quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Querem saber o que é mobilidade? É isto!


Terminou há poucos dias a Semana Europeia da Mobilidade, daí que eu tenha esperado até agora para vos trazer esta temática na primeira pessoa.
Muitas vezes ouvimos a palavra mobilidade e ficamos com dúvidas sobre o que afinal é. Por vezes vamos procurar a melhor definição, esquecendo que a mesma depende muito de indivíduo para indivíduo, de país para país e de região para região. Contudo procurar a melhor definição não é a melhor solução...
A melhor solução para entender o que é afinal a mobilidade é mesmo falar com quem faz dela o seu modo de vida há uns anitos. Sou suspeito, contudo lembrei-me de mim e nada melhor do que vos dizer o que é, para mim, a mobilidade. 
Apresento-vos em primeiro lugar as minhas 4 meninas de duas rodas. Exagero? Nada disso, eu explico!


A primeira "menina" é a mais antiga de todas, que já vem do início da década de 90. Foi uma das minhas bicicletas da juventude, aquela que ainda resiste, considerando-a eu uma clássica (a primeira mesmo minha era laranja e foi roubada quando a deixei encostada no gimnodesportivo por 10 minutos, mesmo com pedal e travão partidos...) É uma Sirla, marca portuguesa que já não existe, mas que ainda se vê pelas estradas. Esteve uns anos encostada na garagem até que a voltei a utilizar. Tive de investir 68 euros para a pôr nova, aproveitando para lhe meter pneus de estrada. Ao final de 6 meses já tinha pago o investimento, já que, ao evitar utilizar o carro, pegando na bicicleta para as viagens diárias até aos bombeiros, na época de Verão, tive o retorno em poucos meses (relativo ao que gastei no arranjo, ou seja pneus, câmaras, travões e afins). Continua a rolar, claro que de forma comedida, já que é uma clássica. Para pequenos trajectos é perfeita para tratar dos assuntos. Tem valor sentimental, já que além de ter sido uma das biclas da juventude, fui atropelado nesta mesma bicicleta, na segunda metade da década de 90, por um condutor apressado (que reconheceu a culpa e pagou a despesa médica e o arranjo da bicicleta (a malvada da cicatriz é que ainda resiste...).
Em segundo lugar eis a minha bicla de montanha, a minha primeira bicicleta de "topo". Comprei-a em 2005, quando comecei a ter os primeiros ordenados enquanto geógrafo. Custou, na altura, 599 euros. É, como podem imaginar, uma bicicleta para o monte e para umas pequenas voltas utilitárias. Já tem largos milhares de km...


A terceira bicla é uma órbita, um modelo que já não é fabricado, o que significa que já é uma clássica. Comprei-a em 2009, na fábrica da Órbita. Como precisava de uma bicicleta utilitária, que desse para pequenos trajectos e para meter na bagageira do carro ou levar no comboio, decidi que seria uma boa compra. E assim foi! Tem sido muito útil, vos garanto. Podem achar este modelo antiquado, contudo não me importo. Decidi-me por este modelo porque me faz lembrar a bicicleta na qual aprendi a andar em duas rodas, uma órbita muito semelhante a esta, mas verde. Dobra no guiador e no quadro, sendo bastante prática.


Por último a minha última aquisição, uma bicicleta de estrada, a qual eu ansiava há muitos anos mas que demorou. Decidi adquirir esta bicicleta porque as outras não eram as indicadas para fazer trajectos rápidos e utilitários de 10 a 15 km e dar a bela da volta, sem ser no monte (obviamente), de vez em quando. Custou 349 euros em 2017, mas há umas semanas vi-a a 300 euros, numa campanha. Para o preço que custou é muito boa para uns anitos. Já abati uns 50 euros ao preço inicial, já que evitei a utilização do carro. Só não abati mais porque uma lesão tem-me impedido de andar de bicicleta (tem custado tanto...).
Ou seja, gastei apenas 1100 euros na aquisição da 2ª, 3ª e 4ª bicicleta ( a 1ª foi "oferecida" e penso que custou 18 contos). Já poupei alguns milhares de euros em gasolina, em viagens que fiz nas várias bicicletas, portanto pensem um bocadinho nisto... Apanhei uns sustos (muita besta de automobilista...), mas ganhei na saúde e na carteira. Andar de bicicleta é, para mim, uma forma de vida desde pequeno, da qual não prescindo e sobre a qual tenho grande orgulho. Não me incomoda ver certa gente olhar de lado, gente que anda a polir o passeio desde que eu era pequeno. As aparências não me iludem. Andar de bicicleta não é por necessidade (pouco dinheiro) mas sim por gosto, racionalidade e saúde (entre muitos outros...).
Como podem ver isto é mobilidade, a minha mobilidade. O carro só sai quando é estritamente necessário, nomeadamente para viagens grandes.
Para terminar, a lembrança de um pequeno exercício que fiz há 9 anos, o qual podem consultar aqui.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Porque o Chícharo é importante para Sicó!


