quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sicó, uma paisagem de se lhe cheirar e inspirar por mais!


Quando pensamos em paisagem, a maior parte de nós pensa numa imagem visual marcante, a qual é moldada pela nossa experiência de vida. A mesma imagem pode ter significados muito diferenciados, dependendo então do observador respectivo. Duas pessoas semelhantes podem ver a mesma paisagem de forma diferenciada, e duas pessoas diferentes podem ver a mesma paisagem de forma similar.
Mas não é o "visual" que venho destacar, é sim o olfactivo. Há muitas paisagens e as paisagens olfactivas fazem parte deste grande universo que agora pretendo destacar. Fala-se muito de aromáticas na região de Sicó, contudo não se explora a vertente paisagística respectiva. Não podemos ver esta questão de forma redutora, pois não se trata de meras flores disseminadas pelas colinas e serras, isso é para quem tem horizontes curtos. Trata-se sim de biodiversidade, que de redutora nada tem, embora a Monsanto e afins a tentem reduzir (repararam como as manifestações do último fim de semana passaram ao lado da imprensa?!).
Há uns dias atrás consegui ter um dia dedicado ao usufruto de uma região que gosto bastante, como aliás muitos bem sabem. Assim sendo, peguei na máquina fotográfica e lá fui eu "sem destino". Fiquei muito incomodado por não conseguir tirar uma fotografia panorâmica sem que tivesse o estorvo das eólicas de Sicó, área na qual nunca deveriam ter sido implantados parques eólicos.
Polémicas à parte, lá cheguei eu ao topo de uma colina emblemática, sentando-me num ponto onde, além das eólicas, nada mais me incomodava. Apesar de, para mim, não ser nada de novo, foi bom sentir  novamente aquele cheiro fabuloso. Foi bom "meter a cara no chão" e ficar aprisionado por um cheirinho que, para mim, só é ultrapassado por aquele que surge quando caem os primeiros pingos depois do verão. Inultrapassável!
As entidades públicas desta grandiosa região não têm sabido explorar, obviamente de forma sustentada, esta riqueza patrimonial que a paisagem olfactiva de Sicó nos oferece... gratuitamente! Tenta-se inventar a roda, mas afinal ela sempre existiu.
Resumindo, paisagem não é sinónimo de olhos, é sim sinónimo de vida. Como alguém muito bem disse, só se preserva aquilo que se ama e só se ama aquilo que se conhece. No caso de Sicó, faltam mais pessoas que a amem e mais pessoas que a conheçam, daí mandar mais esta pequena gota para um oceano cada vez mais poluído...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Assalto à Serra de Alvaiázere


É um título figurado, inspirado num filme que muitos de nós conhecem e que já viram vezes e vezes sem conta. Mas este é outro filme, real, passado em Alvaiázere, o qual conta igualmente com várias sequelas. Desta vez a acção passa-se na Serra de Alvaiázere, essa serra que conheço tão bem e que já percorri a pé de lés a lés, vezes e vezes. 
Já há alguns anos que venho a alertar sobre este "assalto" à Serra de Alvaiázere, ao seu património, deixando aqui um desses exemplos:



Já em 2012, mais precisamente em Setembro, tive o privilégio de ser entrevistado pelo programa Biosfera (da Farol de Ideias), da RTP2, uma referência em temáticas ambientais. Nessa entrevista tive a possibilidade de demonstrar a todo/as o erro crasso que é este projecto de hotel para uma área supostamente protegida. Há alternativas, mas estas nunca foram ponto de interesse, partiu-se sim logo para a ideia de um elefante branco, custe o que custar, que nem capricho. Tem-se um discurso político (Paulo Morgado) em que à frente da imprensa se diz que se deve aproveitar o que já existe, em termos de edificado, mas depois, nas costas da imprensa, os factos são outros, betão, betão e mais betão.
