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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O que é que eles andarão a fazer?



Há umas semanas deparei-me com estas e outras imagens nas redes sociais. Se por um lado fiquei contente em ver um elemento paisagístico como este a ser construído (são raros os que ainda resistem), por outro fiquei preocupado ao perceber que não seria um abrigo de pastor, mas sim um abrigo construído para caçadores. Foi a impressão com que fiquei e logo que falei no termo caçadores, alguns saíram da toca, tendo a coisa, e de certa forma, aquecido.
Isto passa-se na Serra de Alvaiázere, uma serra fantástica, mas que infelizmente tem sido alvo de acções absolutamente destruidoras das suas mais valias.
Nunca escondi que não aprecio a caça nem a maior parte da atitude dos caçadores, dado a caça ser actualmente algo de absurdo (apenas se justificam algumas acções de controle de algumas espécies, nada mais) e ser um mundo onde o vandalismo e o desrespeito pelo mundo natural é o pão nosso de cada dia.
Irei estar atento ao que por ali se passa, já que se há uma coisa que é certa é o facto dos caçadores serem especialistas a fazer asneiras, por mais tentem fazer passar uma boa imagem, de gente respeitadora. Uma das últimas situações que me lembro, nesta serra, foi de quando ardeu da última vez, num incêndio muito suspeito. Havia no topo da serra um local onde os caçadores tinham um comedouro, que utilizavam para alimentar a caça. Depois de ardido, nem se deram ao trabalho de limpar e levar dali os restos de plástico. Simplesmente mandaram o plástico uns metros para o lado e colocaram um novo comedouro. É algo que ilustra bem a forma de ser dos caçadores. Sei que nem todos são assim, mas também sei que a maioria é assim mesmo.
Se tivessem o mesma atitude que têm pela caça e a estendessem ao património natural, aí as coisas podiam ser bem diferentes. Mas felizmente que o tempo irá fazer com que a caça nos moldes actuais termine. Chamar à caça um desporto é simplesmente estúpido!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Geovandalismo, puro e duro!


No início, este ícone situado na bela Serra de Alvaiázere era assim, belo, extraordinário, único. Era um local de interesse geomorfológico de uma rara beleza, não conhecendo eu nenhum semelhante na região de Sicó. Descobri este lindíssimo LIGeom lá para 2006, em pleno trabalho de campo da tese de mestrado. Nunca divulguei a localização exacta deste ícone, pois tinha receio daquilo que acabou por vir a acontecer. 


Sendo um local muito particular, apresentava uma vulnerabilidade muito elevada, já que qualquer pascácio se podia empoleirar em cima e fazer com que a pedra resvalasse, destruindo assim algo de muito belo de se ver. Quando assim é, mais vale não divulgar o local e a respectiva localização. Contudo, mais tarde ou mais cedo este é descoberto, ainda mais quando existe uma cache por perto.


Há semanas atrás, quando lá fui com alguns amigos ligados ao património geológico, deparei-me com algo difícil de ser ver. Estranhei, no início, não encontrar o local, pois já tinham passado 2 anos desde a última visita, mas depois de palmilhar uns megalapiás, lá dei com o LIGeom. Não podia acreditar, ele já não existia...


Conhecendo eu bem o local, e já depois de uma pequena perícia, cheguei a uma conclusão, a de que a queda do bloco não tinha sido acaso, mas sim causada por um qualquer paspalho que de forma consciente ou inconsciente, fez o bloco desabar. Infelizmente é algo típico quando se trata deste tipo de ocorrências. Desaparece assim um ícone. Triste, muito triste...


domingo, 9 de fevereiro de 2014

É apenas uma questão de tempo...



É uma questão que já há vários anos me preocupa enquanto geógrafo físico e também enquanto cidadão. Penso que é a segunda vez que abordo aqui o tema da dinâmica de vertentes, tema este que é entendido como algo sem interesse pela maioria de vós, pelo menos até a vertente bater à porta, no sentido literal.
Em 2006, quando andava a palmilhar a Serra de Alvaiázere, durante o trabalho de campo da tese de mestrado, deparei-me com uma situação que me prendeu a atenção. Tratava-se de uma extensa área, situada a meia vertente (Sul) da Serra de Alvaiázere, a qual estava numa situação nada estável, estando bem à vista isso mesmo. Seja pelos enormes blocos calcários, seja por uma extensa cicatriz de deslizamento, fiquei bastante preocupado com aquela situação. Apesar de, na altura, já terem passado 3 anos da pertinente disciplina dinâmica de vertentes, durante a licenciatura, os olhos ainda estavam bem treinados para este tipo de situações.
Poucos meses depois, aquando de uma visita de um professor universitário, aproveitei para o levar lá e consegui também que Paulo Tito Delgado fosse também, de forma a constatar in loco esta ameaça. Ninguém ficou indiferente ao caso, nesse dia, tendo eu aproveitado para sugerir que a Câmara Municipal de Alvaiázere começasse a monitorizar esta situação, já que ela apresentava e apresenta ainda, um risco para a população situada mais abaixo, tal como a primeira fotografia mostra. Infelizmente nada se fez para acompanhar esta situação.
Não é certo quando é que a vertente se irá mover, ou mesmo os enormes blocos, pois isso pode acontecer independentemente um do outro. O certo é que isso irá acontecer mais tarde ou mais cedo, daí eu voltar a insistir num acompanhamento das entidades para isso credenciadas, nomeadamente pela Câmara Municipal de Alvaiázere, já que isso é a sua competência e responsabilidade em termos de protecção civil.
Quando surgiu novamente o projecto para o parque eólico da Serra de Alvaiázere, e sabendo que queriam colocar duas torres na proximidade daquela área, fiquei ainda mais preocupado, pois era intenção utilizar explosivos durante o processo de construção das sapatas, o que poderia ter consequências em termos de estabilidade de vertentes. Nessa altura voltei a abordar o caso, por escrito, alertando para a situação. Mais uma vez, nada se fez...
Soluções? Sim, havia e eu até coloquei em cima da mesa algumas. Uma delas foi a de celebrar protocolos com universidades, já que, na altura, eu apresentei 3 ideias para protocolos com 3 universidades portuguesas. Duas destas estavam receptivas, pois, através de contactos prévios, estas já tinham mostrado disponibilidade. A terceira também estaria, no entanto, e na altura, a proximidade ainda não era a indicada, portanto qualquer eventual protocolo não surgiria tão rápido como nos dois primeiros. E para que seriam estes protocolos? Simples, para várias coisas, todas elas ligadas à investigação, pois estabelecendo parcerias, rapidamente surgiriam estudantes interessados em investigar este e outros casos, a custo muito reduzido, quando comparado com aquele que acaba por resultar aquando da contratação de empresas do ramo. Até apresentei a ideia de criar um espaço para receber estes investigadores, através da reabilitação de uma antiga escola primária. Contudo nada disto interessou a Tito Morgado, algo que este nunca esclareceu cabalmente.
Finalizando, espero que aquela vertente se mantenha assim, quietinha, mas se isso não acontecer, eu estarei de consciência tranquila caso haja danos ou perdas humanas, pois alertei para a situação, várias vezes!




