domingo, 26 de outubro de 2014

Viagem ao Centro da Serra: falar sobre pedreiras incomoda muito...


Volto então à crónica "Viagem ao Centro da Serra", iniciativa que tem como intuito fundamental a discussão de um dos temas literalmente fracturantes desta região, ou seja a extracção de pedra calcária. Novamente, e para balizar o tema, eu não sou contra a extracção de pedra, sou sim contra a falta de ordenamento neste domínio. 
As negociatas em redor da extracção de pedra são, por vezes, muito curiosas, onde uma empresa costuma pagar o que eu considero uma reles renda em troca da destruição de um bem maior, muitas vezes em terrenos baldios, que em vez de serem geridos pelas comunidades, são geridos pelas autarquias respectivas. 
Desta vez trago-vos uma pedreira situada em Alvaiázere, para todos os efeitos a laborar há vários anos em plena violação do actual Plano Director Municipal (uma entre várias...), pois já há alguns anos que esta ultrapassou a área legalmente prevista para a extracção de pedra (facto!). O imbróglio jurídico decorre ainda. Este buraco situa-se no domínio dos baldios, sendo que a empresa paga uma renda de alguns milhares de euros à Câmara Municipal de Alvaiázere. É uma das pedreiras que mais polémica tem trazido à região.
Deixo-vos com estas imagens, esperando que as mesmas vos ajudem a reflectir sobre um tema que realmente a todos importa. O pior que podemos fazer é alhearmo-nos desta questão, assobiar para o lado e continuar a ouvir opiniões baseadas em estereótipos, disseminados muitas vezes por gente comprometida com os interesses económicos que abrem estas crateras numa região onde a paisagem cultural é ainda uma marca de grande valor.








quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Voluntário/as precisam-se!


Fica o desafio para aqueles que podem ajudar no dia 25, em prol da floresta portuguesa. Eu estarei por lá, pedindo a todo/as o/as que possam que façam o mesmo. Agradeço divulgação!

sábado, 18 de outubro de 2014

A caca da caça...


Fico entristecido por, de forma recorrente, ter de falar deste tema. Fico feliz por nos últimos anos o número de caçadores ser cada vez menor, especialmente tendo em conta o facto de muitos deles terem prazer em vandalizar tudo aquilo que encontram à frente. Seria importante todos os caçadores terem de prestar provas, de modo a que anormais como aqueles que fazem o que consta na fotografia acima, e ocorrido em Penela, fossem detectados e impedidos de pegar numa espingarda.
É certo que nem todos os caçadores fazem asneira, conhecendo eu alguns que respeitam, no entanto nunca ouvi um destes dizer que deu uma lição a algum caçador menos respeitoso. Já vi algumas boas acções de caçadores, no entanto a maior parte delas tem segundas intenções, vulgo greenwash!
Há umas semanas, ao voltar ao local de um incêndio, ocorrido em 2012, em Alvaiázere, deparei-me com algo preocupante. Na altura estranhei que, sob o falso pressuposto do combate ao incêndio, se rasgasse um estradão pela colina do Castelo, precisamente no seguimento de uma estrada ilegal, aberta por uma empresa de extracção de pedra (denunciei o caso às autoridades nessa altura). Agora, ao voltar ao local, constatei que a única acção ali feita, depois do incêndio, não foi prevenir incêndios, mas sim plantar umas quantas placas alusivas a um campo de treino de caça. O que tem a Associação de Caçadores de Alvaiázere a dizer sobre o caso? O que tem a Câmara Municipal de Alvaiázere a dizer sobre esta situação, tendo em conta que, tal como o faz para outras associações concelhias, transfere anualmente alguns milhares de euros, através de subsídios (directos e/ou apoio a batidas ao javali), para aquela Associação?


terça-feira, 14 de outubro de 2014

O bicho papão do mau tempo...


Não aprecio nada ouvir na rádio ou na televisão o termo "mau tempo", pois este termo rotula negativamente algo que eu considero belo. Há sol e há chuva, há calor e frio, há vento e a ausência do mesmo. Para mim há apenas tempo mais ou menos favorável a determinadas actividades. Mas isso sou eu, que já tive a felicidade de estudar climatologia. 
Quando a chuva está por perto, a maior parte das pessoas recolhe-se demasiado tempo nas suas casas, entre paredes. É nessa altura que se vê uma enorme mudança no comportamento das pessoas, pois mais parece que estas se diluem caso levem com alguma chuva, daí o medo de uns pingos de água. Por esta altura são já escassas as pessoas que passeiam na rua depois da jantarada, tal como o faziam naquelas noites quentes de Verão. É comum eu andar sozinho por aí, já que afinal quase todos estão em casa. 
Muitas destas pessoas não se apercebem do que afinal estão a perder. Roupa quente e conhecimento sobre os fenómenos meteorológicos fazem toda a diferença na hora de saber usufruir de um qualquer território no Outono ou no Inverno. Por exemplo, ir à serra e ver algo de tão belo como o que a fotografia acima mostra, vale mesmo a pena. E não, não é nenhuma imagem de um filme, é a realidade que passa literalmente por cima de muitos de vós. A trovoada também é bonita de se ver, mas para isso há que seguir regras básicas de segurança, por isso não recomendo a todos que façam o que eu faço quando há a bela da trovoada.
Quando o tempo estiver de chuva, experimentem uma perspectiva como a que a fotografia acima mostra, tenho a certeza que a maioria de vós ficará maravilhado/a!