Indo então aos factos:


Este artigo 20º tem a ver precisamente com aquilo que poderia permitir a construção de um hotel na Serra de Alvaiázere. Apesar de no PDM actual existir um espaço pensado, há mais de 15 anos, para uma estalagem, a qual nunca foi construída, este mesmo espaço não permite o projecto de hotel que de forma desesperada andam a tentar aprovar. É um projecto megalómano e completamente desajustado para aquela área protegida. Toma-se a coisa já como aprovada, mas afinal muita água irá ainda correr por debaixo da ponte...
Como este artigo 20º não permite a construção de um hotel, a Câmara Municipal de Alvaiázere está a tentar alterar tal artigo, moldando-o ao projecto, facto inaceitável em termos de ordenamento do território, esse bicho do qual Tito Morgado tão amigo se dizia em campanhas eleitorais. A edilidade refere que não é preciso um Plano de Pormenor, tal como previsto no PDM, pois diz que isso atrasaria os trabalhos. Diz também que a cartografia tem imprecisões, as quais justificam as alterações propostas.  
Um dos pontos mais estranhos neste projecto quase secreto, é o de que apesar desde processo de participação pública estar a decorrer desde o dia 3 deste mês, este apenas na última segunda-feira foi publicitado no site da Câmara Municipal de Alvaiázere. Isto é interessante, pois o facto de apenas na última semana de discussão pública ter sido publicitado na internet, impediu que a quase totalidade das pessoas interessadas em participar no processo pudessem ir à Câmara Municipal de Alvaiázere consultar o processo, pelo menos as que são contra. Há coincidências curiosas, isso há...
Já não é a primeira vez que surgem situações que, na minha opinião, se afiguram como que uma tentativa de limitação de participação de cidadãos que são contra tal projecto. A situação que atrás refiro será motivo de reclamação na entidade própria.
Mas não é tudo...
Um dos pontos principais, no qual a Câmara Municipal de Alvaiázere sustenta a necessidade de alterar (diga-se aumentar a área prevista...) a área de implantação de tal projecto, é o facto de haver incorrecções na cartografia. Ora, isso é falso, já que utiliza-se cartografia sem validade legal para sustentar as aspirações do projecto. Ou seja, em vez de se utilizar a carta de ordenamento, único documento válido, utiliza-se uma shapefile que apesar de resultar da vectorização da mesma carta de ordenamento, não tem quaisquer validade legal, mas apenas indicativa. É curiosa esta inocente omissão. Só consegui detectar esta questão porque, curiosamente, fui eu que vectorizei as cartas do actual PDM, sabendo portanto como são as coisas em termos técnicos. É um erro grosseiro e é a partir deste mesmo erro grosseiro que a Câmara Municipal de Alvaiázere sustenta indevidamente a sua posição, no que se refere a esta questão específica. Não gostaria de pensar que esta poderia ser uma tentativa de manipulação cartográfica, tal como acontece por este Portugal fora. Não se pode justificar os factos na base de falsos pressupostos
Mais ainda, qualquer projecto de estalagem para aquela área deve ser impedido, pois as condições actuais assim o obrigam. Quando o PDM entrou em vigor esta área não era protegida e agora é, é simples e não custa entender. Faça-se sim um hotel numa quinta histórica de Alvaiázere.
O documento de justificação da alteração, apresentado pela Câmara Municipal de Alvaiázere é tudo menos justificativo, pois, na minha opinião, não apresenta factos imparciais, fundamentados e sérios do ponto de vista técnico. Recorre-se sim a termos pomposos, constrói-se um cenário onde os actores principais são a demagogia e o populismo. Todos estes, e outros pontos, foram debatidos no documento que enviei hoje para a Câmara Municipal de Alvaiázere. Lamento apenas que aquele esquecimento, diga-se de passagem muito conveniente, tenha levado a que eu e muitos outros não tivéssemos a oportunidade de ir consultar todo o processo nas instalações da Câmara Municipal de Alvaiázere.
Por tudo isto e por muito mais, considero que aquele projecto nunca poderá ser aprovado, a bem do património. Há todo um processo muito pouco claro por explicar, algo de incompreensível numa sociedade supostamente democrática...