quinta-feira, 18 de julho de 2013

Pelo património, contra os lóbis participar, participar!


Este meu comentário reveste-se de uma dupla importância. Em primeiro lugar, pretende apelar à participação pública, numa situação particular, de todos aqueles que realmente amam este país, em especial o belo território muitas vezes resumido apenas por "Sicó". O motivo é simples, o seu património está mais uma vez em risco de destruição e degradação.
Em segundo lugar, este comentário pretende apontar aquilo que poucos têm coragem de apontar, ou seja aquilo que está mal, aquilo que está incorrecto e aquilo que claramente não é do interesse público.
Assim sendo, começo pelo início:


Foi já há umas semanas atrás que esteve a decorrer um primeiro processo de participação pública, o qual está associado a um muito estranho projecto, previsto para uma área protegida, mais precisamente na Serra de Alvaiázere.
Nesse primeiro processo houve uma falha importante, a qual fica agora colmatada, embora não esquecida, com a repetição do processo de participação pública. Da mesma forma que critiquei quando aconteceu essa falha, aplaudo agora o facto do processo estar a ser devidamente repetido, dando assim tempo a que as pessoas interessadas consultem o processo nos serviços da Câmara Municipal de Alvaiázere. Folgo em ver que o pleno exercício da cidadania tem resultados práticos.
Nos próximos dias irei consultar o processo, algo que, devido à tal falha, não consegui fazer da primeira vez. Mesmo assim, nessa altura, a minha participação saldou-se num documento com cerca de 12 páginas. Suspeito que agora o mesmo terá uma revisão aumentada, já que vou ter acesso a documentação que tem sido secreta e estado muito distante das populações.
Não me vou alongar aqui com pormenores, vou sim centrar-me sobre algo que mostra um facto deveras preocupante...
Importa contudo sublinhar outra questão fundamental, a montante desta. Sendo o actual PDM datado de 1997, este, em termos práticos, não está a ser revisto, estão sim a ser promovidas alterações de alguns artigos, curiosamente que favorecem apenas e só uma política do betão. Porque será? Promove-se primeiro o desordenamento e depois revê-se o PDM, "só para inglês ver"?
Indo então directo ao ponto que pretendo sublinhar, a Câmara Municipal de Alvaiázere justifica a necessidade de alterar os limites do perímetro do núcleo de desenvolvimento turístico da "Estalagem na Serra de Alvaiázere" com a seguinte justificação:

"6. FUNDAMENTAÇÃO DA PROPOSTA
A fundamentação da proposta de alteração do artigo 20.o do Regulamento do Plano Diretor Municipal, decorre da necessidade de se proceder ao ajustamento dos limites do perímetro do núcleo de desenvolvimento turístico da “Estalagem na Serra de Alvaiázere”, tal como se encontra definido no Plano Diretor Municipal, na planta de ordenamento e na planta de condicionantes.
Pretende-se também com esta alteração, articular e harmonizar o empreendimento pretendido com o Regulamento do Plano Diretor Municipal e com a correta delimitação da mancha definida, atendendo que a mesma se encontra incorretamente definida relativamente à rede viária existente."


Para quem não está por dentro destas lides, a justificação até pode parecer justificável, passe o pleonasmo, no entanto há ali gato (XXL). O projecto em causa não tem cabimento no PDM, daí a Câmara Municipal de Alvaiázere estar a tentar forçar a alteração de limites legalmente instituídos, para que o projecto caiba naquela serra. Para isso surge com uma argumentação que além de incorrecta é falaciosa, ou seja:

- Na figura 3 (segunda figura), que é um extracto da Planta de Ordenamento, todos podem ver que a mancha, a amarelo, afinal está devidamente definida relativamente à rede viária existente. Sublinho que esta é a cartografia legal e a única que pode, de forma vinculativa, ser utilizada para legitimar quaisquer intenções da Câmara Municipal de Alvaiázere. Um processo sério e imparcial só pode utilizar aquela cartografia.
- Já na primeira figura, a Câmara Municipal de Alvaiázere, fez algo que em termos cartográficos é grave e que representa uma situação de incompetência inaceitável. Isto acontece por um motivo, o desconhecimento de regras cartográficas que, embora básicas, não são compreendidas por quem tem a obrigação de as compreender. Ou seja, para tentar legitimar a vontade expressa do seu autarca, Tito Morgado, pegou-se em cartografia não oficial e meramente indicativa para justificar algo que não é sequer uma incorrecta delimitação na Planta do PDM. Há que responsabilizar o técnico que teve este erro grosseiro em termos do lidar com informação geográfica.
Basicamente pegou-se numa shapefile (com coordenada "H"), decorrente da vectorização das cartas do actual PDM, e colocou-se uma Carta Militar "por debaixo" (com coordenada "G"), induzindo assim em erro todos aqueles que analisam o Relatório de Fundamentação da Proposta de Alteração do Artigo 20º do Regulamento do PDM de Alvaiázere. Em termos práticos trata-se de manipulação cartográfica indevida, pois o simples desconhecimento de regras cartográficas básicas, leva a que uma péssima utilização de cartografia meramente indicativa, passe como cartografia vinculativa e, por isso leve em erro todos os que vêm aquele documento. Isto leva a que as pessoas façam juízos de valor com base em algo que não corresponde à verdade. Quem observar esta primeira figura, sem saber dos factos, pensa que há razões para corrigir, mas afinal não há erro algum a corrigir. Há sim um erro induzido, o qual tem de ser devidamente explicado por esta entidade pública.
Como é que eu consegui discernir este erro? Simples, fui eu que, em 2005 vectorizei as cartas do actual PDM, sabendo que as shapefiles que resultam desta vectorização são apenas indicativas e não vinculativas. Qualquer pessoa que vá aos serviços da Câmara Municipal de Alvaiázere, pedir uma planta de localização, na qual sejam utilizadas estas shapefiles, é informada que ela não é vinculativa mas apenas indicativa, ou seja não tem quaisquer validade processual. Só se a pessoa levar uma planta de localização baseada na cartografia original (e válida...), aquela na segunda imagem, é que esta planta é válida em termos de processo.
Resumindo, temos uma shapefile (polígono amarelo) com coordenada "H", uma carta militar com coordenada "G" e uma Planta de Ordenamento com coordenada "J", fazendo a Câmara Municipal de Alvaiázere pressupor, erroneamente, que as 3 têm as mesmas coordenadas. 
Agora importa questionar esta e outras mais questões, pois o património não pode ser posto em causa com base em péssima utilização de cartografia, mais ainda não vinculativa em termos processuais. 
Há alternativas para um hotel, basta para isso recuperar uma quinta histórica de Alvaiázere...
Fico ao dispor de eventuais esclarecimentos por parte de quem tenha dúvidas sobre este processo de participação pública, a qual se prolongará até dia 6 de Agosto de 2013.