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A identidade cultural e o exercício da cidadania

Muitos falam dela, mas, talvez por ser tão chata e trabalhosa, muitos prescindem dela em momentos determinantes. Falo da bela Cidadania, uma Senhora que é pouco falada por uma sociedade cada vez mais alicerçada no supérfluo, no culto da aparência e numa vida alicerçada numa muito preocupante inversão de valores.
Há poucas semanas atrás realizou-se na região de Sicó um evento cultural de grande qualidade, no qual fiz questão de participar, usufruindo gratuitamente de actividades várias, inseridas na Feira Quinhentista ocorrida em Santiago da Guarda, Ansião. Fiquei bastante contente por ali estar e (re)ver que, quando querem, as autarquias conseguem realizar eventos culturais de grande valia. Houve algumas falhas, mas o comentário às mesmas fica para depois.  


Durante o evento, e por várias vezes, andei a palmilhar cada cm do recinto e no seu exterior, tentando absorver aquele ambiente fantástico que por ali se propiciava. Falei com o pessoal conhecido, tirei várias fotografias e ainda fiz uns vídeos. Bom ambiente, boa música, boa comida e muito mais.
No domingo a chuva estragou o ambiente, mas quanto a isso nada havia a fazer...
Em tudo isto falhou algo que me preocupa desde há vários anos, ou seja a pouca participação pública por parte de uma população que mais facilmente iria aquele lugar se lá houvesse uma festa (paga...) com um daqueles espécimes saídos da casa dos labregos. Não me conformo com o facto de se ter um evento cultural tão importante e serem poucas as pessoas que fizeram questão de participar naquele evento. Foram algumas centenas, mas num país que efectivamente gostasse da sua cultura seriam milhares de pessoas a usufruir deste evento, o qual em caso de necessidade poderia facilmente ser ajustado para um maior número de visitantes.


Nós, portugueses, andamos a ganhar maus hábitos, um deles prende-se com a demissão do exercício da cidadania, gesto cada vez mais comum por este território tão peculiar. A cidadania significa direitos e deveres, no entanto muitos ficam-se quase que apenas pela parte dos direitos. São estes os primeiros a queixar-se quando as coisas correm mal, mesmo que parte da culpa seja destes, por terem mandado à fava os deveres. 
Para este país e esta região ter sucesso há algo de fundamental a ter em conta, o facto que de nada vale exigir aos outros um melhor país se nós próprios pouco fizermos pelo mesmo. Dar e receber é a máxima a ter em conta!
Quando souberem de uma qualquer evento cultural façam o mais simples, participem sff, pois a cultura e o património agradecem a lembrança!

domingo, 5 de outubro de 2014

A nova Lei dos Baldios está aí...



Parece incrível, mas o facto é que passou ao lado da maior parte da população. A nova Lei dos Baldios, elaborada por colarinhos brancos, está aí. Dos mais de 500 000 hectares de baldios existentes em Portugal, não sei quantos são relativos à região de Sicó.
Os baldios são desde há alguns anos um bem apetecido pelo poder político, que com esta Lei está no bom caminho para retirar ao povo mais um dos seus redutos. Parece-me evidente que esta alteração não é inocente. Aqui, na região de Sicó, um dos principais motivos que fez acordar o poder político para a importância dos baldios, foi a construção de parques eólicos, que resultou em avultadas verbas para as autarquias e que resultou igualmente em guerras entre compartes, que, agora, se viam perante uma mina de ouro. Já houve casos em que os baldios foram literalmente privatizados e, agora, as portas estão abertas para a especulação em redor dos baldios. A gestão dos mesmos terá em conta interesses externos e não o interesse das populações, tal como sempre foi apanágio dos baldios.
Uma coisa é certa, todos temos a culpa, uns mais do que outros, pois alheamo-nos do processo político, deixando os lobos ficarem com tudo. Muitos dizem que não têm tempo para estas coisas, mas têm tempo para horas a fio em frente à televisão. Temos o que fazemos por merecer, há que dizê-lo.
O certo é que a pouco e pouco vamos sendo espoliados de tudo o que de melhor este país tem. Colarinhos brancos, que vivem entre quatro paredes de um escritório qualquer, guiam as nossas vidas e nós até gostamos. Muitos são os que se queixam, no entanto poucos são os que se mexem em prol de causas e valores...