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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

É bom, é um recurso económico importante, contudo...


Sim, sou um guloso. Sim, comi parte significativa destes medronhos. Sim, aproveitei algo que ninguém quis e que deixou ao abandono. Apesar de ser cada vez menor a área de medronheiros na região de Sicó, devido a abate de medronheiros e aos incêndios, o certo é que ainda há por aqui umas bolsas de medronheiros muito interessantes e que poderia representar mais uma valia económica entre muitas outras, menosprezadas.
A fileira do medronho continua a ser desprezada neste belo território. Devidamente estruturada poderia ser o melhor de dois mundos, um contributo para o repensar da fileira florestal e uma importante mais-valia económica, onde se consegue acrescentar valor à matéria-prima que é o medronho. Nos últimos anos tenho insistido nesta questão, tendo até aconselhado algumas pessoas a trilhar este caminho.
As autarquias deveriam fazer mais para que este recurso local fosse potenciado. As Associações Florestais, em vez de andar a sugerir a particulares que plantem eucaliptos geneticamente modificados (e a dizer que consomem menos água...) deveriam sim pugnar pelo ressurgimento de fileiras como o medronho. E nós, em vez de sermos invejosos e egoístas, deveríamos pensar que mais importante do que ganhar dinheiro rapidamente e à custa de tanta área ardida e sem fazer um chavo, é fundamental diversificar a fileira florestal, apostando nas espécies autóctones e fazer o desmame do eucalipto de uma vez por todas. Sim, as espécies como o medronheiro também rendem dinheiro e não representam o risco que o eucalipto representa. 
Vamos mudar o paradigma?!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O lado bom e o lado mau da caixa mágica: é bom, mas pode ser melhor...

É um comentário que pretende fundamentalmente promover uma reflexão sobre o poder da televisão, no bom e no mau sentido, na região de Sicó.
Eventos como a Feira dos Pinhões, em Ansião, são território prodigioso para a vinda de canais televisivos à região de Sicó. A vinda de um qualquer canal significa milhares de visitantes e, melhor, enormes dividendos para os comerciantes da região. Resumindo, é algo de indiscutivelmente muito positivo e com enorme potencial económico. Claro que em termos de marketing territorial também pode ser um enorme trunfo, caso a estratégia seja bem estruturada.
Só não aprecio o facto de as televisões acabarem por se servir destes eventos para ganhar dezenas de milhar de euros com a injecção forçada das chamadas telefónicas (facturam anualmente milhões de euros...). Para as televisões estas festas são um meio para chegar a um fim, lucro puro e duro.


Mas indo aquilo que me moveu a escrever este comentário, será que não conseguimos inovar, de forma a criar outros eventos que façam as televisões cá vir, e sem que isso passe por lhes pagar um cachet? Será que não conseguimos inovar e, assim, sermos diferentes dos outros? Claro que somos, mas para isso é preciso querer e saber trabalhar. Inovação territorial é algo que ainda não está muito em voga pela região de Sicó, mas felizmente que temos matéria-prima. Resta saber se as entidades públicas e privadas a conseguem potenciar devidamente.


Há também uma questão que tem de ser falada, ou seja o facto de neste tipo de eventos não haver virtualmente um regulamento que impeça a venda de produtos que nada têm a ver com o tradicional, confundindo-se com uma vulgar feira. Deveria haver um regulamento que impedisse algo como o que se vê na foto seguinte...


Se é um evento dedicado à tradição, porque não se favorece exclusivamente a mesma? Lembro-me há uns tempos, quando em Santiago da Guarda se organizou um evento no Castelo (Feira Quinhentista), com quase tudo devidamente enquadrado à época, inclusivamente a alimentação, lá fora estava uma roulote de kebabs a competir com o... tradicional!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A arte e o zanato


Falo, claro, do artesanato. Há várias definições de artesanato, no entanto não me cabe dissertar sobre qual será a melhor definição do conceito "artesanato".
Falando em artesanato, quantos de vós fazeis questão em comprar algo para oferecer no natal, feito em Portugal em vez de made in China? E quantos são aqueles que, juntando o útil ao agradável, compram algo realmente útil e feito localmente, com matéria-prima da região ou do país? Estes são pequenos grandes pormenores que fazem toda a diferença em termos de desenvolvimento territorial e económico, com evidentes reflexos também ao nível social.
O que vêm na foto são três artigos meus, camisola, cachecol e um gorro, sendo ao mesmo tempo o meu alibi perfeito para falar sobre artesanato. Não considero isto artesanato no verdadeiro sentido da palavra, pois tudo isto foi feito por pessoas minhas conhecidas, a custo zero (para mim, claro) e à medida. Se fosse algo produzido para vender, aí consideraria tudo isto como artesanato, no entanto tudo isto são artigos elaborados com o auxílio da bela arte do tricotar e sem intuito que não o utilitário. Quantos são aqueles que conhecem pessoas que ainda sabem tricotar? Na região de Sicó ainda há muitas, no entanto é uma arte que se vai perdendo.
Especialmente a camisola, é uma autêntica obra de arte, tendo eu outras mais e de várias cores, feitios e texturas. Se alguém me quisesse comprar esta camisola, eu não a vendia por valor nenhum. Tem valor sentimental e não há dinheiro que pague o sentimento, essa é que é a grande verdade. Sentimentos à parte, esta camisola vale mais do que uma semelhante, de marca elitista. Esta camisola, o cachecol e o gorro foram feitos com sentimento e não com propósito financeiro e isso faz toda a diferença. 
Não sei qual o valor de mercado de uma camisola deste género, feita à mão, claro, no entanto suspeito que valeria largas dezenas de euros. 
Estamos numa altura que se fala muito no comércio tradicional ou de proximidade, no entanto fala-se pouco de artesanato, de pessoas que são mestres numa determinada área e que poderiam ter mais sucesso se todos nós prestássemos mais atenção aquilo que nos torna pessoas mais interessadas pelo seu futuro, pelo futuro do seu país e por toda uma cultura secular. Que tal parar para pensar um bocado? Compra local e feito em Portugal, o país agradece e tu vais ver que também te vais agradecer!