Para terminar, um comentário que apesar de ter 2 anos, continua bem actual:


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Assalto à Serra de Alvaiázere


É um título figurado, inspirado num filme que muitos de nós conhecem e que já viram vezes e vezes sem conta. Mas este é outro filme, real, passado em Alvaiázere, o qual conta igualmente com várias sequelas. Desta vez a acção passa-se na Serra de Alvaiázere, essa serra que conheço tão bem e que já percorri a pé de lés a lés, vezes e vezes. 
Já há alguns anos que venho a alertar sobre este "assalto" à Serra de Alvaiázere, ao seu património, deixando aqui um desses exemplos:



Já em 2012, mais precisamente em Setembro, tive o privilégio de ser entrevistado pelo programa Biosfera (da Farol de Ideias), da RTP2, uma referência em temáticas ambientais. Nessa entrevista tive a possibilidade de demonstrar a todo/as o erro crasso que é este projecto de hotel para uma área supostamente protegida. Há alternativas, mas estas nunca foram ponto de interesse, partiu-se sim logo para a ideia de um elefante branco, custe o que custar, que nem capricho. Tem-se um discurso político (Paulo Morgado) em que à frente da imprensa se diz que se deve aproveitar o que já existe, em termos de edificado, mas depois, nas costas da imprensa, os factos são outros, betão, betão e mais betão.
Indo então aos factos:


Este artigo 20º tem a ver precisamente com aquilo que poderia permitir a construção de um hotel na Serra de Alvaiázere. Apesar de no PDM actual existir um espaço pensado, há mais de 15 anos, para uma estalagem, a qual nunca foi construída, este mesmo espaço não permite o projecto de hotel que de forma desesperada andam a tentar aprovar. É um projecto megalómano e completamente desajustado para aquela área protegida. Toma-se a coisa já como aprovada, mas afinal muita água irá ainda correr por debaixo da ponte...
Como este artigo 20º não permite a construção de um hotel, a Câmara Municipal de Alvaiázere está a tentar alterar tal artigo, moldando-o ao projecto, facto inaceitável em termos de ordenamento do território, esse bicho do qual Tito Morgado tão amigo se dizia em campanhas eleitorais. A edilidade refere que não é preciso um Plano de Pormenor, tal como previsto no PDM, pois diz que isso atrasaria os trabalhos. Diz também que a cartografia tem imprecisões, as quais justificam as alterações propostas.  
Um dos pontos mais estranhos neste projecto quase secreto, é o de que apesar desde processo de participação pública estar a decorrer desde o dia 3 deste mês, este apenas na última segunda-feira foi publicitado no site da Câmara Municipal de Alvaiázere. Isto é interessante, pois o facto de apenas na última semana de discussão pública ter sido publicitado na internet, impediu que a quase totalidade das pessoas interessadas em participar no processo pudessem ir à Câmara Municipal de Alvaiázere consultar o processo, pelo menos as que são contra. Há coincidências curiosas, isso há...
Já não é a primeira vez que surgem situações que, na minha opinião, se afiguram como que uma tentativa de limitação de participação de cidadãos que são contra tal projecto. A situação que atrás refiro será motivo de reclamação na entidade própria.
Mas não é tudo...
Um dos pontos principais, no qual a Câmara Municipal de Alvaiázere sustenta a necessidade de alterar (diga-se aumentar a área prevista...) a área de implantação de tal projecto, é o facto de haver incorrecções na cartografia. Ora, isso é falso, já que utiliza-se cartografia sem validade legal para sustentar as aspirações do projecto. Ou seja, em vez de se utilizar a carta de ordenamento, único documento válido, utiliza-se uma shapefile que apesar de resultar da vectorização da mesma carta de ordenamento, não tem quaisquer validade legal, mas apenas indicativa. É curiosa esta inocente omissão. Só consegui detectar esta questão porque, curiosamente, fui eu que vectorizei as cartas do actual PDM, sabendo portanto como são as coisas em termos técnicos. É um erro grosseiro e é a partir deste mesmo erro grosseiro que a Câmara Municipal de Alvaiázere sustenta indevidamente a sua posição, no que se refere a esta questão específica. Não gostaria de pensar que esta poderia ser uma tentativa de manipulação cartográfica, tal como acontece por este Portugal fora. Não se pode justificar os factos na base de falsos pressupostos
Mais ainda, qualquer projecto de estalagem para aquela área deve ser impedido, pois as condições actuais assim o obrigam. Quando o PDM entrou em vigor esta área não era protegida e agora é, é simples e não custa entender. Faça-se sim um hotel numa quinta histórica de Alvaiázere.
O documento de justificação da alteração, apresentado pela Câmara Municipal de Alvaiázere é tudo menos justificativo, pois, na minha opinião, não apresenta factos imparciais, fundamentados e sérios do ponto de vista técnico. Recorre-se sim a termos pomposos, constrói-se um cenário onde os actores principais são a demagogia e o populismo. Todos estes, e outros pontos, foram debatidos no documento que enviei hoje para a Câmara Municipal de Alvaiázere. Lamento apenas que aquele esquecimento, diga-se de passagem muito conveniente, tenha levado a que eu e muitos outros não tivéssemos a oportunidade de ir consultar todo o processo nas instalações da Câmara Municipal de Alvaiázere.
Por tudo isto e por muito mais, considero que aquele projecto nunca poderá ser aprovado, a bem do património. Há todo um processo muito pouco claro por explicar, algo de incompreensível numa sociedade supostamente democrática...
Fica uma questão essencial, para reflexão, como pode um projecto que além de não ter cabimento no PDM e não estar aprovado, ter já financiamento comunitário? Como pode isto acontecer, sabendo também que parece que existe um empresário nortenho interessado, o qual teria apenas de investir 1 milhão de euros, pois os restante 5 seriam pagos com fundos comunitários? Para que serve a União Europeia, se por um lado promove a Rede Natura 2000 e depois dá fundos para projectos que colidem com esta mesma Rede Natura 2000?
E não, não tenho receio algum de estar contra este projecto, pois apesar de saber que estou a lidar com interesses poderosos, sei também que tenho muita água para mandar aos seus pés de barro. E esse ponto é bem sabido por estes mesmos interesses. A argumentação que dou, neste caso, é pura água para os pés de barro deste projecto anómalo.
Lembrem-se que o exercício da cidadania não pode nem deve ser limitado seja por quem for. Exercer a cidadania não é apenas um direito, é sim um dever, pois só assim podemos tornar Portugal um país melhor. Desde que o façam como eu, de forma honesta e construtiva (e incisiva, pois claro), não terão problemas neste mesmo país fabuloso que urge proteger e valorizar devidamente!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Queimar para reinar: retaliação cobarde na Serra de Alvaiázere?



