segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Grutas e religião na região de Sicó

É um dos muitos nichos com imenso potencial na região de Sicó, a relação entre grutas e/ou cavidades com a religião. É também um tema claramente pouco explorado, não só nesta região bem como em todo o Portugal Continental.
Foi este ano que foi publicado através da Sociedade Brasileira de Espeleologia, um artigo que versa sobre esta questão em território português, sendo abordado, entre outros, o caso da Senhora da Estrela, em Pombal.
A existência deste artigo é ainda desconhecida aos olhos de 99,9999% dos que vivem na região de Sicó, por isso mesmo trago-vos aqui este mesmo artigo, o qual pode ser consultado no seguinte link:

http://www.sbe.com.br/ptpc_v1_n2.asp

Como poderão ver, foi o Grupo Protecção Sicó que esteve à frente deste feito, escrever sobre algo polo qual poucos se interessam. É pena, pois bem aproveitado, este nicho do turismo pode revelar-se muito proveitoso para uma região rica em bons exemplos a variadas escalas.
Mesmo assim fica a nota muito positiva para os "descobridores", pois daqui a alguns anos quando algumas mentes, ditas inteligentes, chegarem à conclusão que há enormes benefícios económicos, outros irão dizer, mas isso já se sabia, pena não terem potenciado esse recurso mais cedo...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

"Terras de Sicó", um projecto falhado

Quem me conhece e costuma falar comigo sobre a temática de Sicó, sabe que eu quase me recuso a utilizar a expressão "Terras de Sicó", pelo menos desde os últimos 2 a 3 anos. Faço isto por uma questão muito simples, não aprecio nada que se confunda o nome da região, com uma entidade da região, por isso há que diferenciar claramente a região de Sicó, da "Terras de Sicó".
Curiosamente ainda nem sequer me dei ao trabalho de corrigir a expressão que eu próprio utilizo erroneamente na foto do topo neste blog, os mais atentos já devem ter reparado... mas brevemente irei repor a verdade (tenho adiado demasiado).

Pode parecer confuso, mas até a mim já me aconteceu, em conversas com pessoas de fora, apresentar a região como "Terras de Sicó" e não região de Sicó.

Mas, para os que não sabem, afinal o que é a "Terras de Sicó"? Simples, é uma associação de desenvolvimento da região de Sicó (http://www.terrasdesico.pt/). Curiosamente, apesar de ser da região de Sicó, não abarca toda a região de Sicó (?), fazendo uso sim de limites administrativos de concelhos vários, situação que efectivamente não corresponde à "verdade geográfica", aspecto último que já abordei há poucas semanas (a questão dos limites da região de Sicó).

Esta associação de desenvolvimento, quanto a mim, apresenta vários problemas, o principal é a politização da própria entidade, posição assumida pela própria "Terras de Sicó". Os outros problemas que detecto no funcionamento desta associação, são precisamente decorrentes da efectiva politização desta entidade, a qual não deveria, de todo, ser uma entidade politizada.

Uma associação de desenvolvimento, na verdadeira acepção da palavra, não pode ser uma entidade deste género, a não politização de uma associação de desenvolvimento é como que um pré-requesito para o seu sucesso enquanto dinamizadora de toda uma região.

Uma associação de desenvolvimento deve ser constituída por pessoas longe da instrumentalização política, já que de que vale a pena criar uma associação de desenvolvimento se ela não passa de uma extenção da influência de um autarca durante a vigência do seu mandato nesta mesma associação de desenvolvimento?

Será que tem alguma lógica ser um presidente de câmara a decidir por uma associação de desenvolvimento? Já não chega a influência, muitas vezes negativa, nos seus municípios? Como pode ser uma classe política, com ideias muitas vezes estereotipadas sobre desenvolvimento regional, um vector de desenvolvimento para a região de Sicó?

O insucesso da "Terras de Sicó" nota-se a vários níveis e a várias escalas, desde a organização de actividades várias para as quais não têm o necessário know how, contratando empresas de fora sem o fundamental know how, até à implementação de projectos sem o fundamental acompanhamento de entidades (não politizadas) que sabem efectivamente o território que temos. Este é um erro crasso desta associação de desenvolvimento.

Ficaria muito satisfeito se surgisse uma associação de desenvolvimento regional, imparcial, que em poucos anos pudesse competir com a "Terras de Sicó", penso que a região ficaria a ganhar muito com isso e o património agradeceria...

Se calhar, muitos dos que estão a ler este comentário pensam agora " como pode ser se esta associação está a conseguir alguns projectos?". É verdade, mas, de acordo com a minha experiência, muitos projectos poderiam estar já a decorrer há mais de uma década e com sucesso. A região de Sicó está muito atrasada no que concerne ao desenvolvimento regional, de acordo com as suas potencialidades, infelizmente faz-se crer que o progresso está a chegar porque apenas agora foi possível. O grave disto não é apenas o atraso, é sim a falta de sustentabilidade de muitos dos projectos. Além disso, estão na forja alguns projectos promovidos por interesses económicos externos que vão minar algumas das potencialidades da região, como é isto possível?