Fica uma questão essencial, para reflexão, como pode um projecto que além de não ter cabimento no PDM e não estar aprovado, ter já financiamento comunitário? Como pode isto acontecer, sabendo também que parece que existe um empresário nortenho interessado, o qual teria apenas de investir 1 milhão de euros, pois os restante 5 seriam pagos com fundos comunitários? Para que serve a União Europeia, se por um lado promove a Rede Natura 2000 e depois dá fundos para projectos que colidem com esta mesma Rede Natura 2000?
E não, não tenho receio algum de estar contra este projecto, pois apesar de saber que estou a lidar com interesses poderosos, sei também que tenho muita água para mandar aos seus pés de barro. E esse ponto é bem sabido por estes mesmos interesses. A argumentação que dou, neste caso, é pura água para os pés de barro deste projecto anómalo.
Lembrem-se que o exercício da cidadania não pode nem deve ser limitado seja por quem for. Exercer a cidadania não é apenas um direito, é sim um dever, pois só assim podemos tornar Portugal um país melhor. Desde que o façam como eu, de forma honesta e construtiva (e incisiva, pois claro), não terão problemas neste mesmo país fabuloso que urge proteger e valorizar devidamente!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Bzzzz, que é muito importante!


As últimas semanas foram complicadas, já que são muitas as ameaças que pairam sobre este belo insecto, do qual a humanidade depende em parte (para não dizer totalmente...). Ataques ferozes feitos por grandes multinacionais, que têm tentado impor a todo o custo a venda de pesticidas que matam, em larga escala, abelhas. É notório que tem sido aproveitado pelo lóbi dos pesticidas o facto da maioria das pessoas não dar o devido valor a este polinizador, para forçar a ilógica da pesticidação criminosa, a qual tem levado a um preocupante declínio das abelhas. 
A maior parte das pessoas, quando se fala em abelhas, lembra-se em primeiro lugar do seu ferrão, estereótipo cultivado desde sempre. Poucos são os que sabem o real valor não só das abelhas, bem como da crucial polinização.
Uma das pessoas que mais teria responsabilidade nesta questão, caso de Assunção Cristas, votou, por Portugal, contra a proposta de proibição dos pesticidas que causam grande mortandade, algo que me envergonha, pois mais do que ninguém, esta responsável política devia dar o exemplo pela positiva, e não pela negativa...
Centrando agora a questão na região de Sicó, e em termos de números, não sei como as coisas estão, contudo, e falando apenas em percepção, noto que as abelhas estão em baixa, possivelmente derivado de cada vez menos pessoas terem as suas colmeias, seja para produção própria, seja para venda. Vejo muito menos colmeias do que na década de 90. Não compreendo isto, já que  afinal de contas estamos numa região pródiga, onde a biodiversidade é notável e onde as aromáticas reinam.
Este é mais um vector de desenvolvimento regional que não está a ser tomado em conta por privados e entidades públicas, algo que lamento. Não há uma política pública que favoreça a apicultura.
Veio-me agora à memória algo que vi na Eslovénia, ou seja um camião cheio de colmeias que era estrategicamente posicionado nos campos, de forma a potenciar a polinização. Depois de algum tempo em determinado local, era mudado para as abelhas continuarem a sua tarefa importantíssima, à qual damos pouca ou nenhuma atenção. Porque não se pensa nisto na região de Sicó? Todos ficam a ganhar!
Se alguém ligado à apicultura, na região de Sicó, que leia este comentário, tenha factos concretos a acrescentar, terei todo o gosto em voltar a abordar brevemente esta questão, pois seria importante fazer um "RX" a esta questão. Para já, este comentário é apenas introdutório, pois voltarei a abordar a questão, mas de uma forma mais concreta.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

As "tretas" da reabilitação urbana na região de Sicó


Não, não são tretas, este título é apenas uma ironia que utilizo para dar a "roupagem" a um comentário que pretende esclarecer factos pertinentes. Há semanas atrás, fiquei algo perplexo quando li uma resposta a um comentário meu, o qual tinha elaborado após ler uma notícia que me surpreendeu pela negativa.