Foi o triste culminar de uma das semanas mais complicadas que tive em termos combate em incêndios florestais. Depois de ter estado 3 dias e 2 noites nos incêndios de Pombal/Ourém e Alvaiázere (Maçãs D. Maria) eis que surgiu um incêndio na Serra de Alvaiázere.
Quando me telefonaram, a pedir disponibilidade para estar de reforço no quartel, nem queria acreditar, a  bela Serra de Alvaiázere estava em chamas. Confesso que me emocionei, já que se já é difícil aceitar que algo esteja a arder, mais difícil é aceitar que algo tão belo esteja sujeito a este drama anual que são os incêndios florestais. Trabalhei muito em prol da Serra de Alvaiázere, daí a proximidade perante a mesma me afectar ainda mais. Mas desenganem-se, não irei esmorecer, já que a Natureza irá curar as suas feridas!
Estava para falar desta questão dos incêndios, já que há semanas atrás surgiu um outro incêndio muito suspeito a Sul da Serra de Alvaiázere, o qual sinceramente me parece que teve intuitos bem definidos. Não esperava agora que fosse a Serra de Alvaiázere a começar a arder, muito embora fosse algo que sempre tivesse receio, já que alguém eventualmente poderia retaliar desta forma perante a minha luta em prol desta área em particular.
Ontem foi então um dia em que muito pensei, já que há factos que importa agora trazer a público. Na quarta-feira, dia 5 de Outubro, andei praticamente o dia todo com uma equipa de filmagem, de forma a retratar várias questões polémicas associadas à Serra de Alvaiázere. A reportagem será emitida nas próximas semanas (irei anunciar aqui no azinheiragate), no programa Biosfera, da RTP2.
Durante esse dia, fomos "vigiados" por algumas "pessoas", as quais ficaram francamente incomodadas com o facto de eu estar a falar perante uma câmara. Uma delas, passou pateticamente perante nós, num carro, a uns 10 à hora, tendo voltado momentos depois, sempre a olhar para nós de forma intimidatória. Pararam a escassos metros dos nossos carros, fingindo que iam ver uma vinha que nem sequer era deles... 
Eis que no dia seguinte à reportagem, surge um incêndio, precisamente na Serra de Alvaiázere, será coincidência? Não me parece, parece-me sim que possivelmente alguém terá mandado incendiar a Serra de Alvaiázere, numa atitude típica de quem pensa que a Serra é sua coutada. É uma atitude tipo "se a serra não é para mim, então não é para ninguém", a qual confirma tudo aquilo que sempre disse sobre interesses corruptos que pairam sobre este território. Será, na minha opinião, uma atitude de retaliação, a qual mostra que há gente que é capaz de tudo, mas mesmo tudo, para conseguir o que pretende. Aposto que esta gentalha ainda irá vitimizar-se, aproveitando uma tragédia a seu favor, mesmo que seja a culpada pela mesma. É repugnante que haja gente com esta mentalidade em pleno século XXI.
Embora não fosse difícil de imaginar, e pelo que me informaram, este incêndio teve mesmo origem criminosa, portanto o puzzle não será impossível de montar. Quem meteu este incêndio infelizmente sabia o que fazia, já que o ponto de ignição foi realmente estratégico.
Espero que a Judiciária consiga apanhar o pirómano, bem como o seu eventual mandante. Não sou adepto de teorias da conspiração, mas que aqui há gato há...
Não me vou alongar muito mais, já que o cansaço de uma semana dura ainda se manifesta em mim, quero apenas terminar apelando a que todos se mexam para acabar com este drama que são os incêndios. Eu já faço o meu papel há muitos anos e de variadas formas, é duro, é arriscado, mas vale a pena arriscar a vida pela floresta, pelos nossos bens e por todos nós, cidadãos de Portugal!
Finalizo apenas com um pedido, o de que divulguem a sete ventos esta questão que agora retratei.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Um colossal equívoco geográfico

Este é daqueles casos que não poderia de forma alguma deixar passar em branco, já que afinal é um colossal equívoco geográfico. Começo então pelo cerne da questão:

"O AXtrail®series 2012

Circuito de trail running nas Aldeias do Xisto

Em 2012 o AXtrail®series soma a sua 5ª edição e novidades não vão faltar... combinámos o melhor dos percursos anteriores com novos trilhos, desafiamos-te a aperfeiçoar a técnica de corrida em montanha com alguns dos melhores atletas nacionais e internacionais num Trail Running Camp e ainda a participar no Ultra trail das Aldeias do Xisto. Para os caminheiros prometemos, novos percursos e o tão apreciado acompanhamento e interpretação dos nossos guias.
Na #01 serie voltamos às Aldeias do Xisto de Ferraria de S. João e Casal de S. Simão, para mais uma prova memorável ao longo da Ribeira de Alge e Ribeira da Ferraria. Em Junho, é a vez da Serra de Alvaiázere o receber numa prova de vistas amplas, realizada ao entardecer e que tem como principais trunfos os aromas e panorâmicas da Serra, e que o pode surpreender com um pôr-do-sol fascinante.
Em Setembro organizamos pela primeira vez um Trail Running Camp, com o objectivo de promover a técnica de corrida em trail, a troca de experiências e o convívio entre atletas. As inscrições são limitadas, não perca!
Guardamos o maior e mais aliciante desafio para o encerramento do circuito. Se gostaste do K42 Portugal, não percas o Ultra Trail das Aldeias do Xisto (UTAX), a Serra da Lousã ainda tem muito para mostrar...."
Fonte: http://www.axtrail.go-outdoor.pt/
Para os mais desatentos este texto pode parecer normal, no entanto há aqui um notável equívoco geográfico. Sendo um circuito de trail running, que ocorre nas Aldeias do Xisto, que faz ali o trail Serra de Alvaiázere? A serra de Alvaiázere é uma serra calcária, daí este colossal erro. Se me dissessem que era um trail das Aldeias do Carso, até aí tudo bem, agora um trail running das Aldeias do Xisto em plena serra calcária? É um erro elementar, no entanto até é apoiado por entidades oficiais, precisamente aquelas que têm maiores responsabilidades e que deveriam chamar à atenção quem promove o equívoco territorial. Importa referenciar também que este é um péssimo exemplo de marketing territorial, onde se compra uma coisa que afinal não o é. Sicó fica a perder com este equívoco territorial, bem como a própria Marca Aldeias do Xisto, já que, quanto a mim, utilizou-se uma Marca de forma indevida. Se quiserem promover provas deste género no carso é simples, enquadrem-nas na Marca Aldeias do Carso, Marca esta que ainda não existe, por mais absurdo que possa parecer...
Outro pormenor que me intriga é a posição da Câmara Municipal de Alvaiázere, a qual até tem estado a trabalhar na questão das Aldeias de Xisto. Como se explica que esta autarquia, tendo duas aldeias situadas em Maçãs de D. Maria, esteja a potenciar este equívoco territorial? Porque não se promoveu esta prova no seu devido lugar? Mais uma vez Tito Morgado mostra que o seu conhecimento sobre o território que (des)governa é muito limitado e supérfluo, é a minha simples e humilde opinião de geógrafo.
Lamento que de todas as entidades que deveriam defender Sicó, do ponto de vista do marketing territorial, nenhuma o fez. É por estas e por outras que Sicó está como está. Este episódio irá sem dúvida alguma para o álbum dos episódios mais caricatos em termos de marketing territorial em Sicó.
Pessoalmente gosto muito de fazer este tipo de provas (apenas recentemente experimentei esta vertente do atletismo, depois de 14 anos de provas de estrada...), e só não fui a este trail porque senti-me enganado em termos geográficos. Isto além de ter ficado triste por ver que isto ocorreu numa serra que tanto me diz. Factos do Portugal e Sicó reais...
Quanto à empresa que promoveu esta prova, fica uma sugestão, que crie ela própria a Marca Aldeias do Carso, coisa que os sabichões que (des)governam Sicó ainda não se deram ao trabalho de fazer. Irá ver que é algo com potencial...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vergonha local, regional e nacional!


Mesmo sabendo que sempre esperei de tudo num caso tão pernicioso como é o processo do parque eólico na Serra de Alvaiázere, onde a polémica já se desenrola há anos (inclusivé em tribunais que infelizmente não têm know how em questões de direito ambiental...), confesso que nunca esperei aquilo com que me deparei este fim de semana, quando me desloquei à Serra de Alvaiázere para mais uma ronda de monitorização ambiental associada a este escandaloso processo.
O que está a acontecer mostra que nada funciona neste país, Ministério do Ambiente, ICNB; CCDR-Centro e demais entidades. Só funciona mesmo o interesse financeiro predatório, contra tudo e contra todos, passando por cima de tudo o que é etica e moralmente aceitável, é a minha humilde opinião.
Não vou repetir o que já disse sobre este processo, vou sim falar de algo que vi da última vez que fui à Serra de Alvaiázere.
Antes de falar sobre algo muito complicado, queria apenas referir que supostamente as grutas encontradas no decorrer desta obra (várias...) deveriam ser preservadas e o parque eólico deveria ser compatibilizado com grutas existentes. Isto é a Declaração de Impacte Ambiental que o diz, portanto, supostamente, deveria ser para cumprir.
No entanto encontrou-se uma solução que considero no mínimo ilícita, para tornear um problema que atrasou em vários meses (10 meses!) os planos da empresa promotora deste parque eólico.
Tendo ido eu, mais uma vez, à Serra de Alvaiázere, eis que me deparo com a construção da sapata de uma torre eólica, precisamente em cima de uma gruta! Aquele tapume de ferro está exactamente por cima da entrada da gruta. A máquina que vêm está a abrir um segundo buraco, com um diâmetro de quase meio metro, já que o primeiro (com cerca de 10 metros de profundidade) já está feito. Isto será para sustentar melhor a sapata da torre, já que debaixo está uma gruta!!!!!!! Já estou mesmo a ver a desculpa para isto, deverá ser algo do género, que estão a utilizar uma técnica de construção que permite deixar acesso por debaixo, mesmo com a torre em cima, algo que eu consideraria de anedótico em termos ambientais (e não só...).
Este caso é o que eu denomino de vergonha nacional! Sinto vergonha, enquanto cidadão e enquanto geógrafo, assistir a algo tão triste na região de Sicó e num país onde quem manda é o dinheiro. Ética e moral são coisas do passado que, supostamente, a democracia deveria ter cultivado...
Espero sinceramente que a investigação que está a ser feita sobre este processo traga tudo a público, mesmo que algumas pessoas estejam bastante nervosas com isso...
Eu aqui continuarei firme na defesa do património da região de Sicó, sem receio algum da cidadania activa que faço questão de exercer de forma honesta e construtiva!
Apesar de agora nada impedir que o parque eólico seja terminado, farei deste caso um case study a nível nacional (pela gravidade e precedente da situação no domínio do ordenamento do território), de forma que o mesmo não se volte a repetir. Isto a bem do património natural e cultural deste país.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Processo judicial pára parque eólico controverso