Este é um tema que dá para escrever muito, muito mesmo, por isso fica a promessa que voltarei a este tema, querendo com isso contribuir para uma discussão séria sobre algo que considero um problema a nível da região de Sicó.
Espero que este comentário ajude à reflecção pessoal da "Terras de Sicó" sobre o seu papel enquanto associação de desenvolvimento regional. Considero que seria positivo uma mudança de nome desta associação, além claro da mudança de mentalidades e paradigmas da mesma.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Vamos limpar a região de Sicó?!

http://limparportugal.ning.com/


É uma iniciativa que vai englobar o país todo, no entanto, o meu contributo será a nível da região de Sicó, querendo eu com isto em primeiro lugar divulgar a potenciais interessados, e em segundo lugar divulgar por toda a população, já que todos podem ajudar seja no desenvolvimento desta iniciativa seja na própria localização de lixeiras várias espalhadas pela região.

Em primeiro lugar o que aconselho é que vão ao link que consta por debaixo do logo desta iniciativa, aí podem inteirar-se da situação em termos globais e ver o enorme potencial que esta iniciativa tem na resolução de um problema ambiental grave na região que todos gostamos!

Esta iniciativa é simplesmente brilhante, vejam a sua origem e percebam como de forma simples se consegue resolver um problema bem complicado:


Eu quero dar o meu contributo não só através da divulgação do "Limpar Portugal", bem como pela participação activa nesta iniciativa ímpar em Portugal. Já me inscrevi, agora peço a todos os que se preocupam por esta questão (que interessa a toda/os vós) que ajudem a tornar esta iniciativa um marco na história da região e do país!

Vamos acabar com imagens como esta?!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

BTT sem regras destrói o património da região de Sicó!

É um tema que me anda a incomodar já há demasiado tempo, e por isso destaco agora algo que interessa a todos os que não só gostam da região de Sicó, mas também praticam um desporto que tem crescido de forma exponencial nos últimos anos, algo que tem começado a levantar um sem número de problemas...

O BTT é um desporto fabuloso e a região de Sicó também o é, mas noto que nos últimos 3 a 4 anos esta associação tem tido impactos bastante negativos, não pela prática deste desporto em si, mas pela falta de regras que tem levado a uma exploração abusiva de provas de BTT que visam, para alguns, apenas o lucro financeiro. Esta nota deve-se a algumas provas, organizadas na região de Sicó sempre pela mesma pessoa, que costumam ter mais de 500 participantes (ou 1000...), será isto racional? Infelizmente costumam até ser apoiadas por algumas das Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia da região de Sicó.

A resposta é simples, NÃO! O motivo é simples, há áreas sensíveis do ponto de vista ambiental que não se coadunam com tamanha barbárie que é a passagem de tanta gente num determinado local em tão pouco tempo. Em estudos ambientais há uma coisa chamada de capacidade de carga, significando isto que num determinado local não deverão passar mais do que X número de pessoas. Apliquem este raciocínio a algumas áreas mais sensíveis da região de Sicó.

Penso que o melhor exemplo do que falo, podem observar num vídeo no youtube, onde numa destas provas se assiste a um cenário pouco aceitável, todos ficaram a perder, o património e os participantes da prova:


Reparem mais ou menos aos três minutos deste vídeo o cenário que se assiste, será que é isto que se pretende numa prova de BTT que supostamente visa divulgar as belezas da região a pessoas de várias regiões de Portugal? Será que isto é um bom exemplo do que temos para oferecer?

Mostro este exemplo em particular apenas e só porque não encontrei o vídeo de outra prova onde a mesmíssima pessoa esteve por detrás e que se realizou no Vale dos Poios, local que devia estar protegido a este tipo de barbárie desportiva que apenas ajuda à depradação de alguns dos locais mais bonitos da região. Não tenho nada contra a pessoa que faz isto, apenas tenho contra o seu comportamento face ao exposto, curiosamente até conheço a pessoa em causa...
Confesso que, por vezes, é pouco confortável falar de temas que podem ferir as susceptibilidades de pessoas amigas (tenho muitos amigos que praticam BTT e que podem ficar algo incomodados com este comentário crítico, mas construtivo), mas temos de separar o trigo do joio!
São muitos os maus exemplos, uns piores do que os outros e a variadas escalas, mas todos eles têm em comum o facto de a sua organização deixar muito a desejar em termos desportivos e mesmo legais, já que sendo alguns deles em Rede Natura 2000 carecem de autorização por parte do ICNB.

Uma das formas que eu proponho para se resolver este problema é muito simples, permitir apenas que pessoas devidamente credenciadas por entidades como por exemplo o ICNB pudessem organizar este tipo de provas desportivas.


Esta foto mostra precisamente outro dos problemas (além da passagem dos participantes), a abertura de troços "especiais" para provas deste género. Abertura esta que deixa apenas locais sensíveis do ponto de vista ambiental (e protegidas...) vulneráveis à degradação acelerada, algo que é completamente inaceitável!
Relativamente a esta última foto, já falei com os responsáveis a alertar para a ilegalidade desta acção em particular, vi que houve alguma receptividade e algum mea culpa e ofereci-me para ajudar profissionalmente nesta complexa questão, a ver vamos o futuro...
Não vamos deixar a região de Sicó sofrer com estes abusos, ou vamos?! Fica o alerta...