sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Porcos por vocação ou por convicção?!


Infelizmente não é a primeira vez que aqui falo sobre porcalhões. Infelizmente não deverá ser a última, pois há porcos que vão continuar a ser o que mais gostam, porcos.
Tenho vários amigos caçadores, dois ou três até costumam ficar "tocados" com este tipo de comentários, muito embora não façam parte do clube dos porcalhões. De certa forma compreendo isto, pois em qualquer "clube" temos a tendência a proteger-nos uns aos outros. Mesmo assim costuma ser pacífico, pois sei que eles não se reveem nos actos ilustrados por estas duas fotografias.
Pormenores à parte, não compreendo porque é que um qualquer caçador não tem de entregar um cartucho cada vez que compra um novo. Esta seria uma excelente forma de promover a reciclagem deste tipo de resíduos. E nem daria trabalho, pois o caminho de ida, para a entrega dos cartuchos na loja, é o mesmo de regresso à fábrica.
Não faço ideia de quantas centenas de milhar de cartuchos são mandados para o chão por gente reles e sem escrúpulos. Sei apenas que este cenário continua a ser recorrente. Estas duas fotos são de um mesmo caminho, no limite entre Ansião e Penela, onde pelo menos dois porcalhões decidiram que é fixe deixar o seu lixo, pois das duas uma, ou alguém, como eu, vai apanhando alguns, ou ficam ali simplesmente a degradar-se por muitos e longos anos. E as associações de caçadores da região pouco fazem para mitigar este problema...
O único local onde vi recipientes para recolha de cartuchos, entretando desaparecidos, foi ali pelos lados das Serras da Portela e do Castelo (Pousaflores).
Se vocês tiverem amigos ou conhecidos, caçadores, abordem este problema, pois pode ser uma boa forma de começar a mudar mentalidades retrógadas e imbecis. Nada fazendo, o cenário continuará a ser este. Será que querem que assim continue?!


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O bom, o mau e o vilão: qual vais ser?

 

É um título algo provocatório, reconheço, mas por vezes tem de ser assim mesmo, estimular para criar uma reacção. A iniciativa que agora pretendo destacar tem um enorme adversário, o qual dá pelo nome de apatia. Especialmente na região de Sicó, muitas pessoas têm medo de exercer a cidadania activa, parte por receio em termos de imagem, parte por mero comodismo ou indiferença. Isto mesmo que muitas destas mesmas pessoas seja críticas (virtuais) do muito que está mal na região. Mas quando se trata de passar das palavras à acção, então aí a conversa é outra. Ficar quieto, no seu cantinho, é mesmo a melhor opção para alguns (infelizmente...).
Lanço-vos agora um desafio, o de se informarem sobre esta iniciativa inovadora, enquanto abordagem, na região de Sicó, e o de partilharem esta mesma informação, de modo a ter grande impacto na região de Sicó (Alvaiázere, Ansião, Pombal, Penela, Soure e Condeixa-a-Nova).
O desafio acaba por ser simples, ou seja, no dia 7 de Abril, dia mundial da saúde, enviarem uma mensagem aos vossos autarcas (presidentes de câmara e junta de freguesia), pedindo que deixem de utilizar herbicidas nos seus municípios e freguesias. Terão uma mensagem disponível, tendo apenas de fazer copy-paste e enviar, via correio electrónico, para os endereços ali disponibilizados. Resumindo, não dá trabalho. Toda esta informação vai estar disponível no site do evento e na Plataforma contra os herbicidas - Sicó.
Estou muito curioso para ver até que ponto esta iniciativa terá adesão, até porque, como já referi, muitos têm receio de exercer a cidadania activa e mostrar o seu desagrado com a utilização de herbicidas, lesiva para a nossa saúde e para os ecossistemas. Uns preocupam-se e vão participar, outros não se interessam e outros simplesmente não querem saber, daí a analogia do bom, do mau e do vilão.
Agora, e para terminar, qual destes vão ser, o bom, o mau ou o vilão?!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Bem integrados, de certeza?!