Nota: fotografia meramente de enquadramento, à entrada da estrada de acesso ao parque eólico da Serra de Alvaiázere.
Foi uma notícia que considero muito importante no que concerne ao ordenamento do território em Portugal, não se cingindo afinal à região de Sicó. Curiosamente ainda não vi nenhuma nota sobre a notícia nos jornais locais ou regionais, algo que em parte de deve concerteza à pressão de alguns lóbis para que o facto não se saiba. Infelizmente para estes mesmos lóbis, anuncio aqui no azinheiragate a notícia que em poucas horas chegará à imprensa local, regional e, quiçá, nacional.
Não sei ao certo quando foi interposto o processo judicial que fez com que o parque eólico da Serra de Alvaiázere "parasse", muito embora parte já estivesse meio parado desde a minha denúncia (e outras) em Dezembro último sobre irregularidades em dois dos locais de implantação das torres (além de muitas outras irregularidades que por exemplo já conseguiram cancelar duas torres planeadas, imagine-se, dentro do perímetro de um monumento arqueológico de valor internacional...).
Neste preciso momento estão montadas duas torres e a restante obra está praticamente parada, algo que me alegra tendo em conta que o processo deste parque eólico tem irregularidades tão graves que até me espanta ter demorado tanto tempo até que mandassem parar (de novo) as obras.
Comecei a alertar para este caso há 3 anos, sendo que há 2 anos coloquei no youtube alguns vídeos a alertar para o grave caso. Na altura alguns lobistas chamaram-me nomes feios e tentaram descredibilizar-me, mas não tiveram sucesso algum (já me esquecia que na altura fui também alvo de ameaças à integridade física através da internet sob o anonimato...).
Soube há poucos dias de uma história que mostra bem o desespero de alguns destes lobistas, desde há algum tempo andam a fazer contra-informação, imagine-se que até dizem aos idosos de um lar que eu sou contra o parque eólico porque não gosto de Alvaiázere e porque será algum tipo de vingança contra terceiros... Só conseguem fazer este género de acções com pessoas com pouca ou nenhuma literacia, pois todas as outras pessoas sabem o quanto gosto de Alvaiázere, o quanto já fiz, faço e irei fazer por Alvaiázere e que o que faço é contra lóbis corruptos que pairam por aqueles lados. Eu não me vendo!
Voltando à questão do parque eólico, penso que está a desenrolar-se uma acção judicial que poderá de alguma forma mostrar que os parque eólicos não podem ser feitos em áreas tão frágeis e valiosas como é o caso da Serra de Alvaiázere. Não sei qual é que irá ser o desfecho, pois os lóbis têm ainda muito poder, mas uma coisa é certa, estamos a fazer-lhes frente e a mostrar que as regras são tendencialmente para cumprir e não para enfeitar, isto no que concerne ao ordenamento do território, património arqueológico, natural, etc.
Ouvi dizer que já há milhões de prejuízo, algo demagógico e profundamente lamentável de referir, pois prejuízo é a Serra andar a ser expoliada do seu património, de valor internacional. O prejuízo é apenas para os lóbis que andam a depradar a Serra de Alvaiázere do seu valiosíssimo património, por isso não tenhamos pena destes.
Já para não falar que prejuízo é esta Serra ser um ícone internacional e nunca ter sido aproveitado este mesmo potencial a favor das populações, isso já não é referido pelos lóbis....
A questão aqui é uma questão de justiça, não acreditem na história das energias alternativas, já que o que está em jogo aqui é o interesse financeiro de alguns. Há alternativas, para este parque eólico, em locais que não destroem nada comparado com o que ali está a ser destruído!
Para já não me vou alongar neste tema, já que daqui a breves dias haverá novos desenvolvimentos...
Só para finalizar, algo que apesar de já fora do tema de hoje me dá imenso prazer, algo que me (nos) é permitido porque eu cumpro as demais regras morais, éticas e profissionais, o que me move é o amor pelo país, pelas suas gentes e por tudo aquilo que nos permite, enquanto espécie, usufruir deste belo planeta de uma forma sustentável. A liberdade de expressão e o dever de cidadania permitem-nos expressar as nossas opiniões e defender o nosso país de traidores e sem medo de represálias de lóbis corruptos, por isso mesmo digo a uma pessoa em especial que curiosamente ocasionalmente lê este blog (apesar de não me suportar...), é uma questão de tempo até a justiça te bater à porta, pensa nisso! O dinheiro não compra tudo, por mais que penses que compra.
Um dos pontos fortes do povo português é que bem informado nunca se vende e nunca troca um património secular por um punhado de notas que mais não servem para comprar ilusões efémeras, isto mesmo que este mesmo povo passe mal. O património não é efémero, além disso consegue-se ganhar muito dinheiro usufruindo deste mesmo património de uma forma sustentada no espaço e no tempo, ganhando assim as populações com isso.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O "semblante encapotado" da Serra de Alvaiázere


Estávamos ainda em 2007 (Outubro), quando fui avisado que estavam a rasgar a Serra de Alvaiázere, o objectivo seria a abertura de uma estrada de acesso para um parque eólico. Já em 2004 tinham tentado implantar ali um parque eólico, mas sem sucesso, pois foi chumbado.
Esta notícia para mim era no mínimo estranha, já que eu, na altura, trabalhava na Câmara Municipal de Alvaiázere, na qualidade de técnico superior em geografia. A primeira coisa que me veio à cabeça foi " porque é que sendo eu a pessoa mais credenciada na matéria não soube de nada?".
Foi com uma certa consternação que vi uma outra informação algo estranha, após pesquisa nas actas da Câmara Municipal de Alvaiázere, vi que a acta nº 17/2007, datada de 6 de Setembro, dava um parecer positivo para o tal acesso ao parque eólico. Tinha sido requirido um parecer, pelo autarca local, à Divisão onde eu prestava serviço a essa mesma data, e eu nunca tinha sabido de nada, algo de realmente estranho sendo eu a pessoa mais habilitada para esse mesmo parecer.