Começando pelo início, a notícia que comentei, no fórum de um Jornal on-line, tinha a ver com o facto da Associação Empresarial de Ansião (AEDA) querer empresas a investir em Marrocos. Apesar da AEDA estar no seu pleno direito, obviamente que, estando nós num estado democrático, fiz questão em comentar tal notícia, comentário este que nem sequer foi incisivo. Podem ler este meu comentário no link acima, mas no final verão que até nem teve nada de especial. Pretendi apenas alertar para o estado de muito do edificado, não só no concelho de Ansião, bem como na própria região de Sicó. Apesar de eu já defender a reabilitação urbana há muitos anos, as empresas do ramo apenas nos últimos meses é que admitiram que este era uma "tábua de salvação", sendo uma forte possibilidade de reconversão para várias destas empresas. A reabilitação urbana é aliás um vector de desenvolvimento reconhecido por vários governos da europa, daí eu estranhar que a AEDA, em vez de rebater de alguma forma o meu comentário, viesse apenas, que nem virgem ofendida, a atacar-me pessoalmente, na base do factos nicles.
Supondo que será mesmo a AEDA, já que no comentário assim se identifica, é de lamentar esta postura de alguém que pensa que é imune a críticas.
No meu segundo comentário, onde respondo à AEDA, aí já tive de ser incisivo, defendendo-me de um ataque muito pouco elegante. É engraçado alguém que nunca terá trabalhado nas obras venha tentar dar lições de moral a quem já tendo trabalhado no ramo, é já há alguns anos um técnico com valências também nesta área, já que o ordenamento do território assim o obriga. Isto tudo fugindo ao debate, indo apenas pelo ataque directo e baseado apenas em argumentação sem factualidade, o que é de lamentar dadas as responsabilidades da AEDA.
Ficarei agora atento ao dia em que a AEDA proponha um plano que vise a reabilitação urbana no concelho e da própria região, pois de conversa da treta e de lirismos estou eu farto. Há que ser-se sério na hora de criticar, sem patetices.
Se a AEDA não gosta de críticas, está no seu direito, agora pensar que está imune às mesmas é que é um engano sério. Em vez de me atacar em termos pessoais, ataque os factos sobre os quais me centro, estarei disponível para os rebater ponto a ponto. Não sei se a pessoa que escreveu tal comentário sofre de algum complexo de inferioridade, já que a forma como se expressou assim o faz parecer. Não compreendo porquê, já que quem me conhece sabe que sou uma pessoa simples e descomplicada, mas cada um sabe da sua vida. 
Volto a dizer que em primeiro lugar está a nossa região. Se é difícil, é, mas o mérito vê-se nas alturas difíceis...
E, para finalizar, a imagem inicial é de um das muitas centenas de edifícios devolutos que preenchem a paisagem urbana do concelho de Ansião (esta é em pleno centro da Vila de Ansião). Estas centenas de edifícios representam oportunidades ligadas à reabilitação urbana. O papel da AEDA é também, entre outros, o de inovar e criar programas que visem a reabilitação destes edifícios, promovendo-os de forma própria e/ou com entidades várias, caso por exemplo da Câmara Municipal de Ansião. Todos agradecem, empresas e jovens que querem investir na aquisição de casas reabilitadas, as quais têm uma alma própria e são bem mais interessantes do que aquelas casas novas, sem alma, que muitas vezes se constroem. O QREN também serve para isto, agora sugiro que façam o vosso trabalho de casa, mas só se quiserem, pois este é apenas um conselho de quem privilegia a nossa região...

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Breves notas sobre o minifúndio na região de Sicó


Há poucos dias atrás, ouvi novamente a palavra minifúndio, assunto do qual já andava para falar há uns tempos. Este não vai ser um comentário de fundo, mas apenas um breve comentário, introdutório, que tem o intuito de nos fazer pensar a todos sobre um tema importante. Daqui a mais umas semanas irei falar a fundo deste mesmo assunto, já com o mesmo bem preparado e estruturado.
