos que deviam ter alguma consciência cívica. É certo que falta sensibilização rodoviária, tal como se fazia antigamente, mas nada, sublinho, nada pode desculpar a não utilização de luzes à noite nas nossas bicicletas. Acima de tudo é uma segurança para nós, utilizadores de bicicleta. E não há desculpa, pois há várias formas de nos fazermos ver à noite. Eu tenho 3 bicicletas e faço-me ver de forma diferente, conforme a bicicleta em causa. Infelizmente já fui atropelado de bicicleta (de dia e sem culpa), portanto sei o que custa e o que dói...
Vamos todos colocar luzes e reflectores nas nossas bicicletas, pois é importantíssimo, especialmente no Outono e Inverno, onde as noites são mais longas. E não quero desculpas!
Agora uma sugestão, Outono e Inverno não são sinónimo de bicicleta na garagem. Não está sempre a chover, portanto aproveitem e façam da bicicleta o vosso transporte diário. Frio? Utilizem roupa adequada, é simples. Precisam de levar papelada e não é prático? Comprem acessórios que o possibilitem, pois há-os para todos os gostos e carteiras, impermeáveis ou não. É caro? Já pensaram quanto é que gastam em gasolina e manutenção do carro? Qual fica mais caro?! Muitos de vós trabalham a pequenas distâncias do trabalho, portanto distância não é desculpa...
À parte das luzes e reflectores, há a opção do capacete, o qual deve ser sempre uma opção e nunca uma obrigação. E já agora, nunca, mas nunca, utilizem a passadeira quando forem de bicicleta, pois apenas os peões têm prioridade, não quem vai na bicicleta e passa na passadeira. Evitem os passeios, pois na região de Sicó não há, regra geral, essa necessidade.
O desafio está lançado, esperando eu cruzar-me com alguns de vós um destes dias, de bicicleta, num qualquer lugar na região de Sicó.