Entretanto comecei a informar-me, já que não queria estar a formar opiniões sem saber de facto o que se passava. Poucas semanas depois soube que não havia autorização para a abertura de qualquer estrada, havia apenas autorização, do Ministério do Ambiente, para fazer um desbaste de vegetação para permitir a passagem de máquina de sondagens.
Parecia que havia ali uma política de terra queimada, destrói-se primeiro e pergunta-se depois.



Foi ali que comecei a perceber que havia qualquer coisa que batia mal, tendo começado a mexer-me no meio de forma a denunciar a situação gravíssima que se estava a passar. Muito antes de ter tido os problemas que me levaram à saída compulsiva do meu posto de trabalho, já eu tinha feito alguma investigação, coisa que uma pessoa em especial tentou esconder da opinião pública, pois a certa altura houve quem dissesse que eu tinha feito denúncia desta situação em particular apenas após Dezembro de 2007, quando afinal meses antes já eu andava no terreno, há documentação disponível na internet que comprova isto mesmo (um dos documentos foi discutivo num fórum de geógrafos em Novembro de 2007).

http://azinheiragate.blogspot.com/2008/05/parques-elicos-e-desordenamento-do.html


Ao longo das semanas a investigação ia avançando e as minhas denúncias também, as quas foram feitas nas entidades próprias e não na praça pública, portanto o que agora refiro (à excepção do que direi no final) já não é nada de novo, estou apenas a atar pontas soltas.


Descobri então outra coisa curiosa, algo que até hoje ninguém me respondeu, mesmo tendo eu questionado à quase ano e meio as entidades oficiais, onde é que está a declaração de impacte ambiental, ou melhor a sua revovação? Sim, porque a DIA datada de 2004 nunca foi revogada e um projecto nunca pode arrancar sem este importante documento.

Fiz, na altura, alguns vídeos no youtube que denunciavam vários factos muito estranhos, no mínimo:


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/30/eMFox97ates


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/31/H8jR5zYaFp8


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/32/LJZJOr7mjGM


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/33/-XcvN6NzUzo


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/24/nS_24zzSXh8


http://www.youtube.com/user/joaopauloforte#p/u/10/GnJR3DFBXvU


Depois de terem visto estes breves comentários, penso que já estão em condições de perceber que ali há gato, mas continuemos...


Outro facto que fiz questão em salientar foi o porquê de todo este processo estar a ser feito nas costas da população, ou então o porquê da falta de diálogo entre a SEALVE, SA, empresa promotora, e a população. Curioso é ninguém, da população, saber quem está por detrás de uma empresa denominada por Sociedade Eléctrica de Alvaiázere, SA. Onde está o diálogo com a população?

Ainda mais estranho, na altura, era o facto de todas as afirmações sobre este caso serem feitas por alguém que não funcionário ou gerente executivo da empresa promotora, ao invés era sempre o autarca local que fazia afirmações sobre as matérias relacionadas com este processo, porquê? Sendo os terrenos baldios não seria correcto ser a população a fazer afirmações?


Na altura, e em sede própria, até pedi que me fosse respondido pela autoridade própria, se este autarca teria algum tipo de ligação, directa ou indirecta com a empresa promotora de parque eólico. Igual pedido foi feito sobre um elemento da Assembleia de Câmara, o ex. ministro Arlindo de Carvalho. Foram duas questões que até agora, quase dois anos depois, não me foram respondidas.


Quanto mais eu investigava, mais a pressão sobre a minha pessoa aumentava, parecia que havia quem temesse esta minha investigação. Descobri coisas muito curiosas, além do que referi até agora, desde uma curiosa delimitação do maior castro da península ibérica, a qual não incluia todo o perímetro do povoamente arqueológico (na parte não incluída surgiam três torres a ser implantadas), até um edifício com mais de 30 metros, para apoio ao parque eólico (com garagem e tudo). Tudo isto numa serra reconhecida a nível internacional pelo seu valor natural e cultural, algo de lamentável.


No estudo elaborado por uma empresa externa até surgiam coisas estranhas, desde afirmações que não correspondiam à verdade científica, até contradições notórias sobre habitats protegidos.


Tudo isto foi rebatido, entre outros, por mim durante o processo de participação pública, sendo que durante este processo o acesso à informação foi-me muito dificultado. Uma das dificuldades surgiu quando fui à Câmara Municipal de Alvaiázere para consultar a documentação, tive inclusivé de fazer uma queixa por este mesmo facto (não fiz queixa no livro de reclamações porque entendi que por causa de uma pessoa só não pode pagar a imagem de uma instituição nobre como é o caso desta autarquia), fazendo a queixa à entidade mais indicada.


Mesmo no site onde deveria constar o Resumo Não Técnico, da Agência Portuguesa do Ambiente, este esteve inacessível durante todas as vezes que eu tentava consultar, algo de muito estranho. Mesmo agora podem procurar que a única coisa que surge é do 2004, porquê?


Já em 2008, e após muita tinta correr nor jornais, surgiu o esperado 2º chumbo do projecto do parque eólico, algo, para mim, de perfeitamente natural, já que era um projecto inaceitável para esta Serra em especial e havia alternativas para o parque eólico.