Lembro-me de ouvir falar desta questão em várias disciplinas da licenciatura em geografia, onde muitas vezes esta palavra, minifúndio, tinha quase como que uma conotação negativa. Os anos passaram e a aprendizagem continua, pois afinal estamos sempre a aprender, algo que alguns esquecem...
Confesso que começo a ser um defensor acérrimo do minifúndio, pois este é afinal a última fronteira, intransponível, contra a ganância, corrupção e tudo aquilo que acaba por desvirtuar a bela paisagem cultural da região Sicó. Compreendo naturalmente alguns pontos negativos ligados ao minifúndio, mas sejamos sérios, isso é um mal menor. Problema é sim a mentalidade de muitas pessoas, essa é que tem de mudar e é esse afinal o cerne da questão. Havendo boa vontade tudo se resolve, o resto é conversa.
Caso o minifúndio acabasse abruptamente nesta região, o que aconteceria seria algo de tremendamente negativo, ou seja um total e colossal desvirtuar da fabulosa paisagem desta região. As mudanças nunca são desejáveis quando o que move essa mudança é a ganância, a especulação e o lucro, puro e duro, daí eu salientar os factos atrás referidos.
O minifúndio é um tema que dá para abordar das mais variadas formas, uma delas, que irei futuramente destacar, é que o eucalipto é uma árvore nada bem vinda num sistema de minifúndio. Digo eu que é um mal menor termos minifúndio, pois desta forma ainda se vão mantendo muitos terrenos onde o que domina é o carvalho, a azinheira e outros mais. Se assim não fosse, teríamos basicamente monocultura de eucalipto, o que não é uma floresta, algo que vale a pena relembrar!
Assim sendo, penso que o que referi neste comentário já dá para preparar o terreno para o que se seguirá, num muito próximo comentário...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Porque batem os jovens com a porta de Sicó?


Foi há poucos dias que mais um amigo meu bateu com a porta e emigrou. Foi apenas mais um a engrossar uma lista cada vez maior, a qual irá inevitavelmente crescer ainda mais, algo que não gostando, acabo por compreender perfeitamente. Mesmo assim, é algo com o qual não me conformo.
Uns vão sozinhos e outros levam as respectivas famílias, daí o que numa primeira fase representa "apenas" uma saída, acaba por se multiplicar por dois ou três. No último caso conhecido foram 3 pessoas, nas quais o Estado tanto investiu e agora mandou um chuto nos respectivos rabos...
Apenas ontem tive tempo para ouvir a reportagem da TSF, mais precisamente o programa Terra-a-Terra, que foi emitido no sábado, precisamente na minha terra natal, ou seja Ansião. Ouvi com atenção todos os entrevistados, mas naturalmente que a minha atenção foi para dois dos intervenientes, dois autarcas da região, um de Ansião e outro de Alvaiázere.
Já depois de ter escutado tais discursos, pensei, pensei e pensei. Foram palavras que não me surpreenderam, em primeiro lugar porque os discursos foram precisamente na linha do que defendo activamente e factualmente à muitos anos. Mesmo assim, noto que tais discursos, genericamente não são consequentes com as acções políticas respectivas, sendo portanto incoerentes. Muito do que foi dito é óbvio, contudo este acentuar dos discursos pelo património surge apenas e só por um motivo, o de que o tempo do betão acabou e esse modelo, que os autarcas sempre defenderam, está esgotado, o que os leva a enveredar por este discurso conveniente, muito amigo do património. Enquanto que em tempos de vacas gordas o objectivo era o betão, em tempo de vacas esqueléticas estes viram-se para a única coisa que lhes resta, o património. Felizmente que esta "única coisa" representa tudo o que é realmente importante!