Confesso que fico feliz por ver que o festival do Chícharo volta a ser organizado na devida altura, ou seja em Outubro. Já por várias vezes tinha alertado para o erro estratégico, em termos de marketing territorial, que era passar este festival para Junho. Deste modo o Chícharo volta a ganhar o devido protagonismo e Alvaiázere a mostrar que reconhece a importância de voltar a ter o Chícharo no seu devido lugar, de merecido destaque. É um festival que recomendo, portanto toca a agendar uma visita a Alvaiázere naquele fim-de-semana. E preparem o estômago para boa comida...

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Pequenos pormenores que fazem toda a diferença do mundo...


Há uns tempos visitei certo lugar a convite de um amigo particularmente dedicado à preservação do património natural. É raro visitar um local onde exista a perspectiva a curto, médio e longo prazo, pelo menos em Portugal, onde o terreno comum é apenas visto como bom para construir e pouco mais. É raro em Portugal existir aquilo que ali vi.
Se vos perguntar o que vêm na foto dirão provavelmente que vêm um muro e um carvalho. Poucos serão os que verão, em primeiro lugar, a atenção dada ao carvalho, na medida em que o muro foi feito de modo a acomodar o carvalho (podia ter sido dado mais espaço...). No Portugal típico o que acontece é que tudo o que se mete à frente de um muro vai à vida, ou seja, no típico Portugal aquele carvalho teria sido cortado. Felizmente que ainda vai havendo quem seja sábio e utilize essa sabedoria em seu benefício e em benefício da sociedade.
Podem dizer que este comentário é demasiado simples, contudo eu discordo, já que mostra um pequeno pormenor que faz toda a diferença quando se fala em mudança de mentalidades, na consciência ambiental e numa forma racional de viver a vida, onde se compatibiliza o viver e o viver num território com especificidades e mais-valias fenomenais, Sicó!
Vamos mudar o paradigma?!


sábado, 8 de setembro de 2018

Dois dedos de conversa perdidos...


Há uns dias voltei à Redinha, Pombal, já que é daqueles lugares aos quais vale mesmo a pena voltar regularmente. Andava a tirar mais umas fotos quando me deparei com um elemento peculiar hoje em dia. Trata-se nada mais nada menos do que um banco à antiga, daqueles que são cada vez mais raros, especialmente em ruas renovadas nos últimos anos. Para mim é algo com importância cultural, um objecto patrimonial, já que era ali que muitos se sentavam na conversa, sem pressas e com gosto de falar. Eram tempos onde o tempo ainda não tinha preço, mas, para melhor ou para pior, o tempo agora tem preço e isso é, para mim, uma pena...
Eu sou ainda do tempo onde me sentava num destes bancos, noutro lugar obviamente, e falava com os amigos ou com o pessoal de idade, ouvindo histórias e estórias de valor. Sinto saudades desse tempo, confesso. Actualmente as coisas são bem diferentes, já que além de ser cada vez mais raro encontrar um destes bancos, é cada vez mais comum ver pessoal num qualquer outro banco e sem comunicar entre si. A conversa é cada vez mais uma coisa ultrapassada, para muitos, que apesar de poderem estar sentados ao pé de amigos, estão de mão estendida com o telemóvel dito inteligente, com o indicador para cima e para baixo, alheados a maior parte do tempo dos amigos reais e cada vez mais focados nos amigos virtuais.
No que nos andamos a tornar afinal?!



terça-feira, 4 de setembro de 2018

Alterar o cenário pós dia de mercado: uma sugestão às autarquias e juntas de freguesia


É um cenário tristemente comum no típico mercado português. Depois de mais um dia de mercado fica sempre algo que não devia ficar...
Quem, como eu, gosta de comprar nos mercados locais, apercebe-se que depois de um dia de mercado fica uma herança que ninguém quer, ou seja plásticos e papéis a voar pelo recinto e pelas proximidades. Após a saída dos comerciantes, e mesmo depois de alguns funcionários procederem à limpeza do que ali fica, há plásticos e papéis que não são limpos, seja porque voaram para as proximidades do recinto, seja porque ficaram nalgum canto pouco visível. E isto acontece durante toda a manhã. Claro que cada mercado é uma realidade diferente, já que há cenários menos maus do que outros, contudo a realidade é comum aos diferentes mercados municipais, seja ela em menor ou maior grau.
Ninguém gosta do cenário pós dia de mercado, contudo ninguém avança para uma solução que resolva, de vez, o problema. É aqui que entra uma sugestão da minha parte a autarquias e juntas de freguesia. E que tal ter-se um regulamento específico, o qual obrigue cada comerciante a responsabilizar-se pelos resíduos decorrentes do dia de mercado? Como fazer? Simples, colocar por exemplo recipientes para os diferentes tipos de resíduos, nomeadamente plásticos e papéis, os quais representam a maioria dos resíduos que fica nos recintos após mais um dia de mercado. Ao mesmo tempo, sensibilização, muita sensibilização. E nesta última, premiar quem cumprisse, de forma a motivar os comerciantes a pugnar pela limpeza dos recintos.
Urge alterar o paradigma, portanto mãos à obra!