Após o chumbo, surgiram algumas vozes discordantes, dizendo que todos aqueles que tinham dado parecer negativo a este projecto absurdo (eu e várias entidades locais e regionais), deveriam reçarcir a autarquia pelo prejuízo causado pelo atraso neste projecto, algo de lamentável da parte do autarca local, Paulo Tito Delgado Morgado.


http://azinheiragate.blogspot.com/2008/12/elica-gate-na-serra-de-alvaizere.html


Logo começou um processo, liderado por este autarca, com vista à reanálise deste processo com vista a uma aprovação do mesmo. Foi apresentado um projecto que pessoalmente considerei como que uma pressão ineceitável para reverter o chumbo:


http://azinheiragate.blogspot.com/2009/05/exclusivo-nacional-alvaiazere.html


Já este ano, há poucos meses surgiu no site da Câmara Municipal de Alvaiázere um aviso sobre a passagem de linhas de alta tensão para o parque eólico da Serra de Alvaiázere, algo que me intrigou. Afinal sendo eu uma pessoa bem informada não sabia que o chumbo tinha sido revertido, continuo sem saber, seja oficial ou não oficialmente, já que os meus "tentáculos" chegam bem longe...


Ainda hoje tento procurar informação sobre isto, já que tento estar actualizado todas as semanas. Há poucos dias, quando passei por Alvaiázere, surgiu uma pessoa que me avisou que já andavam máquinas a tratar de começar as obras para as linhas de alta tensão, algo que me incomodou profundamente, já que parece que a política por terras de Alvaiázere é a política da terra queimada, faz-se primeiro e questiona-se depois. Uma técnica usada por pessoas sem escrúpulos, resta saber quem são realmente estas pessoas...


Penso, com toda a certeza, que este é um caso passível de investigação por entidades competentes na matéria, bem como da imprensa nacional, pois temo que haja aqui factos que sejam graves demais para que um jornal regional investigue e depois possa ter sérios problemas por isso.


Basicamente poderá ser um furo jornalístico de relevância supra-regional!


Não é costume meu pedir favores, apenas os peço em favor da comunidade, não em meu nome. Por isso peço aos orgãos de comunicação social que semanalmente visionam este blog, nomeadamente Agência Lusa, televisões, etc, que investiguem esta situação, pois os últimos acontecimentos mostram que aqui há gato...


Se eu temo ameaças por estar a mexer-me em terreno perigoso? Sinceramente não, tenho os meus cuidados e tenho as costas bem quentinhas, pautando sempre as minhas afirmações pela verdade e moralidade e não por outras razões que não as do apuramento da verdade. Digo isto por um motivo muito simples, há mais de um ano que fui alvo de ameaças não identificadas quando falei neste caso, portanto quem fez as ameaças lembre-se que estou ainda mais forte do que quando fui alvo de ameaças e continuo a não temer.


Pretendo cabal esclarecimento deste caso e para isso há que apurar responsabilidades, custe o que custar, doa a quem doer...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Adensam-se as graves suspeitas na serra de Alvaiázere....

As suspeitas começaram muito antes da fase de avaliação pública do parque eólico de Alvaiázere, reforçaram-se na fase de avaliação pública (Julho de 2008) e confirmaram-se na fase de pós-avaliação do respectivo projecto (Fevereiro de 2009).
É certo e sabido o valor internacional da Serra de Alvaiázere (apesar de uma elitezinha intelectual tentar esconder isto...), quer no que concerne ao seu património natural, quer no que toca à existência do maior castro (povoamento) da península ibérica da Idade do Bronze. É certo e sabido que aquela área, em especial, necessita de uma criteriosa atenção, mas que infelizmente tem sido apenas ignorada pelas entidades locais, regionais e nacionais.
Num país democrático, o projecto que surgiu para a construção de um parque eólico neste serra, seria logo à partida chumbado, curiosamente ainda não foi (embora já tenha sofrido alguns revés que irritaram uma pessoa em especial...). Não sou só eu que detectei factos curiosos e gravosos no processo associado a este eventual parque eólico, portanto, como um pesudo político refere eu e muitos outros não somos entraves ao desenvolvimento, somos sim actores locais de desenvolvimento que têm legitimidade para participar nas decisões que afectam, para bem ou para mal, este território (Sicó). Pessoalmente eu gosto de me intitular anticorrupto, pois geógrafo já todos sabem que sou...
Continuando, vários pareceres negativos representativos de centenas de pessoas da região foram entregues na entidade própria, onde aliás descrevemos com precisão o sucedido e expomos as suspeitas que temos sobre o que, de facto, se passa de estranho neste processo, quer no que se refere a factos concretos quer no que se refere a pessoas possivelmente envolvidas num caso que pode envolver, entre outros, alguém ligado à política da alta esfera. Basicamente a coisa está montada para aprovar o projecto sem que para isso haja legitimidade legal e moral, pois o que está em questão é apenas interesse financeiro!
Há alguns ditos inteligentes, que ficam muito ofendidos com estas suspeitas, não sabem sequer o que significa a liberdade de expressão legalmente instituída nesta democracia com mais de 30 anos (pautando-se por valores legais e morais, pois há quem confunda liberdade com libertinagem...), mas felizmente que, apesar de tudo o que de mal se faz neste país, ainda podemos denunciar o que de mal se passa por aqui. O seu problema é que lhes interessa o bem pessoal, pois o bem público está depois, estão onde estão pelo interesse e quem se lhes mete à frente pode ter sérios problemas e ser alvo de ameaças cobardes e ainda por cima supostamente não identificadas.
Não me vou alongar muito nesta questão, pois não quero estragar a surpresa a umas pessoas em especial, mas fico à disposição da comunicação social para qualquer tipo de esclarecimento, pois este tema é demasiadamente interessante para ficar em branco....
Como é que podem sequer pensar em construir um parque eólico numa serra que é protegida por legislação nacional e internacional, com valores insubstituíveis? Ainda por cima há alternativas sem impacto algum, mas como não favorece determinadas pessoas nem sequer se equacionou isso, será coicidência? Não nos parece, de todo...
Brevemente voltarei a este assunto, pois para já quero apenas adoçar a coisa, daqui a pouco tempo este assunto vai surgir de um modo.... abrangente.
Sei que vão haver duas ou três pessoas que vão tentar abafar a coisa, mas felizmente hoje em dia na sociedade global basta um blog para fazer toda a diferença em vários assuntos. Como já muitos sabem, quando eu digo que ali há gato, é porque há mesmo, eu não faço as coisas por menos, pois está o nosso património em jogo, literalmente!