Fonte: Jornal Terras de Sicó 

Fonte: Jornal Terras de Sicó

Há uns dias vi algo que me fez confusão, já que numa mesma notícia li sobre integração, mas vi a falta dela em algumas das fotografias. Mas gostei de ver bem integrados escrito: "bem integrados".
É sem dúvida um tema complexo, até porque quem fala dele está sujeita às críticas do costume, no entanto eu não tenho qualquer problema em debater a questão. Como se costuma dizer, quem não deve, não teme.
Já sabia da vinda de refugiados para a região de Sicó (Penela), algo que me agrada desde que com regras. As regras são as mais básicas, idoneidade dos refugiados e o compromisso de integração na comunidade. Países como o Canadá já fazem isso mesmo com bons resultados. Para mim a integração na comunidade e o respeito pela cultura local são pré-requesitos para uma boa aceitação e sã convivência.
Quando qualquer um de nós viaja, tem de respeitar o país onde está e a sua cultura. Enquanto pessoa que já visitou vários países, fiz isso mesmo sem qualquer problema. Se visse que havia problema não ia até lá, tão simples como isso. Os meus horizontes alargaram de sobremaneira e a minha tolerância aumentou bastante. Conhecer diferentes culturas enriquece-nos e torna-nos muito tolerantes, ainda mais se formos geógrafos (uma das profissões mais fantásticas que existe!).
Por isto tudo e por muito mais vejo com bons olhos a vinda de refugiados para Portugal, embora me pareça que quem andou a brincar à geopolítica no médio-oriente (Reino Unido; Alemanha; França, etc), deva ser quem mais refugiados deve receber. Mesmo assim Portugal pode receber alguns milhares de refugiados e a região de Sicó algumas dezenas.
Contudo há aqui alguns senãos, o primeiro é que o processo deve ser do tipo bottom-up e não o contrário, tal como está a acontecer. Isto vai resultar em problemas graves, mais tarde ou mais cedo. Acredito na boa vontade das pessoas, no entanto este tipo de processo tem de ser bem pensado e estruturado.
Mas indo então aquilo que me leva a escrever este comentário, será que devemos aceitar a falta de integração que se observa nestas fotos? Portugal deve criar legislação que acautele o interesse superior do país e isso passa por proibir que mulheres possam circular na rua com adereços como a burca, niqab ou afins. A integração passa por isto mesmo. Caso não queiram, então têm vários países onde podem utilizar estes adereços.
Estou curioso para ver as reacções a este comentário. Aposto que alguns se vão ficar pelo título e começar com o cliché da islamofobia, tentando colar-me esse rótulo. Estes "alguns" não sabem sequer que a burca, niqab ou afins não têm nada a ver com o Islão, mas sim com um segmento fundamentalista que "segue" o Islão. É certo que a islamofobia existe na sociedade, derivado de alguma iliteracia cultural, mas, e como disse, esta questão nada tem a ver com religião, mas sim com correntes fundamentalistas.
Há também que relembrar a herança árabe, que faz parte da identidade da região de Sicó. Os topónimos são apenas um dos muitos notáveis exemplos. 
O facto de a maioria de nós ser tolerante e sermos um povo que recebe de braços abertos, não significa que devemos aceitar o desrespeito pela nossa cultura, pelos nossos costumes e pelas nossas tradições. A todo/as aquele/as que querem vir para Portugal e para a região de Sicó, bem vindos!

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Ignorância burra e dura...