Na entrevista houve factos que não foram coerentes, havendo vários exemplos por onde poderia pegar. Gostei daquela tentativa de caracterização demográfica, e respectivos saldos demográficos, mas não passou disso mesmo uma mera tentativa que tentou desculpabilizar, de forma parcial, factos importantes, menosprezando o cerne da questão. Sacode-se a água do capote...
Quanto a mim foi pintado um cenário cor de rosa pelos autarcas, quando na realidade assim não o é. Porque será que não ouvi uma única vez um mea culpa destes, já que afinal estes também têm a sua quota parte no cenário que leva muitos jovens a abandonar a região e o país? Será que não há humildade para reconhecer que estes também erram e que errar é afinal humano?
Falam em empreendorismo, elogiando... quem não os afronta, mesmo que de forma honesta e construtiva. Gostei do enorme esforço que foi feito para não ser referido o meu nome, algo que foi conseguido (esta tinha de sair...). No que me toca, o empreendorismo (atrás implícito) é gratuito, pois não ganho dinheiro com isso, faço-o pela região e pelo seu património.
Já referi, em tempos, que já tentei profissionalmente a minha sorte em termos de empreendorismo na região de Sicó, contudo houve quem se desse ao trabalho de me fechar portas e dificultar a coisa (em Ansião quiseram "ajudar", mas um vizinho não...), algo que lamento profundamente. Sinceramente não sei se irei voltar a tentar, já que ando saturado de imbecis, corruptos, oportunistas, gente mesquinha, bananos e afins (são muitos anos...). E não, não me estou a referir ao universo da política, estou sim a referir-me à sociedade em geral, pois todos têm culpa no cartório, uns mais outros menos. Quem sabe do que estou a falar não se vai ofender, pois felizmente que ainda há muito pessoal com valor, e não é desses que me estou obviamente a referir, esse é um campeonato à parte. A maior parte dos que lêem este blog é deste último campeonato, o meu.
Emigrar? Não me parece, muito embora eu seja alguém que adora viajar para aprender. Gosto demasiado do meu país, o que não significa que um dia eu não possa fazer as malas. Penso que a melhor solução será migrar em vez de emigrar, muito embora a decisão final ainda não esteja tomada, sendo, para já, uma hipótese. Portugal é um país que apesar de pequeno é tremendamente rico a quase todos os níveis, nós subestimamos o nosso país e só vemos para fora, esquecendo-nos que, cá dentro, temos tudo o que os outros têm (e mais ainda!). Há que ver para fora, mas cá dentro...
No que concerne à região de Sicó, ela é quase que uma coutada, gerida por interesses vários e por várias capelinhas, daí o insucesso de uma região com um potencial tremendo, algum do qual já castrado. Somos a região do quase já há duas décadas. Por essas e por outras é que eu sou (mais) um daqueles que está na "eminência" de bater com a porta de Sicó, muito embora apenas fisicamente, pois aconteça o que acontecer continuarei com o meu trabalho em prol do património de toda uma região fenomenal. O meu lóbi pró-Sicó continuará. Nos próximos meses irei tomar uma decisão, a ver vamos qual vai ser, se fico por Sicó ou se migro para outra região. Acontecimentos ocorridos nos últimos meses têm favorecido a última hipótese, mas pode ser que a coisa se equilibre, espero eu...
Este comentário é um bocado pesado, eu reconheço, mas há alturas em que tem mesmo de ser, pois há muito em jogo. É o futuro de toda uma região que está em jogo e o futuro de várias gerações, é isso que está em causa, nada mais. E claro, a cultura, esse parente pobre...
Lembro que ei de continuar a censurar e denunciar tudo aquilo que corrói e degrada a a alma da região de Sicó, lembrando também os medrosos que sabem do que falo, mas que se mantêm calados e coniventes com este estado vegetativo do país.
E, para terminar, lembro a quem utiliza o termo desertificação, que este é um termo que não tem nada a ver com as pessoas, mas sim com os solos. Para nos referirmos à perda de população devemos sim utilizar o termo certo, ou seja despovoamento. Esta é elementar meus caros autarcas!