Há muitos anos que desisti de dizer que já tinha visto de tudo, já que afinal há sempre algo mais a ver. Tendo em conta que é uma questão que tem tudo a ver com a região de Sicó e com a sua identidade, passo então aos factos.
Sou do tempo em que ainda era normal andar de carroça, já que na década de 80 ainda era vulgar ver carroças a circular na via pública (ou até bois). Hoje é raro. Lembro-me bem daquelas viagens da Constantina até Ansião, é daquelas imagens que não esqueço. A carroça dava apenas para levar 3 pessoas sentadas (magras) e mais duas ou três sentadas atrás. A mula era pacífica, pois era bem tratada pelo dono. Sei que nem todos os donos destes belos animais faziam o mesmo, mas é como em tudo, há as boas e as más pessoas, há as boas e as más atitudes. Espero que esta tradição/modo de vida não acabe de vez, pois seria uma perda irreparável. 
Eis que há uns dias me deparei com algo que considero inconcebível, algo que está a ser proposto por gente que perdeu completamente o discernimento e a capacidade de separar as coisas, confundindo alhos com bogalhos, já para não falar na componente demagógica e populista. Denomino-os como fundamentalistas, na verdadeira acepção do termo. Costuma-se dizer, e bem, que a virtude está no meio, mas esta gente está no extremo.
Esta gente, que eu denomino também por pseudo amigos dos animais, querem, imagine-se, proibir a circulação de veículos de tracção animal na via pública. A sua justificação é a de que trata-se de exploração animal. Só gostava de saber o que é que esta gente anda a fumar.... Deve ser por viverem nas cidades e respirarem demasiados gases dos automóveis.
Dizem que colocam em causa a segurança rodoviária, bem como a de pessoas e bens. Fiquei confuso, pois isto é claramente um argumento para os carros, não para as carroças. Se me disserem que deveriam ser impedidas de circular por exemplo no IC8, aí concordo plenamente (lembro-me de um acidente com uma carroça na recta dos Ramalhais, há uns anos), agora de resto não.
Falam também no controlo na idade e na habilitação dos condutores de carroças, ou seja, em termos genéricos um não argumento. Até pensei que eles estavam a falar nos condutores dos papa reformas... Falam também em vítimas mortais, decorrentes de acidentes com veículos de tracção animal, sem referir sequer quantas foram afinal. Parece que não se assustam com as centenas de mortos relacionadas com carros, motos e camiões, mas que se assustam com 2 ou 3 mortes relacionadas com acidentes com carroças e afins. Patético...
Não menos importante, a fotografia que ilustra a petição, é de um caso ligado aos maus tratos a um cavalo por parte de ciganos (parece-me que no Algarve). Não utilizaram uma fotografia de um daqueles velhotes que guia uma carroça, com um burrico, porque será? Ai essa manifesta manipulação dos factos... Além de não conseguirem distinguir cavalos de burros, não sabem distinguir a utilização secular de animais com os maus tratos, colocando tudo no mesmo saco. Será que não sabem que há quem trate os animais bem?!
Falam em susceptibilidade de terceiros, de uma forma manipuladora e, diga-se, demagógica.
Imagem de Portugal e dos portugueses severamente lesada? Desde quanto? Das duas uma, ou esta gente não viaja ou então não têm acesso à internet. A atitude destes e a sua notória falta de discernimento é que lesa Portugal e os portugueses.
Falam em escravidão animal, e logo de uma forma filosófica, mas ao mesmo tempo compram roupa made in China, Bangladesh ou afins, feita por pessoas escravizadas pelo capitalismo predatório. Esquecem-se também que naquelas áreas onde são explorados recursos para os seus telemóveis, televisões, carros e muito mais, já existiram florestas com animais, os quais foram mortos para abrir caminho à desflorestação e consequente exploração de recursos geológicos ou biológicos. Esta gente perdeu completamente a noção do mundo em que vive, daí a minha crítica a esta pseudo petição. Por este andar, esta gente tem de ficar em casa, pois pode pisar uma minhoca e, assim, ser considerado assassino. Não corram riscos... Por este andar, muitos dos que têm gatos, têm de os deixar de ter, pois os gatos não podem ser reféns de gente que gosta de animais por um lado, mas não liga aos animais que têm de ser mortos para alimentar os seus gatinhos com rações gourmet... Ganhem juízo, nem 8 nem 80!!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O lado bom e o lado mau da caixa mágica: é bom, mas pode ser melhor...

É um comentário que pretende fundamentalmente promover uma reflexão sobre o poder da televisão, no bom e no mau sentido, na região de Sicó.
Eventos como a Feira dos Pinhões, em Ansião, são território prodigioso para a vinda de canais televisivos à região de Sicó. A vinda de um qualquer canal significa milhares de visitantes e, melhor, enormes dividendos para os comerciantes da região. Resumindo, é algo de indiscutivelmente muito positivo e com enorme potencial económico. Claro que em termos de marketing territorial também pode ser um enorme trunfo, caso a estratégia seja bem estruturada.
Só não aprecio o facto de as televisões acabarem por se servir destes eventos para ganhar dezenas de milhar de euros com a injecção forçada das chamadas telefónicas (facturam anualmente milhões de euros...). Para as televisões estas festas são um meio para chegar a um fim, lucro puro e duro.


Mas indo aquilo que me moveu a escrever este comentário, será que não conseguimos inovar, de forma a criar outros eventos que façam as televisões cá vir, e sem que isso passe por lhes pagar um cachet? Será que não conseguimos inovar e, assim, sermos diferentes dos outros? Claro que somos, mas para isso é preciso querer e saber trabalhar. Inovação territorial é algo que ainda não está muito em voga pela região de Sicó, mas felizmente que temos matéria-prima. Resta saber se as entidades públicas e privadas a conseguem potenciar devidamente.


Há também uma questão que tem de ser falada, ou seja o facto de neste tipo de eventos não haver virtualmente um regulamento que impeça a venda de produtos que nada têm a ver com o tradicional, confundindo-se com uma vulgar feira. Deveria haver um regulamento que impedisse algo como o que se vê na foto seguinte...


Se é um evento dedicado à tradição, porque não se favorece exclusivamente a mesma? Lembro-me há uns tempos, quando em Santiago da Guarda se organizou um evento no Castelo (Feira Quinhentista), com quase tudo devidamente enquadrado à época, inclusivamente a alimentação, lá fora estava uma roulote de kebabs a competir com o... tradicional!